O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa e sem fins lucrativos que reúne jornalistas de 43 veículos de comunicação brasileiros para descobrir e investigar informações suspeitas sobre políticas públicas, eleições presidenciais e a pandemia de covid-19 que foram compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens.
Filtro:

Políticas públicas

Investigado por: 2021-02-15

Vídeo engana ao comparar dois trechos diferentes da Transamazônica para elogiar governo Bolsonaro

  • Enganoso
Enganoso
Montagem de vídeo usa imagens de dois trechos diferentes da rodovia, um asfaltado e outro por pavimentar, como se fossem registros de um mesmo local em momentos diferentes. Na realidade, o trecho que aparece no vídeo como um lamaçal continua sem pavimentação e o outro já estava asfaltado quando o governo Bolsonaro tomou posse.
  • Conteúdo verificado: vídeo com uma estrada não asfaltada seguido de um vídeo de uma estrada asfaltada indica que o mesmo trecho mudou radicalmente após a eleição de Bolsonaro

É enganosa uma montagem de vídeos que circula nas redes sociais com uma suposta comparação de um mesmo trecho da rodovia Transamazônica, a BR-230, durante o período dos governos do PT com os primeiros meses do governo Bolsonaro.

A montagem usa duas gravações, feitas em locais diferentes.

Na primeira parte do vídeo, que seria dos governos do PT, motoristas e motociclistas tentam ultrapassar um lamaçal em uma rodovia. A gravação mostra a região de Ladeira da Onça, em Brasil Novo, no Pará, que ainda não foi asfaltada.

Na segunda parte, um motorista trafega por uma estrada asfaltada e em boas condições. Ao contrário do que diz o vídeo, esse trecho da BR-230/PA que aparece em boas condições não foi asfaltado durante o governo Bolsonaro, mas antes de 2019.

Como verificamos?

Em uma busca reversa de imagens com prints do vídeo, encontramos o vídeo original, gravado em 2018. O vídeo viralizou como peça de humor em diversas páginas (veja abaixo), algumas alegando ter sido gravado em locais diferentes.

Em uma das buscas, encontramos a reportagem do Bom Dia Pará, jornal da Rede Liberal (afiliada à Globo), que veiculava o nome do local do primeiro vídeo como “Ladeira da Onça”, no município de Brasil Novo (PA). Buscamos o local nas ferramentas de geolocalização Google Maps e Google Street View. Nas imagens, é possível ver a mesma cerca azul e branca, confirmando que o vídeo realmente foi gravado na Rodovia Transamazônica, na altura do km 48. Entramos em contato com Valdemídio Silva, morador de Brasil Novo, que confirmou o local do primeiro vídeo como a Ladeira da Onça.

A imagem do Google Street View é de 2019 e é possível ver que a estrada não havia sido asfaltada naquele ano. Já a foto de satélite do Google Maps é de 2021, e indica que o trecho da Ladeira da Onça ainda é de estrada de terra.

Entramos em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para obter informações sobre o km 110 da rodovia Transamazônica, mas não tivemos resposta até a publicação. Consultamos notícias no portal do Governo Federal sobre o asfaltamento da BR-230 confirmadas por verificações da Agência Lupa, Estadão e Aos Fatos sobre o mesmo vídeo, verificando que o trecho km 110 foi asfaltado anos atrás, antes do governo Bolsonaro.

Contatamos o deputado Anderson Moraes (PSL- RJ) para obter informações sobre a fonte do vídeo, mas não tivemos resposta.

Verificação

O vídeo que viralizou é formado por duas partes. No primeiro trecho, motociclistas e caminhoneiros tentam subir uma ladeira de lama. No segundo, um motorista dirige por uma estrada asfaltada, alegando ser o km 110 da Transamazônica. A união dos vídeos dá a entender que o motorista está andando pelo mesmo trecho que antes era cheio de lama, o que não é verdade.

Ladeira da onça

Em uma reportagem do Bom Dia Pará, de dezembro de 2018, há a informação de que a primeira parte do vídeo foi gravada na altura do km 48 da Transamazônica (BR-230) no Pará, local conhecido como Ladeira da Onça, no município de Brasil Novo (PA). A localização é incompatível com o km 110 da Transamazônica, como afirma o autor do segundo vídeo, na estrada asfaltada.

O Comprova entrou em contato com o repórter e locutor Valdemídio Silva, morador da cidade de Brasil Novo (PA) há 36 anos, que confirmou que o primeiro vídeo foi gravado na Ladeira da Onça, e circula há cerca de 2 anos. Outros vídeos da mesma época mostram o sofrimento dos usuários da via.

Vídeo bloqueado em perfil de deputado

O vídeo que viralizou foi publicado originalmente pelo deputado Anderson Moraes (PSL-RJ) no Facebook em 17 de janeiro de 2020, e contém a marca d’água com nome e foto do deputado na parte inferior. O Facebook classificou o vídeo como “Informação Falsa” e bloqueou sua exibição na plataforma. Recentemente, o vídeo foi compartilhado por uma usuária no Twitter e voltou a circular. O Comprova entrou em contato com o deputado, que não retornou.

O governo atual fez obras na Transamazônica?

A rodovia Transamazônica é a terceira maior do Brasil, com 4260 km de extensão implantada, cortando os estados da Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas.

Em nota à agência Lupa, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que o km 110 da BR-230/PA não foi asfaltado em 2019, como sugere o vídeo, mas “anos antes”. O DNIT também informou que em 2019, durante o governo Bolsonaro, foi concluída e inaugurada a pavimentação entre os km 0 e 12,1 da Transamazônica no Pará.

Em maio de 2020, o Governo Federal informou que concluiu a pavimentação de 32 quilômetros, entre o km 235 e o km 267 da rodovia. A nota promete a pavimentação de 101,9 quilômetros da rodovia federal, com investimento de R$ 219 milhões. Segundo o balanço anual do Ministério de Infraestrutura do Governo Federal, a pavimentação de 32 km entre Itupiranga e Novo Repartimento, no Pará, e 3 pontes de concreto foram as únicas obras na Transamazônica em 2020.

Em apresentação sobre as obras da BR-230/PA no ano de 2015, o então secretário de Gestão dos Programas de Transportes do Governo Dilma Rousseff, Miguel de Souza, informou que o segmento entre os km 12 e 134,9 da Transamazônica no Pará foi pavimentado durante a gestão petista.

Por que investigamos?

Atualmente em sua terceira fase, o Projeto Comprova verifica conteúdos que dizem respeito a políticas públicas do governo federal e à pandemia de covid-19. As verificações são feitas em conteúdos que viralizam de forma significativa, caso do vídeo investigado aqui.

A postagem falsa referenciada teve quase 3 mil interações no Twitter no mês de fevereiro e o conteúdo já viralizou por publicações de outros autores uma dezena de vezes desde 2019, incluindo pelo deputado citado na verificação. Supostas realizações do governo Bolsonaro na área de infraestrutura têm sido objeto de desinformação.

Agência Lupa, Estadão e Aos Fatos já verificaram o conteúdo.

Enganoso, para o Comprova, é todo conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

 

Esta verificação contou com o apoio de estudantes de jornalismo do programa de estágio firmado com a FAAP.

 

Políticas públicas

Investigado por: 2021-02-05

É enganoso dizer que vídeo de vagões com contêineres empilhados seja do primeiro trem no trajeto do MT ao porto de Santos

  • Enganoso
Enganoso
Ao contrário do que afirmam publicações nas redes sociais, o trem que aparece nas imagens não é o primeiro a trafegar pela ferrovia. O primeiro trecho da Ferronorte foi inaugurado em 1999 e o mais recente foi entregue em 2013. A operação dos vagões double stack, que transportam dois contêineres empilhados, começou em julho de 2019.
  • Conteúdo verificado: Vídeo compartilhado no WhatsApp, Tik Tok e no Facebook mostra um comboio transportando contêineres sobrepostos afirmando, na legenda, que esse seria o “primeiro trem saindo do estado do Mato Grosso para Santos” e que a imprensa não iria divulgar.

Um vídeo que mostra um comboio da Rumo Logística, com contêineres de sua subsidiária, a Brado, saindo de Alto Taquari (MT) supostamente rumo ao Porto de Santos (SP), foi tirado de contexto e entrega conteúdo enganoso. A legenda das publicações, que viralizou em mais de uma rede social, engana ao afirmar que trata-se do primeiro trem a percorrer o trajeto entre o Mato Grosso e o porto de Santos.

O vídeo foi originalmente publicado pelo entusiasta de trens e ferrovia Jeferson da Luz no dia 24 de novembro de 2020, em seu canal no Youtube, Ferrovia Sul. As imagens foram tiradas de contexto no dia 2 de fevereiro de 2021, por publicações na conta do Tik Tok.

O primeiro trecho da Ferronorte, entre Santa Fé do Sul, no estado de São Paulo, e Alto Taquari, foi inaugurado em 1999, ao passo que o trecho mais recente foi entregue em 2013. Assim, é errado afirmar que o trem mostrado no vídeo seria o primeiro.

Por sua vez, a operação dos vagões double stack, estes que aparecem no vídeo com contêineres empilhados, começou em 19 de julho de 2019. Portanto, elas já estavam em funcionamento havia quase um ano quando o vídeo foi gravado.

Como verificamos?

O Projeto Comprova utilizou a ferramenta InVID para identificar outras vezes em que este vídeo foi postado. A busca levou para uma publicação na conta oficial no Facebook do ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), sem a legenda enganosa.

A postagem do ministro dava crédito para o canal no YouTube chamado Ferrovia Sul, administrado por Jeferson da Luz. Conversamos com Jeferson por meio de mensagens no Instagram, e ele nos confirmou a autoria do vídeo, o local e a data em que foi gravado. Por outro lado, negou que tenha escrito a legenda compartilhada nas redes sociais de forma viral.

Também entramos em contato por e-mail com o Ministério da Infraestrutura do governo federal e a Secretaria de Infraestrutura do Mato Grosso (Sinfra), que também negaram a veracidade de que o trem gravado fosse o “primeiro saindo de Mato Grosso para Santos”.

Por fim, falamos pelo WhatsApp com a empresa Rumo, responsável pelo trem mostrado no vídeo.

Verificação

O autor do vídeo

O Projeto Comprova encontrou o autor do vídeo: Jeferson da Luz, que trabalha no setor ferroviário e é um entusiasta de trens e ferrovias. Ele posta suas fotos e vídeos em seu canal no Youtube, o Ferrovia Sul, e também em suas contas pessoais no Instagram (@polaticus) e no Facebook.

Jeferson conta que o vídeo e as fotos do comboio que viralizaram neste início de fevereiro foram registrados em Alto Taquari (MT) no dia 24 de novembro de 2020, em uma viagem que ele fez de Curitiba (PR) para Rondonópolis, para visitar seu tio. Ele diz que jamais imaginou que o vídeo viralizasse.

“Falar que é o primeiro trem do Mato Grosso para o Porto de Santos? Já está errado”, informa Jeferson da Luz.

Ele lembra que a Ferronorte existe desde a década de 1990. “E as operações double stack, até onde eu tenho conhecimento, é de meados de 2019”, complementa. As datas condizem com as informações fornecidas pelo Ministério da Infraestrutura (mais informações abaixo).

