O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a golpes e fraudes virtuais.
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Investigado por: 04/10/2026

Post inventa alerta de segurança devido a riscos de ‘acidente’ e ‘golpe’ nas eleições

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Polícia Federal nega ter emitido aviso sobre ameaça de ‘acidente e golpe’ no pleito; TSE afirma que votação transcorre com ‘normalidade’.

Não é verdade que autoridades tenham emitido um alerta aos eleitores devido a ameaças de segurança e golpe de Estado neste domingo (4), diferentemente do que alegou um post no TikTok. Ao Comprova, a Polícia Federal (PF) informou que não fez o aviso.

Sem apresentar fontes, o conteúdo viral – checado por sugestão de um leitor, que o enviou para o WhatsApp do Comprova – compartilha a orientação de que pessoas retornem a suas casas após o voto, devido ao “risco de acidentes, brigas ou golpe de Estado”. Contudo, até o momento, não foi identificado registro de problemas de segurança no pleito eleitoral.

Em coletiva de imprensa nesta tarde, ainda durante a votação, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, afirmou que as eleições acontecem com “normalidade”, sem o registro de ocorrência grave. Segundo o ministro, em todo o Brasil, 59 pessoas foram conduzidas pelas forças policiais por suspeita de ilícitos eleitorais.

Na entrevista, Nunes Marques descartou interferência estrangeira nas eleições. “Os nossos relatórios não apontam nenhum tipo de risco, seja ele internacional ou do crime organizado”, disse. As suspeitas sobre as ameaças cresceram após o anúncio de que as embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália permaneceriam fechadas.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

O vídeo desinformativo foi publicado por um perfil no TikTok que acumula mais de 95 mil curtidas e 1.043 seguidores até 4 de outubro. O Comprova entrou em contato com o perfil, mas não obteve resposta até o momento da publicação. 

Com as publicações mais antigas datando de setembro deste ano, o perfil se descreve como uma página de notícias rápida, direta e confiável. Todos os conteúdos publicados seguem o mesmo padrão e tratam das eleições presidenciais com apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). 

Por que as pessoas podem ter acreditado

O conteúdo usa táticas de persuasão para desinformar. O Comprova identificou, entre elas, a estratégia de imitação de fontes confiáveis ao simular uma página de notícias, apesar de não ser um veículo de comunicação verdadeiro. Além disso, usa o apelo à emoção ao empregar a palavra “urgente” para dar gravidade à informação falsa e ao alegar risco à “segurança” de pessoas para causar alarde aos usuários.

Fontes que consultamos: O Comprova consultou a Polícia Federal e buscou por declarações do presidente do TSE publicadas pela imprensa.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já investigou outra alegação falsa de que a PF teria emitido alerta para golpe de Estado após os Estados Unidos terem fechado a sua embaixada no Brasil. 

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Investigado por: 04/10/2026

Avião que capturou Maduro esteve no Brasil para exercício militar e já deixou o país

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Publicação de Pablo Marçal descontextualiza presença de avião dos EUA em treinamento da FAB para sugerir intervenção eleitoral.

É falso que o avião usado pelo governo dos Estados Unidos na captura de Nicolás Maduro esteja no Brasil para levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A alegação circula em um post publicado neste sábado (3). A publicação dá a entender que a aeronave seria usada para levar Lula aos Estados Unidos caso ele perca a eleição no primeiro turno e haja uma tentativa de golpe.

O empresário e influenciador Pablo Marçal publicou o conteúdo no Instagram com a legenda “Se tiver golpe, já sabe”. Mas as imagens do avião dos Estados Unidos foram tiradas de contexto. Contatada pelo Comprova por telefone, a Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou que o avião esteve no Brasil para um exercício militar e retornou aos Estados Unidos em 24 de setembro.

Segundo o G1, o avião Lockheed Martin HC-130J Combat King II esteve na Base Aérea de Campo Grande (MS) para “simular operações de resgate e apoio em áreas de difícil acesso, em um cenário de guerra não convencional”. Ou seja, diferentemente do que o post viral – que teve mais de 12 milhões de visualizações até a publicação deste texto –, o avião não está no Brasil neste domingo (4).

O post mescla imagens da base aérea com um trecho que mostra a jornalista Clarissa Oliveira, da CNN Brasil, dando a notícia sobre a vinda da aeronave. A reportagem foi exibida em 25 de setembro.

Quem criou a postagem e qual é o seu interesse na disseminação do conteúdo?

Marçal tem mais de 13,9 milhões de seguidores no Instagram. Nestas eleições, ele está apoiando o opositor de Lula, Flávio Bolsonaro (PL). Entre os posts recentes dele há, por exemplo, uma imagem do presidente norte-americano Donald Trump com a legenda, em inglês “Trump, salve o Brasil”, e outros conteúdos ligados à direita. 

O empresário foi candidato à Prefeitura de São Paulo em 2024 e tentou buscar a Presidência agora em 2026, mas foi impedido pela Justiça Eleitoral. Ele está inelegível até 2032 por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo ligada a irregularidades em sua campanha à Prefeitura.

Quais táticas de persuasão foram utilizadas pela publicação?

Além da descontextualização – imagens de fim de setembro são usadas como se fossem atuais –, o post se vale da falsa validação de jornalistas ao publicar um trecho da apresentação de uma reportagem da CNN Brasil. Ao fazer isso, a publicação ganha uma aparência de “notícia”, omitindo assim a teoria conspiratória inventada no conteúdo (de que o avião que levou Maduro capturaria Lula). 

O post também faz uso de ironia, sarcasmo e ameaça, com a legenda “Se tiver golpe, já sabe”, incitando o medo e transmitindo uma falsa sensação de poder ou de proteção militar externa.

