O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a golpes e fraudes virtuais.
Filtro:

Eleições

Investigado por: 22/10/2026

‘Loirona do Flávio’: personagem gerada com IA aparece ao lado do candidato em vídeos virais para promover conteúdo adulto

Eleições
Montagens inserem loira fictícia em registros de atos políticos, substituindo o deputado Nikolas Ferreira. Perfil no Instagram direciona usuários a um canal no Telegram que comercializa conteúdo adulto.

Conteúdo analisado:  Vídeos que circulam nas redes sociais e têm atraído a atenção dos internautas mostram uma mulher loira, criada por inteligência artificial (IA), ao lado do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) em atos políticos. Identificada como Julia Berlli Cortez e apelidada de “loirona do Flávio”, a personagem também é associada à divulgação de conteúdo adulto pago por meio de um perfil no Instagram e de um chatbot no Telegram.

Onde foi publicado: Instagram, TikTok e X. 

Contextualizando: Nesta semana, repercutiram nas redes sociais vídeos de uma mulher loira ao lado do senador e candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A mulher, identificada como Julia Berlli Cortez, virou assunto de um vídeo do influenciador Guga Figueiredo, conhecido como o “Xerife da Internet”. Em seu Instagram, Figueiredo expôs que a loira seria, na verdade, um bot deepfake criado por inteligência artificial (IA). 

Diversas reportagens jornalísticas confirmaram a denúncia de Figueiredo  (1, 2, 3) e, mais tarde, um conteúdo da BBC identificou mais de 30 perfis similares ao de Julia Cortez. A dinâmica é parecida: os perfis usam um deepfake de inteligência artificial que manifesta apoio político a algum candidato nas eleições presidenciais e chamam os espectadores para links de sites onde vendem conteúdo adulto. 

O caso da “loirona do Flávio”

No caso de Julia Berlli Cortez, apelidada de “Bolsonaro Bombshell”, os vídeos que mais viralizaram foram montagens da mulher em  atos políticos de Flávio Bolsonaro que ocorreram nos dias 17 e 18 de outubro na Bahia, Espírito Santo e São Paulo. Nesses materiais, a personagem aparece ocupando o espaço que, nos vídeos originais, era do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Um dos vídeos que viralizou com essa configuração foi o da passagem de Flávio Bolsonaro e sua comitiva pela Praia de Camburi, em Vitória, no dia 17.

I Legenda: À esquerda, vídeo criado com IA em que aparece a personagem; à direita, o vídeo original, com Nikolas Ferreira no ato político a favor de Flávio Bolsonaro I

 

Ao submeter os vídeos ao Hive Detector, ferramenta que mede a presença de inteligência artificial nos conteúdos, o Comprova confirmou que o vídeo em que Julia Cortez aparece tem um índice consideravelmente maior de alteração por IA (14,5%) do que o vídeo original que circulou nas redes sociais. Também chama a atenção o fato de ela aparecer com a mesma roupa nos posts.

I Legenda: Capturas de tela mostram o resultado do Hive Detector I

 

No perfil do Instagram de Julia Cortez, que conta com mais de 522 mil seguidores, não há nenhum aviso de que a personagem é feita com IA — contrariando os Padrões da Comunidade da plataforma. A página mantém os vídeos alterados com IA em que Julia aparece em atos políticos de Flávio Bolsonaro, mas também divulga um link que direciona para as contas de Cortez no TikTok e Snapchat, além de um canal no Telegram voltado para a venda de conteúdo adulto. Até o dia 20 de outubro, o canal possuía 164.432 seguidores. 

I Legenda: Caminho que leva ao canal do Telegram da personagem criada por IA I 

 

Os vídeos publicados no perfil do Instagram de Julia Cortez aparecem com intervalos de aproximadamente duas horas entre as postagens. Em determinados momentos, os conteúdos relacionados à participação de Julia em protestos bolsonaristas são arquivados e, posteriormente, voltam a ser exibidos no perfil. Esse comportamento pode configurar uma técnica de camuflagem algorítmica, conforme estudos sobre a dinâmica da plataforma (1). Perfis como o de Julia costumam ocultar posts temporariamente para “limpar” seu histórico e restaurar sua reputação perante os classificadores da Meta, mitigando o risco de sofrerem shadowbanning.

No dia 20 de outubro, foi identificado um segundo perfil com a mesma foto e descrição biográfica, diferenciado apenas pelo nome de usuário.

I Legenda: Outro perfil criado em nome da mesma personagem I 

 

Já no Google, o nome de Julia Berlli Cortez leva para sites de conteúdo adulto como a plataforma Privacy,  um serviço brasileiro de venda de assinaturas de conteúdo exclusivo, semelhante ao OnlyFans. Os vídeos na página de Julia Cortez chegam a 40 mil visualizações. Os outros links conduzem para um site de vídeos pornográficos. Ambas as páginas possuem sequestro de histórico, uma técnica que redireciona os usuários para páginas de sites indesejados ou não permitem que ele volte para a aba original.

 

Os vídeos de Julia – sejam os de teor pornográfico ou os de teor político – também são replicados para outras redes sociais como o TikTok, X e Kwai. 

I Legenda: Vídeos de Julia Cortez também estão presentes no TikTok I

 

Quem está por trás do perfil 

Ao investigar os canais de monetização vinculados à personagem, o Comprova identificou que os  links disponibilizados no Instagram direcionam para um assistente virtual (chatbot) no Telegram. No aplicativo com 164.432 mil usuários mensais, com o valor mínimo de R$ 14,90, até R$ 39,90 semanais, o robô oferece pacotes de fotos, vídeos e conversas íntimas mediante pagamento via Pix. 

Considerando os pacotes semanais, que custam R$ 14,90 e R$ 39,90, o faturamento bruto potencial da venda desses conteúdos poderiam variar de R$ 9,8 milhões a R$ 26,2 milhões por mês, caso todas as inscrições correspondessem a uma única modalidade e fossem mantidas durante as quatro semanas. Os valores são estimativas e não consideram taxas, cancelamentos ou a distribuição dos assinantes entre os planos.

A decodificação da chave Pix de cobrança (formato QR Code dinâmico/EMV) revelou que a conta recebedora dos valores pertence à empresa Sync Tecnologia Ltda., sediada em Brasília, com infraestrutura processada pela instituição Bass Pago. A empresa faz parte do mesmo grupo econômico da Sync Pay Ltda., fintech especializada em soluções de pagamentos e integrações com agentes de inteligência artificial.

Procurada pela equipe do Projeto Comprova, a Sync negou qualquer vínculo de seus sócios ou colaboradores com a criação da personagem “Julia Berlli Cortez” ou a gestão do perfil e do canal no Telegram. Em nota, a empresa esclareceu que atua unicamente como intermediadora e provedora de infraestrutura de liquidação financeira para seus clientes cadastrados. A companhia afirmou ainda que, após ser notificada pelo Comprova, abriu procedimento interno de análise da conta do usuário responsável pela cobrança e adotou as providências previstas em seus termos de uso e políticas de conformidade. Por força de sigilo contratual e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a empresa não divulgou a identidade do titular da conta.

Após o contato com a empresa Sync, as contas da “Julia” caíram tanto no Telegram quanto no Instagram.

Houve tentativa de contato com a equipe de Flávio Bolsonaro para se posicionar em relação à manipulação digital das imagens em eventos de sua campanha, mas o candidato não encaminhou resposta até o fechamento desta verificação.

Com qual objetivo os vídeos foram criados?

A estratégia observada no caso da “loirona do Flávio” combina a polarização política com a venda de conteúdo adulto. Ao inserir uma personagem hiper-realista em registros verídicos de comícios e caminhadas de figuras públicas de destaque, os criadores geram curiosidade e engajamento orgânico nas redes sociais.

Esse alcance inflado serve como funil de captação: internautas atraídos pela repercussão dos vídeos políticos são conduzidos para links de plataformas eróticas pagas (como Privacy, Telegram e fóruns de conteúdo adulto). Além disso, a alternância entre arquivar e desarquivar publicações políticas no Instagram indica uma tentativa de camuflagem algorítmica para dificultar a moderação automática da Meta e evitar restrições de alcance (shadowban) por distribuição de desinformação gerada por IA.

