O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa e sem fins lucrativos que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação brasileiros para descobrir e investigar informações suspeitas sobre políticas públicas, eleições presidenciais e a pandemia de covid-19 que foram compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens.
Filtro:

Pandemia

Investigado por: 2022-03-03

Não há comprovação que morte de menino em Arujá (SP) tem relação com vacina

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso o vídeo que atribui a morte de um adolescente de 12 anos à vacinação contra a covid-19. O caso está sob investigação do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo. Além disso, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não há até o momento confirmação de mortes de crianças associadas a eventos adversos pós-vacinação da covid-19.
  • Conteúdo verificado: Um vídeo publicado no Instagram e em grupos de WhatsApp atribui a morte de um adolescente de 12 anos à vacinação contra a covid-19.

É enganoso um vídeo que circula no Instagram e no WhatsApp e que relaciona a morte de um adolescente de 12 anos em Arujá (SP), no dia 3 de fevereiro de 2022, à vacinação contra covid-19. O médico legista responsável pela necropsia informou ao Comprova que o óbito ocorreu devido a uma malformação vascular. Já a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo comunicou que a investigação ainda está em andamento, não sendo possível associar o óbito à imunização.

O vídeo traz imagens da criança e uma narração feita pelo pai. Ele afirma que o menino sofreu um infarto fulminante enquanto andava de bicicleta. O homem também diz que foi questionado pelos médicos e pelo perito do Instituto Médico Legal (IML) se o filho havia sido vacinado contra a covid-19. Nas imagens são mostrados um atestado de óbito e uma carteira de vacinação.

A Secretaria Municipal de Saúde de Arujá disse que só será possível atestar a causa do óbito após a conclusão do exame necropsia emitido após cerca de 40 dias da morte.

O Comprova falou com Luciley Cavalcante, mãe do adolescente, por mensagens em uma rede social. Ela informou que o menino nunca foi ao cardiologista, mas que fazia consulta de rotina com o médico da família a cada seis meses.

Segundo Luciley, a desconfiança deles quanto à vacina se deu pelas perguntas que os profissionais do IML fizeram sobre a vacinação do menino quando o corpo foi liberado.Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, responsável pelo IML, não existe um protocolo de questionamento quanto à vacinação nessas situações.

Os familiares foram procurados pela Secretaria Estadual de Saúde. A mãe confirmou que os médicos que atenderam o menino mencionaram doenças cardíacas pré-existentes como causa da morte.

O perfil que publicou o vídeo também foi procurado pela equipe, e respondeu que deveríamos procurar a mãe da vítima e nos encaminhou um link com a postagem dela para um vídeo muito semelhante, mas com a narração dela.

O conteúdo foi classificado como enganoso porque usa informações ainda em apuração para divulgar material antivacina.

Como verificamos?

No vídeo, localizamos a imagem do cartão de vacinação. No documento há o nome, local e dados das vacinas aplicadas. Em outro trecho da gravação, há uma imagem da certidão de óbito.

A resolução do vídeo é baixa e dificultou o entendimento de algumas das informações, porém conseguimos confirmar o nome da vítima, da mãe e do pai e o endereço residencial.

Pesquisamos no Instagram e através do nome, localizamos o perfil do adolescente.

Ao pesquisar as pessoas que ele seguia, localizamos o perfil da mãe. Como estava bloqueado, buscamos o mesmo nome no Facebook e encontramos a conta dela, Luciley Cavalcante, e do pai, Renildo Alves. A mãe também está divulgando o vídeo em suas redes sociais afirmando que a morte teria sido causada pela vacinação contra covid.

Entramos em contato com a família através das redes sociais.

No cartão de vacinação consta que o garoto foi imunizado na Unidade Básica de Saúde Municipal Parque Rodrigo Barreto, em Arujá/SP. A primeira dose foi administrada em 9 de setembro de 2021 e a segunda em 6 de dezembro de 2021, ambas da Pfizer.

Enviamos e-mail solicitando informações sobre o caso para a Secretaria Municipal de Saúde de Arujá, Secretaria de Estado da Saúde, Ministério da Saúde, Anvisa, Pfizer e Polícia Civil de SP.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis até o dia 3 de março de 2022.

Verificação

Causa da morte

O pai do menino, Renildo Alves da Silva, conta no áudio que o garoto passou mal em frente ao portão de casa. Ele foi encontrado caído e com o rosto roxo. Segundo a mãe, Luciley Cavalcante, o menino foi levado para a UPA Barreiro, mesma unidade onde foi vacinado. Ele faleceu no local em 3 de fevereiro.

A família relata que o corpo foi levado ao IML e que o laudo ainda não foi disponibilizado a eles. Ainda no vídeo, o pai conta que o menino era saudável e realizava exames regulares. Ao Comprova, no entanto, a mãe relatou que a criança nunca foi atendida por um cardiologista.

O médico chegou a afirmar que “não foi constatada nenhuma relação com a vacinação”, mas não deu detalhes, e também não comentou sobre a condição prévia de saúde do adolescente.

A certidão de óbito também afirma que a morte foi provocada por causas cardíacas. O documento descreve: choque cardiopático, infarto agudo do miocárdio, arritmia cardíaca e miocardiopatia hipertrófica.

Mesmo assim, a Secretaria Municipal de Saúde de Arujá e a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo ainda apuram se há relação da morte com a vacinação. Em nota ao Comprova, a pasta estadual classificou como “precipitado e irresponsável afirmar, neste momento, que o caso está relacionado à vacinação”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde não foram notificados sobre a morte em Arujá.

Brasil não tem mortes de crianças pelas vacinas

Não há registro de mortes de crianças relacionadas à vacinação contra o coronavírus. A informação foi divulgada pelo presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, em entrevista à Agência Senado no dia 16 de fevereiro deste ano. De acordo com Barra Torres, apenas dez crianças nos Estados Unidos tiveram efeitos adversos graves após a vacina, mas todas tiveram alta médica.

A vacinação de adolescentes contra a covid-19 no Brasil é feita com a Pfizer e a Coronavac. O grupo de 12 a 17 anos, do qual o menino fazia parte, passou a ser vacinado em setembro de 2021, após recomendação do Ministério da Saúde.

Por que investigamos?

O Comprova verifica conteúdos suspeitos que circulam nas redes sociais ou aplicativos de mensagem sobre a pandemia do coronavírus, eleições e políticas públicas. O conteúdo verificado teve mais de 61 mil interações apenas no Instagram. Também é possível localizar o vídeo enganoso no Facebook e ele circula também no WhatsApp.

Não há até momento a confirmação de que a morte do menino tenha sido causada pela vacina da Pfizer. Assim, o conteúdo compartilhado contribui para a disseminação de notícias falsas sobre a vacinação contra o coronavírus.

Em outras verificações, o Comprova já mostrou ser enganoso, um post que relacionava a morte de uma criança com CoronaVac e que não há registro de mortes de crianças causadas por vacinas contra a covid-19 no Brasil.

Enganoso para o Comprova é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Pandemia

Investigado por: 2022-03-03

Post tira dados de contexto para sugerir que vacinados são mais vulneráveis à covid

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso um tuíte que usa dados de mortes por covid-19 no Distrito Federal referentes a um único dia para sugerir que pessoas vacinadas são mais vulneráveis à doença. O tuíte omite informações importantes e dá destaque a um conjunto de dados muito pequeno, que não é representativo da atual fase da pandemia.
  • Conteúdo verificado: Tuíte apresenta dados de um boletim diário de óbitos por covid-19 no DF, referente a 15 de fevereiro de 2022. O tuíte dá destaque ao fato de todas as oito mortes serem de pessoas que receberam ao menos duas doses da vacina, enquanto nenhuma pessoa não vacinada morreu naquele dia.

É enganoso um post no Twitter que usa dados de mortes por covid-19 no Distrito Federal referentes a um único dia para sugerir que pessoas vacinadas são mais vulneráveis à doença. O tuíte omite informações importantes e dá destaque a um conjunto de dados muito pequeno, que não é representativo da atual fase da pandemia.

Os dados citados na publicação foram extraídos da “Síntese diária de óbitos notificados em 15 de fevereiro”, um documento produzido pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (Divep/SVS). Segundo o informe, foram notificadas oito mortes por covid-19 no DF em 15 de fevereiro de 2022.

O autor do post ressalta que todas as oito vítimas haviam recebido ao menos duas doses da vacina contra a covid-19; quatro delas também tinham recebido a dose de reforço. “NENHUM ÓBITO DE NÃO VACINADO”, destaca o tuíte, induzindo à conclusão de que pessoas vacinadas são mais vulneráveis ao coronavírus, como mostram comentários feitos no post original (1 e 2).

A realidade do atual momento da pandemia, no entanto, é a oposta. Dados divulgados em fevereiro pelas secretarias de Saúde de estados como Amazonas, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo mostram que pessoas não vacinadas ou que não completaram o esquema vacinal, ou seja, não receberam as três doses, têm mais chances de morrer pela doença.

No Distrito Federal, dos 93 idosos acima de 60 anos que morreram entre 1º de janeiro e 7 de fevereiro, período analisado por um estudo feito pela Secretaria de Saúde, 79 (82,3%) não haviam recebido três doses da vacina. As informações foram divulgadas em 11 de fevereiro, portanto, estavam disponíveis quando o post investigado foi publicado. Não há informações sobre quantos estavam apenas com uma, duas ou nenhuma dose da vacina. O estudo leva em consideração que a população vacinada é aquela que completou o esquema básico (duas doses) e reforço.

Especialistas consultados pelo Comprova alertam que outras informações são relevantes ao se analisar dados de óbitos por covid-19. O tuíte aqui verificado diz que todas as oito vítimas notificadas no boletim de 15 de fevereiro do DF tinham mais de 60 anos. No entanto, o autor não menciona outros fatores de risco que constam no boletim e podem estar relacionados aos óbitos. Por exemplo, entre as oito mortes, cinco eram de pessoas com mais de 80 anos. Cinco delas também tinham comorbidades.

A Secretaria de Saúde do DF informou ao Comprova que está “em processo de revisão” do formato dos informes sobre covid-19, “no intuito de mitigar possíveis equívocos” e “interpretações errôneas” dos dados. Anteriormente, a secretaria já havia emitido um comunicado contextualizando as informações de um post parecido da deputada federal Bia Kicis (União Brasil-DF), que isolou dados do dia 14 de fevereiro de 2022.

O autor do tuíte aqui verificado também foi procurado pela equipe do Comprova, mas se recusou a comentar sobre o post.

O conteúdo foi considerado enganoso porque usa dados incompletos e omite informações importantes, induzindo a uma conclusão errada.

Como verificamos?

O tuíte aqui verificado apresenta um link para o informe da Divep/SVS com dados de mortes por covid-19 no DF no dia 15 de fevereiro. Por meio de uma consulta no site oficial da Secretaria de Saúde do DF, foi possível constatar que o documento linkado era legítimo. O Comprova também entrou em contato com o órgão para verificar se os dados que constavam no boletim estavam corretos e se havia mais informações sobre os óbitos notificados naquele dia.

Em seguida, buscamos especialistas que pudessem explicar o que os dados apresentados no post indicam sobre a eficácia das vacinas. Entrevistamos Breno Adaid, coordenador e professor de estatística no mestrado em administração do Centro Universitário IESB, e Julival Ribeiro, infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

A equipe ainda fez uma busca por informações oficiais divulgadas recentemente para entender o contexto da atual fase da pandemia de covid-19. Procuramos dados de estados brasileiros que informaram a situação vacinal das vítimas do coronavírus.

Por fim, o Comprova entrou em contato com o autor do tuíte.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 3 de março de 2022.

Verificação

Dados descontextualizados

No post, o autor cita um boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal no dia 15 de fevereiro de 2022. O informe traz uma síntese dos óbitos por covid-19 notificados naquele dia. Uma tabela mostra a situação vacinal das vítimas. Foram oito mortes: quatro pessoas haviam tomado duas doses da vacina contra a covid-19, e outras quatro haviam recebido também uma dose de reforço.

O boletim aponta ainda que todas as vítimas tinham mais de 60 anos de idade; cinco tinham mais de 80. Cinco delas também tinham comorbidades. O relatório traz tabelas separadas de acordo com as características gerais dos casos, como gênero, faixa etária, região administrativa, tipos de comorbidade e situação vacinal. Porém, não detalha o perfil individual de cada paciente, de forma que não há como saber se as pessoas que estavam vacinadas com a dose de reforço eram as mesmas que tinham comorbidades ou outros fatores de risco, por exemplo.

Breno Adaid, pesquisador de dados de covid-19, afirma que informações divulgadas dessa forma podem contribuir para o surgimento de comparações que geram desinformação, como no post investigado. “Cientificamente falando, o correto é comparar grupos mais homogêneos possíveis. No caso, taxa de mortalidade antes e depois da vacina”, explica. “Quando você pega casos isolados, corre o risco de, sem querer ou intencionalmente, pegar dados com particularidades”, completa.

Adaid ressaltou que a melhor forma de tratar os dados seria colocá-los dentro de um contexto maior. Por exemplo, junto às comorbidades, faixa etária e outros fatores que podem ter contribuído para o agravamento dos casos.

