O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a golpes e fraudes virtuais.
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Comprova Explica

Investigado por: 30/10/2026

Veja linha do tempo: da fuga de Flávio até a divulgação da carta golpista

Comprova Explica
Após contestar o resultado das eleições e receber uma ordem judicial para entregar os passaportes, senador deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos, onde anunciou que pretende liderar a oposição a Lula.

Conteúdo analisado: Posts sobre a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos dizendo que ele estaria sofrendo perseguição política e que o Brasil vive sob uma ditadura.

Comprova Explica: Após perder a eleição para Lula (PT), no domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos com a esposa e as duas filhas. A fuga ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o recolhimento dos passaportes do senador, atendendo um pedido feito ainda no domingo pela Polícia Federal (PF), que havia identificado risco de o senador deixar o país.

Na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro publicou uma carta golpista afirmando ser o “presidente eleito do Brasil”. Diante da repercussão imediata e das críticas, o senador apagou a primeira versão da carta e passou a se denominar “líder do Brasil”. Ele afirmou ser vítima de uma fraude eleitoral, citando informações falsas e sem apresentar provas, e disse que pretende liderar a oposição a Lula dos EUA.

A seguir, o Comprova explica a cronologia da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, as justificativas apresentadas pelo senador e as diferenças entre democracia e ditadura.

Domingo, 25 de outubro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, anunciou oficialmente a reeleição de Lula com 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro terminou em segundo lugar, com 48,21%.

Às 22h40, em um condomínio privado no Lago Sul, em Brasília, Flávio fez um pronunciamento de cerca de três minutos à imprensa e disse que não reconhecia a vitória de Lula e pediu a anulação das eleições.

O candidato derrotado disse ser “impossível” reconhecer o resultado das eleições “da forma como aconteceu” e que a campanha deveria solicitar ao comitê jurídico um pedido de anulação do pleito. O argumento central utilizado por Flávio foi a extensão de duas horas no horário de votação no domingo, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin.

Na madrugada de domingo para segunda-feira (26), o ministro do STF Alexandre de Moraes expediu uma ordem judicial determinando que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes (comum e diplomático) à Polícia Federal dentro do prazo de 24 horas. Ele também ficou formalmente proibido de deixar o território nacional. A decisão está ligada a uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e o advogado e empresário Willer Tomaz. O inquérito busca esclarecer possíveis relações financeiras entre os dois e movimentações consideradas suspeitas. O senador nega irregularidades.

As ordens do ministro se basearam na iminência de fuga, embasada por declarações prévias de um de seus irmãos, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que cogitava a saída de Flávio do país.

Segunda-feira, 26 de outubro

Pela manhã, Flávio foi visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar após uma tentativa de golpe de Estado. Ao deixar a residência, localizada em um condomínio no Jardim Botânico, em Brasília, o senador foi formalmente abordado e intimado por agentes da Polícia Federal para cumprir a determinação do STF e fazer a entrega dos documentos.

Na hora do almoço, Flávio participou de uma reunião com a cúpula de sua campanha presidencial. Segundo a Folha de S.Paulo, ele foi aconselhado a desistir do pedido de anulação da eleição e a concentrar a contestação judicial em uma ação por suposto abuso de poder da campanha de Lula.

Por volta das 16h40, o senador publicou um vídeo nas redes sociais confirmando que havia recebido uma intimação da Polícia Federal. Na gravação, o senador afirmou que cumpriria a determinação judicial de entregar seus passaportes e negou que pretendesse deixar o Brasil.

“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.

No fim da tarde, Flávio se reuniu com o advogado Frederick Wassef. Segundo Wassef, o encontro ocorreu no exercício de sua atividade profissional e o conteúdo da conversa está protegido pelo sigilo entre advogado e cliente.

Terça-feira, 27 de outubro

Nas primeiras horas do dia, o portal de notícias argentino Infobae foi o primeiro a trazer a informação de que Flávio Bolsonaro teria atravessado a fronteira em direção ao aeroporto de Puerto Iguazú, na Tríplice Fronteira, onde um jatinho fretado vindo de Buenos Aires o aguardava para viajar rumo aos Estados Unidos. 

O avião pousou às 23h45 de segunda-feira (26) e ficou parado ao longo de toda a terça-feira no pátio. O jato Gulfstream G400, matrícula LV-JQW pertence à empresa Baires Fly S.A., de aviação executiva.  Segundo o jornal Clarín, a aeronave LV-JQW sairia às 2h30 de terça para Miami, mas o voo foi cancelado porque a empresa responsável pelo voo não informou a lista de passageiros que estariam a bordo.

Diante da notícia, a Polícia Federal abriu apuração para verificar o paradeiro do senador e acionou as autoridades policiais da Argentina. Como o controle migratório não registrou a saída oficial nos postos da fronteira brasileira, as autoridades passaram a monitorar a movimentação.

Às 11h de terça-feira venceu o prazo estabelecido por Moraes para que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. Como o parlamentar não entregou os documentos, a Polícia Federal e os órgãos competentes determinaram o cancelamento oficial dos seus passaportes. O controle de imigrações da Argentina negou que o senador tenha passado pela fronteira do país ao longo do dia. 

À tarde, a agência de notícias Reuters e autoridades norte-americanas confirmaram que o senador de fato havia deixado o Brasil com destino aos EUA em um jatinho privado acompanhado de seus familiares. O governo dos Estados Unidos e o Departamento de Estado indicaram que concederiam os vistos e autorizariam a entrada do parlamentar no país. Aliados e figuras ligadas ao governo dos EUA,  como o advogado mexicano Simón Levy, também indicaram a chegada dele a território norte-americano.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou reuniões de emergência com a bancada e lideranças do partido para discutir o impacto da saída não comunicada do parlamentar. À tarde, o senador Rogério Marinho (PL-RN) declarou à imprensa que havia falado na manhã de terça com Flávio por mensagem e o senador havia dito que tiraria o dia para descansar.

O senador também teria despistado sua própria equipe de segurança parlamentar. Os agentes não sabiam onde ele estava já na manhã de terça, quando os responsáveis pela escolta tentaram entrar em contato com o senador por telefone, mas não tiveram resposta. Entre 8h e 9h, foram até a residência dele e constataram que Flávio já não estava mais no local. 

No final da noite de terça-feira, Flávio Bolsonaro entrou em território argentino. O governo de Javier Milei confirmou que o senador entrou na Argentina naquele dia, às 22h50, acompanhado da esposa e das duas filhas e embarcou, 40 minutos depois, em um voo particular com destino ao Equador e, posteriormente, aos Estados Unidos. O jato usado foi o mesmo que estava parado no aeroporto de Puerto Iguazú. 

Quarta-feira, 28 de outubro

Às 10h30, Flávio, sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal desembarcaram no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, na Flórida.

A Polícia Federal emitiu uma nota confirmando que ele descumpriu a ordem do STF ao não entregar seus passaportes e deixar o país. A corporação também detalhou que seus documentos de viagem brasileiros foram formalmente cancelados e um alerta migratório foi inserido no sistema Sonar. Apesar disso, a corporação reforçou que o senador não é considerado foragido.

Horas após a chegada em solo americano, o senador divulgou uma carta golpista direcionada ao povo brasileiro e à comunidade internacional. No texto original, Flávio se autodeclarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Ele voltou a questionar a legitimidade do pleito e acusou o Judiciário de perseguição política.

Diante da repercussão imediata e das críticas, o senador apagou a primeira postagem e alterou os termos, passando a se denominar apenas “líder do Brasil” e da oposição. A publicação também virou alvo de piadas e críticas na mídia por ter inicialmente utilizado o brasão oficial da República Velha, período em que o país se chamava “Estados Unidos do Brazil”.

Após a divulgação da carta, o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, também publicou nota reafirmando a vitória de Lula e dizendo que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”.

Marinho também se pronunciou após a divulgação da carta, declarando que nem ele nem o PL podem afirmar que houve fraude nas eleições, porque “não há provas nesse sentido”. Mais cedo, no domingo, o PL já havia reconhecido o resultado.

Por que não é possível afirmar que Flávio fugiu de uma ditadura?

Na carta publicada nos Estados Unidos, Flávio afirmou que deixou o Brasil para escapar do que chamou de “regime de exceção” e de uma perseguição política promovida pelo Judiciário contra sua família. No entanto, essas alegações não demonstram que o país esteja sob uma ditadura.

