O Projeto Comprova reúne jornalistas de 33 diferentes veículos de comunicação brasileiros para descobrir e investigar informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas sobre políticas públicas, processo eleitoral e a pandemia de covid-19 compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens. Em julho de 2021, os participantes decidiram também iniciar a verificação da desinformação envolvendo possíveis candidatos à presidência da República. Desde então, o projeto tem monitorado nomes que vem sendo incluídos em pesquisas dos principais institutos. O Comprova é uma iniciativa sem fins lucrativos
Filtro:

Pandemia

Investigado por:2021-10-15

Teste de anticorpos não deve substituir vacina contra a covid, como sugere deputado do PR

  • Falso
Falso
São falsas as alegações do deputado estadual Ricardo Arruda (PSL-PR) em um vídeo em que ele afirma que os exames de anticorpos garantem que as pessoas que já tiveram a doença estão imunes contra a covid-19 e, por isso, elas não precisam se vacinar; que o “tratamento precoce” teve a sua eficácia comprovada; e que ninguém monitora os efeitos colaterais dos imunizantes. Segundo a ciência, a vacinação garante uma proteção mais robusta do que a demonstrada pelos exames de anticorpos pós-infecção. Não há nenhum ensaio clínico que comprove a eficácia de medicamentos contra o novo coronavírus; pelo contrário, esses tratamentos são desaconselhados por autoridades de saúde internacionais. Já as reações aos imunizantes são monitoradas de perto, no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
  • Conteúdo verificado: Vídeo que circula no Facebook mostra o deputado estadual do Paraná Ricardo Arruda fazendo diversas alegações falsas sobre a pandemia. Entre elas, ele afirma que o “tratamento precoce” foi “comprovado estatisticamente” por “milhões de médicos”.

São falsas várias alegações do deputado estadual do Paraná Ricardo Arruda (PSL-PR), declaradas em um vídeo que viralizou na Internet com críticas ao programa de vacinação contra a covid-19 e defesa de tratamentos ineficazes contra a doença.

Segundo Raphael Rangel, virologista, coordenador do curso de biomedicina do Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação (IBMR) e membro da Rede do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, o grupo não vacinado é aquele que mais tem risco para exposição ao vírus, assim como a possibilidade de evolução para a forma grave da covid-19.

O virologista afirma que o grande perigo desse grupo é que essas pessoas podem se infectar recorrentemente e, por isso, dar origem a novas variantes.

Também é falso que não exista um acompanhamento dos efeitos colaterais das vacinas. Em primeiro lugar, porque antes de ser autorizado no Brasil, cada imunizante passou por três fases de testes clínicos para garantir a sua segurança e eficácia. Em segundo, porque notificações de reações adversas são monitoradas de perto por órgãos de vigilância sanitária como a Anvisa, que tem poder para suspender a aplicação das vacinas se houver risco à saúde da população.

Além disso, o deputado erra ao afirmar que o Supremo Tribunal Federal (STF) retirou a autonomia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para atuar durante a pandemia e, por isso, todas as ações são decididas por governadores e prefeitos. O que a Suprema Corte decidiu foi que União, estados e municípios têm competência conjunta para atuar em questões de saúde pública, como determina a Constituição Federal. Segundo o órgão, caberia ao governo federal coordenar as ações específicas dos governos subnacionais.

Outra declaração falsa do parlamentar inclui a defesa do “tratamento precoce”. Ele alega, sem provas, que o método foi “estatisticamente” comprovado. O próprio Ministério da Saúde já afirmou à CPI da Pandemia que os remédios do kit covid, inicialmente defendido pelo governo federal, são, na verdade, ineficazes no combate ao vírus.

Ricardo Arruda também estabeleceu falsa equivalência entre a proteção contra o vírus oriunda da contaminação e a conferida pela vacina. O doutor em Epidemiologia pela Universidade de São Paulo (USP) Julio de Carvalho Ponce explica que a proteção “mais robusta” somente é garantida com a aplicação dos imunizantes.

O legislador ainda diz que o “tratamento precoce” contra a covid-19 é perseguido, enquanto as pessoas defendem a liberação de compostos medicinais a base de cannabis. De acordo com a médica especialista em dor crônica e medicina canabinóide Maria Teresa Jacob, “não há comparação possível entre tratamento precoce e maconha medicinal’. Aliás, nem se pode afirmar que existe tratamento precoce consensual [contra a covid-19]”.

Em nota, a assessoria do deputado afirmou que todas as informações sobre saúde que constam no vídeo tiveram como fonte “médicos confiáveis e renomados”, sem detalhar a quem se refere. A equipe do parlamentar também disse que as informações são checadas antes de serem publicadas.

Para o Comprova, é falso todo conteúdo inventado e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Como verificamos?

Inicialmente, buscamos informações em verificações acerca da vacinação contra covid-19 e do “tratamento precoce” já publicadas pelo Comprova. Além disso, entrevistamos o virologista Raphael Rangel; o epidemiologista Júlio de Carvalho Ponce; e a médica especialista em dor crônica e medicina canabinóide Maria Teresa Jacob.

Por email, o Comprova entrou em contato com a assessoria do gabinete do autor do vídeo.

Foram consultadas, por fim, informações científicas da Organização Mundial da Saúde (OMS), dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, da Anvisa e portais de notícias.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 15 de outubro de 2021.

Verificação

Efeitos colaterais das vacinas são monitorados

Em todas as bulas das vacinas autorizadas no Brasil, a Anvisa afirma que os imunizantes, como qualquer outro medicamento, podem causar efeitos colaterais, ainda que eles passem por três fases de testes clínicos que, além da eficácia, indicam se são seguros; isto é, que não provocam reações graves.

Não significa, contudo, que, após serem autorizadas, as vacinas não são mais acompanhadas pelas autoridades sanitárias. A Anvisa continua monitorando qualquer evento adverso por meio de um processo chamado farmacovigilância, assim como outras agências ao redor do mundo. Quando uma pessoa tem um episódio de saúde que se suspeita estar relacionado à imunização, o profissional de saúde que a atendeu notifica os órgãos competentes, incluindo a Anvisa, para que iniciem uma investigação criteriosa do caso.

A Anvisa tem poder para suspender total ou parcialmente (para alguns grupos) o uso de algum medicamento ou imunizante que esteja sendo aplicado em desacordo com a bula e que possa causar risco à saúde da população. Um exemplo foi a suspensão do uso da vacina da AstraZeneca em gestantes, no dia 10 de maio de 2021 A aplicação desse imunizante em mulheres grávidas não era prevista pela bula.

Em junho deste ano, o médico David Urbaez, presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, disse ao Comprova que a existência de algumas reações leves são comuns em todas as vacinas contra qualquer doença, já que elas estimulam o sistema imune. Essas reações leves, como dor no local da aplicação e febre, não têm relação com a forma como esse imunizante foi desenvolvido. “O sistema imune estimulado gera uma série de substâncias biológicas, que em mais ou menos proporção, geram os efeitos adversos sistêmicos como febre, dores musculares, indisposição, etc”, explicou.

De acordo com Urbaez, em mais de 99% das vezes, as reações aos imunizantes são leves. “Rarissimamente podem acontecer efeitos adversos mais sérios, sempre menos de 1% das ocorrências. Sempre lembrando, todas as vacinas em uso não têm vírus vivos, pelo que sua segurança é garantida após as fases de ensaio clínico”, afirmou.

STF e o papel dos estados e da União

Em 15 de abril de 2020, o plenário do STF reconheceu a competência concorrente entre a União, os estados e municípios no enfrentamento da pandemia. Na ação que avaliava trechos da Medida Provisória 926/2020, ficou entendido que governadores e prefeitos tinham autonomia para adotar medidas de distanciamento social que pudessem prevenir a infecção pela covid-19, considerando as realidades locais, já que o número de casos e de leitos varia de um lugar para outro do país. O papel do governo federal seria coordenar nacionalmente essas ações locais.

A decisão tinha como base o artigo 23, inciso II, da Constituição Federal, segundo o qual, “cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência” é uma competência comum da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

O presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores sempre criticaram a decisão do STF. No entendimento do chefe do Planalto, o Judiciário limitou seus poderes para atuar durante a pandemia. O governo chegou a apresentar ações na Suprema Corte contra decretos estaduais que instituíram lockdown para contenção do vírus. Mas elas não prosperaram.

Em julho deste ano, o STF lançou uma peça de marketing dizendo ser falso que o Judiciário tenha retirado poderes do presidente para atuar na pandemia. “O STF decidiu que União, estados e prefeituras tinham que atuar juntos, com medidas para proteger a população”, explica o vídeo divulgado nas redes sociais. A peça também trazia o slogan “Uma mentira contada mil vezes não vira verdade”.

A decisão mais recente, citada no vídeo verificado, ocorreu após o Ministério da Saúde recomendar a suspensão da vacinação de adolescentes. A imunização de pessoas acima de 12 anos com a vacina da Pfizer havia sido autorizada pela Anvisa desde 11 de junho deste ano, após avaliar estudos que comprovaram a segurança e a eficácia do composto para esta faixa etária.

Apesar da orientação da União, alguns estados anunciaram que seguiriam aplicando a vacina. No dia 21 de setembro, o ministro do STF Ricardo Lewandowski concedeu uma liminar afirmando que “a imunização de adolescentes acima de 12 anos é da competência dos estados, do Distrito Federal e dos municípios”. A decisão dizia que estados e municípios deveriam observar, sob pena de responsabilização, as orientações dos fabricantes dos imunizantes, da Anvisa e das autoridades de saúde.

No dia seguinte, a Anvisa concluiu que o óbito de adolescente que ocorreu em São Paulo — citado pelo Ministério da Saúde como justificativa para suspensão da imunização — não tinha relação com a aplicação da vacina da Pfizer, após um processo de investigação. Na mesma data, o Ministério da Saúde voltou atrás e passou a recomendar novamente a imunização dos adolescentes.

Tratamento precoce não foi comprovado estatisticamente

Diferentemente do que afirma o parlamentar, não há comprovação estatística sobre eficácia do dito “tratamento precoce”. Ricardo Arruda não citou números nem alguma fonte que tenha embasado sua fala.

Como o Comprova já mostrou, a hidroxicloroquina é ineficaz no combate ao vírus. Trata-se de um dos remédios difundidos pelo presidente Jair Bolsonaro e aliados como antídoto para a infecção, ao lado da ivermectina e da azitromicina, sem comprovação de eficácia.

A OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) já emitiram recomendações contrárias ao uso da hidroxicloroquina, da cloroquina e da ivermectina.

Um estudo randomizado – que compara duas ou mais intervenções conduzidas por pesquisadores e aplicadas de modo aleatório em voluntários – publicado na revista The Lancet mostrou que a azitromicina é ineficaz e não tem relação com redução de mortes por covid-19.

O próprio Ministério da Saúde assumiu que os medicamentos do chamado kit covid são incapazes de neutralizar o vírus. Em documento enviado à CPI da Covid, a pasta disse:

“Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população” .

O infectologista Julio Ponce explica que relatos individuais de “cura” não são suficientes para provar a eficácia de um medicamento. “Em medicina, não abordamos a capacidade de cura como um evento pessoal, único, mas sim com redução de risco, melhora de sintomas, diminuição de evolução a óbito, etc”, afirmou ao Comprova em entrevista feita pelo Twitter.

Exame de anticorpos não substitui vacina

Não é verdadeira a fala do parlamentar Ricardo Arruda que estabelece equivalência entre o resultado do teste de covid-19 e a vacina contra o vírus, como se ambos fossem atestados de imunidade contra o Sars-CoV-2.

A Anvisa alertou em seu site, em junho deste ano, que os testes disponíveis servem tão somente para a identificação de pessoas que tenham sido infectadas pelo coronavírus.

Na nota técnica 33/2021, a agência reguladora brasileira afirma que “não existe, até o momento, a definição da quantidade mínima de anticorpos neutralizantes necessária para conferir proteção imunológica contra a infecção pelo Sars-CoV-2, uma reinfecção, as formas graves da doença e nem contra as novas variantes circulantes.”

A FDA, agência sanitária norte-americana, equivalente à Anvisa no Brasil, também advertiu que os testes não devem ser usados para avaliar o nível de imunidade contra o vírus, seja antes ou depois da vacinação. De acordo com o comunicado, emitido em maio deste ano, são necessárias mais pesquisas para entender o significado de um teste de anticorpos positivo ou negativo.

Sobre os não vacinados, público ao qual o parlamentar se dirige na fala, a FDA sublinha que um resultado positivo não é significado de quantidade específica de imunidade ou proteção contra a infecção. O resultado positivo significa que o paciente provavelmente deve ter sido infectado pelo vírus. Dessa forma, a recomendação da agência reguladora estadunidense é de que um médico seja consultado.

“Se os resultados do teste de anticorpos forem interpretados como uma indicação de um nível específico de imunidade ou proteção contra a infecção pelo Sars-CoV-2, há um risco potencial de que as pessoas tomem menos precauções contra a exposição ao vírus. Tomar menos precauções pode aumentar o risco de infecção e pode resultar no aumento da disseminação do Sars-CoV-2”, diz o comunicado.

Júlio de Carvalho Ponce disse ao Comprova que o exame de anticorpos é um “indicativo de proteção, mas há uma proteção mais robusta com o uso de vacinas, mesmo para quem já foi infectado.”

Há mais literatura sobre maconha medicinal

Ricardo Arruda criticou o colega de Assembleia, o deputado Goura Nataraj (PDT), por ele ser contrário ao “tratamento precoce”, mas favorável ao uso da maconha para fins medicinais. Arruda então estabeleceu falsa equivalência entre o uso de produtos à base de cannabis e o tratamento que ele defende contra o Sars-Cov-2, cuja ineficácia já foi comprovada pela comunidade científica.

De acordo com a médica especialista em dor crônica e medicina canabinóide Maria Teresa Jacob, “não há comparação possível entre tratamento precoce e maconha medicinal”. Segundo ela, “nem se pode afirmar que existe tratamento precoce consensual [contra a covid-19]”.

Em entrevista ao Comprova, ela afirma que “estudos sobre cannabis medicinal têm crescido muito a cada ano e mostram como é possível aliviar a dor crônica no caso de muitas doenças como endometriose, problemas de coração e cefaléia, inclusive incluindo tratamento de covid-19”.

Uma resolução colegiada da direção da Anvisa, de número 327/2019, entrou em vigor no dia 10 de março de 2020 e definiu as condições e procedimentos para a concessão da Autorização Sanitária para a fabricação e importação de produtos de cannabis para fins medicinais.

A empresa farmacêutica Prati-Donaduzzi, como mostra matéria do portal UOL, conseguiu autorização para comercializar o canabidiol com cinco anos de validade. Não significa, porém, que os produtos tenham status de medicamento.

No quinto capítulo da mesma resolução, o segundo inciso do artigo 50 determina que os pacientes devam ser informados de que “o produto de Cannabis não é medicamento”.

Em 2021, a Anvisa aprovou dois novos produtos à base de cannabis fabricados nos Estados Unidos, ambos com concentração de tetra-hidrocarbinol (THC) de até 0,2%. O THC é o principal componente ativo da maconha, responsável pelos efeitos alucinógenos da planta.

O Conselho Federal de Medicina, citado pelo deputado, de fato adota postura resistente ao uso destes produtos. Ao lado da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a instituição assinou um decálogo em que se contrapôs ao uso do termo “maconha medicinal”. O argumento usado foi o mesmo da Anvisa, o de que não podem ser considerados medicamentos.

