O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 41 veículos de comunicação brasileiros para descobrir, investigar e desmascarar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas, eleições, saúde e mudanças climáticas que foram compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens.
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Eleições

Investigado por: 2022-06-22

Atividades de Bruno Pereira e Dom Phillips eram legais, ao contrário do que diz post

  • Enganoso
Enganoso
É enganosa a sequência de tuítes que alega que o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips estavam na Amazônia realizando atividades extremistas e ilegais. Pereira tinha autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Phillips não entrou em terras indígenas. O indigenista realizava um trabalho de proteção da área e orientação de sustentabilidade ambiental com o povo do Vale do Javari, e o jornalista fazia uma reportagem sobre o uso de tecnologia pelos indígenas para vigiar e denunciar invasões aos territórios.

Conteúdo investigado: Sequência de tuítes afirmando que após uma pesquisa sobre Bruno Pereira e Dom Phillips, assassinados no Vale do Javari, na Amazônia, chegou-se à conclusão que eles realizavam atividades extremistas e ilegais.

Onde foi publicado: Twitter.

Conclusão do Comprova: É enganosa a publicação que afirma que Bruno Pereira e Dom Phillips, cujos assassinatos foram confirmados pela Polícia Federal em 17 e 18 de junho, realizavam atividades extremistas e ilegais na Amazônia. Pereira foi à região, com autorização, para participar de reuniões em aldeias na área da calha do rio Curuçá, enquanto Phillips estava escrevendo sobre uma equipe de vigilância criada pelos povos originários para documentar e denunciar as invasões e crimes em seu território. A atuação do jornalista, no entanto, foi fora da área indígena.

O conteúdo questiona a credibilidade do trabalho dos dois profissionais, dando a entender que eles realizavam atividades ilegais. “Tinha vários inimigos na região, não só por questões legais, mas também por questões pessoais”, diz um trecho em referência ao indigenista, sem apresentar provas.

Para o Comprova, enganoso é todo conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações, que induz a uma interpretação equivocada e confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos de maior alcance nas redes sociais. Até o dia 22 de junho, o tuíte teve mais de 8 mil curtidas e 3,1 mil compartilhamentos.

O que diz o autor da publicação: A autora do post verificado é apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (PL) e costuma publicar conteúdos enaltecendo pautas defendidas por ele. O Comprova entrou em contato com a autora via mensagem no Twitter, mas não obteve resposta até o fechamento desta verificação.

Como verificamos: O primeiro passo foi buscar informações a respeito do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, do trabalho que estavam desenvolvendo no Vale do Javari (AM) e se eles teriam autorização para estar no local.

Para isso, foram consultadas reportagens jornalísticas (BBC News Brasil, G1, Estado de Minas, CNN Brasil, UOL Notícias, Globo) e entidades como a Funai, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

O Comprova também procurou por notícias sobre a destruição de balsas citada pelo post aqui verificado (Folha, Estadão, UOL, Veja) e contactou a assessoria da Polícia Federal (PF) no Amazonas para esclarecimentos acerca do episódio.

Bruno Pereira tinha autorização para atuar no Vale do Javari

Em 8 de junho, três dias depois do desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips, o presidente da Funai, Marcelo Xavier, disse em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que os homens não teriam comunicado aos órgãos sobre a viagem ao Vale do Javari. No entanto, documentos oficiais obtidos pela TV Globo apontam que o indigenista cumpriu os protocolos legais e que Phillips não entrou em terras indígenas.

Conforme o documento emitido pela Funai, Bruno Pereira foi autorizado a entrar no Vale do Javari e participar de reuniões em cinco aldeias na região da calha do rio Curuçá para conversar sobre o território e estratégias para protegê-lo entre os dias 17 e 30 de maio. Ele entrou no dia 21, mas não estava acompanhado do jornalista Dom Phillips.

A família do jornalista disse ao Jornal Nacional que ele só encontrou o indigenista no dia 1º de junho, em Atalaia do Norte, após Pereira ter visitado as aldeias indígenas.

Apesar de a autorização possuir vigência apenas até o dia 30 de maio, o local em que o indigenista e o jornalista foram vistos pela última vez, no dia 5 de junho, não exigia qualquer documentação para acesso, como noticiou o jornal CNN Brasil.

Além disso, Bruno Pereira e Dom Phillips poderiam ter entrado no Vale do Javari a convite dos indígenas, mesmo sem autorização da Funai, de acordo com a assessora jurídica da Univaja e do Observatório dos Povos Isolados, Carolina Santana.

“A lei brasileira garante sobretudo a autonomia dos povos indígenas sobre seus territórios. As leis e normativas internacionais também. O Brasil é signatário das normativas que garantem a autonomia. O próprio regulamento da Funai coloca a autonomia indígena como condição sine qua non para autorização do ingresso”, disse Santana ao Jornal Nacional.

A Funai foi procurada a respeito da autorização, mas não respondeu até o fechamento da verificação.

Dom Phillips fazia reportagem fora de terras indígenas

Ao contrário do que alega a postagem, Dom Phillips não fazia reportagem sem autorização da Funai e do Ibama, e sem o conhecimento dos governos estadual e federal. Na realidade, o jornalista estava escrevendo sobre uma equipe de vigilância criada pelos povos originários para documentar e denunciar as invasões e crimes em seu território. Tudo fora da área indígena.

Em entrevista ao UOL Notícias, o indigenista Leonardo Lennin, do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, disse que, com a viagem, Phillips queria entender como a Univaja estava usando tecnologia, como drones e imagens de satélite, para documentar invasões e denunciá-las às autoridades.

Além do trabalho como jornalista, Dom Phillips estava escrevendo um livro sobre a floresta amazônica. Como noticiaram o G1 e o jornal britânico The Guardian, do qual Phillips era um colaborador de longa data, o projeto teria apoio da Fundação Alicia Patterson, instituição sem fins lucrativos que concede bolsas a jornalistas que trabalham para a realização de projetos independentes.

Queima de balsas no Amazonas

O conteúdo investigado acusa especificamente Bruno Pereira de atividades “extremistas” e cita “o episódio da queima das balsas”. Ao contrário do que sugere a autora do post, de que a ação teria sido irregular, as balsas foram destruídas por autoridades brasileiras com amparo na legislação, uma vez que eram estruturas utilizadas para o cometimento de crimes ambientais na região.

Em novembro de 2021, centenas de balsas de dragagem operadas por garimpeiros empreenderam uma corrida por ouro no rio Madeira, importante afluente do rio Amazonas. A ação ilegal deflagrou a operação Uiara, realizada pela Polícia Federal, Ibama e Forças Armadas.