Ao Comprova, a SES-DF informou que está em processo de revisão do método de divulgação dos dados sobre a situação vacinal dos óbitos. A mudança ocorre justamente para evitar interpretações equivocadas. Recentemente, o órgão desmentiu uma publicação da deputada federal Bia Kicis, que também usava dados do boletim epidemiológico para questionar a eficácia das vacinas.

Vacinados x Não vacinados

Além de apresentar os dados fora de contexto, a publicação também confunde ao afirmar que houve “100% de óbitos de vacinados”, colocando pessoas que haviam recebido duas e três doses do imunizante em um grupo só. Indivíduos que receberam uma, duas ou três doses da vacina têm diferentes níveis de proteção, que variam com o tempo após a imunização, como explica Julival Ribeiro, infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia: “Somente após quinze dias da [aplicação da] segunda dose a gente começa a ter imunoproteção. Hoje, já sabemos que depois de quatro meses [da segunda dose], nós devemos tomar o reforço. Justamente porque ao longo do tempo cai essa proteção.”

O médico também esclarece que a vacinação diminui, mas não exclui totalmente o risco de morte pela covid-19. Fatores como idade e comorbidades podem contribuir para um agravamento do quadro. “Essas pessoas têm mais chance de virem a complicar e resultar em óbito. Isso é esperado. Agora, o que não se pode fazer é uma análise mostrando que não vacinados são mais protegidos. Isso não existe”, afirma.

Ribeiro ressalta que, apesar disso, a vacinação teve um impacto positivo também sobre essa população mais vulnerável. No Distrito Federal, os dados de 2022 mostram que a taxa de mortalidade por covid-19 de idosos com ciclo vacinal incompleto (que não receberam três doses) foi 33 vezes maior. Em 25 de janeiro, a Secretaria de Saúde do DF informou que 90% das pessoas hospitalizadas naquele momento não haviam completado o esquema vacinal.

Contexto nacional

Até o momento, não há um levantamento nacional para avaliar o impacto da vacinação nos óbitos e hospitalizações. Porém, dados oficiais divulgados por diferentes estados brasileiros mostram um cenário semelhante àquele registrado no DF. Um estudo da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC), da Secretaria de Saúde de Santa Catarina, divulgado no início de fevereiro, mostrou que a taxa de óbitos de idosos não vacinados ou com vacinação incompleta foi 47 vezes maior do que daqueles que receberam a dose de reforço. Entre adultos (de 18 a 59 anos), a taxa foi 39 vezes superior no grupo de não vacinados e sem dose de reforço. O levantamento foi feito com dados de novembro de 2021 a janeiro de 2022.

A taxa de hospitalização de indivíduos não vacinados ou com vacinação incompleta também se manteve superior em Santa Catarina. No mesmo período, o índice de internações foi 31 vezes maior entre idosos que não completaram o esquema vacinal. Já entre adultos, a taxa foi 20 vezes maior do que entre aqueles que não receberam a dose de reforço.

No Rio Grande do Sul, dados do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) apontam que a dose de reforço reduziu em 95% a incidência de óbito em idosos no período de agosto a novembro de 2021. Entre as pessoas com mais de 20 anos com esquema vacinal completo, o risco de morte foi reduzido em 87%.

| Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs). Dados mostram o impacto da vacinação em hospitalizações e óbitos por covid-19 no Rio Grande do Sul

Outro estado que apresenta taxas de hospitalização e óbito superiores entre não vacinados é o Amazonas. No último boletim sobre a situação epidemiológica da covid-19, pacientes sem nenhuma dose da vacina apresentaram um risco 4,3 vezes maior de hospitalização do que indivíduos com esquema vacinal completo. Em relação aos óbitos, o risco foi 2,5 vezes maior. O boletim compila dados de 1º de janeiro a 8 de fevereiro.

Um levantamento feito pelo G1, com índices do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, além dos estados já citados na verificação, mostra um cenário semelhante: de que os não vacinados são os que mais morrem. Os dados reforçam o que especialistas e organizações nacionais e internacionais defendem: as vacinas contra a covid-19 são eficazes e a dose de reforço é fundamental para reduzir o risco de internação e óbito.

O autor

O post do Twitter foi feito pelo jornalista e advogado Paulo Cesar Rodrigues de Faria. Na rede social, ele tem publicado diversos conteúdos contrários à vacinação, entre eles, teses que o Comprova já desmentiu, como a de que as vacinas são “experimentais”.

Faria foi um dos responsáveis pela defesa do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), que em fevereiro de 2021 teve prisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após publicar vídeo ofendendo juízes do tribunal, defendendo a sua destituição, e elogiando o Ato Institucional nº5, instrumento legal de repressão da ditadura militar brasileira (1964-1985).

O Comprova entrou em contato com o advogado, que respondeu em tom agressivo, crítico do trabalho de agências de verificação de fatos. Afirmou que projetos como o Comprova “adotaram a mentira, deturpação dos fatos, violações de honras e intimidades de quem pensa dissonante da ideologia progressista, como máxima de suas atuações”.

Em seguida, fez uma série de questionamentos sobre a verificação e disse que “medidas judiciais” seriam tomadas contra os jornalistas envolvidos na checagem e os veículos para os quais trabalham, caso fossem feitas publicações de caráter “não-jornalístico” e “viés político-ideológico” que atingissem sua “honra e dignidade”.

A equipe do Comprova então respondeu algumas das perguntas levantadas por Faria, informando quais especialistas foram consultados na verificação. Também deixamos links para matérias dos sites Metrópoles e G1, que trazem dados oficiais sobre a situação vacinal de vítimas da covid-19. Em resposta, o advogado voltou a fazer ataques à imprensa e ameaçou tomar medidas judiciais contra “todos os envolvidos”, em caso de violação à sua honra.

Por que investigamos?

O Comprova tem como escopo a investigação de conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais e estão relacionados a pandemia, eleições e políticas públicas do governo federal. Até o dia 2 de março de 2022, a publicação aqui verificada teve mais de 2.000 interações no Twitter.

Conteúdos que trazem desinformação sobre as vacinas contra a covid-19 podem provocar dúvidas e desestimular a população a aderir a campanha de vacinação em curso no Brasil. A eficácia e segurança das vacinas são temas constantes nas verificações do Comprova.

Já mostramos que um post que relacionava a morte de uma criança à CoronaVac era enganoso; que vacinas não criaram novas cepas ou mais casos de covid em Israel; e que o leite materno não substitui vacinação de crianças contra a covid-19, como sugeriu o ex-senador Magno Malta.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Eleições

Investigado por: 2022-02-23

Vídeo que compara casas em comunidade do RN engana ao atribuir estruturas a Lula e Bolsonaro

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso um vídeo que sugere que casas de um programa social têm qualidades diferentes porque foram entregues por governos diferentes. Residências foram construídas pelo governo do Rio Grande do Norte, em convênio com o Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), para abrigar atingidos pela barragem de Oiticica. A maior parte dos recursos é federal e foi repassada durante os governos de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). As casas mais simples são destinadas a inquilinos que não têm direito a permuta e foram entregues em 2018 — a gestão estadual promete reformar esses imóveis que estão deteriorados.
  • Conteúdo verificado: Vídeo do TikTok em que um homem trafega de carro por uma rua de um conjunto habitacional que, segundo ele, é “Barra de Santana”. O homem mostra dois tipos de residência e diz que as que estão em melhor estado foram construídas pelo governo Bolsonaro, enquanto as outras são de Lula e do PT.

É enganoso o vídeo que viralizou no TikTok e supostamente mostra um “padrão” de casas erguidas pelo presidente Jair Bolsonaro e outro pelo governo de Lula e do PT na comunidade de Nova Barra de Santana, em Jucurutu, no Rio Grande do Norte. O conteúdo desinforma sobre as obras, que foram iniciadas em 2016 e estão sob responsabilidade direta do governo estadual, ainda que a maior parte dos recursos seja garantida pela União.

Além disso, segundo apurou o Comprova, as residências mais simples e que aparecem deterioradas no vídeo são destinadas a pessoas que moravam de aluguel na área que será alagada pela barragem de Oiticica, em um total de 41. Esses inquilinos não têm direito a permuta dos imóveis, mas foram beneficiados pelo programa Pró-Moradia, executado pela Companhia Estadual de Habitação e Desenvolvimento Urbano (Cehab) com financiamento da Caixa, na mesma comunidade.

Essas casas foram inauguradas em 2018, durante a gestão do governador Robinson Faria (PSD) e do presidente Michel Temer (MDB), nenhum deles do PT, mas não chegaram a ser ocupadas por falta de infraestrutura. Procurada pelo Comprova, a gestão estadual disse que está fazendo um processo de licitação para contratar uma empresa e recuperar essas casas.

Já as casas em melhor estado que aparecem no vídeo fazem parte de um conjunto de 177 residências que também estão sendo construídas pelo governo do Estado, mas dentro do convênio da barragem de Oiticica com o governo federal, desde 2016, e que ainda não foram inauguradas. Elas serão entregues aos proprietários que precisam se mudar por conta das obras do projeto de integração do Rio São Francisco.

O Complexo de Oiticica como um todo está orçado hoje em R$ 657,2 milhões — montante que engloba tanto as estruturas do reservatório quanto as obras sociais necessárias para atender os atingidos na região, a exemplo do novo núcleo urbano. O Estado entrou com uma contrapartida de R$ 19 milhões, enquanto o restante é bancado pelo orçamento federal, seja por recursos diretos ou emendas parlamentares. Os repasses foram realizados entre 2013 e 2021, segundo dados do Portal da Transparência.

O governo potiguar declarou que a previsão de entrega da comunidade de Nova Barra de Santana é 30 de abril deste ano, estando a obra com 95% de execução até o momento.

O vídeo foi classificado como enganoso porque traz dados imprecisos e confunde, omitindo informações sobre o contexto da obra em questão. O perfil que divulgou o conteúdo viral foi procurado por meio das redes sociais, mas não retornou ao contato do Comprova.

Como verificamos?

O Comprova iniciou esta verificação procurando pela localidade de “Barra de Santana” que é mencionada no vídeo. A reportagem identificou a existência de uma cidade na Paraíba com esse nome e uma comunidade em Jucurutu, no Rio Grande do Norte.

Por meio de contatos com a Prefeitura de Barra de Santana e o governo do Estado do Rio Grande do Norte, conseguiu identificar o local correto como sendo a comunidade potiguar. O Comprova também analisou fotos públicas para chegar a essa conclusão e conversou com moradores e com um assessor do Movimento dos Atingidos pela Construção da Barragem de Oiticica.

A partir disso, mais informações sobre a obra de Nova Barra de Santana e a barragem de Oiticica foram recolhidas. O Comprova consultou textos divulgados pelos governos federal e estadual, dados do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU) e reportagens sobre o assunto.

Verificação

Onde o vídeo foi gravado

Na gravação, um homem trafega de carro e mostra lados opostos da rua de um conjunto habitacional. Ele diz: “Olha o padrão das casas que Lula e o PT começou (sic) na Barra de Santana”, enquanto filma estruturas mais simples e deterioradas. Depois, passa a alternar com o lado onde aparecem residências em melhor estado. “Padrão Bolsonaro, padrão PT. E aí?”.

A única cidade com o nome de Barra de Santana cadastrada no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fica na Paraíba. Mas também existe uma comunidade batizada de “Nova Barra de Santana” no Rio Grande do Norte, de onde Gessivan Oliveira, o perfil que divulgou o vídeo no TikTok, costuma postar mensagens de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Nova Barra de Santana é uma comunidade rural no município de Jucurutu, destinada à realocação de famílias que precisaram deixar suas casas em uma área que será alagada pela barragem de Oiticica. O reservatório está em fase final de construção e deve ser entregue até o final deste ano, segundo relatado ao portal G1.

O site e as redes sociais do governo do Estado do Rio Grande do Norte trazem fotografias com elementos semelhantes ao vídeo checado pelo Comprova. Em duas delas, é possível notar a presença de uma caixa d’água branca atrás das casas e diferenças entre as estruturas de um lado e de outro da rua. Outro ponto em comum com o post viral é a presença de uma esquina após um pequeno trecho.

| Fotos disponibilizadas no portal do governo do Rio Grande do Norte, sem autoria informada.

Para confirmar a localização, o Comprova encaminhou o vídeo para as assessorias de comunicação do governo do Rio Grande do Norte e da Prefeitura de Barra de Santana (PB). A administração da cidade paraibana negou, pelo WhatsApp, que as imagens tenham sido feitas no município. O governo potiguar confirmou que se trata da comunidade de Nova Barra de Santana, em Jucurutu.

Barragem de Oiticica

A construção das moradias na comunidade de Nova Barra de Santana é necessária porque a área onde essas famílias moram hoje será alagada quando a barragem de Oiticica entrar em operação. O reservatório tem como objetivo tornar perene o rio Piranhas-Açu e reduzir o problema da seca na região do Seridó. A obra faz parte do Projeto de Integração do Rio São Francisco.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, o empreendimento receberá as águas do Eixo Norte da Transposição e terá capacidade para armazenar mais de 556 milhões de metros cúbicos de água, atendendo a cerca de 330 mil habitantes das cidades de Jucurutu, Caicó, Timbaúba dos Batistas, São Fernando, Jardins de Piranha, Cruzeta, São José do Seridó e São José do Sabugi.

