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Até logo!

Olá,

Com o término da campanha eleitoral de 2018 no Brasil, nós do Comprova também cessamos as verificações de conteúdos duvidosos que circulam nas redes sociais e no WhatsApp.

Por 12 semanas nossa coalizão de 24 veículos de comunicação monitorou e verificou a veracidade de informações compartilhadas por fontes não oficiais nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. No nosso radar estavam conteúdos duvidosos cuja capacidade de causar danos às campanhas eleitorais era evidente. Uma parte das verificações foi arquivada por elas não serem conclusivas. Nosso compromisso e nossa meta era o erro zero.

Mesmo com todos esses recortes, publicamos 146 histórias para desmentir ou confirmar informações que viralizaram. Desse total, 92% se mostraram falsas, enganosas ou descontextualizadas. Apenas 9 histórias eram verdadeiras.

O resultado das verificações do Comprova é um alerta para a sociedade e uma reafirmação da necessidade de uma imprensa independente, atuante, transparente e confiável.

Um bom sinal foi o número de pessoas que colaboraram conosco enviando sugestões de conteúdos a serem verificados. Somente pelo WhatsApp foram mais de 67 mil. Em dado momento, deixamos de responder individualmente a essas pessoas, tal o volume de mensagens, mas dedicamos boa parte da nossa atenção ao que recebemos da audiência.

Obrigado a todos por colaborarem com a criação de um ambiente informativo mais saudável.

Para finalizar, gostaríamos de registrar os nomes das pessoas que contribuíram diretamente para o trabalho do Comprova.

Verificadores

Alessandra Monnerat | Estadão
Cido Coelho | SBT
Debora Ely | GaúchaZH
Douglas Rodrigues | Poder360
Fernanda Trisotto | Gazeta do Povo
João Pedro Caleiro | Exame
João Pedroso | Veja
Júlia Endress | Correio do Povo
Leticia Alves | O Povo
Marcella Ramos | piauí
Matheus Pimentel | Nexo
Pablo Fernandez | BandNews FM
Paula Peres | Nova Escola
Pedro Noel | AFP
Renato Mota | Sistema Jornal do Commercio
Roelton Maciel | NSC
Sarah Mota Resende | Folha de S. Paulo
Vinicius Valfré | Gazeta Online
Wellington Ramalhoso | UOL

Estagiários

Fernanda Patrian
Isabela Guaraldi
Leonardo Lopes
Lucas Mendes
Luiza César
Mayara Bosco
Pedro Knoth

Editores

Guilherme Conter
Helio Miguel Silveira Filho
José Antônio Lima
Rafael Garcia
Ricardo Pieralini
Sérgio Lüdtke

Conteúdos para Redes sociais
Anna Rodrigues
Paola Deodoro

Representantes dos membros

Band | Allen Chahad e Leandro Bastos
Band News | Gisele de Oliveira Silva
Band News FM | Bruno Venditti
Rádio Bandeirantes | Leandro Gouveia
Metro Brasil | Fabiola Salani de Souza
Canal Futura | Tamiris Almeida
Exame | Luiza Calegari
GaúchaZH | Pedro Moreira e Sabrina Passos
Gazeta Online | Samanta Martins Nogueira
Sistema Jornal do Commercio | Maria Luiza Borges
Nexo | Marina Menezes
Nova Escola | Soraia Yoshida e Laís Semis
NSC Comunicação | Mayara Vieira, Cristian Edel Weiss e Talita Rosa
Estadão | Vitor Marques, Caio Sartori, Luiz Fernando Toledo e Cecilia do Lago.
O Povo | Lucinthya Gomes
Poder360 | Mateus Netzel
piauí | Camila Zarur, Luiza Miguez e José Roberto de Toledo
SBT | Rodrigo Hornhardt e Fernando Passarelli
UOL | Ricardo Fotios e Rubens Haruo Eishima
Veja | Ione Aguiar

First Draft

Adriana Garcia
Adriana Misiunas
Aimee Rinehart
Ben Sargent

Claire Wardle
Jenni Sargent
Nic Dias
Pedro Burgos
Yaso Cordova

Projor

Angela Pimenta

Abraji

Cristina Zahar
Daniel Bramatti | presidente

Investigado por:2018-10-28

Vídeo em que Malafaia critica Bolsonaro é de 2017

Não é verdade que o pastor Silas Malafaia “abriu os olhos” e “atacou” o candidato à presidência do PSL, Jair Bolsonaro, às vésperas da eleição de segundo turno, como diz a descrição de um vídeo publicado no dia 10 de outubro de 2018 em um canal de apoio à campanha petista no YouTube.