“Como os poucos resultados obtidos estão longe de ser generalizados, mesmo que o uso controlado possa ser feito, deve-se levar em conta os potenciais malefícios já comprovados”, dizem as associações no item 3 do documento.

O autor do vídeo

Segundo seu perfil no site da Assembleia Legislativa do Paraná, Ricardo Arruda (PSL) é formado em finanças e foi presidente do Banco Comercial. Ele também se diz ligado à Igreja Mundial do Poder de Deus, a quem prestou consultoria financeira durante a carreira. Exerceu o primeiro cargo político em 2013, quando se tornou deputado federal após o licenciamento de Edmar Arruda. Em 2014, foi eleito deputado estadual do Paraná, sendo reeleito em 2018. Entre seus projetos, propôs a adoção no Paraná do “Escola Sem Partido”, movimento que defende que professores não podem falar de política em sala de aula.

Em seu perfil oficial do Instagram, ele também se define como “anti-PT” e apoiador do presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o site Paraná Portal, parceiro do UOL, ele já foi condenado a retirar um vídeo do ar após acusar uma médica do estado de estar “matando pacientes” por se recusar a prescrever o tratamento com cloroquina. A BandNews FM de Curitiba também informa que ele já foi multado pela Justiça Eleitoral por propaganda antecipada ao contratar outdoors com sua foto e a do presidente da República.

Procurada, a assessoria de Ricardo Arruda afirmou que o objetivo do vídeo era “informar a população” e “transmitir dados que a grande mídia não divulga”. Segundo a equipe do parlamentar, todas as informações relativas a questões de saúde citadas na fala foram extraídas de “médicos confiáveis e renomados”; sem citar nomes. A assessoria também garante que elas são checadas antes de serem publicadas.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. O vídeo verificado aqui teve mais de 40 mil visualizações e 1,2 mil curtidas no Twitter.

Em falas que reverberam as mesmas falácias do vídeo verificado, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que não tomará a vacina, por considerar que já está imunizado contra a covid-19 depois de ter sido infectado com o Sars-Cov-2.

A desinformação sobre o processo de imunização é prejudicial para a saúde pública e a manutenção do controle da pandemia no país.

Segundo monitoramento do Imperial College de Londres, pela primeira vez, desde o início da pandemia, a taxa de transmissão da doença no Brasil atingiu o menor nível desde abril de 2020, quando começou a ser medida.

O Comprova já publicou diversos conteúdos sobre imunização, como o que informa que é falso que documento da Suprema Corte dos EUA afirma que vacinados contra a covid-19 se tornam transumanos e a reportagem que mostra que deputada distorce entrevista de diretora do CDC para criticar vacinas e ‘passaporte sanitário’. O Estadão também já verificou alguns dos temas abordados nessa checagem, como uma postagem no Facebook desinforma ao transferir responsabilidade do combate à pandemia ao STF e uma reportagem que informa que testes de anticorpos não servem para medir proteção das vacinas contra a covid-19.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Pandemia

Investigado por:2021-10-15

Tuíte engana ao dizer que vacina da Pfizer tem partículas contaminantes

  • Enganoso
Enganoso
É enganosa a publicação que circula nas redes sociais afirmando que há micropartículas contaminantes na vacina desenvolvida pela Pfizer contra a covid-19. Os argumentos utilizados pelo autor da postagem não encontram respaldo na realidade e vão contra os preceitos básicos da OMS para definir a aprovação de uso emergencial de uma vacina, que inclui a eficácia e segurança. A Pfizer, a Anvisa e especialistas ouvidos pela reportagem afirmaram que o conteúdo é de cunho enganoso e que os imunizantes passam por processos rigorosos antes da liberação.
  • Conteúdo verificado: A tradução de uma sequência de tuítes feita por uma conta que seria de um médico norte-americano publicada no grupo Médicos Pela Vida no Telegram. As imagens postadas falam de partículas presentes na vacina da Pfizer e termina afirmando que podem ser “contaminantes”. Nos comentários, os leitores do grupo de Telegram se perguntam se as imagens comprovariam teorias segundo as quais as vacinas têm como objetivo acabar com a humanidade.

Um grupo do Telegram voltado a pessoas contrárias à vacinação republicou uma sequência de tuítes feita por um suposto médico norte-americano.

A publicação enganosa diz que há micropartículas contaminantes dentro de imunizante desenvolvido pela Pfizer contra a covid-19 e gerou especulações de internautas sobre as vacinas serem criadas para prejudicar a humanidade.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Pfizer e um cientista consultado pela reportagem apontam que as informações checadas não procedem, uma vez que as vacinas passam por três etapas de testagem, que avaliam a pureza, a eficácia e a segurança delas. O órgão de vigilância sanitária afirmou ainda que, na análise do imunizante, não constatou nenhum resíduo com potencial de impacto tóxico ou genético.

O Comprova tentou contatar o autor da postagem, mas as redes sociais do suposto médico John B. não permitem o envio de mensagens. A reportagem também não localizou qualquer indício de que o perfil seja, de fato, de um especialista norte-americano e a origem real das amostras que são apresentadas como sendo da vacina da Pfizer.

Enganoso, para o Comprova, é todo conteúdo retirado do contexto original e usado em outro, de modo que seu significado sofra alterações.

Como verificamos?

Foram realizadas buscas na internet para conseguir mais informações sobre quem é o suposto médico norte-americano John B. O primeiro resultado que aparece redireciona a busca para o Twitter do perfil que compartilhou as informações com críticas à composição da vacina desenvolvida pela Pfizer.

Com a falta de resultados capazes de mostrar a formação e mais detalhes sobre a carreira e pesquisa de John B., a reportagem realizou uma busca reversa da imagem do perfil no Twitter para localizar outras redes sociais do suposto médico, mas também não encontrou registros além da conta do Twitter e do Telegram — que também não traz detalhes.

Pela falta de registros, a reportagem suspeitou que o perfil pudesse ser falso. Utilizamos duas ferramentas de checagem para nos aproximarmos de respostas sobre quem estaria por trás do gerenciamento da conta: o Pegabot e o Botometer. Ambos foram desenvolvidos para identificar contas automatizadas no Twitter, também conhecidas como ‘bots’, ou ‘robôs’.

As plataformas indicaram que há mais de 51% de chance do Twitter ser gerido por um terceiro, que não seria médico, tampouco cientista.

O Comprova tentou contactar o suposto médico via Twitter, mas o perfil de Dr. John B. recusa automaticamente o recebimento de mensagens.

Junto à Pfizer, o Comprova quis saber se as imagens analisadas em microscópio eram verdadeiras. Também contactamos a Anvisa para identificar se havia algum registro de denúncia ou pesquisa capaz de colocar em dúvida a pureza do imunizante ComiRNAty — nome que a Pfizer deu à vacina contra a covid-19.

Também consultamos o site da OMS (Organização Mundial da Saúde) para levantar informações oficiais sobre os processos de aprovação e produção de vacinas, além de consultar o virologista e professor da UnB (Universidade de Brasília) Bergmann Ribeiro para conferir a veracidade das imagens.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 15 de outubro de 2021.

Verificação

Quem é o John B.?

A reportagem buscou informações sobre quem é o doutor John B. na internet. O primeiro resultado que aparece redireciona a busca para o Twitter do perfil que compartilhou as informações sobre supostas micropartículas contaminantes presentes na vacina da Pfizer.

Por meio de uma busca reversa da imagem do perfil de John B., o Comprova tentou localizar outras redes sociais do suposto médico, mas também não encontrou registros além da conta do Twitter.

O nome, muito comum nos Estados Unidos, indica para o perfil de diversos médicos, mas nenhum parecido com o que aparece na foto do Twitter.

A reportagem suspeitou que o perfil fosse falso, considerando que a mesma foto parece ter sido retirada de um banco de imagens. Esses bancos produzem fotografias produzidas, com cenários genéricos, que podem ser utilizadas para ilustrar conteúdos diversos. O padrão de imagens presente nesses sites se aproxima da foto utilizada no perfil de John B.

Outro elemento suspeito é o número expressivo de seguidores — mais de 31 mil até 6 de outubro de 2021 — em apenas quatro meses de criação do perfil, que, segundo o Twitter, foi criado em junho de 2021.

Então, a reportagem partiu para uma segunda análise na tentativa de descobrir quem são alguns dos seguidores do doutor John B.. De forma aleatória, entrou em alguns dos perfis e descobriu que, coincidentemente, também eram contas recentes e com conteúdos contrários à vacina.

Checagem do perfil

Para verificar se o perfil era ou não falso, utilizamos duas ferramentas de checagem: o Pegabot e o Botometer. Ambos foram desenvolvidos para identificar contas automatizadas no Twitter, também conhecidas como “bots”, ou robôs.

Segundo o Pegabot, há 51% de chances de o perfil de John B. ser gerido por alguém que se passa por um médico capaz de analisar imunizantes em nível microscópico. Pelas métricas apresentadas pela plataforma, há grandes chances de o perfil ser fake — falso, em português. O termo é usado para denominar contas ou perfis usados na Internet com o intuito de ocultar a identidade real de um usuário.

A métrica do Botometer calcula as chances de perfis serem verdadeiros ou falsos em uma escala de 0 a 5, sendo 5 a maior chance de ser falso e 0 a menor probabilidade. Ao checarmos o perfil do suposto médico, a plataforma apontou uma nota de 4.2. De acordo com a base de dados do Botometer, apenas 17% das contas com uma pontuação similar eram gerenciadas por humanos, enquanto outros 83% eram, de fato, perfis automatizados.

O Comprova tentou contactar o suposto médico via Twitter, mas o perfil de Dr. John B. recusa automaticamente o recebimento de mensagens.

Uma segunda busca foi feita pela reportagem via Telegram, no entanto, o grupo em que a mensagem verificada aqui circulou não redireciona o contato para o criador do conteúdo. Também procuramos o perfil dele no Instagram, mas não encontramos.

Por esse motivo, a reportagem não conseguiu acioná-lo para questionar o levantamento que ele diz ter realizado sobre a composição da vacina da Pfizer.

O que dizem a Anvisa e a Pfizer

O Comprova quis saber, então, se as supostas imagens da análise microscópica do imunizante da Pfizer eram verdadeiras. A empresa diz desconhecer a análise em questão e reafirma “que seu processo de fabricação respeita regras rigorosas de vigilância sanitária, para garantir a pureza e a segurança do imunizante”.

A Pfizer esclarece que todas as etapas de fabricação do imunizante, “incluindo análise de qualidade do produto, são minuciosamente avaliadas pelas agências regulatórias em todo mundo por ocasião de aprovação de uso e seguem processos contínuos de inspeção e análise por esses órgãos de acordo com a legislação vigente. A Pfizer dedica seus maiores esforços na vigilância da qualidade, segurança e eficácia dos insumos e produtos que fabrica e comercializa, disponibilizando seus produtos de forma segura e responsável ao mercado, em conformidade com as mais rigorosas normas de qualidade e segurança.”

E, por fim, a farmacêutica compartilhou o link da bula da vacina destacando que todas as informações, inclusive a sua composição, estão disponíveis ao público.

Nossa equipe também questionou a Anvisa se havia denúncia ou pesquisa que colocassem em dúvida a pureza do imunizante ComiRNAty. Por e-mail, a autarquia informou que os estudos de biodistribuição avaliados durante o registro do produto “não indicaram qualquer resíduo com potencial de impacto tóxico ou genético para as células do corpo humano”.

Segundo a agência, um ponto central na análise de todas as vacinas em uso no Brasil são os critérios de pureza e esterilidade nos ambientes de produção dos imunizantes. “A Anvisa mantém as indicações aprovadas para a vacina e não há dados que indiquem alteração no perfil de benefício-risco.”

Produção e aprovação de vacinas pela OMS

A aprovação de uma vacina pelo órgão conta com três fases de ensaios clínicos. Além disso, os imunizantes são avaliados para que sua segurança e eficácia sejam comprovados.

Essa aprovação regulatória precede o envio do imunizante pelos fabricantes à OMS. Com a entrega desse material ao órgão de saúde, um novo processo de avaliação é feito com ajuda da ONU (Organização das Nações Unidas) e de outras entidades internacionais para garantir a qualidade da vacina.

No site da OMS, a entidade explica que o controle de qualidade monitora de forma constante as vacinas e estabelece a gravidade de qualquer efeito colateral adverso e resposta das pessoas imunizadas.

Não existe um tempo mínimo determinado para o desenvolvimento de vacinas e a duração desse processo depende de uma série de variáveis, que incluem o processo, do teste pré-clínico à fabricação. Em casos de maior impacto para a saúde global, como o que ocorreu durante a pandemia em 2020, um procedimento legal permite que vacinas sejam aprovadas para uso emergencial, respeitando critérios de segurança e eficácia. A agilidade que acelerou o processo de fabricação das vacinas ocorreu porque entidades públicas e privadas uniram recursos financeiros e tecnológicos para combater a covid-19.

A organização afirma, ainda, que os estudos são realizados de forma frequente para determinar por quanto tempo a imunização será estabelecida pela vacina.

Bergmann Ribeiro, virologista e professor da Universidade de Brasília (UnB) classificou a divulgação das imagens como “absurdas” porque não dá para saber como foram feitas e se realmente usaram um frasco da vacina da Pfizer.

Segundo ele, qualquer remédio, antes de ser aprovado para uso, passa por testes rigorosos de qualidade e as agências de controle só aprovam após analisar e constatar que o conteúdo do frasco é o mesmo descrito na bula.

O especialista explica que o imunizante da Pfizer é composto por ácido nucleico (informação genética do coronavírus para produzir uma proteína chamada espícula), lipídios (que formam uma proteção para quando RNA-mensageiro for injetado nas pessoas), colesterol, fosfolipídio, sacarose, cloreto de sódio, cloreto de potássio, fosfato de sódio, por exemplo.

“Como se vê, são vários sais e, se eles forem ressecados, produzem cristais de diferentes tamanhos. Essas moléculas, num processo de precipitação, podem formar um cristalzinho. Nem por isso significa que o cristal é impureza. É um absurdo espalhar esse tipo de informação”, alerta Bergmann Ribeiro.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. O conteúdo verificado aqui teve mais de 37 mil visualizações no Telegram, com 149 comentários que, em sua maioria, falam sobre teorias conspiratórias a respeito de um “great reset” — grande reinicialização, em português — envolvendo a vacina contra a covid-19, o que não procede.

O impacto gerado por esse conteúdo enganoso é observado a partir desses comentários. Um deles é a desinformação e o outro é a aversão aos imunizantes, ainda que sejam comprovadamente seguros e eficazes em salvar vidas ao redor do mundo.

Além disso, o Comprova decidiu investigar o material por conta da fonte de difusão desses dados, que seria um suposto médico norte-americano. A reportagem tentou localizá-lo, mas não há indícios de que realmente seja um médico por trás do gerenciamento da conta que difundiu as informações.

Outras checagens verificaram conteúdos semelhantes, como a agência Aos Fatos, que desmentiu um estudo japonês que havia “encontrado’ nanopartículas de mRNA em pessoas vacinadas com a Pfizer. A BBC também produziu uma matéria que traz esclarecimentos sobre os boatos de DNA alterado, microchips e supostos efeitos colaterais das vacinas.