O histórico da barragem de Oiticica remonta a 1950, segundo apurou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo a partir do Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde do Brasil, mantido pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSA/Fiocruz). A primeira tentativa de execução da obra viria a ocorrer em 1990, mas problemas identificados em vistoria do Tribunal de Contas da União (TCU) levaram à paralisação total ainda em 1993.

Quase duas décadas depois, em 2010, a barragem foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), integrada ao projeto de transposição do Rio São Francisco. Porém, novos problemas na licitação e indícios de sobrepreço em contratos atrasaram a ordem de início do serviço. O canteiro de obras foi reinstalado apenas em 2013, sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh/RN).

Essa ação foi possível graças a convênio assinado entre o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) e o governo do Rio Grande do Norte para a construção da barragem de Oiticica, naquele mesmo ano. A estimativa inicial da obra era de R$ 368,9 milhões, divididos entre R$ 349,9 milhões da União e R$ 19 milhões do Estado. Com os aditivos do contrato, no entanto, esse orçamento foi elevado hoje para R$ 657,2 milhões. A previsão é de que o governo federal invista R$ 638,2 milhões até o final deste ano, com a mesma contrapartida regional.

Dados do Portal da Transparência mostram que os repasses foram realizados ao longo de três gestões federais: Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). Em nível estadual, a obra passou pelos mandatos de Rosalba Ciarlini (PP), Robinson Faria (PSD) e Fátima Bezerra (PT). Na plataforma da CGU, consta que a primeira parcela foi depositada em 2013. Foram liberados R$ 561,3 milhões desde então, com a movimentação mais recente em dezembro de 2021. O gráfico a seguir mostra o valor dos repasses a cada ano, conforme os dados oficiais.

 

Nova Barra de Santana

O início das obras do novo distrito urbano em Jucurutu para abrigar as famílias ocorreu em setembro de 2016, cerca de três anos depois dos trabalhos começarem na barragem de Oiticica. O governo do Estado também precisou assentar trabalhadores rurais em agrovilas, que fazem parte das obras sociais e formam o “Complexo de Oiticica”. Esses projetos estão incluídos no convênio com o Dnocs.

O empreendimento de Nova Barra de Santana enfrentou uma série de problemas que levaram o Ministério Público Federal (MPF) a ingressar com uma ação civil pública contra a União, o Estado e as empresas responsáveis pela obra em 2018. Um laudo pericial constatou diversas irregularidades na construção das casas, que comprometiam a segurança dos futuros moradores. Houve desabamento de 38 casas por conta de chuvas na região, por exemplo.

As obras chegaram a ser interrompidas por cinco meses. Em 2019, a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), com apoio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), promoveu distrato com o consórcio responsável pela obra até aquele momento e contratou outra companhia, que já atuava na barragem de Oiticica. Os trabalhos foram retomados em dezembro de 2019, e um novo projeto urbanístico foi apresentado em agosto de 2020. A intenção era entregar a obra em meados de 2021, mas o prazo foi adiado para o primeiro semestre deste ano.

Em resposta ao Comprova, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) confirmou que a execução é feita pelo governo do Rio Grande do Norte com recursos do governo federal e que o termo de compromisso engloba a implantação da Barragem de Oiticica e a construção das obras sociais, tanto da comunidade de Nova Barra de Santana quanto das três agrovilas. Apenas os recursos de reassentamento urbano e rural somam R$ 81,8 milhões. Pelas contas do MDR, foram repassados R$ 300 milhões desde 2019, 47% do valor total, e restam cerca de R$ 50 milhões a serem destinados até o final da execução, previsto para dezembro de 2022.

Diferença entre as casas

De acordo com as informações mais recentes do governo do Rio Grande do Norte, a obra de moradia conta atualmente com 218 imóveis e também com escola, creche, posto de saúde, associação de moradores, centro de comércio, quadra poliesportiva, cemitério, igreja e praça. Destas casas, 177 são objeto de permuta com os proprietários da área que será alagada pela barragem de Oiticica.

Além delas, existem 41 residências construídas para pessoas que moram de aluguel ou de favor na mesma localidade e que não teriam direito ao novo espaço. Elas foram entregues ainda em 2018, durante a gestão do governador Robinson Faria (PSD), mas os inquilinos não chegaram a se mudar porque faltava infraestrutura básica, como rede de água, esgoto e energia. A construção foi realizada dentro do programa Pró-Moradia, executado pela Companhia Estadual de Habitação e Desenvolvimento Urbano (Cehab), com financiamento da Caixa Econômica Federal.

De acordo com a assessoria de comunicação do governo do Rio Grande do Norte, essas são as casas mostradas do lado direito da rua e que foram falsamente atribuídas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos governos do PT no vídeo que circula no TikTok. As estruturas se deterioraram pela ação do tempo e também foram alvo de furtos, segundo a imprensa local. Em nota, o governo afirma que “está fazendo um processo de licitação para contratação de empresa para recuperar essas casas e entregar novamente aos moradores”.

No lado esquerdo da rua mostrada no vídeo checado pelo Comprova, as construções fazem parte dos 177 imóveis restantes. De acordo com o governo do Estado, foram apresentados cinco tipos diferentes de casas aos moradores a partir de uma audiência pública, presidida por um juiz mediador de conflitos. “O beneficiário recebe a casa nova, através de permuta, tendo aproximadamente a mesma área construída que possui atualmente em Barra de Santana, e de acordo com as necessidades das famílias”. Também houve pessoas que optaram por receber indenizações em vez das novas estruturas.

O Comprova entrevistou moradores e representantes de organizações da sociedade civil para confirmar essas informações. O engenheiro agrônomo José Procópio de Lucena, assessor do Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (Seapac) no Movimento dos Atingidos e Atingidas pela Construção da Barragem de Oiticicas, fez o mesmo relato sobre as casas mostradas no vídeo. De um lado, parte das 41 casas populares construídas pela Cehab para pessoas que não tinham direito a permuta e não faziam parte do projeto original de reassentamento das famílias do povoado. De outro, algumas das 177 residências que serão entregues aos proprietários em troca dos terrenos afetados pela obra hídrica.

Lucena diz que as 41 casas de inquilinos foram uma conquista do movimento e criticou a disseminação de um discurso eleitoreiro e sem base nos fatos a respeito do tema nas redes sociais. Ele relatou ainda que as casas foram entregues provisoriamente em 2018, mas não puderam ser habitadas. Como ficaram cinco anos sem manutenção, acabaram se deteriorando, mas devem ser reformadas pelo governo do Estado depois que sair o resultado do pregão, em março.

Outro morador que critica a disseminação de informações que distorcem a realidade foi João Vitor, morador da região e que mantém, junto com outros colegas, um perfil no Instagram com atualizações das obras, tanto da barragem quanto das casas. “Essas casas nada tem com PT, Lula ou Bolsonaro. Foram uma conquista do movimento junto ao governo do Estado anterior a este”, explicou João, que fez questão de ressaltar a importância das casas mais simples na vida dos que foram contemplados.

Por que investigamos?

O Comprova verifica informações suspeitas com grande circulação nas redes sociais ou aplicativos de mensagem sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas do governo federal e as eleições presidenciais de 2022. O vídeo que foi objeto desta verificação cita dois possíveis candidatos a presidente nas próximas eleições e foi publicado no TikTok e compartilhado em diversas outras redes. O conteúdo original teve quase 2 milhões de visualizações até o dia 23 de fevereiro e cerca de 100 mil interações.

Outros conteúdos semelhantes também foram verificados pelo Comprova e outras agências de checagem. A construção foi objeto de investigação da Lupa e do Estadão Verifica em maio do ano passado, quando blogs governistas espalharam que o presidente Jair Bolsonaro estaria entregando uma “cidade para 4 mil habitantes no RN com tudo o que tem direito”. O próprio governo estadual publicou um material para explicar a situação das casas.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Eleições

Investigado por: 2022-02-23

É falso que apresentador americano riu de pesquisa eleitoral do Brasil

  • Falso
Falso
É falso que um âncora da CNN nos Estados Unidos tenha rido dos resultados das pesquisas de intenção de voto para presidência da República no Brasil neste ano. O vídeo que viralizou é uma edição feita a partir de uma gravação de 2015 de uma emissora ligada à Fox na Califórnia, e a reportagem falava sobre um crime local, não sobre a política brasileira. A pesquisa que foi inserida na tela durante a edição também é antiga.
  • Conteúdo verificado: Um vídeo com um apresentador que parece ter um ataque de riso ao comentar uma notícia, sendo possível notar o título do noticiário de uma emissora estadunidense. Ao lado, um recorte com uma imagem de pesquisa de intenção de voto para presidente no Brasil.

É falso que o resultado das pesquisas de intenção de voto na eleição brasileira deste ano tenha provocado uma crise de riso em um âncora da CNN nos Estados Unidos, como sugere um vídeo que viralizou no TikTok e no WhatsApp. O conteúdo investigado pelo Comprova, na verdade, é uma edição a partir de uma gravação feita em fevereiro de 2015 por uma emissora afiliada da Fox em Bakersfield, na Califórnia. A reportagem original tratava de um crime local envolvendo duas pessoas de 60 anos. Uma legenda falsa em português também foi incluída no vídeo, mas os termos não correspondem ao que o apresentador fala em inglês em nenhum momento.

A pesquisa que foi inserida na tela durante a montagem também não é recente. Ela foi feita pela Genial/Quaest em novembro do ano passado e divulgada pela CNN Brasil, de onde a arte incluída falsamente no vídeo pode ter sido retirada. O mesmo instituto voltou a divulgar resultados sobre a corrida presidencial brasileira em dezembro de 2021 e em janeiro e fevereiro de 2022.

O Comprova não conseguiu enviar mensagem pelo TikTok para o perfil @marcosbr371, que divulgou o conteúdo na plataforma.

O vídeo foi considerado falso por conter conteúdo editado para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Como verificamos?

O Comprova identificou alguns termos no próprio vídeo, usando-os para uma busca inicial que pudesse nos levar ao conteúdo original. No canto da imagem é possível observar o nome do noticiário, “Eyewitness News” e a emissora em que é exibido, “KBFX”.

A partir de um recorte do vídeo original, o Comprova buscou as páginas do canal e do apresentador, Aaron Perlman, a fim de verificar se havia alguma menção ao episódio.

Com a transcrição do áudio em inglês, foi possível notar que não havia correspondência com as legendas.

Procuramos um contato do usuário da conta, na rede social TikTok, onde o vídeo com manipulação nas legendas havia sido publicado. Observamos a existência de outros conteúdos semelhantes, notando que a postagem de recortes de noticiários estrangeiros com legendas distorcidas, em tom de humor, sobre os futuros candidatos à presidência, em especial Jair Bolsonaro e Lula, é recorrente na referida conta.

Também a partir do vídeo que viralizou, fizemos uma busca por uma pesquisa da Genial/Quaest com os números apresentados e descobrimos que ela era de novembro do ano passado. Buscamos ainda por outros levantamentos feitos pelo mesmo instituto desde então.

Verificação

Vídeo é de sete anos atrás

O vídeo em questão foi publicado em 26 de fevereiro de 2015 no canal do YouTube do apresentador Aaron Perlman e compartilhado em sua conta do Twitter.

Trata-se de um episódio do noticiário matinal Eyewitness News, do jornal Bakersfield Now, ligado à KBAK-CBS e à Fox (daí a sigla “KB-FX”) – e não da CNN americana – na cidade de Bakersfield, Califórnia. A conta oficial do Bakersfield Now no Twitter também compartilhou o vídeo na ocasião.

Antes de a câmera mostrar Perlman, a tela exibe a notícia da investigação de um caso de esfaqueamento de um senhor de 60 anos por outro com a mesma idade. Perlman, repentinamente, começa a rir enquanto o outro âncora está falando do caso.

A conversa que ocorre é bastante diferente da legenda. O apresentador apenas diz: “… Well, I’m not laughing at this story, because this story is serious… But… Man, I apologize… I can’t deal… it’s… There’s a… good morning” (em tradução livre: “… Bem, eu não estou rindo dessa história, porque essa história é séria… Mas… Cara, eu peço desculpas… Eu não consigo lidar… É… Tem um… Bom dia”).

A imagem exibida enquanto Perlman ri é uma montagem com a entrada de Bakersfield e o Fox Theatre, localizado na cidade, com os dizeres “NEW THIS MORNING”, conforme é possível verificar na captura de tela do vídeo compartilhado pelo próprio apresentador em 2015.

Em seguida, é projetada a ilustração do mapa dos Estados Unidos, com a legenda “acidente mortal”, e Perlman segue narrando a história de um acidente automobilístico.

Em nenhum momento o âncora fala em Brasil ou em “cadeia”, como sugerido na legenda do vídeo compartilhado.

Segundo o site TVSpy, a transmissão havia sido feita no mesmo dia em que o âncora publicou o vídeo no YouTube. O apresentador trabalha na emissora há cerca de dez anos.

