O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 41 veículos de comunicação brasileiros para descobrir, investigar e desmascarar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas, eleições, saúde e mudanças climáticas que foram compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens.
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Comprova Explica

Investigado por: 2022-03-16

Pesquisas eleitorais seguem métodos científicos, ao contrário de enquetes; entenda

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Pesquisas eleitorais e de opinião diferem de enquetes informais porque seguem métodos científicos para garantir que a amostra de pessoas entrevistadas é representativa da população como um todo, buscando eliminar possíveis distorções e vieses. São enganosos os posts que tentam desacreditar as pesquisas eleitorais com o vídeo de uma consulta feita pelo humorista Sérgio Mallandro à sua plateia em um show. A enquete só mostra a opinião daquele grupo específico, e não pode ser usada para tirar conclusões sobre a população em geral, dizem especialistas ouvidos pelo Comprova.

Conteúdo analisado: Um vídeo compartilhado por políticos e personalidades que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL) mostra trecho de um show de stand-up do humorista Sérgio Mallandro. O comediante pergunta à plateia se votariam em uma série de pré-candidatos à Presidência da República em 2022. O público irrompe em gritos e aplausos quando o nome de Bolsonaro é mencionado, indicando que a maioria ali votaria por sua reeleição. Os posts usam o vídeo para descreditar as pesquisas eleitorais que mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente nas intenções de voto. O Comprova preparou um conteúdo explicativo para mostrar por que pesquisas eleitorais são mais confiáveis do que enquetes.

 

Pesquisas eleitorais são alvos frequentes de críticas e questionamentos de políticos, em especial de candidatos insatisfeitos com suas posições nos resultados de intenção de voto. As redes sociais facilitaram o compartilhamento de outros tipos de levantamento de opinião, inclusive por meio de funções de enquete disponíveis em plataformas como Facebook e Twitter, que por vezes são usados para contestar os institutos de pesquisa.

Um exemplo disso é um vídeo que tem sido compartilhado do comediante Sérgio Mallandro fazendo uma consulta com a plateia em um de seus shows, realizado em 5 de março de 2022. O humorista pede que as pessoas levantem a mão caso tenham intenção de votar em uma série de pré-candidatos à Presidência em 2022: Sergio Moro (PODE), Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Lula (PT) ou Jair Bolsonaro (PL), apresentados nesta ordem.

Algumas pessoas levantam as mãos para os primeiros candidatos mencionados, mas o público irrompe em gritos e aplausos para Bolsonaro, indicando que a maioria dos presentes ali votariam por sua reeleição. O vídeo foi publicado por vários políticos e comentaristas apoiadores do presidente com textos que questionam os resultados dos institutos de pesquisa. O ex-presidente Lula lidera a maioria das pesquisas sobre o cenário nacional, com Bolsonaro em segundo lugar.

Diante dos questionamentos, o Comprova decidiu explicar por que enquetes não podem ser usadas para fazer inferências sobre as intenções de voto da população em geral, e o que as difere das pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pesquisas x Enquetes

A principal diferença entre uma pesquisa eleitoral e uma simples enquete está na aplicação dos resultados. A pesquisa pode ser usada para inferir as intenções de voto de um universo maior (toda a população de um país, ou de uma dada região), enquanto a enquete só informa sobre as intenções daquele grupo específico que a respondeu — os resultados não podem ser extrapolados para a população em geral.

Isso porque a pesquisa é feita com uma amostra cientificamente calculada da população, a fim de representar o grupo como um todo e eliminar vieses, segundo explica Oswaldo Amaral, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop-Unicamp). “[A amostragem é feita] a partir de técnicas que vem da análise estatística, da probabilística, que garantem que aquele número de eleitores entrevistados é capaz de dar uma representação relativamente fiel, dentro de uma margem de erro e um índice de confiança, da opinião da população como um todo”, diz o especialista.

Para montar essa amostra, é considerada uma série de critérios (conhecidos na estatística como “variáveis”) para aproximar o grupo de entrevistados da composição real da população, como raça, gênero, escolaridade, ocupação, etc. As variáveis usadas podem diferir entre os institutos de pesquisa. “É como quando você está cozinhando uma sopa”, afirma Amaral. “Você não vai tomar a sopa inteira para ver se ela está salgada ou não. Você mistura bem, deixa ela bem uniforme, e prova apenas um pedacinho. Aquele pedaço que você prova é uma amostra, e aí você pode extrapolar para toda a panela de sopa”.

Similarmente, pesquisas eleitorais entrevistam um grupo reduzido (de centenas ou milhares de pessoas) para inferir a opinião de milhões. O público pode conferir o relatório das pesquisas para avaliar se a amostragem usada pelos institutos foi bem construída, “para avaliar se as pesquisas foram construídas sem defeitos amostrais que possam enviesar os resultados”, diz o professor.

Já as enquetes, que se popularizaram nas redes sociais, não levam em consideração critérios científicos na montagem da amostra, e por isso são vulneráveis a distorções e vieses. Seguindo outro exemplo do professor, imagine que alguém decida realizar uma enquete na porta do Maracanã, no Rio de Janeiro, num dia de jogo do Flamengo contra o Madureira. “99,9% das pessoas vão dizer que torcem para o Flamengo”, diz Amaral, porque o Maracanã é o estádio do Flamengo e do Fluminense. Mas não se pode dizer, a partir desses resultados, que 99,9% das pessoas acompanhando a partida no país — seja pela televisão, rádio ou outros meios — torcem para o Flamengo.

O mesmo problema se aplica à enquete realizada por Sérgio Mallandro, um humorista com histórico de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2018, quando ainda era candidato à Presidência, Bolsonaro compareceu com a família a um show de stand-up de Mallandro. O comediante chamou o então presidenciável ao palco e disse que ele seria eleito se falasse “há ieié glu glu”. Bolsonaro concordou e repetiu as palavras. Depois da eleição, um programa da rádio Jovem Pan chegou a brincar que o presidente devia a sua vitória àquela aparição no show de Mallandro. Durante a crise hídrica de 2021, o governo Bolsonaro escalou o humorista em uma propaganda promovendo a economia de energia.

Considerando esse histórico, é plausível que o público de um stand-up de Sérgio Mallandro conte com uma proporção maior de apoiadores de Bolsonaro do que o todo da população brasileira, o que explica a divergência da sua enquete com os resultados das pesquisas eleitorais. O levantamento feito pelo humorista só serve para saber as intenções de voto de quem estava na plateia naquela noite, e não deve ser usado para fazer inferências sobre o cenário nacional e tampouco para descreditar as pesquisas feitas por institutos sérios.

Isso também vale para enquetes realizadas na internet, seja por meio das redes sociais ou em sites específicos. Conforme o Comprova já mostrou em verificações anteriores (1 e 2), essas enquetes são feitas sem controle da amostra de entrevistados, dependendo da participação espontânea dos respondentes.

Como é feito o questionário

Enquanto enquetes como a feita por Sérgio Mallandro muitas vezes fazem somente uma pergunta sobre a opinião do público, as pesquisas eleitorais levantam também informações sobre raça, idade, profissão, local de moradia e renda familiar dos entrevistados, o que permite a realização de análises que considerem a proporção dessas diferentes variáveis na composição da população.

Pesquisas eleitorais ainda têm um cuidado maior na elaboração das perguntas, conforme explica Rodolfo Costa Pinto, cientista político e diretor do instituto PoderData. “Uma pesquisa envolve várias etapas, a principal sendo a redação do questionário, considerando como cada palavra pode influenciar as escolhas do respondente e como a ordem das questões também pode influenciar as respostas”, disse ao Comprova.

Há também diferentes modalidades de consulta feitas pelos institutos de pesquisa, geralmente aplicadas em um mesmo levantamento. No método espontâneo, o próprio entrevistado indica em quem pretende votar, sem que o entrevistador cite nomes de candidatos. O respondente pode inclusive apresentar o nome de alguém que nem anunciou candidatura. Já no método estimulado (mais próximo do que fez Sérgio Mallandro), o entrevistador apresenta os nomes dos candidatos e pede que o respondente escolha um deles. Também podem ser considerados vários cenários eleitorais, de primeiro e segundo turno, apresentando diferentes combinações de candidatos.

As pesquisas podem ser quantitativas, quando o objetivo é coletar dados e apontar preferências eleitorais. Elas geram os números de intenção de votos e rejeição e são as mais popularmente divulgadas. Mas também há pesquisas qualitativas, que têm intenção de compreender fenômenos e motivações individuais que não são mensuráveis. Essas são utilizadas por partidos e candidatos para definir estratégias de campanha e, apesar de serem registradas no Tribunal Superior Eleitoral, não são divulgadas.

Resultados das pesquisas em eleições passadas

Por serem projeções feitas a partir de uma amostragem, as pesquisas eleitorais estão sujeitas a inconsistências e falhas. Por isso, são acompanhadas sempre de uma margem de erro, que mostra uma possível oscilação nos resultados — geralmente, de 1 a 4 pontos percentuais, para mais ou para menos. Para eliminar essa margem de erro, seria necessário entrevistar todas as milhões de pessoas com idade para votar na cidade, estado ou país, o que é inviável.

Mesmo com essas limitações, nas mais recentes eleições presidenciais no Brasil, os principais institutos de pesquisa chegaram perto do resultado das urnas. Na última pesquisa publicada em 2018, o Ibope apontava que Jair Bolsonaro teria 36% dos votos; Fernando Haddad, 22%; Ciro Gomes, 11%; e Geraldo Alckmin, 7%. Já o instituto Datafolha apontava os mesmos números para Bolsonaro, Haddad e Alckmin, mudando apenas as intenções de voto de Ciro Gomes para 13%. Depois de fechadas as urnas do primeiro turno, Bolsonaro teve 46% dos votos válidos; Fernando Haddad, 29%; Ciro Gomes, 12%; e Geraldo Alckmin, 4%.

No segundo turno, a última pesquisa divulgada pelo Ibope apontava 54% de intenções de voto para Bolsonaro e 46% para Haddad. Já o Datafolha mostrava 55% para Bolsonaro e 45% para Haddad. No resultado final, Bolsonaro teve 55% dos votos válidos e Haddad 44%.

Em 2014, a última pesquisa divulgada antes do primeiro turno pelo Ibope mostrava Dilma Rousseff com 40% das intenções de voto, Aécio Neves com 24% e Marina Silva com 21%. Já o Datafolha divulgou Dilma com 40%, Aécio com 24% e Marina com 22%. Na eleição, Dilma ficou com 41% dos votos válidos, Aécio com 33% e Marina com 22%.

Um levantamento do site Jota reuniu dados de todas as eleições para governador e presidente no Brasil entre 1998 e 2018 e das pesquisas divulgadas por Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus para avaliar a influência do tempo que separa a realização da consulta e o dia da eleição. A conclusão foi de que pesquisas feitas mais próximas das eleições têm maior grau de acerto dos resultados. As pesquisas realizadas até 80 dias antes da eleição variaram 9 pontos percentuais do resultado real. Depois de 80 dias, esse número caiu progressivamente até 5 pontos percentuais, nos últimos dias antes da eleição.

Essa tendência é natural. Segundo especialistas, pesquisas eleitorais funcionam como “fotografias de um momento” e são mais precisas quando realizadas em série, de modo a acompanhar possíveis mudanças na opinião pública. “O objetivo de uma pesquisa eleitoral não é o de antecipar os resultados da eleição, mas sim o de mostrar o cenário no momento em que foi realizada”, afirmou Marcia Cavallari, diretora-executiva do Ipec (ex-Ibope Inteligência), à Agência Brasil. Quanto mais perto da data da votação, mais difícil é que os eleitores mudem suas escolhas de candidato.

O registro no TSE

Todas as pesquisas eleitorais, para serem divulgadas em ano eleitoral e terem valor legal, devem ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Para isso, precisam apresentar o nome de quem contratou o instituto para a realização da pesquisa, o valor pago, a origem do dinheiro, a metodologia utilizada, a amostragem, o sistema de verificação, o nome do estatístico responsável e o questionário que foi apresentado aos entrevistados.

A realização de enquetes ou pesquisas de opinião que não respeitem os parâmetros estabelecidos fica proibida a partir de 1º de janeiro em anos eleitorais, por determinação do TSE. Enquetes eleitorais não podem ser divulgadas em revistas ou jornais, tampouco por meio de redes sociais ou aplicativos de mensagens. Segundo o advogado Thiago Tommasi, especializado em direito eleitoral, mesmo as enquetes como as do vídeo analisado nesta checagem são ilegais e estão proibidas. “Qualquer material de pesquisa eleitoral para ser divulgado precisa respeitar as diretrizes estabelecidas pelo TSE. Fazer pergunta de intenção de voto em show ou qualquer evento público é vedado, assim como a divulgação do vídeo com a manifestação de quem seja”, disse ao Comprova.

Hoje existem cerca de 1.550 registros de empresas ou pessoas aptas a realizar pesquisas eleitorais no Brasil. A maioria realiza consultas qualitativas. Apenas em 2022, até o momento de publicação desta verificação, foram registradas 90 pesquisas no site do TSE, sendo 44 em âmbito nacional e 46 em estados.

Por que explicamos: O Comprova verifica conteúdos suspeitos que viralizam na internet sobre a pandemia da covid-19, políticas públicas e as eleições presidenciais deste ano. O foco é analisar publicações virais, que tiveram grande alcance nas redes sociais e podem confundir a população. Pesquisas eleitorais podem influenciar eleitores na escolha de um candidato antes da votação. É importante, portanto, que não sejam confundidas com enquetes sem método científico, que incluem possíveis vieses e distorções e não refletem o cenário nacional.