Na primeira fase da intervenção foram presas três pessoas e destruídas 131 balsas apreendidas.

Ao UOL, o superintendente da PF no Amazonas, Leandro Almada, disse que não houve nenhum registro de violência, uso de força ou disparo de arma de fogo.

O que se pretendia com a destruição dos equipamentos era inviabilizar o maquinário utilizado para a prática do crime ambiental. A ação tem previsão legal e é regulamentada pelas Leis 9605/98 (Lei de Crimes Ambientais), e 8176/91 (Usurpação de bens da União).

Ainda conforme a matéria do UOL, a queima é feita com o próprio combustível encontrado nas estruturas, que normalmente carregam grandes tanques de plástico com centenas de litros de gasolina.

De acordo com matéria da Veja, em setembro de 2019, Bruno Pereira teria conduzido a operação Korubo, que terminou na destruição de 60 balsas usadas por garimpeiros ilegais no Vale do Javari. Por este motivo teria sido exonerado do cargo de coordenador de povos isolados da Funai.

O indigenista foi demitido do cargo 15 dias após a operação, que envolveu cerca de 60 agentes da Funai, da Polícia Federal e do Ibama. Segundo o UOL, após a Korubo, os garimpeiros teriam aumentado a pressão sobre a Funai pedindo pela demissão de servidores que estavam comandando ações desse porte na Amazônia – o que incluía Bruno Pereira.

Conforme o G1, a exoneração do indigenista veio “após pressão de setores ruralistas ligados ao governo do presidente Jair Bolsonaro”.

Desde a operação Korubo, a Funai não realizou mais nenhuma grande ação na região, que sofre também com a invasão de caçadores e pescadores ilegais.

Depois disso, em janeiro de 2020, Pereira pediu licença para atuar na proteção de indígenas fora do órgão e passou a atuar junto da Univaja para ensinar os povos originários a monitorar suas terras com o uso de tecnologias como drones.

Ao Comprova, a assessoria da PF no Amazonas informou que “as informações solicitadas fazem parte de investigação policial que tem o andamento totalmente sigiloso.”

A Funai, a Univaja e o Ibama foram procurados, mas não houve retorno.

Quem eram Bruno Pereira e Dom Phillips

Bruno da Cunha de Araújo Pereira era indigenista e um dos maiores especialistas em indígenas que vivem em isolamento no Brasil. Pereira estava licenciado da Funai e trabalhava como assessor da Univaja. Nascido no Recife, tinha 41 anos e deixa esposa e três filhos.

O jornalista Dom Phillips colaborava com diversos jornais no exterior, como o The New York Times, The Guardian e The Washington Post. Ele realizou diversas viagens para a Amazônia, onde fez reportagens sobre desmatamento e crimes. Ele vivia no Brasil há 15 anos e era casado com uma brasileira.

Phillips e Pereira já haviam viajado juntos para a Amazônia e, nesta ocasião, o jornalista estava acompanhado do indigenista brasileiro para coletar dados para um livro que estava escrevendo sobre como salvar a floresta.

No dia 5 de junho, o indigenista e o jornalista desapareceram a poucos quilômetros do Vale do Javari, que é a segunda maior reserva indígena do Brasil. Na última vez que foram vistos, eles pararam na comunidade de São Rafael, às 6h, onde tinham uma reunião marcada com o líder pescador Manoel Vitor Sabino da Costa, conhecido como “Churrasco”.

A dupla deveria ter chegado à Atalaia do Norte duas horas depois, mas isso nunca aconteceu. Os indígenas da Univaja foram os primeiros a alertar sobre o desaparecimento e começaram as buscas às 14h.

Em 15 de junho, um dos principais suspeitos pelo desaparecimento, Amarildo Oliveira da Costa, conhecido como “Pelado”, confessou ter participado do assassinato da dupla. Entre os dias 17 e 18, a PF confirmou o reconhecimento dos restos mortais pertencentes ao indigenista e ao jornalista.

De acordo com a perícia, eles foram assassinados com armas de caça. Bruno Pereira foi atingido por três tiros, enquanto Dom Phillips foi morto com um tiro.

Até o momento, a PF do Amazonas identificou oito suspeitos de terem ajudado a ocultar os corpos de Pereira e Phillips. Três suspeitos foram presos: Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”; Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos”; e Jeferson da Silva Lima, chamado de “Pelado da Dinha”.

Resposta do governo brasileiro

Além de críticas a falas do presidente Bolsonaro, que disse que a viagem dos dois era uma “aventura não recomendável” e que Phillips era “malvisto” na região, o governo brasileiro foi criticado por não agir rapidamente nas buscas.

No dia seguinte ao desaparecimento, o Comando Militar da Amazônia, do Exército, emitiu nota afirmando que estava “em condições de cumprir missão humanitária de busca”, mas que a ação só seria tomada “mediante acionamento por parte do Escalão Superior”.

No dia 10 de junho, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos criticou a lentidão das buscas e pediu que o governo brasileiro redobrasse os recursos e esforços disponibilizados nas buscas.

Nos últimos dias, diante da repercussão internacional do caso, políticos, organizações e artistas também denunciaram a atuação dos órgãos públicos e lamentaram a morte de Pereira e Phillips.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que tenham viralizado nas redes sociais sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais. A peça de desinformação checada tenta desqualificar a atuação de dois profissionais que lutavam pelos direitos e proteção dos povos originários do Brasil enquanto ainda se investiga os assassinatos. O crime se tornou pauta eleitoral uma vez que colocou em evidência as políticas públicas do governo Bolsonaro para a região amazônica.

Outras checagens sobre o tema: Em 14 de junho, o site Boatos.org checou a mesma peça de desinformação verificada pelo Comprova e concluiu que Bruno Pereira e Dom Phillips tinham autorização para estar no Vale do Javari.

Em verificações anteriores, o Comprova mostrou que protesto de indígenas na Bahia era por melhoria na educação e não por verba para ato contra Bolsonaro; que a Polícia Federal negou que ONGs que atuam na Amazônia transportaram ouro ilegalmente e que vídeo distorce dados sobre queimadas na Amazônia.

Eleições

Investigado por: 2022-06-21

Post troca local de ato contra Lula para desacreditar pesquisas

  • Enganoso
Enganoso
Vídeo engana ao mostrar protesto contra Lula afirmando que moradores de condomínio de luxo onde ele foi morar estão querendo expulsá-lo de lá. De fato, o protesto ocorreu, mas não na casa de Lula, e sim em frente ao condomínio em que mora o cientista brasileiro Rogério Cerqueira Leite, onde o ex-presidente esteve no dia 5 de maio, pouco antes de um evento na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Conteúdo investigado: Vídeo publicado no Kwai e compartilhado em outras redes sociais mostra um grupo de manifestantes contrários a Lula cercando um carro preto, onde estaria o ex-presidente. As publicações indicam que o local do protesto seria a nova residência do político, na cidade de São Paulo. A postagem aqui verificada utiliza as imagens para questionar a credibilidade das pesquisas eleitorais, que apontam Lula em primeiro lugar nas intenções de voto para as eleições presidenciais de outubro.