Pesquisa não é nova

Na arte incluída no vídeo que viralizou é possível ler que a pesquisa era da Genial/Quaest. Com essa informação e os números, fizemos uma busca por levantamentos desse instituto que tivessem os mesmos resultados. Descobrimos que a pesquisa foi feita em novembro de 2021. No site da CNN Brasil, o gráfico usado para divulgar os resultados é idêntico ao que aparece no conteúdo investigado.

| Arte divulgada pela CNN Brasil

| Detalhe do vídeo investigado

Desde então, o mesmo instituto já fez pesquisas em dezembro de 2021, janeiro e fevereiro de 2022. Os números mais recentes são do último dia 9 e mostram o ex-presidente Lula (PT) com 45%; o presidente Jair Bolsonaro (PL) com 23%; o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro (Podemos) e o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) com 7% cada. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o deputado federal André Janones (Avante) têm 2% cada um; e a senadora Simone Tebet (MDB) aparece com 1%. Brancos, nulos e não vão votar somam 8%. Indecisos são 5%.

Por que investigamos?

O Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre as eleições brasileiras de 2022, a pandemia de covid-19 e as políticas públicas do governo federal que tenham viralizado nas redes sociais. O vídeo em questão teve mais de 37 mil interações no TikTok, além de ter sido sugerido por leitores do Comprova após circular no WhatsApp. Sugestões como esta podem ser encaminhadas pelo número (11) 97045-4984, ou clicando neste link.

Verificações sobre conteúdos relacionados a eleição são importantes porque informações verdadeiras são necessárias para a decisão de voto dos cidadãos. A desinformação também pode levar à perda de credibilidade do processo eleitoral, o que é danoso para a democracia. Conteúdos que começam como sátira também podem enganar.

A Agência Lupa verificou o mesmo conteúdo e o classificou como falso.

Recentemente, o Comprova mostrou que um boato usava pesquisa falsa para dizer que o presidente Jair Bolsonaro lidera em todos os estados. Também mostrou ser enganoso que o TSE descumpriu prazos para responder às Forças Armadas sobre as urnas eletrônicas e ser falso que o eleitor não poderia votar neste ano sem a biometria.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Esta verificação foi feita por jornalistas que participam do Programa de Residência no Comprova.

Pandemia

Investigado por: 2022-02-22

Post engana ao relacionar morte de criança com CoronaVac; investigação segue em aberto

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso um post no Twitter que relaciona a morte de um menino de 10 anos no Rio de Janeiro à vacinação com a CoronaVac. Procurada pelo Comprova, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou que a investigação sobre o caso ainda está em aberto, de modo que não é possível afirmar, com as informações ora disponíveis, que a morte foi causada pela vacina. Os exames laboratoriais realizados até o momento afastam essa possibilidade.
  • Conteúdo verificado: Um post no Twitter traz imagens do relato de uma mãe que afirma que seu filho morreu dias após receber a primeira dose da CoronaVac. A autora do tuíte comenta: “CORONAVAC 10 anos! ASSASSINOS!”, insinuando que a vacina contra a covid-19 teria sido responsável pela morte do menino de 10 anos.

É enganoso um post no Twitter que relaciona a morte de um menino de 10 anos no Rio de Janeiro à vacinação com a CoronaVac, imunizante contra a covid-19 produzido no Brasil pelo Instituto Butantan. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informaram ao Comprova que a investigação sobre o caso segue em aberto, de modo que não é possível afirmar, com as informações ora disponíveis, que a morte foi causada pela vacina.

O tuíte traz imagens de um relato da mãe da criança, Shirlene Souza Trindade, no Facebook. Ela afirma que seu filho recebeu a primeira dose da CoronaVac em 27 de janeiro. Depois, teria começado a apresentar sintomas como febre e dor na coluna. A mãe diz que o braço direito do menino, no qual recebeu a vacina, ficou inchado, “umas cinco vezes maior”. Após fazer consultas no Hospital Municipal Rocha Faria e em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), ele teria sido internado no Hospital Municipal Pedro II, onde morreu de parada cardíaca em 6 de fevereiro. Segundo Shirlene, os médicos do Pedro II trataram o caso do paciente “o tempo todo como suspeita da vacina”.

Procurada pelo Comprova, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que uma investigação foi aberta sobre o caso, mas garantiu que “em nenhum momento, durante o atendimento no HMP II, os médicos tenham relatado tratar-se de caso de efeito adverso à vacina”. O órgão informa que o diagnóstico do menino foi de choque séptico de foco cutâneo devido a artrite séptica ou uma celulite no braço esquerdo — não no braço direito, no qual foi aplicada a vacina em no menino.

Ainda de acordo com a secretaria, um exame de antibiograma feito na véspera da morte, em 5 de fevereiro, registrou a presença no sangue do menino do microrganismo Staphylococcus aureus (MRSA+). “Trata-se de uma bactéria resistente a vários antibióticos e que, infelizmente, causou o quadro de sepse”, diz a nota do órgão. Embora a investigação ainda esteja em andamento, “todos os exames laboratoriais até o momento afastam a possibilidade de reação vacinal”, afirma a secretaria.

A Anvisa também informou, em nota ao Comprova, que “a investigação segue em andamento, não sendo possível confirmar a causalidade com a vacinação”.

O Comprova entrou em contato com Shirlene, a mãe do menino, por meio do Facebook e do Instagram, mas não obteve resposta. Depois disso, ela excluiu o post com o relato sobre a morte do filho do Facebook.

O Comprova também tentou contatar a autora do post aqui verificado, feito no Twitter, que se identifica como ChrisF. A conta, porém, até o dia 21 de fevereiro de 2022, não permitia o envio de mensagens privadas. Sem o sobrenome da autora, não foi possível encontrá-la em outras redes sociais.

O conteúdo foi classificado como enganoso porque usa informações imprecisas sobre um caso real para chegar a uma conclusão que, por ora, não tem sustentação.

Como verificamos?

Começamos a verificação fazendo contato com a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro e com a Anvisa. Questionamos se as autoridades de saúde tinham conhecimento sobre o caso, se as informações divulgadas pela mãe eram verdadeiras, se existia alguma investigação sobre a morte do menino, se a apuração já havia sido finalizada e qual sua conclusão. Por fim, se houve relação da morte com a vacina contra a covid-19.

O Comprova também procurou o Instituto Butantan, responsável pela produção da CoronaVac no país.

Em seguida, tentamos contato diretamente com os hospitais em que o menino foi atendido, mas, por serem municipais, as instituições se manifestam somente via Secretaria Municipal de Saúde. Enviamos mensagem a um dos médicos que atendeu a criança, mas o profissional informou que, por orientação do hospital e de seu advogado, não iria se manifestar sobre o caso.

Conversamos com o pediatra e infectologista Daniel Jarovsky, da Santa Casa de São Paulo, para entender o que é o microrganismo Staphylococcus aureus (MRSA+), como se manifesta, que tipo de sintomas provoca e se pode levar à morte.

A mãe do paciente, Shirlene Souza Trindade, foi contatada pelo Comprova pelo Facebook e também em seu perfil no Instagram, mas não deu retorno.

Não conseguimos contato com a autora do post aqui verificado, que compartilha no Twitter imagens do relato de Shirlene, uma vez que o envio de mensagens privadas não está habilitado em sua conta. A autora também não inclui seu sobrenome, intitulando-se apenas como “Chris F”. Analisamos as postagens mais recentes feitas pela conta em questão no Twitter. Os conteúdos, em sua maioria, são contrários à vacinação contra a covid-19.

Foi feita ainda uma busca no Google, no dia 20 de fevereiro de 2022, por palavras-chave como “morte”, “menino”, “rj”, “vacina”, “covid” e pelo nome do menino. Entre os 10 primeiros links encontrados, dois eram sobre o caso verificado nesta checagem. O primeiro, uma peça de desinformação publicada em um site de “conteúdo conservador”, que apenas reproduz o relato da mãe, sem citar outras fontes; o segundo, um vídeo no YouTube, também reproduzindo o relato da mãe, publicado no canal Patriota Brasil, que costuma veicular conteúdos em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Não foram encontradas reportagens jornalísticas sobre o caso.

Os demais links encontrados durante a pesquisa foram reportagens com o serviço de vacinação de crianças contra a covid-19, uma matéria sobre o caso de outro menino, investigado em Minas Gerais, cuja conclusão das autoridades de saúde descartou a relação entre óbito e vacina, e outro caso desmentido pela Agência Lupa associado ao mesmo tema.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 22 de fevereiro de 2022.

Verificação

Hospitalização e morte da criança

O menino foi vacinado no dia 27 de janeiro de 2022, com a primeira dose da CoronaVac. Uma foto da caderneta de vacinação, compartilhada pela mãe, informa que a segunda aplicação estava prevista para o dia 24 deste mês. No relato, ela afirma que a imunização aconteceu em uma unidade da Clínica da Família, local similar a um posto de saúde. O endereço exato não foi divulgado.

Ainda de acordo com a mãe, dias depois da vacinação, o menino foi levado duas vezes ao Hospital Municipal Rocha Faria. Ela publicou uma foto com o receituário prescrito na primeira consulta, que ocorreu no dia 31 de janeiro. Quem assina o documento é um médico ortopedista e traumatologista. Procurado, ele preferiu não se manifestar sobre o caso.

Foi receitado ao menino Nimesulida (anti-inflamatório), Dipirona (analgésico e antipirético) e uso de gelo na região em que a criança estava com dor. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele procurou atendimento com dores na lombar.

A mãe relata que, no segundo atendimento no Hospital Rocha Faria, a recomendação médica foi de seguir com a administração dos remédios. A data em que esse atendimento aconteceu não foi informada.

O terceiro atendimento, segundo o relato da mãe, ocorreu em uma Unidade de Pronto Atendimento. De acordo com ela, o estado de saúde da criança foi considerado muito grave pela equipe da unidade. Foi solicitada transferência, e o menino foi levado ao Hospital Municipal Pedro II. Isso teria ocorrido no dia 3 de fevereiro.

Conforme a mãe, a criança ficou internada por dias na unidade e teve febre, dor e bolhas de água pelo corpo, falta de ar e hemorragia no pulmão. Apenas a febre foi confirmada pela Secretaria de Saúde, que se limitou a informar que o menino teve piora no quadro e aparecimento de mais sintomas, sem especificá-los.

A mãe diz que os médicos do Hospital Pedro II trataram o caso como suspeita de reação à vacina, o que é negado pela Secretaria de Saúde e pela Prefeitura do Rio de Janeiro. As falas da pasta e da administração também contestam a versão da mãe do menino sobre as dores no braço direito, local onde a vacina foi aplicada. No texto, ela diz que esse membro inchou, ficando cinco vezes maior que o tamanho normal. Em nota, a prefeitura informou que, durante a internação, o menino foi diagnosticado com uma celulite no braço esquerdo, que seria uma infecção das partes mais profundas da pele.

O paciente teve uma sequência de paradas cardíacas no dia 6 e acabou morrendo. Um dia antes, foi feita uma coleta de sangue e, após exame, foi identificada a bactéria causadora da sepse. A informação é da prefeitura. Por não se tratar de morte violenta, o corpo não foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

No relato, a mãe diz que procurou a Clínica da Família para avisar sobre a morte e as reações que acreditava terem sido causadas pela vacina. De acordo com a secretaria, a investigação sobre a suposta relação começou nesta data.

Ao Comprova, a Anvisa informou que investiga o caso e que, neste momento, não é possível confirmar a vacinação como causa da morte. O Instituto Butantan também respondeu aos questionamentos da equipe dizendo que, até então, não há indícios de que o óbito tenha relação com a CoronaVac.

Infecção por bactéria

A bactéria Staphylococcus aureus, identificada no menino a partir de exame de sangue, é considerada comum, afirmou ao Comprova o pediatra e infectologista Paulo Daniel Jarovsky, da Santa Casa de São Paulo. De acordo com o médico, ela é geralmente encontrada na pele ou em regiões como nariz e garganta.

“A bactéria convive com o ser-humano nesses lugares, pele, garganta, nariz. E, basicamente, ela não causa infecção, a não ser que ocorra alguma ruptura da pele ou algum desbalanço do equilíbrio das bactérias”, explica.

Conforme Jarovsky, a contaminação ocorre quando a bactéria presente na superfície da pele entra no organismo, o que pode acontecer por meio de uma queimadura ou de infecções respiratórias, como resfriado e covid-19. Se a área não for esterilizada, até mesmo a perfuração de uma agulha ou outro objeto poderia ser um caminho para a bactéria entrar no organismo – não há provas de que esse tenha sido o caso do menino.

Os sintomas dependem de onde ela se aloja. No pulmão, por exemplo, pode causar pneumonia. Já no cérebro, meningite. Qualquer um desses casos, explica Jarovsky, pode levar a sepse. “Sepse é o quadro mais dramático, severo, mais grave de uma infecção, em que você tem um desarranjo de vários órgãos do corpo, em decorrência dessa infecção, que leva a uma inflamação generalizada e, se a sepse não for tratada adequadamente, ela pode evoluir para um choque séptico, falência de múltiplos órgãos e morte”, detalha o médico.