Fontes consultadas: Para verificar o conteúdo, a reportagem comparou os vídeos virais com as transmissões e publicações oficiais da agenda de Flávio Bolsonaro, identificando que as imagens originais traziam o deputado Nikolas Ferreira. As mídias foram submetidas ao Hive AI Detector, ferramenta online gratuita que analisa probabilidades de manipulação sintética e geração por inteligência artificial em fotos e vídeos.

Para investigar a monetização e a autoria do material, a equipe do Projeto Comprova seguiu os links divulgados na biografia e nos destaques do perfil no Instagram até um assistente virtual no Telegram. O código Pix gerado para pagamento (“Pix Copia e Cola”) foi decodificado por meio de um analisador de carga EMV QR Code, que permite visualizar os dados técnicos embutidos na transação, como nome do recebedor, cidade e servidor de liquidação. A partir dessas informações, foram realizadas consultas públicas na base do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da Receita Federal e na plataforma CNPJ.biz para identificar o quadro societário e a atividade econômica da intermediadora.

As páginas digitais e publicações foram preservadas com os serviços de arquivamento e captura de telas. Também foram consultados os Padrões da Comunidade da Meta sobre solicitação sexual e rotulagem de IA, além de contato direto com a empresa Sync Tecnologia e a assessoria de imprensa do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro.

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Além das reportagens já citadas nesta checagem, os jornais O Globo, UOL e a agência Lupa realizaram matérias sobre o caso da “loirona do Flávio”. O Comprova também já fez outros textos verificando a atuação da Meta AI nas eleições de 2026, imagens falsas envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro, conteúdos desinformativos envolvendo IA e a imagem do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Comunicados

Projeto Comprova anuncia plantão especial para o debate na TV Globo e fim de semana eleitoral, e reforça serviço Consulte o Comprova

Eleições
Iniciativa liderada pela Abraji reúne 42 veículos de comunicação em operação intensiva para monitorar, checar e combater a desinformação no momento decisivo das eleições.

O Projeto Comprova, coalizão de jornalismo colaborativo que reúne 42 organizações de mídia brasileiras lideradas pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), anuncia a realização de um plantão especial de cobertura focado no debate presidencialda TV Globo nesta sexta-feira (23) e ao longo de todo o final de semana de votação.

A operação contará com equipes dedicadas ao monitoramento de redes sociais, apuração em tempo real e disseminação de verificações e publicação de dicas para se proteger da desinformação por meio de canais oficiais como WhatsApp, Instagram, TikTok e X.

Monitoramento e transmissão em tempo real

Durante a transmissão do debate da TV Globo, na noite de sexta-feira, e no final de semana eleitoral (sábado e domingo, das 9h às 18h), o Comprova atuará em duas frentes integradas:

  • Monitoramento e verificação: investigação de conteúdos suspeitos e de alegações virais que circulem durante o debate e no fim de semana do pleito.
  • Curadoria: Amplificação de verificações publicadas por iniciativas de checagem e parceiros de imprensa, centralizada principalmente no canal do Comprova no WhatsApp.
  • Educação midiática: Publicação de cards explicativos e vídeos curtos no Instagram e no TikTok, com orientações práticas para que os leitores saibam identificar manipulações e não repassem conteúdos enganosos.

Serviço “Consulte o Comprova”: suporte gratuito à imprensa

Para além da publicação direta ao público, o Comprova destaca a disponibilidade do serviço Consulte o Comprova. A ferramenta oferece consultoria e suporte gratuito a jornalistas de todo o país envolvidos na cobertura eleitoral.

Por meio do serviço, profissionais de imprensa e redações parceiras podem solicitar auxílio de especialistas para tirar dúvidas, verificar a autenticidade de mídias suspeitas (como áudios e vídeos com suspeita de adulteração ou de uso de inteligência artificial) e consultar dados técnicos de verificação durante a reta final das eleições.

Apoio e patrocinadores

A realização das atividades do Projeto Comprova e suas inovações voltadas ao pleito eleitoral são lideradas pela Abraji e contam com o apoio fundamental dos parceiros e apoiadores institucionais do projeto, ElevenLabs (desenvolvedora de tecnologia de voz e inteligência artificial) e Jusbrasil.

Sobre o Comprova

O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a fraudes virtuais.

O Comprova é uma unidade autônoma na Abraji, com orçamento próprio e governança compartilhada com os veículos que participam do projeto. As decisões institucionais são tomadas por um colegiado composto por representantes dos veículos membros e da própria Abraji.

Mais informações e acesso às checagens:

Site oficial: projetocomprova.com.br

Canal do WhatsApp: Acesse aqui para receber as checagens

Consulte o Comprova: WhatsApp do Comprova (11 97045-4984)

Comprova Explica

Investigado por: 21/10/2026

Preso vota? Entenda como funciona o voto em presídios

Comprova Explica
Após debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Band, declarações sobre o voto de pessoas presas geraram dúvidas sobre as regras eleitorais.

Conteúdo analisado: No debate da Band de domingo, 18 de outubro, com os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), este último questionou Lula sobre ter a maioria dos votos de presidiários. Após a resposta do petista a Flávio, publicações sobre o tema viralizaram nas redes sociais.

Comprova Explica: Durante o embate, Flávio disse  que Lula recebeu 73% dos votos de pessoas presas, ao que o atual presidente respondeu que gostaria de receber 100% desses votos, incluindo o do pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena em prisão domiciliar. O tema, no entanto, envolve regras diferentes para presos provisórios e pessoas condenadas definitivamente, além de mudanças na legislação eleitoral que entraram em vigor em 2026.

A seguir, o Comprova explica o que diz a Constituição Federal, por que pessoas presas provisoriamente podem votar nas eleições deste ano e quais são as mudanças previstas para os próximos pleitos. Também esclarece se Jair Bolsonaro está autorizado a votar e mostra quais outros eleitores podem votar nas prisões.

Pessoas presas podem votar?

Depende da situação jurídica. O artigo 15, inciso III, da Constituição Federal prevê a suspensão dos direitos políticos em caso de condenação criminal com trânsito em julgado, ou seja, quando a pessoa já foi julgada, condenada e não há mais possibilidade de recurso. Sendo assim, presos em prisão definitiva não podem votar. 

A regra não se aplica para os presos provisórios, que estão sob custódia e ainda não possuem uma condenação criminal definitiva, nem a adolescentes internados que atendam aos requisitos eleitorais, pois esses mantêm o direito ao voto.

Por que presos provisórios poderão votar nas eleições de 2026?

O Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, instituído pela Lei nº 15.358, conhecida como Lei Antifacção ou Lei Raul Jungmann, entrou em vigor em março de 2026 e passou a proibir o alistamento eleitoral e o voto de pessoas presas, mesmo sem condenação definitiva.

A restrição, no entanto, não será aplicada nas eleições de outubro deste ano. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu que a mudança viola o princípio da anualidade eleitoral, previsto no artigo 16 da Constituição Federal, que impede a aplicação de alterações nas regras eleitorais a pleitos realizados menos de um ano após a entrada em vigor da norma.

Com a decisão, presos provisórios e adolescentes internados que atendam aos requisitos eleitorais poderão votar em 2026. Para isso, precisam estar com a situação eleitoral regularizada e ter solicitado a habilitação dentro do prazo estabelecido.

A participação, porém, depende de condições que nem todos conseguem cumprir. Preso provisório é a pessoa privada de liberdade que ainda não foi condenada definitivamente. É o caso, por exemplo, de quem está detido em flagrante ou cumpre prisão temporária ou preventiva durante investigações ou processos. Nos estabelecimentos penais, essas pessoas devem ficar separadas dos presos condenados.

Como a restrição foi suspensa para as eleições de 2026, a proibição poderá valer nos pleitos seguintes. A aplicação da medida, porém, poderá ser discutida no Supremo Tribunal Federal (STF), onde já existem ações que questionam partes da lei. Caberá à Corte analisar a constitucionalidade da proibição e decidir se ela será mantida.

Jair Bolsonaro pode votar?