O trabalhador do setor ferroviário descreve como captou as imagens: “Eu estava apressando minha viagem porque queria registrar o trem double stack né? Moro em Curitiba, e aqui não temos esse tipo de trem, que é a grande atração da Malha Norte (trecho da antiga Ferronorte)”, relembra.

Hobby

Sobre as contas no Facebook, Instagram e YouTube, Jeferson afirma que trata-se de um hobby. “Registro imagens de trens e ferrovias desde 2004, e agora com a pandemia, resolvi juntar todo esse material e passar para frente”.

Voltando à cena em que filmou o trem double stack da Rumo Logística em Alto Taquari (MT), Jeferson disse que estava de férias na ocasião. “Como é um hobby meu, eu só juntei o útil com o agradável”, afirma. Ele enviou à reportagem uma foto de seu equipamento montado no exato momento em que registrava a passagem do trem.

A Ferronorte

Conforme a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Ferronorte atualmente tem 735 km de extensão entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Por meio de e-mail, a Secretaria de Infraestrutura e Logística do Mato Grosso (Sinfra) informou que o terminal ferroviário de Alto Taquari foi inaugurado em 1999, o trecho de Alto Araguaia em 2002 e o trecho complementar entre Itiquira e Rondonópolis em 2013. “Desde então nenhum terminal ferroviário foi reformado ou construído em Mato Grosso”, diz a nota.

Conforme contou Jeferson, o vídeo mostra uma operação chamada “double stack”, na qual dois vagões são empilhados um em cima do outro. O Ministério da Infraestrutura informou ao Comprova que este tipo de operação foi iniciado em 2019, após reformas no traçado e adaptação da linha férrea. “O primeiro trem double stack a circular foi em junho de 2019, partindo de Sumaré (SP) até Rondonópolis (MT) e descendo novamente ao ponto de origem”, diz a nota.

Por meio de nota, a concessionária Rumo confirmou que a operação “double stack” teve início em 19 de junho de 2019. Explicou que a operação consiste em contêineres de dois níveis, “sendo dois de 40 pés ou um de 40 pés e dois de 20 pés”. A empresa não informou quantos vagões têm a composição.

Por que investigamos?

Em sua terceira fase, o Comprova checa conteúdos virais sobre a pandemia de covid-19 e sobre políticas públicas do governo federal. O vídeo tirado de contexto e com a legenda enganosa foi compartilhado em mais de uma rede social, com alto engajamento no TikTok (ao menos 20,1 mil interações). Ele também foi postado no Twitter pelo deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e teve ao menos 5.495 impressões e 1.333 retuítes.

Investimento em infraestrutura e a inauguração de obras entraram para o foco do governo de Jair Bolsonaro.. O próprio vídeo de Jeferson da Luz foi compartilhado na página oficial do presidente, sem a legenda falsa.

Não é a primeira vez que a operação “double stack” é alvo de desinformação. O Comprova publicou checagem em outubro de 2019 na qual mostrava ser enganoso afirmar que o investimento no transporte de contêineres empilhados na Ferronorte teria relação com o governo Bolsonaro.

Este conteúdo também foi checado por Boatos.org.

Enganoso, para o Comprova, é conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações. 

 

 

Políticas públicas

Investigado por: 2021-02-01

Gastos com leite condensado e outros alimentos são de todo Executivo e não apenas de Bolsonaro

  • Enganoso
Enganoso
Vídeos publicados no TikTok atribuíam, erradamente, os gastos ao "consumo próprio" do presidente da República
  • Conteúdo verificado: Publicações na rede social Tik Tok afirmam que os gastos públicos revelados em reportagem do portal Metrópoles foram de consumo do presidente Jair Bolsonaro.

São enganosas as informações de vídeos publicados no TikTok que atribuem ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) os gastos de R$ 1,8 bilhão em alimentos com base em reportagem do portal Metrópoles.

Publicada em 24 de janeiro, a reportagem traz dados sobre as despesas com alimentos de todos os órgãos do poder Executivo no ano de 2019 pagas em 2020. Os gastos com itens como biscoitos, sorvete, massa de pastel e, sobretudo, leite condensado, viralizaram nas redes sociais e causaram revolta, gerando uma onda de críticas de milhares de usuários sobre os supostos gastos e estilo de vida de Jair Bolsonaro.

Um dos vídeos verificados, publicado no TikTok em 26 de janeiro, afirma que o governo Bolsonaro gastou R$ 1,8 bilhão “para consumo próprio”. Outro vídeo, publicado no mesmo dia, mostra cenas de Bolsonaro, segundo o autor, “dando uma de humilde” e depois afirma que “o verdadeiro Bolsonaro” “gasta R$ 15 milhões em leite condensado”.

Os altos valores revelados pelo Metrópoles são despesas pagas com recursos da União, destinados a suprir gastos de todo Executivo. Segundo reportagem do Poder360, os principais destinos dos alimentos comprados pelo governo federal são o Ministério da Defesa e o Ministério da Educação. Isso porque os órgãos citados são responsáveis pela administração dos insumos destinados a quartéis, escolas, universidades federais e hospitais universitários que oferecem refeições em restaurantes tipo bandejão.

De acordo com o portal UOL, os gastos abordados na reportagem são referentes ao ano de 2019, pagas em 2020. Isso porque o valor que foi efetivamente gasto é diferente daquele que foi empenhado. O valor empenhado em 2019 corresponde à previsão orçamentária. Já o pago, é quanto foi desembolsado de fato no ano de 2020.

Como verificamos?

Procuramos a repórter do jornal brasiliense Metrópoles, que publicou a primeira reportagem a respeito dos gastos do governo, Rafaela Lima, para verificar como foi feita a apuração e extração dos dados mencionados na matéria, no Portal de Compras do Ministério da Economia. Averiguamos todos os dados apurados pela repórter e colocados na reportagem e as notas emitidas pelos ministérios da Defesa e da Educação.

Pesquisamos também outras verificações a respeito, como do AosFatos, Estadão Verifica, do portal de notícias UOL e do Poder 360. As matérias averiguaram a que esfera e segmento pertencem os gastos publicados na reportagem do Metrópoles.

Outro caminho abordado foi o próprio portal Painel de Compras. Porém, publicações na imprensa nos últimos dias mostraram que há imprecisão nos dados, além de alteração na navegação do Painel de Compras .

Verificação

Acessamos a reportagem do portal Metrópoles a respeito dos gastos públicos. Segundo matéria assinada pela repórter Rafaela Lima, as despesas reveladas se referem a todos os órgãos do Executivo, não somente à Presidência da República. Não são gastos, portanto, para “consumo próprio” do presidente.

Do valor de R$15,6 milhões em leite condensado mencionado na reportagem, R$ 14,2 milhões foram empregados pelo Ministério da Defesa. Em seguida, vêm os ministérios da Educação (R$ 1 milhão), da Justiça (R$ 327 mil) e da Saúde (R$ 61 mil). Ao Metrópoles, a Defesa afirmou que os gastos com alimentação são maiores porque o órgão é responsável pela comida do efetivo das Forças Armadas, referente a cerca de 370 mil pessoas.

Em nota, o Ministério da Defesa alega que a compra de alimentos leva em consideração o fornecimento de uma dieta adequada para deixar seu efetivo num “estado nutricional saudável para a realização de suas atividades laborais”.

O órgão argumenta ainda que “com disponibilidade permanente e dedicação exclusiva, os militares realizam atividades inerentes à profissão militar e que possuem exigências físicas específicas em diferentes áreas de atuação e nas mais diferentes regiões do território nacional”. Informa que também é fornecida “diariamente alimentação para militares e servidores civis que permaneceram com atividades essenciais ao cumprimento de sua missão institucional, mesmo durante a pandemia, por meio de suas Unidades Gestoras”.

Com relação à compra, o Ministério da Defesa diz que “existem processos de licitação em fase inicial de compra tipo Registro de Preços, que se trata de um edital para pregão, sem, contudo, haver sido consumada a compra dos itens discriminados.”

Registro de Preço é um procedimento que permite que os órgãos públicos realizem suas compras a preços acessíveis através das modalidades de licitação de Concorrência Pública e Pregão (eletrônico ou presencial), nas quais é selecionada a proposta mais vantajosa, pressupondo o fiel princípio da isonomia, pois sua compra é projetada para uma futura contratação.

O Ministério da Educação (MEC) também emitiu nota onde ressalta que “é uma pasta complexa, à qual estão vinculadas autarquias, empresa pública, universidades federais, institutos federais e hospitais universitários, com atividades em todo território nacional”.

A rede de ensino federal é formada por Universidades Federais e seus campi, onde são mantidos Restaurantes Universitários (RU’s) que servem refeições para a comunidade acadêmica (discentes, docentes e servidores). Compõem também o sistema federal de ensino Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), além do Colégio Pedro II.

Além das instituições federais de ensino, o MEC esclarece que as compras de gêneros alimentícios também abastecem os hospitais universitários, sendo que os insumos são “destinados” à alimentação de pacientes, profissionais de saúde e colaboradores, sendo regulamentado o fornecimento de refeições. A rede é formada por 50 hospitais vinculados a universidades federais, e destes, cinco são maternidades. Em 2020, essas unidades foram responsáveis por mais de 4 milhões de atendimentos, entre consultas, exames e cirurgias”.

Buscamos também referência na verificação de outros veículos da imprensa. Apesar das postagens afirmarem que os gastos são da Presidência, o Painel de Compras não mostrou despesas alimentares deste órgão pagas em 2020, conforme apurou o Estadão Verifica.

O Comprova conseguiu contato com os autores dos vídeos por meio do Instagram. Eles afirmaram que sabiam que os gastos são de todos os órgãos do Executivo, mas que não estavam cientes de que as despesas citadas na reportagem do Metrópoles referem-se a gastos de 2019, não de 2020.

Por que investigamos?

A publicação do portal Metrópoles, através da checagem de seu núcleo de jornalismo de dados, gerou repercussão em diversos outros veículos da imprensa brasileira. No último dia 27, o próprio presidente Jair Bolsonaro se manifestou a respeito, atacando a imprensa em meio a um almoço com apoiadores.

A repercussão chegou nas redes sociais, como em postagens de vídeos no Tik Tok. O vídeo do canal Tony Devito, um dos verificados aqui, teve mais de 104 mil visualizações um dia após a postagem, chegando a 3.060 compartilhamentos e 3.615 curtidas até o fechamento desta reportagem. Na mesma rede social, um vídeo publicado por Camila Moreno que atribuiu os gastos revelados a consumo próprio do presidente teve 470 mil visualizações, com 96 mil likes e 12 mil compartilhamentos até hoje (01/02).