Segundo o professor de Filosofia e mestre em Ciências da Educação Pedro Menezes, a principal diferença entre democracia e ditadura está na concentração do poder e na garantia das liberdades individuais. Enquanto a democracia permite a participação popular, a pluralidade de ideias, o acesso à informação e a alternância de poder por meio de eleições, regimes ditatoriais restringem direitos, censuram informações e perseguem opositores.

Democracia

  • Participação popular e escolha de representantes por meio de eleições.
  • Pluralidade de ideias e liberdade de expressão.
  • Acesso à informação e ausência de censura estatal como regra.
  • Alternância de poder conforme a vontade dos eleitores.
  • Governantes submetidos à Constituição e às leis.
  • Divisão entre Executivo, Legislativo e Judiciário, com mecanismos de controle entre os Poderes.

Ditadura

  • Concentração do poder nas mãos de um indivíduo ou grupo.
  • Restrição de direitos políticos e liberdades individuais.
  • Censura à imprensa e às manifestações artísticas.
  • Perseguição de opositores políticos.
  • Restrição do acesso à informação e controle da opinião pública.
  • Limitação ou eliminação da alternância de poder.
  • Governantes que atuam sem os mesmos mecanismos de controle e limites próprios de uma democracia.

A existência de críticas a decisões judiciais ou de denúncias de perseguição política, por si só, não caracteriza uma ditadura.

O que Flávio Bolsonaro alegou ao fugir? 

Na carta, Flávio afirmou que houve fraude eleitoral no Brasil, mas não apresentou provas que sustentassem a acusação. O resultado foi reconhecido pela Justiça Eleitoral, além dos Três Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) e de 46 países que acompanharam a votação. O seu próprio partido, o PL, reconheceu a vitória de Lula ainda no domingo.

O senador também alegou ser vítima de um “regime de exceção” e de perseguição política contra sua família. Ao mesmo tempo, o partido conquistou uma bancada expressiva no Congresso Nacional — incluindo dois de seus irmãos, Jair Renan (deputado federal) e Carlos (senador), e sua madrasta, Michelle (senadora) — e segue participando das instituições políticas do país.

Flávio negou que sua saída representasse uma fuga e afirmou que pretende liderar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos. Para justificar a atuação política no exterior, comparou sua situação à de opositores venezuelanos que deixaram o país durante o governo de Nicolás Maduro, como Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. Também citou Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, figuras históricas que exerceram atividades políticas fora de seus países.

Na quinta-feira (29), o influenciador Paulo Figueiredo, que acompanha Flávio nos EUA, afirmou que o senador deseja exercer uma liderança de valor “moral” nos EUA. Segundo ele, a expressão “presidente eleito” foi um erro do ChatGPT na versão anterior da carta, e a expressão “verdadeiro líder”, na avaliação dele, descreve melhor a situação jurídica de Flávio e a intenção dele de atuar nos EUA.

Quais são os próximos passos anunciados por Flávio?

Na carta golpista, Flávio afirmou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos. Ele também prometeu apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar a oposição e impedir o que chamou de consolidação de “um regime ditatorial no Brasil”.

Na tarde de quarta-feira (28), Eduardo Bolsonaro publicou uma foto dos dois juntos no Instagram. Na publicação, afirmou que eles não desistiriam do Brasil.

Até a conclusão desta checagem, Flávio não havia divulgado um pronunciamento ou vídeo detalhando como pretende colocar em prática a estratégia de mobilização anunciada.

Fontes consultadas: O Comprova consultou informações do TSE, da Polícia Federal e do STF, além de reportagens do Infobae, Clarín e Reuters sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e sua chegada aos Estados Unidos. Também ouviu o professor de Filosofia Pedro Menezes sobre as diferenças entre democracia e ditadura.

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta, nesse monitoramento, um tema que gera muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova desmentiu a alegação de que a prorrogação da eleição das 17h até 19h tenha mudado a vitória de Lula. Lupa e O Globo checaram a carta golpista divulgada por Flávio Bolsonaro. 

Eleições

Investigado por: 30/10/2026

Fim da escala 6×1 está mantido, ao contrário do que afirma vídeo

Eleições
Publicação no Instagram afirma que o presidente Lula irá acabar com o novo regime; alegação já foi desmentida pelo governo federal.

São falsas as publicações que dizem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuou, após reeleito, sobre o fim da escala 6×1, aprovada pelo Senado em 14 de outubro. O Comprova investigou um vídeo publicado no Instagram com a afirmação de que “passada a eleição, governo Lula recua e vai manter a escala 6×1 para vários setores”. A alegação foi negada pelo governo federal, e tanto o vídeo verificado quanto a matéria citada no conteúdo foram retirados do ar.

Na terça-feira (27), após a viralização dos conteúdos, o governo federal negou que recuaria sobre o fim da escala 6×1 e publicou um comunicado em seu Instagram alertando para publicações desinformativas. No dia seguinte, o site cuja matéria foi usada no conteúdo investigado publicou um novo conteúdo, reproduzindo o pronunciamento oficial. A página afirmou que o conteúdo anterior havia sido divulgado inicialmente por outro portal de notícias.

Em 16 de outubro, a Emenda Constitucional nº 141 foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). A emenda garante dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente no domingo, e prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. O texto também estabelece regras específicas para determinadas categorias. 

As mudanças começam a valer em 16 de dezembro de 2026, quando o limite será reduzido para 42 horas semanais. Um ano depois, em 16 de dezembro de 2027, a jornada máxima passa a ser de 40 horas semanais.

A previsão de regimes diferenciados de trabalho e de acordos coletivos para compensação de folgas pode ter contribuído para a disseminação de conteúdos desinformativos sobre o fim da escala 6×1. A Emenda Constitucional nº 141 permite que uma lei ou norma reguladora estabeleça condições específicas para esses regimes, como os aplicáveis a trabalhadores embarcados em plataformas de petróleo. Também autoriza acordos ou convenções coletivas a estabelecer regimes compensatórios, desde que garantam, em média, dois dias de descanso remunerado por semana ao longo do mês e pelo menos um dia de folga a cada sete dias. Essas regras não significam que determinados setores poderão manter a escala 6×1 como modelo geral nem que o governo tenha recuado sobre a medida.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

A publicação foi criada por um influenciador digital que até 28 de outubro acumulava mais de 2 milhões de seguidores no Instagram. Em seu perfil, ele costuma publicar Reels semelhantes ao analisado pelo Comprova, nos quais repercute a supostas manchetes de um veículo jornalístico e publicações de outras redes sociais.

O influenciador já publicou outros vídeos criticando Lula e disseminando informações falsas sobre o Tribunal de Contas da União (TCU), aposentados, supostos cortes de verbas públicas pelo governo federal e a regulamentação das redes sociais. O vídeo analisado pelo Comprova foi publicado no dia 26 de outubro e logo depois apagado do perfil. 

A conta do influenciador segue 708 usuários, entre eles familiares, personalidades da internet e políticos como Jair Renan Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Deltan Dallagnol, Tarcísio de Freitas e Donald Trump. 

Foi feito contato com o autor do post, mas ele não respondeu até a publicação deste. texto

Por que as pessoas podem ter acreditado

No vídeo, o influenciador fala em frente à câmera comentando o título “Passada a eleição, governo Lula recua e vai manter escala 6×1 para vários setores”. 

A captura de tela da matéria aparece na gravação. Embora a notícia seja falsa, a reprodução da manchete no vídeo pode conferir credibilidade à alegação, levando o público a acreditar que a informação é verdadeira. 

O autor do vídeo também recorre à polarização política ao usar frases como “Se eu soubesse que ele iria ferrar tanto os petistas, eu mesmo teria votado nele”, que explora a rivalidade entre grupos políticos e pode provocar reações de raiva e indignação.

Fontes que consultamos: O Comprova consultou o perfil oficial do governo federal no Instagram e o Diário Oficial da União onde a emenda foi publicada. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Aos Fatos, UOL e Estadão publicaram verificações sobre o assunto.

Comprova Explica

Investigado por: 29/10/2026

Empresários podem demitir funcionários por posicionamento político? Entenda o que diz a lei

Comprova Explica
Legislação proíbe a dispensa por opinião política; entenda os riscos judiciais para as empresas e como o trabalhador pode se defender.

Conteúdo analisado: Em diversos posts nas redes sociais, empresários afirmam que vão demitir funcionários que votaram para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições no domingo (25). Um dos conteúdos tinha quase 2 milhões de visualizações no TikTok até o dia 30 de outubro.

Comprova Explica: A ação dos empresários, porém, pode configurar crime eleitoral, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT). A seguir, a seção Comprova Explica traz mais detalhes sobre o assunto.