Alcance da publicação: Até o dia 16 de março, o vídeo da enquete no show de Sérgio Mallandro reuniu mais de 1 milhão de visualizações, juntando os números de apenas seis publicações no Facebook e Twitter. O conteúdo também circulava no WhatsApp.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já mostrou em outras verificações que enquetes realizadas em sites e por meio das redes sociais não têm valor científico e não podem ser usadas para determinar as intenções de voto da população como um todo.

Eleições

Investigado por: 2022-03-11

Quadro valioso jamais desapareceu do acervo do Planalto, ao contrário do que afirma post

  • Falso
Falso
A Presidência da República nega que o quadro do pintor Frank Schaeffer tenha desaparecido, como afirmam publicações no WhatsApp e em redes sociais. Ele faz parte do acervo presidencial desde 1976. Também não há nenhum registro em veículos de comunicação – do Brasil e do exterior – sobre suposta operação da Interpol relacionada à obra.
  • Conteúdo verificado: Tuíte diz que a Interpol teria encontrado um quadro que desapareceu do Palácio do Planalto. A obra seria do pintor Frank Schaeffer e teria sido encontrada com o milionário Gianluca Vacchi. Segundo o boato, o empresário teria comprado o quadro de um homem chamado “Inácio da Silva”, sobrenome do ex-presidente Lula.

É falso que um quadro do pintor brasileiro Frank Schaeffer tenha desaparecido do acervo do Palácio do Planalto durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2003 e 2010. O boato é antigo e já foi desmentido por agências de checagem, mas voltou a circular no WhatsApp e nas redes sociais.

Parte das postagens traz o texto impresso em uma folha de papel. Não foi possível saber se trata-se de um jornal ou de um panfleto, nem a sua origem. A nota afirma que a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) encontrou um quadro avaliado em mais de US$ 7 milhões que estava desaparecido do Palácio do Planalto. Há também casos de postagens que têm o conteúdo apenas em texto.

No entanto, a Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR) informou que a obra “Máquina” faz parte do acervo desde 1976, é a única pintura de Schaeffer no conjunto e não está desaparecida. Por telefone, a assessoria ainda reforçou que o quadro “nunca esteve desaparecido”.

O Comprova classificou o conteúdo como falso porque é inventado e foi divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Como verificamos?

Entramos em contato com a Presidência da República para confirmar se o quadro pertencia ao seu acervo e se havia desaparecido. Também procuramos notícias sobre a suposta operação da Interpol.

Verificação

As mensagens de WhatsApp e postagens em redes sociais que circulam com o conteúdo falso afirmam que um quadro de Frank Schaeffer avaliado em US$ 7 milhões desapareceu do acervo do Palácio do Planalto durante a gestão de Lula e foi encontrado pela Interpol em uma mansão de um milionário italiano chamado Gianluka Vachy. A grafia correta do nome do empresário é Gianluca Vacchi. Além disso, o nome do pintor brasileiro também aparece com erro, ele é chamado de Franky Schayffyr.

| Obra ‘Máquina’, presente no acervo da presidência da República (Divulgação)

A postagem diz ainda que o italiano teria comprado o quadro em uma galeria de arte por US$ 4,9 milhões e que no recibo consta o nome de Inácio da Silva, residente em São Bernardo do Campo, Brasil. Estes são o segundo nome e o sobrenome do ex-presidente Lula e São Bernardo do Campo era onde ele morava. O texto ainda acrescenta o questionamento: “Quem será este Inácio da Silva???”.

Em nota encaminhada ao Comprova, a SGPR informou que a obra ‘Máquina’ integra o acervo histórico e artístico da Presidência da República desde 1976 e é a única de Schaeffer registrada até a presente data. “E não há quadro deste artista, no acervo da Presidência da República (PR), que esteja desaparecido”, ressaltou. Por telefone, a assessoria reforçou que o quadro “nunca esteve desaparecido”.

A equipe do Comprova fez buscas no Google com as palavras-chave “Interpol”, “painting”, “Frank Schaeffer”, “Italy” e “Gianluca” (veja aqui e aqui), mas não encontrou nenhuma notícia em veículos de imprensa sobre o assunto. Isso é um indicativo de conteúdo falso, já que uma informação como essa seria noticiada.

Frank Schaeffer foi um pintor e ilustrador brasileiro nascido em Belo Horizonte, em 1917. Ele cursou desenho em Viena, na Áustria, e formou-se em engenharia pela Escola Nacional de Engenharia.

A série de obras ‘Máquina’ foi exposta na 7ª e na 8ª Bienal de Arte de São Paulo.

Por que investigamos?

O Comprova checa conteúdos com alto grau de viralização sobre pandemia, eleições e políticas públicas do governo federal. O conteúdo verificado aqui foi solicitado para checagem por leitores pelo WhatsApp (11) 97045-4984.

Este boato já foi checado anteriormente por Estadão Verifica, Aos Fatos, Lupa e Boatos.org.

O ex-presidente Lula é apontado pelas pesquisas eleitorais (veja aqui, aqui e aqui) como o candidato favorito, no momento, para ganhar as eleições presidenciais. Postagens com acusações falsas distorcem as percepções dos eleitores sobre os candidatos e minam o processo eleitoral.

O Projeto Comprova já mostrou ser falso que Lula seja acionista do jornal Folha de S. Paulo ou que ele tenha sido ofendido por músicos na França. Também mostramos ser falso que uma MP assinada por Bolsonaro impeça tratamento contra o câncer em planos de saúde e que uma empresa de Belo Horizonte projetou mensagem de apoio ao presidente na fachada de seu prédio.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Eleições

Investigado por: 2022-03-04

Vídeos com ataques de Putin a Bolsonaro são humorísticos

  • Sátira
Sátira
O Comprova classificou como sátira dois vídeos que viralizaram no TikTok e nos quais supostamente o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ataca o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Os vídeos originais são do encontro entre os dois presidentes, ocorrido em 16 de fevereiro, e de um pronunciamento do chefe do Executivo russo. As legendas foram inseridas para alterar o contexto da fala de Putin.
  • Conteúdo verificado: Dois vídeos no TikTok, com inserção de legendas, em que Vladimir Putin ataca Jair Bolsonaro. No primeiro, o presidente da Rússia critica o governo brasileiro na gestão da pandemia. No outro, exibe os dois presidentes juntos e Putin “manda” Bolsonaro fazer testes de covid e “homenagear o soldado comunista”. Em seguida, é exibida uma imagem do presidente brasileiro chorando.

São sátiras os vídeos que viralizaram no TikTok em que o presidente russo, Vladimir Putin, teria feito ataques pessoais a Bolsonaro e criticado o presidente do Brasil na gestão da pandemia.

Os vídeos foram editados com a inserção de legendas que não correspondem ao real significado das palavras de Putin. Um deles tem, claramente, a intenção de sátira, e foi postado por um perfil que tem a seguinte descrição: “Memes, política, amenidades. Perfil de esquerda. Fora Bozo!”.

No entanto, apesar do tom satírico, alguns comentários publicados por leitores demonstraram dúvidas acerca da veracidade das legendas aplicadas aos vídeos (Exemplos: 1, 2, 3 e 4).

O Comprova classificou os vídeos como sátira, pois foram editados com intuito de fazer humor. Conteúdos satíricos são verificados quando se percebe que há pessoas tomando-os por verdadeiros.

Como verificamos?

Usando uma captura de tela do vídeo, realizamos o processo de busca reversa para localizar a primeira gravação. Foram encontradas imagens semelhantes em matérias do Al-Jazeera e da rede NBC sobre um encontro do presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán. Na ocasião, as autoridades discutiram um pacote de medidas de cooperação entre os dois países. As notícias mencionam que a reunião ocorreu em 1° de fevereiro (1, 2).

A partir dessas informações, buscamos registros do encontro nas redes sociais do governo russo e encontramos um vídeo publicado pelo canal oficial do Kremlin no dia 8 de fevereiro. Comparando elementos visuais e gestos do presidente, confirmamos que se tratava do vídeo original.

| Captura de tela do TikTok e YouTube. Comparação entre vídeo que viralizou no TikTok e original

O segundo vídeo, que mostra Bolsonaro e Vladimir Putin lado a lado, também foi encontrado a partir do mecanismo de busca reversa. O conteúdo original foi publicado no canal oficial do Planalto. Comparando as imagens, pudemos constatar que o vídeo divulgado pelo governo brasileiro corresponde à versão editada que viralizou no TikTok.

O vídeo do encontro com Jair Bolsonaro tem tradução simultânea em português. Já o da conferência de imprensa após encontro com o primeiro-ministro da Hungria apresenta legendas em inglês.

Para se chegar ao real significado das palavras de Putin, o Comprova buscou contato com uma especialista em russo, a criadora e editora-chefe da editora de literatura russa Kalinka, Daniele Moutian, e utilizou as seguintes ferramentas digitais para a tradução do áudio dos vídeos: Happy Scribe, Save From Net, Transcriber Bot (Telegram) e Google Tradutor.

O Comprova tentou falar com os responsáveis pelos perfis que publicaram os conteúdos. Em um deles, foi possível identificar um e-mail a partir de buscas em outras redes sociais, como YouTube e Instagram. No entanto, não tivemos resposta. Não conseguimos contato com o outro perfil.

Verificação

O vídeo com supostos ataques pessoais a Bolsonaro

A partir de buscas na internet, o Comprova localizou os vídeos utilizados nas versões editadas do TikTok.

O vídeo em que, segundo as legendas inseridas na montagem, Putin teria chamado Bolsonaro de “estrume” e “jumento” e afirmado que o Brasil voltaria a ser feliz com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Planalto, trata-se de uma conferência de imprensa após reunião de Vladimir Putin com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

O vídeo original foi postado pelo canal do Kremlin, sede do governo russo, no YouTube, com o título “Пресс-конференция по итогам российско-венгерских переговоров” – “Conferência de imprensa após conversações russo-húngaras”, em português.

Foi possível identificar correspondências visuais e sonoras com dois trechos editados na versão do Tiktok. No site do governo, foi encontrada uma transcrição da fala do presidente russo durante o encontro. O Comprova comparou o texto com as legendas do vídeo original e encontrou os trechos correspondentes.

A reunião entre Putin e Orban foi postada no canal do Kremlin no dia 8 de fevereiro. No encontro, que ocorreu no dia 1º de fevereiro, foi discutido um pacote de questões de cooperação bilateral. Além disso, as autoridades também discutiram a situação global na Ucrânia, incluindo as questões diplomáticas entre o país e a Rússia.

O Comprova solicitou a tradução do pronunciamento de Putin, direto do russo, para uma especialista no idioma, Daniele Moutian.

No quadro abaixo, a comparação entre as legendas inseridas na versão do TikTok e a tradução de Moutian:

Esses dias esse jumento veio aqui e você sabem de quem tô falando né

(…) sistemas contemporâneos de combate, assim como na Polônia e na Romênia

e sinceramente não sei o que esse merda veio fazer aqui

Quem vai impedir?

e logo ele que odeia comunismo e fala um monte de merda aff

E começa operações na Crimeia

bom! Ele veio se oferecer pra ser o presidente da Ucrânia caso eu invadisse

agora falo inclusive de Donbass

eu respirei e falei

é um território soberano russo

ninguém merece um estrume como você na presidência

não existe dúvida a esse respeito

nem os ratos do esgoto

Imaginemos que a Ucrânia é um país da Otan

merecem um ser tão diabólico como o bolsonazi

e está começando essas operações bélicas

não estou nem falando das 641000 mortes por covid no Brasil

Nós vamos fazer o quê? Guerrear com o bloco da Otan?

mas pensa bem?? Ele matou mais que em qualquer guerra justa

Alguém pensou nisso, no motivo disso? Parece que não

veja bem por que eu desprezo Bolsonaro

Escute com atenção o que eu falo.

ele é um mentiroso verme da pior espécie o povo ucraniano não merece esse castigo

Em um documento doutrinário da Ucrânia vemos que está escrito

e por mais que eu queira a Ucrânia eu não acho justo mandar um Bolsonaro pra lá

que pretendem reaver a Crimeia, inclusive por meio de guerra

Pensa numa merda

Não é que tenham falado em público

então decidi retirar as tropas de lá

mas foi escrito no documento

eu tenho dó do povo brasileiro nas mãos do bolsonazi

Imaginem vocês mesmos que a Ucrânia se revela membro da Otan

então Lula vai ser eleito e não vai ter segundo turno e o Brasil voltará a ser feliz

e começa (…) encher de armas, instalar sistemas contemporâneos de combate

aí é só mandar bolsonazi pra casa do carai e fim de papo

assim como a Polônia e a Romênia. Quem vai impedir?

 

O vídeo com supostas críticas à gestão da pandemia

Já o outro vídeo, em que, segundo as legendas da versão editada no TikTok, Vladimir Putin chama Bolsonaro de “negacionista fuleiro” e diz que, na Rússia, iria fazer o que ele mandasse, como a realização de cinco testes de covid, isolamento em hotel e homenagem ao soldado comunista russo, é do encontro entre Putin e Bolsonaro, de 16 de fevereiro.

A partir de prints retirados do vídeo, e de buscas reversas na internet, o Comprova localizou as versões originais. Em uma delas, transmitida pela TV Brasil, Putin e Bolsonaro estão ao lado de tradutores.

Foi possível identificar semelhanças sonoras e visuais da fala de Putin entre o vídeo original e a versão com inserção de legendas do TikTok.