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo que usa dados imprecisos, que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Políticas públicas

Investigado por: 2021-01-15

É falso que Ford vai deixar de produzir veículos de passageiros globalmente

  • Falso
Falso
Tuíte de um ex-ministro da Educação do governo Bolsonaro esconde que a empresa decidiu aumentar os investimentos para continuar produzindo carros em países vizinhos, como Argentina e Uruguai
  • Conteúdo verificado: Post no Twitter do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, em que afirma que a saída da Ford não tem relação com o Brasil

São falsas as afirmações feitas em um tuíte pelo ex-ministro da Educação Abraham Weintraub de que a Ford não decidiu sair apenas do Brasil, e sim parar de produzir “veículos de passageiros” em todo o mundo. Desde 2018, a empresa vem anunciando a interrupção na fabricação de alguns modelos de carros de passeio – como o Focus e o Fusion – nos Estados Unidos. O anúncio da última segunda-feira (11), no entanto, foi do fechamento das três fábricas que a montadora tem no Brasil, enquanto aumenta os investimentos para continuar produzindo carros em países vizinhos, como Argentina e Uruguai.

O tuíte também afirma que a Ford estaria desistindo de competir com outros fabricantes de veículos europeus e asiáticos. Para o coordenador de Cursos Automotivos da Fundação Getúlio Vargas, Antônio Jorge Martins, ouvido pelo Comprova, isso não procede. Para ele, o que está por trás da decisão da Ford é a estratégia de produzir nos locais onde está presente e ofertar mais produtos tecnológicos, escolhendo um nicho de mercado.

Também não é verdade que a Ford irá produzir agora “apenas caminhonetes e o Mustang” em todo o mundo, como afirma o ex-ministro. No comunicado em que fala sobre o fechamento das fábricas no Brasil, a Ford diz que continuará atendendo a região da América do Sul com seu “portfólio global de veículos, incluindo alguns dos veículos mais conhecidos da marca como a nova picape Ranger produzida na Argentina, a nova Transit, o Bronco, o Mustang Mach 1, e planeja acelerar o lançamento de diversos novos modelos conectados e eletrificados”.

Dos quatro modelos citados, apenas um é uma ‘caminhonete’: a picape Ranger. O Bronco é um SUV e o Transit é um utilitário. Já o Mustang é um esportivo, o carro desse tipo mais vendido do mundo.

Por fim, o fechamento das fábricas da Ford no Brasil faz parte, segundo a própria empresa, de um plano de reestruturação da América do Sul e tem a ver com perdas acumuladas nos últimos anos, agravadas com a pandemia. Mais de 12 mil pessoas serão demitidas com a saída da montadora do país.

Como verificamos?

Primeiro, procuramos a Ford por e-mail para esclarecer se a decisão do fechamento das fábricas era referente apenas ao Brasil ou a outros países, como sugere a publicação do ex-ministro. A fabricante não nos respondeu, então consultamos o comunicado oficial enviado à imprensa sobre o fechamento das fábricas na segunda-feira, 11 de janeiro.

Em seguida, buscamos reportagens que mostrassem a repercussão da saída da Ford do mercado brasileiro e com as autoridades do governo. Também consultamos material publicado pelo colunista especializado Fernando Calmon, do UOL, para verificar as informações obtidas para a construção desta reportagem.

Por fim, entrevistamos o coordenador de Cursos Automotivos da Fundação Getúlio Vargas, Antônio Jorge Martins, sobre as decisões da Ford em relação a seu posicionamento no mercado.

Para esclarecer com o autor da publicação sobre a fonte usada na divulgação das informações, entramos em contato com o Banco Mundial, no qual Abraham Weintraub é diretor-executivo. Até a publicação desta reportagem, o Projeto Comprova não obteve retorno.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais disponíveis no dia 14 de janeiro de 2020.

Verificação

Ford fecha três fábricas no Brasil, mas investe na Argentina

A decisão anunciada pela Ford no último dia 11 de janeiro foi de fechar as três fábricas que tem no Brasil: em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE) – as duas primeiras fecham imediatamente. Países vizinhos, entretanto, como Argentina e Uruguai, permanecem com suas fábricas em funcionamento. Só na Argentina, a empresa anunciou investimento de US$ 580 milhões para ampliar a produção de veículos que serão, inclusive, vendidos ao Brasil.

A decisão de fechar fábricas e parar de produzir veículos, entretanto, não é em todo o mundo, como afirma o tuíte verificado. Em 2018, a Ford anunciou que deixaria de produzir dois modelos de veículos de passeio nos Estados Unidos – o Fusion e o Focus -, como mostra esta matéria feita pelo Auto Esporte. No Brasil, com o fechamento das fábricas, saem de linha também os modelos Ka e Ecosport, que eram produzidos em Camaçari (BA).

Apesar de deixar de produzir carros no Brasil e interromper a fabricação de alguns modelos nos Estados Unidos, os veículos continuarão sendo produzidos, por enquanto, na Europa, segundo informou o colunista especializado Fernando Calmon, do UOL.

Catálogo de veículos

As fábricas da Argentina e do Uruguai, diferentemente do que publicou o ex-ministro da Educação, vão continuar fabricando carros “de passageiros”. Em seu site, a Ford fala sobre a reestruturação na América do Sul e afirma que “continuará presente no Brasil” oferecendo um portfólio de “SUVs, picapes e veículos comerciais, provenientes da Argentina, Uruguai e outros mercados”.

A montadora confirmou a produção da nova geração do Ford Ranger, o lançamento da inédita família Bronco, da nova geração do Mustang Mach-1 e do utilitário Transit. “A Ford planeja anunciar em breve novos modelos para o Brasil, incluindo um veículo híbrido plug-in, com expansão dos serviços conectados e introdução de novas tecnologias autônomas e de eletrificação”, diz o comunicado.

Além de confirmar que vai continuar oferecendo veículos comerciais, a Ford cita quatro modelos específicos em seu comunicado que serão produzidos nas fábricas da Argentina e do Uruguai: a Ranger, o Bronco, o Transit e o Mustang Mach-1.

Diferentemente do que diz o tuíte – que a empresa fabricará no mundo todo apenas caminhonetes e o Mustang – somente um dos veículos citados é uma ‘caminhonete’: a picape Ranger. O Bronco é um SUV e o Transit é um utilitário. Já o Mustang é um esportivo, o mais vendido do mundo.

Motivos para a saída

Não é verdade que a decisão da Ford de sair do Brasil não tenha relação com o cenário brasileiro. O comunicado da empresa à imprensa deixa claro que a Ford fecha as três fábricas da montadora no Brasil “à medida em que a pandemia de covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”.

Imediatamente após o comunicado feito pela Ford, o Ministério da Economia e o presidente Jair Bolsonaro acusaram a empresa de não deixar clara a razão da saída do país. O presidente disse que a empresa queria subsídios para manter a operação no país.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, disse a jornalistas que considerava os motivos para a saída da Ford do país “meio fracos”, mas a própria fala de Mourão deixa claro que houve, sim, uma relação entre o fechamento das fábricas e a economia do país. Esta reportagem publicada pelo CORREIO mostra que, na conversa com jornalistas, Mourão reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo setor automobilístico, mas avaliou que o mercado brasileiro teria condições de se recuperar. Mourão repetiu que a Ford ganhou “bastante dinheiro” no Brasil e, a exemplo de Bolsonaro, destacou que ela recebeu incentivos ao longo dos anos em que atuou no país.

“A gente entende que no mundo inteiro a empresa está passando por problemas. A indústria automobilística está passando por problemas. Está havendo uma mudança”, disse Mourão.

Nesta quarta-feira (13), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) se pronunciou pela primeira vez após o anúncio de saída da Ford do país e disse que o setor não defende novos subsídios, e sim competitividade. Esta reportagem do jornal O Globo mostra que, segundo dados da Receita Federal, o setor automotivo acumula mais de R$ 50 bilhões em subsídios desde 2002.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse ao jornal O Globo que os incentivos tributários são uma forma de corrigir distorções do sistema de impostos brasileiro. Ao jornal, ele mostrou comparativos que indicam que o custo de produzir no Brasil é, por exemplo, 18% mais caro do que no México.

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem R$ 335 milhões em empréstimos ainda ativos à Ford, pediu explicações à montadora sobre a saída do país. O Ministério Público do Trabalho (MPT) anunciou que já acompanha três inquéritos civis abertos nos locais onde a Ford anunciou o fechamento de suas fábricas: Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE). Só na Bahia, o fechamento da fábrica deixa cerca de 12 mil desempregados.

Plano de reestruturação

O plano de reestruturação da Ford para a América Latina deixa o Brasil de fora no que diz respeito à fabricação de automóveis, já que as três fábricas serão fechadas. No entanto, a empresa informou, em um comunicado à imprensa, que vai manter no país a sede administrativa da empresa na América do Sul, o Centro de Desenvolvimento de Produto, em Camaçari (BA), e o Campo de Provas, em Tatuí (SP).

“A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável”, disse Jim Farley, presidente e CEO da Ford, no comunicado à imprensa.

Ele falou sobre o novo modelo de negócios. “Estamos mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto ao encerrar a produção no Brasil, atendendo nossos consumidores com alguns dos produtos mais empolgantes do nosso portfólio global. Vamos também acelerar a disponibilidade dos benefícios trazidos pela conectividade, eletrificação e tecnologias autônomas suprindo, de forma eficaz, a necessidade de veículos ambientalmente mais eficientes e seguros no futuro”, diz.

Segundo o coordenador de Cursos Automotivos da Fundação Getúlio Vargas, Antônio Jorge Martins, a afirmação do tuíte a respeito de uma desistência da Ford em competir com montadoras da Ásia e Europa não procede. “O que motivou e está motivando essa reestruturação mundial da Ford, não resta dúvida, é uma decisão estratégica no sentido de fazer com que a empresa comece não somente a produzir em todos os locais onde estará presente, mas ofertar produtos com maior conteúdo tecnológico. A empresa soube escolher seu nicho de atuação, pois, na prática, até 2018, trabalhava com caminhões, autopeças e veículos. Em 2019, fecharam a fábrica de caminhões no Brasil e várias partes do mundo, assim como algumas de auto peças na Europa. O foco desde aquele momento foi situar em carros e veículos com maior conteúdo tecnológico, conforme o setor gosta de falar, veículos de maior tecnologia embarcada”, explica.

“Na medida em que o setor como um todo está exigindo investimento pesado, principalmente em termos de veículos autônomos e veículos elétricos, não há como todas as empresas caminharem em todas as direções. Isso fez com que a Ford escolhesse um nicho. A reestruturação ser motivada por uma decisão de deixar de competir com Ásia ou Europa, na minha opinião, não faz sentido”, afirma.

Por que investigamos?

Em sua terceira fase, o Projeto Comprova verifica conteúdos duvidosos relacionados à covid-19 e a políticas públicas do governo federal. Informações falsas ou enganosas como a checada acima são prejudiciais à sociedade e contribuem para uma interpretação distorcida da realidade – neste caso, da realidade econômica do país.

No conteúdo verificado, a afirmação de que a Ford não fechou fábricas apenas no Brasil busca minimizar os danos provocados pela saída do país de uma empresa que gerava milhares de empregos. Até a noite de quinta-feira, 14 de janeiro, a publicação já tinha 35,8 mil interações no Twitter, sendo compartilhada por quase 8 mil pessoas.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Políticas públicas

Investigado por: 2021-01-05

É falso que a escultura “Diva” foi feita com dinheiro público e patrocínio do Sebrae

  • Falso
Falso
Sebrae informou ao Comprova que não houve nenhum auxílio financeiro para a realização da obra. Tanto o Serviço quanto a Usina da Arte, entidade que financiou a obra, informaram que existe sim uma parceria entre os dois desde 2017, mas apenas de formação e apoio a empreendedores de comunidades vizinhas. 
  • Conteúdo verificado: Um artigo de opinião veiculado no Jornal da Cidade Online afirma que a obra intitulada “Diva”, da artista Juliana Notari, foi feita com dinheiro público, através do patrocínio do Sebrae.