Enganoso para o Comprova é todo conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações. Também se encaixa nessa categoria a publicação que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

 

Pandemia

Investigado por:2021-10-13

É falso que documento da Suprema Corte dos EUA afirme que vacinados contra a covid-19 se tornam transumanos

  • Falso
Falso
É falso o vídeo que circula nas redes sociais em que um homem afirma que, segundo documento da Suprema Corte dos Estados Unidos, pessoas que receberam vacina de RNA mensageiro sofrem alterações no DNA e se tornam transumanas, podendo ser patenteadas. O link citado por ele é, de fato, do órgão de Justiça, mas o trecho que ele lê não consta no documento. Publicado em 2013, o documento informa que os genes humanos não podem ser patenteados, mas o DNA criado artificialmente pode ser reivindicado como propriedade intelectual.
  • Conteúdo verificado: Vídeo que circula nas redes sociais mostra homem com suposto documento da Suprema Corte dos Estados Unidos, afirmando que quem recebeu vacina de RNA mensageiro sofre alteração no DNA e deixa de ser considerado humano.

É falso o vídeo que circula em plataformas como TikTok, Facebook e Telegram em que um homem afirma que, segundo um documento da Suprema Corte dos Estados Unidos, as pessoas que se imunizaram com vacina de RNA mensageiro sofrem alteração no DNA, tornam-se transumanas e passam a ser consideradas bens patenteados do governo.

O documento apresentado pelo autor do vídeo é, de fato, uma decisão do órgão de Justiça norte-americano, mas não tem relação com a pandemia e não cita vacinas, como sugere o falso vídeo. O texto foi publicado em 2013, após decisão unânime da Suprema Corte determinar que os genes humanos não podem ser patenteados, mas que o DNA criado artificialmente pode ser reivindicado como propriedade intelectual. A decisão ocorreu após a empresa de biotecnologia Myriad Genetics reivindicar a propriedade de dois genes ligados ao câncer de ovário e de mama.

No vídeo, o autor inventa dados para atacar as vacinas, mas os imunizantes contra a covid-19 são eficazes e seguros, de acordo com diversas autoridades de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Procurado, o autor do vídeo insistiu que não relatou informações falsas. Também foi feito contato com o canal que distribuiu o conteúdo com tradução para o português, mas não houve retorno até a publicação deste texto.

O Comprova considera falso o conteúdo que tenha sido inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Como verificamos?

Ao buscar as palavras “transhuman”e “RNA” no Facebook, a reportagem encontrou o vídeo compartilhado na página Holistic Health Through Nature (em português, Saúde Holística por meio da Natureza), página que compartilha, entre outras coisas, publicações antivacinação. Nela, diferentemente da versão que o Comprova recebeu pelo Telegram, aparece o nome do autor do vídeo.

Foi feito contato com o perfil do autor do vídeo no Facebook e com a página que legendou o vídeo em português que viralizou no Telegram.

Para confirmar que o arquivo citado era original, a reportagem buscou o documento mencionado no vídeo no site da Suprema Corte dos Estados Unidos, mas verificou que a página “Opiniões do Tribunal” só mostra arquivos de 2014 a 2021. Para ter a certificação de que o documento é real, foi feita uma busca no Google, que encontrou o texto citado no vídeo.

Com a ferramenta de tradução do Google, foi possível ler a íntegra do documento da Corte em português e verificar que a publicação dele ocorreu em junho de 2013.

Por último, a reportagem consultou o site do CDC para checar informações sobre a segurança das vacinas.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 13 de outubro de 2021.

Verificação

A decisão

O documento citado pelo autor do vídeo – que, inclusive, publica o link para o texto no site da Suprema Corte – é uma decisão publicada em junho de 2013 pelo órgão.

A decisão se referia ao caso em que a empresa Myriad Genetics reivindicava a propriedade de dois genes ligados ao câncer de ovário e de mama. Ao contrário do que afirma o autor do vídeo, o tribunal não permite que o DNA humano seja patenteado.

“Um segmento de DNA de origem natural é um produto da natureza e não pode ser patenteado simplesmente porque foi isolado, mas o DNA complementar pode ser patenteado porque não se produz de maneira natural”, diz a segunda página do documento.

Em entrevista à AFP Fact Check sobre postagem com conteúdo semelhante, a pesquisadora Jennifer Piatt, do Centro de Legislação e Política de Saúde Pública da Universidade do Estado do Arizona, diz que “a alegação feita nas redes sociais é uma distorção completa de como as vacinas funcionam e do que o tribunal diz”. Segundo ela, “em primeiro lugar, não há possibilidade de alteração do DNA humano por meio das vacinas” e, ao afirmar que a Corte decidiu que pessoas podem ser patenteadas, “eles (os desinformadores) estão olhando para isso por uma perspectiva que nem está presente na decisão do tribunal”.

Segurança das vacinas

No vídeo que está viralizando, o autor enfatiza a questão da vacina, sugerindo que as pessoas não devem tomar a “picadinha estúpida” – ou seja, o imunizante contra a covid-19. Mas, no documento citado por ele não há relação com qualquer vacina ou mesmo citação sobre alterações causadas por vacinas no DNA humano.

De acordo com o CDC, “as vacinas são seguras e eficazes” e todos com mais de 12 anos são elegíveis à imunização.

Na área de perguntas e respostas sobre vacinas do site do órgão, há uma questão sobre a segurança dos produtos. A resposta: “Sim, as vacinas contra a covid-19 são seguras e eficazes. Centenas de milhões de pessoas nos Estados Unidos receberam as vacinas sob o mais intenso monitoramento de segurança da história do país”.

Especificamente sobre as vacinas de RNA mensageiro, o CDC afirma: “são um novo tipo de vacina para proteger contra doenças infecciosas” e “o benefício delas, como de todas as vacinas, é que as pessoas vacinadas ganham proteção sem nunca ter que correr o risco das graves consequências de adoecer de covid-19”.

Como diversos conteúdos desacreditando esses imunizantes já viralizaram, há, no site do órgão, a informação de que “eles não afetam ou interagem com o DNA de forma nenhuma”.

O autor do vídeo

Em seu perfil no Facebook, Ben Barlow publica conteúdos anti-vacina e anti-máscara. Também continua defendendo que as eleições norte-americanas, que deram a vitória ao democrata Joe Biden, empossado em janeiro, foram fraudadas.

Pelo menos oito conteúdos publicados por ele desde agosto de 2020 estavam marcados como “informação falsa”, “parcialmente falsa” ou “sem contexto” pelo Facebook. Procurado, Barlow não respondeu sobre a origem da informação falsa que compartilha no vídeo. Ele insistiu que não divulgou falsidades e chamou a vacina de “veneno forçado que eles estão nos empurrando”.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. O vídeo verificado aqui teve mais de 45 mil visualizações e mais de 2,4 mil interações até 11 de outubro.

O conteúdo verificado aqui tenta enganar e causar desinformação referente à segurança das vacinas, que já foram cientificamente comprovadas como o principal método contra o coronavírus. Além disso, ao citar que “causa alteração no DNA humano”, o vídeo pode gerar pânico na população, aumentando o número de pessoas que não querem tomar a vacina por medo.

Outros veículos verificaram conteúdos semelhantes, como AFP Fact Check e Newschecker. Só nos últimos dias o Comprova classificou como enganoso post da deputada federal Bia Kicis que distorcia entrevista de diretora do CDC para criticar vacinas e “passaporte sanitário” e vídeo de apresentadora com estilista dizendo que o número de pessoas infartadas em Israel não cresceu após a imunização.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Pandemia

Investigado por:2021-10-11

Deputada distorce entrevista de diretora do CDC para criticar vacinas e ‘passaporte sanitário’

  • Enganoso
Enganoso
Tuíte engana ao trazer trecho descontextualizado de uma entrevista da diretora do CDC, Rochelle Walensky, feita em agosto, para afirmar que o fato de a vacina contra a covid-19 não prevenir totalmente a transmissão do vírus mostra a “total inutilidade do passaporte sanitário”. Na verdade, pessoas imunizadas tendem a se infectar menos e a apresentar uma carga viral mais baixa comparada com os não vacinados, o que indica que a medida traz benefícios do ponto de vista da saúde pública.
  • Conteúdo verificado: Tuíte de deputada federal traz o trecho de uma entrevista da diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Na legenda, diz que o órgão sanitário estaria admitindo que as vacinas contra a covid-19 não previnem a transmissão e que isso mostraria a “total inutilidade do passaporte sanitário”.

Para criticar o chamado “passaporte da vacina” adotado em dezenas de municípios brasileiros para reduzir o risco de contágio e incentivar a vacinação, a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) compartilhou no Twitter um trecho de uma entrevista antiga de Rochelle Walensky, diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão sanitário dos Estados Unidos. O conteúdo havia sido veiculado dois meses antes na rede de televisão CNN e não sustenta o argumento da deputada, de que vacinados e não vacinados apresentam o mesmo risco de transmissão do coronavírus e, portanto, a medida seria inútil.

Sem o contexto original, o trecho solto de uma fala de Walensky causou confusão nas redes. Na época da entrevista, início de agosto, os Estados Unidos enfrentavam uma escalada no número de casos de covid-19 por conta da variante Delta. Diante desse fato e de estudos comprovando que pessoas imunizadas também poderiam transmitir o vírus, o CDC passou a recomendar novamente o uso de máscaras para toda a população em espaços públicos fechados, como forma de reduzir o risco de contágio.

Walensky aparece na entrevista reforçando a necessidade das medidas de prevenção, como uso de máscaras, e convocando as pessoas para que se vacinassem assim que possível. No trecho recortado pela deputada Bia Kicis, a diretora do CDC afirma que as vacinas “continuam funcionando excepcionalmente bem” em prevenir quadros graves e mortes, mas que elas “não podem mais prevenir a transmissão” em um cenário de avanço da Delta.

Isso não quer dizer que vacinados e não vacinados tenham a mesma chance de serem contaminados e passar o vírus adiante. Os fabricantes das vacinas aprovadas nos Estados Unidos comprovaram, por meio de estudos, que elas funcionam para diminuir as infecções na população, além de drasticamente reduzir a chance de quadros graves e mortes. O que ocorre é que elas não são infalíveis — no momento em que existe uma alta circulação do vírus, o número de casos da doença entre pessoas vacinadas, ainda que menos frequente, também aumenta.

Estudos científicos demonstram ainda que a Delta consegue romper essa barreira com mais facilidade do que outras cepas do vírus. Porém, novas pesquisas com as vacinas mostram que elas continuam sendo eficazes contra a Delta. E mesmo que haja uma infecção entre os vacinados, essa pessoa tende a transmitir menos o vírus do que aqueles que se recusam a tomar o imunizante, o que vem sendo associado por especialistas a uma carga viral mais baixa e a uma duração mais curta dos sintomas.

A posição atual do CDC, atualizada em 15 de setembro, é de que “pessoas totalmente vacinadas têm menos probabilidade do que pessoas não vacinadas de adquirir Sars-CoV-2” e de que as eventuais “infecções com a variante Delta em pessoas vacinadas têm potencialmente menos transmissibilidade do que as infecções em pessoas não vacinadas, embora estudos adicionais sejam necessários”.

O Comprova classificou o conteúdo como enganoso porque a deputada usa informações de forma a induzir uma interpretação errada – de que as vacinas não auxiliam a reduzir a transmissão do vírus para diminuição de casos. A deputada foi procurada, mas não retornou o contato.

Como verificamos?

Primeiramente, o Comprova buscou no Google o link do vídeo original da entrevista feita pela CNN dos Estados Unidos, encontrando no Facebook da emissora. Em seguida, foi procurada uma transcrição completa. Além disso, também foram buscadas notícias que repercutiam as falas do vídeo com Rochelle Walensky.

A partir dessas informações, o Comprova foi em busca de dados sobre o número de vacinados e de pessoas que testaram positivo para a covid-19 nos Estados Unidos na data que a entrevista foi ao ar.

Foram contatados os especialistas Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), e o doutor em Imunologia e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Daniel de Oliveira Gomes.

A reportagem também consultou a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19, difusora de dados sobre o coronavírus em redes sociais, e a epidemiologista e professora da Ufes Ethel Maciel. Por fim, o Comprova contatou o CDC e a deputada Bia Kicis, autora do post verificado, mas não obteve resposta de ambos até a publicação desta checagem.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 11 de outubro de 2021.

Verificação

Origem do vídeo

A postagem é da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania na Câmara. A parlamentar é uma das lideranças da base aliada de Jair Bolsonaro (sem partido) na casa legislativa.

Na legenda, a deputada escreve: “A diretora do CDC, Rochelle Walensky, agora admite que a v4c1n4…não pode prevenir a transmissão. Isso mostra a total inutilidade do passaporte sanitário, além da grave violência à liberdade”. Kicis substituiu a palavra “vacina” por letras e números. Essa é uma tática utilizada por muitos perfis e páginas que buscam escapar do monitoramento das redes.

O vídeo é apenas um trecho de uma entrevista em inglês de Rochelle Walensky para a rede de televisão CNN, dos Estados Unidos. Quem faz as perguntas é o jornalista Wolf Blitzer.

A partir dessas informações, o Comprova pesquisou no Google por “Rochelle Walensky CNN Wolf Blitzer” e encontrou o conteúdo original na página da CNN no Facebook. A entrevista é de 5 de agosto deste ano — ou seja, Bia Kicis resgatou um conteúdo de quase dois meses antes e o compartilhou como se fosse uma revelação recente.

O Comprova encontrou ainda a transcrição completa do programa The Situation Room daquele dia e uma notícia publicada no site da CNN repercutindo as declarações da diretora do CDC.

Um tuíte de Wolf Blitzer confirma ainda a data e o horário da entrevista com Rochelle Walensky e o motivo do convite: os Estados Unidos haviam registrado mais de 100 mil casos de covid-19 em 24h. Era o começo de uma nova onda de covid-19 no País, segundo dados do órgão de saúde, cenário atribuído ao aumento do número de casos da variante Delta, quando metade da população tinha o esquema vacinal completo.

O que diz a entrevista

O vídeo original postado pela CNN tem 3 minutos e 25 segundos, enquanto o trecho usado por Bia Kicis no Twitter explora apenas 26 segundos. De acordo com a transcrição completa do programa, a participação da especialista durou cerca de 20 minutos.

No recorte da deputada, Walensky diz: “Nossas vacinas estão funcionando excepcionalmente bem. Elas continuam funcionando bem com a Delta em relação a quadros graves da doença e mortes. Elas previnem isso”.

E completa a seguir: “Mas o que elas não podem mais fazer é prevenir a transmissão. Então, se você está indo para a casa de alguém que não foi vacinado ou que não pode ser vacinado, imunossuprimido ou um pouco frágil, com comorbidades de alto risco, eu sugiro que você use uma máscara em ambientes públicos fechados”.

A postagem engana porque dá a entender que o posicionamento oficial do CDC é de que uma pessoa vacinada tem a mesma chance de transmitir o vírus do que alguém que não tomou a vacina, o que não é verdade. Esse tipo de alegação desconsidera o fato de que a imunização reduz a possibilidade de infecção em primeiro lugar, conforme os estudos científicos que resultaram na aprovação dos imunizantes pelo órgão sanitário.

Na entrevista, Walensky falava sobre as chamadas taxas de “breakthrough”, ou seja, sobre os casos de pessoas totalmente vacinadas que eventualmente se contaminam com o vírus da covid-19. Nenhuma vacina elimina completamente a chance de pegar o vírus, desenvolver a doença ou mesmo vir a óbito, mas é fato que os imunizantes protegem a população, dificultam a infecção e reduzem drasticamente a chance de agravamento do quadro.