Moutian também traduziu este vídeo. Abaixo, o resultado:

Em primeiro lugar

Por sua instrução

Quem manda aqui sou eu

estiveram em Moscou os principais ministros

seu negacionista fuleiro

do seu governo (…)

Aqui você faz o que eu mandar

das Relações Exteriores (…)

Vai fazer cinco testes de covid

2+2 formato, 2+ (…) nos locais (…)

E vai ficar isolado no hotel

(…) um dos principais, ou, pode-se dizer, nosso principal

E vai homenagear o soldado comunista também

parceiro econômico e comercial na América Latina

Ferramentas online de tradução

Além do trabalho de Daniele Moutian e da versão original com legendas em inglês do vídeo do pronunciamento de Putin em conferência de imprensa, o Comprova utilizou ferramentas online para a transcrição e tradução do áudio das imagens.

Uma das ferramentas utilizadas foi a Happy Scribe, onde foi feito o upload do vídeo após download do TikTok com o auxílio da plataforma Save From Net.

Só foi possível utilizar a ferramenta com o vídeo em que, segundo a tradutora e as legendas em inglês do vídeo original, Putin faz um pronunciamento à imprensa após reunião com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

Após selecionar o idioma russo e fazer o upload do vídeo na Happy Scribe, a transcrição do texto em russo, traduzida para o português com o Google Tradutor, teve o mesmo conteúdo da tradução de Moutian e da versão original do vídeo com as legendas em inglês, e difere totalmente das legendas inseridas na montagem do TikTok.

A outra ferramenta utilizada foi a Transcriber Bot, do Telegram, em que foi possível verificar os dois vídeos. Os áudios foram baixados na plataforma Save From Net e depois inseridos na ferramenta, após a seleção do idioma russo. Os textos traduzidos para o português com o Google Tradutor também apresentaram o mesmo conteúdo da tradução de Moutian e dos vídeos originais com legendas em inglês (conferência de Putin) e tradução em português (encontro com Bolsonaro).

Por que investigamos?

O Comprova tem o compromisso de verificar conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais ou aplicativos de mensagem sobre a pandemia da covid-19, políticas públicas do governo federal e as eleições presidenciais de 2022.

Os vídeos aqui verificados trazem supostas críticas de Vladimir Putin a Jair Bolsonaro, cita que o Brasil voltará a ser feliz com Lula na presidência e critica a atuação de Bolsonaro durante a pandemia do coronavírus.

As supostas informações, classificadas aqui como falsas, podem confundir internautas diante do processo e pautas eleitorais das eleições presidenciais deste ano.

Outros conteúdos foram verificados recentemente pelo Comprova e que também se relacionam com a pauta eleitoral, como a apuração que mostrou ser enganoso vídeo que compara casas populares no RN e atribui diferença no padrão das construções entre os governos Lula e Jair Bolsonaro.

O Comprova também mostrou ser falso que um apresentador americano riu de pesquisa eleitoral no Brasil e ser enganoso que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descumpriu prazos para responder às Forças Armadas sobre urnas eletrônicas.

Para o Comprova, sátiras são memes, paródias e imitações publicadas com intuito de fazer humor. O Comprova verifica conteúdos satíricos quando percebe que há pessoas tomando-os por verdadeiros.

Eleições

Investigado por: 2022-02-23

Vídeo que compara casas em comunidade do RN engana ao atribuir estruturas a Lula e Bolsonaro

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso um vídeo que sugere que casas de um programa social têm qualidades diferentes porque foram entregues por governos diferentes. Residências foram construídas pelo governo do Rio Grande do Norte, em convênio com o Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), para abrigar atingidos pela barragem de Oiticica. A maior parte dos recursos é federal e foi repassada durante os governos de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). As casas mais simples são destinadas a inquilinos que não têm direito a permuta e foram entregues em 2018 — a gestão estadual promete reformar esses imóveis que estão deteriorados.
  • Conteúdo verificado: Vídeo do TikTok em que um homem trafega de carro por uma rua de um conjunto habitacional que, segundo ele, é “Barra de Santana”. O homem mostra dois tipos de residência e diz que as que estão em melhor estado foram construídas pelo governo Bolsonaro, enquanto as outras são de Lula e do PT.

É enganoso o vídeo que viralizou no TikTok e supostamente mostra um “padrão” de casas erguidas pelo presidente Jair Bolsonaro e outro pelo governo de Lula e do PT na comunidade de Nova Barra de Santana, em Jucurutu, no Rio Grande do Norte. O conteúdo desinforma sobre as obras, que foram iniciadas em 2016 e estão sob responsabilidade direta do governo estadual, ainda que a maior parte dos recursos seja garantida pela União.

Além disso, segundo apurou o Comprova, as residências mais simples e que aparecem deterioradas no vídeo são destinadas a pessoas que moravam de aluguel na área que será alagada pela barragem de Oiticica, em um total de 41. Esses inquilinos não têm direito a permuta dos imóveis, mas foram beneficiados pelo programa Pró-Moradia, executado pela Companhia Estadual de Habitação e Desenvolvimento Urbano (Cehab) com financiamento da Caixa, na mesma comunidade.

Essas casas foram inauguradas em 2018, durante a gestão do governador Robinson Faria (PSD) e do presidente Michel Temer (MDB), nenhum deles do PT, mas não chegaram a ser ocupadas por falta de infraestrutura. Procurada pelo Comprova, a gestão estadual disse que está fazendo um processo de licitação para contratar uma empresa e recuperar essas casas.

Já as casas em melhor estado que aparecem no vídeo fazem parte de um conjunto de 177 residências que também estão sendo construídas pelo governo do Estado, mas dentro do convênio da barragem de Oiticica com o governo federal, desde 2016, e que ainda não foram inauguradas. Elas serão entregues aos proprietários que precisam se mudar por conta das obras do projeto de integração do Rio São Francisco.

O Complexo de Oiticica como um todo está orçado hoje em R$ 657,2 milhões — montante que engloba tanto as estruturas do reservatório quanto as obras sociais necessárias para atender os atingidos na região, a exemplo do novo núcleo urbano. O Estado entrou com uma contrapartida de R$ 19 milhões, enquanto o restante é bancado pelo orçamento federal, seja por recursos diretos ou emendas parlamentares. Os repasses foram realizados entre 2013 e 2021, segundo dados do Portal da Transparência.

O governo potiguar declarou que a previsão de entrega da comunidade de Nova Barra de Santana é 30 de abril deste ano, estando a obra com 95% de execução até o momento.

O vídeo foi classificado como enganoso porque traz dados imprecisos e confunde, omitindo informações sobre o contexto da obra em questão. O perfil que divulgou o conteúdo viral foi procurado por meio das redes sociais, mas não retornou ao contato do Comprova.

Como verificamos?

O Comprova iniciou esta verificação procurando pela localidade de “Barra de Santana” que é mencionada no vídeo. A reportagem identificou a existência de uma cidade na Paraíba com esse nome e uma comunidade em Jucurutu, no Rio Grande do Norte.

Por meio de contatos com a Prefeitura de Barra de Santana e o governo do Estado do Rio Grande do Norte, conseguiu identificar o local correto como sendo a comunidade potiguar. O Comprova também analisou fotos públicas para chegar a essa conclusão e conversou com moradores e com um assessor do Movimento dos Atingidos pela Construção da Barragem de Oiticica.

A partir disso, mais informações sobre a obra de Nova Barra de Santana e a barragem de Oiticica foram recolhidas. O Comprova consultou textos divulgados pelos governos federal e estadual, dados do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU) e reportagens sobre o assunto.

Verificação

Onde o vídeo foi gravado

Na gravação, um homem trafega de carro e mostra lados opostos da rua de um conjunto habitacional. Ele diz: “Olha o padrão das casas que Lula e o PT começou (sic) na Barra de Santana”, enquanto filma estruturas mais simples e deterioradas. Depois, passa a alternar com o lado onde aparecem residências em melhor estado. “Padrão Bolsonaro, padrão PT. E aí?”.

A única cidade com o nome de Barra de Santana cadastrada no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fica na Paraíba. Mas também existe uma comunidade batizada de “Nova Barra de Santana” no Rio Grande do Norte, de onde Gessivan Oliveira, o perfil que divulgou o vídeo no TikTok, costuma postar mensagens de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Nova Barra de Santana é uma comunidade rural no município de Jucurutu, destinada à realocação de famílias que precisaram deixar suas casas em uma área que será alagada pela barragem de Oiticica. O reservatório está em fase final de construção e deve ser entregue até o final deste ano, segundo relatado ao portal G1.

O site e as redes sociais do governo do Estado do Rio Grande do Norte trazem fotografias com elementos semelhantes ao vídeo checado pelo Comprova. Em duas delas, é possível notar a presença de uma caixa d’água branca atrás das casas e diferenças entre as estruturas de um lado e de outro da rua. Outro ponto em comum com o post viral é a presença de uma esquina após um pequeno trecho.

| Fotos disponibilizadas no portal do governo do Rio Grande do Norte, sem autoria informada.

Para confirmar a localização, o Comprova encaminhou o vídeo para as assessorias de comunicação do governo do Rio Grande do Norte e da Prefeitura de Barra de Santana (PB). A administração da cidade paraibana negou, pelo WhatsApp, que as imagens tenham sido feitas no município. O governo potiguar confirmou que se trata da comunidade de Nova Barra de Santana, em Jucurutu.

Barragem de Oiticica

A construção das moradias na comunidade de Nova Barra de Santana é necessária porque a área onde essas famílias moram hoje será alagada quando a barragem de Oiticica entrar em operação. O reservatório tem como objetivo tornar perene o rio Piranhas-Açu e reduzir o problema da seca na região do Seridó. A obra faz parte do Projeto de Integração do Rio São Francisco.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, o empreendimento receberá as águas do Eixo Norte da Transposição e terá capacidade para armazenar mais de 556 milhões de metros cúbicos de água, atendendo a cerca de 330 mil habitantes das cidades de Jucurutu, Caicó, Timbaúba dos Batistas, São Fernando, Jardins de Piranha, Cruzeta, São José do Seridó e São José do Sabugi.

O histórico da barragem de Oiticica remonta a 1950, segundo apurou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo a partir do Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde do Brasil, mantido pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSA/Fiocruz). A primeira tentativa de execução da obra viria a ocorrer em 1990, mas problemas identificados em vistoria do Tribunal de Contas da União (TCU) levaram à paralisação total ainda em 1993.

Quase duas décadas depois, em 2010, a barragem foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), integrada ao projeto de transposição do Rio São Francisco. Porém, novos problemas na licitação e indícios de sobrepreço em contratos atrasaram a ordem de início do serviço. O canteiro de obras foi reinstalado apenas em 2013, sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh/RN).

Essa ação foi possível graças a convênio assinado entre o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) e o governo do Rio Grande do Norte para a construção da barragem de Oiticica, naquele mesmo ano. A estimativa inicial da obra era de R$ 368,9 milhões, divididos entre R$ 349,9 milhões da União e R$ 19 milhões do Estado. Com os aditivos do contrato, no entanto, esse orçamento foi elevado hoje para R$ 657,2 milhões. A previsão é de que o governo federal invista R$ 638,2 milhões até o final deste ano, com a mesma contrapartida regional.

Dados do Portal da Transparência mostram que os repasses foram realizados ao longo de três gestões federais: Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). Em nível estadual, a obra passou pelos mandatos de Rosalba Ciarlini (PP), Robinson Faria (PSD) e Fátima Bezerra (PT). Na plataforma da CGU, consta que a primeira parcela foi depositada em 2013. Foram liberados R$ 561,3 milhões desde então, com a movimentação mais recente em dezembro de 2021. O gráfico a seguir mostra o valor dos repasses a cada ano, conforme os dados oficiais.

 

Nova Barra de Santana

O início das obras do novo distrito urbano em Jucurutu para abrigar as famílias ocorreu em setembro de 2016, cerca de três anos depois dos trabalhos começarem na barragem de Oiticica. O governo do Estado também precisou assentar trabalhadores rurais em agrovilas, que fazem parte das obras sociais e formam o “Complexo de Oiticica”. Esses projetos estão incluídos no convênio com o Dnocs.

O empreendimento de Nova Barra de Santana enfrentou uma série de problemas que levaram o Ministério Público Federal (MPF) a ingressar com uma ação civil pública contra a União, o Estado e as empresas responsáveis pela obra em 2018. Um laudo pericial constatou diversas irregularidades na construção das casas, que comprometiam a segurança dos futuros moradores. Houve desabamento de 38 casas por conta de chuvas na região, por exemplo.

As obras chegaram a ser interrompidas por cinco meses. Em 2019, a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), com apoio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), promoveu distrato com o consórcio responsável pela obra até aquele momento e contratou outra companhia, que já atuava na barragem de Oiticica. Os trabalhos foram retomados em dezembro de 2019, e um novo projeto urbanístico foi apresentado em agosto de 2020. A intenção era entregar a obra em meados de 2021, mas o prazo foi adiado para o primeiro semestre deste ano.

Em resposta ao Comprova, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) confirmou que a execução é feita pelo governo do Rio Grande do Norte com recursos do governo federal e que o termo de compromisso engloba a implantação da Barragem de Oiticica e a construção das obras sociais, tanto da comunidade de Nova Barra de Santana quanto das três agrovilas. Apenas os recursos de reassentamento urbano e rural somam R$ 81,8 milhões. Pelas contas do MDR, foram repassados R$ 300 milhões desde 2019, 47% do valor total, e restam cerca de R$ 50 milhões a serem destinados até o final da execução, previsto para dezembro de 2022.

Diferença entre as casas

De acordo com as informações mais recentes do governo do Rio Grande do Norte, a obra de moradia conta atualmente com 218 imóveis e também com escola, creche, posto de saúde, associação de moradores, centro de comércio, quadra poliesportiva, cemitério, igreja e praça. Destas casas, 177 são objeto de permuta com os proprietários da área que será alagada pela barragem de Oiticica.