É falso que a obra “Diva”, da artista visual Juliana Notari, tenha sido financiada com dinheiro público, através de patrocínio do Sebrae, conforme afirma um artigo de opinião veiculado no site Jornal da Cidade Online. Tanto o Sebrae quanto a Usina de Arte – instituição onde a obra foi produzida e a verdadeira responsável por financiá-la – negaram a existência de qualquer apoio financeiro do Sebrae ou de recursos públicos à obra de arte, instalada em uma usina desativada em Pernambuco.

Em resposta ao Comprova, o Sebrae e a Usina da Arte informaram que existe sim uma parceria entre os dois desde 2017, mas apenas de formação e apoio a empreendedores de comunidades vizinhas. Eles acrescentaram que não houve nenhum auxílio financeiro para a realização da obra “Diva”, o que foi confirmado pela artista Juliana Notari.

Vale salientar que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é uma entidade privada, embora seja financiada, assim como as outras entidades do chamado Sistema S, com contribuições compulsórias de empresas brasileiras.

O Comprova tentou contato por e-mail com o Jornal da Cidade Online, mas não obteve retorno até a publicação. O post foi retirado do ar. Na segunda-feira, 4 de janeiro, mesmo dia da postagem, havia 3,8 mil interações. No Instagram, uma conta chamada União Patriótica Brasil usou a mesma montagem de imagens publicadas no Jornal da Cidade Online (a artista ao lado da obra) para repetir as acusações feitas pelo artigo verificado. O post tinha 585 curtidas até a tarde de terça-feira (5).

Como verificamos?

Primeiro, fizemos contato com o Sebrae e com a Usina da Arte para entender se, de fato, havia sido feito algum repasse para a realização da obra “Diva”. Questionamos se existia esse patrocínio do Sebrae e, se sim, qual teria sido o investimento para a obra em questão.

Também pesquisamos como funciona o sistema S, do qual o Sebrae faz parte. As entidades que fazem parte desse sistema são privadas e administradas por federações ou confederações independentes de empresas brasileiras.

Procuramos a artista Juliana Notari, que frisou que a obra “Diva” não teve financiamento do Sebrae, apenas da Usina da Arte, que é uma instituição privada. Ainda sobre os argumentos de que a obra seria criticada por movimentos sociais por não representar mulheres pretas, Juliana afirmou que a cor vermelha foi utilizada para remeter a uma ferida aberta, ao sangue, uma característica importante de seu trabalho.

Procuramos também o Jornal da Cidade Online, que não retornou nosso e-mail. Nele, questionamos a fonte das informações sobre o patrocínio do Sebrae para a obra.

Verificação

“Diva” não foi financiada com dinheiro público

Embora o texto publicado pelo Jornal da Cidade Online seja um artigo de opinião, o autor utiliza uma informação falsa para sustentar sua argumentação: a de que a obra, criticada por ele, recebeu dinheiro público em seu financiamento, através do Sebrae. A informação é falsa por dois motivos – primeiro, porque a obra não recebeu financiamento público.

Segundo, porque não recebeu patrocínio do Sebrae.

A obra é descrita pela autora, Juliana Notari, como “uma enorme escavação em formato de vulva/ferida medindo 33 metros de altura, por 16 metros de largura e 6 metros de profundidade, recoberta por concreto armado e resina”. O trabalho foi executado ao longo de mais de 11 meses e é fruto da residência artística de Juliana na Usina de Arte, em convênio com o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), que é parceiro da Usina, em Pernambuco. O Mamam foi responsável por convidar a artista para o Programa de Residência Artística, mas todo o financiamento ficou a cargo da Usina de Arte.

Segundo Juliana Notari, em e-mail ao Comprova, “o financiamento e viabilização da obra são de responsabilidade da Usina de Arte, que é um espaço privado”. Ela afirmou que o Sebrae, mesmo sendo parceiro da Usina, não teve nenhuma participação no processo de Residência Artística, “nem financeiramente, nem de nenhuma outra ordem”.

A Usina de Arte é descrita por seus responsáveis como um “parque artístico botânico” que vem sendo administrado por uma entidade sem fins lucrativos – a Associação Socioambiental e Cultural Jacuípe. O parque fica numa antiga usina de açúcar localizada no quilômetro 10 da rodovia PE-99, em Água Preta (PE). Em resposta ao Comprova, a Usina de Arte informou que, no espaço, encontram-se instaladas mais de 30 obras de arte de diversos artistas e que “nenhum dinheiro público foi recebido para construção / implantação do jardim nem das obras de arte”.

Nos agradecimentos à realização da obra de Land Art – um movimento que funde arte e natureza -, em sua conta no Instagram, a artista Juliana Notari menciona diretamente seis pessoas, ligadas à realização da obra e à administração da Usina de Arte e do Mamam.

A obra

“Diva” foi a primeira obra a tomar forma na segunda edição do Projeto de Residências Artísticas da Usina de Arte, fruto de um convênio firmado com o Mamam. Ela foi iniciada ainda em janeiro de 2019, mas, segundo a própria Usina, houve uma longa pausa em sua execução por conta do processo de isolamento social demandado pela pandemia da covid-19. No final de dezembro de 2020 foi, finalmente, concluída e inaugurada num antigo canavial, que faz parte da área da hoje Usina de Arte.

Em 30 de dezembro, ao postar imagens da obra concluída em seu Instagram, a artista Juliana Notari, indicada como 1ª residente pela Usina de Arte, escreveu um texto sobre o significado da obra. Ela afirma que usa a arte para dialogar, a partir de uma perspectiva feminina, com questões de gênero e com questionamentos da relação entre a cultura e a natureza, numa sociedade ocidental falocêntrica (que põe o órgão sexual masculino como superior) e antropocêntrica (que considera a humanidade superior às demais espécies). “Atualmente essas questões têm se tornado cada vez mais urgentes. Afinal, será através da mudança de perspectiva da nossa relação entre humanos e entre humano e não-humano, que permitirá com que vivamos mais tempo nesse planeta e numa sociedade menos desigual e catastrófica”, afirma.

A Usina de Arte também postou, em sua conta oficial no Instagram, imagens da obra de Juliana. “Diva” passou a ser a imagem de perfil da Usina na rede social e uma série de stories defendendo a obra foram repostados pela conta da entidade após uma enxurrada de críticas à produção.

“Neste momento o Mamam e a Usina de Arte reiteram sua política de respeito à liberdade artística que é condição inerente a qualquer forma de criação. A escolha de caminhos livres para o exercício da atividade artística é, e sempre foi, caminho norteador das atividades do Mamam. O Museu sempre foi, e será, a ponte de ligação entre as muitas vozes geradoras da(s) História(s), e as discussões transformadoras de uma sociedade democrática e evolutiva”, diz o post feito no dia 3 de janeiro.

‘Toda ferida profunda sangra’

O artigo de opinião verificado afirma que a cor da obra foi problematizado por “coletivos raciais”: o autor diz que, por ela ser rosa, não representaria a mulher preta, embora sejam majoritariamente negros os profissionais que executaram o projeto.

Por e-mail, Juliana Notari falou sobre a cor da obra. “Diva é uma ferida. Como toda ferida profunda, sangra”, aponta Juliana. “A intervenção em um dos morros da usina foi pintada de vermelho. Um vermelho vivo que remete a uma ferida aberta, ao sangue, que é um dado importante no trabalho, e fez parte de minha trajetória em outras obras realizadas antes desta – na performance Dra. Diva (2003-2008), na vídeo performance Amuamas (2018), e em outros trabalhos anteriores”, completa. A Folha de S.Paulo publicou uma reportagem com um perfil da artista.

Há mais duas polêmicas geradas em torno da obra e citadas no texto do Jornal da Cidade – um possível impacto ambiental gerado pela escavação da montanha e uma exclusão da comunidade trans de uma representatividade a partir da vagina. Juliana respondeu às duas, em entrevista ao jornal O Globo. Para ela, a questão da vagina não se trata de uma disputa. “Ela não anula o pênis ou as pessoas que não têm vulva”. Segundo ela, a vulva é apenas uma das várias potências do corpo humano e sua obra dialoga com as pessoas que vivenciam a força do órgão.

Também ao Globo, a artista falou sobre as críticas de impacto ambiental. Ela explicou que o local escolhido para a obra é uma terra já seca e castigada pelo fogo, já que servia de monocultura para a cana. “Aquele lugar ali tinha apenas barro, com mato ainda crescendo”. Juliana acrescentou que a obra não acumula água, pois há um sistema interno de canalização, e que “a acusação de poluição chega a ser um pouco hipócrita”.

A Usina de Arte também falou ao Comprova sobre a cor da pele dos trabalhadores envolvidos na execução de Diva. “Sobre os trabalhadores, eram brasileiros comuns, com suas variações de etnias conforme nossa tão conhecida miscigenação”, respondeu, através de mensagem direta no Instagram.

Sebrae é parceiro da Usina de Arte, não patrocinador

O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) é parceiro da Usina de Arte desde 2017 – a logomarca do Serviço aparece no site da Usina -, mas não se configura como patrocinador do parque artístico.

Por e-mail, o Sebrae-Pernambuco tratou como falsa a informação de que teria patrocinado a obra Diva. “Diante de notícia falsa veiculada na segunda-feira (4), o Sebrae esclarece que não concedeu qualquer apoio financeiro à obra de arte instalada em Pernambuco. De fato existe parceria com a Usina, mas de formação e apoio para empreendedores de comunidades vizinhas”, diz o e-mail.

A Usina de Arte informou que a parceria firmada com o Sebrae desde 2017 é “exclusivamente voltada para ações educativas e de empreendedorismo” e que a informação de que haveria um financiamento público para a obra foi usada de forma “inconsequente e leviana”.

Como funciona o Sistema S?

Em seu próprio site oficial, o Sebrae se identifica como uma “entidade privada que promove a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequenas empresas”. Assim como outras entidades do Sistema S, é financiado com contribuições compulsórias de empresas brasileiras. Elas pagam essa contribuição ao governo, que as repassa ao Sistema S. No entanto, esta não é a única forma de financiamento, uma vez que as entidades promovem cursos, alguns deles pagos, como mostrou esta reportagem do UOL.

O Sebrae foi criado em 1964 por iniciativa do então Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE) – atual BNDES. Como entidade, o Sebrae existe desde 1972 e faz parte do chamado Sistema S, um “termo que define o conjunto de organizações das entidades corporativas voltadas para o treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica, que além de terem seu nome iniciado com a letra S, têm raízes comuns e características organizacionais similares”, conforme consta no Glossário Legislativo da Agência Senado.

As nove instituições são prestadoras de serviços e são administradas de forma independente por federações e confederações empresariais dos principais setores da economia. Apesar de prestarem serviços de interesse público, essas entidades não são ligadas a nenhuma das esferas de governo, conforme este texto publicado pela Agência Brasil.

Por que investigamos?