O pequeno texto que acompanha o vídeo também traz a hashtag #EleNão, nome de um movimento criado por eleitores contra Bolsonaro às vésperas do primeiro turno da eleição de 2018.

Como verificado pelo Comprova, o vídeo é verdadeiro, mas foi publicado pelo canal neste pleito de forma enganosa e fora de contexto, já que a filmagem é de mais de um ano atrás — e a informação sobre a data não é disponibilizada ao espectador de forma clara.

O próprio pastor desmentiu que teria rompido recentemente com Bolsonaro. Malafaia, que hoje faz campanha aberta para Bolsonaro, publicou um vídeo, em seu canal no YouTube, dizendo que o PT está “espalhando notícia falsa”.

“O PT pegou um vídeo meu lá de trás, quando eu tive um entrevero com o Bolsonaro, e espalhou agora para os evangélicos do Brasil como se meus olhos foram abertos e eu mudei de lado” (sic).

No vídeo enganoso publicado neste pleito, Malafaia aparece dizendo que, “assim como a turma da esquerda radical tem seus contratados para plantar notícia contra quem é contra eles, a turma da direita radical também tem. E se você não falar o que eles querem, mandam o pau em cima de vocês”.

Não há, entretanto, nem sequer a menção ao nome de Bolsonaro no trecho do vídeo antigo, republicado no início de outubro deste ano.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, o desentendimento entre os dois começou após Malafaia ser indiciado na Operação Timóteo, em fevereiro de 2017 — a Polícia Federal o citou sob suspeita de lavagem de dinheiro num esquema de corrupção em cobranças de royalties da exploração mineral.

Ainda de acordo com o texto, Malafaia ficou magoado com Bolsonaro por achar que capitão reformado não ficou ao seu lado de forma enfática.

“Na tribuna da Câmara, achei que a defesa dele foi fraca. Ele sabe que não tive envolvimento algum com essa vagabundagem. Quem toma a pancada é que sabe a dor”, disse Malafaia à Folha.

O vídeo enganoso publicado no começo de outubro teve, até a publicação deste texto, mais de 250 mil visualizações, e foi recebido com sugestão de verificação no WhatsApp do Comprova.

Neste sábado e domingo a equipe do Comprova se uniu a outras cinco agências de checagens de notícias no Brasil para checar as mensagens de conteúdo suspeito nesta reta final das eleições. A ideia de juntar forças é para ganhar mais agilidade e aumentar o alcance das checagens. A parceria reúne Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, E-Farsas, Fato ou Fake e Projeto Comprova.

Reuniões com partidos fazem parte das atribuições da missão de observação da OEA

A reunião entre representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a chapa do candidato à presidência Fernando Haddad (PT) nesta quinta-feira, 25, ocorreu dentro da legalidade. A OEA informou que também tem convidado, desde agosto, a equipe da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) para um encontro, mas nunca obteve resposta.

Para fazer essa verificação, o Comprova entrou em contato com a OEA e reportagens que explicaram o papel da missão nas eleições brasileiras. O Comprova também contatou a assessoria da campanha de Bolsonaro, mas não foi respondido até o momento.

Mensagens no WhatsApp sugerem que a reunião da OEA com o petista seria suspeita e afirmam que a missão internacional tem papel de auditoria nas eleições 2018 — o que não é verdade. O objetivo da delegação é analisar aspectos como financiamento de campanha, liberdade de imprensa e participação de mulheres e minorias.

Ao final, é produzido um relatório com conclusões e recomendações ao Brasil e ao Conselho Permanente da OEA. O documento não tem o efeito de alterar o resultado do pleito.

É normal que missões de observação internacionais como a da OEA ouçam queixas de candidatos, o que não significa, no entanto, um endosso às críticas. Neste período eleitoral, a delegação já esteve com representantes de partidos como Rede Sustentabilidade, PDT e Novo. Nas eleições do Paraguai deste ano, por exemplo, a missão se comprometeu a se encontrar com legendas e candidatos “para aprender sobre aspectos técnicos e reunir observações sobre as eleições”.