Nesse ponto, as vacinas contra a covid-19 se assemelham a outras, como a do rotavírus, que não conseguiram chegar a um patamar esterilizante. Esse debate não é uma novidade: especialistas alertavam para esse fato desde o começo do ano, quando os países davam os primeiros passos na imunização.

Vacinação X transmissão

Na época, a entrevista da diretora do CDC repercutiu em uma reportagem da CNN. A publicação lembra, por exemplo, que na semana anterior, em 30 de julho, o órgão sanitário havia divulgado um estudo indicando que a variante Delta poderia produzir uma quantidade semelhante de vírus em pessoas vacinadas e não vacinadas no caso de uma contaminação. “Dados sugerem que pessoas vacinadas que pegam o vírus podem apresentar uma tendência parecida de espalhar o vírus em relação aos não vacinados”, informa o conteúdo. Com o estudo, que foi considerado uma “descoberta fundamental” na época, o CDC voltou atrás na recomendação sobre máscaras em ambientes fechados.

Meses antes da entrevista de Walensky, já era discutido entre cientistas a questão da transmissibilidade em pessoas vacinadas, como é possível ver em matéria da BBC de fevereiro: “Não há evidências de que qualquer uma das vacinas covid-19 atuais possa impedir completamente a infecção de pessoas – e isso tem implicações em nossas perspectivas de obter imunidade coletiva”.

E na da revista Fapesp, em março: “Estudos clínicos sobre as formulações em uso revelam que elas são eficazes na prevenção da enfermidade, reduzindo os sintomas e evitando quadros graves, mas não se sabe ainda se também conseguem impedir que o vírus invada as células humanas e inicie o processo de replicação”.

Para Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), sempre se soube que, mesmo com a vacinação, o vírus continuaria circulando. “No início, não se tinha muitas respostas, mas a partir do momento que veio a variante Delta isso mudou. Ficou bem estabelecido, que independente da vacina utilizada, mesmo a pessoa vacinada, ela pode se infectar e transmitir”, afirma.

Além disso, ele ressalta que, no caso dos EUA, há dois fatores importantes: uma taxa bastante elevada de pessoas não vacinadas e, ao mesmo tempo, uma alta circulação da variante Delta, que é o que não tem sido observado no Brasil, já que aqui a Delta não circulou com tanta força.

Reportagem da Nature, de 12 de agosto, destaca que “relatórios de vários países parecem confirmar o que os cientistas temiam depois que a variante atravessou a Índia com velocidade alarmante em abril e maio: a Delta tem mais probabilidade do que outras variantes de se espalhar por pessoas vacinadas”.

“Dados de testes covid-19 nos Estados Unidos, Reino Unido e Cingapura mostram que as pessoas vacinadas que são infectadas com Delta SARS-CoV-2 podem carregar tanto vírus no nariz quanto as pessoas não vacinadas. Isso significa que apesar da proteção oferecida pelas vacinas, uma proporção de pessoas vacinadas pode passar para a Delta, possivelmente auxiliando no seu aumento”, acrescenta o conteúdo.

Publicação no site da Universidade Johns Hopkins traz que os dados do estudo do CDC mostraram “que pessoas vacinadas infectadas com a variante delta podem carregar cargas virais detectáveis ​​semelhantes às de pessoas não vacinadas, embora nos vacinados esses níveis diminuam rapidamente. Também há dúvidas sobre o quão cultivável – ou viável – esse vírus recuperado de pessoas vacinadas realmente é”.

Segundo a publicação, embora pareça desencorajador, é importante manter três coisas em mente: as vacinas permanecem altamente eficazes na prevenção de doenças graves; infecções disruptivas entre indivíduos vacinados permanecem incomuns e a maioria das novas infecções por covid-19 nos Estados Unidos estava ocorrendo entre pessoas não vacinadas.

O texto destaca que é fundamental entender que o estudo é derivado principalmente de um local no qual as atividades e os ambientes que estavam levando a infecções não são necessariamente representativos da vida cotidiana de um indivíduo totalmente vacinado. O estudo descreve 469 residentes de Massachusetts que foram infectados em um surto de julho no Condado de Barnstable, que inclui o destino de férias de verão Provincetown. Nenhuma morte foi relatada entre eles.

Pesquisas recentes

Uma série de estudos científicos contrariam a tese de que vacinados teriam o mesmo risco de adquirir a doença — e consequentemente de transmiti-la — do que não vacinados, mesmo em um cenário de prevalência da variante Delta. Desde o final de agosto já existem dados para os quatro imunizantes aplicados no Brasil — Coronavac, Astrazeneca, Pfizer, Janssen — como mostra essa reportagem do UOL.

Cientistas da Universidade de Oxford, por exemplo, recentemente divulgaram um artigo em que examinam 139 mil contatos próximos rastreados de 95 mil casos de covid-19 no Reino Unido entre janeiro e agosto deste ano. O objetivo era comparar qual foi o impacto de uma ou duas doses das vacinas da Astrazeneca e da Pfizer na transmissão da doença contra as variantes Delta e Alfa.

De acordo com esse estudo, pessoas que haviam recebido duas doses da vacina da Pfizer tiveram 58% menos chance de pegar a variante Delta de uma pessoa contaminada com a qual tiveram contato. No caso da Astrazeneca, o risco foi reduzido em 36%. Esse percentual sobe para 82% e 63% contra a variante Alfa. Os autores, por outro lado, alertam para uma redução da efetividade três meses depois da segunda dose, algo que também já vinha sendo debatido na comunidade científica e que indica a necessidade de doses de reforço em grupos de risco. Apesar de ainda não ter sido revisado e publicado, o estudo foi citado pela Nature, uma das principais revistas científicas do mundo.

Nos estudos que embasaram a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, realizados ao longo do ano passado, os imunizantes da Pfizer e da Astrazeneca tiveram 95% e 70,4% de eficácia geral, ou seja, reduziram o risco de casos sintomáticos da doença nessa proporção. A Coronavac teve 50,38% e a Janssen, 67%.

Outras pesquisas focaram na comparação entre contaminados no grupo de pessoas vacinadas versus pacientes não vacinados — e mais uma vez, o grupo protegido se saiu melhor nessas análises preliminares. Pesquisadores das universidades de Harvard, Yale e Columbia, nos Estados Unidos, analisaram amostras de 175 indivíduos infectados de uma liga de basquete. Vacinados ou não, eles atingiram o pico de carga viral de forma semelhante, por volta do terceiro dia. Só que os vacinados conseguiram eliminar o vírus já no quinto dia, contra sete a oito dias nos demais. O artigo ainda passa por revisão

Dessa forma, apesar de estudos anteriores, na época da fala de Walensky, descobrirem que as pessoas infectadas com Delta têm aproximadamente os mesmos níveis de materiais genéticos virais em seus narizes, pesquisas mais recentes sugerem que as pessoas vacinadas têm menos probabilidade de espalhar o vírus se subsequentemente contraírem Delta.

Como aponta um artigo escrito para a revista Nature, encaminhado ao Comprova pela epidemiologista Ethel Maciel, os níveis de vírus presentes no nariz de pessoas vacinadas caem mais rápido do que os de pessoas infectadas não vacinadas — e elas também são menos propensas a contaminar contatos próximos.

O que dizem especialistas e órgãos de saúde

A posição oficial do CDC está disponível no site do órgão sanitário norte-americano, com atualização mais recente em 15 de setembro de 2021. De acordo com o texto, “dados mostram que mostram que pessoas totalmente vacinadas têm menos probabilidade do que pessoas não vacinadas de adquirir SARS-CoV-2, e infecções com a variante Delta em pessoas com esquema vacinal completo estão associadas com menos desfechos clínicos graves”.

O CDC afirma ainda que “as infecções com a variante Delta em pessoas vacinadas têm potencialmente menos transmissibilidade do que as infecções em pessoas não vacinadas, embora estudos adicionais sejam necessários”. A nota lembra que o risco não pode ser completamente eliminado enquanto existir uma elevada circulação do vírus na comunidade.

Da mesma forma, o posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que os dados apontam que a chance de infecção e de transmissão é menor entre os vacinados, mas a entidade sugere que esse poder das vacinas é menos crítico comparado à queda de hospitalizações e mortes. A OMS também destaca que existem incertezas a partir do momento que surgem novas variantes de preocupação.

Juarez Cunha, da SBIm, explica que “as pessoas vacinadas, quando se infectam, têm uma carga viral mais baixa comparada com os não vacinados, ou seja, transmitem muito menos que uma pessoa com a doença natural. Para as formas graves e óbitos, a eficácia das vacinas, mesmo com a variante delta, tem se mantido bastante elevada”.

Segundo o médico, com esse cenário, é fundamental manter as medidas farmacológicas, em especial o uso de máscaras. “As vacinas não são só a proteção do indivíduo, mas a proteção da coletividade. Quanto maior o número de pessoas vacinadas, menor as chances de continuar circulando os vírus, inclusive de aparecerem novas variantes”, comenta.

A biomédica Mellanie Fontes-Dutra observa que as vacinas podem impactar na proteção contra infecção (proteger contra a entrada do vírus na célula) e podem reduzir a replicação viral do Sars-Cov-2 na célula (o que gera menos partículas virais).

Assim, os vacinados, reforça Mellanie, a partir dessa redução da replicação viral, liberam menos partículas virais para o ambiente, permanecem contagiosos por um tempo menor (comparado com não vacinados), além de se protegerem contra a doença sintomática e suas versões mais sérias.

“Portanto, já temos um conjunto de evidências demonstrando que vacinados transmitem menos do que não vacinados”, frisa a especialista, que atua na Rede Análise covid-19, equipe Halo da ONU, grupo InfoVid, Todos Pelas Vacinas e União Pró-Vacina.

Ela também já havia abordado o assunto em postagens no Twitter, como a que diz que imunização reduz transmissão de delta e indivíduos vacinados transmitem menos e a que apresentou dados de Harvard sobre infecção e transmissão entre vacinados e não vacinados. Nessa publicação, ela pontua como as vacinas contribuem para a redução do contágio.

‘Passaporte da vacina’

O chamado “passaporte sanitário” citado pela deputada Bia Kicis — ou “passaporte da vacina” — é como ficou conhecida popularmente a exigência de comprovante de vacinação contra a covid-19 para que as pessoas frequentem certos ambientes, sejam eles públicos ou privados, como bares, restaurantes, academias, shows, museus e outros estabelecimentos durante a pandemia.

Diferentemente do que sugere a parlamentar, esse tipo de medida poderia, em tese, diminuir o risco de contágio ao barrar a presença de pessoas suscetíveis ao vírus dentro de um ambiente fechado, por exemplo. Já existem pesquisas indicando que as eventuais falhas vacinais – que é quando a vacina não gera imunidade efetiva, portanto, se exposta ao agente infeccioso, a pessoa pode adoecer – geralmente resultam em menor carga viral e duração reduzida de sintomas, o que contraria a ideia de que o potencial de transmissão seria o mesmo independentemente de quem frequenta o local.

Além disso, esse tipo de medida costuma ser imposta pelo poder público como um incentivo para a população buscar o posto de saúde. Em um boletim técnico divulgado em 1º de outubro, a Fiocruz recomendou a adoção da medida em todo o território nacional como forma de incentivar a imunização no País e de proteger mais a população.

O professor da Ufes Daniel de Oliveira Gomes ressalta que a alegação da deputada, relacionando a transmissibilidade ao passaporte da vacina, não procede.

Embora seja de conhecimento público, desde o início da vacinação, que nenhum dos imunizantes bloqueia a transmissão, Gomes observa que a parlamentar desconsiderou que, ao ser vacinada, a pessoa tem menos possibilidade de manifestar a doença nas fases moderada e severa e, portanto, de ser hospitalizada.

“É bom lembrar que são raras as vacinas que bloqueiam a transmissão; não é nenhum demérito da vacina da covid. Não impede a transmissão, mas previne uma evolução clínica com gravidade”, pontua.

Na avaliação de Gomes, o passaporte sanitário é uma importante estratégia de política pública porque, indiretamente, leva mais pessoas a se vacinar. “Porque se flexibilizadas todas as situações, sem necessidade de comprovação da vacina, o indivíduo que naturalmente é mais resistente vai falar que não precisa se vacinar. O passaporte é uma forma de fomentar a própria campanha de vacinação”, argumenta.

O professor faz ainda ponderações do ponto de vista de saúde pública. Ele diz que o passaporte vai restringir o acesso a locais eventualmente com aglomeração, e se as pessoas estão vacinadas, apesar da possibilidade do vírus circular, reduz-se a incidência de infecção.

“O vírus pode ser disseminado, mas o indivíduo tem anticorpos neutralizantes (protetores) que impedem de acessar, infectar as células. E, caso infecte, não vai impactar de maneira significativa”, reforça.

De acordo com um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), ao menos 249 municípios brasileiros impuseram algum tipo de regra desse tipo até o final de setembro. A pesquisa ouviu gestores de 2.461 cidades, de um total de 5.568.

A exigência está presente em uma série de localidades fora do Brasil, como Nova York, nos Estados Unidos. Driblando as restrições, o presidente Jair Bolsonaro apareceu em uma foto comendo pizza na calçada durante a viagem para a Assembleia Geral da ONU. Ele afirma que não se vacinou até hoje.

Reportagem do G1 de agosto cita ainda os exemplos de França, Itália, Israel e China. Outra notícia, do El País, do começo de agosto, menciona ao todo 21 países da União Europeia, incluindo Portugal, Grécia e Dinamarca. Um terceiro levantamento, da CNN Brasil, acrescenta informações sobre os casos de Japão e Coreia do Sul.

Críticas de bolsonaristas

A postagem de Bia Kicis, uma das principais aliadas do presidente Jair Bolsonaro na Câmara, vai ao encontro das declarações recentes do presidente e de outros integrantes do governo, como o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Bolsonaro se posicionou contra o “passaporte”, inclusive, em seu discurso na ONU. “Apoiamos a vacinação, contudo o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada a vacina”, afirmou o mandatário brasileiro, que causou desconforto no evento diplomático como único líder do G20 a sustentar publicamente que recusou o imunizante.

Em 27 de agosto, em uma agenda no Rio de Janeiro, Queiroga classificou a adoção do “passaporte” como uma medida “descabida”. “Você começar a restringir a liberdade das pessoas, exigir um passaporte, carimbo, querer impor por lei uso de máscaras para estar multando as pessoas, indústria de multa, nós somos contra isso”, disse.

Outro a atacar a medida foi o secretário especial de Cultura, Mário Frias. “Nenhum prefeito irá decidir o que os órgãos vinculados a mim irão ou não fazer. Não aceitarei fazer parte do teatrinho autoritário sanitarista. Nas entidades vinculadas da Cultura, não iremos adotar o abominável passaporte de vacinação, ponto final”, escreveu em sua conta no Twitter, no dia 24 de setembro.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Projeto Comprova checa conteúdos de redes sociais sobre políticas públicas do governo federal e sobre a pandemia que alcancem uma grande quantidade de visualizações, reações e compartilhamentos.

O tuíte da deputada Bia Kicis teve quase 10 mil curtidas e mais de 3,5 mil retuítes em pouco mais de uma semana, de acordo com a plataforma CrowdTangle. Publicações enganosas sobre as vacinas contra a covid-19 são perigosas porque podem levar a população a colocar a saúde em risco.