No caso do menino, a Secretaria Municipal da Saúde usou a sigla MRSA+ para descrever a bactéria encontrada. Jarovsky afirma que isso significa “resistente a meticilina”, antibiótico tipicamente usado no tratamento dessa infecção. O tratamento neste caso exigiria o uso de antibióticos mais “amplos e/ou potentes” para dar conta de vencer a bactéria.

A celulite infecciosa, também citada no laudo do menino, é uma infecção das partes mais profundas da pele. Já a artrite séptica, esclarece o especialista, caracteriza-se pelo alojamento da bactéria no líquido das articulações, principalmente de joelho e quadril.

“A bactéria [Staphylococcus aureus] é compatível tanto com uma celulite, quanto com uma artrite séptica, tem uma plausibilidade, sim, e poderia levar à morte se não tratado adequadamente. Não só adequadamente, mas prontamente”, conclui o pediatra.

Mortes por vacinas contra a covid-19

Não há registros de mortes de crianças devido à aplicação de vacinas contra a covid-19 no Brasil. A informação, constatada em checagem recente do Comprova, foi reafirmada na última semana pelo diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres.

O Instituto Butantan, responsável pela produção da CoronaVac, também afirmou ao Comprova, em nota enviada por e-mail, que não foram confirmados óbitos de crianças por reação do imunizante nas mais de 300 milhões de doses aplicadas ao redor do mundo.

A vacina já está em uso em crianças de 5 a 11 anos em 30 países. Somente nos Estados Unidos e no Canadá, aproximadamente 10 milhões de doses foram aplicadas.

Conforme Barra Torres, nos EUA, apenas dez crianças tiveram efeitos adversos mais graves após a vacina, mas todas elas já receberam alta médica.

Autoria do post

A conta no Twitter responsável pela publicação do conteúdo checado, identificada como “ChrisF”, foi criada em 2019 e possui mais de 37 mil tweets. No topo do perfil, a usuária, que, pela foto, parece ser uma mulher, fixou uma imagem com uma frase em inglês que põe em dúvida a existência da pandemia. Em tradução livre: “Uma pandemia real não precisaria de uma campanha de marketing.”

A conta costuma publicar e compartilhar conteúdos contrários à vacinação e à exigência de passaporte vacinal. As publicações também questionam a existência de mudanças climáticas e colocam em cheque outras informações já comprovadas cientificamente. Alguns conteúdos apoiam o presidente Jair Bolsonaro e criticam políticos de esquerda.

Até a manhã do dia 22 de fevereiro de 2022, a conta era seguida por mais de 4,8 mil pessoas.

Por que investigamos?

O Comprova atua na verificação de conteúdos suspeitos sobre a pandemia do coronavírus, políticas públicas e eleições que tenham viralizado nas redes sociais. No caso da covid-19, informações falsas ou enganosas prejudicam o combate à doença porque podem levar a população a deixar de adotar medidas preventivas e de proteção — como a vacinação e uso de máscaras.

O post aqui verificado teve mais de 8 mil interações no Twitter. A mensagem enganosa também foi reproduzida por outras páginas conhecidas por compartilhar conteúdos antivacina.

Verificações recentes do Comprova constataram que as vacinas são seguras e não criam novas cepas da covid-19, e que máscaras impedem a proliferação do coronavírus e não atrapalham a respiração.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Pandemia

Investigado por: 2022-02-22

TV australiana admite erro em imagem de ivermectina usada em reportagem sobre a Rainha Elizabeth II

  • Enganoso
Enganoso
São enganosos os posts que afirmam que a Rainha Elizabeth II, do Reino Unido, esteja tomando ivermectina como tratamento para a covid-19. A afirmação se baseia em um trecho de uma reportagem de TV sobre a rainha que exibiu uma imagem de uma caixa de um medicamento que contém ivermectina enquanto um médico falava sobre possíveis tratamentos para Elizabeth II. A própria emissora de televisão admitiu o erro causado pela inclusão indevida da imagem do medicamento e já retirou o conteúdo do ar.
  • Conteúdo verificado: Vídeos postados no Twitter compartilham trecho de uma reportagem do programa de TV australiano A Current Affair sobre o estado de saúde da rainha Elizabeth II, que está com covid-19. Enquanto um médico é entrevistado e fala sobre formas de tratar a doença, é exibido uma imagem rápida de uma caixa do medicamento Stromectol, que contém ivermectina.

São enganosas as postagens que circulam no Twitter que afirmam que a Rainha Elizabeth II estaria sendo tratada da covid-19 com ivermectina. As postagens usam um trecho de uma reportagem do programa australiano A Current Affair sobre a infecção da rainha em que aparece a embalagem do remédio Stromectol, que tem em sua composição a ivermectina.

O programa emitiu nota assumindo que a imagem foi inserida na reportagem por erro e o vídeo foi deletado. Além disso, em nenhum momento durante a exibição do programa é dito que a rainha estaria tomando ivermectina ou qualquer outro remédio para tratamento da covid-19. O médico entrevistado na matéria também negou que tenha insinuado que a rainha estivesse recebendo o remédio.

Dois perfis que publicaram o conteúdo foram procurados. A coordenadora do Movimento Advogados do Brasil e da Associação Mães do Brasil, Flávia Ferronato, respondeu que o post foi uma piada. “Não posso me responsabilizar pela falta de humor e de compreensão de algumas pessoas. Muitos entenderam a piada”, explicou. O outro perfil não retornou até o fechamento desta checagem.

Para o Comprova, é considerado enganoso o conteúdo que retira informações de seu contexto original e omite informações, de forma deliberada ou não, para provocar uma interpretação que difere da realidade dos fatos.

Como verificamos?

No vídeo que está sendo compartilhado no Twitter, é possível ler na parte inferior os dizeres A Current Affair. Uma pesquisa com a expressão no Google nos indicou que trata-se de um programa da emissora de televisão australiana Nine Network.

Ao consultar a página oficial do A Current Affair no Facebook, foi possível assistir à reportagem original completa, que foi postada na manhã da última segunda-feira (21). Horas depois, o conteúdo foi retirado do ar pela própria página do programa de TV, e, em seguida, a mesma reportagem foi postada novamente, porém sem a imagem da caixa do medicamento com ivermectina.

Pelo vídeo, foi possível também identificar que o médico que fala sobre possíveis tratamentos para a rainha Elizabeth chama-se Mukesh Hawikerwa e trabalha na Austrália. Uma pesquisa nos buscadores de internet com este nome nos levou ao perfil do Twitter do médico. Na bio da rede social, o médico mantém um link de uma clínica australiana, a Cirqit Health.

O Comprova tentou contato com a emissora de televisão Nine Network, pedindo esclarecimentos sobre a reportagem, mas não houve retorno até o fechamento da checagem. A clínica em que trabalha o médico australiano também foi procurada e não houve retorno.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 22 de fevereiro de 2022.

Verificação

Rainha usou ivermectina?

A Rainha Elizabeth II, monarca do Reino Unido e da Austrália, testou positivo para a covid-19 no domingo (20/2). O rumor de que a rainha estaria tomando ivermectina começou depois que o programa australiano A Current Affair, do canal Nine Network, fez uma reportagem sobre o diagnóstico da monarca.

O programa foi exibido na manhã de segunda-feira (21/2), no horário de Brasília. Durante a reportagem, é entrevistado o médico australiano Mukesh Hawikerwal que fala sobre remédios já aprovados contra a covid-19 e que poderiam ser usados no tratamento da rainha. Em nenhum momento, ele afirma que a monarca estaria tomando algum desses medicamentos e nem cita a ivermectina, que não tem aprovação para ser usada contra a covid-19.

Porém, na versão original da reportagem, enquanto ele fala sobre os medicamentos que poderiam ajudar no tratamento da rainha, é exibida a imagem da embalagem do Stromectol, antiparasitário que tem ivermectina em sua composição.

Após a repercussão do trecho da reportagem, o programa emitiu uma nota em que diz que a inserção da imagem na reportagem foi causada por um erro humano e que, em nenhum momento, houve a intenção de sugerir que a rainha estivesse fazendo uso do medicamento. A nota ainda acrescenta que o programa já fez diversas reportagens ressaltando que não há comprovação de eficácia da ivermectina contra a covid-19. “Ontem à noite, a nossa reportagem sobre a rainha continha uma foto que não deveria ter sido incluída. A foto foi incluída por um erro humano. Estávamos destacando um medicamento de infusão aprovado chamado Sotrovimab e o relatório acidentalmente cortou para uma foto de Stromectol – um produto que contém ivermectina. Como programa, fizemos inúmeras histórias destacando as preocupações em relação ao uso de ivermectina como tratamento para o covid-19. Não pretendíamos sugerir que o Dr. Mukesh Hawikerwal endossou o Stromectol. Pedimos desculpas a ele esta manhã e ele aceitou esse pedido de desculpas. Não sugerimos que a rainha esteja usando ivermectina”, diz a nota. O vídeo original da reportagem foi excluído das redes sociais do canal.

Em seguida, a mesma reportagem foi novamente postada na página do Facebook do A Current Affair, porém, agora sem a imagem do medicamento com ivermectina. O trecho foi substituído por imagens da embalagem do Sotrovimab.

O Sotrovimab está entre os medicamentos recentemente aprovados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o tratamento da covid-19. O remédio tem sido indicado para evitar que casos moderados da doença evoluam para quadros mais graves, e vem sendo utilizado em países como o Reino Unido. Reportagem publicada pela BBC Brasil sobre o medicamento afirma que especialistas definem o Sotrovimab como “anticorpo monoclonal que é administrado como transfusão para receptores de transplantes, pacientes com câncer e outros grupos de alto risco”. Ainda segundo reportagem da BBC, o medicamento deve ser administrado em pacientes que apresentem comorbidades como diabetes ou problemas respiratórios, e que podem ser mais gravemente afetados pelo coronavírus.

O médico Mukesh Hawikerwal também negou que tivesse falado que a rainha estaria usando ivermectina contra a covid-19. Pelo Twitter, ele compartilhou a lista de medicamentos aprovados na Austrália contra a covid-19, que não inclui a ivermectina, e ressaltou a importância da vacinação. “Aviso que a imagem no @Channel9 @ACurrentAffair9 está sendo atualizada. Agradeço pela diligência e vigilância de boas pessoas que alertaram para isso quando acordamos. A #CovidVaccine [vacina contra a covid] reduz drasticamente a gravidade da doença. Infusões em pessoas elegíveis melhoram os resultados”, destacou.

Em matéria desta terça-feira (22) do jornal The Guardian sobre o erro da emissora australiana, Hawikerwal também afirmou que a “ivermectina não foi mencionada na entrevista” e que ele jamais recomendaria ivermectina para tratamento da covid-19.

Em nota, o Palácio de Buckingham informou que a rainha estava com sintomas leves de resfriado e que ela está sendo acompanhada por uma equipe médica. O comunicado não informa se a monarca está fazendo uso de algum medicamento. “A rainha testou hoje positivo para covid. Sua Majestade está com sintomas leves de resfriado, mas espera continuar com tarefas leves em Windsor na próxima semana. Ela continuará recebendo atendimento médico e seguirá todas as orientações apropriadas”, diz a nota divulgada à imprensa no domingo.

Ivermectina não funciona contra a covid-19

Desde o início da pandemia, várias pesquisas já foram feitas com a ivermectina para saber se o antiparasitário funciona contra a covid-19. Porém, até o momento não há evidências da eficácia do remédio contra a doença.

Um estudo publicado em junho do ano passado na revista científica EClinical Medicine, publicação que faz parte da The Lancet, mostrou que não houve diferença na redução da carga viral entre os grupos que utilizaram a ivermectina e os que não.

A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que o remédio só seja usado em estudos clínicos. A Agência de Medicamentos Europeia (EMA), a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomendam o uso do medicamento para tratamento da doença. As agências ressaltam que não há estudos que comprovem a eficácia do medicamento e que altas dosagens podem fazer mal à saúde.

Desde o ano passado, a Administração de Produtos Terapêuticos (TGA, na sigla em inglês), equivalente à Anvisa na Austrália, passou a orientar que médicos só podem prescrever a ivermectina para os casos especificados na bula. “A ivermectina não está aprovada para uso contra a covid-19 na Austrália ou em outros países desenvolvidos, e seu uso pelo público em geral para covid-19 é atualmente fortemente desencorajado pela National COVID Clinical Evidence Taskforce, a Organização Mundial da Saúde e pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos”, diz o comunicado.

O laboratório Merck, fabricante do remédio nos Estados Unidos, disse em fevereiro de 2021 que analisou os estudos disponíveis sobre o remédio e que, até o momento, não há base científica que aponte um efeito terapêutico do uso da ivermectina contra a covid-19.

Por que investigamos?

O Comprova verifica informações suspeitas com grande circulação nas redes sociais ou aplicativos de mensagem sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas do governo federal e as eleições presidenciais de 2022. O conteúdo que foi objeto desta verificação foi compartilhado em diversos perfis do Twitter e, somados, os posts acumulavam mais de 80 mil interações até o dia 22 de fevereiro de 2022.

Não há estudos que comprovem a eficácia de tratamentos como o uso da ivermectina para combater a covid-19. A própria farmacêutica que produz o medicamento nos Estados Unidos também admitiu que não há comprovação da eficácia do medicamento para combater o novo coronavírus.