Não. O ex-presidente Jair Bolsonaro está impedido de votar em razão de sua condenação criminal definitiva pelo STF. Atualmente, Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar. Em novembro de 2025, a condenação transitou em julgado, tornando-se definitiva, e foi determinado o início do cumprimento da pena. Portanto, o ex-presidente está com seus direitos políticos suspensos. 

Como funciona a votação dentro dos presídios?

A votação de presos provisórios ocorre em seções eleitorais instaladas dentro dos estabelecimentos penais. Segundo as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026, a Justiça Eleitoral deve organizar esses locais de votação em parceria com as administrações dos presídios. O mesmo procedimento vale para unidades de internação de adolescentes que tenham direito ao voto.

Para que uma seção eleitoral seja instalada, é necessário haver pelo menos 20 eleitores aptos a votar. Nessa contagem, podem ser incluídos policiais penais, funcionários dos estabelecimentos e mesários que optarem por votar no local. Caso o número mínimo não seja atingido e não seja possível reunir os eleitores em outra seção do mesmo estabelecimento, a seção será cancelada.

Os presos provisórios precisam estar com a situação eleitoral regularizada e solicitar a transferência temporária para votar no estabelecimento onde estão custodiados. A transferência depende da manifestação de vontade do eleitor, mediante assinatura de um formulário próprio. O prazo para solicitar a transferência terminou em 20 de agosto. 

No dia da eleição, a votação ocorre em espaços definidos pela administração do presídio, com urnas e materiais fornecidos pela Justiça Eleitoral. Candidatos e fiscais de partidos, federações e coligações podem acompanhar o processo, desde que respeitem as normas de segurança do estabelecimento. 

A resolução do TSE também determina que pessoas presas que tenham condenação criminal definitiva até o dia da eleição ficam impedidas de votar, mesmo que tenham sido anteriormente habilitadas para participar da votação.

Fontes consultadas: A apuração consultou a Constituição Federal, a Lei Antifacção, materiais do Ministério Público Federal sobre o voto de presos provisórios e uma reportagem da Agência Senado, que reúne dados do TSE, da OAB de São Paulo e do CNJ. Para verificar a situação eleitoral de Jair Bolsonaro, foram consultadas informações do Supremo Tribunal Federal sobre sua condenação definitiva.

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta, nesse monitoramento, um tema que gera muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: A AFP já explicou como funciona o direito ao voto para presos no Brasil, que pode ser extinto em 2027. No primeiro turno das eleições de 2026, o Comprova verificou que interrupção na divulgação dos resultados não afetou a totalização dos votos.

Contextualizando

Investigado por: 21/10/2026

Troca de seções eleitorais foi solicitada por tribunais estaduais

Contextualizando
Diferentemente do que postagens no X apontam sobre mudanças das seções eleitorais, alteração não foi decisão unilateral do presidente do TSE; nota dos Tribunais Regionais Eleitorais esclarece que a mudança tem como foco prevenir imprevistos no dia da votação.

Conteúdo analisado: Publicações nas redes sociais afirmam que a mudança de locais de votação para o segundo turno das eleições teria ocorrido por decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, e pode prejudicar o resultado do pleito. 

Onde foi publicado: X. 

Contextualizando: Publicações nas redes sociais afirmam que as mudanças nos locais de votação para o segundo turno das eleições 2026 podem prejudicar o resultado do pleito. Fora de contexto, os conteúdos podem levar à interpretação de que as mudanças foram realizadas para beneficiar um candidato ou interferir no resultado da votação.

Conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as alterações entre o primeiro e o segundo turno acontecem em todas as eleições e “seguem regras e atendem a necessidades de segurança”, como adversidade climática. O site do TSE cita que as mudanças ocorrem principalmente devido a intempéries climáticas e à preservação da integridade física de eleitoras, eleitores, mesárias e mesários. 

Um dos casos emblemáticos ocorreu no município de Confresa, no interior de Mato Grosso. Após fortes chuvas e ventos registrados em 9 e 10 de outubro, uma escola municipal utilizada como local de votação teve a cobertura danificada e sofreu com infiltrações e comprometimento de forros.  

Um laudo de engenharia emitido em 11 de outubro recomendou a interdição preventiva imediata do imóvel, o que forçou a transferência de emergência das seções para um endereço vizinho. 

Além dos eventos climáticos extremos, manutenções prediais de última hora, reformas não concluídas em escolas públicas e perda de condições mínimas de acessibilidade ou fornecimento de energia elétrica também motivaram decisões das zonas eleitorais responsáveis. 

O TSE esclarece que as alterações são feitas primeiramente pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e cartórios locais. Depois, são encaminhadas para o TSE, que compila e divulga as informações no site e no aplicativo e-Título.

Os locais de votação são definidos previamente, mas o TSE alerta que situações excepcionais, como danos estruturais ou emergências climáticas, podem exigir mudanças de última hora, até mesmo no dia da votação, para garantir a segurança dos eleitores e dos mesários. Até o último levantamento, feito em 19 de outubro, o TSE alterou 444 locais de votação do primeiro para o segundo turno em 22 estados, tendo atingido cerca de 130 mil eleitores, segundo reportagem do G1. 

A decisão foi do ministro Kassio Nunes Marques?

Não, a decisão partiu dos próprios Tribunais Regionais Eleitorais. 

Em 19 de outubro, o Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel) divulgou uma nota conjunta, endereçada ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, com esclarecimentos sobre a atualização dos locais de votação para o segundo turno das eleições, onde destacam que “os principais motivos que levam os TREs a realizar essas alterações são sempre extraordinários e estão relacionados à ocorrência de situações climáticas extremas, a problemas não identificados previamente na infraestrutura dos prédios utilizados como locais de votação e a questões de segurança pública”. No documento, os TREs esclarecem que a alteração dos locais de votação é de competência exclusiva dos tribunais.

A mudança de locais de votação não é uma prática inédita. Em eleições anteriores, TREs de diferentes estados adotaram medidas semelhantes por razões como reformas em escolas e problemas estruturais. Em 2018, mais de 90 mil eleitores tiveram o local de votação alterado em Belo Horizonte, segundo informações do TRE de Minas Gerais obtidas pelo G1.

O que o eleitor deve fazer? 

A Justiça Eleitoral orienta os eleitores a consultar o endereço e o número da seção antes de sair de casa para votar no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A consulta pode ser feita pelo Autoatendimento Eleitoral, no portal do TSE, ou pelo aplicativo e-Título. Também é recomendável acompanhar os comunicados do TRE do respectivo estado.

Os dados de seções eleitorais em que houve alteração do local de votação do primeiro para o segundo turno das Eleições 2026 podem ser consultados no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na página de estatísticas eleitorais, em “Eleitorado da eleição” e, depois, “em Capilaridade”, no menu lateral esquerdo. Dentro da página, localize “Seções Eleitorais Alteradas no Segundo Turno”. No alto da página, é possível filtrar a pesquisa por ano de eleição, país, região, UF, município, zona eleitoral e local de votação. 

Os números ainda estão sendo atualizados à medida que as zonas eleitorais concluem os registros e ajustes necessários nos sistemas da Justiça Eleitoral, inclusive para refletir a manutenção, no segundo turno, de locais que haviam sido alterados provisoriamente no primeiro.

Reação

Com receio de que alterações nos locais de votação aumentem a abstenção, que foi de 21,08% no primeiro turno, o Ministério Público Eleitoral (MPE) e a coligação do presidente Lula pediram providências ao TSE. 

Em ofício ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, defendeu a notificação dos eleitores por WhatsApp e SMS, a instalação de avisos nos prédios desativados e a presença de orientadores no dia do pleito. Já a campanha petista solicitou reforço na divulgação das mudanças e oferta de transporte público aos eleitores.

Fontes consultadas: O Comprova buscou informações no site do TSE e notícias veiculadas sobre o assunto. 

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova checou conteúdos semelhantes,  como uma sobre a entrega das mídias com os resultados das urnas usadas nas eleições ser feita em uma sala aberta, além de outra envolvendo a contagem de votos no primeiro turno das eleições gerais de 2026. A Lupa fez uma checagem sobre conteúdos desinformativos que circulavam contra o sistema eleitoral. O Estadão Verifica e a AFP também checaram conteúdos semelhantes. O Comprova Explica também publicou dicas e orientações para o segundo turno das eleições.