Onde foi publicado: Twitter, Facebook e Kwai.

Conclusão do Comprova: É enganoso o vídeo que mostra um protesto contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a legenda “olha o Lula saindo de casa” no alto da gravação. O conteúdo de desinformação foi compartilhado com legenda afirmando que “moradores de condomínio de luxo aonde Lula foi morar estão querendo expulsá-lo de lá”. Mas as imagens são de um protesto contra o petista ocorrido na cidade paulista de Campinas, durante visita à casa do cientista brasileiro Rogério Cerqueira Leite.

Lula, como publicou a revista Veja, se mudou de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, para o bairro Alto de Pinheiros, na capital paulista, em dezembro do ano passado.

O post também questiona a credibilidade das pesquisas de intenção de voto ao afirmar “Esse é o líder das pesquisas”, insinuando que Lula tem baixa popularidade, o que não procede. O petista aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente, que utilizam métodos científicos para apurar o quadro do momento.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: Até o dia 21 de junho, o vídeo original, compartilhado no Kwai, alcançou 6.752 curtidas, 2.561 comentários e 1.598 compartilhamentos. Já a postagem no Twitter teve 1.473 retweets, 5.180 curtidas e 126 interações.

O que diz o autor da publicação: Por meio das redes sociais, o Comprova procurou o autor do post original do Kwai para esclarecer questões referentes ao vídeo enganoso, mas ele não respondeu até a publicação desta verificação.

O lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie, que compartilhou as imagens em seu Twitter, também foi consultado, mas não houve resposta. Ele é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2019, foi nomeado embaixador do turismo brasileiro pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). Gracie costuma compartilhar informações duvidosas em suas redes sociais e já teve postagens classificadas como falsas por agências de checagem.

Como verificamos: O Comprova analisou comentários de internautas e fez buscas na internet, que levaram a reportagens de veículos de imprensa e publicações nas redes sociais sobre o episódio. Também foi utilizado o Google Street View para esclarecimento do local em que o vídeo foi gravado e feito contato com os autores dos posts.

O local da manifestação

Em certo momento do vídeo, as imagens mostram uma placa com os dizeres “Sociedade Alto das Palmeiras, 616”. Trata-se de um condomínio residencial localizado no bairro das Palmeiras, na cidade de Campinas, em São Paulo. Outros elementos presentes na publicação são os mesmos do condomínio.

| Captura da postagem do Kwai

| Captura do Google Street View

Comentários na publicação do Twitter apontam para o fato de que as imagens aconteceram em Campinas, e não na residência de Lula. Diante da informação, uma busca com as palavras-chaves “Lula”, “Manifestação” e “Campinas”, levou a notícias (O Globo, Folha de S.Paulo, Band e Hora Campinas) que repercutem o protesto e exibem o mesmo vídeo compartilhado nas postagens enganosas. As reportagens afirmam que o episódio ocorreu no dia 5 de maio.

As notícias afirmam que, na ocasião do protesto, Lula deixava a casa do cientista brasileiro Rogério Cézar de Cerqueira Leite, onde esteve antes de seguir para um evento de sua agenda oficial na Unicamp.

Casa de Lula

O conteúdo investigado aqui traz a seguinte legenda: “Moradores do condomínio de luxo aonde Lula foi morar estão querendo expulsá-lo de lá!”. Como mostrado anteriormente, o político não mora no local exibido no vídeo.

Lula se mudou em dezembro de 2021 de seu apartamento em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, para uma casa no bairro de Alto de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista, como publicou a revista Veja.

O imóvel, de cerca de 700 metros quadrados, tem quatro suítes, oito banheiros, piscina e sala de ginástica. Ainda de acordo com a Veja, “no ano passado, uma imobiliária oferecia a casa por exatos R$ 20,5 mil de aluguel por mês” e, “caso o interessado quisesse comprar o imóvel, o valor de venda era de R$ 5 milhões”.

Outra reportagem da Veja mostra que até 30 de maio, quando foi publicada, não havia ocorrido nenhum protesto no novo endereço do pré-candidato. A discussão causada por sua chegada foi em relação a um “projeto que atende a uma demanda antiga dos residentes e que visa restringir o acesso de carros às ruas da região, com a instalação de cancelas e portarias”.

Outras reportagens também afirmam ser na Zona Oeste da capital paulista a nova casa de Lula (Metrópoles, UOL, Terra).

Pesquisas de intenção de voto

O tuíte aqui investigado, ao escrever “Esse é o líder das pesquisas!!”, questiona a credibilidade das pesquisas de intenção de voto. Diversos seguidores fazem comentários desqualificando o trabalho de institutos como Datafolha, que mostram o petista em primeiro lugar na disputa presidencial, com Jair Bolsonaro em segundo.

“Vê-se a tranquilidade do líder das pesquisas! Não acredito em nenhuma”, escreve uma seguidora. “Grande líder de pesquisa em Datafolha”, digita outro.

O episódio, no entanto, não é suficiente para configurar uma amostra de baixa popularidade de Lula na sociedade brasileira. Como o Comprova mostrou recentemente, as pesquisas eleitorais utilizam métodos científicos para apurar a realidade do momento junto a segmentos que possam ser representativos do eleitorado brasileiro de uma forma geral.

Além disso, se Lula foi atacado por manifestantes na saída do condomínio Alto das Palmeiras, em Campinas, em 5 de maio, no fim daquele mesmo dia ele “foi recebido por uma grande quantidade de pessoas” na Unicamp, como afirma reportagem de O Globo:

“Parte dos estudantes não conseguiu entrar no anfiteatro, onde o petista discursou e precisou acompanhar a fala do ex-presidente por telões do lado de fora”.

No último levantamento realizado pelo instituto do Grupo Folha, publicado em 26 de maio, Lula aparece 21 pontos à frente do atual presidente no primeiro turno. No segundo turno, o petista aparece com 58% das intenções de voto e, Bolsonaro, com 33%.

As críticas aos institutos de pesquisas seguem a linha de Bolsonaro, que já chamou de “canalhice” dados do Datafolha sobre a intenção de votos dos eleitores evangélicos.