“As missões de observação eleitoral da OEA sempre entram em contato com todos os partidos e campanhas porque é importante para nós escutar todas as vozes e conhecer as diferentes perspectivas sobre o processo eleitoral. O Brasil não foi uma exceção”, comunicou a OEA ao Comprova.

A chefe do grupo da OEA, a ex-presidente da Costa Rica Laura Chinchilla, já esteve à frente de atividades de observação de eleições no Paraguai (2018), Estados Unidos (2016) e México (2015). A organização faz trabalhos dessa natureza desde 1962 — neste período foram enviadas 250 missões a 27 países.

O boato foi enviado repetidas vezes ao WhatsApp do Comprova e do Estadão Verifica. Uma versão no Twitter que dizia que a missão da OEA era formada por “auditores” chegou a 2,4 mil curtidas e 1,6 mil retweets.

Neste sábado e domingo, a equipe do Comprova se uniu a outras cinco agências de checagens de notícias no Brasil para checar as mensagens de conteúdo suspeito nesta reta final das eleições. A ideia de juntar forças é para ganhar mais agilidade e aumentar o alcance das checagens. A parceria reúne o Fato ou Fake, Projeto Comprova, Lupa, Aos Fatos, Boatos.org e E-Farsas.

Texto sobre atentado a Bolsonaro mistura fatos que não se relacionam

É enganoso um texto que circula no WhatsApp sobre uma possível ameaça contra o candidato do PSL à Presidência da República Jair Bolsonaro. A mensagem, que reúne uma série de eventos que não necessariamente aconteceram ou têm relação entre si, chegou ao Comprova por meio do aplicativo de mensagens, com mais de 200 pedidos de verificação.

A mensagem inclui o seguinte texto: “URGENTE: Serviço de inteligência impede que Bolsonaro viaje para São Paulo. O candidato foi informado que ele corria risco de ser morto”. A afirmação é reformulação de uma fala do candidato durante uma transmissão de vídeo ao vivo no Facebook em 18 de outubro. Ele disse, sem mencionar indícios concretos de suspeita, que ‘iria para São Paulo no dia de hoje’ mas foi ‘recomendado por questão de estratégia de segurança, a não ir, porque ao pousar em São Paulo eu teria um deslocamento. Poderia sofrer um atentado’. Nem a Polícia Federal nem a Agência Brasileira de Inteligência informaram registro de ameaça.

Em seguida, o texto diz que a PF “investiga advogados de Adélio” por “envolvimento com o PCC”. Não há confirmação de que advogados do autor do atentado contra Bolsonaro estejam sendo investigados, tampouco por envolvimento com a facção criminosa. A informação do PCC pode ter sido uma confusão com a notícia de que a Polícia Federal está investigando envolvimento de Adélio com o PCC. Gustavo Bebianno, presidente do PSL, deu uma entrevista no dia 19 de outubro na qual contou que a PF estaria seguindo essa linha de investigação.

O texto diz que Bolsonaro lembrou, durante uma live no dia 18 de outubro, que Adélio era filiado ao PSOL e que “esclareceu” aos eleitores que “de acordo com a legislação eleitoral, a partir de agora, se ele for assassinado”, disputaria a eleição o “terceiro lugar no primeiro turno”, ou seja, Ciro Gomes. O candidato realmente fez as afirmações durante a transmissão de vídeo e elas estão corretas. A substituição em caso de morte está prevista na Constituição.

O PDT e o PT realmente entraram com pedido de impugnação da candidatura de Bolsonaro no dia 18 de outubro por conta da suspeita do uso sistemático de propagação de desinformação via WhatsApp, como está no texto. Mas, como leva a crer a mensagem, a ida de Bolsonaro à sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro não tem qualquer relação com esse acontecimento.

O conteúdo afirma que “sentindo-se ameaçado, Bolsonaro foi à sede do Bope e da Polícia Federal pedir apoio”. A ida do candidato à instituição, no entanto, aconteceu no dia 15 de outubro, antes mesmo da denúncia de irregularidades na propaganda política pelas redes do candidato ser publicada na Folha de S.Paulo. Além disso, enquanto candidato, desde o início da campanha, Bolsonaro já tem sua segurança feita pela Polícia Federal. Ele não precisaria pedir apoio para a instituição agora.