Fontes que consultamos: O Comprova fez uma busca reversa das imagens exibidas no vídeo, além de elencar notícias sobre o episódio envolvendo uma das aeronaves utilizada na captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, que esteve na Base Aérea de Campo Grande (BACG), no Mato Grosso do Sul, para participar de um exercício operacional. Além disso, o Comprova analisou a reportagem que exibe imagens da jornalista Clarissa Oliveira da CNN Brasil, citada no vídeo. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre as publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Pablo Marçal teve outro post verificado pelo Comprova sobre as eleições publicado neste domingo. O conteúdo é sobre postagem que gera confusão sobre gráfico do mercado de apostas e pesquisa eleitoral. E o Aos Fatos verificou que vídeos não mostram movimentação militar americana em solo brasileiro para eleições.

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Investigado por: 04/10/2026

Gráfico que mostra 60% de chance de vitória para Flávio é de um site de apostas, não de instituto de pesquisas

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Plataforma de previsões não segue metodologia exigida pelo Tribunal Superior Eleitoral para medir preferência do eleitorado.

Conteúdo analisado: Post afirmando que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) estaria com mais de 60% das intenções de voto e, Lula (PT), cerca de 30%. 

Onde foi publicado: Instagram.

Contextualizando: Flávio Bolsonaro (PL) não aparece com mais de 60% das intenções de voto em pesquisas eleitorais, ao contrário do que pode dar a entender publicação em canal oficial de Pablo Marçal. Os dados apresentados na postagem, feita neste sábado (3) no Instagram, referem-se a indicadores da plataforma de apostas Polymarket, que não utilizam a mesma metodologia ou critérios exigidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em pesquisas eleitorais.

A Polymarket é uma plataforma de mercado de previsões baseada em criptomoedas, em que usuários podem apostar em eventos futuros, como resultado de eleições, partidas esportivas e até cenários de guerras. Uma investigação do Aos Fatos também mostrou que a própria campanha do Flávio e outros candidatos tem compartilhado as apostas da Polymarket como pesquisas oficiais. A legislação eleitoral proíbe a divulgação de dados que não sejam das pesquisas registradas.

A postagem mostra um gráfico com o título “Eleição Presidencial do Brasil” e o logo da Polymarket, em que Flávio aparece com 60% e Lula com cerca de 30%, sem indicar o que as porcentagens representam. O post ainda afirma: “Deu ruim para o PT. O STF proibiu esse site e ele nunca errou uma eleição”. Desde abril deste ano, a plataforma está proibida de ofertar e divulgar serviços no Brasil após proibição do governo federal.

Diferentemente do que aponta a plataforma de mercado de previsões, as pesquisas eleitorais mais recentes mostram os candidatos do PL e do PT empatados no primeiro turno dentro da margem de erro. O Datafolha, divulgado neste sábado (3), por exemplo, aponta Lula com 45% das intenções de voto e Flávio com 42%. Já a Quaest indica 46% para o petista e 45% para o candidato do PL. 

Para a realização de pesquisas eleitorais, o TSE estabelece uma série de informações que devem ser entregues ao órgão para a avaliação. Entre elas, estão o contratante, a metodologia, o plano amostral dos entrevistados, a margem de erro, o nível de confiança e o questionário. As probabilidades calculadas pela Polymarket não atendem nem se incluem nesse cenário. 

O Comprova já explicou como são as metodologias e processos envolvidos nas pesquisas. 

Quem fez a postagem e qual é o seu interesse na disseminação do conteúdo?

A publicação foi feita pelo perfil oficial de Pablo Marçal no Instagram. Com 13,9 milhões de seguidores, Marçal é empresário e já se candidatou à Prefeitura de São Paulo em 2024. Nas eleições deste ano, ele chegou a tentar registrar sua candidatura para a Presidência, mas ela foi rejeitada pelo TSE. 

Até 2032, Marçal está inelegível por ter sido condenado pela Justiça Eleitoral de São Paulo por ofertar gravações de vídeos para vereadores e prefeitos em troca de doações em dinheiro. Sem poder concorrer nas eleições de 2026, Marçal faz parte da equipe de campanha de Flávio Bolsonaro e tem publicado conteúdos de apoio à candidatura do PL para a Presidência. 

O Comprova entrou em contato com o Pablo Marçal pela DM do Instagram, mas não obteve retorno até o momento da publicação. 

Por que as pessoas podem ter acreditado? 

Ao não oferecer o contexto completo dos números apresentados no gráfico que trata das eleições presidenciais, a postagem induz o usuário a relacionar as porcentagens às pesquisas eleitorais. Além da descontextualização sobre a natureza dos dados, o post ainda não esclarece que a Polymarket, indicada como fonte do gráfico, é uma plataforma de apostas, e não um instituto de pesquisa. 

Outra tática de convencimento presente no material é o apelo emocional atrelado à polarização, uma vez que se utiliza de termos como “comunista” para se referir ao candidato do PT e aciona um senso de urgência com as frases “Vai ser loucura amanhã. Compartilhe, pq o povo acordou”. O viés de confirmação, tendência a aceitar melhor informações que confirmem crenças próprias, também pode ter levado apoiadores de Flávio a acreditar na postagem. 

Fontes que consultamos: O Comprova buscou informações em sites jornalísticos e os resultados das pesquisas eleitorais mais recentes. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Nestas eleições, o Comprova verificou que a rejeição de 68% a Lula no Paraná é real, mas não indica “derrota iminente”, diferentemente do que afirma o post. Na seção Comprova Explica, você lê detalhes sobre métodos usados em pesquisas eleitorais.

 

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Investigado por: 03/10/2026

Vídeo de policiais com denúncia infundada sobre urnas eletrônicas é de 2018

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Conteúdo sobre suposta fraude no Distrito Federal circula em períodos eleitorais desde 2018, como já verificado pelo Comprova.

Não é verdade que as urnas do Distrito Federal já tenham votos computados antes do pleito nem que seus lacres eletrônicos tenham sido violados. O vídeo com a suposta denúncia de fraude eleitoral, que já foi verificado pelo Comprova e declarado infundado pela Polícia Federal (PF), foi gravado e veiculado durante as eleições de 2018. 

| Legenda: Análise de frame do vídeo no Google Lens |

 

O conteúdo desinformativo voltou a viralizar em outras eleições, como mostrou o Estadão Verifica em 2020. O vídeo mostra dois policiais militares em frente ao prédio da Polícia Federal do Distrito Federal denunciando uma suposta fraude eleitoral depois de terem sido acionados por um representante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “A urna que deveria estar zerada já veio com a suspeita de ter votos impressos nela”, diz um dos indivíduos no vídeo. Outra alegação feita pelo segundo agente é de que o lacre eletrônico da urna havia sido violado. 