Além delas, existem 41 residências construídas para pessoas que moram de aluguel ou de favor na mesma localidade e que não teriam direito ao novo espaço. Elas foram entregues ainda em 2018, durante a gestão do governador Robinson Faria (PSD), mas os inquilinos não chegaram a se mudar porque faltava infraestrutura básica, como rede de água, esgoto e energia. A construção foi realizada dentro do programa Pró-Moradia, executado pela Companhia Estadual de Habitação e Desenvolvimento Urbano (Cehab), com financiamento da Caixa Econômica Federal.

De acordo com a assessoria de comunicação do governo do Rio Grande do Norte, essas são as casas mostradas do lado direito da rua e que foram falsamente atribuídas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos governos do PT no vídeo que circula no TikTok. As estruturas se deterioraram pela ação do tempo e também foram alvo de furtos, segundo a imprensa local. Em nota, o governo afirma que “está fazendo um processo de licitação para contratação de empresa para recuperar essas casas e entregar novamente aos moradores”.

No lado esquerdo da rua mostrada no vídeo checado pelo Comprova, as construções fazem parte dos 177 imóveis restantes. De acordo com o governo do Estado, foram apresentados cinco tipos diferentes de casas aos moradores a partir de uma audiência pública, presidida por um juiz mediador de conflitos. “O beneficiário recebe a casa nova, através de permuta, tendo aproximadamente a mesma área construída que possui atualmente em Barra de Santana, e de acordo com as necessidades das famílias”. Também houve pessoas que optaram por receber indenizações em vez das novas estruturas.

O Comprova entrevistou moradores e representantes de organizações da sociedade civil para confirmar essas informações. O engenheiro agrônomo José Procópio de Lucena, assessor do Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (Seapac) no Movimento dos Atingidos e Atingidas pela Construção da Barragem de Oiticicas, fez o mesmo relato sobre as casas mostradas no vídeo. De um lado, parte das 41 casas populares construídas pela Cehab para pessoas que não tinham direito a permuta e não faziam parte do projeto original de reassentamento das famílias do povoado. De outro, algumas das 177 residências que serão entregues aos proprietários em troca dos terrenos afetados pela obra hídrica.

Lucena diz que as 41 casas de inquilinos foram uma conquista do movimento e criticou a disseminação de um discurso eleitoreiro e sem base nos fatos a respeito do tema nas redes sociais. Ele relatou ainda que as casas foram entregues provisoriamente em 2018, mas não puderam ser habitadas. Como ficaram cinco anos sem manutenção, acabaram se deteriorando, mas devem ser reformadas pelo governo do Estado depois que sair o resultado do pregão, em março.

Outro morador que critica a disseminação de informações que distorcem a realidade foi João Vitor, morador da região e que mantém, junto com outros colegas, um perfil no Instagram com atualizações das obras, tanto da barragem quanto das casas. “Essas casas nada tem com PT, Lula ou Bolsonaro. Foram uma conquista do movimento junto ao governo do Estado anterior a este”, explicou João, que fez questão de ressaltar a importância das casas mais simples na vida dos que foram contemplados.

Por que investigamos?

O Comprova verifica informações suspeitas com grande circulação nas redes sociais ou aplicativos de mensagem sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas do governo federal e as eleições presidenciais de 2022. O vídeo que foi objeto desta verificação cita dois possíveis candidatos a presidente nas próximas eleições e foi publicado no TikTok e compartilhado em diversas outras redes. O conteúdo original teve quase 2 milhões de visualizações até o dia 23 de fevereiro e cerca de 100 mil interações.

Outros conteúdos semelhantes também foram verificados pelo Comprova e outras agências de checagem. A construção foi objeto de investigação da Lupa e do Estadão Verifica em maio do ano passado, quando blogs governistas espalharam que o presidente Jair Bolsonaro estaria entregando uma “cidade para 4 mil habitantes no RN com tudo o que tem direito”. O próprio governo estadual publicou um material para explicar a situação das casas.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Eleições

Investigado por: 2022-02-23

É falso que apresentador americano riu de pesquisa eleitoral do Brasil

  • Falso
Falso
É falso que um âncora da CNN nos Estados Unidos tenha rido dos resultados das pesquisas de intenção de voto para presidência da República no Brasil neste ano. O vídeo que viralizou é uma edição feita a partir de uma gravação de 2015 de uma emissora ligada à Fox na Califórnia, e a reportagem falava sobre um crime local, não sobre a política brasileira. A pesquisa que foi inserida na tela durante a edição também é antiga.
  • Conteúdo verificado: Um vídeo com um apresentador que parece ter um ataque de riso ao comentar uma notícia, sendo possível notar o título do noticiário de uma emissora estadunidense. Ao lado, um recorte com uma imagem de pesquisa de intenção de voto para presidente no Brasil.

É falso que o resultado das pesquisas de intenção de voto na eleição brasileira deste ano tenha provocado uma crise de riso em um âncora da CNN nos Estados Unidos, como sugere um vídeo que viralizou no TikTok e no WhatsApp. O conteúdo investigado pelo Comprova, na verdade, é uma edição a partir de uma gravação feita em fevereiro de 2015 por uma emissora afiliada da Fox em Bakersfield, na Califórnia. A reportagem original tratava de um crime local envolvendo duas pessoas de 60 anos. Uma legenda falsa em português também foi incluída no vídeo, mas os termos não correspondem ao que o apresentador fala em inglês em nenhum momento.

A pesquisa que foi inserida na tela durante a montagem também não é recente. Ela foi feita pela Genial/Quaest em novembro do ano passado e divulgada pela CNN Brasil, de onde a arte incluída falsamente no vídeo pode ter sido retirada. O mesmo instituto voltou a divulgar resultados sobre a corrida presidencial brasileira em dezembro de 2021 e em janeiro e fevereiro de 2022.

O Comprova não conseguiu enviar mensagem pelo TikTok para o perfil @marcosbr371, que divulgou o conteúdo na plataforma.

O vídeo foi considerado falso por conter conteúdo editado para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Como verificamos?

O Comprova identificou alguns termos no próprio vídeo, usando-os para uma busca inicial que pudesse nos levar ao conteúdo original. No canto da imagem é possível observar o nome do noticiário, “Eyewitness News” e a emissora em que é exibido, “KBFX”.

A partir de um recorte do vídeo original, o Comprova buscou as páginas do canal e do apresentador, Aaron Perlman, a fim de verificar se havia alguma menção ao episódio.

Com a transcrição do áudio em inglês, foi possível notar que não havia correspondência com as legendas.

Procuramos um contato do usuário da conta, na rede social TikTok, onde o vídeo com manipulação nas legendas havia sido publicado. Observamos a existência de outros conteúdos semelhantes, notando que a postagem de recortes de noticiários estrangeiros com legendas distorcidas, em tom de humor, sobre os futuros candidatos à presidência, em especial Jair Bolsonaro e Lula, é recorrente na referida conta.

Também a partir do vídeo que viralizou, fizemos uma busca por uma pesquisa da Genial/Quaest com os números apresentados e descobrimos que ela era de novembro do ano passado. Buscamos ainda por outros levantamentos feitos pelo mesmo instituto desde então.

Verificação

Vídeo é de sete anos atrás

O vídeo em questão foi publicado em 26 de fevereiro de 2015 no canal do YouTube do apresentador Aaron Perlman e compartilhado em sua conta do Twitter.

Trata-se de um episódio do noticiário matinal Eyewitness News, do jornal Bakersfield Now, ligado à KBAK-CBS e à Fox (daí a sigla “KB-FX”) – e não da CNN americana – na cidade de Bakersfield, Califórnia. A conta oficial do Bakersfield Now no Twitter também compartilhou o vídeo na ocasião.

Antes de a câmera mostrar Perlman, a tela exibe a notícia da investigação de um caso de esfaqueamento de um senhor de 60 anos por outro com a mesma idade. Perlman, repentinamente, começa a rir enquanto o outro âncora está falando do caso.

A conversa que ocorre é bastante diferente da legenda. O apresentador apenas diz: “… Well, I’m not laughing at this story, because this story is serious… But… Man, I apologize… I can’t deal… it’s… There’s a… good morning” (em tradução livre: “… Bem, eu não estou rindo dessa história, porque essa história é séria… Mas… Cara, eu peço desculpas… Eu não consigo lidar… É… Tem um… Bom dia”).

A imagem exibida enquanto Perlman ri é uma montagem com a entrada de Bakersfield e o Fox Theatre, localizado na cidade, com os dizeres “NEW THIS MORNING”, conforme é possível verificar na captura de tela do vídeo compartilhado pelo próprio apresentador em 2015.

Em seguida, é projetada a ilustração do mapa dos Estados Unidos, com a legenda “acidente mortal”, e Perlman segue narrando a história de um acidente automobilístico.

Em nenhum momento o âncora fala em Brasil ou em “cadeia”, como sugerido na legenda do vídeo compartilhado.

Segundo o site TVSpy, a transmissão havia sido feita no mesmo dia em que o âncora publicou o vídeo no YouTube. O apresentador trabalha na emissora há cerca de dez anos.

Pesquisa não é nova

Na arte incluída no vídeo que viralizou é possível ler que a pesquisa era da Genial/Quaest. Com essa informação e os números, fizemos uma busca por levantamentos desse instituto que tivessem os mesmos resultados. Descobrimos que a pesquisa foi feita em novembro de 2021. No site da CNN Brasil, o gráfico usado para divulgar os resultados é idêntico ao que aparece no conteúdo investigado.

| Arte divulgada pela CNN Brasil

| Detalhe do vídeo investigado

Desde então, o mesmo instituto já fez pesquisas em dezembro de 2021, janeiro e fevereiro de 2022. Os números mais recentes são do último dia 9 e mostram o ex-presidente Lula (PT) com 45%; o presidente Jair Bolsonaro (PL) com 23%; o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro (Podemos) e o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) com 7% cada. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o deputado federal André Janones (Avante) têm 2% cada um; e a senadora Simone Tebet (MDB) aparece com 1%. Brancos, nulos e não vão votar somam 8%. Indecisos são 5%.

Por que investigamos?

O Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre as eleições brasileiras de 2022, a pandemia de covid-19 e as políticas públicas do governo federal que tenham viralizado nas redes sociais. O vídeo em questão teve mais de 37 mil interações no TikTok, além de ter sido sugerido por leitores do Comprova após circular no WhatsApp. Sugestões como esta podem ser encaminhadas pelo número (11) 97045-4984, ou clicando neste link.

Verificações sobre conteúdos relacionados a eleição são importantes porque informações verdadeiras são necessárias para a decisão de voto dos cidadãos. A desinformação também pode levar à perda de credibilidade do processo eleitoral, o que é danoso para a democracia. Conteúdos que começam como sátira também podem enganar.

A Agência Lupa verificou o mesmo conteúdo e o classificou como falso.

Recentemente, o Comprova mostrou que um boato usava pesquisa falsa para dizer que o presidente Jair Bolsonaro lidera em todos os estados. Também mostrou ser enganoso que o TSE descumpriu prazos para responder às Forças Armadas sobre as urnas eletrônicas e ser falso que o eleitor não poderia votar neste ano sem a biometria.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Esta verificação foi feita por jornalistas que participam do Programa de Residência no Comprova.

Eleições

Investigado por: 2022-02-21

É enganoso que TSE descumpriu prazos para responder às Forças Armadas sobre urnas eletrônicas

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso o vídeo que viralizou no TikTok em que um homem que se identifica como Coronel Koury afirma que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descumpriu prazos para responder às Forças Armadas sobre questionamentos relacionados à segurança das urnas eletrônicas. Segundo o TSE, o único órgão envolvido que se pronunciou oficialmente sobre o assunto nesta verificação, não havia prazo específico para as respostas.
  • Conteúdo verificado: Em um vídeo publicado na plataforma TikTok, um homem identificado como “coronel Koury, da FAB”, afirma que as Forças Armadas fizeram questionamentos ao TSE sobre a segurança das urnas, mas o órgão não teria respondido a esses pedidos.

É enganoso um vídeo que viralizou no TikTok em que um homem que se identifica como Coronel Koury, da Força Aérea e coordenador-geral do Grupo B-38, afirma que o TSE descumpriu prazos para responder questionamentos das Forças Armadas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Os questionamentos foram, de fato, feitos pelas Forças Armadas ao TSE, em um total de 80 perguntas sobre o processo eleitoral eletrônico. Elas foram encaminhadas como parte dos trabalhos da Comissão de Transparência Eleitoral (CTE), instituída pelo TSE em portaria publicada em 9 de setembro de 2021. As Forças Armadas fazem parte da comissão.

Porém, segundo o TSE, não havia prazo específico para as respostas que, segundo a assessoria de imprensa do tribunal, ficaram prontas no dia 10 de fevereiro e foram protocoladas no Ministério da Defesa, ao qual as Forças Armadas são vinculadas, no dia 14, um dia depois de o vídeo ter sido postado.

Para o Comprova, é considerado enganoso o conteúdo que retira informações de seu contexto original e omite informações, de forma deliberada ou não, para provocar uma interpretação que difere da realidade dos fatos.

Como verificamos?

Diante das afirmações prestadas no vídeo, o Comprova buscou, inicialmente, contato com os órgãos diretamente envolvidos na apuração: o TSE e o Exército Brasileiro. Em seguida, as demais Forças Armadas e o Ministério da Defesa. Somente o TSE se posicionou oficialmente sobre o assunto.

Já em relação ao homem que aparece no vídeo e se identifica como “Coronel Koury – Força Aérea – Coord. Geral Grupo B-38”, o Comprova buscou a Força Aérea Brasileira (FAB) para confirmar essa ligação. Não houve resposta até o fechamento desta verificação.

O Comprova ainda enviou mensagem para o perfil do Coronel Koury no Telegram, mas também não houve resposta. Em pesquisas na internet, foi possível identificar o Grupo B-38 e suas pautas.