 

 

Por que investigamos: O Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas e eleições que viralizaram. Informações enganosas acerca de Lula, pré-candidato à Presidência da República, prejudicam a decisão de eleitores durante as votações, atrapalhando o processo democrático. Além disso, pesquisas eleitorais são ferramentas essenciais para a análise do contexto político do país. A tentativa de descredibilizá-las diminui a confiança das pessoas sobre os institutos de pesquisa, atrapalha a percepção da realidade e influencia o voto de forma equivocada.

Outras checagens sobre o tema:

O AFP Checamos também verificou a postagem e a definiu como falsa.

Recentemente, o Comprova mostrou que post engana ao omitir que protesto contra Lula em Bagé (RS) é de 2018; que vídeo antigo engana ao afirmar que Lula e Alckmin foram hostilizados em Porto Alegre e que publicação mostra imagens de imóvel de luxo no Ceará como sendo residência alugada por Lula em São Paulo.

Eleições

Investigado por: 2022-06-21

Post mente ao afirmar que Anitta foi vaiada após críticas a Bolsonaro

  • Falso
Falso
É falso o conteúdo de um vídeo que circula no TikTok e no WhatsApp afirmando que a cantora Anitta foi vaiada após gritar “fora Bolsonaro” e falar “que Bolsonaro não seria reeleito” durante um show. O vídeo mostra ainda que o público reagiu jogando objetos no palco. Na verdade, a cantora que aparece nas imagens é a franco-espanhola La Zowi, que discutiu com a plateia durante uma apresentação na Europa.

Conteúdo investigado: Um vídeo que circula no TikTok e no WhatsApp diz que durante um show a cantora Anitta “foi gritar fora Bolsonaro” e falar “que Bolsonaro não seria reeleito”, o que gerou uma reação negativa do público, que jogou objetos contra ela no palco. O conteúdo insinua que o episódio ocorreu em Goiás.

Onde foi publicado: TikTok e WhatsApp.

Conclusão do Comprova: É falso o vídeo que circula em redes sociais mostrando uma cantora irritada após ser xingada e ser alvo de objetos jogados no palco. O conteúdo afirma que a artista é a brasileira Anitta e que teria sido alvo da irritação do público por ter falado mal do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Levantamento do Comprova mostra que o vídeo foi gravado em maio deste ano, na Espanha, durante apresentação da cantora La Zowi, que se desentendeu com a plateia. A artista xingou o público e, em seguida, atirou um objeto contra os participantes de um festival. Em noticiários espanhóis do período é possível visualizar o vídeo original, bem como informações sobre o evento. Não há relação com Anitta ou com a política no Brasil.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos de maior alcance nas redes sociais. Até o dia 21 de junho, a postagem falsa teve quase 36 mil curtidas no TikTok e foi compartilhada mais de 6,1 mil vezes.

O que diz o autor da publicação: Como a plataforma do TikTok restringe o contato por mensagem direta apenas entre pessoas que se seguem, a interação com o autor do conteúdo foi feita via Instagram. O Comprova não obteve um retorno até o fechamento desta verificação.

Como verificamos: A partir de buscas por meio do Google, o Comprova teve acesso a conteúdos de sites com descrições sobre o vídeo da cantora La Zowi. A pesquisa também possibilitou acesso a notícias e vídeos do período em que o show foi realizado.

A apresentação de La Zowi

Alguns sites espanhóis noticiaram a performance de La Zowi. O portal Ideal destacou o problema ocorrido entre a cantora e o público. O site chegou a descrever o que a artista teria falado antes de “agredir” o público com um pedestal.

“Isqueiros, canetas…, já faço [show] há alguns anos e nunca me aconteceu. Não sei quem deixa entrar, não sei que tipo de animal [quem atirou objetos]…”, divulgou o site.

O Ideal citou ainda que as reações nas redes sociais foram imediatas e a maioria criticou quem lançou os objetos contra a cantora.

“Os artistas vêm à cidade e quatro imbecis matam a chance de termos um festival de referência. La Zowi, nós te amamos e sentimos muito”, diz trecho de perfil publicado na reportagem.

O perfil no Facebook Jaén Noticias também publicou informação sobre o episódio. Na postagem, um vídeo de outro ângulo mostra o momento em que a artista discute com a plateia e depois atira o equipamento musical.

Os comentários de seguidores se dividem entre críticas e elogios à cantora.

“Mas que pouca civilidade. Se você não gostar vai embora, ponto final. Mas respeite a garota e também respeite as pessoas que querem vê-la”, diz um comentário.

“Não se justifica o que fizeram, mas a garota desceu ao mesmo nível que eles [jogando o pedestal]”, interagiu outra seguidora.

Post TikTok

A publicação falsa foi feita a partir de um vídeo que mostra a cantora espanhola Zoe Jeannau Canto, conhecida pelo nome artístico de La Zowi, se apresentando em um show no dia 13 de maio de 2022, no Auditório de La Alameda, no município de Jaén, na Espanha. Em determinado momento, espectadores começaram a atirar objetos na direção da artista. A motivação não foi identificada pelo Comprova, e os comentários da postagem original sugerem que quem estava presente no evento também não conseguiu contextualizar os ataques.

Em resposta, ainda no palco, a cantora espanhola disse que algumas pessoas haviam jogado canetas e isqueiros, e que esse tipo de episódio nunca havia acontecido em sua carreira. Incomodada com a situação, La Zowi pega o que parece ser um pedestal para microfone e o atira no público. Logo em seguida, interrompe a sua apresentação e deixa o palco. A performance fazia parte da programação do festival Primavera Jaén, cuja proposta musical era levar atrações ao público jovem da cidade espanhola entre março e julho deste ano.

| Foto: Twitter/@koumntbf – Imagem de outro ângulo mostra La Zowi jogando pedestal no público

As críticas de Anitta a Bolsonaro

Ainda no período de campanha eleitoral em 2018, a cantora Anitta começou a ser cobrada pelos seus fãs para que se posicionasse em relação aos candidatos à presidência da República naquele ano, sobretudo em relação a Jair Bolsonaro.

Em setembro de 2020, em entrevista ao jornal O Globo, Anitta disse que não se posicionou politicamente quando foi cobrada pelos seus fãs porque “não iria dar voz a algo que não entendia”. Alguns meses antes dessa entrevista, em julho, a artista já havia criticado a maneira de Bolsonaro lidar com a pandemia de covid-19.