Comunicados

Investigado por: 21/10/2026

Você acompanha o Comprova? Participe de uma conversa do projeto Vozes Confiáveis

Pesquisa
O projeto Vozes Confiáveis investiga como as audiências do Comprova compreendem as verificações jornalísticas. Para isso, convidamos pessoas com 18 anos ou mais que acompanham nossos conteúdos a participar de uma conversa online em grupo.

O projeto Vozes Confiáveis investiga como as audiências do Comprova compreendem as verificações jornalísticas. Para isso, convidamos pessoas com 18 anos ou mais que acompanham nossos conteúdos a participar de uma conversa online em grupo.

Durante o encontro, mostraremos exemplos de conteúdos e suas respectivas verificações para ouvirmos as primeiras impressões, dúvidas e opiniões. Não avaliaremos os conhecimentos dos participantes. A participação é voluntária, e as pessoas selecionadas receberão informações completas sobre a atividade antes de decidirem se desejam participar.

Para manifestar interesse, acesse este formulário até o dia 30 de outubro. Dúvidas: [email protected].

O Vozes Confiáveis é um projeto para entender como as pessoas compreendem as verificações do Comprova nas eleições de 2026. Queremos entender como o público interpreta as explicações oferecidas nas checagens e se reconhece o trabalho conjunto dos veículos participantes para melhorar a forma como produzimos nosso conteúdo.

Instituições envolvidas no projeto: Universidade Federal de São Paulo (Unifesp, Brasil), Universidade Lusófona (Portugal), Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW, Austrália)  e Universidade de Nebrija (Espanha).

Comprova Explica

Investigado por: 20/10/2026

Onde votar? Qual horário? Confira dicas para o segundo turno das eleições

Comprova Explica
Neste domingo (25), será realizada a votação para escolha do presidente do país e, em cinco estado e no Distrito Federal, para governador; tire suas dúvidas antes de ir às urnas.

Conteúdo analisado: Posts dizendo que alguns eleitores deverão votar no segundo turno em um local diferente do primeiro são verdadeiros, mas muita desinformação circula nas redes sociais às vésperas da eleição. Há posts falsos falando sobre mudança no dia da votação e outros dizendo que, sem o e-Título, o eleitor não pode votar. 

Comprova Explica: O segundo turno das eleições será neste domingo, dia 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para votar para presidente no país todo e para governador em cinco estados e no Distrito Federal. Faltando poucos dias para o pleito, eleitores ainda têm dúvidas sobre a data da votação, os documentos necessários e o local onde devem votar – recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou mudanças de endereço de algumas seções eleitorais.

Para tirar as principais dúvidas dos eleitores, o Comprova Explica traz informações sobre como conferir se seu local de votação foi alterado e esclarece alguns dos pontos sobre o processo eleitoral que são alvo de desinformação. 

Onde devo votar? 

O Tribunal Superior Eleitoral anunciou mudanças de endereço de alguns locais de votação para o segundo turno, marcado para o próximo dia 25 de outubro. De acordo com o posicionamento oficial do TSE, as alterações de endereço não foram feitas aleatoriamente nem têm o objetivo de favorecer ou prejudicar qualquer candidatura. 

O órgão afirma que a medida partiu dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) por critérios de “eficiência” e “economia”, além de considerar um contexto de eventos climáticos extremos que pudessem comprometer as condições de um determinado colégio eleitoral. O Comprova verificou que até às 10h de 20 de outubro, 142 locais de votação foram alterados do primeiro para o segundo turno, de acordo com os dados do TSE. 

Como consultar o local de votação?

Para verificar o local de votação, acesse o canal de Autoatendimento Eleitoral do site do TSE e clique em “Onde votar”, na aba de “Consultas”. Em seguida, ao inserir seus dados pessoais, a plataforma já indicará o endereço da sua zona e seção eleitoral. 

Outra forma de consultar o local de votação é através do aplicativo do e-Título, disponível para ser baixado gratuitamente no celular. Ao se cadastrar na plataforma, outros serviços relacionados ao processo eleitoral também estão disponíveis, como justificativa de ausência, consulta e pagamento de débitos eleitorais e leitura de boletins de urna. 

Qual o horário da votação?

A maioria das seções eleitorais funcionarão das 8h às 17h (horário de Brasília) no domingo. Há postagens e áudios que podem induzir eleitores ao erro ao dizer que a votação foi antecipada, prorrogada ou que determinados lugares terão horários diferentes.

Um exemplo de peça desinformativa que circulou no primeiro turno foi uma postagem na rede social X que alegou, em tom irônico, que os eleitores de Lula (PT) votariam na segunda-feira (5 de outubro), enquanto os de Flávio Bolsonaro (PL) o fariam no domingo (4 de outubro). Porém, a data de votação – tanto no primeiro quanto no segundo turno – é a mesma para todos os eleitores e, agora, é 25 de outubro. 

O que pode mudar é o horário, por conta do fuso horário de cada região. Confira os horários de votação no Brasil (no horário local):

  • no Acre a nas cidades amazonenses de Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Jutaí, Tabatinga e São Paulo de Olivença: das 6h às 15h
  • nos demais municípios do Amazonas: das 7h às 16h
  • em Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: das 7h às 16h
  • em Fernando de Noronha: das 9h às 18h
  • nos demais estados e no Distrito Federal: das 8h às 17h

Não votei no primeiro turno. Posso votar agora?

Pode. O eleitor que não votou no primeiro turno pode exercer o direito de voto no segundo turno, no domingo (25).  Segundo regras da Justiça Eleitoral, a ausência na primeira etapa não impede a participação na segunda votação. 

Isso acontece porque cada turno é considerado uma eleição independente para efeito de comparecimento às urnas. Por isso, quem deixou de votar no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, pode votar normalmente no segundo, desde que o título eleitoral não esteja cancelado nem suspenso. 

A Justiça Eleitoral cancela a inscrição eleitoral de quem deixa de comparecer a três eleições consecutivas, sem justificar as ausências ou pagar as multas devidas. Como cada turno conta como uma eleição independente, fica impedido de ir às urnas quem não votou nos últimos três turnos.

Em quem vou votar?

No segundo turno, os eleitores vão às urnas para escolher o novo presidente e, em cinco estados e no Distrito Federal, a disputa para o governo estadual também ficou na segunda etapa. 

A votação para governador acontece no Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins, além do Distrito Federal. Dessa forma, nessas localidades, os eleitores vão às urnas para a escolha de dois cargos: presidente e governador. Ambos os cargos têm dois dígitos nas urnas.

No restante do país, os brasileiros vão votar apenas para definir o próximo presidente da República. Os candidatos ao Palácio do Planalto são Flávio Bolsonaro, do PL (número de urna: 22), e Lula, do PT (número de urna: 13). Antes de ir às urnas, o eleitor pode simular o voto em uma ferramenta da Justiça Eleitoral.

Quais documentos posso levar?

Ao comparecer às urnas no segundo turno, o eleitor precisa apresentar um documento oficial com foto. Pode ser um dos documentos abaixo:

  • RG
  • Identidade social,
  • Passaporte,
  • Carteira de Categoria Profissional,
  • Certificado de reservista ou
  • CNH

De acordo com o TSE, documentos em formato digital são aceitos, exceto Carteira de Trabalho Digital.

O eleitor também pode votar apresentando apenas o e-Título se o aplicativo apresentar foto. Caso não haja a fotografia, é preciso apresentar outro documento com foto. Documentos com validade expirada podem ser utilizados, desde que permitam a comprovação da identidade do eleitor. Certidões de nascimento ou de casamento não são admitidas como prova de identidade no momento da votação.

Li que meu título pode ter sido cancelado, é verdade? 