O Comprova já verificou anteriormente que a deputada defendeu o uso da ivermectina contra a covid-19, mesmo que o vermífugo não tenha eficácia comprovada contra a doença, e afirmou que máscaras podem causar problemas à saúde, o que também é mentiroso.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda aquele que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Pandemia

Investigado por:2021-10-07

Número de pessoas infartadas em Israel não cresceu após vacina

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso que motos e desfibriladores estejam sendo empregados em Israel porque pessoas estão infartando após serem vacinadas contra a covid. Os equipamentos pertencem ao serviço nacional de emergência e já eram utilizados em socorros antes da pandemia e da imunização. Além disso, o Ministério da Saúde do país negou aumento de ocorrências coronárias.
  • Conteúdo verificado: Vídeo no YouTube em que apresentadora e estilista conversam sobre a pandemia em Israel. Eles dizem que está havendo grande quantidade de infartos entre pessoas vacinadas contra a covid-19.

Motos e desfibriladores não estão sendo empregados em Israel para socorrer pessoas que estariam infartando “como moscas” após terem sido vacinadas contra a covid-19. A afirmação foi feita de forma enganosa em uma live da qual participam uma apresentadora e um estilista brasileiro que mora em Tel Aviv.

Procurado pelo Comprova, o Ministério da Saúde do país negou aumento de ocorrências coronárias, incluindo infarto. Além disso, os dois equipamentos citados no vídeo já eram utilizados pelo serviço nacional de atendimento a emergências e desastres antes da pandemia e da vacinação.

O Comprova procurou a dona do canal em que foi realizada a live, mas ela não respondeu até a publicação da verificação.

O conteúdo foi considerado enganoso porque usa dados imprecisos.

Como verificamos?

O Comprova assistiu à live, seguindo solicitação de um leitor que enviou o conteúdo por WhatsApp.

A partir do vídeo, capturou duas imagens – da moto e do desfibrilador – utilizando uma extensão para o navegador Chrome chamada Awesome Screenshot. A partir disso, foi utilizada a ferramenta TinEye para buscar imagens semelhantes publicadas na internet com auxílio de diversos buscadores, como o Google e outros.

Identificou que as imagens são de equipamentos pertencentes ao Magen David Adom (MDA), o serviço nacional de atendimento a emergências médicas e desastres de Israel. A reportagem encaminhou um e-mail, que não foi respondido.

Também foi contactado o Ministério da Saúde do país e realizada pesquisa a respeito de eventual relação causal entre as vacinas contra a covid-19. A reportagem também analisou os alertas sobre risco de miocardite e pericardite pós-vacinação com imunizantes com RNA mensageiro, como o da Pfizer.

Em seguida, foi realizado o levantamento de dados relacionados à vacinação e contaminação em Israel e, ainda, pesquisado quem são as duas pessoas que aparecem no vídeo. O Comprova procurou, por fim, a autora do perfil em que a entrevista foi publicada.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 7 de outubro de 2021.

Verificação

Motos e desfibriladores já eram usados antes da vacinação

Na live realizada no dia 29 de setembro, a apresentadora Karina Michelin e o estilista Mauricio Pollacsek, que mora em Tel Aviv, estão falando sobre a vacinação em Israel, embora utilizem eufemismos para se referirem ao assunto, como as palavras “agulhinha” e “benção”.

A partir de dezesseis minutos e oito segundos, ela afirma que, recentemente, motos começaram a rodar em Israel e desfibriladores foram espalhados por toda a cidade, pedindo para ele comentar o assunto.

Enquanto são apresentadas fotos dos equipamentos, o estilista afirma que a função da moto é apenas socorrer infartados e que estes “estão por todo lado”. Sem apresentar fontes, o estilista diz que estas pessoas possuem entre 18 e 30 anos e estão “infartando assim, como moscas”, acrescentando que 100% destes casos são de pessoas vacinadas.

O Comprova identificou postagens comprovando que as motocicletas já eram utilizadas antes de 2020, ou seja, quando não existia pandemia. No país, empresas interessadas em operar motocicletas de primeiros socorros precisam obter uma licença de operação do Ministério da Saúde.

Tanto a moto quanto o desfibrilador mostrados em fotos pertencem ao Magen David Adom , o serviço nacional de atendimento a emergências médicas e desastres de Israel, idealizado em 1915 e reconhecido por lei desde a fundação do estado.

Dentre os veículos que compõem a frota do MDA estão listadas as motos de suporte avançado de vida, cuja principal característica é o bom tempo de resposta no atendimento, principalmente em casos de obstrução respiratória, hemorragia maciça ou arritmias letais.

“O curto tempo de resposta para iniciar o tratamento médico avançado permite utilizar os recursos da Organização de maneira mais eficaz, chegar ao paciente imediatamente e fornecer ao paciente o tratamento servido por um paramédico experiente”, informa o site da empresa.

Há, ainda, a motocicleta de suporte de vida que permanece de plantão, sendo operada por um funcionário ou voluntário para acesso rápido às ocorrências principalmente em congestionamentos urbanos.

No site em hebraico da organização, é descrito que o serviço conta com cerca de 600 motocicletas que chegam ao local de ocorrência em 1 a 4 minutos, com equipamento médico adequado para a realização de operações que salvam vidas até a chegada da ambulância.

Sobre o desfibrilador, o estilista entrevistado diz que os equipamentos estão sendo instalados em “todo lugar”.

De fato, em Israel, o uso de equipamentos para reanimar vítimas de ataques cardíacos é aprovado pelo Ministério da Saúde e as máquinas estão espalhadas por parques, bairros, sinagogas e ruas. O aparelho não necessita de conhecimento médico para ser utilizado e pessoas comuns conseguem manusear, pois ao ser acionado ele mesmo fornece instruções para guiar o usuário.

Ao mesmo tempo, uma equipe do call center 101 — específico do MDA — recebe um chamado automático do equipamento e fica em contato com quem está manuseando o aparelho até que as equipes médicas cheguem ao local. O Comprova identificou que os desfibriladores já eram instalados no país antes da vacinação, como mostra este post, de julho de 2020, que comemora a inauguração de um novo posto para desfibrilador inteligente na cidade de Tiberíades.

Vacina e coração

O Ministério da Saúde de Israel informou não haver aumento da síndrome coronariana, que inclui ataques cardíacos, em adultos jovens.

Em junho, o Ministério da Saúde informou ter nomeado uma equipe epidemiológica para investigar a possível ligação entre casos de miocardite e a vacina. Conforme a publicação, entre dezembro de 2020 e maio de 2021, foram notificados 275 casos de miocardite e, destes, 148 ocorreram na época da vacinação.

As equipes concluíram haver alguma probabilidade de ligação entre a segunda dose e o aparecimento do problema entre homens jovens de 16 a 30 anos. Esta ligação foi considerada mais forte entre o grupo de idade mais jovem, de 16 a 19. Na maioria dos casos, a miocardite assumiu a forma de doença leve que passou em poucos dias.

Em maio, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano também citou casos de miocardite relatados ao Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas, relacionados aos imunizantes de RNA mensageiro.

Em setembro, informou que continua monitorando ativamente relatos de miocardite e pericardite após a vacinação, o que inclui a revisão de dados e registros médicos e a avaliação da relação com a vacinação. Os casos incluem principalmente adolescentes e adultos jovens do sexo masculino.

A miocardite é a inflamação do músculo cardíaco e a pericardite é a inflamação do revestimento externo do coração. Em ambos os casos, o sistema imunológico causa uma inflamação em resposta a uma infecção ou algum outro fator. Os sintomas podem incluir dor no peito, falta de ar ou palpitações.

O CDC continua a recomendar que todas as pessoas com 12 anos ou mais sejam vacinadas, defendendo que os riscos conhecidos da doença e suas complicações, possivelmente graves, como problemas de saúde de longo prazo, hospitalização e até morte, superam em muito os riscos potenciais de ter uma rara reação adversa à vacinação, incluindo o eventual risco de miocardite ou pericardite.

No Brasil, onde a Pfizer está registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, o órgão emitiu em julho um alerta sobre risco de miocardite e pericardite pós-vacinação, com base nos casos dos Estados Unidos. Os alertas sobre potenciais ocorrências dos dois problemas foram incluídos na bula do imunizante.

Até o momento, a Anvisa não relatou casos dessas complicações no Brasil. A agência brasileira esclareceu, na ocasião do alerta, que o risco de ocorrência desses eventos adversos é baixo, mas recomendou aos profissionais de saúde que fiquem atentos e perguntem às pessoas que apresentarem sintomas se elas foram vacinadas, especialmente com a vacina da Pfizer.

Vacinação em Israel

Israel tem hoje mais de 60% da população com idade acima dos 50 anos imunizada com três doses contra a covid. Mais de 80% acima dos 30 anos foi vacinada com a segunda e mais de 70% daqueles acima dos 16 anos com a primeira.

| Índice de vacinados com a primeira, a segunda e a terceira dose em Israel no dia 06/10/2021, quando a captura foi realizada pelo Comprova. Fonte. 

No momento, o país atua para conter a quarta onda de contaminação, com a média diária caindo cerca de 54% nas últimas duas semanas e o número de casos graves entre os hospitalizados diminuindo. Conforme a imprensa local, a covid está se tornando, em Israel, uma pandemia de não vacinados.

No último dia 3, foram introduzidas novas regras para determinar o status de vacinação contra o coronavírus, tornando a injeção de reforço – terceira dose – uma exigência para inoculação completa e para passaportes de vacinação.

Para serem consideradas totalmente vacinadas no país, as pessoas devem atender a um dos seguintes critérios: ter 12 anos ou mais e ter recebido uma injeção de reforço há pelo menos uma semana; estar dentro de seis meses após ter recebido uma segunda injeção de vacinação; ou estar dentro de seis meses após ter testado positivo para covid-19.

Conforme a plataforma que apresenta os dados relacionados à pandemia em Israel, em números absolutos, as pessoas vacinadas com a segunda dose na faixa etária dos 20 e 49 anos são maioria das internadas no país, o que é natural quando a maior parte desta população está imunizada com pelo menos duas doses.

Quando essa análise é feita comparando-se o índice de internados para cada 100 mil habitantes, o número de pacientes não imunizados supera em muito os internados que receberam duas ou três doses de vacina.

 

No cenário onde são analisados os pacientes graves, estes são majoritariamente não vacinados, como demonstra o gráfico a seguir:

Desta forma, é possível analisar que as pessoas imunizadas com duas ou três doses estão desenvolvendo formas leves da covid-19.

Dados do Ministério da Saúde apontam que após as doses de reforço, os idosos israelenses totalmente inoculados têm uma chance em cinquenta de morte por covid em comparação com pessoas não vacinadas na mesma faixa etária.

Nos últimos sete dias de setembro, por exemplo, houve 6,43 mortes diárias por cada 100 mil israelenses com mais de 60 anos. Para os idosos que foram vacinados três vezes, esta média caiu para 0,13. Já a mortalidade diária para os idosos duplamente vacinados foi de 1,5.

A live e os autores

A live foi realizada no canal de Karina Michelin, que afirma ser apresentadora, jornalista e atriz. Sobre a página no YouTube, ela afirma ter como objetivo “evoluir a espécie humana neste mundo contemporâneo, completamente focado na arte do Pensamento Livre”.

Essa é a quarta vez que vídeos de Karina são verificados pelo Comprova. Em uma delas, concluiu-se ter sido apresentado um índice de forma equivocada e que errou ao dizer que pesquisadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) não têm citações acadêmicas.

Em outra, o Comprova identificou não haver nenhuma evidência de que vacinas contra a covid-19 possam modificar a composição genética das pessoas. Uma terceira concluiu serem falsas alegações sobre validade de testes e notificações erradas nos EUA.

No vídeo aqui verificado, ela entrevista o estilista Mauricio Pollacsek, que se mudou para Tel Aviv há mais de 10 anos e no Brasil foi criador da marca Moshe. O Anuário Brasil-Israel 2014, produzido pela Câmara Brasil Israel de Comércio e Indústria, traz uma reportagem sobre o estilista paulistano.

Conforme a publicação, ele se formou na Universidade da Filadélfia e trabalhou em diversas empresas do setor nos Estados Unidos, no Brasil e em Israel como designer e ilustrador de moda, além de dar aulas na Academia de Design e Educação Wizo, em Haifa.

Apesar de nem Karina, nem Pollacsek serem especialistas em saúde, o tema da entrevista gira apenas em torno da pandemia e, além da afirmação enganosa sobre as motos e os desfibriladores, gera outras desinformações. Sem apresentar fontes e dados, por exemplo, o estilista afirma que 90% das pessoas internadas foram vacinadas e defende o tratamento com medicamentos sem comprovação científica para uso contra a covid.

Os dois comparam, ainda, a emissão de passaporte de vacinação e a proibição do acesso de não vacinados em determinados ambientes com o holocausto e o apartheid.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. A publicação aqui verificada foi sugerida por um leitor via WhatsApp e teve mais de 24 mil visualizações no YouTube desde a publicação, em 29 de setembro.

Conteúdos que desacreditam as vacinas ou minimizam os riscos da pandemia são perigosos porque podem levar a população a colocar a saúde em risco.

O vídeo possui mais de 480 comentários e muitos deles demonstram descrença na eficácia das vacinas. Uma usuária acredita ter “algo muito sério por trás dessas vacinas” e questiona “por que tanta pressão para obrigar as pessoas a serem ratos de laboratório?”. Já outra afirma ter “medo da minha filha morrer por causa dessa vacina maldita…”

Em relação à Pfizer, o Comprova já demonstrou que morte de adolescente não tem relação causal com a vacina; que um boato tirou de contexto estudo com adolescentes nos EUA para atacar o imunizante; que uma mensagem tirava de contexto dados sobre sintomas adversos da marca.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda aquele que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar danos.

Pandemia

Investigado por:2021-10-06

Recomendação de anticoagulantes feita pela OMS não está ligada a ‘tratamento precoce’

  • Enganoso
Enganoso
É enganosa montagem no Instagram que associa o título de reportagem da CNN Brasil sobre recomendação de anticoagulantes no tratamento da covid-19 feita pela OMS a um tuíte da deputada Janaina Paschoal, afirmando que o órgão estaria atrasado em relação aos tratamentos usados no Brasil. Como mostram os comentários, o post leva à interpretação de que o "tratamento precoce" funciona, mas ele não tem eficácia comprovada contra a doença.
  • Conteúdo verificado: Publicação no Instagram usa montagem com título de reportagem da CNN Brasil sobre tratamento contra o coronavírus com anticoagulantes recomendado pela OMS e tuíte da deputada estadual Janaina Paschoal.

É enganosa a publicação que viralizou no Instagram relacionando uma reportagem de janeiro deste ano da CNN Brasil com o título “OMS recomenda anticoagulantes em baixa dosagem para pacientes com covid-19” e um tuíte da deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP). No post, ela dizia que o órgão estaria atrasado em relação ao Brasil, que, segundo Janaina, já fazia “tudo isso” desde o início da pandemia, em março de 2020.

Como mostram os comentários, a relação leva à interpretação errada de que a Organização Mundial da Saúde (OMS) referendou, mesmo que tardiamente, o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19 defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A recomendação, como é possível conferir no site do órgão, cita apenas anticoagulantes e é indicada exclusivamente a pacientes hospitalizados para prevenir a formação de coágulos sanguíneos (trombose).

Ao Comprova, a entidade afirmou: “Tendo em vista que algumas pessoas no Brasil se referem a ‘tratamento precoce’ como algo relacionado ao uso de medicamentos sem comprovação de eficácia contra a covid-19, a OMS e a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde, braço da entidade para as Américas) esclarecem que não recomendam” tais remédios em caso da doença.