Novos embates aconteceram em diversos momentos de 2021. Em abril do ano passado, a cantora compartilhou no Twitter um vídeo que pedia que o presidente americano, Joe Biden, não fizesse um acordo climático com o líder brasileiro. O pedido de Anitta estava alinhado a uma carta assinada por cerca de 200 entidades brasileiras que argumentaram que a política de Bolsonaro “desmontou órgãos de fiscalização, promoveu o enfraquecimento da legislação e incentivou invasões de territórios indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e áreas protegidas”. Além da questão ambiental, a cantora já criticou Bolsonaro pelo número de mortos no Brasil devido à covid-19 e também pelo aumento de preços de bens e serviços.

Em 3 de maio de 2022, Anitta postou no Twitter que teve uma conversa com o ator americano Leonardo DiCaprio “sobre a importância dos jovens tirarem seu título de eleitor”. No mesmo tuíte, ela escreveu: “Vocês sabiam que ele sabe mais sobre a importância da nossa floresta amazônica do que o presidente do Brasil?”. Isso fez com que Bolsonaro respondesse às críticas da cantora com uma série de tuítes.

Em entrevista à revista americana Interview Magazine, em 27 de maio, Anitta disse: “Eu só quero garantir que eu chamo a atenção para as coisas importantes. Então, se eu precisar brigar com o presidente, eu vou brigar“. Morando em Miami, nos Estados Unidos, desde 2021, a cantora expressou na mesma entrevista que colocou a sua vida em risco ao se posicionar politicamente: “Fui ao Brasil esta semana e não avisei às pessoas que estava lá por causa de algumas ameaças que estava recebendo”.

La Zowi

A cantora La Zowi tem como nome de batismo Zoe Jeanneau Canto. Ela nasceu em 1993 na França, em Paris, mas cresceu em Granada, na Espanha.

La Zowi é filha de artistas. A mãe é poetisa, e o pai, Patrice Jean Marcel Jeanneau, um guitarrista de flamenco conhecido como El Yerbita.

O gênero musical de La Zowi é o trap. Trata-se de um subgênero do rap que surgiu nos anos 2000.

| Foto: Instagram/ @lazowi – Cantora La Zowi

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos sobre pandemia, eleições e políticas públicas que atinjam grau de viralização nas redes sociais. Com a proximidade das eleições presidenciais, cresce o número de conteúdos enganosos nas redes sociais para tentar favorecer determinado candidato. Informações desse tipo também prejudicam o contexto dos fatos e criam mentiras a respeito de pessoas públicas, o que tumultua o processo eleitoral.

Outras checagens sobre o tema: Em outras verificações, o Comprova já mostrou que Zeca Pagodinho não recebeu milhões de reais pela Lei Rouanet por musical e que vídeo de protesto contra Lula em show de Marina Sena é falso.

Comprova Explica

Investigado por: 2022-06-17

Entenda projeto do governo federal que permite a penhora de casas por bancos

  • Comprova Explica
Comprova Explica
Projeto de autoria da presidência da República, já aprovado na Câmara dos Deputados e agora sob análise do Senado Federal, cria o Marco Legal das Garantias de Empréstimos. Na prática, o texto altera aspectos previstos na Lei da Impenhorabilidade do bem de família (Lei 8009/1990), que impede que o imóvel próprio do casal ou da entidade familiar seja penhorado desde que quitado. O novo marco legal cria a possibilidade de que as famílias tenham seu único imóvel penhorado, se ele for dado como garantia para tomar financiamento em um banco. O governo federal argumenta que o texto tem o potencial de estimular a redução das taxas de juros, elevar o número de alternativas de crédito e diminuir os custos operacionais para as instituições financeiras. Já para a oposição, contrária à medida, o projeto cria o risco de uma “bolha” com o excesso de empréstimos.

Conteúdo analisado: Um vídeo divulgado no perfil Nova Ordem Mundial, no Facebook, faz críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), especialmente ao projeto recém-aprovado na Câmara dos Deputados – de autoria da presidência – instituindo o Marco Legal das Garantias de Empréstimos. O autor do vídeo critica o fato de que bancos e outras instituições financeiras poderão penhorar o único imóvel de uma família que esteja em dívida.

Conclusão: Em 1º de junho de 2022, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei (PL) 4.188/21, que institui um marco legal para o uso de garantias destinadas à obtenção de crédito. Se aprovado, o texto vai permitir, entre outros pontos, que um imóvel dado como garantia de uma dívida seja penhorado, mesmo que seja o único bem da família – hoje, existe a impenhorabilidade desse tipo de bem.

Conteúdos que circulam nas redes sociais sobre o projeto de lei, como o vídeo publicado no perfil Nova Ordem Mundial que teve mais de 8,6 mil visualizações no Facebook , afirmam que “os bancos poderão tomar as casas de endividados”.

A gravação começa com uma ilustração de uma chamada “corrida dos ratos”, indicando que o brasileiro “trabalha para ganhar dinheiro, pagar contas, até ficar sem dinheiro e trabalhar novamente”, o que o autor classifica como um “ciclo vicioso”. Após a introdução, o autor chega a sugerir que o presidente Jair Bolsonaro (PL) “não só deve perder as eleições, como ser preso” para, em seguida, passar a falar do projeto de lei apresentado pelo governo. Ele também critica governos de esquerda.

Os bancos vão mesmo poder tomar as casas dos brasileiros? Em quais situações? Isso já pode acontecer? Foi o governo que criou a lei? Diante dos questionamentos, o Comprova decidiu explicar os pontos levantados no conteúdo.

Projeto de lei e autoria

O projeto de lei 4188/2021 é de autoria do Executivo, como mostra o site do Congresso Nacional. Esse Poder, de acordo com a Constituição em seu capítulo 76, “é exercido pelo presidente da República, auxiliado pelos ministros de Estado”.

Também conhecido como Novo Marco de Garantias, o texto foi apresentado no dia 25 de novembro de 2021. O PL foi aprovado pela Câmara dos Deputados na forma do substitutivo no início de junho de 2022. Agora, a proposta deve ser votada pelo Senado Federal.

O texto propõe um novo Marco de Garantias, o que, na visão do Ministério da Economia, faz com que “o cenário de crédito brasileiro” seja “aprimorado”. Ao justificar a proposta, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que ela “tem o potencial de estimular a redução das taxas de juros, elevar o número de alternativas de crédito e diminuir os custos operacionais para as instituições financeiras”. Já para a oposição, contrária ao projeto, ele cria o risco de uma “bolha” com o excesso de empréstimos. Bolha, no setor imobiliário, é quando ocorre um aumento do preço dos imóveis que “não condiz com os valores reais dos bens” – esse aumento pode ser resultado da alta procura, o que tende a ocorrer com juros mais baixos. O termo remete à crise financeira de 2008.