Em 2018, a denúncia foi investigada pela PF e pelo Ministério Público Federal e, após colhidos os depoimentos, não foi comprovada. O caso ocorreu na região do Guará, que faz parte da 9ª Zona Eleitoral. Diante da situação, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) apurou que houve, na verdade, um desconhecimento técnico do colaborador contratado pelo tribunal. 

TRE-DF e TSE descartaram irregularidade após apuração

De acordo com o TRE-DF, o boletim de urna e a zerésima foram emitidos sem alterações. O primeiro documento mostra, ao final do pleito, todas as informações sobre os votos dados a cada candidato, partido político, votos brancos, votos nulos, número da seção, identificação da urna e a quantidade de eleitores que votaram naquele aparelho. Já o segundo documento é assinado no início da votação pelo presidente da seção, pelos mesários e pelos fiscais dos partidos ou coligações, e mostra a identificação da máquina e a comprovação de que nela estão registrados todos os candidatos e de que não há nenhum voto computado.

Em maio de 2019, os dois policiais do vídeo, que cometeram crime de perturbação dos trabalhos no primeiro turno das eleições de 2018, aceitaram o acordo judicial proposto pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O acordo estabeleceu o pagamento de um salário mínimo, no valor de R$ 998 (valor da época), por cada agente à Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias. 

Quem criou a postagem e qual é o seu interesse na disseminação do conteúdo?

Um dos vídeos, publicados por um perfil no X que posta conteúdos favoráveis à ideologia da direita, teve ao menos 11 mil visualizações até ser retirado do ar neste sábado (3).

Outro post verificado pelo Comprova foi publicado por um perfil iniciado em abril deste ano e que conta com mais de 10 mil seguidores.

Quais as principais táticas de persuasão na publicação?

O Comprova constatou táticas de persuasão comuns entre quem distribui conteúdos de desinformação com o intuito de descredibilizar o processo eleitoral, principalmente a transparência das urnas eletrônicas. O conteúdo verificado recorre ao apelo às autoridades – os policiais – e à distorção de fatos, explorando a falta de conhecimento técnico de dois policiais para gerar desconfiança. 

Publicada na véspera do primeiro turno, a publicação também explora  o viés de confirmação e o sentimento de pânico.

Fontes que consultamos: O Comprova realizou uma busca reversa no Google Lens e usou o SynthID para analisar a foto de um dos perfis. Também consultou publicações em sites de notícias e nas páginas do TRE-DF, do TSE, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.  

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Como afirmado acima, o Comprova já havia verificado o conteúdo nas eleições de 2018 e, o Estadão, na de 2020. Entre outros veículos que já haviam verificado o mesmo vídeo, estão UOL e AFP. 

Notas da comunidade: Não há notas da comunidade, mas, em um dos posts no X verificado pelo Comprova, um usuário pergunta ao Grok, inteligência artificial da plataforma, se o vídeo é verdadeiro. O Grok responde: “O vídeo é de outubro de 2018, no 1º turno das eleições daquele ano. Mostra os sargentos Ivomar Vieira Padre e Hércules Alves Viana (PMDF) relatando suposta irregularidade em urna na frente da PF em Brasília. A denúncia foi apurada pelo TRE-DF, TSE e pelo MP e considerada infundada. Eles fizeram acordo judicial em 2019”.

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Investigado por: 03/10/2026

Fechamento de consulados e embaixada dos EUA no Brasil alimenta onda de desinformação e alarme político nas redes

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Polícia Federal nega ter emitido alerta para tentativa de golpe nas eleições.

A Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não emitiram  nesta sexta-feira (2) alerta para tentativa de golpe após os Estados Unidos fecharem para atendimento ao público suas embaixadas e consulados no Brasil, ao contrário do que afirmam publicações no X, Facebook e YouTube. 

Ainda na sexta, após o alerta do Departamento de Estado norte-americano, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão, em São Paulo e no entorno do Distrito Federal, para apurar “suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil”, como afirmou o órgão em nota. Mas a PF não encontrou “elementos que corroborassem os riscos inicialmente apontados”, tampouco identificou “quaisquer suspeitos de envolvimento com organizações criminosas”. 

Ao Comprova, a Polícia Federal negou, neste sábado (3), ter produzido qualquer informe ou relatório sobre tentativa de golpe.

I Legenda: Captura de tela da resposta da PF para o Comprova I

 

Assim como a Polícia Federal, a Abin negou ter emitido alerta sobre tentativa de golpe. “Essa informação não procede” afirmou o órgão ao Comprova.

I Legenda: Captura de tela da resposta da Abin para o Comprova I

 

Os posts foram feitos a partir da publicação de um site na sexta-feira. Segundo o texto, o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin, conjunto de entidades da administração pública federal responsável por planejar e executar atividades de inteligência, como a Abin) havia emitido informes sobre uma “Operação Psicológica” desencadeada pela gestão Donald Trump. Essa operação incluiria a suspensão do atendimento na embaixada e nos consulados dos Estados Unidos no Brasil. 

O conteúdo se espalhou rapidamente nas redes sociais. Um dos posts verificados pelo Comprova no X havia alcançado mais de 159,7 mil visualizações até 3 de outubro. No Facebook, um outro post foi visto por cerca de 430 mil pessoas até a mesma data.

Fechamento das representações consulares

O Comprova entrou em contato com o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, uma das representações diplomáticas do país que suspenderam os serviços e o atendimento ao público. O órgão, subordinado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, informou que a “administração Trump tem máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americanos” e que está trabalhando com o serviço diplomático brasileiro para tratar de “questões de segurança”. 