Verificação

Não havia prazo para respostas

Uma das afirmações feitas no vídeo é que o TSE havia descumprido prazos das Forças Armadas para o envio das respostas sobre a segurança das urnas. Em um trecho, o homem que aparece na gravação diz “(…) Um novo prazo foi dado, de mais 30 dias, e eles também não responderam”, sugerindo um suposto prazo de um mês, que teria sido prorrogado por mais 30 dias.

Segundo o TSE, foram 80 perguntas entregues pelas Forças Armadas ao tribunal em quatro ofícios: Ofício nº 001 (enviado em 07/12), Ofício nº 002 (07/12), Ofício nº 003 (15/12), Ofício nº 004 (16/12).

Questionada se havia prazo para a entrega das respostas, a assessoria de imprensa do TSE informou que não houve prazo com data definida. E destacou, em texto corrido, no corpo do e-mail trocado com o Comprova, trecho do Ofício nº 004 em que “o representante autor do documento solicita que ‘as respostas sejam enviadas à medida que estiverem disponíveis’”.

O Comprova também questionou o Exército Brasileiro se fora estipulado prazo para que o TSE enviasse as respostas. O Centro de Comunicação do Exército informou que “os questionamentos relativos ao processo eleitoral devem ser encaminhados ao Ministério da Defesa”, ao qual as Forças Armadas são vinculadas.

Procurado, o Ministério da Defesa respondeu que qualquer posicionamento sobre a Comissão de Transparência Eleitoral (CTE) deve ser emitido pelo TSE.

Respostas foram entregues um dia após postagem do vídeo

As respostas do TSE aos questionamentos das Forças Armadas sobre o processo eletrônico ficaram prontas no dia 10 de fevereiro. A data aparece na primeira página do documento com as informações prestadas.

No entanto, o documento com as respostas foi protocolado no Ministério da Defesa no dia 14 de fevereiro. Segundo a assessoria de imprensa do TSE, entre a produção das respostas e a entrega do material, foi preciso que todos os órgãos do tribunal e o ministro Luís Roberto Barroso, então presidente da corte, revisassem o material.

O documento com as respostas ficou pronto no dia 10. No mesmo dia, em live na internet, o presidente Jair Bolsonaro, sem apresentar provas, afirmou que as Forças Armadas haviam identificado falhas no sistema. O TSE rebateu e disse que os questionamentos estavam relacionados a dúvidas sobre o funcionamento do sistema eleitoral, e que não havia levantamento sobre possíveis vulnerabilidades.

Forças Armadas integram Comissão de Transparência Eleitoral (CTE)

As Forças Armadas integram a Comissão de Transparência Eleitoral (CTE), que foi instituída pelo TSE na Portaria TSE nº 578/2021, publicada no dia 9 de setembro de 2021.

Segundo o TSE, são objetivos da comissão: ampliar a transparência e a segurança de todas as etapas de preparação e realização das eleições, e aumentar a participação de especialistas, representantes da sociedade civil e instituições públicas na fiscalização e auditoria do processo eleitoral.

Além das Forças Armadas, também integram a CTE representantes do Congresso Nacional, do Tribunal de Contas da União, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral Eleitoral, da sociedade civil, e especialistas na área de tecnologia.

O representante das Forças Armadas na comissão é o General de Divisão Heber Garcia Portella, Comandante de Defesa Cibernética. As respostas do TSE, protocoladas no Ministério da Defesa, foram a ele endereçadas.

Vazamento das respostas

Em notícia divulgada no site do TSE, no dia 14 de fevereiro, consta a informação de que as respostas encaminhadas às Forças Armadas têm caráter sigiloso a pedido dos próprios autores do questionamento.

Dois dias depois, nova notícia foi publicada no site do TSE tornando a documentação pública “diante do vazamento da existência de perguntas que foram formuladas, bem como do próprio teor das perguntas”. Segundo o TSE, não foi gerada cópia virtual do documento, apenas a versão física que foi protocolada no Ministério da Defesa. De acordo com o órgão, o material foi tornado público após partes dele terem sido compartilhadas na internet.

A notícia traz, ao fim do texto, dois links para a íntegra das respostas: um documento com 69 páginas e três anexos, em um total de pouco mais de 700 páginas.

O autor do vídeo e seu grupo

A FAB não respondeu ao questionamento do Comprova se o coronel Koury é realmente oficial da reserva e se ele estaria autorizado a falar pela FAB sobre a situação envolvendo os questionamentos feitos pelo Exército.

Realizamos apurações na internet e, de acordo com publicações em diferentes sites de notícias, bem como redes sociais, o coronel Marcos Koury mora em Recife, Pernambuco, é da reserva da Aeronáutica e lidera o Grupo B38.

Em uma entrevista ao site Gazeta do Povo, em meados de 2021, ele falou que o grupo não defende a intervenção militar. Ele afirma que o movimento busca uma solução pacífica para os conflitos políticos do país.

A adoção do voto impresso é a principal bandeira do movimento, que vem realizando lives com membros do grupo. Eles debatem o assunto em diferentes datas programadas.

O grupo B-38 surgiu em 2018 como B-17 (B de Bolsonaro e 17 como referência ao número do candidato nas urnas em 2018) para fazer campanha ao então candidato do PSL, e continuou mobilizado em sua defesa depois que este foi eleito presidente. Como Bolsonaro mudou de partido e chegou a lançar a Aliança para o Brasil com o número 38, o movimento adotou a mesma numeração.

Quem fundou o B-38 foi um grupo de militares liderados por Marcos Koury. O grupo realiza diferentes ações pró-Bolsonaro, seja em redes sociais, seja em aplicativos de mensagem como Whatsapp e Telegram. Os associados promovem debates em que defendem as decisões e o pensamento do presidente Jair Bolsonaro. O grupo tem coordenadores em todos os estados do país.

Por que investigamos?

O Comprova tem o compromisso de investigar conteúdos suspeitos que tenham relação com a pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. A equipe tem como foco as publicações virais, que tiveram grande alcance nas redes sociais e podem confundir a população.

O post desta reportagem teve 7,6 mil compartilhamentos, 2,6 mil comentários e 20,1 mil curtidas até o fechamento desta verificação. Ele coloca em dúvida a credibilidade do TSE e, consequentemente, a lisura do sistema eleitoral eletrônico.

O Comprova já esclareceu que uma empresa não foi multada por fraudar as urnas eletrônicas, confirmou que um boato usou pesquisa falsa para dizer que Bolsonaro lidera pesquisas de intenção de voto em todos os estados e que um vídeo engana ao dizer que Facebook restringiu compartilhamento de vídeo pró-Bolsonaro.

Recentemente, o Comprova também mostrou que, mesmo sem biometria, o eleitor poderá votar em 2022.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Eleições

Investigado por: 2022-02-21

Imagem de apoio a Bolsonaro em prédio de Belo Horizonte é montagem

  • Falso
Falso
É falso que o prédio da empresa Localiza, em Belo Horizonte (MG), tenha recebido a projeção de uma mensagem de apoio ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). A autora da publicação confirmou ao Comprova que o vídeo se trata de uma montagem.
  • Conteúdo verificado: Um vídeo publicado na rede social TikTok exibe um prédio localizado na Avenida Bernardo Vasconcelos, em Belo Horizonte. Na fachada, projeta-se uma animação da bandeira do Brasil e de imagens do presidente Jair Bolsonaro, com a mensagem: “BH é Bolsonaro”.

É falso que um prédio localizado em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, tenha recebido a projeção de uma propaganda favorável ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). Um vídeo publicado no TikTok mostra a Avenida Bernardo Vasconcelos, no bairro Cachoeirinha, com um prédio ao fundo. Sobreposta ao edifício está a frase “BH é Bolsonaro”, acompanhada por uma bandeira do Brasil. Duas fotos do presidente também aparecem no prédio ao longo do vídeo de 14 segundos. O edifício tem parte das janelas iluminadas, que juntas formam um coração.

A autora da publicação confirmou ao Comprova que o vídeo foi editado para incluir a mensagem favorável a Bolsonaro. Ela afirmou que usa o perfil no TikTok para divulgar sua marca de camisetas, e a primeira coleção teve o tema “Bolsonaro/Brasil”, e que, por isso, fez a montagem. A verificação do conteúdo foi sugerida por um leitor do Comprova.

Comentários feitos na postagem indicam que há usuários da plataforma que acreditam que a propaganda é verdadeira. “Que lindooo parabéns BH tenho orgulho de ver esse rosto sincerio (sic) do nosso presidente estampado em todos lugares que eu vou tamos juntos Capitão”, escreveu uma pessoa. Em outro caso: “agora sim me orgulhei de BH”, disse um internauta.

O prédio que aparece na publicação aqui verificada é da empresa de aluguel de carros Localiza, que, em nota, negou ter realizado qualquer homenagem a Bolsonaro no local ou que a fachada tenha sido usada para projeção envolvendo política.

O professor da área de audiovisual da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) Maurício Gomes da Silva Fonteles analisou o vídeo e disse que diferenças de foco e qualidade de imagem demonstram que a propaganda favorável a Bolsonaro não estava presente no conteúdo original e foi inserida por meio de edição.

O Comprova classificou o conteúdo como falso porque cria uma situação que não existiu.

Como verificamos?

O leitor do Comprova, que enviou o vídeo para a equipe sugerindo a investigação, disse que o prédio que aparece na imagem pertence à empresa Localiza, que fica na Avenida Bernardo Vasconcelos, em Belo Horizonte. Nosso primeiro passo foi verificar essa informação, que foi confirmada em pesquisa no Google Street View (1 e 2). Posteriormente, a Localiza também atestou que o vídeo mostrava sua sede em Belo Horizonte.

| Captura de tela do Google Street View. Imagens correspondem aos elementos que aparecem no vídeo, como as luzes em formato de coração e a placa de sinalização.

O Comprova buscou o nome do perfil do TikTok em outras redes sociais e encontrou a conta de uma empresa de marketing digital localizada em Ipatinga (MG). No perfil, foi possível obter o número de WhatsApp pelo qual entramos em contato com a autora, que confirmou ter feito a montagem.

Em seguida, a equipe procurou por especialistas que pudessem analisar o tipo de edição realizada no vídeo. Entrevistamos o professor da UnB Maurício Fonteles.

Por fim, consultamos a legislação sobre eleições e perguntamos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se a publicação poderia ser considerada propaganda antecipada.

Verificação

Análise do vídeo

Professor da UnB, Maurício Fonteles avalia que a edição no vídeo é grosseira. De acordo com ele, observando a imagem é possível perceber que há desconexão entre o prédio e a propaganda com referência a Bolsonaro, pois há diferença de qualidade entre as duas imagens, com o edifício mais desfocado que a imagem sobreposta a ele. “Não tem como você ter o prédio desfocado e o que está projetado nele estar completamente focado”, explica o professor.

Segundo Fonteles, outro elemento relevante é a comparação entre a velocidade dos carros que passam na via e o movimento da bandeira que aparece na imagem sobreposta ao prédio. É possível constatar que o vídeo original foi acelerado. Os veículos passam rápido demais pelas ruas, todos em velocidade semelhante. Por outro lado, a bandeira projetada no edifício se move “em tempo real”.

É possível ver também no vídeo uma outra bandeira menor, que está localizada ao lado esquerdo do prédio em destaque. Neste caso, o objeto se move rapidamente, no mesmo ritmo que os carros, o que demonstra que ele faz parte da composição original. “Existem vários elementos que provam tranquilamente que aquilo ali (a propaganda a Bolsonaro) é uma sobreposição de imagem em um vídeo que já estava pronto”, afirma Fonteles.

| Captura de tela do vídeo publicado no TikTok. Em destaque estão a bandeira ao lado do prédio e carros em alta velocidade por causa do vídeo acelerado.

O professor afirma que alguns pontos simples podem ser analisados para verificar se um vídeo ou foto passou por edição. Entre eles estão qualidade, foco e proporções e distorções da imagem. Se for possível perceber diferentes elementos com qualidade mais alta ou mais baixa na mesma composição, pode ser indício de que houve edição em um produto.

Segundo Fonteles, o foco é outro ponto que chama atenção em imagens que passaram por mudanças. “As câmeras têm o foco em um lugar específico. Se tenho um foco na frente, com uma pessoa em primeiro plano, e lá atrás estou vendo outra coisa que está completamente focada, tem alguma coisa errada. Normalmente esse foco variaria, com o fundo desfocado. Se tenho um texto ao fundo, por exemplo, ele também deveria estar desfocado. Se existir uma sobreposição grosseira, ela fica bem latente”, explica.

O que diz a autora

O Comprova entrou em contato com a autora do post, que se identificou apenas como Jaqueline, por meio do WhatsApp. A mulher confirmou que o vídeo é uma montagem feita com o intuito de divulgar os serviços de animação da empresa, mas negou que haja motivação política. Questionamos o porquê das publicações serem focadas em Bolsonaro, uma vez que não há intenção partidária. Ela afirmou que começou a publicar as montagens usando imagens de grandes cidades após pedido dos seguidores. No perfil da loja, há vídeos editados de forma semelhante ao caso aqui verificado, com referências a outras cidades como Goiânia, São Paulo e Curitiba.

“Fiz um (vídeo) de Ipatinga e os seguidores pediram de outros estados. Vendo camisas e a primeira coleção era o tema ‘Bolsonaro/Brasil’. Abrimos o TikTok e deu essa repercussão. Mas não fazemos só desse tema, outras coleções serão divulgadas também. Só não deu tempo ainda”, explicou.

Jaqueline afirmou que não vai mais usar fotos ou nomes de candidatos em suas publicações, exceto na divulgação das camisas, que fazem parte do seu trabalho.