Empresários podem demitir funcionários com base em posicionamentos políticos? 

Não. A demissão de funcionários motivada por qualquer posicionamento político pode configurar discriminação e resultar em consequências judiciais para os empregadores. De acordo com a Constituição de 1988, todo trabalhador tem garantida a liberdade de convicção política; já a Lei 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. Isso significa que o empresário pode ter suas preferências eleitorais e manifestá-las, mas não usar sua autoridade para constranger, ameaçar ou punir seus funcionários pelas suas próprias escolhas políticas.

Apesar de a demissão discriminatória ser uma ilegalidade trabalhista, não configura, por si só, crime eleitoral. Portanto, o empregador pode não ser preso por isso, mas, caso o empregado vá à Justiça e ganhe a causa, terá diversos direitos garantidos, entre os quais: reintegração ao posto de trabalho e/ou indenização por danos morais.

Conforme Isadora Morais Cortez, advogada com atuação em direito eleitoral e digital, o empregador não pode dispensar um funcionário sem justa causa, nem mesmo por motivo discriminatório, e opinião política. Ela destaca que a Constituição diz que “ninguém será privado de direitos por convicção política”. Já o artigo 1º da Lei 9.029/1995 “proíbe prática discriminatória para acesso ou manutenção do emprego”.

Além disso, a Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil, proíbe expressamente a discriminação por convicção política.

O Código Eleitoral tipifica como crime a coação ou o constrangimento ao eleitor com finalidade de direcionar o voto (artigos 297, 299, 300 e 301). O uso da estrutura da empresa para constranger ou coagir trabalhadores caracteriza abuso de poder econômico.

Após o resultado das eleições deste ano, o MPT recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral, que correspondem a 21,4% das 2.467 queixas recebidas pela instituição em 2026. Ameaças de demissão, dispensas, recusa de contratação e outras formas de retaliação motivadas pelo voto dos trabalhadores podem configurar assédio eleitoral e ser alvo de investigação do MPT. De acordo com o órgão, até o fim do primeiro turno, 991 denúncias foram recebidas. No segundo turno, foram registrados 946 novos casos.

O empregador pode exigir saber em quem o funcionário votou? 

“Pela urna, não”, afirma a advogada. O voto é secreto e, por isso, exigir “foto do voto”, ou dados da sua zona eleitoral e seção, respectivamente, é ilícito duas vezes: por tentativa de violar o sigilo e por assédio eleitoral. Em relação aos posts virais, alguns empregadores dizem ter ficado sabendo em quem o funcionário votou pelas redes sociais.

O que fazer se você for demitido por causa do seu voto?

No Brasil, o trabalhador demitido por ter votado em determinado candidato pode denunciar o caso ao MPT, independentemente do estado onde mora. A denúncia pode ser feita mesmo depois das eleições.

Na Bahia, por exemplo, um influenciador digital denunciou um grupo formado por apoiadores de direita no WhatsApp, incluindo empresários, que estariam demitindo funcionários no município de Vitória da Conquista. 

Diante de vários casos no país, o MPT orienta que o trabalhador reúna provas, como guardar mensagens, áudios, e-mails, publicações e informações sobre testemunhas. Em seguida, que registre uma denúncia com pedido de sigilo ou de forma anônima no site do órgão. Também é aconselhado que busque orientação jurídica, como o sindicato da categoria, um advogado trabalhista ou um serviço de assistência jurídica gratuita. 

É indicado, ainda, avaliar medidas judiciais, pois dependendo das provas e das circunstâncias, poderá solicitar indenização por danos morais e, nos termos da Lei nº 9.029/1995, optar pela reintegração com ressarcimento do período de afastamento ou pelo pagamento em dobro da remuneração desse período.

O MPT divulgou uma cartilha sobre assédio no ambiente de trabalho, inclusive relacionado ao eleitoral, para orientar os trabalhadores sobre quais atitudes tomar em relação a algo desse tipo.

Fontes consultadas: O Comprova consultou o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assim como informações do Ministério Público do Trabalho, além de verificar dados sobre assédio eleitoral. 

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta, nesse monitoramento, um tema que gera muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Recentemente, o Comprova verificou um conteúdo descontextualizado que dizia que Lula teria menosprezado garis durante um evento em Belo Horizonte. A iniciativa também verificou que votos registrados após às 17h não alteraram a vitória de Lula e explicou como funciona o voto em presídios.

Golpes virtuais

Investigado por: 29/10/2026

Golpe usa vídeos manipulados de Leonardo, Daniel e Xororó para vender falsos medicamentos para diabetes

Golpes virtuais
Publicações desqualificam tratamentos prescritos por médicos e mentem ao prometer controlar a doença em poucos dias.

Venda de produtos com promessas de tratamentos para diabetes sem eficácia comprovada

Vídeos manipulados por inteligência artificial (IA), conhecidos como deepfakes, usam imagens e vozes dos cantores Leonardo, Daniel e Xororó para divulgar falsos tratamentos para diabetes e promover os produtos Stabilon e Olharix, este último anunciado como colírio. As publicações desqualificam medicamentos prescritos por médicos para tratamento de diabetes e prometem controlar a doença em poucos dias. Os anúncios direcionam os usuários ao WhatsApp para oferecer os produtos sem comprovação de eficácia para os tratamentos anunciados. 

Como os golpistas abordam as pessoas: Golpistas publicam vídeos manipulados por IA no TikTok, usando a imagem de um médico chamado “doutor André” e as imagens e vozes de artistas conhecidos — dos cantores sertanejos Daniel, Leonardo e Xororó, da dupla com Chitãozinho — para simular confiabilidade profissional e relatos pessoais sobre supostos medicamentos para diabetes, o Stabilon e o Olharix. 

As publicações prometem resultados rápidos, exploram questões como a saúde sexual e a autoestima masculinas e incentivam o abandono de medicamentos prescritos, como o Glifage (Cloridrato de Metformina) e a insulina. Os anúncios direcionam os usuários para links que levam a páginas de venda ou conversas pelo WhatsApp, onde o suposto tratamento é oferecido mediante pagamento.

O Comprova tentou entrar em contato através do aplicativo, mas o número de telefone já havia sido excluído da plataforma. Também enviou perguntas ao responsável pela conta do TikTok, mas não obteve resposta. 

Submetemos os áudios dos vídeos à plataforma TruthScan, ferramenta de detecção de conteúdos gerados por IA. A análise apontou 62% de probabilidade de a voz atribuída a Leonardo ser sintética. Já os áudios atribuídos a Daniel e Xororó apresentaram 73% de probabilidade.

I Legenda: Análises da plataforma TruthScan, ferramenta de detecção de conteúdos gerados por IA I

 

Além disso, sinais do uso de IA podem ser vistos a olho nu. No vídeo de Leonardo, por exemplo, a fluência, tanto do cantor quando do suposto apresentador, gera estranheza, e o vídeo repete as mesmas cenas algumas vezes. Também chamam a atenção as deformidades que aparecem no que seria a mão esquerda do cantor.

I Legenda: Alguns momentos do vídeo em que é possível ver deformações típicas de IA na mão esquerda de Leonardo I

 

A assessoria de Leonardo foi procurada e afirmou que o cantor não fez referência nem divulgou os supostos medicamentos, “portanto, o vídeo é falso”, escreveu. As equipes de Daniel e Xororó também foram contatadas, mas não se pronunciaram até o fechamento desta checagem.

Conteúdo verdadeiro distorcido: Os vídeos manipulados por IA utilizam imagens derivadas de vídeos reais.  Um dos vídeos utilizados para criar a publicação é um trecho do programa “Viver Sertanejo”, da TV Globo, em que o apresentador Daniel recebeu a dupla Chitãozinho e Xororó em 22 de dezembro de 2024.  O outro provém de uma entrevista concedida por Leonardo ao jornalista André Piunti, gravada nos bastidores de um show e publicada no YouTube em maio de 2024. Nos registros originais, nenhum dos artistas divulga os produtos anunciados nos vídeos manipulados.

Que táticas eles usam para chamar a atenção: O perfil analisado pelo Comprova usa a fama dos artistas para manipular suas imagens e vozes com IA e dar credibilidade ao anúncio dos medicamentos. As publicações prometem a cura ou o controle da diabetes em poucos dias, desqualificam remédios convencionais e exploram o apelo emocional com relatos falsos sobre problemas de saúde, sexuais e conjugais. 