No texto há também a informação de que na na segunda semana de outubro o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu dissera que falta “pouco para tomarmos o poder e não será por eleição”. Dirceu não disse exatamente essas palavras. Em entrevista ao jornal El País, em 26 de setembro, ele disse que “dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição”. A frase foi em resposta à pergunta feita pela repórter, que questionou se ele tinha medo de o PT “ganhar a eleição e não levar”.

O teor enganoso da mensagem também foi verificado pelo Boatos.org.

Neste sábado e domingo a equipe do Comprova se uniu a outras seis agências de checagens de notícias no Brasil para checar as mensagens de conteúdo suspeito nesta reta final das eleições. A ideia de juntar forças é para ganhar mais agilidade e aumentar o alcance das checagens. A parceria reúne AFP, Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, E-Farsas, Fato ou Fake e Projeto Comprova.

Empresa contratada pelo TSE não tem ligação com PT

São falsas as informações disseminadas nas redes sociais ligando ao Partido dos Trabalhadores (PT) uma empresa contratada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para prestação de serviços neste segundo turno das eleições. Os responsáveis pela desinformação viralizaram dois perfis do Facebook alegando que eles seriam dos sócios da empresa. Contudo, as páginas pertencem a outras pessoas, sem qualquer relação com a prestadora de serviços.

As publicações falsas se basearam em perfis com nomes parecidos com os de dois dos sócios da CPD Consultoria, Planejamento e Desenvolvimento de Sistemas Ltda. Como nessas duas páginas do Facebook foram encontradas informações consideradas favoráveis aos candidatos Fernando Haddad (PT) e contrárias a Jair Bolsonaro (PSL), as postagens passaram a falar que a empresa tem “ligação direta com o PT”.

Os sócios da empresa são Christian Leite Limp de Azevedo e Luciana Leite Limp de Azevedo. O Comprova encontrou os links que levam aos reais perfis de ambos, no Facebook e em outra rede social. Ela é psicóloga e não é filiada a partido político. Ele, por sua vez, é filiado ao partido Novo. As informações foram obtidas no sistema de consulta de certidões de filiação, do TSE.

Em entrevista ao Comprova, Christian Limp contou que nem tem perfil no Facebook. “Aquele perfil que acharam não é meu. Aquele Christian Azevedo não sou eu. O perfil que acharam também não é da minha irmã”, afirmou o empresário, que também já prestou serviços para instituições como Procuradoria-Geral da República e Ministério da Defesa.

O homem que foi atacado nas redes sociais como sendo o sócio da CPD é Christian Jesus Silva de Azevedo, auditor da receita estadual do Rio Grande do Sul e professor de cursos preparatórios. Ele se apresentava no Facebook como Christian Azevedo, sobrenome que é igual ao do empresário.

Christian Jesus prestou queixa à Polícia Civil por conta dos ataques, ameaças e ofensas que vem recebendo. Ao Comprova, disse que passou a usar o nome completo no Facebook por orientação dos próprios policiais que o atenderam. Ele também trocou as fotos do perfil para evitar novas agressões virtuais.

“Moro em Porto Alegre e nunca tive empresa nenhuma. Eu estou com medo. Não sou filiado a partido. Basearam-se (para chamá-lo de petista) em uma página que curti (contrária a Bolsonaro) e que nem sabia que tinha feito. Mas eu também curti coisa a favor dele”, afirmou.

O Comprova não conseguiu contato com Luciana Sabino, apoiadora de Haddad que foi apontada nas publicações falsas como sócia da CPD.

O contrato com a consultoria foi assinado no dia 20 de outubro e publicado no dia 23. O serviço começou a funcionar efetivamente no dia 25. Outra versão das mentiras relacionadas à CPD dá conta de que ela foi contratada pelo TSE para atuar no “processo de apuração e totalização dos votos”.

Na verdade, o serviço é restrito à “disponibilização de uma rede de distribuição de conteúdos”. Isso é necessário, segundo o TSE, para “ampliar a capacidade de acessos às páginas na internet dos tribunais eleitorais, devido ao grande número de visitantes durante o período eleitoral”.