O TSE já alertou para golpes via e-mails e mensagens falsas em que criminosos se passam por órgãos oficiais para obter informações pessoais de eleitores. Os criminosos entram em contato com as vítimas solicitando seus dados e dizem que, caso não sejam fornecidos, seus títulos eleitorais serão cancelados. É importante ressaltar que os títulos de eleitores só são cancelados caso os cidadãos não tenham votado e nem justificado a ausência nas urnas nos últimos três turnos.

A Justiça Eleitoral informa que não envia e-mails aos eleitores para comunicar cancelamento de títulos ou para convocar mesários – com exceção dos tribunais regionais eleitorais dos estados do Rio Grande do Sul, do Pará, de São Paulo, da Bahia, do Mato Grosso do Sul, do Goiás e do de Santa Catarina. O contato via e-mail, no entanto, só é feito caso seja autorizado previamente pelo mesário convocado. 

Sabia que o transporte público é gratuito no domingo de eleição? 

O transporte público municipal e intermunicipal, inclusive o metropolitano, é gratuito nos dias de votação. A redução da frota nesses dias pode, inclusive, configurar crime eleitoral, segundo o Código Eleitoral.

Cuidado com resultados e parciais antes da divulgação oficial 

Parciais começam a circular antes da apuração completa das urnas, e isso pode gerar desinformação. No primeiro turno, por exemplo, o Comprova verificou posts segundo os quais o resultado havia sido afetado por conta de uma interrupção na apuração dos votos, o que não era verdade. Como mostrou a checagem, a interrupção na divulgação dos resultados não afetou a totalização dos votos.

Não existe um horário fixo determinado pelo TSE para a divulgação do resultado oficial das eleições, mas a apuração das urnas começa a partir das 17h (horário de Brasília), logo após o encerramento da votação. Os resultados das eleições gerais poderão ser acessados pelo site Resultados do TSE ou por aplicativo para dispositivos móveis.

Posso compartilhar conteúdos nas redes sociais?

Nos dias anteriores e no dia do pleito, informações enganosas sobre o processo eleitoral passam a circular mais intensamente nas redes sociais. Muitas delas se passando como oficiais, a partir da imagem do TSE e supostos mesários, por isso, é essencial que o eleitor se atente para as informações publicadas pela própria Justiça Eleitoral. 

Antes de compartilhar qualquer conteúdo, além de conferir as informações oficiais divulgadas pelo órgão eleitoral, a pessoa também deve se atentar para a possibilidade do material ter sido gerado ou alterado com inteligência artificial. O eleitor pode submeter os conteúdos a plataformas de detecção de IA, como SynthID, da Google.

O assunto passou a ser tratado especificamente nas eleições de 2026 pela Resolução nº 23.610 do TSE. As regras determinaram a obrigatoriedade da identificação de uso de IA nos materiais de campanha e proibição de publicação e republicação, gratuitas ou impulsionadas, de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA, no período compreendido entre as 72 horas que antecedem e as 24 horas que sucedem o término do pleito. 

Apenas no primeiro turno, o TSE desmentiu que o órgão tivesse estabelecido duas datas de votação diferentes para eleitores de cada candidato e que o tribunal tivesse anunciado a possibilidade de voto on-line pelo celular devido à chuva. O eleitor também pode conferir as checagens de desinformações feitas pelo próprio TSE, no Fato ou Boato.

Fontes consultadas: O Comprova consultou informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral. 

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta, nesse monitoramento, um tema que gera muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Durante e após o primeiro turno das eleições, o Comprova já mostrou que um vídeo antigo de policiais voltou a circular com uma denúncia infundada sobre urnas eletrônicas e checou publicações desinformativas sobre a interrupção da divulgação dos resultados e sobre o processo de apuração dos votos. 

Golpes virtuais

Investigado por: 20/10/2026

Perfis criam vínculos afetivos para manipular ou obter vantagens financeiras

Golpes virtuais
Nas redes sociais, páginas com conteúdos reais e também criados com inteligência artificial estabelecem vínculos emocionais com as vítimas, principalmente pessoas mais velhas.

Golpe da cantada, golpe do amor ou “romance scam”

A seção Golpes Virtuais do Comprova já abordou o golpe do relacionamento ou catfishing, quando criminosos se passam por pessoas atraentes para fisgar vítimas em aplicativos de relacionamento e pedir pagamentos. Recentemente, surgiu outra modalidade do golpe, que pode se chamar também golpe da cantada, golpe do amor ou “romance scam”. Ele acontece quando perfis reais ou feitos por inteligência artificial (IA) são criados para conquistar a confiança das vítimas —  geralmente idosos — através de declarações afetivas e promessas de relacionamentos. Após estabelecer um vínculo emocional, os criminosos podem pedir dinheiro, presentes ou incentivam a pessoa a fazer investimentos em plataformas fraudulentas. A prática pode causar prejuízos financeiros, além de danos emocionais, como ansiedade, culpa e dificuldade de confiar em novas relações.

Como os golpistas abordam as pessoas: Os criminosos atuam nas redes sociais criando perfis reais ou feitos a partir da inteligência artificial, com posts com mensagens envolventes para pedir dinheiro, engajamento – para monetizar suas páginas – ou investimentos em plataformas fraudulentas.

Qual é o objetivo do golpe: Conquistar a confiança da vítima e desenvolver um vínculo emocional para que, assim, a pessoa se torne mais suscetível a atender pedidos de ajuda financeira, engajamento ou, na variante do golpe chamada “pit butchering”, aceitar investir em plataformas fraudulentas ou criptomoedas. 

Como os golpistas abordam as pessoas: Nas redes sociais, o Comprova analisou diversos perfis que publicam vídeos com o objetivo de conquistar a atenção dos seguidores, principalmente para viralizar e monetizar conteúdos. Em um dos conteúdos, o autor fala diretamente com o público, usando elogios e declarações amorosas: “Oh, coroa bonita, viu? Eu tenho olhado seu perfil, sorriso hipnotizante, muito linda, charmosa, a idade e o tempo estão te fazendo ficar cada vez mais maravilhosa […]. Eu gosto tanto de você, vamos se conhecer […]. Eu quero uma coroa dessa pra fazer parte da minha vida”.

O perfil analisado tem cerca de 1 milhão de seguidores, e a maioria dos vídeos segue esse formato. Nos comentários, há mulheres que demonstram acreditar que as declarações são direcionadas a elas. “Boa tarde, obrigado, isso é comigo?”, escreveu uma seguidora. “Tô aqui, gatinho”, comentou outra.

No modelo em que os criminosos pedem engajamento, os posts costumam conter mensagens pedindo que a pessoa curta e comente os posts. Dessa forma, conseguem monetizar suas páginas. Nesse caso, não há extorsão financeira, mas a vítima acredita estar se relacionando com alguém, o que não ocorre.

Segundo o psicólogo Laércio Oliveira, as pessoas idosas são mais propensas a cair neste golpe por geralmente lidarem com o abandono da família e amigos. “Isso gera uma carência enorme”, diz o especialista. Por isso, tendem a sentir necessidade de encontrar um parceiro ou parceira, ainda que virtualmente. 

Um exemplo disso foi o caso de uma idosa de 70 anos que foi encontrada no aeroporto de Santarém, no oeste do Pará, após sair de casa com a intenção de encontrar uma pessoa com quem conversava pela internet. Segundo a Polícia Civil, a mulher estava sendo enganada por meio de conteúdos produzidos com inteligência artificial, que prometiam emprego, vantagens financeiras e um relacionamento amoroso, conforme reportagem do G1.

No caso de contas que usam IA, fica mais difícil identificar quem está por trás do conteúdo.  Um dos perfis analisados, com cerca de 28 mil seguidores, não apresentava identificação de que o material era produzido artificialmente e utilizava a mesma estratégia de vídeos com elogios e declarações afetivas como se estivesse falando diretamente com a pessoa. 

Em números: Um estudo lançado em 2025 pela iniciativa “Era Golpe, Não Amor” revelou que quatro em cada dez mulheres já foram vítimas de estelionato sentimental, também conhecido como “Golpe do Amor”. O estudo entrevistou cerca de 1.200 mulheres, sendo que 22% afirmaram conhecer alguém que passou por esse tipo de abordagem em aplicativos de relacionamento, 9% relataram terem sido abordadas diretamente, mas conseguiram identificar a tentativa de golpe na hora, e 7% só perceberam que estavam sendo enganadas após algum tempo de interação.