O Comprova considerou o conteúdo enganoso porque ele retira informações do contexto original e usa dados que induzem a uma interpretação diferente da verdadeira.

A reportagem tentou entrar em contato com perfis que compartilharam a publicação, inclusive com a página @deputadopaulomartins – no post verificado aqui, aparece um selo com o nome do político, que publicou o mesmo conteúdo em 27 de janeiro, época do anúncio da recomendação da OMS. Nem ele, nem Janaina nem o perfil @direita_de_goias, que replicou a publicação agora, respondeu até a conclusão desta verificação.

Como verificamos?

Primeiramente, via TweetDeck, a reportagem buscou o tuíte da deputada usado no post verificado aqui e constatou que ela realmente o postou, em 26 de janeiro deste ano. No tuíte, inclusive, ela dá link para a reportagem da CNN.

Ainda pelo Tweetdeck, foi possível verificar que Janaina já havia mencionado tratamento contra a covid com vários medicamentos, como anticoagulantes e vermífugos, em 13 de janeiro.

O próximo passo foi verificar se a reportagem indicada na montagem havia sido publicada. Buscando no Google, encontramos o link da matéria, publicada no dia 26 de janeiro de 2021, mesmo dia em que a deputada fez o comentário no Twitter.

Em seguida, pesquisamos nos canais oficiais da OMS e verificamos que a entidade realmente recomendou o uso de anticoagulantes.

A partir dessas informações, atuamos em duas frentes. Além de entrar em contato, por e-mail, com a OMS, buscamos os canais oficiais do Ministério da Saúde para apurar quais medicamentos fazem parte do chamado “tratamento precoce”.

Também tentamos, via Instagram e e-mail, contatar o perfil que publicou o post verificado aqui (@direita_de_goias) e os autores de páginas que publicaram o mesmo conteúdo em janeiro, quando a reportagem da CNN foi publicada (@deputadopaulomartins e @JanainaDoBrasil) – não houve retorno até a publicação deste texto.

Por último, consultamos a professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Elnara Negri, que lidera um estudo observacional ainda não revisado por pares da comunidade científica sobre o uso do anticoagulante heparina em pacientes com covid-19.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 6 de outubro de 2021.

Verificação

OMS e anticoagulantes

A OMS, de fato, recomendou em 25 de janeiro de 2021 o uso de coagulantes em baixa dosagem para pacientes infectados pelo Sars-Cov-2.

A publicação foi divulgada originalmente em 27 de maio de 2020, sob o título “Clinical management of Covid-19: interim guidance, 27 May 2020” (em português, “Manejo clínico da Covid-19: orientação provisória, 27 de maio de 2020”), mas, nessa versão, não havia menção ao uso de anticoagulantes.

Posteriormente, em 25 de janeiro de 2021, o documento foi atualizado “para refletir as novas evidências científicas”, sob o título, em português, “Manejo clínico da Covid-19: orientação dinâmica e contínua”. Como informou a OMS à reportagem, “essas diretrizes são atualizadas regularmente, à medida que mais dados se tornam disponíveis”.

Na versão de janeiro, a diretriz é: “Para pacientes hospitalizados, a OMS sugere o uso de baixas doses de anticoagulantes para prevenir a formação de coágulos sanguíneos (trombose)”.

De acordo com a pesquisadora Elnara Negri, os pacientes que desenvolvem formas mais graves da covid podem apresentar “piora clínica, com febre e queda da oxigenação” e evoluir para uma condição chamada coagulopatia trombótica. “Nesses pacientes, o vírus consegue atingir a circulação pulmonar e sistêmica, levando ao aparecimento de tromboses dos capilares pulmonares, de outros órgãos e também de vasos maiores”, diz ela.

É nesses casos que o anticoagulante é indicado. “O remédio vai frear a inflamação e hipercoagulação e o tratamento só pode ser feito sob supervisão médica, pois há risco de sangramento com a automedicação”, afirma a especialista. “Automedicação, nesta doença, é extremamente perigosa. Há riscos graves à saúde, inclusive, risco de vida.”

Negri destaca que o anticoagulante “não é capaz de prevenir que o paciente desenvolva a forma grave” e ressalta que “contra a covid-19, a melhor prevenção é a vacina.”

Tuíte e o tratamento

Diferentemente do que afirma Janaina em seu tuíte, a OMS não referenda “tudo” o que se fazia no Brasil desde março de 2020. A fala da parlamentar, como fica claro nos comentários do post verificado aqui, incentivou seguidores a defender o “tratamento precoce”.

Tal opção – que, novamente, não tem eficácia comprovada –inclui medicamentos como ivermectina, nitazoxanida, cloroquina, zinco, remdesivir e azitromicina. O “tratamento precoce” é defendido por Bolsonaro desde o início da pandemia e era citado no site do Ministério da Saúde, mas o conteúdo sobre ele foi apagado da página por volta de 18 de janeiro de 2020, segundo reportagem da Folha.

Além disso, nenhum dos remédios que compõem o “tratamento precoce” é anticoagulante e, como informou a OMS ao Comprova, o órgão não recomenda nenhum desses produtos, o que reforça a desinformação no post verificado aqui.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. A publicação verificada teve quase 6 mil curtidas no Instagram até 6 de outubro.

Quando os conteúdos envolvem medicamentos ou tratamentos contra o novo coronavírus, sua checagem se torna ainda mais necessária, porque informações incorretas podem levar as pessoas a colocarem sua saúde em risco.

Comentários como “Minha família toda usou os remédios que eles falam que não são eficazes. Dezesseis pessoas da família estão curadas graças a Deus e ao kit proibido pela CPI do Circo” e “isso é rir dos que morreram sem ter a chance de lutar de alguma e qualquer forma para que a vida prevalecesse”, sugerem que a OMS está errada e que o tratamento sem eficácia comprovada é eficaz.

Outros conteúdos sobre o assunto já foram verificados pelo Comprova, como os que enganavam ao afirmar que estudo com hidroxicloroquina comprovava a eficácia do “tratamento precoce” e que a OMS teria se desculpado por reviravoltas com o medicamento.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda aquele que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Pandemia

Investigado por:2021-10-05

Segunda dose da Pfizer não reduz imunidade em quem já teve covid, ao contrário do que diz médica em post

  • Enganoso
Enganoso
Post engana ao afirmar que a segunda dose da vacina da Pfizer reduz a imunidade. Na verdade, o estudo mencionado sugere que, para os infectados pelo coronavírus, apenas uma dose do imunizante é suficiente para garantir a proteção. E recomenda duas doses para quem não pegou covid-19. No entanto, a Pfizer explica, na bula do imunizante, que o esquema vacinal só fica completo com as duas doses. A farmacêutica diz ainda que “você pode ser vacinado se estiver apresentando febre baixa ou quadro leve de infecção” por covid-19, contrariando o que afirma a postagem da médica.
  • Conteúdo verificado: Postagem de médica no Instagram que menciona um estudo que propõe apenas uma dose da Pfizer para quem já teve covid, e duas para quem não contraiu a doença. A médica diz também que o imunizante contra o coronavírus prejudica a resposta celular de pacientes que já contraíram a doença.

É enganosa uma publicação que sugere que a aplicação da segunda dose da vacina da Pfizer reduz a imunidade de pessoas que já testaram positivo para a covid-19.

O estudo citado no post verificado pelo Comprova, no entanto, somente sugere a aplicação de uma dose da vacina, em vez de duas, para indivíduos que já se contaminaram com a doença. Isso porque, segundo a pesquisa, o grupo já havia desenvolvido parte da imunidade ao contrair o vírus. A fabricante Pfizer e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no entanto, não adotaram mudanças no esquema vacinal e continuam recomendando duas doses da vacina mesmo para quem já teve covid.

A pesquisa, em nenhum momento, afirma que há riscos para a imunidade de quem recebe a segunda dose, tampouco sugere a suspensão do uso de imunizantes, como cita a publicação. Por esse motivo, a reportagem considera como enganosa a publicação compartilhada pela médica Helen Brandão no Instagram.

A reportagem tentou contato com a médica, mas ela não respondeu.

Como verificamos?

Inicialmente, o Comprova buscou no Google o nome do artigo publicado no perfil da autora verificada.

Após encontrar o artigo citado na postagem do Instagram, contatou Anamelia Bocca, professora titular de Imunologia da Universidade de Brasília (UnB), para analisar o estudo.

A reportagem também buscou os dados profissionais de Helen Brandão, autora do post, no LinkedIn, no currículo acadêmico Lattes e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Por fim, enviou mensagem pelo Instagram da médica e por um contato de WhatsApp disponibilizado no perfil da rede social – em ambas tentativas, não houve retorno.

Também contactamos a Pfizer e a Anvisa para questionar se estavam mantidas as orientações para duas doses do imunizante. A farmacêutica manteve as orientações da bula, mesma informação repassada ao Comprova pela Anvisa.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 4 de outubro de 2021.

Verificação

O que diz o artigo

O primeiro link que aparece no Google a respeito do estudo citado pela médica faz o redirecionamento para a National Library of Medicine (Biblioteca Nacional de Medicina), página que reúne artigos sobre biotecnologia dos Estados Unidos.

O artigo citado no post também foi publicado pelo periódico científico Cell Reports, que é revisado por pares antes da publicação dos estudos.

O levantamento sugere que apenas uma dose da vacina da Pfizer contra a covid-19 é suficiente para imunizar pessoas que já tiveram a doença, divergindo do que foi compartilhado pela médica Helen Brandão no Instagram. Os pesquisadores afirmam que, 20 dias após a aplicação da primeira dose, a resposta imune de indivíduos que não tiveram covid começa a cair.

Já aqueles que tiveram a doença conseguem manter a imunidade mesmo após este período, o que sugere que pessoas que já tiveram covid têm uma resposta imune antes mesmo da primeira dose, necessitando apenas de uma dose da Pfizer.

Segundo o post da médica, a pesquisa demonstraria que a segunda dose do imunizante “prejudica a resposta celular de pacientes recuperados”. O levantamento traz, no entanto, constatações em outra linha de raciocínio: a de que a vacina é, sim, importante, mas em vez de duas doses da Pfizer, uma dose única seria o suficiente para pessoas já recuperadas de covid-19.

Isso é verdade?

Após ler o artigo e a publicação da médica goiana, o Comprova compartilhou os dois conteúdos com a professora titular de Imunologia da Universidade de Brasília (UnB), Anamelia Bocca e questionou se a segunda dose da Pfizer poderia prejudicar a resposta celular de pacientes recuperados. “Os autores não dizem isto em momento algum”, resumiu.

Em dois áudios, Anamelia Boca explicou o seguinte: os pesquisadores constataram não ter havido melhora nos níveis de IgG (anticorpo) nem de IL-2; e que houve uma queda muito pequena de interferon gama entre os que já tiveram covid. “Os autores não atribuem isso à redução da resposta imune provocada pela vacina. Eles concluem que pode haver uma mudança no esquema vacinal de recuperados da covid e de pessoas que não pegaram a doença. Porque, quem teve, com apenas uma dose de vacina, vai ter o mesmo nível de resposta imunológica que os indivíduos que não se infectaram com o novo coronavírus e receberam duas doses do imunizante”.

A Pfizer explica, na bula do imunizante, que o esquema vacinal só fica completo com as duas doses. A farmacêutica não descarta a vacinação para os que foram diagnosticados com a covid-19 e sugere apenas que, em casos agudos da doença, o paciente converse com médicos para saber o que fazer. Mas que, em casos de febre baixa ou quadro leve de infecção é possível, sim, ser imunizado com a Pfizer.

Segundo a fabricante, o medicamento não deve ser administrado apenas em casos que pessoas tenham apresentado reação alérgica aos componentes da vacina, citados na bula. Em nota ao Comprova, a Pfizer reforçou que não há estudos em andamento conduzidos pela empresa para a aplicação de apenas uma dose da vacina em pessoas que já foram contaminadas.

Apesar de o estudo publicado na National Library of Medicine sugerir apenas uma dose para quem já teve covid-19, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou não ter havido mudanças no esquema de imunização aprovado na bula da Comirnaty, a vacina da Pfizer. “A bula da vacina continua indicando a aplicação de duas doses com intervalo de três semanas”. E acrescentou: “Recentemente a Anvisa recebeu o pedido da Pfizer para inclusão de uma dose de reforço na bula. Este pedido ainda está em análise pela Anvisa.”

Sobre o pedido, a farmacêutica informou ao Comprova que “iniciaram em julho estudo que avalia uma terceira dose, ou dose de reforço, da vacina Comirnaty contra a covid-19 com voluntários dos Estados Unidos, África do Sul e Brasil”. De acordo com os dados iniciais do estudos, uma dose de reforço administrada pelo menos seis meses após a conclusão da série de vacinação primária é capaz de aumentar a taxa de anticorpos contra covid-19 incluindo boa resposta às variantes.

A médica

Helen Brandão divulga em suas redes que tem pós-graduação em Dermatologia e Medicina Estética. Brandão também diz ter residência médica em Saúde da Família e Comunidade pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

A reportagem buscou os dados profissionais sobre a médica no LinkedIn, no currículo acadêmico Lattes, do CNPq e no Instagram. O Comprova também verificou que Brandão possui registro no CREMEGO (Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás).

Um link que redireciona para o número de WhatsApp da clínica dela foi encontrado no perfil das redes sociais e, por meio dele, fizemos contato. Até a publicação do texto, não houve retorno.

Embora o conteúdo verificado tenha sido uma republicação de outro perfil, é possível encontrar diversas publicações que abordam a vacinação e reações das vacinas contra a covid-19 no perfil da médica Helen Brandão.

As publicações do perfil também questionam as segundas doses dos imunizantes, mesmo que já exista a comprovação da eficácia e importância de completar o esquema vacinal.

Recentemente a médica Helen Brandão foi mencionada durante depoimento do empresário Luciano Hang na CPI da Covid. Na ocasião, Helen aparece em vídeo sendo entrevistada pelo empresário para participar do lançamento do aplicativo TrateCov, desenvolvido pelo Ministério da Saúde.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. A publicação verificada teve quase 2 mil curtidas e mais de 150 comentários no Instagram.

Conteúdos que desacreditam as vacinas ou minimizam os riscos da pandemia são perigosos porque podem levar a população a colocar a saúde em risco.

Em uma checagem anterior, o Comprova havia constatado que a médica Helen Brandão citava de forma enganosa estudos não conclusivos sobre a existência de uma conspiração da indústria farmacêutica contra a cloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a covid-19.

O Comprova também já verificou que as segundas doses servem de reforço e são comuns em programas de vacinação, bem como desmentiu que pessoas que são contaminadas após a vacinação diminuem a eficácia da vacina, ao contrário das publicações feitas no perfil da médica Helen Brandão.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda aquele que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Pandemia

Investigado por:2021-10-01

Post engana ao comparar presidente austríaco que comeu na rua em NY com Bolsonaro

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso o post que compara o presidente austríaco, Alexander Van Der Bellen, que se alimentou na calçada durante visita a Nova York, com Jair Bolsonaro, flagrado comendo pizza também na rua. O vídeo que circula nas redes, com o austríaco, é verdadeiro, mas Van Der Bellen está imunizado e comeu do lado de fora por opção. Ele poderia ter entrado no estabelecimento, que, assim como todos os outros da cidade, exige o certificado de vacina contra a covid-19, documento que o presidente brasileiro não possui – ele diz que não se vacinou – e informação omitida nos conteúdos que viralizaram.
  • Conteúdo verificado: Posts em redes sociais mostram vídeo do presidente da Áustria, Alexander Van Der Bellen, se alimentando na rua em Nova York e comparam com ato de Jair Bolsonaro, que comeu pizza do lado de fora de um estabelecimento na cidade.

