Golpe conhecido como sequestro de reservas usa informações verdadeiras de hóspedes para obter dados bancários
- Golpes virtuais
- Golpistas invadem sites de hospedagem, roubam informações de reserva e contatam clientes se passando por funcionários para assim obter seus dados bancários, induzindo-os a clicarem em links ou repassarem dados financeiros.
Golpe do sequestro de reservas
No golpe conhecido como sequestro de Reservas, os criminosos utilizam informações verdadeiras de reservas de hospedagem, com dados do hóspede, datas da estadia e até o número ou código da reserva, e entram em contato com os clientes para obter informações pessoais, incluindo dados de cartões de crédito. Esse tipo de golpe se tornou mais popular fora do Brasil, com o nome em inglês Reservation Hijacking Scam.
O Comprova encontrou perfis de vítimas brasileiras desse tipo de golpe no Instagram e no TikTok, além de reclamações de usuários no Reclame Aqui. Há também relatos na mídia australiana de vários casos de vítimas desse golpe.
Conforme dados da Norton, empresa internacional de cibersegurança, esse tipo de golpe afeta cerca de 6 milhões de hóspedes por ano, em mais de 50 países diferentes, incluindo o Brasil. Quem lidera o ranking são países do continente europeu, que concentra aproximadamente 45% das ações dos criminosos. Os países mais afetados são a Alemanha, a França e o Reino Unido.
Como os golpistas abordam as pessoas
Primeiramente, os criminosos miram nos próprios hotéis e funcionários, além de pousadas, plataformas de hospedagem ou administradoras de imóveis por meio de uma falsa reclamação, uma fatura ou uma “atualização obrigatória” enviada geralmente por e-mail.
“O objetivo é capturar senha, instalar programa malicioso ou obter uma sessão já autenticada no sistema que o funcionário tem acesso. Tendo acesso ao sistema da hospedagem, o criminoso pode visualizar dados de reservas futuras, como nome, telefone, e-mail, hotel, período da estadia e, às vezes, contexto de pagamento”, informa o especialista em cibersegurança Marcos Sávio.
Quando um funcionário do hotel acessa um link ou fornece suas credenciais, os criminosos conseguem entrar nos sistemas utilizados para administrar as reservas.
Com acesso aos dados, os criminosos entram em contato diretamente com os hóspedes por e-mail, SMS, WhatsApp ou até mesmo pelo sistema de mensagens da hotelaria, se apresentando como funcionário do estabelecimento. O fato de a mensagem conter informações verdadeiras sobre a reserva do hóspede é o que torna a fraude mais convincente.
Que táticas os golpistas usam para chamar a atenção
Após o contato inicial com a vítima, o golpista utiliza a estratégia do “senso de urgência”, ao afirmar que houve um problema com o cartão e que é necessário confirmar os dados, ou que uma taxa precisa ser paga em até 24 horas para garantir a reserva, senão ela corre o risco de ser cancelada. A intenção é fazer com que a vítima aja rapidamente e não verifique a informação por outro canal.
É costume desses criminosos enviar um link de pagamento ou de atualização de dados junto com a mensagem de contato inicial. O link da página pode imitar a identidade visual do hotel ou da plataforma de reserva e solicitar número do cartão do cliente, código de segurança ou outras informações pessoais.
Qual é o objetivo do golpe
Com as informações coletadas dos usuários, os golpistas podem fazer compras não autorizadas usando seus dados de pagamento, roubar informações pessoais para cometer roubo de identidade, tentar outros golpes usando seus dados.
“Na prática, o criminoso pode lucrar com pagamentos enviados pela vítima, uso do cartão capturado, venda ou reutilização de dados e ou realizar fraudes posteriores”, diz Marcos Sávio.
Como se proteger
O primeiro passo é confiar na sua reserva original, e não em quaisquer mensagens que receba posteriormente. Caso alguém entre em contato informado que é funcionário do hotel no qual você realizou a reserva, é importante verificar se a mensagem foi enviada por um canal oficial do estabelecimento.
“A principal defesa é não pagar, não clicar nem informar os dados do cartão do banco a partir de um link recebido. Em vez disso, o usuário deve abrir o aplicativo ou digitar manualmente o endereço da plataforma, consultar a confirmação original e, se necessário, falar com o hotel, via telefone ou canal obtido na reserva inicial”, pontua Marcos Sávio.
A empresa Norton também orienta, em caso de algum pedido de pagamento, atualização de dados ou confirmação de informações, interromper imediatamente o contato e confirmar a informação pelos canais oficiais. Em seguida, entre na conta utilizada para fazer a reserva e verifique se existe alguma pendência. Se ainda houver dúvida, entre em contato diretamente com o hotel ou com a plataforma utilizando os dados presentes na confirmação original da reserva.
A quem denunciar
Se a vítima já realizou um pagamento ou forneceu dados bancários, a primeira providência é entrar em contato imediatamente com o banco ou a administradora do cartão pelos canais oficiais, e informar a suspeita de fraude. O Banco Central orienta que vítimas de golpes também registrem um Boletim de Ocorrência e guardem documentos e comprovantes relacionados ao caso.
Se o golpe envolveu cartão de crédito, a vítima deve contestar a transação junto à instituição financeira. Quando houver uma relação de consumo com uma empresa que possua CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) ativo na Receita Federal, também é possível recorrer ao Consumidor.gov.br e ao Procon.
No caso de Pix, a recomendação é comunicar o banco imediatamente e solicitar a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). O pedido não garante que o dinheiro será recuperado, mas quanto mais rápida for a comunicação, maiores são as possibilidades de bloqueio dos recursos.
Deve-se também registrar e preservar as provas do golpe, segundo o Ministério da Segurança Pública. As provas incluem o “número utilizado, data, horário da ligação/mensagem, e o que foi dito, prints de mensagens, registros de chamadas, fotos do número utilizado, valor do prejuízo sofrido (se houver), informações referentes a transferência (para quem foi destinado os valores)”.
É recomendável que a vítima comunique o próprio hotel e a plataforma onde realizou a reserva, para verificar se houve comprometimento no sistema ou de alguma conta utilizada para administrar reservas.
Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar. O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais, e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Para se aprofundar mais: O Comprova já publicou textos sobre como identificar e se proteger de diversos golpes virtuais, como o phishing (a “pescaria” virtual) e o smishing (por mensagens de texto).
Este texto foi produzido por jornalistas que participam do programa de Residência no Comprova e conta com o apoio do TikTok.