Em sua terceira fase, o Comprova investiga conteúdos duvidosos relacionados às políticas públicas do governo federal e à pandemia do novo coronavírus. Apesar de o texto verificado ser um artigo de opinião, ele utiliza informações falsas para influenciar a opinião pública de forma negativa a respeito de uma obra de arte.

O financiamento público para a arte é legal e pode ser obtido por meio de editais públicos com critérios diversos, mas não foi o caso da obra executada em Pernambuco. A informação de que há dinheiro público no trabalho, além de ser falsa, dá a entender que a obra, em função de seu conteúdo, não poderia receber financiamento. O texto no site do Jornal da Cidade Online, publicado em 4 de janeiro, tinha 3,8 mil interações, mas foi retirado do ar. Uma conta no Instagram utilizou as mesmas imagens e informações e tinha, até a tarde desta terça-feira (5), 585 curtidas.

No ano passado, o Comprova verificou que publicações enganavam ao associar Bolsonaro à aprovação de verba para um filme sobre sua eleição. Em 2019, mostrou que um filme de Carlos Vereza não havia usado recursos da Lei Rouanet, mas também não se enquadrava nos critérios.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Políticas públicas

Investigado por: 2020-12-08

É enganoso que trecho de ferrovia em GO seja obra do governo Bolsonaro

  • Enganoso
Enganoso
Trecho mostrado em vídeo que viralizou no Facebook foi concluído em 2014 e não no governo Bolsonaro como afirma a publicação. Ele foi concedido à iniciativa privada em março de 2019, em um leilão realizado no início do governo Bolsonaro, mas anunciado ainda no mandato de Michel Temer, no final de 2018.
  • Conteúdo verificado: Post no Facebook sugere que os trens da Ferrovia Norte-Sul em Mara Rosa começaram a circular neste ano e atribui o feito ao presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido).

É enganoso que um trecho da ferrovia Norte-Sul tenha sido liberado recentemente, durante a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), como induz uma publicação feita no Facebook e acompanhada de um vídeo. A legenda diz que “começam os trens a circular pela ferrovia Norte-Sul” e diversos dos comentários que aparecem no post celebram o fato como uma conquista do governo atual. As imagens do vídeo foram de fato registradas no local citado no post verificado e a estrada de ferro está em fase final de obras, mas a operação naquele trecho só começará oficialmente em 2021.

A ferrovia Norte-Sul, que quando estiver totalmente pronta ligará Barcarena (PA) a Rio Grande (RS), teve sua construção iniciada em 1987. A parte da via mostrada no vídeo está concluída desde 2014. Ele fica em Mara Rosa, no norte de Goiás, e integra o trecho da ferrovia que vai de Porto Nacional (TO) a Estrela d’Oeste (SP). Este trecho foi concedido à iniciativa privada em março de 2019, em um leilão realizado no início do governo Bolsonaro, mas anunciado ainda no mandato de Michel Temer, no final de 2018.

A empresa Rumo venceu a disputa, mas só deve começar a operação neste trecho no primeiro semestre de 2021, segundo informou a própria companhia ao Comprova. Até lá, somente trens de outra concessionária, a VLI, que opera outro trecho da Norte-Sul, transitam no trajeto ferroviário já concluído entre Anápolis (GO) e Porto Nacional, onde está inserida Mara Rosa, local da gravação do vídeo verificado. As obras que ainda faltam se concentram no trecho sul, entre São Paulo, Goiás e Minas Gerais, segundo a Rumo. A VLI informou ao Comprova usar “de forma pontual” o trecho de Anápolis a Porto Nacional, que passa por Mara Rosa. A empresa não informou desde quando faz uso desta parte da ferrovia.

Ao Comprova, a Rumo confirmou que o trem que aparece no vídeo é de outra concessionária, mas que o registro se deu na Ferrovia Norte-Sul e que a viagem ocorreu entre 16 e 17 de outubro deste ano. A VLI também confirmou que o registro é de uma composição da companhia, que circulou nessas datas. A primeira divulgação do vídeo nas redes sociais foi em 21 de outubro. Fontes de Mara Rosa (GO) também confirmaram que o registro foi feito na cidade.

A postagem, divulgada em vários grupos de Facebook e perfis do Twitter desde o final de novembro, também traz na legenda mensagens de que “é um sonho de mais de 30 anos” que começa a virar realidade e a mensagem “É um novo Brasil!”, tendo sido postada em diversos grupos de apoio a Bolsonaro.

Como verificamos?

Para checar as informações e o conteúdo do vídeo, fizemos buscas reversas em ferramentas como InVID e Google, com o objetivo de localizar outras publicações em que o vídeo pudesse ter sido utilizado. Também consultamos o Ministério da Infraestrutura, a empresa pública Valec, que executou a maior parte da obra da ferrovia, a Rumo, que é a atual concessionária do trecho onde foi feito o vídeo investigado, e a empresa VLI, que detém a concessão de outro trecho da Ferrovia Norte-Sul e foi apontada como dona do trem que aparece nas imagens.

Recorremos ainda a um profissional da imprensa local. Consultamos também o Google Earth para tentar localizar o ponto da filmagem, a prefeitura de Mara Rosa e reportagens sobre a concessão e as obras da ferrovia.

Verificação

O vídeo da passagem do trem foi gravado no trecho da Ferrovia Norte-Sul que passa entre Mara Rosa e a cidade de Amaralina, no norte de Goiás. A cidade faz parte de um trecho da ferrovia que já teve obras concluídas em 2014, mas que deve ter o início de uma nova operação somente em 2021.

A cidade de Mara Rosa tem 9.363 habitantes, segundo o último dado do IBGE e faz parte da trama central do Ferrovia Norte Sul, concluída em 2014, ainda no governo de Dilma Rousseff (PT).

Por telefone, o diretor da Rádio Alternativa da cidade, Marcelo Matias, confirmou que a passagem entre Mara Rosa e Amaralina está pronta. Ele assistiu ao vídeo e confirmou que se trata do viaduto da Ferrovia Norte-Sul.

Em contato com a prefeitura de Mara Rosa, a assessoria disse que não tem informações sobre as rotas e cargas transportadas na rodovia, mas confirmou que o percurso de Mara Rosa está pronto há “uns quatro ou cinco anos”.

O Comprova procurou o Ministério da Infraestrutura para pedir informações sobre o trem registrado no vídeo. A assessoria de imprensa do órgão respondeu confirmando que o trecho da ferrovia que passa em Mara Rosa ficou pronto em 2014 e que foi concedido em março de 2019. Sobre o vídeo verificado, no entanto, o ministério solicitou que fosse feito contato com a concessionária desta área da ferrovia, a empresa Rumo.

Em nota ao Comprova, a companhia Rumo confirmou que o trem que aparece no vídeo pertence a outra concessionária que exerce o direito de passagem para circular no trajeto administrado pela Rumo na Ferrovia Norte-Sul. “A composição partiu de Anápolis (GO) em 16/10 com destino a Porto Nacional (TO), chegando no dia seguinte (17). A cidade de Mara Rosa (GO) está entre essas duas cidades”.

A empresa também explicou que, por ter vencido o leilão no ano passado, coordena e autoriza todas as circulações de trens no trecho entre Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO) desde 1º de agosto de 2019 – mesmo trajeto em que Mara Rosa está inserida. Apesar de ter vencido a concessão, a Rumo ainda não iniciou a operação neste trecho da Ferrovia Norte-Sul. A previsão é de que isso ocorra no início do primeiro semestre de 2021, segundo a companhia.

Por enquanto, quem utiliza este trecho da ferrovia entre Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO) são apenas trens de outra empresa, a VLI, que tem a Vale como acionista e é concessionária do trecho em direção ao Norte, entre Porto Nacional (TO) e Açailândia (MA). Procurada pelo Comprova, a VLI confirmou por e-mail que o vídeo verificado mostra a passagem de uma composição da companhia pelo tramo central da Ferrovia Norte-Sul (FNS), entre os dias 16 e 17 de outubro.

A empresa também afirmou que “utiliza de forma pontual o trecho que aparece no vídeo para enviar trilhos de sua unidade de manutenção, em Minas Gerais, para a operação do tramo norte da FNS, entre Porto Nacional (TO) e Açailândia (MA)”. O Comprova também questionou desde qual período a empresa utiliza o trecho e com qual frequência, no entanto, esses pontos não foram esclarecidos até o fechamento desta publicação.

Histórico conturbado

Segundo informações no site da Valec, a construção da Ferrovia Norte-Sul teve início em 1987. O traçado original era de 1.550 quilômetros, de Açailândia (MA) a Anápolis (GO), passando pelos Estados do Maranhão, Tocantins e Goiás. Esse trajeto está concluído e em operação, segundo o site da Valec. No entanto, os trens da nova concessionária deste trecho só devem circular a partir de 2021. O trecho de Anápolis (GO) a Porto Nacional (TO) é usado “de forma pontual” por outra empresa, a VLI, que administra outro trecho da ferrovia.

Ao longo dos anos, a ferrovia foi recebendo projetos para ampliação. Em 2006, uma lei incluiu um trecho mais ao norte, de Açailândia (MA) a Barcarena (PA) – este trecho ainda está apenas em projeto. Em 2008, uma nova lei ampliou o traçado em direção ao Sul, até Panorama (SP). As informações também estão disponíveis no site da Valec.

As obras da ferrovia ficaram paradas por longos períodos nos mais de 30 anos desde seu início. Também houve polêmicas sobre sua execução. A obra é envolvida em denúncias de irregularidades desde a primeira licitação, em 1987, e chegou a ser alvo de operações da Polícia Federal e de outras investigações sobre corrupção, como mostra reportagem do jornal O Globo. A primeira viagem comercial só ocorreu um ano e meio após a inauguração do trecho entre Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO), em 2014, de acordo com reportagem do portal G1.

Em 2015, foram concluídos os estudos de viabilidade para mais dois trechos, de Panorama (SP) a Chapecó (SC) e de Chapecó (SC) a Rio Grande (RS) – esses trechos da ferrovia também estão apenas no papel. Caso esses trajetos sejam totalmente executados, a via permitirá o transporte de cargas cruzando o país do Pará ao Rio Grande do Sul, com interligação com estradas férreas que acessam portos, o que faz com que a ferrovia seja chamada de “espinha dorsal” do transporte ferroviário no Brasil.

Em 2019, um trecho da Ferrovia Norte-Sul foi concedido à iniciativa privada. Segundo reportagem do portal G1, a empresa Rumo arrematou o trecho de 1,5 mil km com um lance de R$ 2,7 bilhões, o dobro do lance mínimo previsto. O contrato tem duração de 30 anos. A empresa já possui outras concessões de ferrovias do país.

O leilão foi anunciado no fim do governo Michel Temer (MDB), mas foi realizado já na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), em março de 2019. O contrato foi assinado em 31 de julho de 2019. O trecho entre Porto Nacional (TO) e Estrela d’Oeste (SP) estava previsto para ser entregue com a execução concluída à concessionária vencedora do leilão, mas foi repassado com 93% das obras terminadas, segundo informou ao Comprova o Ministério da Infraestrutura.