“As embaixadas e consulados dos Estados Unidos no exterior utilizam regularmente o sistema de mensagens STEP, incluindo alertas, para informar os cidadãos americanos sobre ameaças, eventos e mudanças relevantes no contexto local. Estamos trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, afirma o consulado, em nota.

I Legenda: Captura de tela da resposta do Consulado para o Comprova I

 

O que é “operação psicológica”?

Uma Operação Psicológica (mais conhecida pelo termo em inglês psyop) consiste no uso planejado de informações, propaganda e táticas de comunicação para influenciar as emoções, as atitudes e o comportamento de públicos-alvo, conforme estudo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. Historicamente consolidada no jargão militar, a prática serve para desmoralizar tropas inimigas, confundir lideranças adversárias ou conquistar o apoio de populações civis em zonas de conflito, sem focar na destruição física.

Na prática, essas operações utilizam diversos recursos, desde a divulgação de mensagens até a manipulação de fatos para gerar reações específicas, como medo, dúvida ou apatia.

Com o avanço da era digital, o conceito expandiu-se para além dos quartéis, sendo amplamente estudado na sociologia e na comunicação, como escreveu Cristiano Zanin em 2022, antes de ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF), em coautoria com a advogada Graziela Ambrósio. 

Especialistas utilizam o termo para analisar campanhas de desinformação em massa e tentativas de polarização em redes sociais, demonstrando como a manipulação da percepção pública se tornou uma ferramenta central de influência estratégica e geopolítica no mundo contemporâneo.

Por que as pessoas podem ter acreditado

Uma das publicações virais no X emprega o apelo à urgência e o alarmismo ao utilizar termos em caixa alta e narrar uma suposta ameaça iminente de golpe internacional, o que gera forte impacto emocional e prende a atenção do leitor. 

Ao fazer isso, reduz-se a chance de ele refletir sobre o conteúdo ou de buscar outras fontes. Assim, ele acredita na desinformação e ela continua se espalhando.

O post também se aproveita da polarização, do “nós contra eles”, ao falar em tentativa de golpe pela direita e ao chamar o público a votar em Lula (PT) na eleição deste domingo (4). O Comprova alerta que a desinformação eleitoral pode influenciar o eleitor, que deve votar com base em informações íntegras.

Fontes que consultamos: Polícia Federal, Abin, Consulado dos Estados Unidos em São Paulo e reportagem sobre o fechamento de embaixadas e consulados.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Sobre eleições, o Comprova publicou recentemente que o vídeo de Xuxa criticando declaração sobre menores é de 2022 e foi direcionado a Jair Bolsonaro e que Flávio Bolsonaro não viajou aos Estados Unidos em setembro.

Notas da comunidade: Não havia notas da comunidade no X até a publicação deste texto.

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Investigado por: 02/10/2026

Entenda por que as bets foram proibidas enquanto as loterias da Caixa seguem liberadas

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Diferença na regulamentação, natureza do jogo e repasse social explicam por que as loterias federais operam sob regras próprias e sem as restrições impostas aos sites de apostas.

A principal diferença é jurídica: embora as bets e as loterias da Caixa sejam modalidades de aposta, elas seguem regras e regimes legais distintos. As bets começaram a ser legalizadas no final de 2018, quando o então presidente Michel Temer sancionou a Lei nº 13.756. Porém, a regulamentação do setor só avançou de fato em 2023, com a aprovação da Lei nº 14.790, também conhecida como a Lei das Bets. Foi essa legislação que formalizou e estabeleceu as regras para as apostas de quota fixa, que inclui tanto os jogos esportivos quanto os demais tipos de apostas.

Já as Loterias da Caixa surgiram oficialmente em 1961, quando a Caixa passou a administrar as loterias federais do Brasil. Atualmente, suas unidades lotéricas comercializam modalidades como: Mega-Sena, Loteria Federal, Dupla Sena, Quina, Lotomania, Lotofácil, Timemania, Loteca, entre outras.

Segundo Berto Igor Caballero, doutor em Direito Constitucional com ênfase em Inteligência Artificial pelo IDP-DF (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa do Distrito Federal) e professor adjunto da Universidade Federal do Piauí (UFPI), as loterias federais administradas pela Caixa estão submetidas a uma estrutura jurídica própria.

Por que as bets foram proibidas?

Berto Igor Caballero ressalta que a medida do governo em proibir as bets deve-se ao endividamento das famílias; preocupação com o transtorno do jogo compulsivo (ludopatia), que afeta a saúde mental e o bem-estar social de milhares de apostadores; além da proteção de menores e falhas na arrecadação, pois, segundo ele, houve um avanço do consumo de jogos por crianças e adolescentes, assim como prejuízos sociais acumulados mesmo após a regulamentação inicial de 2023.

“É difícil conseguir barrar tudo isso. E como não estava havendo uma fiscalização mais rigorosa quanto às bets, elas se espalharam de uma forma viral e começaram a causar muitos danos. Então, apesar de haver receita de arrecadação para o governo federal, as bets causaram gastos demasiados com saúde pública, principalmente para pessoas diagnosticadas com dependência patológica. Isso também gerou um problema social, e essa é a principal justificativa que fez com que o governo proibisse”, disse.

O que muda com a nova medida provisória?

A Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026, deixou expresso que a proibição das apostas de quota fixa não se aplica às demais modalidades lotéricas autorizadas por lei. Ou seja, a medida não extinguiu as loterias tradicionais da Caixa, mas proibiu a exploração por empresas anteriormente autorizadas pelo Ministério da Fazenda, as apostas de quota fixa, modalidade de loteria em que o apostador sabe com precisão qual será o seu prêmio caso acerte o palpite no momento exato em que faz a aposta, normalmente em competições esportivas.

Outro ponto importante é que a proibição não significa que todas as bets deixarão de operar imediatamente. A MP determinou que as autorizações concedidas com base na Lei nº 14.790, de 2023, sejam extintas ao fim de um período de transição de 30 dias. Durante esse período, permanecem algumas obrigações, como impedir o cadastro de novos apostadores, para o encerramento das operações e a restituição de valores aos usuários das plataformas.