“Nosso trabalho não tem nada a ver com a apuração. Se o resultado fosse em cédula, o trabalho seria o mesmo. A gente nem enxerga a urna. É uma rede de aceleração de site. A gente amplia a capacidade de acesso por uma rede. Chama-se CDN (Content Distribution Network). Já teve gente perguntando se a gente ia abrir urna, já teve ameaça por meio do nosso site”, declarou Christian Limp ao Comprova.

Mas por que a contratação ocorreu às vésperas do segundo turno? Porque, segundo a Justiça Eleitoral, houve descumprimento do contrato pela empresa BRCloud Services Ltda, empresa que venceu o pregão eletrônico 62/2018, lançado ainda em julho de 2018. O contrato foi firmado no valor de R$ 1.065.524,40.

Após o primeiro turno, o contrato foi unilateralmente rescindido e a segunda colocada, a CPD, foi chamada para o serviço. O valor do contrato foi adequado ao prazo remanescente para o trabalho e a empresa receberá R$ 532.762,20.

Ainda de acordo com a Justiça Eleitoral, o serviço é fundamental para a divulgação dos dados públicos nos sites, sobretudo o dos resultados, porque o tráfego no site é muito elevado.

“Em síntese, no primeiro turno da eleição deste ano a empresa não prestou adequadamente o serviço contratado, não ampliando a capacidade de acessos aos sites, gerando uma série de contratempos que impactaram a distribuição dos conteúdos gerados pela Justiça Eleitoral”, informou o TSE.

As informações falsas viralizaram nas redes sociais, tendo mais de 40 mil compartilhamentos e quase 500 mil visualizações apenas na página Direita Goiás, do Facebook. No Twitter, apenas um dos perfis obteve mais de 4 mil curtidas e 1.600 retweets. O conteúdo falso também foi distribuído por meio do WhatsApp e apareceu na ferramenta da UFMG que monitora os grupos abertos.

Investigado por:2018-10-26

É falso que polícia apreendeu carro-bomba que participaria de atentado a Bolsonaro

O carro-bomba filmado em um vídeo que circula no WhatsApp e em redes sociais fazia parte de uma tentativa de libertar o traficante Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, no Paraguai — e, ao contrário do que afirmam mensagens e correntes de texto, não tem qualquer relação com um suposto atentado ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

O veículo foi interceptado em uma ação conjunta da polícia paraguaia e da Interpol na quarta-feira, 24 de outubro.

O boato que viralizou diz que dois carros-bomba foram apreendidos tentando atravessar a fronteira entre Brasil e Paraguai – e que, posteriormente, seriam usados numa tentativa de atentado.

No entanto, os veículos foram encontrados em uma casa em Presidente Franco, no Paraguai, a cerca de 10 km da divisa entre os países. O destino seria a capital paraguaia Assunção, onde o traficante brasileiro está preso. Foi a segunda vez em que criminosos tentaram libertar o chefe da facção Comando Vermelho.

Diversos veículos de imprensa noticiaram a ação policial que apreendeu os carros com explosivos — incluindo G1, R7 e Extra. Para encontrar as reportagens, bastou procurar no Google as palavras-chave “carro bomba” e “Paraguai”.

Apesar de os carros-bomba do vídeo não terem relação com Bolsonaro, dados da inteligência do governo federal apurados pelo Estadão confirmam a existência de ameaças contra o candidato. As informações foram passadas há mais de uma semana pelo presidenciável, que teve a segurança reforçada.

Uma das versões da corrente de texto diz que o serviço de inteligência dos EUA teria repassado informações sobre um atentado contra o presidenciável do PSL.

O vídeo com a mensagem enganosa foi enviado por leitores ao WhatsApp do Comprova (11-97795-0022) e do Estadão (11-99263-7900). No Twitter, uma versão do boato teve 2,9 mil curtidas e 1,8 mil retweets.

Vídeo de urna com defeito em teclado não prova fraude em votação

São enganosas as publicações nas redes sociais que apresentam um defeito no teclado de uma urna eletrônica em São Paulo como prova de fraude no primeiro turno destas eleições. O problema mecânico nos botões foi identificado uma hora e quarenta e dois minutos após o início das votações, e o equipamento foi prontamente substituído.