Além disso, os anúncios no TikTok incentivam o contato rápido pelo WhatsApp para oferecer o suposto tratamento, ativando os gatilhos mentais de ação rápida no público. Nenhum dos dois vídeos apresenta informações importantes sobre o suposto médico, como nome completo, sua formação profissional, número do CRM ou endereço do consultório. Contudo, no vídeo atribuído ao Xororó, enfatiza-se o valor baixo do “tratamento” que seria de parcelas no valor de “oitenta e poucos reais por mês”, um chamariz para possíveis vítimas. 

Qual é o objetivo do golpe: Incentivar as pessoas a abandonar medicamentos prescritos por médicos, como o Glifage (Cloridrato de Metformina) que, inclusive, é citado no vídeo, para comprar os produtos anunciados. Além do prejuízo financeiro, a prática pode colocar a saúde das vítimas em risco.

Riscos à saúde: Em entrevista ao Comprova, a endocrinologista Daniela Gebrim alertou para os riscos de interromper medicamentos para diabetes sem orientação médica. “O risco de complicações a longo prazo aumenta quando um paciente suspende o tratamento”, explica. 

Entre os principais riscos associados à interrupção do tratamento estão:

  • danos aos rins, conhecidos como nefropatia diabética;
  • perda de visão, causada pela retinopatia diabética;
  • lesões nos nervos dos braços e das pernas;
  • complicações cardiovasculares, que afetam o coração;
  • cetoacidose diabética.

Segundo Gebrim, o risco é ainda maior para pessoas com diabetes tipo 1, que dependem da insulina. A interrupção do medicamento, mesmo por poucos dias, pode provocar cetoacidose diabética, uma complicação grave que pode exigir internação hospitalar.

Como se proteger: 

  • Desconfie de anúncios que prometem curar ou controlar a diabetes em poucos dias, especialmente quando usam imagens de artistas conhecidos para dar credibilidade ao produto. 
  • Verifique se a publicidade foi divulgada nos canais oficiais dos artistas e consulte o site da Anvisa para conferir a regularidade dos produtos no Brasil. 
  • Não confie em tratamentos oferecidos por pessoas cuja identidade e qualificação profissional não podem ser verificadas, nem em anúncios que direcionam para conversas privadas no WhatsApp. 
  • Nunca abandone ou altere o uso de medicamentos prescritos sem orientação médica e, antes de iniciar qualquer tratamento, procure um profissional de saúde.

A quem denunciar: \Os anúncios fraudulentos podem ser denunciados diretamente ao TikTok, pela opção “Relatar” na publicação. Também é possível registrar uma denúncia à Anvisa, pelos canais oficiais, como o Fala.BR. Caso a vítima tenha sofrido prejuízo financeiro, deve entrar em contato imediatamente com o banco, guardar comprovantes e registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil. Se o pagamento for feito via Pix, é possível solicitar ao banco a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), embora a recuperação do dinheiro não seja garantida.

Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar. O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais, e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Não é a primeira vez que circulam nas redes sociais vídeos adulterados em que o cantor Leonardo divulga falsos medicamentos para tratar diabetes. Checagem da Reuters em janeiro de 2024 constatou que um vídeo de 24 minutos do cantor para um canal no YouTube sobre nutrição animal foi alterado, inserindo falas sobre ele ter se tratado da diabetes usando um suplemento alimentar. Em certo momento, um número de telefone é citado, induzindo quem assiste ao vídeo a entrar em contato com um falso médico para comprar o produto. Em 2025, o vídeo adulterado digitalmente voltou a circular no Facebook e foi novamente desmentido por checagem da Reuters Fact Check. O Estadão também já investigou sobre deepfakes envolvendo o Dr. Drauzio Varella, em vendas de medicamentos para supostamente curar diabetes. 

Para se aprofundar mais: O Comprova já realizou outras checagens sobre desinformação na área da saúde, como a teoria do “turbocâncer”, que não tem base científica, e a alegação falsa de que a vacina contra a gripe aumenta o risco de adoecer. Também verificou-se que é enganosa a afirmação de que o Brasil comprou uma vacina contra a covid-19 banida em outros países.

Este texto foi produzido por jornalistas que participam do programa de Residência no Comprova e conta com o apoio do TikTok.

Eleições

Investigado por: 29/10/2026

Post atribui a Janja compra de bolsa inexistente no mercado

Política
Diferentemente do que afirma conteúdo viral no X, grife Hermès não lançou modelo de Birkin em sua coleção 2027.

A informação divulgada em post no X de que a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, teria comprado uma bolsa Birkin 2027, da marca Hermès, não procede. A coleção mais recente da grife, Primavera-Verão 2027, apresentada neste mês na Semana de Moda de Paris, não trouxe um novo modelo da bolsa citada no post. 

O lançamento mais recente da Birkin é a Birkin à l’Envers (Inside-Out), apresentada ao público em 2024 – ou seja, diferentemente do que afirma o post, não teria como Janja ter comprado um modelo 2027, pois não houve esse lançamento.

Embora a área de relações públicas da Hermès tenha se negado a informar se houve lançamento em 2027 “por questão de compliance”, o Comprova verificou no site da marca os looks desfilados e pesquisou reportagens sobre moda e verificou que o último lançamento do modelo Birkin foi mesmo há três anos.

Questionada sobre a data de chegada ao Brasil das peças da coleção 2027 apresentadas no desfile de Paris, a Hermès também não respondeu. Afirmou apenas que a Birkin “é um modelo que faz parte da linha de bolsas da Hermès desde 1984 e está sempre presente nas coleções da Maison”.

 

 

A falta de respostas por parte da empresa está ligada ao mistério que ronda a bolsa Birkin. O Comprova tentou ligar em duas lojas da Hermès em São Paulo para perguntar se havia um modelo 2027 e quanto custaria e, em ambas as ligações, o funcionário respondeu que não poderia passar as informações por telefone. 

Segundo reportagem de Veja, “não adianta entrar numa loja da Hermès com o cartão à mostra para levar a sua” porque “as Bir­kins costumam ser vendidas a clientes fiéis, que mantêm um relacionamento de longa data com a marca”. 

O post verificado pelo Comprova afirma que Janja teria pago R$ 130 mil na nova bolsa Birkin. 

As bolsas vendidas no site da grife vão de R$ 15,9 mil e R$ 63 mil, mas, como afirmado acima, não há o modelo Birkin entre as opções vendidas online – é preciso contatar a loja para comprá-la. Em sites de revenda, o Comprova verificou que uma Birkin usada pode custar mais de R$ 183 mil. No ano passado, o primeiro exemplar da bolsa foi leiloado por R$ 55 milhões.

Como pesquisado pela reportagem, não há aparições públicas da primeira-dama usando a bolsa-ícone da Hermès. Em 2024, ela dividiu opiniões por ostentar um sapato de R$ 8,5 mil da grife em um evento em Nova York, como mostrou O Globo.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

Na plataforma X, o usuário se autointitula apenas “João” e se descreve como “jurídico taylor swift, ariana grande, dbd e kimi antonelli”. A conta foi criada em junho de 2026 e tem menos de 1 mil seguidores. 

Com base na análise realizada pelo Comprova, a publicação relacionada a Janja é a que exibe maior número de curtidas no perfil. Até a manhã de 30 de outubro, o post acumulava 10,9 mil curtidas, 1,3 mil compartilhamentos e teve 260 mil visualizações.

O Comprova não consegue contatar o autor do post pois o perfil não permite o envio de mensagens diretas. 

Por que as pessoas podem ter acreditado

Conteúdos de desinformação sobre gastos de Janja com dinheiro público são comuns nas redes sociais. O Comprova mesmo já verificou, por exemplo, ter sido criado com inteligência artificial um vídeo que simulava a primeira-dama ostentando compras com dinheiro público. Nesse sentido, quem não gosta de Janja está mais propenso a acreditar no post sobre a bolsa, pois já acreditou em outras compras que não foram feitas.

Soma-se a isso o fato de algumas informações – como gastos em viagens de Janja ou como custos detalhados da equipe de segurança do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência – serem classificadas temporariamente sob sigilo por razões de segurança da família presidencial. Ao não ter acesso aos dados, as pessoas podem achar que isso acontece pois os gastos são exorbitantes e que Janja gastaria com itens de luxo como uma bolsa Birkin.

O conteúdo de desinformação pode ser interpretado também como sátira, já que o post é acompanhado de um vídeo gerado por inteligência artificial que intercala imagens de uma mulher com feições de Janja dançando em uma casa luxuosa e a bordo de um barco. Tudo ao som da música “Housewife”, em que a artista Tate MacRae canta “Eu só quero ganhar muito dinheiro, ser a minha própria dona de casa”.