É enganoso o post viral que compara Alexander Van Der Bellen, presidente da Áustria, e Jair Bolsonaro (sem partido), por comerem na rua em Nova York. O conteúdo ignora a situação dos dois mandatários: o austríaco está vacinado com duas doses contra a covid-19 e poderia comer dentro do restaurante, se quisesse; já o brasileiro afirma não estar imunizado e não poderiam acessar os restaurantes da cidade, que exigem o certificado de vacinação.

O post engana ao não contextualizar essa informação, passando a ideia de que Bolsonaro não estaria fazendo nada errado ao não se vacinar. Na ocasião, os dois presidentes estavam em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU. Bolsonaro chegou a ser criticado por Bill de Blasio, prefeito da cidade, que afirmou que, se ele não quisesse se vacinar, que não se incomodasse de ir ao destino.

Procurada, a autora do post verificado aqui apagou o tuíte e bloqueou a jornalista que fez o contato.

A reportagem também tentou contatar o site Jornal da Cidade Online, que publicou o conteúdo, mas nenhum deles respondeu até a publicação deste texto.

O Comprova considerou o conteúdo enganoso porque ele é usado de uma forma que induz a uma interpretação que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Como verificamos?

Primeiramente, fizemos uma análise do vídeo em busca de pistas que pudessem esclarecer sobre a veracidade da gravação. O nome do estabelecimento aparece nas imagens e, a partir disso, localizamos o endereço e comparamos com imagens do Google Street View.

Contatamos, então, o estabelecimento. Via mensagem privada no Instagram, foi confirmado que o austríaco esteve lá.

Tentamos falar com a equipe de Van Der Bellen por meio do site oficial do presidente, mas não tivemos resposta. O próximo passo foi analisar a conta verificada dele no Instagram, onde encontramos dois stories que mostram a refeição referida no vídeo. Por essas postagens, tivemos também a confirmação da data. O dia foi comprovado ao compararmos o vídeo do post enganoso com imagens de reportagens que mostraram o presidente austríaco e a comitiva com as mesmas roupas em uma visita à obra próxima à lanchonete no dia 23 de setembro.

Verificamos também o contexto dos atos. Por meio de pesquisas em reportagens e sites oficiais, foi possível comprovar as regras de saúde de Nova York. Também buscamos notícias e postagens nas redes sociais oficiais do governante austríaco para confirmar se ele havia se vacinado.

Não foi possível confirmar quem fez o vídeo, mas a reportagem fez contato com a autora do post que mais repercutiu no Twitter via mensagem privada na rede e, via Instagram e e-mail, com o site Jornal da Cidade Online, que também replicou o vídeo.

Verificação

Cachorro-quente na rua

Em um dos trechos do vídeo em que o presidente austríaco aparece comendo foi possível ver a placa indicando o nome da rua: 1 Av, ou First Avenue. Com essa informação, a reportagem encontrou no Google Maps o estabelecimento onde o vídeo foi gravado – na esquina da avenida com a 14th Street. Também foi possível verificar mais elementos em comum, como uma placa estendida em um prédio do outro lado da avenida (em destaque nas imagens abaixo).

Diferentemente do que a mulher que gravou o vídeo afirma, o local se chama Papaya Dog, e não Papadinos. O nome pode ser lido na própria gravação.

 

| Na vertical, frames do vídeo que destacam o nome do estabelecimento, Papaya Dog, a localização na esquina da 1av e letreiro no prédio do outro lado da rua, elementos que aparecem no Google Street View (foto horizontal)

É uma lanchonete estilo fast food que vende cachorro-quente e outras comidas, como pizza – inclusive, no vídeo, a narradora diz que o austríaco está comendo pizza, mas, segundo os stories da conta verificada de Van Der Bellen no Instagram, ele consumiu um cachorro-quente.

O presidente publicou fotos da ocasião na seção “destaques” do perfil junto a outros registros da viagem a Nova York. A imagem traz a pergunta “O que seria de Nova York sem cachorro-quente?”, enquanto mostra o momento em que Van Der Bellen recebeu o lanche típico americano.

| No Instagram, Van Der Bellen publicou fotos do momento em que compra cachorro-quente na lanchonete registrada no vídeo verificado aqui

Procurado via Instagram, o Papaya Dog confirmou a visita do austríaco ao local.

No mesmo dia em que foram à lanchonete, Van der Bellen e a comitiva visitaram as obras de construção de um muro às margens do East River, cuja intenção é proteger Nova York de consequências das mudanças climáticas, como tempestades e o aumento do nível do mar, como mostra matéria do Wiener Zeitung.

Reportagem em vídeo do jornal Tiroler Tageszeitung traz Van der Bellen e outras pessoas da delegação no local da obra com as mesmas roupas com as quais aparecem no vídeo verificado aqui e no stories do presidente.

| Integrantes da comitiva austríaca em Nova York aparecem com a mesma roupa em reportagem do dia 23 de setembro e no vídeo que repercutiu nas redes sociais

Conteúdo excluído

A reportagem não conseguiu encontrar quem fez a gravação. Foi feito contato com a autora de post que teve mais de 5 mil visualizações no Twitter até 29 de setembro (@brom_elisa), mas, assim que leu a mensagem, ela bloqueou a jornalista e excluiu o tuíte enganoso.

 

Opção x exigência

Apesar das similaridades nas situações, por comerem uma refeição popular em pé e em ambiente aberto em Nova York, os contextos de Jair Bolsonaro e Alexander Van Der Bellen são diferentes.

Para o presidente brasileiro, a situação ocorreu por falta de alternativa, já que ele afirma não ter se vacinado contra o coronavírus. Estabelecimentos da cidade exigem, desde agosto, a apresentação de um “passaporte da vacina” para quem quer comer em ambientes fechados.

A pizza não foi a única refeição de Bolsonaro na rua. No dia 20 de setembro, ele também comeu na área externa que a churrascaria brasileira Fogo de Chão abriu para atender clientes que não se imunizaram. Pelas regras da cidade, o presidente brasileiro não poderia usar o ambiente interno; uma situação diferente da do austríaco.

Van der Bellen se vacinou, como mostrou em publicação nas redes sociais. Na viagem aos Estados Unidos, ele visitou um conterrâneo que é pesquisador em um renomado centro de virologia no país norte-americano, destacando que a mensagem dos cientistas é “vacinar, vacinar, vacinar”. No começo de setembro, o presidente fez um apelo para que austríacos que ainda não tivessem se imunizado o fizessem.

Passaporte da vacina

Van der Bellen, inclusive, promoveu no dia 11 de julho o certificado digital de covid, uma espécie de passaporte da vacina que é aceito na Áustria e em outros países da União Europeia.

O documento eletrônico comprova que o indivíduo foi vacinado, testou negativo para a doença ou já se recuperou dela, o que permite a entrada em hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos.

Em maio de 2020, quando quebrou a regra do lockdown no próprio país, Van der Bellen reconheceu o erro e pediu desculpas.

Já Bolsonaro é contra a medida, defendida por cientistas. Em junho, ele disse que vetaria proposta nesse sentido e, em 30 de setembro, afirmou que a medida é uma “maneira de discriminar e separar as pessoas”.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. O post no Twitter verificado aqui teve mais de 5 mil visualizações e mais de mil interações.

O conteúdo tenta minimizar críticas feitas à postura de Bolsonaro diante da pandemia ao comparar com ato isolado de Van der Bellen, mas é enganoso ao ignorar o contexto das duas ocasiões. O post sugere que não há nada errado na postura do presidente brasileiro de não se vacinar, sendo que a imunização é um dos principais meios de combate ao coronavírus.

Tal conclusão foi possível de ser percebida, inclusive, a partir de alguns comentários – como “Acho que ele também estava proibido de entrar em restaurantes” e “É o Bolsonaro fazendo escola! Mito!” – que mostram que alguns seguidores entenderam que o austríaco também não teria se imunizado e que o brasileiro faz certo ao não se proteger.

​​

Enganoso, para o Comprova, é conteúdo que foi retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Pandemia

Investigado por:2021-09-29

É falso que morte de jovem no Rio Grande do Sul esteja associada à vacina contra covid

  • Falso
Falso
É falso que a morte de jovem de 22 anos em Vera Cruz, no Rio Grande do Sul, tenha relação com a vacina contra a covid-19. A ligação inventada é mencionada em dois posts publicados no Twitter e no Instagram. Secretarias de saúde da cidade onde ele morava e de onde ele morreu, hospital onde o óbito ocorreu, família e Anvisa descartam qualquer suspeita de relação causal entre morte por AVC e o imunizante.
  • Conteúdo verificado: Posts no Twitter e no Instagram usam imagem com anúncio de sepultamento de jovem de 22 anos, morador da cidade de Vera Cruz, no Rio Grande do Sul, para afirmar que ele morreu por causa da vacina contra o coronavírus.

É falso que Samuel Pimentel de Oliveira, 22 anos, morreu por ter sido vacinado contra a covid-19. Dois posts compartilhados na semana passada no Twitter e no Instagram relacionam a morte do jovem, morador da cidade de Vera Cruz, no Rio Grande do Sul, à vacina contra a covid-19. A relação foi inventada. Samuel foi internado no dia 6 e morreu no dia 14 de setembro, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico.

Nem o hospital e nem a vigilância epidemiológica da cidade de Cachoeira do Sul, onde fica a unidade, relacionam o óbito ao imunizante. A Prefeitura de Vera Cruz e a família do rapaz também negam essa ligação. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recebeu nenhuma notificação sobre suspeita de causalidade entre a morte do rapaz e a vacina. Samuel havia tomado a primeira dose mais de 30 dias antes da morte.

A morte cerebral do jovem foi confirmada em 14 de setembro no Hospital de Caridade e Beneficência (HCB) de Cachoeira do Sul, cidade a 88 km de Vera Cruz. Na certidão de óbito dele, consta que a causa do óbito foi “lesão encefálica anóxica, acidente vascular encefálico isquêmico”. (Entenda o que isso significa mais abaixo)

As duas publicações verificadas aqui reproduzem uma imagem divulgada na página do Facebook da Funerária Caminho da Paz, na qual a morte e o sepultamento de Samuel são informados, e distorcem a realidade ao afirmar que o falecimento dele foi provocado pela “injeção de veneno” e que o jovem é “mais uma vítima da vacina contra a covid-19”.

Pelos comentários nos dois posts, é possível perceber que os seguidores interpretaram, mesmo no caso tuíte, em que a vacina não é citada diretamente, que o imunizante teria sido o responsável pela morte.

Os autores dos posts no Instagram e no Twitter foram procurados pelo Comprova, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.

Esse conteúdo foi classificado como falso porque a relação entre a morte do rapaz e a vacina foi inventada e divulgada de modo deliberado para espalhar uma mentira.

ATUALIZAÇÃO: Após a publicação desta verificação, a autora do tuíte que relaciona a morte de Samuel à vacina contra a covid-19 respondeu ao pedido de contato do Comprova. Pelo Twitter, ela encaminhou um link em que o próprio post é utilizado como fonte para afirmar que jovem recebeu “injeção de veneno”. Também disse que o caso de Samuel não é isolado e enviou links de vídeos em que outras mortes são atribuídas às vacinas (atualização publicada em 30 de setembro de 2021).

Como verificamos?

Primeiramente, buscamos no Google notícias de que um jovem morador de Vera Cruz, chamado Samuel Pimentel de Oliveira, tinha realmente morrido nos dias anteriores aos posts investigados aqui. Além do próprio tuíte verificado e de um texto em um blog que faz referência a ele, havia uma notícia em um site local que afirmava que os órgãos do rapaz tinham sido doados.

Em seguida, encontramos o perfil nas redes sociais da Funerária Caminho da Paz. O nome do estabelecimento aparece na imagem compartilhada pelos dois posts, anunciando a morte de Samuel. Encontramos a imagem postada no Facebook da funerária, que tem uma unidade na cidade de Vera Cruz, no dia 16 de setembro. No post, além do nome completo de Samuel, havia também os nomes dos pais, da esposa e dos irmãos do rapaz, e ainda sua data de nascimento.

A partir dessas informações, buscamos pelos perfis no Facebook da mãe, da esposa e de uma das irmãs de Samuel, que confirmaram a morte dele. Através dos familiares, que souberam das publicações que falavam do jovem pelo Comprova, tivemos acesso às informações da certidão de óbito do jovem. Essas informações também foram confirmadas pela Secretaria de Saúde de Cachoeira do Sul.

Entramos em contato com as prefeituras de Vera Cruz, onde Samuel morava, e de Cachoeira do Sul, cidade em que fica o hospital onde ele morreu, além do HCB. Por fim, procuramos a Anvisa, a neurologista e coordenadora do Programa de Neurologia Vascular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Sheila Martins, e os autores dos posts verificados, que não responderam até a publicação desta reportagem.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 29 de setembro de 2021.

Verificação

Samuel sofreu AVC

O jovem de 22 anos morreu no dia 14 de setembro de 2021 após sofrer um AVC. Segundo a família do jovem, ele foi internado no dia 6 de setembro na instituição. O Comprova entrou em contato com a Prefeitura de Cachoeira do Sul e a assessoria de imprensa respondeu, por meio de áudio no WhatsApp, que Samuel foi levado ao HCB porque, no momento em que precisou de atendimento, não havia leitos de UTI disponíveis em Vera Cruz.

Também por WhatsApp, a prefeitura informou que, na certidão de óbito de Samuel, registrada no Cartório de Registros Público de Vera Cruz, consta que a causa da morte foi “lesão encefálica anóxica, acidente vascular encefálico isquêmico”.’

A família de Samuel compartilhou com o Comprova o trecho da certidão de óbito do jovem onde consta a causa da morte.

De acordo com a especialista em neurologia vascular Sheila Martins, existem dois tipos de AVCs: o hemorrágico, que é quando uma artéria cerebral se rompe, e o isquêmico, que acontece quando a artéria que leva o sangue ao cérebro sofre uma obstrução, entope e impede a passagem do sangue. “Hoje, o AVC isquêmico é o mais comum, sendo 85% dos casos de acidente vascular”, afirma a neurologista.

O superintendente do Hospital de Caridade e Beneficência de Cachoeira do Sul, Luciano Morschel, disse ao Comprova, por mensagem no WhatsApp, que a causa da morte de Samuel “foi uma isquemia cerebral”. Segundo ele, não é possível dizer, ainda, o que provocou a isquemia, pois “há várias hipóteses”.

Assim como as autoridades de saúde e administração dos municípios, familiares de Samuel contatados pelo Comprova também não acreditam nas afirmações feitas nas publicações verificadas.”Não acreditamos que a vacina tenha ligação com a morte do meu irmão”, afirmou, por WhatsApp, Geísa.

Não há relação entre morte e vacina

De acordo com informações do setor de Epidemiologia e Imunizações do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) da Secretaria Municipal da Saúde de Cachoeira do Sul, “o óbito de Samuel nunca foi relacionado à vacinação”.

Luciano Morschel, superintendente do HCB, também afirmou não saber se há alguma investigação sobre uma eventual relação entre a morte de Samuel e a aplicação da vacina contra a covid-19 e sugeriu que o Comprova entrasse em contato com a vigilância epidemiológica de Vera Cruz.

Por e-mail, a Secretaria Municipal de Saúde de Vera Cruz informou que não é de conhecimento da pasta que a morte de Samuel tenha relação com a vacina. O Comprova perguntou se e quando Samuel foi vacinado, e com qual vacina, mas não obteve resposta.