O mesmo conteúdo aqui checado também foi marcado como falso pelo Fato ou Fake do G1 e pelo UOL Confere.

Em 2021 o Comprova já realizou checagens que mostraram que, além de não fazer efeito no tratamento para a covid-19 a ivermectina pode trazer riscos quando administrada em altas doses; que não há relação entre regiões que conseguiram conter o avanço do novo coronavírus e a distribuição do medicamento e que antivirais desenvolvidos para o tratamento da doença não possuem ivermectina em sua fórmula.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Eleições

Investigado por: 2022-02-21

É enganoso que TSE descumpriu prazos para responder às Forças Armadas sobre urnas eletrônicas

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso o vídeo que viralizou no TikTok em que um homem que se identifica como Coronel Koury afirma que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descumpriu prazos para responder às Forças Armadas sobre questionamentos relacionados à segurança das urnas eletrônicas. Segundo o TSE, o único órgão envolvido que se pronunciou oficialmente sobre o assunto nesta verificação, não havia prazo específico para as respostas.
  • Conteúdo verificado: Em um vídeo publicado na plataforma TikTok, um homem identificado como “coronel Koury, da FAB”, afirma que as Forças Armadas fizeram questionamentos ao TSE sobre a segurança das urnas, mas o órgão não teria respondido a esses pedidos.

É enganoso um vídeo que viralizou no TikTok em que um homem que se identifica como Coronel Koury, da Força Aérea e coordenador-geral do Grupo B-38, afirma que o TSE descumpriu prazos para responder questionamentos das Forças Armadas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Os questionamentos foram, de fato, feitos pelas Forças Armadas ao TSE, em um total de 80 perguntas sobre o processo eleitoral eletrônico. Elas foram encaminhadas como parte dos trabalhos da Comissão de Transparência Eleitoral (CTE), instituída pelo TSE em portaria publicada em 9 de setembro de 2021. As Forças Armadas fazem parte da comissão.

Porém, segundo o TSE, não havia prazo específico para as respostas que, segundo a assessoria de imprensa do tribunal, ficaram prontas no dia 10 de fevereiro e foram protocoladas no Ministério da Defesa, ao qual as Forças Armadas são vinculadas, no dia 14, um dia depois de o vídeo ter sido postado.

Para o Comprova, é considerado enganoso o conteúdo que retira informações de seu contexto original e omite informações, de forma deliberada ou não, para provocar uma interpretação que difere da realidade dos fatos.

Como verificamos?

Diante das afirmações prestadas no vídeo, o Comprova buscou, inicialmente, contato com os órgãos diretamente envolvidos na apuração: o TSE e o Exército Brasileiro. Em seguida, as demais Forças Armadas e o Ministério da Defesa. Somente o TSE se posicionou oficialmente sobre o assunto.

Já em relação ao homem que aparece no vídeo e se identifica como “Coronel Koury – Força Aérea – Coord. Geral Grupo B-38”, o Comprova buscou a Força Aérea Brasileira (FAB) para confirmar essa ligação. Não houve resposta até o fechamento desta verificação.

O Comprova ainda enviou mensagem para o perfil do Coronel Koury no Telegram, mas também não houve resposta. Em pesquisas na internet, foi possível identificar o Grupo B-38 e suas pautas.

Verificação

Não havia prazo para respostas

Uma das afirmações feitas no vídeo é que o TSE havia descumprido prazos das Forças Armadas para o envio das respostas sobre a segurança das urnas. Em um trecho, o homem que aparece na gravação diz “(…) Um novo prazo foi dado, de mais 30 dias, e eles também não responderam”, sugerindo um suposto prazo de um mês, que teria sido prorrogado por mais 30 dias.

Segundo o TSE, foram 80 perguntas entregues pelas Forças Armadas ao tribunal em quatro ofícios: Ofício nº 001 (enviado em 07/12), Ofício nº 002 (07/12), Ofício nº 003 (15/12), Ofício nº 004 (16/12).

Questionada se havia prazo para a entrega das respostas, a assessoria de imprensa do TSE informou que não houve prazo com data definida. E destacou, em texto corrido, no corpo do e-mail trocado com o Comprova, trecho do Ofício nº 004 em que “o representante autor do documento solicita que ‘as respostas sejam enviadas à medida que estiverem disponíveis’”.

O Comprova também questionou o Exército Brasileiro se fora estipulado prazo para que o TSE enviasse as respostas. O Centro de Comunicação do Exército informou que “os questionamentos relativos ao processo eleitoral devem ser encaminhados ao Ministério da Defesa”, ao qual as Forças Armadas são vinculadas.

Procurado, o Ministério da Defesa respondeu que qualquer posicionamento sobre a Comissão de Transparência Eleitoral (CTE) deve ser emitido pelo TSE.

Respostas foram entregues um dia após postagem do vídeo

As respostas do TSE aos questionamentos das Forças Armadas sobre o processo eletrônico ficaram prontas no dia 10 de fevereiro. A data aparece na primeira página do documento com as informações prestadas.

No entanto, o documento com as respostas foi protocolado no Ministério da Defesa no dia 14 de fevereiro. Segundo a assessoria de imprensa do TSE, entre a produção das respostas e a entrega do material, foi preciso que todos os órgãos do tribunal e o ministro Luís Roberto Barroso, então presidente da corte, revisassem o material.

O documento com as respostas ficou pronto no dia 10. No mesmo dia, em live na internet, o presidente Jair Bolsonaro, sem apresentar provas, afirmou que as Forças Armadas haviam identificado falhas no sistema. O TSE rebateu e disse que os questionamentos estavam relacionados a dúvidas sobre o funcionamento do sistema eleitoral, e que não havia levantamento sobre possíveis vulnerabilidades.

Forças Armadas integram Comissão de Transparência Eleitoral (CTE)

As Forças Armadas integram a Comissão de Transparência Eleitoral (CTE), que foi instituída pelo TSE na Portaria TSE nº 578/2021, publicada no dia 9 de setembro de 2021.

Segundo o TSE, são objetivos da comissão: ampliar a transparência e a segurança de todas as etapas de preparação e realização das eleições, e aumentar a participação de especialistas, representantes da sociedade civil e instituições públicas na fiscalização e auditoria do processo eleitoral.

Além das Forças Armadas, também integram a CTE representantes do Congresso Nacional, do Tribunal de Contas da União, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral Eleitoral, da sociedade civil, e especialistas na área de tecnologia.

O representante das Forças Armadas na comissão é o General de Divisão Heber Garcia Portella, Comandante de Defesa Cibernética. As respostas do TSE, protocoladas no Ministério da Defesa, foram a ele endereçadas.

Vazamento das respostas

Em notícia divulgada no site do TSE, no dia 14 de fevereiro, consta a informação de que as respostas encaminhadas às Forças Armadas têm caráter sigiloso a pedido dos próprios autores do questionamento.

Dois dias depois, nova notícia foi publicada no site do TSE tornando a documentação pública “diante do vazamento da existência de perguntas que foram formuladas, bem como do próprio teor das perguntas”. Segundo o TSE, não foi gerada cópia virtual do documento, apenas a versão física que foi protocolada no Ministério da Defesa. De acordo com o órgão, o material foi tornado público após partes dele terem sido compartilhadas na internet.

A notícia traz, ao fim do texto, dois links para a íntegra das respostas: um documento com 69 páginas e três anexos, em um total de pouco mais de 700 páginas.

O autor do vídeo e seu grupo

A FAB não respondeu ao questionamento do Comprova se o coronel Koury é realmente oficial da reserva e se ele estaria autorizado a falar pela FAB sobre a situação envolvendo os questionamentos feitos pelo Exército.

Realizamos apurações na internet e, de acordo com publicações em diferentes sites de notícias, bem como redes sociais, o coronel Marcos Koury mora em Recife, Pernambuco, é da reserva da Aeronáutica e lidera o Grupo B38.

Em uma entrevista ao site Gazeta do Povo, em meados de 2021, ele falou que o grupo não defende a intervenção militar. Ele afirma que o movimento busca uma solução pacífica para os conflitos políticos do país.

A adoção do voto impresso é a principal bandeira do movimento, que vem realizando lives com membros do grupo. Eles debatem o assunto em diferentes datas programadas.

O grupo B-38 surgiu em 2018 como B-17 (B de Bolsonaro e 17 como referência ao número do candidato nas urnas em 2018) para fazer campanha ao então candidato do PSL, e continuou mobilizado em sua defesa depois que este foi eleito presidente. Como Bolsonaro mudou de partido e chegou a lançar a Aliança para o Brasil com o número 38, o movimento adotou a mesma numeração.

Quem fundou o B-38 foi um grupo de militares liderados por Marcos Koury. O grupo realiza diferentes ações pró-Bolsonaro, seja em redes sociais, seja em aplicativos de mensagem como Whatsapp e Telegram. Os associados promovem debates em que defendem as decisões e o pensamento do presidente Jair Bolsonaro. O grupo tem coordenadores em todos os estados do país.

Por que investigamos?

O Comprova tem o compromisso de investigar conteúdos suspeitos que tenham relação com a pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições. A equipe tem como foco as publicações virais, que tiveram grande alcance nas redes sociais e podem confundir a população.

O post desta reportagem teve 7,6 mil compartilhamentos, 2,6 mil comentários e 20,1 mil curtidas até o fechamento desta verificação. Ele coloca em dúvida a credibilidade do TSE e, consequentemente, a lisura do sistema eleitoral eletrônico.

O Comprova já esclareceu que uma empresa não foi multada por fraudar as urnas eletrônicas, confirmou que um boato usou pesquisa falsa para dizer que Bolsonaro lidera pesquisas de intenção de voto em todos os estados e que um vídeo engana ao dizer que Facebook restringiu compartilhamento de vídeo pró-Bolsonaro.

Recentemente, o Comprova também mostrou que, mesmo sem biometria, o eleitor poderá votar em 2022.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Eleições

Investigado por: 2022-02-21

Imagem de apoio a Bolsonaro em prédio de Belo Horizonte é montagem

  • Falso
Falso
É falso que o prédio da empresa Localiza, em Belo Horizonte (MG), tenha recebido a projeção de uma mensagem de apoio ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). A autora da publicação confirmou ao Comprova que o vídeo se trata de uma montagem.
  • Conteúdo verificado: Um vídeo publicado na rede social TikTok exibe um prédio localizado na Avenida Bernardo Vasconcelos, em Belo Horizonte. Na fachada, projeta-se uma animação da bandeira do Brasil e de imagens do presidente Jair Bolsonaro, com a mensagem: “BH é Bolsonaro”.

É falso que um prédio localizado em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, tenha recebido a projeção de uma propaganda favorável ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). Um vídeo publicado no TikTok mostra a Avenida Bernardo Vasconcelos, no bairro Cachoeirinha, com um prédio ao fundo. Sobreposta ao edifício está a frase “BH é Bolsonaro”, acompanhada por uma bandeira do Brasil. Duas fotos do presidente também aparecem no prédio ao longo do vídeo de 14 segundos. O edifício tem parte das janelas iluminadas, que juntas formam um coração.

A autora da publicação confirmou ao Comprova que o vídeo foi editado para incluir a mensagem favorável a Bolsonaro. Ela afirmou que usa o perfil no TikTok para divulgar sua marca de camisetas, e a primeira coleção teve o tema “Bolsonaro/Brasil”, e que, por isso, fez a montagem. A verificação do conteúdo foi sugerida por um leitor do Comprova.

Comentários feitos na postagem indicam que há usuários da plataforma que acreditam que a propaganda é verdadeira. “Que lindooo parabéns BH tenho orgulho de ver esse rosto sincerio (sic) do nosso presidente estampado em todos lugares que eu vou tamos juntos Capitão”, escreveu uma pessoa. Em outro caso: “agora sim me orgulhei de BH”, disse um internauta.

O prédio que aparece na publicação aqui verificada é da empresa de aluguel de carros Localiza, que, em nota, negou ter realizado qualquer homenagem a Bolsonaro no local ou que a fachada tenha sido usada para projeção envolvendo política.

O professor da área de audiovisual da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) Maurício Gomes da Silva Fonteles analisou o vídeo e disse que diferenças de foco e qualidade de imagem demonstram que a propaganda favorável a Bolsonaro não estava presente no conteúdo original e foi inserida por meio de edição.

O Comprova classificou o conteúdo como falso porque cria uma situação que não existiu.

Como verificamos?

O leitor do Comprova, que enviou o vídeo para a equipe sugerindo a investigação, disse que o prédio que aparece na imagem pertence à empresa Localiza, que fica na Avenida Bernardo Vasconcelos, em Belo Horizonte. Nosso primeiro passo foi verificar essa informação, que foi confirmada em pesquisa no Google Street View (1 e 2). Posteriormente, a Localiza também atestou que o vídeo mostrava sua sede em Belo Horizonte.

| Captura de tela do Google Street View. Imagens correspondem aos elementos que aparecem no vídeo, como as luzes em formato de coração e a placa de sinalização.

O Comprova buscou o nome do perfil do TikTok em outras redes sociais e encontrou a conta de uma empresa de marketing digital localizada em Ipatinga (MG). No perfil, foi possível obter o número de WhatsApp pelo qual entramos em contato com a autora, que confirmou ter feito a montagem.