Quais as táticas desinformativas utilizadas na publicação

A publicação no X utiliza táticas desinformativas como o apelo à emoção e a polarização para atacar figuras públicas e manipular a opinião pública. Ao atribuir falsamente a compra de um item de luxo a uma autoridade política, a peça emprega o viés de confirmação e a lógica do “nós contra eles”, reforçando estereótipos negativos e gerando indignação entre os leitores. 

Essa estratégia costuma fazer com que o leitor não use seu senso crítico e, assim, não vê a necessidade de duvidar do conteúdo ou mesmo buscar outras fontes além das redes sociais.

Fontes que consultamos: O Comprova fez pesquisas no site da Hermès e buscou reportagens que falassem sobre a bolsa e também sobre Janja. O Comprova também entrou em contato com a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo federal, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto. A Hermès também foi procurada.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Como afirmado acima, o Comprova já verificou outros conteúdos relacionados a supostos gastos de Janja, como vídeo que engana ao utilizar inteligência artificial para simulá-la ostentando compras com dinheiro público e posts que mentem ao dizer que malas com dinheiro foram apreendidas com ela em Moscou. Além disso, Estadão Verifica e Aos Fatos publicaram que vídeo inventava tentativa de compra de mansão nos Estados Unidos pela primeira-dama.

Notas da comunidade: Não havia notas da comunidade no post até a publicação deste texto.

Comprova Explica

Investigado por: 28/10/2026

Votos registrados após as 17h representaram 0,03% do total e não alteraram a vitória de Lula

Comprova Explica
Cerca de 34,4 mil votos foram computados durante a prorrogação, número que não muda o resultado da eleição.

Conteúdo analisado: Posts virais publicados no TikTok e no X alegam que a prorrogação do horário de votação no segundo turno das eleições, que ocorreu no domingo (25), configurou fraude eleitoral e viabilizou a inclusão indevida de votos após o encerramento das urnas para favorecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conteúdos comparam a situação brasileira com as eleições de 2015 na Venezuela em que também houve uma prorrogação do período de votação. 

Comprova Explica: Publicações nas redes sociais que acumulavam mais de 2 milhões de visualizações até 28 de outubro passaram a questionar o resultado do segundo turno das eleições ao associar a extensão do horário de votação a uma suposta fraude. As alegações dão a entender, sem fundamento, que o adiamento teria permitido a inserção de votos ilegais após as seções eleitorais já terem encerrado as atividades e comparam de forma enganosa a situação com o caso venezuelano.

A narrativa é enganosa. A prorrogação da votação até as 19h ocorreu por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) após pedidos formais de ambas as campanhas presidenciais – de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL) –, valendo estritamente para as seções eleitorais que ainda não haviam encerrado os trabalhos às 17h. Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) afirma que o software lacrado da urna eletrônica impossibilita tecnicamente a inserção de votos após a impressão do Boletim de Urna (BU), e os 34.393 votos computados após as 17h representaram uma fração mínima do total, sem capacidade matemática de alterar o resultado.  

Ao contrário do que ocorreu nas eleições legislativas de 2015 na Venezuela, em que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) prorrogou o período de votação sem qualquer pedido dos representantes políticos, o pleito brasileiro registrou pedidos de ambos os candidatos ao Planalto. A prorrogação aqui no Brasil, se deu pelos diversos relatos de falta de ônibus no transporte público em cidades como Salvador e São Paulo. Além disso, no pleito de 2015, mesmo com a prorrogação, a oposição obteve vitória com 122 cadeiras eleitas frente às 55 da ala de Maduro. 

A redução da frota de ônibus em Salvador levou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) a determinar a prisão em flagrante de Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade do município. Já na capital paulista, o levantamento feito por Igor Novaes Lins, pesquisador no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), identificou uma redução de 31,4%, ou aproximadamente 3,2 mil ônibus, de sexta-feira para domingo. 

Abaixo, a seção Comprova Explica traz detalhes da decisão, o funcionamento das urnas e os números oficiais do pleito.

Por que o horário de votação foi estendido e quem solicitou a medida?

A ampliação do horário foi solicitada no domingo de votação pelas campanhas presidenciais concorrentes: a de Lula e a de Flávio Bolsonaro. Ambas alegaram à Justiça Eleitoral dificuldades logísticas enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação. Após mais de duas horas sem uma ação do órgão eleitoral, a campanha de Lula recorreu ao STF pela prorrogação em locais de votação dos municípios baianos. 

Enquanto a campanha do PT apontou retenções e problemas de deslocamento em diferentes estados, com ênfase na Bahia, a campanha de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relatando que temporais severos, alagamentos e quedas de energia prejudicaram o acesso dos cidadãos às seções em municípios de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. 

Os pedidos foram examinados pela Presidência e pela Corregedoria do TSE no início da tarde e redistribuídos ao ministro Cristiano Zanin, do STF, que deferiu medida cautelar determinando a extensão do prazo por duas horas. 

Quem determinou a prorrogação e como ela foi comunicada aos estados? 

A decisão partiu do ministro Zanin, por volta das 17h de domingo. Na sequência, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, assinou às 17h49 um ofício formalizando a orientação aos TREs e aos juízes eleitorais de todo o país.

Como a ordem formal foi transmitida quase uma hora após o fechamento regular das 17h, Zanin emitiu um esclarecimento pontuando que a extensão tinha aplicação exclusiva sobre as seções eleitorais que continuavam abertas por terem eleitores em fila. Em nenhum momento foi determinada a reabertura de locais onde a mesa já havia encerrado a votação e impresso os Boletins. 

O Comprova apurou que os TREs de todos os estados comunicaram o cumprimento da diretriz, seja através de notas oficiais do TSE, publicações nas redes sociais ou comunicação direta com veículos jornalísticos locais. Mesmo assim, em algumas unidades, como o Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, as urnas já tinham sido fechadas quando a informação do TSE chegou aos mesários e presidentes de seções eleitorais. 

A diferença entre o horário previsto e o horário real de votação é evidência de fraude?

Não. A divergência entre as 17h (horário padrão de fechamento) e o término real dos trabalhos em uma seção eleitoral é uma rotina legal e frequente em qualquer pleito no Brasil. 

O artigo 153 do Código Eleitoral e a resolução do TSE nº 23.751/2026 estabelecem expressamente que, às 17h, os mesários organizam a fila existente e distribuem senhas numeradas a partir do último cidadão presente. Todos os eleitores que estiverem na fila nesse momento têm assegurado o direito de votar, não importando a hora em que o atendimento seja concluído. Acontecimentos operacionais, como troca de baterias ou verificação biométrica em locais de grande afluência, também costumam estender o fluxo. Todos esses horários ficam gravados de forma auditável e transparente no log da urna. 

A prorrogação permite inserir votos depois que a urna foi encerrada?

Não. “Quando a urna é fechada, ela não pode mais ser reaberta”, ressaltou o TRE do Distrito Federal. A afirmação é corroborada pelo secretário de TI do TRE-RS, Daniel Wobeto. Para a Rádio Gaúcha, o secretário afirmou que, após o encerramento da votação pelo mesário, a urna não aceita novos votos. 

“A urna que está encerrada não volta. Ela só serviria para um próximo turno, que não existe. Não há o que fazer”,  afirmou Wobeto no dia 25 de outubro. 

O que a campanha de Flávio Bolsonaro alega como problema?

A contestação da equipe do senador decorre do atraso de comunicação institucional entre a concessão da liminar pelo STF e a notificação aos mesários. Como o ofício do TSE foi expedido às 17h49, a maioria das seções eleitorais do país já havia concluído suas atividades pontualmente às 17h, com os haviam sido BUs impressos. 

A campanha do senador passou a argumentar que o funcionamento estendido de apenas uma parcela reduzida de seções teria provocado quebra de isonomia e assimetria de condições entre os eleitores das áreas atingidas por temporais e os demais, anunciando recursos jurídicos para contestar os procedimentos da data.

Como Lula venceu a disputa no segundo turno?

A virada de Lula no segundo turno decorreu da mobilização de um eleitorado mais numeroso, impulsionado pela expressiva redução de abstenções e votos brancos, somada à captação de votos de eleitores de terceiros candidatos do primeiro turno. 

O segundo turno registrou uma taxa de abstenção de 19,22% — o menor patamar desde a eleição de 2006 e a maior queda histórica de abstenção entre primeiro e segundo turno desde a redemocratização. Esse fenômeno injetou cerca de 4,8 milhões de eleitores adicionais nas urnas, sendo 3 milhões provenientes da diminuição da abstenção e 1,8 milhão da redução de brancos. 