O levantamento aponta que 53% das vítimas relataram que o golpista pediu dinheiro emprestado, enquanto 25% afirmaram que houve solicitação de ajuda para pagar alguma conta.

Um caso de 2025, registrado em Feira de Santana (BA), é o de um homem que foi preso por aplicar o golpe do amor na internet e ter feito pelo menos 13 vítimas em quatro estados. Os prejuízos ultrapassam R$ 200 mil, de acordo com reportagem da CBN.

Quais táticas eles usam para chamar a atenção: Os golpistas abordam a vítima através de um contato aparentemente inofensivo, por meio de redes sociais. Normalmente usando uma identidade falsa, os criminosos iniciam uma conversa envolvente, estabelecendo uma relação emocional com a vítima.

Uma vez que a confiança entre a vítima e o criminoso seja estabelecida, o golpista passa a incentivá-la a investir em plataformas fraudulentas ou realizar pagamentos diretos para a conta do golpista.  Para isso, o criminoso pode criar histórias convincentes que demandem uma solução rápida: “uma emergência médica, um projeto de trabalho que exige investimento imediato, a necessidade de enviar um presente ou resolver uma burocracia temporária”, conforme o governo federal. 

Após semanas ou meses nessa relação, depois que a vítima já depositou valores em outra conta bancária, o criminoso bloqueia seu contato ou o site da plataforma falsa fica fora do ar. Ao perceber que foi enganada, a vítima do golpe lida com “consequências emocionais significativas”, conforme o psicólogo Laércio Oliveira. Entre elas estão a “ansiedade, tristeza, culpa, vergonha, baixa autoestima e dificuldade de confiar em novos relacionamentos.” 

Como se proteger: A prevenção ao golpe da cantada passa por educação financeira, educação socioemocional, ceticismo saudável e fortalecimento da autoestima. Veja alguns cuidados práticos que ajudam a se proteger desse tipo de golpe: 

  • Nunca envie dinheiro a alguém que conheceu apenas pela internet;
  • Desconfie de histórias com apelo emocional intenso e urgência financeira;
  • Verifique imagens e perfis usando ferramentas de busca reversa;
  • Solicite chamadas de vídeo sempre que possível;
  • Compartilhe sua experiência com pessoas de confiança. Uma perspectiva externa pode perceber incoerências que a emoção não permite ver;
  • Em caso de suspeita, denuncie o perfil nas redes sociais e procure orientação jurídica e psicológica.

Além disso, é importante identificar e compreender seus gatilhos emocionais e que carência, medo da solidão e desejo de reconhecimento podem ser explorados pelos golpistas.

“Necessidades de afeto, pertencimento e validação emocional podem, em determinadas situações, aumentar a vulnerabilidade à manipulação. Também podemos observar vieses cognitivos, como o viés de confirmação, quando a pessoa tende a valorizar aquilo que confirma suas expectativas sobre o relacionamento e acaba desconsiderando sinais de alerta”, explica o psicólogo Laércio Oliveira.

A quem denunciar: Ao perceber o golpe, é fundamental buscar ajuda imediatamente, além de registrar uma denúncia nos seguintes canais:

  • À própria plataforma onde o golpe/tentativa foi aplicado: denuncie o perfil ou a publicação suspeita pelos canais oficiais da rede social. Guarde capturas de tela, links e mensagens antes de bloquear a conta.
  • À Polícia Civil: se houver suspeita de fraude, extorsão, ameaça ou prejuízo financeiro, registre um boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia eletrônica do seu estado.
  • Aos órgãos de defesa do consumidor: se houver problemas relacionados à venda de produtos ou serviços, é possível procurar o Procon ou registrar uma reclamação no Consumidor.gov.br, caso a empresa esteja cadastrada na plataforma.

Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar. O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais, e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Como afirmado acima, o Comprova já explicou como identificar e se proteger do golpe do relacionamento (catfishing). O G1 também produziu uma reportagem alertando sobre os “sedutores de idosos” no TikTok.

Este texto foi produzido por jornalistas que participam do programa de Residência no Comprova e conta com o apoio do TikTok.

Comprova Explica

Investigado por: 19/10/2026

Clubes e torcidas organizadas: como se posicionam politicamente

Comprova Explica
Entenda a diferença entre manifestações de integrantes, posicionamentos de torcidas organizadas e decisões oficiais dos clubes na disputa eleitoral.

Conteúdo analisado: Posts com fotos de torcedores do Corinthians e do Palmeiras juntos em ato pró-Lula (PT) afirmam que times teriam declarado apoio a ele na eleição presidencial. 

Comprova Explica: A proximidade entre futebol e política costuma gerar debates intensos nas redes sociais. Em manifestação a favor do presidente Lula (PT) em 11 de outubro, em São Paulo, viralizou uma foto de dois torcedores, um do Corinthians e o outro do Palmeiras. Alguns posts usaram a imagem para afirmar, erroneamente, que os times teriam declarado apoio ao candidato petista. 

Algumas postagens enganosas apontaram ainda que os dois homens seriam diretores da Gaviões da Fiel e da Mancha Alviverde, sugerindo que ambas as agremiações teriam formalizado apoio conjunto a Lula.

A seguir, entenda a relação dos times e torcidas com políticos na época das eleições. 

O que dizem os dez maiores clubes do Brasil

O Comprova consultou os dez primeiros colocados no Ranking Nacional de Clubes de futebol masculino da Confederação Brasileira de Futebol (CBF): Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Atlético Mineiro, São Paulo, Fluminense, Botafogo, Athletico Paranaense, Bahia e Vasco da Gama.

Três agremiações responderam aos pedidos de esclarecimento: Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro. Todas informaram que não apoiam nenhum candidato e que mantêm estrita neutralidade partidária.

A postura reflete a praxe e as normas estatutárias dos clubes brasileiros pesquisados pelo Comprova. A maioria dos estatutos sociais dos clubes prevê expressamente que as agremiações são laicas, apartidárias e impedidas de ceder suas instalações, marcas ou símbolos para campanhas políticas, resguardando o caráter plural de suas massas torcedoras.

Os demais sete clubes consultados não retornaram os pedidos de informação até a publicação desta checagem. Uma pesquisa nos canais oficiais de comunicação e redes sociais das agremiações indicou que nenhum clube publicou manifestações de endosso eleitoral a Luiz Inácio Lula da Silva ou a Flávio Bolsonaro (PL). Postagens de cunho social — como a veiculada pelo Esporte Clube Bahia com referências à democracia e à música latino-americana — não fazem menção a postulantes a cargos públicos.

I Legenda: Capturas de tela das respostas do Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro I

 

O Comprova também contatou a CBF, mas não houve retorno até a publicação deste texto. 

Como se posicionam as diretorias das torcidas organizadas

O termo “torcida organizada” abriga agremiações civis com perfis, tradições e dinâmicas internas muito distintas. De acordo com Felipe Tavares Paes Lopes, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as diretorias das torcidas organizadas tradicionalmente evitam vincular suas entidades formalmente a campanhas partidárias.

“Em geral, as torcidas organizadas tendem a não se vincular institucionalmente a manifestações políticas, a fim de blindar a própria instituição”, pontua o pesquisador. Segundo ele, pesam nessa decisão o receio de retaliações por parte de órgãos públicos e o risco de acirrar divergências internas, já que o corpo de associados de uma torcida é politicamente heterogêneo.

A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) foi contatada pelo Comprova para comentar a participação de torcedores uniformizados em atos públicos, mas não encaminhou resposta até o fechamento desta apuração.

Quem são os dois torcedores  

A foto que viralizou é verdadeira e foi confirmada por ambos os torcedores. “A foto foi feita de forma espontânea” afirmou o Coletivo Democracia Corinthiana (CDC) ao Comprova. 

No entanto, os torcedores não são diretores da Gaviões da Fiel e da Mancha Alviverde, diferentemente do que sugere o post analisado pelo Comprova.