O trajeto de Anápolis (GO) a Porto Nacional (TO) já estava concluído e chegou a ser inaugurado em 2014 pela presidente Dilma Rousseff (PT). As obras que ainda faltam se concentram no trecho sul, entre São Paulo, Goiás e Minas Gerais, segundo nota da empresa.

Antes disso, em 2007, durante o governo Lula, o trecho entre Porto Nacional (TO) e Açailândia (MA) já havia sido concedido, com vitória da empresa Vale.

A Ferrovia nos dias atuais e sua divisão

Projetada para se tornar a espinha dorsal do transporte ferroviário no Brasil, quando concluída a Ferrovia Norte-Sul vai interligar terminais portuários das regiões Norte e Sudeste, passando pelo Centro-Oeste do país.

Atualmente ela está dividida em três partes:

> Tramo Norte: Entre Açailândia (MA) e Porto Nacional (TO), com 720 quilômetros de extensão.

> Tramo Central: com 855 quilômetros de extensão, entre Porto Nacional (TO) e Anápolis (GO). Esse trecho da ferrovia passa por 14 municípios de Tocantins e 19 de Goiás.

> Tramo Sul: entre os municípios de Ouro Verde de Goiás (GO) e Estrela d´Oeste (SP), com 682 km de extensão. Seu traçado passa por 16 municípios de Goiás, 3 de Minas Gerais e 3 de São Paulo.

O caminho das publicações

O Comprova não conseguiu localizar o autor do vídeo. As imagens circulam desde novembro deste ano. De acordo com a ferramenta CrowdTangle, o primeiro registro ocorreu no dia 26 por um perfil pessoal em um grupo chamado “PT Nunca Mais”. No dia seguinte, o mesmo perfil publicou o vídeo com legenda idêntica elogiando a conclusão das obras da ferrovia em outro grupo, de nome “A gente não tem cara de babaca”. Nesse mesmo dia, a primeira publicação, do dia anterior, foi compartilhada por outro usuário em um grupo diferente, o “Debates do Movimento Avança Brasil”.

A partir do dia 28 a postagem começou a ser republicada por diversos perfis, com o mesmo texto de legenda. Segundo a plataforma CrowdTangle, foram 268 publicações e 6,6 mil interações até o dia 7 de dezembro.

O vídeo com a legenda enaltecendo o avanço da Ferrovia Norte-Sul também circulou no Twitter. Nesta rede, foram 36 postagens até 7 de dezembro, segundo a plataforma Tweetdeck.

Buscas reversas por meio da ferramenta InVID mostraram que o vídeo já havia sido publicado no Facebook mais de um mês antes, em 21 de outubro, em uma página que divulga vídeos de entretenimento. Na ocasião, no entanto, não havia nenhuma menção à Ferrovia Norte-Sul na publicação. A página publicou a gravação do trem apenas com a legenda “Oi o trem”, seguida de três emojis. Apenas a narração do vídeo é que fazia referência à Ferrovia Norte-Sul.

O Comprova tentou contato com alguns perfis que divulgaram o vídeo nas redes sociais, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Por que investigamos?

Em sua terceira fase, o Comprova verifica conteúdos duvidosos sobre as eleições municipais de 2020, a pandemia de covid-19 e as políticas públicas do governo federal que tenham viralizado nas redes sociais. A checagem de conteúdo é importante pois ajuda as pessoas a formarem suas próprias conclusões com base em fatos verdadeiros.

O vídeo publicado na página “Aliança pelo Brasil” teve mais de 2 mil interações no Facebook desde sua publicação no dia 29 de Novembro. Pelo Twitter, publicado no dia 30 de Novembro por um perfil pessoal, teve mais de 1.700 interações.

Em agosto deste ano o Comprova checou outro conteúdo que também atribuía a conclusão de uma obra à gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na ocasião, o foco era um viaduto na BR-277 em Foz do Iguaçu e foi confirmado pelo próprio Ministério da Infraestrutura que a obra não tinha nenhuma relação com o governo federal. Já em outubro, o Comprova também identificou como engano um tuíte que afirmava que a “Ferrovia do Sol” estava em vias de ser implementada e também comprovou que trecho na BR-163 foi asfaltado no governo do presidente Bolsonaro.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações.

Políticas públicas

Investigado por: 2020-12-02

É falso que MST tenha destruído estação de energia no Amapá

  • Falso
Falso
As imagens de um vídeo que viralizou são de 2017, quando um grupo de agricultores invadiu uma fazenda em Correntina, na Bahia, para protestar contra obras de irrigação que reduziram o nível de um rio da região – eles não são ligados ao MST.
  • Conteúdo verificado: Vídeo postado em diversas páginas do Facebook e do Twitter afirma que o MST destruiu estação de transmissão de energia no Amapá, insinuando que a organização teria responsabilidade pelo apagão recente no estado.

É falso o vídeo que circula em diversos grupos no Facebook e no Twitter afirmando que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é responsável pelo apagão que ocorreu no Amapá, no mês passado. A gravação mostra um grupo de pessoas destruindo postes de energia em um lugar indefinido e traz como legenda: “Militantes do MST destruindo uma estação de transmissão no Amapá. Isso a mídia podre não mostra”. Não é verdade. Como mostrou reportagem da Globo, essas imagens são de 2017, quando um grupo de agricultores invadiu uma fazenda em Correntina, na Bahia, para protestar contra obras de irrigação que reduziram o nível de um rio da região – eles não são ligados ao MST.

As causas do apagão, que se iniciou com um incêndio durante uma tempestade, ainda estão sendo investigadas, mas segundo o que o Governo do Amapá explicou ao Comprova, o vídeo não foi feito no estado e “não se tem nenhuma evidência de envolvimento do MST no apagão; trata-se de uma fake news”.

Também contatado pela reportagem, o MST disse que as acusações são infundadas e que “essas pessoas e esse tipo de ataque não têm nenhuma relação com o movimento”.

Como verificamos?

Por meio da ferramenta InVID, que faz busca reversa de imagens em fotos e vídeos, conseguimos encontrar links de reportagens da Globo de 2017 que exibiam o mesmo conteúdo e explicava o contexto em que a gravação foi feita. Também nos apoiamos em checagens feitas por outras agências de fact-checking e pesquisamos em sites de veículos de comunicação as causas do recente apagão.

Também pesquisamos os perfis que associaram o vídeo ao MST no Facebook e no Twitter e tentamos entrar em contato com algumas páginas, sem retorno. Por e-mail, contatamos a Secretaria de Estado da Comunicação do Amapá e, por WhatsApp, conversamos com a assessoria de imprensa do MST.

Verificação

Vídeo antigo

A gravação da postagem verificada é do início de novembro de 2017, conforme mostrou uma busca na ferramenta InVID, que trouxe uma reportagem do G1 sobre um protesto de agricultores em uma fazenda da empresa Lavoura e Pecuária Igarashi Ltda., em Correntina, na Bahia.

Os agricultores invadiram a propriedade em um ato contra obras de irrigação que reduziram o nível da água do rio Arrojado e, de acordo com o delegado ouvido na época pelo G1, eram ligados a “pequenas associações existentes nos povoados ao longo do Arrojado”. Ou seja, a derrubada dos postes de energia mostrada no vídeo não contou com a participação do MST e nada tem a ver com o recente apagão no Amapá.

O Comprova consultou o governo do Amapá por e-mail para questionar as informações do vídeo e das postagens feitas nas redes sociais. A assessoria do governo do estado respondeu em nota confirmando que o vídeo não foi feito no Amapá e tratou a publicação como uma notícia falsa: “O vídeo não é no Amapá. Também não se tem nenhuma evidência de envolvimento do MST no apagão. Trata-se de uma fake news”.

Em contato feito por Whatsapp, a assessoria de imprensa do MST também negou qualquer relação com o vídeo e com o apagão do Amapá. “Mais uma vez são acusações infundadas, essas pessoas e esse tipo de ataque não tem nenhuma relação com o Movimento”, diz um trecho da resposta ao Comprova.

O apagão no Amapá

No início de novembro, um incêndio atingiu uma subestação de energia em Macapá, capital do estado. Desde então, treze municípios da região ficaram sem luz. O racionamento de energia foi uma realidade vivida pelos moradores locais e a nova realidade gerou impacto na qualidade de vida dos amapaenses: também houve dificuldade em realizar compras que suprissem as necessidades básicas, já que, sem luz, os bancos não estavam disponíveis para sacar dinheiro e a maioria dos lugares não possuía sinal para compras no cartão. Além das atividades comuns, outro ponto de preocupação foi com a necessidade de manter os cuidados essenciais durante a pandemia.

Na primeira semana após o incêndio, um dos transformadores danificados foi recuperado, o que resultou no restabelecimento parcial da energia.

As investigações sobre o que de fato causou o incêndio ainda não foram finalizadas. Inicialmente, as informações apontavam que uma tempestade de raios teria sido a principal responsável pelo incêndio na unidade. No entanto, em um laudo recente, a Polícia Civil detalhou que o incêndio começou de forma interna, em uma bucha. A Isolux, empresa privada responsável pela unidade, vem enfrentando intimações da justiça federal para que o apagão no Amapá seja solucionado efetivamente.

Revoltados com a situação, os moradores do Amapá compartilharam em suas redes sociais os valores que costumam pagar em suas contas de luz. Os altos valores geraram indignação nos internautas e levantaram questionamentos sobre o preço abusivo.

Os autores

O vídeo da derrubada de postes na Bahia voltou a circular nas redes sociais no dia 26 de novembro de 2020, desta vez com o texto sugerindo que se tratava de um ato de vandalismo de membros do MST no Amapá. Segundo a plataforma de monitoramento CrowdTangle, houve 110 postagens do vídeo em páginas e grupos do Facebook até o fim da tarde de 30 de novembro, com um total de 1,7 mil reações.

As postagens aparecem em grupos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro e a figuras ligadas ao governo federal como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Das 110 postagens identificadas na plataforma, 45 foram em grupos que tinham no nome menções a Bolsonaro ou ao grupo político Aliança pelo Brasil.

Em pesquisa no próprio Facebook, aparecem ainda 80 publicações do vídeo feitas em perfis pessoais. As duas postagens com maior alcance apresentam no campo de busca um total de 3 mil e 2,7 mil visualizações, respectivamente.

Os vídeos foram publicados também no Twitter, onde houve 47 publicações nos últimos sete dias de novembro, segundo o CrowdTangle.

O Comprova tentou contato com alguns dos perfis que compartilharam esses vídeos com a afirmação de que se trataria de um ato do MST, mas não obteve retorno até a publicação desta verificação.

Por que investigamos?

Em sua terceira fase, o Comprova verifica postagens suspeitas que tenham viralizado nas redes sociais que tenham ligação com políticas públicas do governo federal, com a pandemia e com as eleições municipais.

É o caso das várias publicações deste vídeo nas redes sociais, que registrava 110 postagens e 1,7 mil reações no Facebook até o dia 30 de novembro. A falsa relação feita entre o vídeo filmado na Bahia em 2017 e uma suposta participação do MST no apagão do Amapá pode confundir a opinião pública sobre as causas do blecaute que deixou o Estado por mais de 20 dias com comprometimento no serviço de energia elétrica. Também pode reduzir a atenção à identificação de fragilidades no sistema de abastecimento do estado a fim de evitar repetições do mesmo problema.