Então, o Comprova questionou a Anvisa se a agência investiga se há relação entre a morte de Samuel e a vacina contra a covid-19. Por e-mail, o órgão federal informou não ter sido notificado sobre caso suspeito de morte provocada por vacina.

“Não identificamos notificação com as características relatadas. Todas as notificações de suspeitas de eventos adversos são avaliadas pela Anvisa na busca por evidências de relação causal”, diz a nota.

Primeira dose da vacina tinha sido aplicada no dia 11 de agosto

Por telefone, a Prefeitura de Cachoeira do Sul informou que Samuel havia tomado a primeira dose da vacina quase 30 dias antes da morte. A vacina foi aplicada na cidade de Vera Cruz, onde ele morava. Procurada, a prefeitura da cidade não informou a data específica da aplicação, nem o fabricante da vacina.

Contudo, a imunização para a faixa de idade dele – acima de 18 – foi aberta no dia 10 de agosto. Dois dias antes, a vacina começou a ser aplicada em quem tinha mais de 23 anos, o que não era o caso de Samuel.

De acordo com a irmã do jovem, Geísa, ele foi vacinado no dia 11 de agosto com a primeira dose da Pfizer em Vera Cruz. Conforme mencionado anteriormente, Samuel foi internado no Hospital de Cachoeira do Sul somente no dia 6 de setembro, quase um mês depois de ser vacinado.

A neurologista e Coordenadora do Programa de Neurologia Vascular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Sheila Martins, afirma que não existe comprovação científica que a vacina, independentemente do fabricante, ocasione um AVC, sendo o paciente jovem ou não.

Sheila ainda afirma que, ao contrário das afirmações das postagens verificadas, pessoas que não se vacinam e são contaminadas com a covid-19 têm mais chance de sofrer um acidente vascular cerebral, já que a doença costuma aumentar os riscos de AVC.

Família quer que posts sejam apagados

O Comprova também conversou via WhatsApp com a esposa de Samuel, Emilin Gabriele. A jovem, assim como a irmã dele, Geísa, não acredita que exista relação da morte do rapaz com a vacinação realizada quase um mês antes.

Tanto Geísa, quanto Emilin não sabiam da existência das publicações verificadas nesta reportagem. Após tomarem conhecimento das postagens, as duas concordaram em conversar com o Comprova a fim de verificar as publicações.

“Isso é, com certeza, uma fake news. Estão usando a imagem de uma pessoa que não está mais aqui e sendo mentirosos”, afirma Emilin, que pediu ajuda da reportagem para que os posts fossem apagados.

Efeito dos posts

Dos dois posts verificados aqui, o tuíte foi postado primeiro – às 17h21 do dia 18 de setembro de 2021. A autora não cita diretamente a vacina como responsável pela morte de Samuel, mas usa o termo “injeção de veneno”. Apesar de não fazer uma citação direta, os comentários no post deixam claro que esta foi a interpretação de boa parte das pessoas que interagiram com a postagem.

Muitos citaram, com ironia, que aquele era mais um “caso isolado”. Outros, questionaram a fonte das informações, o tipo de vacina aplicada e até mesmo o que a autora realmente quis dizer com o uso do termo “injeção de veneno”.

Em outro comentário, uma pessoa sugere que o caso seja notificado à Anvisa, ao que a autora responde que vai “postar no grupo”, dando a entender que teria recebido a informação de algum outro lugar. O Comprova entrou em contato com a autora através de um comentário na postagem, mas não recebeu resposta até a publicação desta verificação.

A postagem do mesmo conteúdo em um perfil do Instagram foi feita no dia seguinte, 19 de setembro. Desta vez, o post é mais direto: o autor incluiu uma inscrição na própria imagem em que atribui a morte de Samuel à vacina contra a covid-19.

Nos comentários, mais interações que desencorajam a vacinação. Em um deles, uma pessoa pergunta qual a fonte da informação e é repreendida por outra pessoa. Na resposta, a mulher afirma que não vacinou a filha e não quer ter outro post derrubado pela rede social, “como já aconteceu antes”.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. Os posts no Twitter e Instagram verificados aqui somam quase 5 mil interações.

Conteúdos que tentam criar uma relação causal entre óbitos e vacinas, desacreditando-as e influenciando outras pessoas a não se vacinarem, são perigosos porque podem levar a população a colocar a saúde pessoal e coletiva em risco.

O Comprova já publicou diversos conteúdos sobre imunização. Um deles, na última semana, mostrou que a morte de uma adolescente em São Bernardo do Campo (SP) não teve relação causal com o produto da Pfizer. Também já mostrou como um médico enganava ao afirmar que as vacinas não funcionam contra a variante delta, como um post desinformava ao afirmar que o CDC e Anthony Fauci não acreditam nos imunizantes e o caso de uma médica que enganava ao afirmar que vacinas são experimentais.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Pandemia

Investigado por:2021-09-28

Vacinas de RNA mensageiro não geram doenças autoimunes

  • Falso
Falso
É falso vídeo viral publicado na rede social Kwai que afirma que vacinas que usam a tecnologia de RNA mensageiro, como Pfizer e Moderna, podem gerar doenças autoimunes e uma série de complicações respiratórias ou cardíacas. Ao contrário do que prega o vídeo, as vacinas são seguras, passaram pelas três fases de testes e foram aprovadas por agências relevantes de vigilância sanitária como a FDA, dos EUA.
  • Conteúdo verificado: Vídeo compartilhado no Kwai defende que os imunizantes que usam a tecnologia de RNA mensageiro (Pfizer e Moderna) geram doenças autoimunes, levam a quadros severos respiratórios e cardiovasculares e podem matar dentro de poucos minutos.

É falso um vídeo viral publicado no Kwai que estabelece relação de causa e consequência entre vacinas de RNA mensageiro e doenças autoimunes – quando o sistema imunológico produz anticorpos contra componentes saudáveis do organismo. O vídeo também cita, de forma falsa, que a enfermeira norte-americana Tiffany Dover morreu após receber a dose da Pfizer contra a covid-19.

O argumento utilizado no vídeo não tem respaldo científico. Fia-se em concepções erradas sobre como as vacinas de RNA mensageiro se processam no organismo e fornece um conceito errado sobre o significado de doença autoimune.

O conteúdo afirma que, se um corpo vacinado entrar em contato com o Sars-Cov-2 e atuar para neutralizá-lo, “estará combatendo algo que ele mesmo está produzindo”. E conclui: “Isso se chama doença autoimune”. A lógica não é verdadeira e vai na contramão do que especialistas explicaram ao Comprova para esta verificação.

A doença autoimune consiste no mau desempenho do sistema imunológico, que passa a atuar contra células saudáveis do próprio organismo. Não há evidências de que vacinas levem a esse quadro.

Procurado, o autor da publicação, Adilson Winans Goldberg, respondeu que viu a publicação em um “grupo de notícias”. O Comprova recebeu o vídeo por meio do WhatsApp, canal disponível para que leitores deem sugestão de conteúdos que podem ser checados.

O Comprova considera falso o conteúdo que tenha sido inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Como verificamos?

Inicialmente, buscamos informações em verificações acerca da vacina de mRNA e doenças já publicadas pelo Comprova, como esta, da semana passada. Depois, entrevistamos o virologista, coordenador do curso de biomedicina do Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação (IBMR) e membro da Rede do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, Raphael Rangel.

A imunologista Letícia Sarturi, mestre pela Universidade de São Paulo e doutora em Biociências e Fisiopatologia pela Universidade Estadual de Maringá, também foi consultada. Realizamos uma busca na internet pelas reportagens a respeito de Tiffany Dover, enfermeira que desmaiou após receber a vacina e foi citada no vídeo como se tivesse morrido. Encontramos checagens sobre esse episódio feitas pelo Estadão, Aos Fatos, Agência Lupa, Boatos.orgFato ou Fake.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 28 de setembro de 2021.

Verificação

Como a vacina de mRNA age no corpo

Indagada sobre como as vacinas de mRNA agem no organismo humano, a imunologista Letícia Sarturi afirmou de início que o mRNA é um trecho de RNA responsável por “dar a receita” para que as células produzam exatamente a proteína spike do Sars-Cov-2.

A proteína Spike é exclusiva do vírus da covid-19 e fica em sua superfície. É usada para entrar nas células do corpo. Sarturi salienta que o mRNA destes imunizantes é “bem produzido” e executado mediante “controle rígido”.

Ainda de acordo com ela, o mRNA está dentro de um lipídio cuja função é “entrar” nas células para que elas produzam sua própria proteína spike. As células então fazem o processamento desta proteína e a “apresentam” para os linfócitos T.

Estes linfócitos T são os responsáveis por “lembrar” de combater o vírus sempre que entrarem em contato com ele.

A explanação da pesquisadora está em linha com o que afirma o Centro de Controle de Doenças(CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos sobre o funcionamento da tecnologia mRNA.

As vacinas que atualmente usam a tecnologia de mRNA são a Pfizer, desenvolvida pela empresa de biotecnologia alemã BioNTech, e a estadunidense Moderna; esta não disponível no Brasil. O FactCheck.org disponibilizou guias com informações sobre a Pfizer e a Moderna.

Quem é Tiffany Dover?

O autor do vídeo cita a enfermeira americana Tiffany Dover, que desmaiou durante uma entrevista logo depois de tomar uma dose da vacina contra covid-19 da Pfizer, no dia 17 de dezembro de 2020.

Defendeu-se, no material publicado no Kwai, o argumento de que vacinas mRNA podem matar em uma questão de minutos atacando o sistema respiratório, “como o que aconteceu com Tiffany Dover”.

Tiffany, no entanto, não morreu. O boato vem circulando desde o dia 21 de dezembro de 2020, e já foi desmentido pelo Estadão, Aos Fatos, Agência Lupa, Boatos.orgFato ou Fake.

O hospital CHI Memorial, localizado em Chattanooga, Tennessee, onde ela trabalhava na época, chegou a divulgar uma nota afirmando que a enfermeira estava saudável.

Depois do episódio, publicações em outras redes sociais relacionaram o desmaio à vacinação, o que é falso.

Tiffany Dover falou, em entrevista à Estação de TV WRCB Chattanooga: “Eu tenho um histórico de resposta vagal hiperativa e, com isso, se eu sinto dor por qualquer coisa (…), se eu bato um dedo do pé, eu posso simplesmente desmaiar”, explicou. “Eu provavelmente desmaiei seis vezes nas últimas seis semanas, é comum para mim”, acrescentou.. Ou seja, ela não atribuiu seu desmaio à vacina, mas à dor no momento da injeção.

Doenças autoimunes

O virologista Raphael Rangel, do IBMR, explica que a doença autoimune se caracteriza essencialmente pela incapacidade do corpo em “tolerar imunologicamente algumas proteínas que nós mesmos produzimos”.

O corpo humano, prossegue, “consegue distinguir o que nós produzimos do que é externo”. Ou seja, a doença autoimune é um problema imunológico não ocasionado pela vacina de RNA mensageiro – esta, um elemento inicialmente externo.

“Devemos estar sempre atentos e empenhados para desconstruir narrativas mentirosas contra as vacinas”, adverte o virologista.

Não se sabe ao certo o que leva o sistema imunológico a atacar células do próprio organismo. Doenças autoimunes geralmente são crônicas, ou seja, duram mais de um ano e necessitam de cuidados médicos constantes. Exemplos de doenças autoimunes são esclerose múltipla, artrite reumatoide e o lúpus.

Convulsões e paralisia de Bell?

No vídeo, o narrador cita que as vacinas produziriam danos ao sistema nervoso central e gerariam paralisia de Bell – o enfraquecimento ou a paralisia de um dos lados do rosto. Para ilustrar o primeiro exemplo, o conteúdo mostra uma mulher com tremores e dificuldades para caminhar. O Comprova printou a imagem da mulher e pesquisou a origem dela no Google.

O primeiro resultado da pesquisa é de um perfil no Twitter (@constanzag77) com publicações – no formato de fio – com série de supostos exemplos de eventos adversos causados pela vacinação contra a covid-19. Ao clicar no primeiro tuíte da série de posts, é possível verificar que o Twitter o classifica como “enganoso”.

A terceira publicação da sequência leva ao vídeo usado no conteúdo aqui verificado. No tuíte, o perfil escreve: “Mamãe de Brant Griner depois de receber a vacina da Pfizer.” Na mesma postagem, há o link da conta no Facebook de Brant Griner.

O Facebook alerta na parte inferior da publicação de Griner que a publicação é sem contexto. A plataforma disponibilizou para os usuários uma checagem do Estadão Verifica, que diz não haver provas de que o vídeo da mulher tenha relação com a vacina da Pfizer.

A checagem do Estadão leva ao PolitiFact, site americano de verificação de fatos, para quem Griner disse que a mãe, Angelia Gipson Desselle, de 45 anos, tomou a vacina Pfizer em 5 de janeiro e três dias depois teria começado a sentir sensações similares a de convulsões na perna esquerda. Mas ele se recusa a responder onde ela tomou a vacina, em que hospital ou quem aplicou o imunizante. Alegou que iria preservar a privacidade da mãe.

Ao Estadão Verifica, o Departamento de Saúde do Estado de Louisiana disse que investiga o caso e que não o confirma como efeito adverso da vacina.

No caso dos quatro casos de paralisia de Bell, o vídeo publicado no Kwai usa um print somente do título de uma matéria publicada no site de notícias R7 em dezembro de 2020, dentro da qual se lê um relatório publicado pelo FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora dos Estados Unidos. Nele, os pesquisadores afirmam não haver base para conclusão de que houve uma relação causal entre a vacina e os casos.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. O vídeo verificado aqui teve mais de 15 mil curtidas e 25 mil compartilhamentos. O Kwai é um aplicativo chinês criado para compartilhamento de vídeos rápidos. Foi pensado inicialmente como uma plataforma para troca de imagens GIF. Em 2012 ganhou o formato atual.

O conteúdo fraudulento é prejudicial por desinformar e ter potencial de afastar as pessoas da vacinação num contexto em que o país se aproxima da marca de 600 mil mortos pelo vírus. A comunidade científica tem emitido sucessivos alertas de que somente a vacinação em massa devolverá o mundo a um ambiente de normalidade.

Conteúdos que tentam desacreditar as vacinas ou minimizar os riscos da pandemia, portanto, são perigosos porque podem levar a população a colocar a saúde em risco. Em alguns comentários na publicação, é possível verificar o potencial de desinformação dessas postagens.

“Conhecimento é poder, parabéns”, escreveu um usuário em resposta ao vídeo falso. “Pessoal, divulguem esse vídeo. Mais um falando a verdade. Deus tenha misericórdia de nós”, reagiu outra usuária da rede social. “Essas vacinas são para os cobaias”.

O Comprova já publicou diversos conteúdos sobre imunização, como o que informa que morte de adolescente não tem relação causal com vacina da Pfizer, o do médico que engana ao afirmar que os imunizantes não funcionam contra a variante delta e o post que desinforma afirmando que o CDC e Anthony Fauci não acreditam nas vacinas.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

(CORREÇÃO: Uma primeira versão desta verificação trouxe, em seu resumo, a informação de que a vacina da Moderna tinha aprovação da Anvisa. Na realidade, não há solicitação referente à vacina da Moderna na Anvisa, seja para registro ou para uso emergencial. Dessa forma, não há processo em análise na Anvisa. Correção feita em 29 de setembro de 2021)