A versão original do governo federal passou por algumas alterações feitas pelo relator, o deputado federal João Maia (PL-RN). O parlamentar incluiu, por exemplo, a adoção de procedimentos de execução extrajudicial de bens. Isso significa que uma pessoa que, voluntariamente, colocar sua casa como garantia de uma dívida no contrato poderá perder o imóvel caso fique devendo.

“Hoje, isso não é permitido. Se o texto for aprovado no Senado, isso vai ser permitido”, explica o advogado Guilherme Botelho, professor da graduação e pós-graduação em Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Ainda de acordo com o Ministério da Economia, “o Novo Marco de Garantias faz parte do programa Mais Garantias Brasil”, que prevê a modernização dos cartórios e o aprimoramento de garantias rurais, entre outros pontos.

Na abertura do ano legislativo, Bolsonaro citou o Marco Legal das Garantias como uma das prioridades para 2022 ao ler mensagem para o Congresso Nacional. Ainda segundo o Ministério da Economia, o PL facilita as garantias de crédito, reduz custos e juros de financiamentos e aumenta a concorrência.

I Legenda: Ilustração sobre o PL retirada do site da Câmara I

 

Governo propôs, mas não aprovou projeto

Em um trecho do conteúdo aqui analisado, o autor afirma, de forma equivocada, que o governo Bolsonaro foi o responsável pela aprovação do projeto de lei. Na sequência, ainda emenda: “então, quando eu digo que o Bolsonaro é o maior cúmplice do PT e merece ir para a cadeia, não é à toa, meus irmãos”.

O projeto, de fato, foi apresentado pelo Executivo – que detém prerrogativa para adotar essa medida, assim como qualquer deputado, senador, comissão da Câmara, do Senado ou do Congresso, além do procurador-geral da República, o Supremo Tribunal Federal, os tribunais superiores e cidadãos.

Os projetos começam a tramitar na Câmara, à exceção dos apresentados por senadores, que começam no Senado. O Senado funciona como Casa revisora para os projetos iniciados na Câmara e vice-versa. Se o texto da Câmara for alterado no Senado, volta para análise dos deputados. Da mesma forma, se um projeto do Senado for mudado pelos deputados, ele retorna aos senadores. A Casa onde o projeto se iniciou dá a palavra final sobre seu conteúdo, podendo aceitar ou não as alterações feitas na outra Casa.

Após aprovação nas duas Casas (Câmara e Senado), os projetos são enviados ao presidente da República para sanção ou veto.

No caso do Marco Legal das Garantias, o texto já aprovado na Câmara seguiu para o Senado, sem previsão para ser analisado.

Principais mudanças em relação aos imóveis

Frederico Henrique Viegas de Lima, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), explica que o projeto de lei não modifica os financiamentos em si, mas as garantias possíveis para o fornecimento de crédito.

Sobre a possibilidade de instituições financeiras tomarem a casa própria de pessoas endividadas, o especialista afirma que o texto aprovado muda a lei sobre a impenhorabilidade de imóvel (Lei 8.009/90), que coloca a salvo a casa própria de uma família.

Atualmente, o imóvel de família só pode ser usado como garantia do financiamento do próprio imóvel e leiloado se o financiamento imobiliário não for pago. Outros casos dependem de decisão judicial.

Com o PL, os bancos poderão tomar casas próprias em situações como: quando for demonstrado que a família se beneficiou ao colocar o imóvel como garantia ou quando restar caracterizada a vontade do proprietário em dar a casa como garantia, assumindo os riscos.

“Daí, altera-se a lei da impermeabilidade do bem de família para estabelecer que, de qualquer forma, sendo o estabelecimento da garantia um ato de vontade do titular do imóvel, caso ele dê esse bem de garantia, não importa qual é o motivo, aquele imóvel pode ser penhorado mesmo sendo onde reside a família”, continua.

O especialista em direito imobiliário comenta que outra das principais alterações, caso o texto venha a ser aprovado, é que um imóvel poderá ser dado como garantia em vários financiamentos diferentes, tendo como limite o próprio valor. Atualmente, imóveis só podem ser dados como garantia em uma única operação e de quantia menor.

Por que explicamos: O Comprova investiga conteúdos sobre pandemia, eleições e políticas públicas que atinjam alto grau de viralização nas redes sociais. Já o “Comprova Explica” serve como instrumento para que os leitores entendam um conteúdo que está viralizando e causando confusão, caso do vídeo analisado aqui. O post checado cita o presidente e pré-candidato à reeleição, Jair Bolsonaro. Conteúdos falsos ou enganosos que envolvem atores políticos oferecem prejuízos ao processo democrático e atrapalham a decisão do eleitor, que deve ser tomada com base em informações verdadeiras.

Outras publicações sobre o tema: Em meio às dúvidas relativas ao assunto, o novo Marco Legal das Garantias foi tema de uma reportagem do Valor Econômico que responde se o banco poderá tomar casa de devedor.

Eleições

Investigado por: 2022-06-15

Vídeo faz alegações enganosas para colocar em dúvida credibilidade de pesquisas eleitorais

  • Enganoso
Enganoso
É enganosa uma publicação no Facebook e YouTube que reúne trechos de dois vídeos para defender a tese de que as pesquisas eleitorais não são confiáveis. Entre as alegações, o autor considera que o tamanho da amostragem - número de eleitores entrevistados - é pequeno para representar a opinião da população. O Comprova já explicou que a pesquisa é feita com uma amostra cientificamente calculada da população, a fim de retratar o grupo como um todo e eliminar vieses.

Conteúdo investigado: Vídeo em que autor reúne duas gravações para levantar suspeitas sobre a credibilidade das pesquisas eleitorais. No primeiro, ele mostra imagens de uma consulta feita em 2018, em frente a um presídio, e, no segundo, gravação feita em abril de 2022, de uma mulher que, segundo a postagem, teria se recusado a continuar a pesquisa quando o entrevistado manifestou apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Onde foi publicado: YouTube e Facebook. Na plataforma de vídeo, ficou indisponível após o início da verificação.

Conclusão do Comprova: É enganoso o vídeo em que o autor reúne duas gravações para levantar suspeitas sobre a credibilidade das pesquisas eleitorais. Durante a exibição das imagens, ele faz comentários que sugerem manipulação de dados e de entrevistas para favorecer candidatos do PT em detrimento de Bolsonaro.

O autor do vídeo aqui investigado faz inferências sobre o método utilizado pelos institutos oficiais de pesquisa, sugerindo vieses, e questiona o tamanho das amostras da população nos levantamentos realizados.

No início deste ano, em um Comprova Explica, especialistas esclareceram que a pesquisa é feita com uma amostra cientificamente calculada da população, a fim de representar o grupo como um todo e eliminar vieses. Para montar essa amostra, diferentemente do apontado pelo autor do vídeo, é considerada uma série de critérios para aproximar o grupo de entrevistados da composição real da população, tais como raça, gênero, escolaridade e ocupação.