Ao todo, o contingente de novos votos em disputa somou 14,1 milhões. Desses, o petista capturou 10,4 milhões (3 a cada 4 votos novos), enquanto Flávio Bolsonaro somou 3,7 milhões. O crescimento do presidente eleito concentrou-se de maneira expressiva nos dois maiores colégios eleitorais do Brasil: no Sudeste, Lula expandiu sua votação em 4,8 milhões de votos contra 1,7 milhão do adversário; no Nordeste, seu reduto histórico, a preferência pelo petista avançou de 63,8% para 69,4%, ao passo que a do senador oscilou para baixo, de 30,85% para 30,63%. 

Os votos computados durante a prorrogação prejudicaram Flávio Bolsonaro? 

Não. Os dados consolidados demonstram que a prorrogação de horário não teve qualquer peso no resultado matemático da eleição. De acordo com o TSE, após as 17h, foram registrados 34.393 votos no segundo turno. Lula recebeu 64,2 milhões de votos válidos (51,79%), contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (48,21%). 

A diferença entre os candidatos é de 4,4 milhões de votos. Dessa forma, mesmo se nenhum dos votos registrados após as 17h fosse computado, a vantagem de Lula sobre Flávio ainda prevaleceria, o que descarta a possibilidade de o adiamento ter alterado o resultado final.

Fontes consultadas: Decisão cautelar do ministro Cristiano Zanin no Supremo Tribunal Federal (STF). Ofício da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 25 de outubro de 2026 assinado pelo ministro Kassio Nunes Marques. Manifestações oficiais e notas públicas dos Tribunais Regionais Eleitorais (TRE-TO, TRE-RS, TRE-BA e demais unidades federativas). Código Eleitoral – Lei nº 4.737/1965 (Artigo 153). Resolução TSE nº 23.751/2026 (Regras gerais dos atos preparatórios e votação). Portal de Divulgação de Resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Reportagens do Estadão, da BBC e do UOL Notícias cobrindo os acontecimentos de domingo (25), das eleições de 2015 na Venezuela e estatísticas de apuração, dados de abstenção e registro de votos após 17h.

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta, nesse monitoramento, um tema que gera muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova já realizou outras checagens sobre o processo eleitoral, especialmente sobre o processo de entrega das mídias das urnas e a pausa na divulgação dos resultados no primeiro turno. Também checou a troca de seções eleitorais que antecedeu o segundo turno do pleito. 

Eleições

Investigado por: 25/10/2026

Vereadora do PT que sofreu ataque durante carreata em Montes Claros (MG) está viva, ao contrário do que afirma post

Eleições
Vídeo no X desinforma ao afirmar que Iara Pimentel faleceu ao ser atacada em ato de apoio a Lula. Ela foi atingida no rosto e fraturou o nariz, mas sobreviveu à agressão.

Ao contrário do que diz um post com mais de três milhões de visualizações no X, a vereadora de Montes Claros (MG) Iara Pimentel (PT), que sofreu um ataque durante uma carreata na noite deste sábado (24), não morreu. Iara estava em um carro de som na Avenida Sanitária, uma das principais vias da cidade mineira, quando homens vestidos de verde e amarelo começaram a atirar pedras, garrafas e outros objetos em direção ao veículo. Ela foi atingida no rosto e fraturou o nariz, mas sobreviveu à agressão e conseguiu ir votar neste domingo (25).

O que aconteceu com a vereadora? Qual o seu estado de saúde?

A vereadora participava de uma carreata em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Montes Claros, no norte de Minas. Enquanto o carro em que ela estava passava, um grupo de homens, alguns vestidos com camisas verde e amarelo, atiraram objetos em direção ao carro. Imagens publicadas nas redes por apoiadores da vereadora mostram Iara com o rosto ensanguentado e um olho inchado, ainda no carro e logo após ser socorrida.

Após sofrer o ataque, a vereadora foi atendida no Hospital Santa Casa. Ainda na madrugada, às 3h49, a assessoria da vereadora publicou que ela “precisou ser socorrida pelo Samu e [foi] encaminhada ao hospital”. Iara passou por exames, foi medicada e ficou em observação, segundo o texto. O post viral dizendo que a vereadora tinha morrido foi publicado às 2h19 de domingo no X.

A assessoria de imprensa de Iara afirmou que ela teve o nariz fraturado e levou cinco pontos no rosto. Também informou que outro companheiro foi espancado e sofreu mais de 30 chutes na barriga. O nome da vítima não foi informado, mas a assessoria informou à reportagem que ele segue internado em um hospital devido à gravidade dos ataques sofridos.

O Portal MC1 de Montes Claros exibiu imagens da saída da vereadora do  hospital, na cadeira de rodas e bastante machucada, mas que em seguida, foi à PF. 

Na tarde deste domingo, a vereadora publicou em seu Instagram foto em sua seção eleitoral. Na legenda, afirmou: “O meu voto hoje carrega, acima de tudo, coragem, esperança e força”.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

O perfil que publicou o conteúdo é de um usuário que possui mais de 33,2 mil seguidores e tem publicado em suas últimas postagens críticas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) e aos seus apoiadores. Ele foi procurado, mas não respondeu até a publicação deste texto.

Por que as pessoas podem ter acreditado

As pessoas podem acreditar no conteúdo porque as imagens publicadas são reais, embora o desfecho tenha sido diferente do que afirma a legenda. O autor apresentou dois vídeos em seu perfil no X, um de 26 segundos, que mostra o momento do ataque, e outro com cenas da vereadora com sangue no rosto e praticamente desacordada após o ato violento.

O uso de termos alarmistas, como “URGENTE” em letras maiúsculas também faz com que as pessoas se preocupem e, assim, não reflitam se o conteúdo pode ou não ser verdadeiro. 

Fontes que consultamos: O Comprova manteve contato com a assessoria de comunicação da vereadora e também acessou publicações feitas nas redes sociais da própria parlamentar após o ocorrido. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Neste segundo turno, o Comprova já publicou sobre o que se sabe a respeito do caso Ana Clara, a menina de 5 anos morta com um tiro de fuzil por um policial militar do Rio de Janeiro, defendido pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

Notas da comunidade: Uma nota da comunidade foi adicionada ao post às 9h34 deste domingo. A nota afirma que a notícia de que a vereadora morreu é falsa e que, apesar de ter sido atingida no rosto por um tijolo, ela sobreviveu. Há dois links usados como fonte na nota da comunidade: uma matéria da revista Carta Capital e outra da Folha de S. Paulo.

Eleições

Investigado por: 25/10/2026

Gol cancelou apenas um voo de Porto Alegre para Salvador na véspera do 2º turno, e não todos os voos do Sul para o Nordeste

Eleições
Passageiros do voo G3 1979 foram reacomodados no sábado e no domingo, segundo a companhia; Anac afirmou não haver anormalidades no fluxo aéreo.

Ao contrário do que afirmam posts que viralizaram nas redes sociais desde a noite de sábado (24), véspera do segundo turno das eleições, a Gol não cancelou vários voos saindo do Sul para o Nordeste do Brasil com o intuito de prejudicar pessoas que votam na região nordestina. Apenas um voo foi cancelado, G3 1979, de Porto Alegre (RS) para Salvador (BA). Ao Comprova, a companhia aérea negou que o cancelamento tenha motivo político-eleitoral e alegou problemas técnicos na aeronave. 

I Comunicado da companhia aárea Gol I

 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) publicou uma nota na noite de sábado esclarecendo que não havia anormalidades no fluxo aéreo brasileiro. A agência disse ainda que “reforçou a atenção” em relação a atrasos e cancelamentos em razão das eleições.

Como o cancelamento do voo impactou os passageiros?

O Comprova consultou o site FlightAware na noite de sábado e verificou itinerários da Gol partindo de Porto Alegre para 14 aeroportos do Nordeste. O único voo da companhia com situação “Cancelado” identificado nessa consulta foi o GLO1979, de Porto Alegre para Salvador.

O mesmo voo aparecia como primeiro trecho de conexões para destinos como Recife, Natal, João Pessoa, Maceió, Fortaleza, São Luís e Porto Seguro. Isso significa que passageiros com destinos finais diferentes poderiam ter sido afetados pelo cancelamento de um mesmo voo de origem.

Cancelamento de voo é normal aos sábados?