Um dos principais posts sugere que os problemas foram identificados em mais de uma urna e que a falha era restrita a um único número: “TSE FAZENDO TESTES E AS URNAS NÃO DIGITA O NÚMERO 7 COMO AS PESSOAS DENUNCIARAM, OLHE A VERGONHA QUE ELE ESTÃO PASSANDO (sic)”.

Na verdade, o vídeo foi feito durante uma auditoria pública em quatro equipamentos realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) em 20 de outubro. E o defeito não era restrito a uma única tecla. O resultado da análise técnica da Justiça Eleitoral aponta que “foram observados defeitos aleatórios em teclas diversas durante a digitação após sucessivas repetições do autoteste”. Ou seja, a falha não afetava o mesmo botão.

A urna com defeito no teclado estava localizada na seção 227 da 404ª zona eleitoral, localizada no bairro de Cidade Tiradentes, zona leste da capital paulista. Após identificado o problema, foi substituída por uma outra, às 9h42. Quando há necessidade de substituição de equipamentos, os votos já registrados são transferidos de uma urna para a outra,
por meio de procedimentos claros
.

Nos vídeos – ao todo são seis, de cerca de 1 minuto cada – que estão sendo compartilhados acompanhados por textos que sugerem uma suposta fraude, os técnicos apresentam essas explicações a um dos presentes, que critica a falha apresentada lança dúvidas sobre se os eleitores que usaram o equipamento conseguiram votar em quem realmente queriam.

Outras três urnas foram submetidas à auditoria pelo TRE-SP e nelas não foram encontradas irregularidades. Participaram do evento, aberto ao público e registrado em vídeo, autoridades da Justiça eleitoral, fiscais de partidos políticos e, ainda, um observador da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O TSE também afirmou que o defeito mecânico do teclado não representa nem alterou o resultado das eleições. Em nota de esclarecimento, disse que foi “adotado o procedimento correto de substituição do equipamento defeituoso por uma urna de contingência, sem que esse defeito pudesse influenciar no resultado do pleito eleitoral”.

As gravações sobre a urna que supostamente “autocompletava votos em favor de” Fernando Haddad (PT) – o equipamento com o defeito reconhecido pelo TRE-SP – também são enganosas. O Comprova havia pedido para um perito analisar os vídeos e a conclusão, publicada pelo UOL, foi a de que eles não eram capazes de revelar fraude.

O post enganoso foi publicado no “GRUPO OLAVO DE CARVALHO”. Até o final da noite de quinta-feira, 25 de outubro, havia sido compartilhado mais de 206 mil vezes. Outras versões do conteúdo circulam em canais de vídeos do YouTube.

Investigado por:2018-10-25

Policiais militares do Ceará não entoaram gritos a favor de Bolsonaro

É falso o vídeo em que policiais militares entoam gritos a favor do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) em Iguatu (CE). A peça de desinformação usa um trecho do vídeo de um treinamento de policiais realizado na cidade cearense em 2017, mas altera totalmente o áudio. No vídeo original, os policiais percorrem Iguatu durante o treinamento e não entoam nenhum grito com menção ao candidato.

Para localizar o vídeo original, o projeto Comprova, ao analisar as imagens, fez uma busca no YouTube pelas palavras “BPRAIO” (Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas), que aparece em uma das viaturas, e “PM Ceará”. O resultado nos deu um vídeo de 2017, postado por San Drones, uma empresa da região que fez a filmagem, em parceira com a PM, e editou o vídeo.

O original, postado em agosto de 2017, tem 2:16 minutos. O falso, por sua vez, tem 1:19. Foi possível perceber pelo menos quatro edições feitas no vídeo falso. As imagens que mostram os policiais fazendo flexão de braço, por exemplo, não aparecem na gravação compartilhada com falso apoio a Bolsonaro. Outra informação importante é que o vídeo original começa com o símbolo da PM do Ceará.

“A Polícia Militar do Ceará esclarece que o vídeo que está circulando nas redes sociais de um grupamento do BPRAIO, manifestando-se politicamente é falso”, informou a Comunicação Social da PM do Ceará.