O vídeo investigado também já foi verificado por outros veículos de checagem como a Agência Lupa, Estadão Verifica, Fato ou Fake e E-Farsas.

O Comprova já verificou outros conteúdos relacionados ao MST, como o que relacionava, sem provas, o movimento a queimadas na Amazônia e no Pantanal e o que afirmava que o Exército havia apreendido madeira ilegal ligada à organização – ambas as verificações foram classificadas como falsas.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Políticas públicas

Investigado por: 2020-12-01

Bolsonaro não tem presença confirmada no Fórum Econômico Mundial de 2021

  • Enganoso
Enganoso
Procurada pelo Comprova, a organização do Fórum Econômico Mundial disse que a lista dos convidados para a edição 2021 do evento ainda não foi divulgada. O Palácio do Planalto também informou que ainda não há confirmação da presença de Bolsonaro no fórum, no ano que vem.
  • Conteúdo verificado: Post no Facebook diz que Bolsonaro vai ser a estrela do Fórum Econômico Mundial, em Davos, em 2021.

É enganosa uma publicação afirmando que o presidente Jair Bolsonaro já teria sido escolhido como a estrela principal do próximo encontro do Fórum Econômico Mundial, realizado na Suíça.

No Facebook, uma postagem afirma que ele terá “uma mesa só dele, para receber autoridades e investidores do mundo todo”, mas a organização do Fórum, procurada pelo Projeto Comprova, disse que a lista dos convidados para a edição 2021 do evento ainda não foi divulgada. O Palácio do Planalto também foi contatado pela nossa reportagem e disse que ainda não há confirmação da presença de Bolsonaro no fórum, no ano que vem.

A imagem verificada foi publicada no Facebook no dia 25 de novembro. Originalmente, a imagem foi postada no Instagram, em 2019, um momento em que, de fato, o presidente do Brasil era um dos expoentes do evento na Suíça. Isso indica que o conteúdo foi retirado de contexto para afirmar que Bolsonaro desfruta de grande prestígio internacional.

Como verificamos?

O primeiro passo da investigação foi descobrir se a imagem já tinha sido publicada antes nas redes sociais. Como a imagem verificada tem um selo da página “Oposição Zuera”, buscamos essa página e encontramos, no Instagram, um perfil com o mesmo nome, que publica imagens com selo idêntico. Verificando as postagens feitas por essa conta, encontramos a foto em questão, com a mesma frase sobre o encontro em Davos, numa publicação de 2019.

Contatamos a assessoria do Palácio do Planalto e a organização do Fórum Econômico Mundial, por e-mail, para saber mais sobre os planos para a próxima edição do encontro.

Por fim, tentamos contato com a autora da postagem no Facebook, mas não tivemos resposta até o fechamento desta verificação.

Verificação

Estrela de Davos

O Fórum Econômico Mundial é realizado desde 1971 e é mais conhecido por suas reuniões anuais em Davos, na Suíça. O evento reúne os principais líderes empresariais e políticos, além de intelectuais e jornalistas selecionados para discutir as questões mais urgentes enfrentadas mundialmente.

A postagem verificada afirma que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) será a “atração principal” do encontro que é realizado anualmente em Davos. Porém, o texto que está na imagem não faz referência ao ano do evento. A postagem original, encontrada pela nossa reportagem, é de 2019, ano em que o chefe do executivo do Brasil realmente era tratado pela imprensa (inclusive internacional) como um dos destaques do Fórum.

Na ocasião, Bolsonaro tinha acabado de tomar posse e ainda era desconhecido pelo resto do mundo. Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não participaria do evento naquele ano. Na data do Fórum, o discurso do presidente Bolsonaro teve seis minutos de duração e tratou de propostas sobre a abertura da economia brasileira.

Em 2020, Bolsonaro foi convidado a participar do evento, mas acabou cancelando sua ida no começo de janeiro.

O Fórum em 2021

Em 2021, por causa da pandemia do novo coronavírus, a expectativa é de que o encontro presencial seja realizado entre os dias 18 e 21 de maio, na comuna de Lucerna, na Suíça. Em janeiro, líderes globais vão participar de um debate virtual para discutir as perspectivas para o ano.

O Comprova entrou em contato com a assessoria do Fórum Econômico Mundial para confirmar se a lista de convidados do evento presencial já havia sido decidida. Por e-mail, o fórum respondeu que, “como a lista de participantes da reunião anual de 2021 ainda não foi publicada – e será disponibilizada duas semanas antes do evento -, não é possível confirmar as afirmações da postagem.”

Também por e-mail, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), que responde sobre a agenda e compromissos do presidente Jair Bolsonaro, declarou que “não há confirmação sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial 2021”.

Por que investigamos?

O Projeto Comprova está em sua terceira fase, que foca na investigação de conteúdos relacionados à pandemia da covid-19, às eleições municipais de 2020 e em políticas públicas do governo federal.

O conteúdo verificado foi tirado de seu contexto original para passar a ideia de que o governo brasileiro desfrute de prestígio internacional atualmente, mas ignora que ele vem sendo criticado por veículos de mídia de outros países e por outros chefes de executivo – sobretudo pelas ações realizadas durante a pandemia da covid-19 e pela política ambiental adotada pelo governo federal.

A postagem verificada teve mais de 4 mil interações no Facebook até o dia 30 de novembro.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações.

Políticas públicas

Investigado por: 2020-10-19

Comprovado: trecho da BR-163 foi asfaltado no governo Bolsonaro

  • Comprovado
Comprovado
Trecho que aparece em montagem compartilhada nas redes sociais foi de fato asfaltado no governo Bolsonaro, mas operação para pavimentar a BR-163 teve início ainda na gestão de Temer
  • Conteúdo verificado: Meme publicado no Twitter e no Facebook compara o estado de conservação de um trecho da BR-163 durante os governos Lula, Dilma e Temer com o governo Bolsonaro. O meme usa duas imagens. Em uma delas aparecem os ex-presidentes Lula, Dilma e Temer juntos com a estrada ao fundo e a legenda “16 anos”; a outra imagem mostra o trecho já pavimentado e nela está aplicada a foto de Jair Bolsonaro com a legenda “8 meses”.

O Comprova confirmou que um trecho da BR-163 entre Novo Progresso e Moraes de Almeida, no Pará, que aparece em um meme que viralizou nas redes sociais foi asfaltado durante o governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar de a publicação verificada não indicar a exata localização do trecho, o Comprova conseguiu identificar a rodovia a partir de vídeos no YouTube e confirmou com moradores e empresários da região que se trata do km 376 da BR-163 na região entre Novo Progresso e Moraes de Almeida (PA).

A partir da identificação do trecho exato da rodovia, o Comprova entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que informou que o trecho foi pavimentado em julho de 2019. As informações batem com outras notícias publicadas no site do Dnit no ano passado e, além disso, diversos vídeos de caminhoneiros que trafegaram na região entre julho e agosto do ano passado mostraram as obras realizadas.

Apesar de ter sido concluída e totalmente atribuída ao governo Bolsonaro pela montagem, a obra chamada de “Operação Xingu” teve início com um Termo de Execução Descentralizada entre o Dnit e o Exército, em agosto de 2017, quando o chefe do Executivo ainda era Michel Temer. Reportagens também revelam que, com exceção do trecho, grande parte da BR-163 já estava asfaltada em 2018.

O Comprova encontrou versões desse mesmo meme publicadas desde agosto de 2019. A página “Eu Sou de Direita” e o perfil que compartilhou a publicação no “Grupo da Página Jair Bolsonaro Presidente 2018”, que republicaram o meme recentemente, não responderam as tentativas de contato do Comprova.

Como verificamos?

A publicação investigada não deixa claro qual estrada está retratada na montagem feita com duas fotografias diferentes. Por isso, começamos por uma busca reversa no Google Imagens, que nos levou a publicações semelhantes e que haviam sido postadas anteriormente. Entre as encontradas, destacamos uma em que um internauta indicava ser a BR-319; e outra em que uma página afirmava ser a BR-163.

Em nova busca reversa realizada no Yandex, um buscador de informações russo, chegamos a frames de dois vídeos que mostravam trechos de estrada muito semelhantes aos da publicação verificada. É possível vê-los aqui e aqui. As filmagens são de julho e agosto de 2019, e indicam ser a BR-163, especificamente entre a cidade de Novo Progresso e o distrito de Moraes Almeida, no Pará.

Assim, entramos em contato com o Ministério da Infraestrutura e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsáveis pelas rodovias federais e com o Exército Brasileiro, que realizou obras no trecho ao longo dos últimos anos. Também procuramos proprietários de estabelecimentos comerciais e moradores da região retratada no vídeo. A partir destes últimos contatos, conseguimos identificar a quilometragem exata do trecho. Com isso, voltamos a entrar em contato com o Dnit.

Além disso, fizemos diversas consultas a reportagens publicadas na imprensa e em órgãos oficiais sobre a pavimentação da BR-163.

Verificação

Identificando a rodovia

Embora não haja qualquer menção à rodovia que está sendo retratada na montagem e os autores das publicações não tenham respondido às tentativas de contato, o Comprova conseguiu confirmar que ambas as imagens são da BR-163 – especificamente no trecho entre o município de Novo Progresso e o distrito de Moraes Almeida, em Itaituba, no Pará.

Por meio de uma busca reversa no Yandex, a equipe encontrou um vídeo cujo título faz menção à BR-163. A 1min58, o vídeo mostra uma imagem muito parecida com a da estrada asfaltada utilizada no meme verificado. Na montagem abaixo, feita pelo Comprova, é possível ver o trecho do vídeo à esquerda e a imagem investigada à direita.

No final do mesmo vídeo, durante uma conversa, os motoristas relatam passar perto do restaurante Altas Horas. Já outro vídeo publicado no mesmo perfil faz referência à pavimentação da BR-163, especificando o trecho entre Novo Progresso e Moraes Almeida. Durante a gravação também é citado o Posto Sitras.

Percorrendo o trecho entre Novo Progresso e Moraes Almeida pelo Google Maps, localizamos alguns estabelecimentos comerciais, incluindo os dois citados. Pelos telefones indicados, conseguimos contato com os proprietários da Fazenda Manguaba e da Voltrucks, uma oficina mecânica de veículos pesados, localizados à margem da BR-163.

Por WhatsApp, o fazendeiro Thiago Galhardo confirmou que as duas imagens utilizadas na montagem verificada são do mesmo trecho da rodovia, a cerca de 1 km de onde mora. “Na medição antiga é o quilômetro 1151, de Cuiabá a Santarém. Ou o 624 km, de Santarém a Cuiabá. Depois que passou o asfalto, eu não sei”, afirmou.

Por meio de Galhardo, o Comprova conseguiu o telefone de Adirceu Rodrigues, proprietário do restaurante Altas Horas, localizado na BR-163 e citado no vídeo. Morador da região há 35 anos, ele confirmou que as duas imagens são do mesmo trecho da BR-163, que fica a aproximadamente 7 km do estabelecimento, sendo a de terra “do ano passado”.