O Comprova consultou a base Voo Regular Ativo (VRA), da Anac, que registra cada trecho de voo previsto, de um aeroporto a outro, e se ele foi realizado ou cancelado. De setembro de 2025 a agosto de 2026, a Gol teve 75 voos sem escala previstos de Porto Alegre para aeroportos do Nordeste (74 para Salvador e 1 para Porto Seguro), de um total de 7.043 partidas da companhia na cidade. A maior parte dos voos da Gol que saem de Porto Alegre vai para Congonhas (2.614), Galeão (1.753), Guarulhos (1.688) e Brasília (697). Dos 75 voos sem escala para o Nordeste, 48 foram aos sábados, um por sábado, e nenhum foi cancelado.

No mesmo período, considerando todos os destinos, e não só o Nordeste, 8 dos 856 voos da Gol previstos saindo de Porto Alegre aos sábados foram cancelados, uma taxa de 0,93%, e houve ao menos um cancelamento em 8 dos 52 sábados. Nos demais dias da semana, as taxas de cancelamento variaram de 0,87% a 1,73%. Nas vésperas dos dois turnos de 2022 (sábados 1º/10 e 29/10/2022), a companhia não cancelou nenhum voo saindo de Porto Alegre. Os dados de setembro de 2025 a agosto de 2026, portanto, não indicam que os cancelamentos de sábado sejam incomuns na operação geral da companhia em Porto Alegre, nem um padrão de cancelamento dos voos para o Nordeste, que não tiveram nenhum cancelamento no período.

A base da Anac é publicada mensalmente e com atraso. Na data desta verificação, agosto de 2026 era o mês mais recente disponível, e por isso os dados oficiais ainda não registram o dia 24 de outubro.

O que diz a Gol

Em nota divulgada no sábado, a Gol informou que a aeronave do voo G3 1979, entre Porto Alegre e Salvador, apresentou problemas técnicos e que, por isso, o voo foi cancelado.

A companhia reitera que os passageiros receberam as tratativas previstas na Resolução 400 da Anac e foram reacomodados em outros voos, com possibilidades de partida entre sábado e domingo. A Gol também informou que criou um voo extra, com previsão de saída de Porto Alegre à 1h de domingo (25) e chegada a Salvador por volta das 4h. Segundo o rastreador de voos FlightAware, o voo extra, GLO9230, decolou à 1h e chegou a Salvador às 3h50. A companhia não informou quantos dos 184 passageiros do voo cancelado embarcaram nele nem se todos chegaram ao destino a tempo de votar. 

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

Afirmações de que vários voos partindo do Sul do Brasil rumo ao Nordeste foram cancelados no sábado viralizaram nas redes sociais, com usuários sugerindo motivação eleitoral. Os conteúdos acusavam a Gol de impedir que eleitores de Lula (PT) chegassem a suas cidades no Nordeste para votar neste domingo (25).

Uma das postagens analisadas pelo Comprova inclui um vídeo que registra alvoroço no aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, e afirma que passageiros relataram o reagendamento de voos da Gol para domingo, dia da eleição. A postagem alcançou 269 mil visualizações até 12h deste domingo.

Outra, de um perfil que se apresenta como de notícias, generaliza o caso e diz que a companhia cancelou os voos do dia que partiriam do Sul para o Nordeste. Essa publicação também associa o episódio à disputa eleitoral por meio da hashtag #NordestinosComLula. Essa postagem atingiu 169 mil visualizações até 12h deste domingo.

Os perfis foram procurados pelo Comprova para posicionamento, mas não retornaram até o fechamento desta verificação.

Por que as pessoas podem ter acreditado

Os posts usam o apelo a emoções como revolta e pânico para que as pessoas acreditem nos conteúdos sem refletir. Chamadas em letras maiúsculas — “BREAKING NEWS” e “URGENTE” — dão a sensação de algo alarmante e, assim, a chance de a pessoa duvidar do conteúdo e buscar fontes confiáveis além das redes sociais diminui.  

Fontes que consultamos: O Comprova consultou a Base Voo Regular Ativo, da Anac, e voos na plataforma FlightAware. Também consultou a assessoria de imprensa da Gol e notas à imprensa publicadas pela Anac.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Ainda sobre eleições, o Comprova publicou recentemente textos sobre o que diz o Tribunal Superior Eleitoral sobre mensagens que orientam testar a urna e votar cedo e como funciona o voot

Notas da comunidade: Não havia notas da comunidade publicadas no X até a publicação do texto..

Contextualizando

Investigado por: 24/10/2026

Bets foram liberadas no governo Temer, funcionaram em ‘limbo jurídico’ na gestão Bolsonaro e foram regulamentadas por Lula

Contextualizando
A paternidade das bets foi tema de discussão no debate da Globo, em que Flávio Bolsonaro (PL) acusou Lula (PT) de ser ‘pai do tigrinho’ e o petista atribuiu o surgimento do jogo à gestão Bolsonaro.

Conteúdo analisado: O surgimento das bets e dos cassinos online, como o “jogo do tigrinho”, ganhou repercussão nas redes sociais durante o debate presidencial da Globo nesta sexta-feira (23). O senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) acusou o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ser o “pai do tigrinho”, enquanto o petista atribuiu a criação do jogo à gestão de Jair Bolsonaro (PL). 

Onde foi publicado: X.

Contextualizando: As bets foram liberadas no Brasil pela primeira vez pelo governo de Michel Temer (MDB) em dezembro de 2018 com a  Lei 13.756, que autorizou apostas de quota fixa sobre eventos esportivos, mas sem prever a liberação do chamado “tigrinho”, modalidade que consiste em apostas por geradores aleatórios. 

Entre 2019 e 2022, durante o mandato de Jair Bolsonaro, as plataformas de apostas passaram a disponibilizar os cassinos online, que operaram sem autorização legal. Bolsonaro deixou o governo sem novas leis de regulamentação do setor. 

Em dezembro de 2023, o governo Lula sancionou a Lei 14.790 que, além das apostas esportivas de quota fixa, passou a regulamentar o “tigrinho”.

Quando as bets foram liberadas? 

A liberação inicial das apostas online no Brasil ocorreu durante o governo Michel Temer (MDB), já no fim do mandato dele, por meio da Lei nº 13.756, de 12 de dezembro de 2018, cuja origem foi a conversão da Medida Provisória nº 846/2018, que legalizou a modalidade lotérica de “apostas de quota fixa” em eventos esportivos. A lei permitiu a atividade no país durante dois anos, prorrogáveis por mais dois, até que o Poder Executivo regulamentasse o setor.

O prazo legal para a edição dessa lei terminou em dezembro de 2022, período em que Jair Bolsonaro já estava derrotado nas urnas. As bets operaram sem qualquer regulamentação durante o governo Bolsonaro. Neste período, o setor funcionou em um “limbo jurídico”, no qual plataformas sediadas no exterior prestavam serviços aos brasileiros sem pagar impostos locais, fiscalização, nem regras de proteção ao consumidor e combate à ludopatia, o vício em apostas.

Quando as apostas e o ‘tigrinho’ foram regulamentados? 

A regulamentação teve início em julho de 2023, durante o governo Lula. A primeira iniciativa adotada pelo Executivo foi a Medida Provisória nº 1.182, de 24 de julho de 2023, que estabeleceu regras para a operação das bets, como a exigência de sede no Brasil e a tributação de 18% sobre a receita bruta das empresas (Gross Gaming Revenue). A proposta inicial do governo não incluía os cassinos online.

O “jogo do tigrinho” só seria acrescentado pelo relator da proposta, o deputado federal Adolfo Viana (PSDB-BA), durante a tramitação do projeto na Câmara dos Deputados. Posteriormente no Senado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou contra essa inclusão e apoiou o texto de Carlos Portinho (PL-RJ) para restringir as apostas aos eventos esportivos reais. Apesar de aprovada, a mudança apoiada por Flávio foi revertida pela Câmara. 

A partir desse projeto aprovado no Congresso, Lula sancionou a chamada Lei das Bets, que anulou as regras previstas inicialmente pela MP e definiu o novo marco regulatório do setor. Foi nesta lei que, além das apostas esportivas de quota fixa, passaram a ser regulamentados os jogos de cassino online. Também estabeleceu a exigência de uma contraprestação de outorga — um pagamento de R$ 30 milhões ao governo federal para que as empresas obtivessem autorização para operar no país por cinco anos —, a proibição de pagamento das apostas por cartão de crédito e a obrigação de identificação do usuário por meio de biometria. 

Regras de jogo responsável

Após a regulamentação sancionada, o governo Lula também publicou o Decreto nº 11.905, de 30 de janeiro de 2024, que criou a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) no âmbito do Ministério da Fazenda, com a função de credenciar e fiscalizar os operadores. 