O corintiano Weverton Cruz disse à reportagem que seu comparecimento ao ato pró-Lula se deu por iniciativa própria: “Eu faço parte da Gaviões, sou membro associado, mas não sou liderança nem da diretoria.” Segundo ele, sua participação no ato foi motivada pela defesa da democracia e pelo histórico de mobilização da torcida corintiana.

Cruz também afirma que a mobilização ocorreu em sintonia com movimentos independentes, como o Coletivo Democracia Corinthiana. 

O palmeirense Bruno Azevedo também confirmou a autenticidade do registro e relatou que decidiu ir ao ato de forma individual. Membro de torcida organizada desde a adolescência, ele enfatizou que sua presença buscou ressaltar pautas democráticas e combater a desinformação. “A rivalidade precisa ser justa, respeitosa e, mais do que isso, democrática”, afirmou à reportagem.

Coletivos independentes e movimentos antifascistas

Embora as diretorias das torcidas evitem consolidar posições institucionais em pleitos, a presença de bandeiras, camisas de clubes e faixas em manifestações políticas é frequente no Brasil. Esse fenômeno se dá, sobretudo, pela atuação de coletivos ativistas e frentes antifascistas formadas nas arquibancadas.

Conforme explica o professor Felipe Lopes, nos últimos anos multiplicaram-se grupos autônomos que atuam paralelamente às torcidas organizadas tradicionais. Esses agrupamentos levam pautas de direitos sociais, defesa da democracia e combate a preconceitos aos estádios e às ruas. 

Quando integrantes dessas frentes ou torcedores avulsos comparecem a comícios empunhando vestimentas e bandeiras com as cores de seus times, expressam suas convicções políticas individuais ou de seus coletivos, sem que isso represente deliberação oficial ou chancela das agremiações esportivas e das diretorias das torcidas uniformizadas.

Fontes consultadas: O Comprova entrevistou os torcedores retratados na imagem, Weverton Cruz e Bruno, e Felipe Tavares Paes Lopes, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp. Além disso, contatou representantes do CDC. Foram procurados os dez primeiros colocados do Ranking Nacional de Clubes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de 2026, bem como aa Anatorg e a CBF. Também foi realizada uma análise  de estatutos sociais e monitoramento de redes institucionais dos clubes de futebol.

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, eleições e temas de interesse público. A circulação descontextualizada de imagens de torcedores rivais em manifestações políticas foi utilizada para criar falsas noções de aliança formal entre agremiações desportivas e candidaturas presidenciais. O Comprova Explica atua para esclarecer a verdade dos fatos, o papel institucional dos clubes e os limites da atuação de coletivos e torcedores organizados. Sugestões de verificação podem ser enviadas WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Ainda sobre a manifestação realizada em 11 de outubro em São Paulo, o Comprova verificou que posts no X distorcem atos pró-Lula na Paulista e em Copacabana. Sobre as eleições, publicou que entrega de mídias de urnas em sala aberta segue protocolo e regras da Justiça Eleitoral e que interrupção na divulgação dos resultados não afetou a totalização dos votos no primeiro turno.

Eleições

Investigado por: 16/10/2026

Posts no X distorcem atos pró-Lula na Paulista e em Copacabana

Eleições
Algumas publicações afirmam, erroneamente, que houve manipulação das imagens com inteligência artificial para inflar a quantidade de pessoas.

São falsos posts na plataforma X que sugerem baixa adesão às manifestações pró-Lula (PT) ocorridas nos dias 11 e 12 de outubro, respectivamente na Avenida Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Através da ferramenta de detecção de uso de inteligência artificial (IA) Hive Detector, da ferramenta de busca de imagens Google Lens e outras técnicas de apuração jornalística profissional, o Comprova identificou que quatro postagens no X erram ao divulgar que as imagens das manifestações seriam falsas. Algumas dessas publicações afirmam que houve manipulação das imagens por partidários do PT para inflar a quantidade de pessoas, o que não foi corroborado pela checagem do Comprova.

Nos conteúdos analisados, os usuários buscam deslegitimar o apoio popular às manifestações pró-Lula. O primeiro post pergunta ao Grok (IA do X) sobre a veracidade dos registros; o segundo diz que a quantidade de pessoas na Avenida Paulista era inferior à que foi mostrada em vídeos das redes sociais; o terceiro afirma que as imagens pertencem a atos da oposição realizados nos mesmos locais e o quarto diz que as imagens da praia de Copacabana lotada foram alteradas com IA. 

Primeiro post

I Legenda: Captura de tela do post verificado pelo Comprova e da resposta do Grok I

 

O Grok acerta em sua resposta ao afirmar que o vídeo em questão é uma filmagem autêntica de um ato pró-Lula ocorrido na Avenida Paulista no dia 11 de outubro. Através do Hive Detect, o Comprova também constatou que o vídeo possui 99,9% de chances de ser real. O detector de inteligência artificial pontuou, porém, que o áudio do vídeo tem 8,8% de possibilidade de ser feito com IA. No entanto, como o áudio é apenas ruído de fundo, sua identificação precisa é praticamente inviável pelo programa. A filmagem da manifestação foi feita pelo veículo independente Mídia Ninja sob autorização dos organizadores do ato, conforme informado ao Comprova. 

 

I Legenda: Análise do Hive Detect I

 

Segundo post

I Legenda: Captura de tela de outro post verificado pelo Comprova I

 

A manifestação ocupou quarteirões entre os bairros do Paraíso e da Consolação, com concentração na região do Museu de Arte de São Paulo (Masp) a partir das 11h, conforme reportagem do G1. As imagens captadas pelo drone da Mídia Ninja revelam os quarteirões lotados, diferente do vídeo manipulado e divulgado pelo perfil. O detector Hive informou que a imagem de manifestação da Paulista publicada pelo perfil no X é manipulada por IA, embora evidencie apenas 44,2% de manipulação. 

Vale ressaltar que ferramentas de detecção de alteração de imagens, vídeos e áudios por IAs não são uma garantia de que o conteúdo foi manipulado, mas um auxiliar na apuração jornalística quando a realidade dos fatos narrados por quem esteve presencialmente no local diverge dos registros divulgados online.  

I Legenda: Análise feita pelo Hive Detect sobre a imagem utilizada no post I

 

Terceiro post

I Legenda: Captura de tela do terceiro post verificado pelo Comprova I

 

Ao contrário do que é afirmado no post, é a imagem do ato bolsonarista que foi feita com inteligência artificial (IA), conforme o detector Hive. A fotografia original foi tirada no dia 11 de outubro por Ricardo Stuckert, fotógrafo que acompanha Lula desde 2002, e foi submetida a alteração da IA para que a cor vermelha, relacionada ao PT, presente em bandeiras, cartazes e roupas dos manifestantes fosse substituída pelas cores verde e amarelo, associadas à oposição do presidente. 

I Legenda: Análises do Hive Detect apontando uso de IA na imagem da direita I

 

Quarto post

I Legenda: Captura de tela do último post verificado pelo Comprova I

 

Diferentemente do que afirma o post, a imagem em questão não foi registrada neste domingo (11) nem na praia de Copacabana. O Google associa o registro a um ato político realizado em Niterói, no Rio de Janeiro, em apoio ao candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva; no entanto, a própria plataforma e as verificações de fatos apontam que a foto corresponde, na verdade, a uma manifestação ocorrida no dia 12 de outubro (feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida)

Como mostrou uma busca reversa no Google, o clique foi feito em Niterói, em um ato de apoio a Lula no dia 12. O ato em Copacabana contou com público muito maior, como mostra foto publicada no UOL. 

I Legenda: Resultado da busca reversa realizada no Google I

 

Os números oficiais  

Não há uma contagem oficial feita por órgãos do governo federal sobre a quantidade de pessoas que estiveram presentes nas manifestações pró-Lula nos dias 11 e 12 de outubro. 

Ato em São Paulo

Na manifestação em São Paulo, a campanha de Lula não autorizou o uso de drones por entidades independentes como o Monitor do Debate Político no Meio Digital, projeto ligado ao Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e à USP (Universidade de São Paulo), e a entidade More in Common Brasil. Apesar disso, o drone da rede de comunicação Mídia Ninja foi autorizado a sobrevoar a Paulista no momento da manifestação do dia 11. 