Proprietário da oficina, Vanderson Lautert da Cruz indicou que a subida nas fotos é conhecida como “Morro da Santa, pelos caminhoneiros, porque em frente à árvore grande tem a casinha de uma santa”. Ele também enviou ao Comprova uma foto de dezembro de 2018 (abaixo) que mostra o mesmo local, mas de um ângulo mais distante. Na época, a estrada estava sem asfalto.

Confirmações semelhantes foram buscadas junto a órgãos oficiais. Porém, tanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes quanto o Ministério da Infraestrutura responderam que não seria possível identificar qual era a rodovia ou o trecho em questão, mesmo após consultados com detalhes sobre a identificação da região.

Uma das fotografias publicadas na página do restaurante Altas Horas no Google Maps mostra um carro do Dnit estacionado no local. O Comprova pediu ajuda do órgão para localizar o fotógrafo ou os ocupantes do automóvel, mas também recebeu uma negativa.

Alguns dias depois, Vanderson Lautert da Cruz, o proprietário da oficina, enviou uma nova fotografia (abaixo) mostrando o trecho da rodovia ao Comprova indicando se tratar do km 376.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Pará, o Exército e a Prefeitura de Novo Progresso não responderam os contatos feitos pelo Comprova até o fechamento desta reportagem.

O andamento da obra

Como a montagem verificada indica que a pavimentação da rodovia teria acontecido ainda nos primeiros oito meses do governo Bolsonaro, pesquisamos reportagens que tratavam do andamento das obras na BR-163 no Pará, tanto na imprensa, quanto em órgãos oficiais, a fim de confirmar a data do asfaltamento no trecho específico das fotos.

De acordo com uma notícia publicada no site oficial do Dnit, a rodovia federal se tornou completamente pavimentada no final de novembro de 2019, justamente com a conclusão das obras nos 51 km entre Moraes Almeida e Novo Progresso (ao sul). Porém, alguns trechos foram concluídos antes disso.

Em agosto, por exemplo, o trecho que interliga Moraes Almeida ao distrito de Miritiuba (ao norte) já havia sido pavimentado, conforme divulgado pelo Dnit, em outra notícia. Depois, na primeira quinzena de setembro (9º mês da gestão Bolsonaro), outros 35 km já haviam sido finalizados – incluindo um trecho entre Moraes Almeida e Novo Progresso.

Sem as informações detalhadas solicitadas ao Dnit e ao Exército, cujo 8º Batalhão de Engenharia e Construção (BEC) foi o responsável pela execução de tais obras na BR 163, o Comprova não conseguiu verificar exatamente a data em que o trecho mostrado na montagem foi asfaltado.

No entanto, o fazendeiro e os dois empresários locais consultados pela equipe confirmaram que a pavimentação ocorreu durante o ano passado, ainda que sem precisarem o mês. Além disso, vídeos de caminhoneiros publicados no final de julho, como os já citados nesta verificação, mostravam o trecho já coberto com asfalto.

Vale ressaltar que, embora o crédito da obra seja todo atribuído a Jair Bolsonaro pela montagem, a “Operação Xingu” começou em agosto de 2017, por meio da assinatura de Termo de Execução Descentralizada entre o Exército e o Dnit. Nessa época, o Executivo ainda era chefiado por Michel Temer, que permaneceu como presidente do país até o final de 2018.

Em janeiro de 2018, por exemplo, uma reportagem do G1 revelou que a maior parte da BR-163 estava pavimentada “desde Mato Grosso até Pará, restando poucos trechos em obras”, conforme informado pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil à época. Os governos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul também informaram que a rodovia, nos respectivos trechos estaduais, já era asfaltada desde antes de 2018.

A entrega oficial da BR-163 asfaltada aconteceu em 14 de fevereiro deste ano. A rodovia possui cerca de 3.500 km e corta o Brasil de norte a sul: passando por Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará. A BR-163 é um importante corredor de escoamento de grãos e dá acesso ao Porto de Miritituba (PA), que faz parte da rota para exportação do centro-norte do país.

Por que investigamos?

Na terceira fase, o Comprova verifica conteúdos sobre a pandemia da covid-19 e as políticas públicas do governo federal. Uma publicação falsa ou enganosa sobre essas realizações resulta em interpretações equivocadas sobre a realidade e a efetividade dos representantes políticos, os quais são escolhidos por meio das eleições.

Até o dia 15 de outubro, a publicação original tinha 41 mil compartilhamentos. Só um deles, feito no Facebook, registrou mais 2.200 reproduções e mais de 6 mil interações. Durante o ano passado, dezenas de posts semelhantes, com as mesmas imagens, também circularam pelas redes sociais.

No ano passado, a BR-163 já havia sido alvo de uma verificação do Comprova, por causa de uma publicação que atribuia, equivocadamente, melhorias na rodovia ao Governo Bolsonaro. Neste ano, o Comprova verificou diversas publicações envolvendo estradas, entre elas: alegações de que o Exército teria arrumado a rodovia Transamazônica e imagens de obras de governos petistas sendo atribuídas a Bolsonaro. Mais recentemente, um tuíte enganoso também foi investigado, por dizer que a Ferrovia do Sol estava prestes a ser implementada.

Comprovado, para o Comprova, é um fato verdadeiro; evento confirmado; localização comprovada.

Políticas públicas

Investigado por: 2020-10-15

Bolsonaro não é o primeiro presidente a visitar a Ilha de Marajó com primeira-dama e ministros

  • Falso
Falso
Ao contrário do que afirma uma publicação de grande alcance no Twitter, Lula também esteve na ilha acompanhado da primeira-dama e de ministros. Antes dele, há registros de visitas de Médici, Geisel e Figueiredo ao Marajó
  • Conteúdo verificado: Tuíte com vídeo sobre a chegada de Bolsonaro à Ilha de Marajó, no Pará, afirma que é a primeira vez que um presidente visita o local acompanhado da primeira-dama e de ministros.

É falso que Jair Bolsonaro (sem partido) tenha sido o primeiro presidente a visitar a Ilha de Marajó, no Pará, com primeira-dama e ministros, como afirma um tuíte que viralizou nas redes sociais. O post é acompanhado de um vídeo mostrando a chegada da comitiva de Bolsonaro, que desce de um dos carros com Michelle e vai cumprimentar o público à beira de uma estrada (o casal está sem máscara). Em dezembro de 2007, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve no local acompanhado de Marisa Letícia, sua mulher à época (falecida em 2017), e dos então ministros Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

Bolsonaro chegou à ilha no dia 8 de outubro para cumprir uma agenda de inaugurações. Ele foi com a primeira-dama, Michelle, e com os ministros Damares Alves (Mulher, Família e dos Direitos Humanos), Fábio Faria (Comunicações) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

O Comprova tentou contato com o perfil @9876mel, que fez a publicação no Twitter, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Como verificamos?

Por meio de pesquisas no Google com o nome de cada presidente brasileiro desde o período da ditadura militar (1964-1985) relacionados à Ilha de Marajó, encontramos reportagens e fontes oficiais que indicavam que dois presidentes já haviam visitado o arquipélago no exercício do mandato: o general Ernesto Geisel, em 1974, e Lula, em 2007.

Os textos não informam, no entanto, que a então primeira-dama Marisa Letícia também estava na comitiva. Em busca nos acervos dos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, o Comprova encontrou fotos do evento, em que Lula aparece com Marisa e com o então ministro da Justiça, Tarso Genro.

No site do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getulio Vargas, encontramos a imagem de uma placa que registra a visita de Geisel à Fazenda Santa Cruz da Tapera, na Ilha de Marajó, em 27 de setembro de 1974, quando era presidente.

O registro da visita também está no livro Saberes de Vaqueiros, de Josebel Akel Fares, cujo pdf foi enviado por Venize Rodrigues, coordenadora do curso de Licenciatura em História da Universidade Estadual do Pará, contatada pelo Comprova em entrevista por telefone.

A visita de Geisel, no entanto, não contou com a presença da primeira-dama, Lucy, conforme encontramos em uma reportagem do Diário do Paraná de 28 de setembro de 1974.

Via Twitter, tentamos contato com a autora do tuíte, mas ela não respondeu até a publicação desta checagem.

Verificação

Bolsonaro na Ilha de Marajó

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) visitou o arquipélago na última semana. Ele desembarcou em 8 de outubro no município de Breves, onde cumprimentou moradores, e hospedou-se em um navio da Marinha do Brasil, atracado na ilha.

Bolsonaro estava acompanhado da primeira-dama Michelle e dos ministros Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Fábio Faria (Comunicações) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

O presidente promoveu o programa “Abrace o Marajó”, lançado em março deste ano, que isenta o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de operações realizadas na região, e visitou ainda a agência-barco da Caixa Econômica Federal com o presidente do banco, Pedro Guimarães.

A visita de Lula

O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve no município de Breves, no sudoeste da Ilha de Marajó, em dezembro de 2007. Segundo reportagens da época, ele visitou o destino com três ministros: Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Nas buscas de fotos desta viagem nos acervos da Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo foi possível confirmar que a primeira-dama estava na comitiva.

Durante a visita, o então presidente participou do lançamento do Plano Social de Registro Civil de Nascimento e Documentação Básica e da entrega de títulos de terras para populações ribeirinhas.

Outros presidentes

Ernesto Geisel foi à ilha em 27 de setembro de 1974 para lançar o Programa de Polos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (Poloamazonia) em uma feira agropecuária no município de Soure. Ele estava acompanhado dos ministros Alisson Paulinelli (Agricultura), Reis Veloso (Planejamento), Rangel Reis (Interior) e Chigeaki Ueki (Minas e Energia).

Também estava presente o então governador do Pará, Fernando Guilhon. A primeira-dama, Lucy Geisel, não participou da visita.

Além de Geisel, o livro Saberes de Vaqueiros informa que Emílio Garrastazu Médici e João Baptista de Oliveira Figueiredo também estiveram na ilha, mas não foi possível confirmar a época nem se foram com suas esposas e seus ministros ou mesmo durante o exercício de seus mandatos.

Reprodução de notícia publicada no Diário do Pará sobre a visita de Geisel à Ilha do Marajó em 1974

Por que investigamos?

Em sua terceira fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos que tenham viralizado nas redes sociais tratando sobre políticas públicas do governo federal ou sobre a pandemia de covid-19.

O post verificado aqui, que teve 1,8 mil curtidas e cerca de 600 compartilhamentos no Twitter, desinforma ao dizer que Bolsonaro é o primeiro presidente a visitar a ilha com tal comitiva, na tentativa de qualificá-lo como especial por tal ação, quando, na verdade, não foi o que ocorreu. Com a proximidade das eleições municipais, tuítes como esse podem contribuir negativamente para o debate político no país. Quando a desinformação passa a integrar o cenário eleitoral, discussões sobre os projetos e agendas dos candidatos são prejudicadas, dificultando a escolha dos eleitores.

Outras postagens exaltando enganosamente os feitos de Bolsonaro já foram verificadas pelo Comprova, como a que creditava ao presidente a construção de um viaduto no Paraná, feito com recursos do governo do estado e outra que usava fotos de outras estradas para afirmar que o Exército teria feito reparos na Transamazônica. O Comprova já verificou, inclusive, publicações envolvendo Lula e o Pará, como a que usava uma foto de uma obra na BR-163 feita na gestão do petista dizendo que era uma realização do atual governo.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.