Assim, a diferença não está simplesmente em “uma aposta ser permitida e outra não”. O que mudou foi o regime jurídico das apostas de quota fixa. As loterias tradicionais continuam autorizadas porque possuem outra base legal e não estão incluídas na proibição determinada pela nova medida provisória.

Proibição de jogos privados já ocorreu outras vezes no Brasil

Não é a primeira vez que os jogos de azar explorados por entes privados são proibidos no Brasil. Historicamente, a postura das autoridades brasileiras sempre foi bastante restritiva quanto à jogatina, consolidando um modelo em que a exploração de jogos de azar é proibida como regra geral, cabendo ao Estado o controle das poucas exceções permitidas. O arcabouço jurídico dessa proibição geral teve como marco principal a Lei de Contravenções Penais de 1941, editada durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, que criminalizou formalmente tais práticas no país.

Antes e depois dessa legislação, diferentes modalidades privadas sofreram restrições e banimentos diretos. O jogo do bicho, criado em 1892 como iniciativa do empresário João Batista Viana Drummond para o zoológico do Rio de Janeiro, começou a ser punido pelo poder público em 1899, antes de ser enquadrado na clandestinidade em 1941.

Já os cassinos físicos operados pela iniciativa privada, que haviam sido mantidos como exceção durante a era Vargas, foram expressamente proibidos em 1946 pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, que anulou suas licenças de funcionamento. A partir de então, estabeleceu-se o monopólio estatal sobre as loterias como serviço exclusivo do setor público.

Após terem sido liberados na década de 1990 como uma exceção voltada ao financiamento do esporte (por meio das leis Zico e Pelé), esses estabelecimentos privados voltaram a ser proibidos em 20 de fevereiro de 2004. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou uma Medida Provisória banindo o funcionamento de bingos e caça-níqueis em todo o território nacional após o escândalo de corrupção envolvendo Waldomiro Diniz e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Dinheiro das apostas é transformado em recursos sociais

As duas modalidades têm repasses obrigatórios para áreas sociais, mas em proporções diferentes. Nas Loterias da Caixa, cerca de 48% da arrecadação é destinada por lei a setores como seguridade social, segurança pública, esporte, cultura, educação e saúde. As bets previam uma destinação social com percentual menor: 12% da arrecadação líquida, após o pagamento de prêmios e do Imposto de Renda. Os recursos são destinados a áreas como esporte, turismo, educação e saúde.

Além dos repasses, a legislação das bets prevê medidas de proteção aos apostadores, como restrições à publicidade, mecanismos para impedir o acesso de pessoas proibidas de apostar e ações de prevenção e tratamento da dependência em jogos.

Em 2025, a arrecadação legal das loterias da Caixa garantiu R$ 12,2 bilhões em repasses sociais para o financiamento de políticas públicas, com destinações prioritárias para a Seguridade Social (R$ 4,46 bilhões), Segurança Pública (R$ 2,54 bilhões) e Esporte (R$ 1,92 bilhão), além de aportes na Cultura (R$ 745 milhões), Educação via Fies (R$ 474 milhões) e outras áreas essenciais (R$ 2,06 bilhões) — ritmo que se mantém acelerado em 2026, somando mais de R$ 6,92 bilhões até agosto.

Fontes consultadas: O Comprova consultou a Medida Provisória nº 1.394/2026, as Leis nº 13.756/2018 e a nº 14.790/2023. Para entender a regulamentação e os repasses das loterias federais, foram consultadas as informações oficiais da CAIXA. A investigação também ouviu o doutor em Direito Constitucional Berto Igor Caballero, que explicou as diferenças jurídicas entre as bets e as loterias federais e as justificativas relacionadas à decisão do governo.

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova já investigou por que as apostas digitais não garantem retorno financeiro. Também verificou que é falso que o número de apostas na Mega-Sena tenha caído após o crescimento das bets. O UOL e Terra publicaram investigações sobre o assunto.

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Investigado por: 02/10/2026

Vídeo de carteiro entregando propaganda do PT omite contexto sobre Mala Direta; entenda serviço

Eleições
Material de candidato a deputado federal pela Paraíba foi distribuído por meio de Mala Direta, serviço dos Correios disponível para campanhas eleitorais.

Ao contrário do que sugere uma publicação no X, os Correios não estão fazendo propaganda eleitoral do PT. A gravação registra uma pessoa com o uniforme da empresa entregando panfletos com o número 1313, de Ricardo Coutinho, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) a deputado federal pela Paraíba, e o post na rede social pede para que o público acione o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para intervenção. 

No entanto, a entrega de material de campanha por meio dos Correios não é irregular. A prática está prevista na Lei nº 6.538/78 e é realizada por meio do serviço de Mala Direta — inclusive, o próprio material entregue está identificado dessa forma — , segundo os Correios afirmou ao Comprova. A empresa declarou que o panfleto que o carteiro entregava é um “objeto postal regular, disponível a todos os clientes que sejam candidatos a cargos eletivos, partidos políticos, comitês eleitorais e agências de publicidade, para o envio de propaganda eleitoral e material relacionado à campanha”. 

I Legenda: Captura de tela do vídeo verificado mostra panfleto identificado como parte do serviço de Mala Direta, com entrega “não endereçada” I

 

Ainda segundo a empresa, as peças de campanha devem ser identificadas no momento da postagem e seguir exigências estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Os Correios também informaram  que prestam serviços relacionados ao processo eleitoral, incluindo o transporte de urnas, mídias eletrônicas e materiais de apoio aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Dessa forma, ao contrário da narrativa da publicação, a entrega de propaganda eleitoral pelos Correios, quando realizada dentro das regras previstas em lei, constitui um serviço regular oferecido pela empresa.

A análise do Comprova não encontrou indícios de que o vídeo tenha sido gerado ou modificado por inteligência artificial (IA). 

O que é Mala Direta? 

É um serviço dos Correios para enviar materiais impressos a várias pessoas ou endereços, geralmente com finalidade de divulgação. A empresa pode contratar a atividade para distribuir folhetos, catálogos, ofertas ou convites. 