“O áudio que está no vídeo não condiz com o que os policiais militares entoavam durante o treinamento. Foi feita uma montagem grosseira das imagens dos policiais militares, enquanto estavam no treinamento, com um áudio de um outro vídeo, gravado em um outro Estado”, afirmou a PM cearense por meio de nota.

O áudio reproduzido na montagem é o mesmo de um vídeo que veio à tona nesta semana em que policiais militares de Luziânia (GO) entoam gritos a favor do candidato do PSL, o que é proibido por lei.

A Secretaria de Segurança Pública de Goiás determinou a abertura de uma investigação do caso de Luziânia. “Em relação aos episódios envolvendo policiais militares pedindo voto para um candidato à presidência da República, a Secretaria determinou abertura de procedimento investigativo para apurar os fatos e tomar as medidas legais cabíveis”, afirmou, em nota, a pasta.

A Polícia Militar de Goiás confirmou que um instrutor da corporação foi afastado em função do episódio e disse que não autoriza manifestações políticas e eleitorais.

“A Polícia Militar de Goiás, ao tomar conhecimento do vídeo, encaminhou ao Comando Regional responsável pela circunscrição a que pertence o efetivo policial que realizou a filmagem, para que sejam apuradas as causas e circunstâncias em que ocorreu tal fato”, informou em nota o Comando da PM goiana.

“O Comando da Corporação não autoriza qualquer manifestação política e eleitoral realizada por militares da instituição, quando em serviço, instrução, e principalmente com a utilização de fardamento, quer seja administrativo ou operacional”, acrescentou a corporação.

A montagem envolvendo a PM do Ceará chegou ao Comprova pelo WhatsApp (11-97795-0022). No Facebook, o vídeo falso foi visualizado 11 mil vezes em um post publicado nesta quinta-feira, 25 de outubro.

Investigado por:2018-10-25

Médico de Bolsonaro disse “câncer de intestino” em vídeo de reportagem, mas como brincadeira

Um dos médicos do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) realmente disse o termo “câncer de intestino” enquanto se preparava para examinar o deputado federal no último domingo, 21 de outubro, como mostra vídeo divulgado em reportagem da TV Record.

O profissional, porém, não estava, naquele momento, dando um diagnóstico ao capitão da reserva. Na realidade, o médico fazia uma brincadeira sobre uma informação falsa que circulou nas redes sociais anteriormente de que Bolsonaro estaria com câncer.

Pelo Twitter, trechos do vídeo foram publicados acompanhados de legendas enganosas que sugeriam que o militar estaria realmente com câncer. “Olhaí o momento exato em que o médico fala o diagnóstico de Bolsonaro: câncer de intestino. Pra quem desconfiava da teoria de que ele estava doente, tá aí uma prova difícil de refutar” (sic), escreveu uma usuária.

“Médico de Jair Bolsonaro falando ao fundo da reportagem da Record que o candidato a presidência está com CANCER DE INTESTINO. ‘Montagem’? Reportagem saiu no próprio canal da Record no Youtube” (sic), escreveu outro internauta ao também compartilhar trecho do vídeo.

Realizado no último domingo, 21 de outubro, na casa do candidato, no Rio de Janeiro, o exame foi acompanhado pela equipe da TV Record que produzia uma reportagem sobre o estado de saúde de Bolsonaro para o programa “Domingo Espetacular”.

A brincadeira do médico — que aparece aos 9 minutos e 32 segundos — acabou vazando na matéria exibida pela emissora.

Na última quarta-feira, dia 24, o blog Coluna do Fraga, do portal R7, publicou o trecho da gravação sem a edição da reportagem. No vídeo, de 6seg, o médico diz, aos risos: “Operou um câncer no intestino dele. Um câncer no intestino”. Uma outra voz masculina complementa: “É uma fake news”.

Bolsonaro passou por duas cirurgias complexas após ser atacado com uma faca na barriga enquanto fazia campanha de rua na cidade de Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro. O responsável pelo ataque está preso.

Do dia em que foi esfaqueado até o dia que recebeu alta do hospital Albert Einstein, onde ficou em recuperação, Bolsonaro passou 23 dias internado.

O vídeo que tenta induzir que Bolsonaro estaria com câncer foi compartilhado em ao menos oito contas no Twitter. Em uma delas, o vídeo somou 65,2 mil visualizações, 752 retuítes e 1.980 curtidas, até a publicação deste texto.