A campanha do Partido dos Trabalhadores, estimou que mais de 1 milhão de pessoas estiveram na Paulista. 

Ato no Rio de Janeiro

Além disso, diversos veículos como o Alma Preta, Brasil de Fato e G1 noticiaram sobre o ato no Rio de Janeiro, citando milhares de pessoas, mas sem qualquer registro de quantidade ou estimativa de público.

A falta de números oficiais pode ser explicada também devido a proibição do uso de drones nas regiões por determinação da Presidência da República, seguindo protocolos geridos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), em conformidade com as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA).   

O Comprova entrou em contato com a assessoria do PT, mas não obteve resposta sobre o uso de drones ou se houve levantamento da quantidade de pessoas concentradas no ato. 

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

Os quatro perfis analisados seguem outros usuários que se identificam como apoiadores da família Bolsonaro, católicos, cristãos, adeptos ao movimento pró-vida e ao antipetismo. Nas publicações, os perfis deixam claro seu apoio ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro e criticam frequentemente o governo federal, a figura de Lula e a esquerda brasileira, bem como publicações de veículos jornalísticos nacionais. 

Táticas desinformativas com uso de IA

A partir da análise sobre os quartos perfis que divulgaram conteúdos manipulados por inteligência artificial, nota-se a tática de negação da realidade, utilizando o medo da manipulação por IA como ferramenta de persuasão. É perceptível que as publicações concentraram esforços em desacreditar as imagens produzidas pelo drone da Mídia Ninja, assim como a presença física da militância, induzindo os seguidores a acreditarem em versões alteradas dos fatos. 

Nota-se também o uso da tática de  cherry-picking, que trata-se da seleção  de recorte de dados ou de imagens para omitir informações. Também nota-se o uso da linguagem emocional para despertar a revolta dos seguidores.

Fontes que consultamos: O Comprova utilizou o Hive Detect para verificar a manipulação de IA e o Google Lens para realizar uma busca reversa das imagens. Além disso, baseou-se em reportagens sobre os atos pró-Lula em São Paulo e no Rio de Janeiro, como a da UOL. Também entrou em contato com a assessoria de imprensa do PT, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Várias iniciativas de checagem também verificaram conteúdos manipulados por IA questionando o ato a favor de Lula em São Paulo, incluindo UOL (1 e 2) e Lupa. O Aos Fatos também verificou um conteúdo semelhante há cerca de um mês. Em 2018, durante a corrida presidencial, o Comprova fez alguns checagens sobre manifestações, como uma sobre um vídeo de 2015 alterado e divulgado em 2018 como se uma manifestação pró-Bolsonaro tivesse ocorrido naquele ano na Esplanada dos Ministérios. Já em 2022, vídeos de 2018 de uma manifestação contra Lula em Passo Fundo foram tirados de contexto e publicados como se fossem recentes.

Notas da comunidade: Nenhum dos quatro posts verificados pelo Comprova possuía notas da comunidade até a publicação deste texto.

Contextualizando

Investigado por: 15/10/2026

Meta AI gerou imagem com o nome de Flávio, mas recusou o mesmo pedido relacionado a Lula; entenda

Contextualizando
Assistente de inteligência artificial no WhatsApp bloqueou comandos com o nome do petista, enquanto solicitações sem o sobrenome do senador do PL passaram pelos filtros do sistema.

Conteúdo analisado: Publicações nas redes sociais acusam a Meta AI —  assistente de inteligência artificial (IA), desenvolvida pela Meta, empresa dona do WhatsApp, Instagram, Facebook e Messenger — de tratar de forma diferente pedidos de realização de imagens relacionados aos candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Em testes feitos e divulgados por usuários das redes e pelo Comprova na noite de terça (13) e na manhã de quarta-feira (14), a ferramenta permitiu criações com o nome “Flávio”, mas bloqueou solicitações semelhantes com “Lula”.

Onde foi publicado: X e WhatsApp.

Contextualizando:  Usuários no Instagram e em grupos de WhatsApp relataram na terça e na quarta-feira (14) que a Meta AI no WhatsApp se recusava a gerar imagens de campanha de Lula (PT), mas aceitava pedidos para o candidato Flávio Bolsonaro (PL), como sugestão de criação de camisetas, panfletos e banners, mas usando só o nome Flávio, sem o sobrenome Bolsonaro.

O Comprova também utilizou o assistente de IA da Meta WhatsApp e constatou tratamento desigual na produção das imagens. Ao questionar a própria Meta AI, no chat do assistente no WhatsApp, o motivo pelo qual ela tinha dificuldade para gerar uma imagem de Lula e não de Flávio, a IA apenas respondia que não conseguia gerar o conteúdo devido a um “bloqueio automático do sistema de criação de imagens”.

I Legenda: Pedido feito pelo Comprova para a IA criar uma imagem de Flávio foi realizado I

I Legenda: O mesmo pedido, só que feito com o nome de Lula e seu número de urna, foi negado I

 

Além disso, em outros pedidos semelhantes feitos à ferramenta, a Meta AI no WhatsApp alegou que não podia fazer a imagem de Lula ou algum conteúdo similar com 13, devido à regulamentação eleitoral brasileira.

A situação foi questionada pelos usuários por favorecer o candidato do PL. Após a repercussão do caso nas redes sociais, a ferramenta foi alterada. Testes realizados pelo Comprova ao longo da tarde de quarta-feira não reproduziram o mesmo comportamento.

O que diz a Meta

A Meta foi questionada pelo Comprova, mas não respondeu até a publicação deste texto. Ao g1, no início da tarde, respondeu que, para cumprir as regras eleitorais brasileiras, proibiu temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. “Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”, afirmou.

Situação aparenta ter sido normalizada 

Após algumas horas da repercussão do caso, o Comprova realizou novos testes para verificar se a ferramenta mantinha a diferença de tratamento observada. Nas solicitações posteriores feitas pela reportagem, a Meta AI recusou tanto a criação de uma imagem de Lula com o número 13 quanto a de Flávio com o número 22. 

A reportagem pediu à ferramenta que criasse uma imagem de “Lula do PT, destacando o número 13”. A Meta AI afirmou que não poderia criar imagens com candidatos à Presidência.

Em seguida, fizemos uma solicitação semelhante para “Flávio do PL, destacando o número 22”, que também foi recusada, com a mesma resposta.

A equipe repetiu o teste em uma nova conversa, mas a ferramenta voltou a negar a criação de uma imagem do senador, alegando que não poderia combinar uma figura política específica com instruções diretas de voto.

A equipe repetiu o pedido em uma nova conversa e recebeu outra recusa. 

O que o TSE diz sobre isso? Fere as regras eleitorais?  

Esse tipo de comportamento relatado por usuários das IAs é proibido de acordo com a Lei das Eleições. 

A resolução 23.755/2026, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), veda que os sistemas de inteligência artificial façam ranqueamento, recomendem, sugiram ou priorizem candidatos, campanhas, partidos políticos, federações ou coligações.

A legislação também veda que as IAs emitam opiniões, indiquem preferência eleitoral, recomendem voto ou realizem qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas.

TSE foi acionado 

O PT afirmou, pelo X, que vai acionar o TSE, alegando supressão do alcance de publicações e uso enviesado da ferramenta de inteligência artificial Meta AI. O partido também pediu  que os usuários compartilhem e denunciem o caso.

Fontes consultadas: O Comprova realizou testes na Meta AI pelo WhatsApp, repetindo pedidos de imagens de Lula e Flávio Bolsonaro, e consultou as regras eleitorais do TSE. A reportagem também buscou um posicionamento da Meta e analisou publicações nas redes sociais. 

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova já fez diversas checagens sobre as eleições. Entre elas estão a verificação de que a entrega de mídias das urnas em sala aberta segue protocolos e regras da Justiça Eleitoral e a checagem de um post que inventava um alerta de segurança sobre riscos de “acidente” e “golpe” nas eleições. O projeto também já verificou conteúdos falsos sobre a suposta promessa de salário mínimo de R$ 3 mil, envolvendo Lula e Flávio.