Em época de eleição, candidatos, partidos e comitês também podem usar o serviço para distribuir propaganda eleitoral, isso não significa que os Correios esteja realizando propaganda eleitoral, e sim prestando um serviço de distribuição.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

Até 2 de outubro, a postagem já contava com 32,7 mil visualizações no X, e foi criada por um perfil com 98 mil seguidores nessa rede social; no Instagram, possui 52,8 mil seguidores. O usuário afirma ser jornalista e analista político. O usuário mantém, no X e Instagram, publicações contra o candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Outras postagens expressam apoio político ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).

O Comprova contatou o usuário através de seu Instagram e via e-mail, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. 

Por que as pessoas podem ter acreditado

A postagem utiliza diversas técnicas de persuasão que buscam fazer com que o leitor acredite que os Correios estão realizando campanha  política. A estratégia mais proeminente é o apelo emocional no início da publicação, com a expressão “Flagrante”. Esse recurso tem como objetivo provocar uma reação imediata no público, antes que ele verifique a informação.  

Em seguida, a frase “Marquem o TSE até eles responderem!” introduz uma chamada para ação urgente, estimulando a mobilização imediata e o engajamento coletivo, que aumenta a circulação da postagem. Também é possível identificar a técnica de enquadramento narrativo, pois a legenda do post já direciona o público para uma interpretação específica, mesmo que o vídeo da publicação não ofereça todo o contexto necessário para afirmar se os Correios estão realizando propaganda política ou não.

Além disso, essa acusação também se relaciona com o viés de confirmação do público, levando pessoas que já possuem determinadas crenças políticas a aceitarem a narrativa sem exigir comprovação adicional. A postagem ainda explora a desconfiança institucional, ao sugerir que um órgão público estaria envolvido em uma prática irregular. 

Fontes que consultamos: O Comprova utilizou a ferramenta de detecção de IA, Hive Moderation para ver a veracidade do vídeo. Além disso, contatamos os Correios e procuramos a campanha de Ricardo Coutinho e o autor da publicação. Ambos não responderam até a publicação deste texto. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: 

O Comprova já verificou outros conteúdos que apresentavam informações descontextualizadas sobre os Correios, como publicações sobre o déficit da empresa e um empréstimo de R$ 20 bilhões. Em 2022, também investigou um caso semelhante, em que um carteiro foi acusado de distribuir material de campanha de forma ilegal, mas a apuração mostrou que se tratava do serviço de Mala Direta. 

Notas da comunidade: O conteúdo investigado não possuía notas no X até a publicação deste texto.

Eleições

Investigado por: 02/10/2026

Vídeo de Xuxa criticando declaração sobre menores é de 2022 e foi direcionado a Bolsonaro

Eleições
Gravação antiga refere-se à fala do ex-presidente sobre meninas venezuelanas, e não ao atual governo.

A apresentadora Xuxa não gravou um vídeo criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e pedindo para as pessoas não votarem nele, ao contrário do que afirma uma publicação no Instagram que também viralizou no Threads. 

É falso o conteúdo do vídeo, que mescla imagens de Xuxa com trechos de declarações de Lula, atribuindo ao presidente “falas criminosas”. As imagens da apresentadora no vídeo são reais, porém, são de 2022, e o alvo das declarações dela era, na ocasião, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Por meio do Google Lens, o Comprova verificou que o vídeo original é de outubro de 2022, quando Xuxa Meneghel pronunciou-se sobre uma declaração do então presidente Bolsonaro, em que ele afirmou que “pintou um clima” com adolescentes venezuelanas em situação de vulnerabilidade. 

 

I Legenda: Análise da imagem no Google Lens I

 

Depois da repercussão do vídeo analisado pelo Comprova, a própria Xuxa se manifestou no Instagram e pediu aos seguidores que denunciassem caso encontrassem conteúdo falso com a sua imagem. 

“Esse vídeo de 2022 foi pra colocar a minha indignação e nojo às falas do ex-presidente da República e, hoje, prisioneiro. Sou contra a homofobia, racismo, machismo, capacitismo e qualquer preconceito religioso, mas apoiar a exploração sexual de crianças e adolescentes, dizendo “que pintou um clima” ao ver uma menina de 13-14 anos, continua me dando nojo em 2026 e em qualquer ano da minha vida. Quem acreditou que eu poderia estar falando do nosso atual presidente não me conhece mesmo”, afirmou Xuxa.

Contexto das declarações de Lula

O vídeo publicado no Instagram utilizou uma série de falas de Lula em eventos ao longo dos últimos anos. A mais recente foi uma declaração do presidente durante um discurso no final de setembro, em Belém, no Pará, sobre a prevenção do câncer de próstata. 

Segundo registros do evento, o presidente comemorou a realização do que ele dizia ser a primeira cirurgia robótica para retirada de tumor na próstata pelo Sistema Única de Saúde (SUS), ocorrida no Pará. No contexto da fala, em que comemorou o feito, Lula criticava a resistência e o preconceito dos homens em relação ao exame de toque retal para a prevenção do câncer de próstata, utilizando os seguintes termos: “O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele.”

A fala “mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas” gerou reações da oposição, dizendo que ele estaria normalizando o abuso infantil, o que não é verdade. Depois da polêmica, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de publicações que descontextualizam a declaração.

Outro trecho do vídeo verificado em que o autor mostra falas de Lula é de um evento realizado em julho de 2024, durante a entrega de moradias do Minha Casa, Minha Vida, no Recife (PE). Na ocasião, o presidente mencionou a história de um homem contemplado com uma casa do programa e, ao relatar a história de amor do casal e revelar que o homem que recebeu a chave estava apaixonado pela esposa há 28 anos, Lula falou : “ele casou com a menina [a esposa] ela tinha 12 anos, e ele ainda está apaixonado por ela, há 28 anos”. Por causa desta fala, acabou criticado por opositores por uma suposta normalização da união entre adultos e menores de idade. 