Iluminação do prédio

Em abril de 2020, a empresa de marketing ABC da Comunicação repercutiu que a Localiza iluminou a fachada de sua sede com o formato de coração, em ato relacionado aos desafios criados pela pandemia. Imagens divulgadas na época são semelhantes àquelas usadas na base do vídeo verificado.

Procurada pelo Comprova, a Localiza confirmou que o prédio mostrado no vídeo é a sede da empresa em Belo Horizonte. Porém, negou que tenha sido feita homenagem a Bolsonaro no local. “A Localiza esclarece que é uma empresa apartidária e que não houve qualquer projeção em sua sede em Belo Horizonte alusiva a questões envolvendo política ou políticos”, informou.

O vídeo pode ser considerado propaganda eleitoral antecipada?

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem regras claras que fazem a diferenciação da propaganda partidária para a propaganda eleitoral, bem como estipula eventuais penalidades para quem descumprir as normativas.

A resolução 23.610 do TSE de dezembro de 2019 trata das eventuais condutas ilícitas no que diz respeito à propaganda eleitoral, que só é permitida a partir de 16 de agosto do ano da eleição.

Considera-se propaganda antecipada passível de multa aquela divulgada extemporaneamente cuja mensagem contenha pedido explícito de voto ou que veicule conteúdo eleitoral em local vedado.

Não é permitida, por exemplo, a veiculação de material de propaganda eleitoral em bens públicos ou particulares, exceto em alguns casos. São eles: bandeiras ao longo de vias públicas, desde que móveis e que não dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos; além de adesivo plástico em veículos e janelas residenciais, desde que não exceda a 0,5m² (meio metro quadrado).

O material analisado não é considerado propaganda antecipada, uma vez que não envolve pedido explícito de voto, tampouco faz menção à pretensa candidatura.

Portanto, o material analisado pelo Comprova – ainda que seja uma montagem – não configura propaganda eleitoral antecipada.

Por que investigamos?

O Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas e eleições. O projeto observa os dados de viralização e o impacto desses conteúdos para decidir pela verificação. Nos últimos anos, tem se tornado comum a circulação de mensagens e informações falsas com o intuito de descredibilizar e tumultuar o processo eleitoral no país.

A publicação analisada nesta checagem do Comprova foi publicada na rede social TikTok e, até o dia 18 de fevereiro, tinha mais de 11,4 mil visualizações. A situação traz à tona a falsa impressão de que uma empresa, a Localiza, estaria fazendo uma homenagem e, por conseguinte, uma demonstração de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Conteúdos como esse podem passar a impressão entre usuários das redes sociais que um setor da economia, o empresariado, estaria apoiando um determinado candidato.,

O conteúdo investigado pelo Comprova foi alvo também de apuração do Boatos.org, Lupa e Aos Fatos, sendo classificado como falso nas três situações.

O Comprova investigou recentemente que um post engana ao confundir resultado fiscal com crescimento do PIB em 2021 e o caso de uma empresa que foi multada por pagar propinas, mas publicações enganosas nas redes sociais afirmavam que a instituição estava envolvida em fraude de urnas eletrônicas usadas em eleições brasileiras.

Para o Comprova, falso é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Eleições

Investigado por: 2022-02-15

Empresa foi multada por pagar propinas, não por fraudar urnas eletrônicas

  • Enganoso
Enganoso
São enganosas publicações nas redes sociais que sugerem que a empresa norte-americana Diebold foi multada por fraudar urnas eletrônicas usadas no processo eleitoral brasileiro. Ela foi realmente multada em 2013 nos Estados Unidos, mas as penalidades aplicadas originam-se de acordos para resolver acusações de suborno e falsificação de contratos na China, Indonésia e Rússia. Nenhuma delas tem relação com a fabricação das urnas eletrônicas usadas nas eleições do Brasil, mas com outros equipamentos fornecidos pela empresa, como caixas eletrônicos.
  • Conteúdo verificado: Publicações no Facebook e WhatsApp com link para um texto de 2014 que afirma que a empresa Diebold Nixdorf, que fabricava urnas eletrônicas para o Brasil, foi multada nos Estados Unidos por fraude.

São enganosas as publicações que afirmam que a empresa Diebold Nixdorf foi multada nos Estados Unidos por fraudar a programação de urnas eletrônicas. As postagens tomam por base um texto publicado em 2014 e que voltou a circular entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro no Facebook e em aplicativos de mensagens e tem sido usado para questionar a segurança das urnas. Entre 1999 e 2016 a empresa foi responsável por fabricar os modelos utilizados nas eleições brasileiras.

O Comprova encontrou publicações em sites oficiais do governo americano (Departamento de Justiça e FBI) e um artigo da Reuters que tratam das acusações de fraude envolvendo a empresa. Nenhuma cita irregularidades relacionadas às urnas eletrônicas, mas com outros equipamentos fornecidos pela empresa, como caixas eletrônicos. As duas multas aplicadas — no valor de US$ 25,2 milhões e US$ 22,97 milhões — originam-se de acordos com a Justiça para resolver acusações de suborno e falsificação de contratos na China, Indonésia e Rússia.

A equipe entrou em contato com a Diebold Nixdorf e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar sobre as multas, a relação da empresa com o processo eleitoral brasileiro e a possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas. A Diebold não respondeu às perguntas, mas declarou que “toda e qualquer informação relacionada às eleições deverá ser tratada junto ao TSE”.

O TSE afirmou que, à época dos fatos, pediu esclarecimentos à empresa e recebeu a informação de que estariam contribuindo com a justiça americana e entrariam em um acordo financeiro. Questionado, informou que não acompanhou o decorrer do processo, pois a empresa estava aderente à legislação brasileira e aos termos firmados no contrato. O TSE também ressaltou que o caso não representou uma preocupação do ponto de vista técnico, porque a arquitetura da urna e dos sistemas eleitorais é de total responsabilidade da Justiça Eleitoral. Dessa forma, não seria possível a Diebold ou qualquer outra empresa fraudar o processo. O órgão detalhou para o Comprova como é feito o processo de auditoria.

O Comprova também entrou em contato com o autor de uma das publicações de maior alcance, que aponta a multa da empresa por suposta fraude nas urnas eletrônicas. Ele disse ser contra a divulgação de notícias falsas e afirmou ter verificado o conteúdo antes de compartilhar.

Por fim, entramos em contato com a Rádio Planalto, uma emissora de Passo Fundo no Rio Grande do Sul. O link que circula junto das postagens levava a uma notícia publicada no site da rádio em 2014. A publicação realmente afirmava que a Diebold havia sido multada “por subornar funcionários na Rússia, na Indonésia e na China e fraudar a programação das urnas eletrônicas e de caixas eletrônicos”. Depois do contato, a emissora emitiu uma nota sobre o caso e deletou o conteúdo. No comunicado, a Rádio Planalto informou que o responsável pela publicação não faz mais parte da equipe e que, ao longo dos anos, o veículo tem feito publicações salientando a segurança das urnas eletrônicas.

O Comprova considera que o conteúdo é enganoso porque usa dados imprecisos e por ser um conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano eleitoral.

Como verificamos?

Em conteúdos compartilhados no Facebook e recebidos pelo WhatsApp do Comprova, os autores alegam que a afirmação de que a Diebold foi multada é verdadeira, pois “está no site do FBI, saiu na Reuters e na Nasdaq”. O primeiro passo, então, foi buscar pelas publicações citadas. A partir do mecanismo de busca avançada do Google, encontramos as matérias da Reuters e do FBI que tratavam sobre o acordo entre a Diebold e a Justiça Americana. Também foi encontrado um comunicado do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o mesmo assunto.

Nenhuma das publicações cita qualquer relação entre as multas e fraude na programação das urnas eletrônicas, como alega o texto que viralizou.

Além disso, entramos em contato com a empresa Diebold, via e-mail, para questioná-la acerca das investigações de fraude. A princípio, se mostrou acessível para esclarecer qualquer dúvida, mas posteriormente preferiu não se manifestar sobre o assunto. O Comprova também entrou em contato com o TSE, que negou qualquer possibilidade de fraude na fabricação das urnas eletrônicas e explicou como é feito o processo de auditagem. Por fim, procuramos a Rádio Planalto, cujo link para uma publicação de 2014 acompanha parte das publicações investigadas.

Verificação

As multas

Segundo o site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Diebold concordou em pagar 25,2 milhões de dólares para resolver acusações de suborno. A empresa era investigada por oferecer vantagens para funcionários de bancos privados e estatais em troca de favorecimento nos negócios.

Além disso, também teria falsificado contratos com um distribuidor na Rússia que, por sua vez, teria pagado propina a clientes da Diebold para obter contratos relacionados a caixas eletrônicos.

Ainda segundo o Departamento, anteriormente, a Diebold havia firmado um acordo semelhante no valor de 22,97 milhões de dólares com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. As multas, portanto, não têm relação com fraude em urnas eletrônicas.

O Comprova entrou em contato com a Diebold e questionou sobre a investigação, contudo, a empresa não quis se manifestar sobre o assunto e alegou que “toda e qualquer informação relacionada às eleições deverá ser tratada junto ao TSE”.

Por sua vez, o TSE afirmou que questionou a empresa na época dos fatos e foi informado que a Diebold estava colaborando com as investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que fecharia um acordo financeiro. O Comprova questionou se o Tribunal acompanhou o desenrolar do processo. Em resposta, o órgão informou que a empresa estava aderente à legislação brasileira e aos termos firmados no contrato, por isso não acompanhou o decorrer da ação.

O TSE também esclareceu que toda a engenharia e o projeto de arquitetura da urna, assim como o processo de votação são de total responsabilidade da Justiça Eleitoral. Portanto, não haveria a possibilidade da empresa agir de má fé para causar dano ou fraudar o processo eleitoral. O caso, então, não representava uma preocupação do ponto de vista técnico, segundo o órgão.

Diebold e a relação com as eleições

A empresa Diebold, citada na publicação, é uma multinacional norte-americana especializada na fabricação, venda e instalação de serviços de autoatendimento. Ela foi contratada pela Justiça eleitoral para fabricar nove projetos de urnas eletrônicas, entre os anos de 1999 a 2016. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os modelos são 2000, 2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015. Atualmente, presta serviços apenas na manutenção de cerca de 473 mil urnas.

Para prestar serviços ao TSE, as empresas precisam passar por um processo licitatório minucioso de ampla concorrência. Além disso, as vencedoras das licitações não fabricam os projetos das urnas a esmo, mas sim, precisam desenvolvê-las usando o projeto de arquitetura de segurança do TSE, por sua vez coordenado e auditado por uma equipe técnica do órgão.

O Tribunal esclareceu que a Diebold era responsável somente pela confecção da urna, “como ocorre com qualquer outro equipamento eletrônico, em que os componentes são reunidos em uma fábrica e a partir disso é montada a urna para que esteja pronta e apta para o uso do eleitorado brasileiro.”

Toda a engenharia e o projeto de arquitetura é totalmente concebido, coordenado, supervisionado e auditado pela Justiça Eleitoral. Dessa forma, segundo o TSE, a segurança do equipamento é preservada, independentemente de quem a fabrique. “Importante deixar claro que os processos exigidos pelo Tribunal no edital de licitação impedem que a fabricante engane a segurança da urna”, pontuou, em nota.

Além disso, o sistema eletrônico de votação não utiliza rede de internet, mas sim, possui os próprios meios criptografados de comunicação e transmissão de dados. Isso dificulta a atuação de invasores ou roubo de informações.

“Em mais de 20 anos de trajetória, o sistema foi reiteradamente testado e comprovadamente isento de quaisquer formas de manipulação, de fraude na totalização de votos ou de quebra do sigilo do voto”, reforçou o órgão público.

Sendo assim, a Diebold não seria capaz de fraudar o processo eleitoral brasileiro.

Auditoria das urnas

Como explica o TSE, são 30 camadas ao todo que protegem as urnas eletrônicas de qualquer tipo de invasão. Para hackear o sistema, seria necessário ultrapassar todas essas barreiras no momento da votação. Mesmo que fossem violadas, a inteligência do sistema bloqueia o acesso às informações quando identifica um invasor e a urna trava.

O processo de auditagem começa um mês antes das eleições. Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de cada estado nomeiam uma Comissão de Auditoria de Funcionamento das Urnas Eletrônicas em uma sessão pública.

A Comissão precisa ser composta por um juiz de direito e seis servidores da Justiça Eleitoral, no mínimo. Depois, o procurador regional indica ainda para compor a equipe um representante do Ministério Público; dos partidos políticos; coligações; Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Congresso Nacional; Supremo Tribunal Federal (STF); Controladoria-Geral da União (CGU); Departamento de Polícia Federal; Sociedade Brasileira de Computação (SBC); Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Por fim, representantes de departamentos de Tecnologia da Informação de universidades também podem ser indicados para acompanhar o grupo.

A 20 dias para o pleito, os TREs informam, tanto à população quanto aos partidos, o local onde será feita a auditoria das urnas na véspera das eleições. Aos partidos, também é encaminhado ofício com horário e o local da auditoria no dia da eleição, informando sobre como seus representantes podem participar.

Um dia antes das votações, a Justiça Eleitoral sorteia de três a cinco seções eleitorais em cada estado, durante audiência pública. Então, as urnas sorteadas são substituídas, e depois instaladas nos TREs em salas monitoradas por câmeras.

A Comissão distribui cédulas para simular uma “votação paralela” no domingo, que são preenchidas por representantes dos partidos políticos e coligações, e devem ser completadas com os números dos candidatos, votos nulos, votos de legenda, além de cédulas com votos em branco. A quantidade de cédulas corresponde entre 75% e 82% do número de eleitores registrados em cada seção eleitoral sorteada.