As consultas ao eleitorado registram um recorte do momento em que as entrevistas foram feitas. É o que justifica o fato de Fernando Haddad ter aparecido em primeiro lugar em algumas pesquisas de 2018, e não que houve má condução das entrevistas como insinuado pelo autor do vídeo. Os últimos levantamentos feitos antes do segundo turno, porém, apontaram a vitória de Jair Bolsonaro.

Além disso, segundo a legislação brasileira, todas as pesquisas eleitorais devem ser registradas na Justiça Eleitoral, com detalhes sobre o método científico empregado, o plano de amostragem, os dados do profissional responsável, questionário completo a ser aplicado, entre outros. Essas informações estão disponíveis para consulta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para o Comprova, enganoso é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos de maior alcance nas redes sociais. Até o dia 13 de junho, o vídeo teve mais de 80 mil visualizações e 20 mil curtidas no YouTube. Após o contato do Comprova, no entanto, o conteúdo foi removido da plataforma. Já no Facebook, o vídeo alcançou 85 mil visualizações, 9,8 mil curtidas e 897 comentários até o dia 15 de junho.

O que diz o autor da publicação: Olimpio Araujo Junior mantém um canal no YouTube com 625 mil inscritos descrito como “conservador de direita focado em notícias sobre política, economia e atualidades” e que mostraria “a verdade que a mídia e as instituições de ensino não mostram”.

Procurado por e-mail, Olimpio Araujo afirmou que o vídeo é opinativo e que apenas fez uma “análise” da metodologia dos institutos de pesquisa. Na mensagem ao Comprova, ele reafirma suas opiniões sobre a credibilidade das pesquisas.

Como verificamos: Para fazer esta checagem, o Comprova consultou materiais explicativos disponíveis no site do TSE a respeito das pesquisas eleitorais de 2022 e do processo de auditoria das eleições.

Além disso, foram feitas pesquisas com base em reportagens jornalísticas de veículos profissionais (BBC News Brasil, Folha de S.Paulo, Agência Brasil e G1) e verificações realizadas pelo Comprova e outras agências sobre o tema.

Por fim, a equipe procurou o TSE para esclarecer como funcionam a amostragem e a auditoria das pesquisas eleitorais.

Pesquisas eleitorais são retratos do momento

As pesquisas eleitorais são ferramentas de opinião pública utilizadas por institutos ou entidades para verificar a preferência do eleitorado nos meses que antecedem um pleito. De acordo com o TSE, os estudos utilizam métodos científicos para “apurar a realidade do momento junto a segmentos representativos do eleitorado”.

Isso significa que, na semana em que a pesquisa foi realizada, por exemplo, pode ser que as pessoas estivessem mais propensas a votar em um determinado candidato. Na semana seguinte, a intenção de voto pode ter mudado dependendo da campanha eleitoral, debates, notícias, postagens em redes sociais, entre outros fatores, conforme apontou o G1.

Em entrevista à Agência Brasil, a diretora-executiva do Ipec (ex-Ibope Inteligência), Marcia Cavallari, explicou que “o objetivo de uma pesquisa eleitoral não é o de antecipar os resultados da eleição, mas sim o de mostrar o cenário no momento em que foi realizada.”

Segundo Cavallari, “a pesquisa é uma fotografia do momento e não tem o poder e nem a intenção de prever o resultado de uma eleição. Por isso, seus resultados não podem ser usados para prever o resultado das urnas.”

Mesmo assim, nas mais recentes eleições presidenciais no Brasil, os principais institutos de pesquisa chegaram perto do resultado das urnas, como já mostrou o Comprova em duas ocasiões (1 e 2). Na última pesquisa publicada em 2018, o Ibope apontava que Jair Bolsonaro teria 36% dos votos; Fernando Haddad, 22%; Ciro Gomes, 11%; e Geraldo Alckmin, 7%. Já o instituto Datafolha apontava os mesmos números para Bolsonaro, Haddad e Alckmin, mudando apenas as intenções de voto de Ciro Gomes para 13%. Depois de fechadas as urnas do primeiro turno, Bolsonaro teve 46% dos votos válidos; Fernando Haddad, 29%; Ciro Gomes, 12%; e Geraldo Alckmin, 4%.

No segundo turno, a última pesquisa divulgada pelo Ibope apontava 54% de intenções de voto para Bolsonaro e 46% para Haddad. Já o Datafolha mostrava 55% para Bolsonaro e 45% para Haddad. No resultado final, Bolsonaro teve 55% dos votos válidos e Haddad, 44%.

Um levantamento do site Jota reuniu dados de todas as eleições para governador e presidente no Brasil realizadas entre 1998 e 2018 e das pesquisas divulgadas pelo Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus para avaliar a influência do tempo que separa a realização da consulta e o dia da eleição. A conclusão foi a de que pesquisas feitas mais próximas das eleições têm maior grau de acerto dos resultados. As pesquisas realizadas até 80 dias antes da eleição variaram 9 pontos percentuais do resultado real. Depois de 80 dias, esse número caiu progressivamente até 5 pontos percentuais, nos últimos dias antes da eleição.

Amostragem

A amostra é o grupo de entrevistados em uma pesquisa de opinião. A ideia é escolher um número limitado de pessoas, cujas características sejam parecidas com a do grupo maior que se queira pesquisar.

Para que essa amostra seja representativa, os institutos de pesquisa seguem critérios do perfil da população (escolaridade, gênero, idade, renda familiar, profissão, etc), seja do país ou apenas de um município, por exemplo. Isso permite a realização de uma análise que considere a proporção dessas diferentes variáveis na composição da população.

Esses critérios são variados e podem diferir de acordo com o método do levantamento, que pode ser quantitativo (quando o objetivo é coletar dados e apontar preferências eleitorais) ou qualitativo (quando há intenção de compreender fenômenos e motivações individuais que não são mensuráveis).

“[A amostragem é feita] a partir de técnicas que vêm da análise estatística, da probabilística, que garantem que aquele número de eleitores entrevistados é capaz de dar uma representação relativamente fiel, dentro de uma margem de erro e um índice de confiança, da opinião da população como um todo”, disse ao Comprova, em março, o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop-Unicamp), Oswaldo Amaral.

Ele explicou que as pesquisas eleitorais entrevistam um grupo reduzido, porém representativo, para inferir a opinião de milhões. Por exemplo, os dados mais recentes do TSE, de maio de 2022, mostram que 52,8% dos 152,3 milhões de eleitores brasileiros são mulheres. Isso significa, portanto, que uma amostra de 2 mil eleitores deverá ter 52,8% de mulheres (1.056 eleitoras).