Em seguida, a equipe procurou por especialistas que pudessem analisar o tipo de edição realizada no vídeo. Entrevistamos o professor da UnB Maurício Fonteles.

Por fim, consultamos a legislação sobre eleições e perguntamos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se a publicação poderia ser considerada propaganda antecipada.

Verificação

Análise do vídeo

Professor da UnB, Maurício Fonteles avalia que a edição no vídeo é grosseira. De acordo com ele, observando a imagem é possível perceber que há desconexão entre o prédio e a propaganda com referência a Bolsonaro, pois há diferença de qualidade entre as duas imagens, com o edifício mais desfocado que a imagem sobreposta a ele. “Não tem como você ter o prédio desfocado e o que está projetado nele estar completamente focado”, explica o professor.

Segundo Fonteles, outro elemento relevante é a comparação entre a velocidade dos carros que passam na via e o movimento da bandeira que aparece na imagem sobreposta ao prédio. É possível constatar que o vídeo original foi acelerado. Os veículos passam rápido demais pelas ruas, todos em velocidade semelhante. Por outro lado, a bandeira projetada no edifício se move “em tempo real”.

É possível ver também no vídeo uma outra bandeira menor, que está localizada ao lado esquerdo do prédio em destaque. Neste caso, o objeto se move rapidamente, no mesmo ritmo que os carros, o que demonstra que ele faz parte da composição original. “Existem vários elementos que provam tranquilamente que aquilo ali (a propaganda a Bolsonaro) é uma sobreposição de imagem em um vídeo que já estava pronto”, afirma Fonteles.

| Captura de tela do vídeo publicado no TikTok. Em destaque estão a bandeira ao lado do prédio e carros em alta velocidade por causa do vídeo acelerado.

O professor afirma que alguns pontos simples podem ser analisados para verificar se um vídeo ou foto passou por edição. Entre eles estão qualidade, foco e proporções e distorções da imagem. Se for possível perceber diferentes elementos com qualidade mais alta ou mais baixa na mesma composição, pode ser indício de que houve edição em um produto.

Segundo Fonteles, o foco é outro ponto que chama atenção em imagens que passaram por mudanças. “As câmeras têm o foco em um lugar específico. Se tenho um foco na frente, com uma pessoa em primeiro plano, e lá atrás estou vendo outra coisa que está completamente focada, tem alguma coisa errada. Normalmente esse foco variaria, com o fundo desfocado. Se tenho um texto ao fundo, por exemplo, ele também deveria estar desfocado. Se existir uma sobreposição grosseira, ela fica bem latente”, explica.

O que diz a autora

O Comprova entrou em contato com a autora do post, que se identificou apenas como Jaqueline, por meio do WhatsApp. A mulher confirmou que o vídeo é uma montagem feita com o intuito de divulgar os serviços de animação da empresa, mas negou que haja motivação política. Questionamos o porquê das publicações serem focadas em Bolsonaro, uma vez que não há intenção partidária. Ela afirmou que começou a publicar as montagens usando imagens de grandes cidades após pedido dos seguidores. No perfil da loja, há vídeos editados de forma semelhante ao caso aqui verificado, com referências a outras cidades como Goiânia, São Paulo e Curitiba.

“Fiz um (vídeo) de Ipatinga e os seguidores pediram de outros estados. Vendo camisas e a primeira coleção era o tema ‘Bolsonaro/Brasil’. Abrimos o TikTok e deu essa repercussão. Mas não fazemos só desse tema, outras coleções serão divulgadas também. Só não deu tempo ainda”, explicou.

Jaqueline afirmou que não vai mais usar fotos ou nomes de candidatos em suas publicações, exceto na divulgação das camisas, que fazem parte do seu trabalho.

Iluminação do prédio

Em abril de 2020, a empresa de marketing ABC da Comunicação repercutiu que a Localiza iluminou a fachada de sua sede com o formato de coração, em ato relacionado aos desafios criados pela pandemia. Imagens divulgadas na época são semelhantes àquelas usadas na base do vídeo verificado.

Procurada pelo Comprova, a Localiza confirmou que o prédio mostrado no vídeo é a sede da empresa em Belo Horizonte. Porém, negou que tenha sido feita homenagem a Bolsonaro no local. “A Localiza esclarece que é uma empresa apartidária e que não houve qualquer projeção em sua sede em Belo Horizonte alusiva a questões envolvendo política ou políticos”, informou.

O vídeo pode ser considerado propaganda eleitoral antecipada?

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem regras claras que fazem a diferenciação da propaganda partidária para a propaganda eleitoral, bem como estipula eventuais penalidades para quem descumprir as normativas.

A resolução 23.610 do TSE de dezembro de 2019 trata das eventuais condutas ilícitas no que diz respeito à propaganda eleitoral, que só é permitida a partir de 16 de agosto do ano da eleição.

Considera-se propaganda antecipada passível de multa aquela divulgada extemporaneamente cuja mensagem contenha pedido explícito de voto ou que veicule conteúdo eleitoral em local vedado.

Não é permitida, por exemplo, a veiculação de material de propaganda eleitoral em bens públicos ou particulares, exceto em alguns casos. São eles: bandeiras ao longo de vias públicas, desde que móveis e que não dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos; além de adesivo plástico em veículos e janelas residenciais, desde que não exceda a 0,5m² (meio metro quadrado).

O material analisado não é considerado propaganda antecipada, uma vez que não envolve pedido explícito de voto, tampouco faz menção à pretensa candidatura.

Portanto, o material analisado pelo Comprova – ainda que seja uma montagem – não configura propaganda eleitoral antecipada.

Por que investigamos?

O Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas e eleições. O projeto observa os dados de viralização e o impacto desses conteúdos para decidir pela verificação. Nos últimos anos, tem se tornado comum a circulação de mensagens e informações falsas com o intuito de descredibilizar e tumultuar o processo eleitoral no país.

A publicação analisada nesta checagem do Comprova foi publicada na rede social TikTok e, até o dia 18 de fevereiro, tinha mais de 11,4 mil visualizações. A situação traz à tona a falsa impressão de que uma empresa, a Localiza, estaria fazendo uma homenagem e, por conseguinte, uma demonstração de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Conteúdos como esse podem passar a impressão entre usuários das redes sociais que um setor da economia, o empresariado, estaria apoiando um determinado candidato.,

O conteúdo investigado pelo Comprova foi alvo também de apuração do Boatos.org, Lupa e Aos Fatos, sendo classificado como falso nas três situações.

O Comprova investigou recentemente que um post engana ao confundir resultado fiscal com crescimento do PIB em 2021 e o caso de uma empresa que foi multada por pagar propinas, mas publicações enganosas nas redes sociais afirmavam que a instituição estava envolvida em fraude de urnas eletrônicas usadas em eleições brasileiras.

Para o Comprova, falso é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Pandemia

Investigado por: 2022-02-18

Cinco governadores compraram vacinas contra a covid-19, ao contrário do que diz Magno Malta

  • Falso
Falso
É falso que todas as vacinas contra a covid-19 disponíveis no Brasil tenham sido adquiridas pelo governo federal e que nenhum estado tenha comprado doses. Ao menos cinco governadores fizeram um acordo de aquisição direta no total de 2,5 milhões de doses da CoronaVac, incluindo o Espírito Santo, estado do ex-senador Magno Malta (PL), autor da afirmação falsa feita em vídeo publicado no Facebook.
  • Conteúdo verificado: Vídeo no Facebook em que o ex-senador Magno Malta afirma que “nenhum governador comprou uma gota de vacina” e “todas as vacinas no Brasil foram compradas por Jair Messias Bolsonaro”.

É falso que nenhum governador tenha comprado vacinas contra a covid-19 e que todos os imunizantes disponíveis no Brasil tenham sido adquiridos pelo governo federal, como afirma o ex-senador Magno Malta em um vídeo que viralizou no Facebook. Em setembro de 2021, cinco estados firmaram acordo com o Instituto Butantan para fornecimento direto, sem passar pela União, de 2,5 milhões de doses da CoronaVac: Ceará, Mato Grosso, Pará, Piauí e Espírito Santo. Este último é o estado de Malta. O governo capixaba gastou R$ 26,5 milhões na aquisição imediata de 500 mil doses da vacina. Pará e Piauí confirmaram, em seus sites, terem recebido as vacinas. Mato Grosso desistiu da aquisição por já ter imunizantes enviados pelo Ministério da Saúde.

O próprio estado de São Paulo anunciou o recebimento de 4 milhões de doses da CoronaVac por meio da Secretaria Estadual de Saúde, após acordo realizado diretamente com a Sinovac, biofarmacêutica chinesa responsável pela produção do imunizante.

O Brasil também recebeu doação de vacinas dos Estados Unidos, o que não configura uma compra por parte do Governo Federal.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já havia autorizado em fevereiro de 2021 que os governos locais pudessem comprar imunizantes caso o governo federal descumprisse o Plano Nacional de Imunizações (PNI) ou que as doses disponibilizadas pela União fossem insuficientes para atender a população. No mês seguinte, o presidente Jair Bolsonaro sancionou uma lei que permitia a aquisição por estados e pelo setor privado, desde que todas as doses fossem doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto estivesse em andamento a imunização dos grupos prioritários. A vacinação de grupos não prioritários teve início em maio de 2021.

Ao todo, o governo federal já comprou 564,7 milhões de doses de vacina, das quais 407,4 milhões foram distribuídas até o dia 28 de janeiro deste ano. Ao menos 352 milhões já foram aplicadas, de acordo com os dados do Ministério da Saúde. O Comprova tentou contato com Magno Malta pelo WhatsApp e pelo Twitter, mas não teve retorno do político. O vídeo foi considerado falso porque o conteúdo é inventado e foi divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Como verificamos?

O Comprova verificou as páginas oficiais dos estados em busca de notícias acerca da aquisição de vacinas, além de realizar a verificação, nos respectivos portais, de contratos e licitações que pudessem indicar a compra direta dos imunizantes.

Uma vez que o Instituto Butantan está vinculado ao Governo de São Paulo, tomamos o site desse estado como ponto de partida. Encontramos uma notícia tratando especificamente do acordo com outros estados para compra da CoronaVac, sendo mencionada a celebração de contrato com Ceará, Piauí, Pará e Espírito Santo. Verificamos a existência de notícias, documentos e contratos em cada um dos portais das unidades, a fim de confirmar a efetivação das compras.

O Comprova teve acesso, pelo Portal da Transparência, aos contratos efetivados pelo Ceará, pelo Espírito Santo e pelo Pará. Não encontramos documentos nos portais do Piauí, contudo, verificamos a existência de notícias referentes à compra.

Também entramos em contato com as empresas Pfizer, AstraZeneca e Johnson & Johnson, para solicitar informações sobre a compra de vacinas por estados e municípios. Só a AstraZeneca respondeu.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 18 de fevereiro de 2021.

Verificação

Estados compraram vacinas

Segundo o Governo do Estado de São Paulo, em 22 de setembro de 2021, foi feito um acordo com outros estados para o fornecimento de vacinas. Após a conclusão do envio da CoronaVac para o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan fechou contrato diretamente com as unidades da federação para a entrega de 2,5 milhões de doses, em cerimônia que contou com a presença dos governadores Camilo Santana (do Ceará), Wellington Dias (do Piauí), Helder Barbalho (do Pará), e Renato Casagrande (do Espírito Santo). Os representantes foram recebidos pelo governador de São Paulo, João Doria, e pelo presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, na sede da instituição.

O atraso, por parte do governo de Jair Bolsonaro, em adquirir os imunizantes, motivou a ação de governadores para que pudessem garantir a distribuição de vacinas à população de seus respectivos estados.

A página do Instituto Butantan apontou, em fevereiro de 2021, que a demora por parte do Ministério da Saúde para comprar a vacina chegou a afetar os prazos para envio de matéria-prima pela farmacêutica chinesa. . O presidente do Instituto relatou esse problema também em sua oitiva na CPI da Pandemia. De acordo com Covas, em julho de 2020 o Butantan já havia ofertado a CoronaVac ao Ministério.

A demora nas tratativas para aquisição da vacina foi igualmente apontada pelo ex-Secretário de Comunicação da Presidência da República Fábio Wajngarten, que em depoimento à CPI, disse ter havido demora de dois meses até que o Palácio do Planalto respondesse à oferta pala Pfizer.

Os portais de diversos estados também noticiaram a intenção de compra, o contrato e o recebimento de vacinas adquiridas com o Butantan. Por exemplo, na página da Agência Pará, portal de comunicação oficial do estado, em 27 de setembro de 2021, uma notícia sobre o recebimento de um lote de doses dá ênfase à aquisição direta, sem envolvimento do Ministério da Saúde.

Em 8 de outubro do ano passado, o Portal Saúde do governo do Piauí noticiou a entrega de duzentas mil doses referentes à primeira remessa da CoronaVac comprada pelo estado diretamente do Instituto Butantan. Na ocasião, a Secretaria de Saúde emitiu um convite à imprensa para que estivesse presente no aeroporto, no horário de chegada dos imunizantes.