Já no dia da eleição, a votação de auditagem começa no mesmo horário da votação oficial. Todos os votos preenchidos pelos representantes dos partidos no dia anterior são digitados nas urnas e em um sistema paralelo, enquanto as câmeras filmam todo o processo.

Quando a votação acaba, a urna imprime um Boletim de Urna (BU), e o sistema auxiliar também emite um boletim. Ambos os dados são conferidos pela Comissão, assim é possível verificar se a urna apresentou falhas e se computou exatamente todos os votos registrados nas cédulas.

Esse processo é acompanhado pela equipe nomeada em audiência pública, mas também pode ser acessado por qualquer pessoa interessada em checar a veracidade do processo eleitoral. Em alguns estados, inclusive, a auditagem é transmitida pelos canais oficiais dos TREs no YouTube.

As publicações

Inicialmente, o Comprova identificou três postagens que compartilhavam um texto publicado em 2014 no site da Rádio Planalto, intitulado “EUA multa empresa das urnas eletrônicas usadas no Brasil por fraude”. No início de fevereiro, a publicação voltou a circular entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro no Facebook.

A publicação, que citava como fonte o site Folha Centro Sul, afirmava que a Diebold havia sido multada “por subornar funcionários na Rússia, na Indonésia e na China e fraudar a programação das urnas eletrônicas e de caixas eletrônicos”. Depois do contato do Comprova, a emissora emitiu uma nota de esclarecimento. Na nota, o departamento de jornalismo da rádio informa que o conteúdo “foi retirado do ar e que o colaborador, na época, responsável pela publicação em nossas plataformas não integra atualmente a equipe das nossas emissoras”. A nota diz também que ao longo dos últimos anos várias publicações foram feitas nas mídias sociais da emissora salientando a segurança das urnas eletrônicas.

Uma das publicações investigadas é de Ranieri Marchioro, cirurgião dentista e militar da reserva do Exército. Nas eleições de 2020, ele foi candidato à prefeitura de Foz do Iguaçu pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Outra postagem foi compartilhada em uma página de apoiadores de Bolsonaro no Facebook. O Comprova também recebeu pedidos de leitores, por meio do WhatsApp, para verificação do conteúdo.

Todas as publicações levam a mesma legenda em tom de cobrança ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso.

O Comprova entrou em contato com Raniere Marchiori, autor de uma publicação realizada em 11 de janeiro deste ano, que aponta a multa da empresa por suposta fraude nas urnas eletrônicas. A postagem, com 410 compartilhamentos e quase mil interações em um todo, afirma que a notícia não é falsa.

“E agora Ministro BARROSO, justifique-se! ‘Em 2014 o Governo Americano multou a empresa DIEBOLD fornecedora das urnas eletrônicas usadas no Brasil por fraude.’ Não adianta falar que é Fake, está no site do FBI, saiu na Reuters e na Nasdaq”.

Questionado sobre sua publicação, Marchiori disse ser contra a divulgação de notícias falsas e afirmou ter verificado o conteúdo antes de compartilhar.

“Sou totalmente contra a divulgação de notícias falsas tanto quanto tentar ocultar as notícias verdadeiras do público”, informou

Por que investigamos?

O Comprova tem o compromisso de investigar conteúdos suspeitos que tenham relação com a pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. A equipe tem como foco as publicações virais, que tiveram grande alcance nas redes sociais e podem causar desinformação.

O post desta reportagem teve quase mil interações no Facebook e trouxe à tona uma informação antiga, de 2014, como se fosse atual. Em ano eleitoral, é comum surgirem ataques à veracidade das urnas eletrônicas, informações falsas que comprometem a integridade do processo eleitoral brasileiro.

O conteúdo investigado pelo Comprova foi alvo também de uma verificação do MonitorR7, publicada em 15 de janeiro, e que apresenta a mesma conclusão.

O Comprova já desmentiu anteriormente que urnas eletrônicas seriam fáceis de serem fraudadas por meio do código-fonte, ou ainda que as eleições de 2020 no Brasil usaram o mesmo software utilizado no pleito presidencial norte-americano, conforme afirma uma jornalista em um vídeo publicado no YouTube.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Eleições

Investigado por: 2022-02-11

Post engana ao confundir resultado fiscal com crescimento do PIB em 2021

  • Enganoso
Enganoso
É enganosa a postagem no Facebook que cita notícia de um jornal televisivo para afirmar que o Brasil teve o segundo melhor resultado fiscal do mundo em 2021, “com crescimento positivo do PIB”. De fato, o resultado fiscal foi positivo, conforme mostram os dados do Banco Central e melhores do que outros países, em comparação com a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), como divulgado pelo jornal. Isso não significa, no entanto, que houve forte crescimento do PIB - este dado ainda não foi divulgado oficialmente.
  • Conteúdo verificado: Post que circula no Facebook traz uma imagem do Jornal da Band transmitido em 1º de fevereiro de 2022, com dados do FMI e do Banco Central sobre o resultado fiscal de diferentes países em 2021. O texto destaca que o Brasil teve o segundo melhor resultado na lista, “com crescimento positivo do PIB”, e afirma que isso deve ser celebrado.

É enganoso um post no Facebook segundo o qual o resultado fiscal obtido pelo governo brasileiro em 2021 gerou “crescimento positivo” do Produto Interno Bruto (PIB) naquele ano. O dado sobre o resultado fiscal está correto, mas o PIB de 2021 ainda não foi divulgado.

A base do post verificado é uma imagem congelada de um telejornal da Band, no qual duas jornalistas mostram uma tabela de países listados conforme seu resultado fiscal. O Brasil aparece em segundo lugar, atrás do Egito. O texto que acompanha a imagem na postagem afirma que “apenas três países apresentaram resultado fiscal positivo” em 2021 e que “nosso Brasil foi o segundo lugar, com crescimento positivo do seu PIB”.

O resultado fiscal é o saldo do fluxo de caixa dos governos municipais, estaduais e federal e ele não tem interferência no PIB. Na tabela mostrada pela Band, o número está relacionado ao PIB porque esta é uma forma corriqueira de comparar dados de países diferentes, com diferentes moedas.

O Comprova classificou a publicação como enganosa porque mistura informações sugerindo um resultado que não é verdadeiro.

Como verificamos?

O primeiro ponto a ser investigado foi buscar o dia e o jornal em que a tabela aparecia para, na sequência, identificar o conteúdo completo da reportagem e todas as informações inseridas nela. O Comprova fez uma busca no Google usando termos que apareciam na tabela, como “resultado fiscal”, “FMI” e “Banco Central”.

Os resultados remeteram a notícias que repercutiram uma nota informativa da Secretaria de Política Econômica, do Ministro da Economia. A nota foi publicada no dia 1º de fevereiro e trazia dados sobre o desempenho fiscal do Brasil em 2021. Em seguida, a equipe buscou no Youtube a edição do Jornal da Band exibida dia 1º e encontrou a tela que aparece na postagem.

Depois de identificado o teor da reportagem, fomos buscar com especialistas e fontes oficiais o que era resultado fiscal, como ele era medido, quem divulgava e calculava e quais fatores poderiam interferir no resultado final.

Por fim, fomos atrás dos últimos dados disponíveis sobre o PIB e o crescimento econômico do país, o que dizem os especialistas e como ele estava ligado ao resultado fiscal positivo.

O Comprova também procurou o responsável pelo post verificado, mas não obteve resposta até a publicação desta verificação.

Verificação

Resultado fiscal positivo

A publicação checada pelo Comprova apresenta uma tabela com os resultados fiscais de diversos países e associa a segunda colocação do Brasil nesse ranking ao crescimento do PIB. A informação é enganosa porque o que é chamado de resultado fiscal não tem relação com o PIB. Em 2021, as contas públicas tiveram um superávit de R$ 64,7 bilhões, o que equivale a 0,75% do PIB acumulado do ano (ainda não consolidado, portanto) — dado que é mostrado na imagem. Mas as contas isoladas do governo federal tiveram déficit de 35 bilhões de reais. A soma de todos os bens, serviços e riquezas do país, o chamado Produto Interno Bruto, é utilizado apenas como parâmetro para comparações, seja com outros países ou com anos anteriores, como explica o professor Joelson Sampaio, da FGV, doutor em finanças corporativas e mercado financeiro.

“A relação do resultado primário com o PIB é mais de comparação entre os países do que um resultado final para avaliar se a economia vai bem ou mal. Porque, em termos de desempenho econômico, é importante sim olhar outras métricas de desempenho. E a principal delas é o crescimento do PIB. Então, quando você olha o crescimento econômico, ele te dá uma medida importante para combater o desemprego, por exemplo.”

Doutor em teoria econômica pela USP, o professor Joelson também ressalta que o Brasil atingiu esse resultado devido a algumas ações que deverão ter consequências no futuro.

“Ter um superávit primário é um resultado positivo. Ele é, claro, um mérito do governo, mas não só: quando você tem um período de crise, você tem um congelamento de salário dos servidores públicos que contribui muito nesse papel, porque eles têm um peso importante no orçamento público. Então, provavelmente, em algum momento futuro, isso vai ter que ser revertido. E vai ter impactos também no resultado primário.”

Analisando os dados das contas públicas brasileiras em 2021 é possível ver que os responsáveis pelo resultado positivo foram os estados e municípios que terminaram com saldo positivo. Enquanto estados e municípios terminaram com 97 bilhões e 694 milhões de reais em caixa, o governo federal terminou com um saldo negativo de 35 bilhões e 872 milhões de reais. A soma de todos esses dados é um fluxo positivo nas contas públicas brasileiras de 64 bilhões e 727 milhões de reais em 2021, dado apresentado na reportagem utilizada na postagem checada pelo Comprova.

“O protagonista desse superávit primário foi, claramente, o conjunto dos governos subnacionais, estados e municípios, os quais ao longo de 2021 puderam arrecadar mais recursos, especialmente por meio de ICMS associado aos combustíveis. Estes, por sua vez, como sabemos, tiveram um aumento ao redor de 50% ao longo do ano em valor”, ressalta Fernando Ribeiro Leite, professor do Insper com experiência em macroeconomia da América Latina.

Resultado fiscal x PIB x crescimento econômico

A postagem checada faz uma analogia equivocada entre resultado fiscal, PIB e crescimento econômico. Apesar de todas serem importantes parâmetros da economia elas não são interligadas e dependentes umas das outras.

“O resultado fiscal considera as receitas e despesas primárias do governo. Basicamente é arrecadação contra despesa orçamentária. Ele é importante para o país porque dá uma ideia se o quanto o governo conseguiu gerar de receita foi suficiente para arcar com as suas despesas”, explica o professor Joelson Sampaio.

Já o PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em uma determinada região ou país. E o crescimento econômico é medido pelo aumento no PIB ou, para comparações com outros países, mede-se o poder de compra do cidadão. Quando é feita a análise do resultado do crescimento econômico na qualidade de vida das pessoas, temos o chamado desenvolvimento econômico.

“O resultado fiscal é mais uma questão de finanças públicas, que é importante no sentido de equilíbrio das contas, mas o que a gente precisa mesmo é ter mais crescimento econômico para combater o desemprego, que está bem alto e tem afetado milhões de famílias. Melhorar a renda também, houve uma perda de renda na crise. Todos esses aspectos acabam afetando o bem-estar das famílias. E uma variável importante para combate ao desemprego e melhoria de renda é o crescimento econômico, do PIB”, explica o professor Joelson Sampaio.

Desempenho das contas ao longo dos anos

O ano de 2021 foi o primeiro com superávit das contas públicas, ou resultado fiscal positivo, desde 2013. Nos sete anos anteriores o resultado foi o chamado déficit primário, quando sai mais dinheiro das contas dos governos municipais, estaduais e federal juntas do que entra.

Já o PIB de 2021 ainda não foi divulgado, mas a projeção é que tenha um pequeno crescimento depois de uma queda acentuada no ano anterior. Assim como no resultado fiscal, estados e municípios têm importante papel no crescimento do produto interno bruto.

“A recuperação da atividade econômica em 2021 — ainda que o PIB cresça 0,3% e é pouco, ele se recupera de um tombo de 4,5% em 2020. Então, há uma retomada do crescimento econômico e há um processo inflacionário que ajuda os governos subnacionais a alcançarem o superávit primário. O governo federal registrou déficit.”, coloca o professor Fernando Ribeiro.

Dívidas e juros

Além do fluxo de caixa, outro problema nas contas públicas são as dívidas e os juros. Se o ano fechou com um saldo em conta equivalente a 0,75% do PIB acumulado do ano até aquele momento, ou 64 bilhões e 727 milhões de reais, o país ainda teve de pagar os chamados juros nominais da dívida pública equivalentes a 5,17% do PIB, ou 448 bilhões e 391 milhões de reais, deixando um saldo negativo, o chamado nominal, de 383 bilhões e 664 milhões de reais, ou 4,42% do PIB.

Por que investigamos?

O Comprova faz checagem de conteúdos suspeitos relacionados às políticas públicas do governo federal, pandemia e eleições que tenham viralizado nas redes sociais. O conteúdo verificado teve mais de 7 mil interações no Facebook em apenas 3 dias..