A criação da SPA foi seguida pela publicação de portarias e instruções normativas para regulamentar as operações de cassinos online e bets. A primeira delas foi a SPA/MF nº 827/2024, que definiu os procedimentos administrativos e os requisitos operacionais e financeiros que as empresas deveriam cumprir para obter a autorização para explorar apostas.

A portaria estabelece, entre outros pontos, requisitos mínimos de governança como obrigação de as empresas terem sede no Brasil e serem apenas sociedades empresariais. Além da comprovação de que pelo menos um dos integrantes do grupo tenha experiência profissional mínima de três anos no setor de jogos e apostas e da necessidade de apresentar certificação técnica do sistema de apostas emitida por laboratórios de testes independentes e reconhecidos pela SPA/MF. Ainda, as empresas devem oferecer atendimento aos usuários em língua portuguesa, 24 horas por dia e sete dias por semana.

Na sequência também foi publicada a portaria nº 1.231, em 31 de julho de 2024, que estabeleceu a política de integridade social, focando na prevenção do vício, no combate ao endividamento e nas regras para ações publicitárias e influenciadores. No que tange à publicidade e marketing das bets, houve a vedação expressa a qualquer anúncio que sugerisse a obtenção de renda extraordinária, enriquecimento rápido, retorno garantido ou facilidade de ganhos por meio de apostas.

A portaria ainda proibiu que influenciadores e personalidades públicas apresentassem as apostas como um investimento ou estilo de vida garantido e estabeleceu a exigência do uso de cláusulas e avisos de advertência claros e visíveis, como: “Aposte com responsabilidade” ou “Proibido para menores de 18 anos”. O dispositivo ainda obrigou a criação de ferramentas de identificação e alertas para perfis de apostadores de risco ou com indícios de compulsão e exigiu que funcionalidades para que o próprio usuário pudesse definir seus limites de tempo e de perdas. 

Quando e por que as bets foram proibidas? 

Faltando nove dias para o primeiro turno das eleições de 2026, o governo Lula proibiu as apostas, tanto as bets, quanto os jogos de cassino online, a partir da Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026. A medida foi justificada pelo crescente endividamento das famílias, pelo aumento dos custos no sistema de saúde pública e pelos apelos populares por proteção aos consumidores. 

Para garantir uma transição ordenada e o encerramento das atividades, a medida estabeleceu um cronograma de desativação em três etapas. No mesmo dia da proibição, entrou em vigor a suspensão imediata de novos depósitos nas plataformas, enquanto o dia 5 de outubro foi fixado como o prazo limite para que os apostadores pudessem resgatar os saldos remanescentes em suas contas. Por fim, no dia 6 de outubro de 2026, determinou-se o bloqueio definitivo e a retirada do ar de todos os sites e aplicativos de apostas em funcionamento no país.

Impactos das bets na saúde mental e financeira dos brasileiros

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgada em abril de 2025, revelou que ao menos 11 milhões de brasileiros faziam uso perigoso das apostas. O público mais vulnerável se concentrava na parcela dos adolescentes, que apresentavam uma maior chance de desenvolver ludopatia. Ainda de acordo com a pesquisa, cerca de 1,4 milhão de brasileiros apresentaram transtornos de jogo, com prejuízos pessoais, sociais e financeiros.

Na esfera econômica, dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) mostraram que as famílias brasileiras perderam cerca de R$ 62,5 bilhões para as bets, quando se considera a diferença entre o valor apostado e o devolvido em prêmios. Isso equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, de outubro de 2024 a março de 2026. 

Essa perda refletiu no endividamento da população brasileira, que bateu recorde neste ano ao atingir 82% das famílias com algum tipo de dívida a vencer. De acordo com um estudo feito pelo Sicredi, clientes que realizaram apostas apresentaram uma taxa de inadimplência 40% superior àqueles que não jogavam. 

Fontes consultadas: O Comprova analisou a legislação vigente, disponível desde 2018, cujo conteúdo está disponível em sites oficiais do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda. Também consultou textos do UOL e g1, além de checagens já feitas sobre o assunto pelo Aos Fatos e pela Lupa. 

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: A seção Comprova Explica mostrou por que apostas digitais não garantem retorno financeiro e como identificar plataformas autorizadas pelo governo federal.

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Investigado por: 24/10/2026

Entenda os fatos, as alegações e a situação judicial sobre o caso da menina Ana Clara

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Morte de criança de cinco anos por tiro de fuzil em Niterói (RJ) aguarda júri popular; recursos da defesa foram negados pelos tribunais superiores; Flávio Bolsonaro advogou para o policial acusado de ser o autor do disparo.

Conteúdo analisado: No debate com presidenciáveis desta sexta-feira (23), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou o caso de Ana Clara, menina de 5 anos morta por disparos de fuzil, cujo acusado é o policial militar Bruno Dias Delaroli. Ele tem entre seus advogados o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que chamou a  mãe no debate pelo nome da filha morta. Flávio alegou que, no dia do assassinato de Ana Clara, o que ocorreu foi uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada. Em vídeos publicados nas redes sociais, a mãe também nega que tenha havido uma troca de tiros.

Contextualizando Em 2 de fevereiro de 2021, às 10h50, a menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, foi atingida por um tiro de fuzil enquanto brincava com o irmão de 2 anos em frente à sua casa, na travessa Alvorada, bairro do Badu, em Niterói (RJ). 

A criança foi socorrida por sua mãe, Cristiane Gomes da Silva, e levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, mas não resistiu aos ferimentos.

O acusado pelo disparo é o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, preso em flagrante na ocasião. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), após as investigações, denunciou o policial por homicídio qualificado com dolo eventual, sustentando que ele efetuou disparos com fuzil calibre 7,62 mm em direção a uma área residencial e de lazer, assumindo o risco de matar.

A defesa do policial alegou no processo que o disparo ocorreu durante um confronto com traficantes. No entanto, a denúncia do Ministério Público aponta que não há indícios de agressão prévia contra os agentes. Além disso, a Polícia Militar informou que não houve confronto na comunidade naquele momento. A perícia recolheu no local apenas munições de calibre 7,62 mm e a mãe da vítima declarou que o militar foi o único a atirar.

Em 2024, o senador Flávio Bolsonaro passou a integrar a equipe de defesa do policial acusado sem cobrar honorários dele, por meio do Instituto Família Policial, conforme apurado pelo UOL. A atuação do parlamentar consistiu em assinar recursos e acompanhar reuniões com magistrados em tribunais superiores para tentar anular a decisão que determinou o julgamento por júri popular.

No debate da Globo, na sexta-feira (23), Flávio disse confiar que “não foi esse policial” o autor do disparo que matou a criança, porém, sem mencionar qualquer evidência para embasar sua afirmação.

Apesar dos pedidos interpostos pela defesa, os recursos foram rejeitados pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que confirmaram a realização do júri popular.

O réu responde ao processo em liberdade desde novembro de 2021. A data do julgamento passou por alterações por causa de recursos da defesa interpostos ao TJRJ, ao STJ e STF, estando agendada para 5 de maio de 2027. Segundo relatos da mãe da vítima, o reagendamento mais recente ocorreu devido a compromissos de agenda da juíza do caso, não havendo documentos nos autos que atribuam os adiamentos à atuação da defesa do policial.

À Agência Pública, Cristiane conta que nunca foi procurada por nenhum representante do Estado. “Acordo todos os dias sem minha filha e nunca ouvi um pedido de desculpas do Estado. Nunca quis tratamento psicológico, mas hoje sei como faz falta. Tem dias que eu não durmo. Fim de ano piora, perto do Natal. Aí no começo do ano tem o aniversário dela. Eu evitava ver fotos e vídeos porque me faz mal, mas aí vem a saudade. Hoje ela teria 11 anos, fico pensando ‘como ela seria, qual seria o tamanho dela?’ Meu filho pergunta sobre ela, mas me pede para eu não ficar triste, diz que não quer mais perder ninguém”, contou a mãe de Ana Clara.

Fontes consultadas: O Comprova consultou checagens feitas por outras agências, como Aos Fatos, Lupa e AFP, reportagens publicadas pelo UOL, pela  Agência Pública e pela Rádio Tupi, além de decisões judiciais do processo junto ao STJ e ao STF. 

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Há reportagens publicadas sobre o caso Ana Clara em vários veículos de imprensa, como em O Globo; no ICL, primeiro veículo a noticiar o fato; no Metrópoles, e no canal Revelando, no YouTube.