Outra frase de Lula destacada pelo vídeo é de 2022, durante participação no Flow Podcast, em meio à campanha para o segundo turno da eleição presidencial. O trecho mostra apenas Lula dizendo: “Eles são capazes de dizer que você nasceu mulher e, depois, virou homem” e associa a declaração a um caso de homofobia. Na fala completa, porém, o presidente falava sobre a propagação de desinformação na internet e criticava a estratégia de opositores políticos. Ele afirmou: “As coisas absurdas que eles inventam todos os dias não têm critérios. Eles são capazes de dizer que você nasceu mulher e, depois, virou homem. São capazes de dizer que vacas voam e que cavalo tem chifre e boi não tem”.

O vídeo analisado pelo Comprova descontextualiza uma fala em que Lula comenta a inclusão da foto de um homem negro sem dentes em uma revista que seria divulgada na Alemanha.

A postagem enganosa omite o trecho em que ele relata a própria reação: “Você não acha que isso é preconceito? Eu lembrei do Joãozinho Trinta (ex-carnavalesco da Beija-Flor): ‘Quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de coisa boa’. Eu falei para ele: ‘Você pode anular essa revista, joga essa página fora e faz uma foto de um cara com dente’. E aí eu resolvi criar o Brasil Sorridente.”

Um trecho do vídeo que atribui ao presidente uma fala racista foi gravado em 2024, durante um evento na fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP). Na ocasião, Lula chamou atenção para a jovem Luiza Eduarda Leôncio, que estava no palco após ser premiada como destaque e melhor aprendiz da empresa, e afirmou: “uma afrodescendente assim gosta de um batuque de um tambor”.

Antes da fala, o presidente havia perguntado quem era a jovem e feito algumas suposições sobre sua presença no palco. Primeiro, disse que ela poderia ser cantora. Ao saber que não haveria apresentação musical, afirmou que ela poderia “batucar alguma coisa”. Em seguida, perguntou se ela era namorada de alguém, antes de descobrir que Luiza havia sido premiada por seu desempenho profissional e recebido um prêmio na Alemanha.  

Quem criou a postagem

O vídeo foi publicado por um perfil no Instagram com cerca de 23,1 mil seguidores que divulga conteúdos conservadores e alinhados à direita, incluindo críticas à imprensa e à Igreja Católica. 

Por que as pessoas podem ter acreditado

O post cria um forte apelo emocional, especialmente por meio de referências a crianças, maternidade, culpa e indignação. 

Ao declarar diretamente ‘não vote nesse homem’, o conteúdo tenta induzir o internauta a acreditar que Lula apoia a exploração sexual de crianças. Para isso, recorre a táticas como a inserção de um contexto falso e a seleção tendenciosa (cherry-picking) de trechos descontextualizados e justapostos.

A declaração descontextualizada da apresentadora recorre à tática de deslegitimação, ao estimular o público a pensar sob a lógica do “nós contra eles”, transformando a escolha eleitoral em um dever moral inegociável.

Fontes que consultamos: O Comprova realizou buscas em sites de notícias sobre o assunto, bem como pesquisou declarações da apresentadora Xuxa Meneghel feitas em outubro de 2022. Além disso, a equipe do Comprova entrou em contato com a assessoria da apresentadora, embora ela já tivesse  se manifestado oficialmente em seu perfil no Instagram.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já havia checado um conteúdo em 2025 que distorcia a fala de Lula sobre fotografia de um homem negro, durante um evento em São Paulo. O Estadão Verifica publicou que Lula comentou sobre câncer de próstata em discurso, e não sobre abuso infantil, bem como a fala a que se refere a um homem sem dentes.

Eleições

Investigado por: 01/10/2026

Vídeo antigo de padre contra o PT é usado fora de contexto como convocação para eleição de 2026

Eleições
Gravação que viralizou recentemente foi feita durante transmissão da TV Canção Nova e mostra sacerdote José Augusto Souza Moreira falando sobre a então candidata Dilma Rousseff.

Ao contrário do que afirmam vídeos publicados no X e no TikTok, o padre José Augusto Souza Moreira não convocou os fiéis da Igreja Católica a não votar no Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições de 2026. O vídeo é um recorte de uma transmissão ao vivo realizada no dia 5 de outubro de 2010, na TV Canção Nova. Na ocasião, o sacerdote afirmou: “No PT eu não voto”, referindo-se à ex-presidente Dilma Rousseff, que, na época, disputava o segundo turno das eleições. 

Sermão é antigo e descontextualizado

Diante da repercussão do sermão, a representação da ex-presidente afirmou, na época, que o padre teria emitido opiniões ofensivas contra ela e o partido. “Dentre outras afirmações falsas e ofensivas, de cunho difamatório e calunioso, o referido padre afirma que o PT é a favor da interrupção de gestações indesejadas”, diz o texto. Por conta disso, Dilma e a coligação pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o tempo de 15 minutos como direito de resposta, a ser transmitido no horário matutino, assim como foi a transmissão do sermão. A Canção Nova ofereceu oito minutos em um acordo extrajudicial, mas a relatora, ministra Nancy Andrighi, rejeitou o acordo e afirmou que caberia à Justiça Eleitoral decidir sobre eventual direito de resposta.

Em resposta, a Fundação João Paulo II, mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação, divulgou nota afirmando que a instituição “não apoia, não subsidia e não possui vínculos com partidos e candidatos”. A entidade também disse não ter autorizado as declarações do sacerdote sobre o PT e ressaltou que elas representavam apenas a opinião dele. 

Posicionamento da CNBB 

Questionada pelo Comprova sobre as orientações e manifestações da Igreja Católica no Brasil em relação às eleições, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) respondeu que, diante de posicionamentos de padres nas redes sociais, a orientação é procurar a assessoria de comunicação da diocese ou da congregação à qual o sacerdote pertence para esclarecer as manifestações. 

A entidade também ressaltou que os bispos reafirmam o compromisso da Igreja com a promoção da vida, da dignidade humana e do bem comum, além de destacarem a importância da participação consciente dos cidadãos no processo eleitoral.