Em outra conta, o vídeo teve 62,5 mil visualizações, 412 retuítes e 902 curtidas entre as 7h34min de quarta-feira, dia 24, e às 15h15min de quinta-feira, 25 de outubro.

A peça também foi verificada pelo site E-farsas.

Investigado por:2018-10-25

Não é verdade que Amelinha Teles tenha matado militares na ditadura

Não é verdade que Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida por Amelinha Teles, foi condenada por matar militares. Uma imagem circula nas redes sociais Facebook e WhatsApp com a imagem de uma senhora com a seguinte frase “Essa senhora aparece na propaganda do Haddad chorando. Amelinha Teles, junto com seu marido, matou e esquartejou militares em nome da ditadura do proletariado”. Amelinha e o marido, Cezar Augusto Teles, não cometeram esse crime e nunca foram acusados, tampouco julgados, por ele.

Amelinha Teles ficou em evidência nas redes após aparecer em um programa eleitoral do candidato à presidência do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, no dia 16 de outubro. Ela deu um depoimento contando como ela e seu marido Cezar Augusto Teles foram presos em dezembro de 1972, torturados e humilhados pelos militares na frente dos filhos após uma violenta sessão de tortura. O TSE determinou a suspensão da veiculação dessa propaganda.

O casal foi preso junto a outros militantes do PC do B. A acusação, na época, era de “agrupamento prejudicial à segurança nacional”, e estava relacionada ao que foi classificado como “propaganda escrita” do partido – a edição de jornais, panfletos e artigos com conteúdo supostamente subversivo. O processo é de março de 1973. Ela foi condenada a 7 meses de reclusão.

No trecho em que o documento detalha a atuação de Amelinha no grupo não há qualquer menção ao crime de homicídio. O processo diz que Amelinha e o marido eram responsáveis pelo setor de imprensa do partido, e que a residência do casal havia se tornado um “aparelho” do partido. “Mantinha estreitos ligamentos com membros da organização e quando da doença de seu espôso mudou-se para outro “aparelho”, com recursos fornecidos pelo Partido, onde mimeografou exemplares do jornal “CLASSE OPERÁRIA”, auxiliada por Carlos Nicolau Danielli, vulgo “Antonio”. Os documentos apreendidos em seu poder são altamente subversivos e bastariam para uma condenação”, detalha o processo.

Amelinha e o marido foram torturados no DOI-CODI/SP. O comandante da unidade era o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que participou das sessões de tortura do casal. Ele foi declarado torturador pela Justiça brasileira em 2008. O coronel Ustra é frequentemente associado ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro. O presidenciável declarou, em sabatina no programa Roda Viva em julho, que seu livro de cabeceira é “A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça”, de Ustra. Ele também dedicou à memória de Ustra o voto “sim” pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), acrescentando que ele era o “pavor” da então presidente. DIlma também foi torturada por Ustra durante a ditadura.

Tanto no vídeo da campanha do PT quanto em outros depoimentos, como os prestados à Comissão da Verdade e à novela “Amor e Revolução”, Amelinha descreve o tipo de tortura a que o casal foi submetido: cadeira do dragão, choques, espancamento e violência psicológica, com ameaças aos filhos. As crianças – Janaína e Edson, na época com 5 e 4 anos, respectivamente – foram levados para verem os pais torturados. Janaína também participou do vídeo da campanha de Haddad, relatando que lembrava de ter sido forçada a ver os pais naquela situação.

Carlos Danielli, que foi preso junto com o casal, morreu numa sessão de tortura. A versão apresentada pelo DOI-CODI/SP era de que ele havia sido morto em tiroteio com policiais após tentativa de fuga. A história foi esclarecida pela Comissão da Verdade.

Após a veiculação do vídeo e da circulação do boato sobre Amelinha, ela passou a sofrer ameaças pelas redes sociais. Amigos gravaram um vídeo em apoio.

A montagem foi enviada para o WhatsApp do Comprova. Postagens sobre o tema em sites e redes sociais foram apagados. Uma das que ainda está no ar é da página Curitiba Contra a Corrupção, e teve 12,1 mil compartilhamentos desde 19 de outubro.

A Agência Lupa também já fez esta verificação.