São comuns as postagens que usam informações enganosas para favorecer o governo Bolsonaro. O Comprova já verificou que uma tabela sobre pagamento do Bolsa Família foi editada e retirada de contexto e que um boato usa pesquisa falsa para dizer que Bolsonaro lidera em todos os estados. Também foi comprovado que obras nas pontes na BR-158 foram feitas durante o governo atual.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Eleições

Investigado por: 2022-02-07

Boato usa pesquisa falsa para dizer que Bolsonaro lidera em todos os estados

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Falso
É falso que um levantamento atribuído ao instituto Paraná Pesquisas e feito em janeiro deste ano tenha apontado o presidente Jair Bolsonaro (PL) liderando a corrida eleitoral para presidente em todos os estados. A única pesquisa da empresa feita em 2022 foi divulgada em 2 de fevereiro e mostra o ex-presidente Lula (PT) com 40,1% das intenções de voto, contra 29,1% de Bolsonaro e 20,5% de outros sete pré-candidatos. O pré-candidato do PT lidera no Nordeste e no Sudeste, segundo os resultados.
  • Conteúdo verificado: Texto que viralizou no Facebook e no WhatsApp diz que um levantamento do Instituto Paraná Pesquisas com 25 mil pessoas aponta a vitória do presidente Jair Bolsonaro em todas as 27 unidades federativas na eleição presidencial de 2022.

É falso que o Instituto Paraná Pesquisas tenha feito uma pesquisa eleitoral ouvindo 25 mil pessoas no dia 13 de janeiro deste ano e que o resultado tenha apontado o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), liderando as intenções de voto para 2022 em todos os estados. Conforme mostram os sites do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do próprio instituto, a empresa só realizou uma pesquisa em 2022, ouvindo 2.020 entrevistados entre os dias 27 de janeiro e 1.º de fevereiro. O texto tem sido compartilhado em grupos de WhatsApp e no Facebook.

Os resultados da pesquisa verdadeira foram divulgados no dia 2 de fevereiro e mostram o ex-presidente Lula (PT) na frente, com 40,1% das intenções de voto. Bolsonaro fica em segundo, com 29,1%. Outros sete pré-candidatos somam 20,5%. São eles: o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro (Podemos); o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT); o governador de São Paulo, João Dória (PSDB); o deputado federal André Janones (Avante); e os senadores Simone Tebet (MDB), Rodrigo Pacheco (PSD) e Alessandro Vieira (Cidadania).

O Paraná Pesquisas diz que o levantamento foi feito em 162 municípios dos 26 estados e no Distrito Federal. Mas o resultado por estado não é divulgado. O detalhamento geográfico se restringe a quatro regiões: Nordeste; Sudeste; Sul; e Centro-Oeste e Norte, que são analisadas em conjunto. Por esse critério, Lula aparece na frente no Nordeste e Sudeste. Bolsonaro lidera no Sul e no Centro-Oeste e Norte.

Em novembro de 2021, em nota enviada ao Estadão Verifica, a empresa negou que tenha feito pesquisas por estado com números quase idênticos aos verificados agora pelo Comprova.

Outras pesquisas recentes também mostram Lula na frente, com Bolsonaro em segundo. É o caso dos levantamentos dos institutos Datafolha, Ipec, PoderData e Ipespe. Conteúdos similares ou idênticos ao verificado aqui circulam desde 2018 e já foram desmentidos pelo Comprova e por outras agências de checagem.

O texto investigado foi considerado falso por ser um conteúdo inventado e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Como verificamos?

Primeiro, o Comprova realizou uma consulta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para averiguar as pesquisas eleitorais registradas pelo Paraná Pesquisas no período de 1º de janeiro a 4 de fevereiro de 2022. A consulta encontrou um único item.

A fim de verificar outros levantamentos realizados pela instituição, visitamos sua página oficial, na qual há uma seção em que estão registrados todos os estudos conduzidos. A listagem destaca as pesquisas mais recentes, sendo a primeira delas a Pesquisa Nacional com registro no TSE de número BR-09055/2022.

Seguimos a lista, passando por todos os itens que apontam, especificamente, a “Situação Eleitoral para o Executivo Federal”, visitando tanto os informes dedicados a pesquisas nacionais como aqueles voltados para estados. Ao todo, passamos pelas dez primeiras páginas contendo a listagem das pesquisas, correspondentes aos anos de 2021 e 2022.

O Comprova entrou em contato por e-mail com a Paraná Pesquisas, por meio do endereço indicado na página oficial do instituto, mas não obteve resposta até o fechamento desta verificação.

Também buscamos informações sobre as pesquisas eleitorais mais recentes nos sites de outros quatro institutos: Datafolha, Ipec, PoderData e Ipespe. Por fim, usamos buscas no Google para consultar verificações parecidas publicadas pelo Comprova e por outras agências de checagem.

Verificação

Instituto mostra Lula na frente

O levantamento mais recente do Paraná Pesquisas foi publicado em 2 de fevereiro deste ano. De acordo com o relatório disponível no site, a pesquisa teve uma amostra de 2.020 eleitores, entrevistados pessoalmente em 26 estados e no Distrito Federal. Os indivíduos estão distribuídos em 162 municípios brasileiros e o período de realização das entrevistas foi de 27 de janeiro a 1.º de fevereiro.

Na modalidade espontânea da pesquisa, em que a pergunta é feita sem a indicação de nomes de candidatos ao entrevistado, 26% das pessoas consultadas disseram que votariam em Lula para presidente, enquanto Bolsonaro foi citado em 21,7% das respostas.

Quando são apresentados nomes dos candidatos, Lula também aparece à frente em todos os cenários. No levantamento com nove pré-candidatos, Lula foi escolhido em 40,1% dos casos, ao passo que Bolsonaro apareceu como opção de 29,1% dos entrevistados.

A pesquisa apresenta os resultados dessa segunda modalidade em cada região do país. Lula aparece como candidato favorito nas regiões Nordeste (com 52,7% das intenções de voto, contra 22% de Bolsonaro) e Sudeste (com 39,8%, contra 28,1% para o atual presidente). Jair Bolsonaro, por sua vez, lidera as intenções de voto nas regiões Norte e Centro-Oeste (com 36,8%, contra 32,6% para Lula) e no Sul (com 36,8%, contra 25,8% para Lula).

| Fonte: Relatório disponível na página da Paraná Pesquisas, página 6.

Em um segundo cenário, com apenas cinco pré-candidatos, Lula apareceu com 41% das intenções, e Bolsonaro, com 29,6%.

Nesse cenário, assim como no anterior, Lula é o favorito nas regiões Nordeste (53,2% contra 22,4% de Bolsonaro) e Sudeste (41% para o petista e 28,5% para Bolsonaro). Já o atual presidente tem a preferência de eleitores das regiões Norte e Centro-Oeste (37,8% contra 33,9% para Lula) e Sul (37,1% contra 26,5% para Lula).

| Fonte: Relatório disponível na página da Paraná Pesquisas, página 8.

Em um eventual segundo turno disputado entre Lula e Bolsonaro, o primeiro teria 48,8% das intenções de voto, enquanto o atual presidente aparece com 34,4%, segundo a pesquisa.

O documento traz ainda um comparativo entre o levantamento deste ano e a última pesquisa realizada em 2021, com dados de novembro.

| Fonte: Relatório disponível na página da Paraná Pesquisas, página 7.

É importante ressaltar que o relatório do cenário nacional disponibilizado em fevereiro de 2022 não contém um detalhamento das intenções de voto por estado.

Em novembro de 2021, o Estadão Verifica fez a checagem de uma imagem com resultados falsos do Paraná Pesquisas quase iguais aos do post que viralizou agora. Por email, a empresa negou que eles fossem verídicos. “A imagem enviada não corresponde a pesquisa realizada pelo nosso instituto. Trata-se de uma notícia falsa”, afirmou na época. O Estadão é um dos veículos que fazem parte do Comprova.

Ao longo do ano de 2021, foram realizadas pesquisas nacionais nos meses de maio, junho, julho e novembro. Em maio e junho, Bolsonaro ainda aparecia à frente de Lula, situação que mudou a partir de julho. Bolsonaro também estava à frente na pesquisa de dezembro de 2020, cujo relatório foi publicado em janeiro do ano seguinte.

Além disso, a vantagem de Lula nas pesquisas tem aumentado gradativamente. Em julho, o petista aparecia com 33,7% das intenções de voto; chegou a 34,9%, em novembro; e, finalmente, a 40,1% das intenções de votos em fevereiro de 2022. Novamente, observamos que os relatórios disponibilizados não oferecem um detalhamento por estado.

Ao procurar por pesquisas estaduais, não é possível encontrar documentos referentes a todas as unidades da federação. Para os estados com relatórios disponibilizados na página, chama a atenção o fato de as pesquisas terem sido realizadas em meses diferentes.

Em pesquisa de julho de 2021, Bolsonaro teve o melhor desempenho em São Paulo, com 34% dos votos, contra 29,3% de Lula. No Rio de Janeiro, em junho, o atual presidente aparece com 34,2% da preferência, contra 30% para Lula. No entanto, Lula saiu à frente em São Paulo em um levantamento de dezembro de 2021, com 32% das intenções contra 27,9% dos votos para Bolsonaro (não foi encontrada pesquisa deste mesmo mês para o estado do Rio de Janeiro).

A pesquisa disponível para Santa Catarina, de julho de 2021, indica que Bolsonaro seria o mais votado, com 52% dos votos, contra 24,2% de Lula. No Rio Grande do Sul, a consulta é de maio do mesmo ano, indicando 30% de preferência para Bolsonaro, enquanto 24,9% dos entrevistados escolheriam Lula. Em Tocantins, o levantamento foi feito em agosto, com Bolsonaro sendo o candidato preferido de 37,6% dos entrevistados Lula foi a escolha de 28,8% das pessoas questionadas. Em Minas Gerais, a pesquisa feita em novembro indicou 33,9% das intenções de voto para o atual presidente, contra 31,9% de Lula.

Contudo, mesmo nesses estados em que Bolsonaro aparece como o candidato preferido, as porcentagens estão bem distantes daquela apresentada na mensagem que vem sendo compartilhada pelo WhatsApp.

Outras pesquisas

Para ter um panorama das pesquisas eleitorais, o Comprova também consultou os levantamentos mais recentes feitos pelo Datafolha, Ipec, PoderData e Ipespe sobre a intenção de voto para presidente em 2022. Nesses quatro institutos, apesar de haver variações nas porcentagens, Lula aparece liderando a disputa presidencial, com Jair Bolsonaro em segundo lugar. Todos os levantamentos aqui citados consideram os votos em todo o Brasil, não separados por estado.

A pesquisa mais recente entre os quatro institutos é a do PoderData, divulgada em 2 de fevereiro. O levantamento aponta o ex-presidente Lula na liderança, com 41% das intenções de voto, contra 30% do presidente Jair Bolsonaro. Em comparação com o levantamento anterior do PoderData, a vantagem do petista sobre o atual presidente caiu de 14 para 11 pontos. Em terceiro lugar, aparecem Ciro Gomes e Sergio Moro, ambos com 7%.

Já o levantamento mais atual do Ipespe foi divulgado no dia 27 de janeiro deste ano, também apontando o ex-presidente Lula na liderança da disputa presidencial, com 44% das intenções de voto. Jair Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 24%. Sergio Moro e Ciro Gomes estão empatados em terceiro lugar, com 8%. No segundo turno, a pesquisa aponta que Lula venceria em todos os cenários testados.

O mais recente levantamento do Datafolha foi divulgado em 16 de dezembro de 2021. Nele, o ex-presidente Lula lidera a disputa com 48%, seguido por Jair Bolsonaro, com 22%, e pelo ex-juiz Sergio Moro, que aparece com 9%, empatado tecnicamente com Ciro Gomes, com 7%.

O Ipec, que divulgou o último levantamento em 14 de dezembro de 2021, mostra um cenário muito semelhante. Lula tem 48% das intenções de voto, enquanto Jair Bolsonaro tem 21%, Sergio Moro, 6%, e Ciro Gomes, 5%. Mesmo na modalidade espontânea (quando não são apresentados os nomes dos candidatos), Lula aparece na frente, com 40%, e Jair Bolsonaro na sequência, com 20%.

Desinformação circula desde 2018

Informações falsas sobre o cenário eleitoral presidencial circulam na web há muito tempo, sendo investigadas por diferentes agências de checagens. Em 2018, o Comprova identificou como falsa uma pesquisa em que Jair Bolsonaro supostamente aparecia vencendo em todos os estados. Em nota, o Instituto Paraná, identificado como fonte da informação, afirmou que não publicou pesquisa com resultados para todos os estados brasileiros e orientou as pessoas a desconsiderarem o conteúdo. Em outubro do mesmo ano, a Agência Pública também verificou a informação, identificando como falso um conteúdo similar.

Em 2021, peças de desinformação com esse conteúdo voltaram a circular na web. A Agência Lupa (em abril), o site Boatos.org (em setembro) e Aos Fatos (em novembro) verificaram que essa informação é falsa.

Por que investigamos?

O Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre as eleições de 2022, a pandemia de covid-19, e as políticas públicas do governo federal que tenham viralizado nas redes sociais. A verificação de conteúdos ligados às eleições é importante para que o eleitor possa tomar decisões de voto baseado em informações verídicas. A desinformação em questão é recorrente desde 2018, o que mostra a importância dessa verificação.

O conteúdo verificado aqui foi sugerido por vários leitores do Comprova através do WhatsApp, onde circulou. Sugestões como esta podem ser encaminhadas pelo número (11) 97045-4984, ou clicando neste link. O texto também foi publicado em pelo menos dois grupos do Facebook, mas teve pouca viralização nesta rede.

Em relação às eleições deste ano, o Comprova já mostrou que mesmo sem biometria o eleitor poderá votar; que um vídeo engana ao dizer que o Facebook restringiu o compartilhamento de conteúdo pró-Bolsonaro; que o texto com críticas a Moro no New York Times é de um cientista político e não representa a opinião do jornal; e que o vídeo em que torcedores do Atlético Mineiro xingando Lula é de 2016, não atual.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Esta verificação foi feita por jornalistas que participam do Programa de Residência no Comprova.