O Mato Grosso, embora tenha assinado no ano passado o protocolo de intenção para a compra da CoronaVac diretamente ao Butantan, confirmou em e-mail ao Comprova que não fez a aquisição devido à oferta de imunizantes em larga escala pelo Ministério da Saúde.

Por e-mail, a AstraZeneca, Janssen e Pfizer nos informaram que todas as vendas de vacinas são realizadas para o governo federal.

O autor do vídeo

O Comprova entrou em contato com Magno Malta, autor da declaração, por WhatsApp e Twitter, mas não obteve retorno. Magno Malta é político pelo estado do Espírito Santo e, atualmente, não ocupa cargos eletivos após a derrota nas urnas em 2018. Durante sua carreira, foi vereador, deputado estadual e federal e senador.

Simpatizante do presidente Jair Bolsonaro (PL), Malta desempenha grande influência no governo federal. O Comprova já verificou outras informações compartilhadas pelo político, como a alegação falsa que leite materno substitui a vacina contra a covid-19 em crianças e uma montagem que colocava o agressor de Bolsonaro ao lado do ex-presidente Lula.

Magno Malta também é conhecido por ter uma forte ligação religiosa, sendo formado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil. Em 2002, o político lançou o livro “Deus tem um trato comigo”, biografia que narra a sua trajetória até a CPI do Narcotráfico.

Por que investigamos?

O Comprova efetua a verificação de conteúdos suspeitos relacionados à pandemia de covid-19, às políticas públicas do governo federal e eleições que tenham viralizado nas redes sociais. O ex-senador Magno Malta é uma figura pública e o vídeo em que faz a afirmação falsa, de que nenhum estado adquiriu vacinas, alcançou 253 mil visualizações no Facebook e conta com 68 mil curtidas.

Outras checagens realizadas pelo Comprova já mostraram que vacinas não criaram novas cepas do coronavírus ou mais casos de covid em Israel, e que uma postagem citando aumento de doenças entre militares dos EUA após serem vacinados utilizou dados incorretos. O projeto também já demonstrou ser falsa a alegação de que a Universidade Johns Hopkins teria comprovado, por meio de estudo, que lockdowns tiveram pouca efetividade na contenção da covid-19.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Esta verificação foi feita por jornalistas que participam do Programa de Residência no Comprova.

Pandemia

Investigado por: 2022-02-18

Vídeo de Eduardo Paes em festa sem máscara é antigo e não foi gravado no Complexo da Maré

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso um vídeo que mostra o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), sem máscara em uma festa de rua, supostamente feita no Complexo da Maré. A publicação, feita em 8 de fevereiro de 2022, sugere que as imagens são atuais, em meio às restrições impostas na cidade para conter a pandemia, mas o vídeo circula na internet ao menos desde julho de 2020, antes de Paes ser eleito. O prefeito diz que a festa ocorreu, na verdade, no bairro de Magalhães Bastos, em meados de 2019. O Comprova conseguiu confirmar o local do evento, mas não a data.
  • Conteúdo verificado: Vídeo que mostra Eduardo Paes dançando na rua, enquanto pessoas festejam, foi publicado no Twitter acompanhado de um texto afirmando que o prefeito estava sem máscara, no Complexo da Maré, na “farra” com “passe livre” dado pelo tráfico de drogas.

É enganoso um vídeo que viralizou no Twitter supostamente mostrando o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, festejando sem máscara no meio da rua no Complexo da Maré após ser autorizado pelo tráfico de drogas a estar na comemoração. A postagem sugere que o vídeo é atual e que o prefeito estaria descumprindo regras sanitárias impostas pelo próprio município. O Comprova descobriu, porém, que a gravação circula na internet desde julho de 2020, em um canal do YouTube que o associa a uma festa junina em uma “favela”, sem especificar o local exato. Paes só seria eleito prefeito em novembro daquele ano.

Após a viralização do conteúdo verificado aqui, o político disse no Twitter que as imagens mostram uma festa junina no bairro de Magalhães Bastos, que fica a mais de 24 quilômetros da Maré. Em contato com o Comprova, o prefeito disse que a gravação é de meados de 2019, antes da pandemia, e ocorreu na rua Arquimedes. A reportagem conseguiu confirmar que o local é o mesmo que aparece na gravação através de imagens do Google Street View de julho de 2019.

Um sinal de que o vídeo não é recente é que, no áudio, entre 14 e 17 segundos, é possível ouvir uma mulher pedindo a Eduardo Paes para “voltar para a prefeitura”, o que aponta que ele foi filmado entre 2017 e 2020, período entre os mandatos do prefeito, que já havia ocupado o mesmo cargo entre 2009 e 2016.

A reportagem procurou a conta que replicou o vídeo recentemente, mas não teve retorno até o fechamento desta verificação. O Comprova também entrou em contato com o administrador da conta do YouTube onde o vídeo foi postado em julho de 2020, mas ele disse que não sabia quando as imagens foram gravadas.

A postagem foi considerada enganosa porque o vídeo que associaria o prefeito a uma festa em plena pandemia foi retirado do seu contexto original e utilizado em outro de modo a alterar o seu significado.

Como verificamos?

Primeiro, assistimos ao vídeo em busca de informações que pudessem indicar onde e quando ele foi gravado. Fizemos uma busca reversa de imagem com frames da gravação. Procuramos no Twitter por palavras-chaves como “Eduardo Paes” e “Maré” e identificamos outras versões do mesmo vídeo publicadas em novembro de 2020. Também encontramos um tuíte de 8 de fevereiro, mesma data em que o conteúdo verificado foi publicado, em que o próprio prefeito diz que o vídeo é antigo e retrata uma festa junina no bairro de Magalhães Bastos.

A partir daí, incluímos nas buscas também os termos “festas juninas” e “São João”, e achamos a mesma gravação no Youtube, com data de postagem de julho de 2020, versão mais antiga que conseguimos identificar desse conteúdo na rede. Comentando no vídeo publicado mais recentemente, pedimos o e-mail do administrador do canal. Através da troca de e-mails, ele disse não saber quando e onde a gravação foi realizada.

Procuramos a assessoria de imprensa da Prefeitura do Rio por e-mail e por WhatsApp. No aplicativo, a gestão disse que não ia emitir nota por se tratar de “uma questão pessoal do prefeito que ele respondeu na conta pessoal dele”. Por causa disso, enviamos mensagem diretamente para o prefeito Eduardo Paes pelo WhatsApp, perguntando quando a festa teria ocorrido. Ele respondeu que as imagens são de “meados” de 2019 e que foram feitas na rua Arquimedes. Recorrendo a imagens de julho daquele ano no Google Street View, conseguimos confirmar que a via é a mesma que aparece na gravação.

Usamos o TweetDeck para tentar encontrar postagens desse evento no Twitter de Paes na época. Fizemos a busca ainda na página dele no Facebook. Não tivemos sucesso em nenhuma das pesquisas. Através do Google Maps, calculamos a distância entre o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, e o bairro de Magalhães Bastos, na Zona Oeste. Por fim, buscamos reportagens sobre o contexto do tráfico em Magalhães Bastos e sobre as medidas tomadas pelo político na prefeitura do Rio para conter a disseminação do Sars-CoV-2.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 17 de fevereiro de 2022.

Verificação

O vídeo em que Eduardo Paes aparece em uma festa na rua sem máscara é antigo, de antes do atual mandato dele na cidade. Fazendo uma busca por palavras-chave, o Comprova descobriu que o vídeo já circula há quase dois anos na Internet. Várias postagens com as imagens foram feitas no final de novembro de 2020, na semana do segundo turno das eleições cariocas. Todas associam a celebração ao Complexo da Maré e, assim como o conteúdo verificado agora, dizem que a festa teria sido autorizada pelo tráfico.

A gravação, porém, não é desta época, visto que ela já estava no YouTube desde julho de 2020, no canal “Cirão da Massa”, que dizia que Paes participava de uma festa de São João. Em e-mail enviado ao Comprova, o administrador da página diz que não sabe a data em que as imagens foram feitas porque ele as teria pego das redes sociais, mas afirmou que o vídeo é antigo.

No próprio conteúdo publicado, há uma indicação de que a gravação é antiga, já que entre 14 e 17 segundos é possível ouvir a voz de uma mulher afirmar: “Qual é Eduardo, volta pra prefeitura, por favor”. Outra voz, então, responde: “Não volta não”. A conversa indica que a festa ocorreu após o político deixar a Prefeitura do Rio pela primeira vez, em janeiro de 2017, e antes de ser eleito para retornar à gestão do município, em novembro de 2020. Naquele ano, Paes só lançou oficialmente sua candidatura à prefeitura em setembro, quando o vídeo já circulava na Internet.

Outro sinal de que o vídeo teria sido feito antes da pandemia é que, não apenas o político, mas nenhuma das pessoas que aparecem nas imagens utiliza máscaras.

Segundo afirmou o próprio prefeito no Twitter, as imagens foram gravadas durante uma festa junina no bairro de Magalhães Bastos, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e não no Complexo da Maré, na Zona Norte da mesma cidade. Em conversa com o Comprova por WhatsApp, o político disse que as imagens são de meados de 2019 e foram feitas na rua Arquimedes. Como a publicação mais antiga que a reportagem encontrou foi feita em julho de 2020 e o responsável pelo canal no YouTube não sabia onde a gravação foi realizada, não foi possível apontar com precisão a data da festa.

Com o nome da rua, nós fizemos uma busca no Google Street View por elementos que aparecem no vídeo, para tentar confirmar se a via era a mesma indicada pelo político. No ponto onde a gravação que viralizou começa, Paes está próximo a um poste com uma pintura, na frente de dois estabelecimentos com toldos de plástico. Os mesmos elementos podem ser vistos nas imagens do Google feitas na rua Arquimedes.

Por volta de seis segundos no vídeo, quando o político começa a andar pela rua, é possível ver uma lombada com uma pintura em forma de listra em frente ao poste; o que também conseguimos encontrar na rua Arquimedes.

No segundo 14 do vídeo, Paes está atravessando a rua e, ao fundo, há uma casa de primeiro andar com um ar condicionado e algumas marcas de pinturas na parede logo abaixo do equipamento. Encontramos o mesmo imóvel no Google Street View, em frente à lombada.

Por fim, a partir de 21 segundos no vídeo verificado, o político está diante de uma casa de esquina, com um portão azul, e o número indicado na parede tem um “7” e a letra “B”. Encontramos o mesmo local na rua Arquimedes.

Depois de julho de 2019, o Google Street View só tem imagens para a via a partir de agosto de 2021, portanto, não é possível usar a ferramenta para saber exatamente quando os imóveis perderam essas características da fachada, determinando a data da festa. Mas a comparação das imagens confirma que o evento ocorreu em Magalhães Bastos, bairro separado do Complexo da Maré por um trajeto de cerca de 24 quilômetros, segundo o Google Maps.

De acordo com o Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, há uma área do bairro de Magalhães Bastos, a favela de Curral das Éguas, que está sob o comando da facção Amigos dos Amigos. Mas a rua Arquimedes não fica dentro do perímetro apontado no mapa. O grupo tem perdido controle de áreas da cidade. O mapa é feito em parceria pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GEN) da Universidade Federal Fluminense (UFF); pelo datalab Fogo Cruzado; pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP); pela plataforma digital Pista News e pelo Disque-Denúncia.

Desde que voltou para a prefeitura, Eduardo Paes tem adotado medidas para contenção da covid-19 que o colocaram na mira de grupos negacionistas, como a adoção de medidas restritivas. Com o avanço da imunização contra a doença, a cidade também passou a exigir passaporte vacinal para que as pessoas tenham acesso a alguns serviços e estabelecimentos. O prefeito também tem criticado publicamente pais que não levam seus filhos para se vacinar contra o coronavírus. Decisões como estas já levaram um grupo a queimar uma foto de Paes junto com máscaras na cidade.

Por que investigamos?

O Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre a pandemia, as políticas públicas do governo federal, e a eleição deste ano que tenham viralizado nas redes sociais. Quando esse conteúdo trata da covid-19, sua checagem é ainda mais necessária, uma vez que informações incorretas podem levar as pessoas a deixarem de seguir as recomendações das autoridades sanitárias e se exporem a riscos. É exatamente o que o tuíte verificado faz ao sugerir que o prefeito do Rio estava festejando sem máscara no meio da rua.

O post em questão teve 6,9 mil visualizações no Twitter e mais de mil interações na mesma rede social. Desde que voltou para a prefeitura, o político tomou decisões que o colocaram na mira de negacionistas, como a adoção de medidas restritivas, a exigência de passaporte de vacinação e a defesa da imunização de crianças.

Recentemente, o Comprova mostrou que a cena de uma reportagem em que homem finge estar morto é de ato pelo meio ambiente, sem relação com a pandemia; que um artigo contrário à adoção de lockdowns não foi feito pela Universidade Johns Hopkins; e que os médicos reafirmam que máscaras impedem a proliferação da covid-19 e não atrapalham a respiração. Além disso, o Comprova também explicou porque eventos adversos graves pós-vacinação contra a covid-19 são raros e os benefícios da imunização superam os riscos.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Esta verificação foi feita por jornalistas que participam do Programa de Residência no Comprova.