Atualmente como está o padre 

Nascido em 1966 e natural de Maraú (BA), José Augusto continua atuando como sacerdote da Canção Nova, em São Paulo. Em 2026, a comunidade divulgou sua participação em eventos e atividades religiosas, incluindo a Quaresma de São Miguel Arcanjo e o Rebanhão.

O sacerdote tem um canal no YouTube com 238 mil inscritos, onde compartilha homilias, pregações, catequeses e formações em áudio e vídeo.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

O perfil responsável pela publicação da postagem no X pertence a um homem que vive na Flórida, nos Estados Unidos, e trabalha com “consultoria estratégica com Expertise Executiva e Real Estate”. O usuário está ligado à empresa Conexão USA, focada em investimentos em dólar e planejamento imobiliário para quem deseja se mudar para os Estados Unidos. 

Com 254,2 mil seguidores, o perfil segue outros 209 mil usuários no X. Grande parte dos perfis seguidos se apresentam como pastores ou alinhados com a vertente política da direita conservadora. As publicações da página analisada no X misturam vídeos de casas nos Estados Unidos, compartilhamentos de notícias e postagens sensacionalistas contra Lula e outras autoridades do governo federal e do Supremo Tribunal Federal (STF). O usuário deixa claro seu posicionamento político a favor do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e também realiza correntes de orações. 

A questão religiosa, porém, está mais presente no perfil do Instagram do mesmo usuário. O usuário divulga preces em posts gerados por inteligência artificial (IA) e também mantém, nesta rede social, outros posts que divulgam seu trabalho na Conexão USA. 

O Comprova contatou o usuário pelo Instagram, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. 

O vídeo analisado nesta verificação também foi divulgado no TikTok por outro perfil. O usuário costuma publicar vídeos relacionados à pregações de autoridades da igreja católica e também faz postagens contra Lula e o PT. 

Por que as pessoas podem ter acreditado

O vídeo apresenta a descontextualização de um discurso do sacerdote, datado de 2010, reunindo elementos verdadeiros, mas apresentados de forma enganosa e como se fossem atuais. Com isso, a publicação cria a impressão de que o sacerdote estaria fazendo uma convocação aos católicos para que não votassem no PT, estabelecendo uma falsa conexão entre a fala original e o contexto eleitoral.

A publicação também utiliza o apelo à autoridade, ao recorrer à figura de um líder religioso para dar mais peso à mensagem. A própria manchete, “Urgente. Padre convoca toda a Igreja Católica para não votar no PT”, reforça essa narrativa ao transformar a fala de um sacerdote em uma suposta orientação para toda a Igreja. Como o vídeo mostra o padre falando sobre o PT e dizendo que não votaria no partido, quem recebe o conteúdo sem conhecer o contexto e a data da gravação pode acreditar que se trata de uma declaração recente e que a fala representa uma posição oficial ou geral da Igreja Católica.

Fontes que consultamos: O Comprova investigou o perfil responsável pela publicação no X e no TikTok. Entramos em contato com a TV Canção Nova e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para obter um posicionamento sobre o caso. Além disso, consultamos uma matéria da IstoÉ sobre a repercussão da manifestação do Padre José Augusto nas eleições de 2010. O Comprova também pesquisou a nota divulgada pela Fundação João Paulo II e não a encontrou no site oficial da Canção Nova, mas seu conteúdo foi reproduzido por outros veículos e páginas na internet, inclusive por fontes que fizeram críticas ao posicionamento da emissora no episódio. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova checou publicações de desinformação religiosa sobre o posto de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, também verificou que Lula não disse que vai fechar igrejas caso seja eleito, como sugere mensagem e que áudio pró-Bolsonaro é de apóstolo da igreja Bola de Neve, e não do padre Fábio de Melo.

Comunicados

Em medida contra a desinformação eleitoral, Projeto Comprova poderá ser acessado sem cobrança de dados do celular

Eleições 2026
Decisão do STF vale no período entre as 72 horas antes da eleição e 24 horas depois e inclui também domínios da Justiça Eleitoral e de outras iniciativas de checagem.

Entre 72 horas antes da eleição, que será neste domingo (4), e 24 horas após o pleito, qualquer pessoa poderá acessar gratuitamente o site do Projeto Comprova, sem cobrança de dados móveis.

O pedido partiu da sociedade civil, que, por meio da iniciativa Democracia sem Franquia, ajuizou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a desinformação eleitoral. A ação foi confirmada em liminar pelo ministro Cristiano Zanin na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). Segundo o magistrado, a desinformação que circula massivamente durante o processo eleitoral “pode induzir o eleitor a erro, causando dano irreparável à legitimidade das eleições”.   

Com a decisão, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fica obrigada a garantir a gratuidade no período em ambos os turnos.

Além do Comprova, domínios da Justiça Eleitoral – sites com o final jus.br – e de outras iniciativas de checagem (Lupa, Aos Fatos, UOL Confere, AFP Checamos, Fato ou Fake, Estadão Verifica, E-farsas e Boatos.org) também poderão ser acessados sem que seja cobrado o consumo de dados.

A utilização de aplicativos da Justiça Eleitoral, como o e-título e o Boletim na Mão, também não gerará cobrança.

No sábado (3) e no domingo, o Comprova fará um plantão especial para verificar conteúdos de desinformação relacionados ao processo eleitoral. Além de poderem ler as verificações gratuitamente pelo celular, as pessoas poderão enviar sugestões para que a equipe as investigue. Basta escrever para o WhatsApp do Comprova (+55 11 97045-4984).

Ainda sobre eleições, foi lançado na semana passada o Consulte o Comprova, um serviço gratuito de consultoria voltado a jornalistas envolvidos na cobertura eleitoral em todo o Brasil. O Consulte o Comprova dará suporte a profissionais da imprensa que precisem de orientações para verificação de fatos, uso de ferramentas de investigação digital e checagem de conteúdos gerados por inteligência artificial (IA) direcionados às campanhas para o governo, o Senado e as câmaras federal e estaduais.

O atendimento é feito de forma simples e rápida pelo WhatsApp do Comprova.