Pelo site do TSE, o público pode conferir o relatório das pesquisas para avaliar se a amostragem usada pelos institutos foi bem construída, “para avaliar se as pesquisas foram construídas sem defeitos amostrais que possam enviesar os resultados”, conforme Amaral.

Dados de pesquisa são registrados pela Justiça Eleitoral

Ao contrário do que é difundido por grupos que questionam a credibilidade de pesquisas de institutos profissionais, a legislação eleitoral permite a verificação de dados referentes às consultas feitas com a população.

No artigo 33 da Lei 9.504/1997 está expresso que as entidades e empresas que realizarem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos, para conhecimento público, são obrigadas, para cada pesquisa, a registrar, junto à Justiça Eleitoral, até cinco dias antes da divulgação, as seguintes informações:

 

  • quem contratou a pesquisa;
  • valor e origem dos recursos despendidos no trabalho;
  • metodologia e período de realização da pesquisa;
  • plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução, nível econômico e área física de realização do trabalho a ser executado, intervalo de confiança e margem de erro;
  • sistema interno de controle e verificação, conferência e fiscalização da coleta de dados e do trabalho de campo;
  • questionário completo aplicado ou a ser aplicado;
  • nome de quem pagou pela realização do trabalho e cópia da respectiva nota fiscal.

Além disso, segundo o TSE, entre essas informações necessárias para o registro está o nome do profissional de Estatística responsável pela pesquisa, acompanhado de assinatura com certificação digital e o número do registro no Conselho Regional de Estatísticas competente.

O mesmo dispositivo legal diz ainda que as informações relativas às pesquisas serão registradas nos órgãos da Justiça Eleitoral aos quais compete fazer o registro dos candidatos, e que a divulgação de pesquisa sem o prévio registro de todas essas informações sujeita os responsáveis ao pagamento de multa.

Além disso, a legislação ressalta que a divulgação de pesquisa fraudulenta é crime, que pode ser punida com prisão e também multa. A divulgação de pesquisa sem o prévio registro das informações previstas no normativo sujeita as pessoas responsáveis à multa que varia de R$ 53.205 a R$ 106.410.

O artigo 34 prevê, ainda, que mediante requerimento à Justiça Eleitoral, os partidos poderão ter acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta de dados das entidades que divulgaram pesquisas de opinião relativas às eleições, incluídos os referentes à identificação dos entrevistadores e, por meio de escolha livre e aleatória de planilhas individuais, mapas ou equivalentes, confrontar e conferir os dados publicados, preservada a identidade dos respondentes.

Até o dia 9 de junho, o portal do TSE contabilizava 660 pesquisas eleitorais relativas às eleições gerais de 2022. Desse total, mais de 170 se referem aos cargos de presidente e vice-presidente da República.

Vídeos compartilhados na postagem

No conteúdo aqui investigado, o autor divulga trechos de dois vídeos. O primeiro, registrado em 2018, mostra uma pesquisadora conversando com uma mulher diante de um presídio na cidade de Corumbaíba, em Goiás. É apenas uma parte do que circulou naquele ano, quando um agente de segurança aborda a entrevistadora, dizendo que ela não poderia estar naquele lugar para fazer seu trabalho. Na ocasião, a profissional cancelou a entrevista e, segundo o Datafolha, o procedimento foi correto, porque todos são orientados a encerrar as perguntas se, porventura, forem filmados, o que não é permitido.

O caso foi noticiado pela Folha, que confirmou que o vídeo é verdadeiro, mas esclareceu que a região também tem supermercados, igrejas, agências bancárias e um hospital, com grande circulação de pessoas, apresentando-se como local ideal para esse tipo de entrevista.

No segundo vídeo, de abril deste ano, o enfoque é na entrevistadora do instituto Quaest, que trabalhava em Nova Porteirinha, Minas Gerais. O homem que faz a gravação a interpela diversas vezes, dizendo que ela teria que ser imparcial ao fazer as perguntas para o entrevistado, que não é a mesma pessoa que faz a filmagem.

Ela tenta se justificar, afirmando que só havia abordado o homem perguntando se ele poderia dar entrevista, porém o autor da filmagem é incisivo ao dizer que ela havia parado as perguntas porque o candidato à entrevista havia declarado voto em Bolsonaro e, ela, teria mostrado posicionamento pessoal diferente.

O vídeo não mostra o que alega o autor da filmagem, mas, sim, a entrevistadora tentando argumentar, perguntando se era ele quem havia sido entrevistado e, por fim, tentando retomar o trabalho. Com a divulgação das imagens, o instituto Quaest emitiu nota de esclarecimento no dia 2 de abril, apontando que a entrevistadora não atuou conforme as normas de neutralidade orientadas pela empresa e que ela foi desligada. Além disso, as entrevistas realizadas pela pesquisadora seriam refeitas.

Por que investigamos: O Comprova verifica conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas e as eleições presidenciais deste ano. Conteúdos enganosos sobre pesquisas eleitorais podem prejudicar o processo democrático uma vez que confundem a população na tentativa de descredibilizar as amostras. É importante, portanto, que os eleitores tenham acesso a informações verídicas sobre as pesquisas, que seguem um método científico e buscam eliminar possíveis distorções e vieses.

Outras checagens sobre o tema: Em abril deste ano, o Estadão Verifica checou outra peça de desinformação que também utiliza os vídeos apresentados no conteúdo verificado pelo Comprova e concluiu que as alegações da peça eram enganosas.

Anteriormente, o Comprova já mostrou que pesquisas eleitorais seguem métodos científicos, ao contrário de enquetes, que nenhuma pesquisa eleitoral aponta 70% de votos para Bolsonaro, que áudio sobre fraudes em pesquisas é de comediante, não de ex-diretor do Datafolha e que vídeo engana ao dizer que pesquisas foram forjadas na eleição de Bolsonaro em 2018.

 

Eleições

Investigado por: 2022-06-13

Post engana ao omitir que protesto contra Lula em Bagé é de 2018

  • Enganoso
Enganoso
É enganosa a publicação que mostra uma manifestação contra o ex-presidente e pré-candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul, que ocorreu em 2018. A postagem foi publicada recentemente pelo perfil "eleicoesdireita", dando a entender que são imagens recentes. O vídeo, de uma reportagem do SBT, foi postado na plataforma TikTok sem legenda e informações importantes, como a data do protesto que aconteceu em 2018.

Conteúdo investigado: Vídeo que circula no TikTok mostra a passagem do ex-presidente Lula pela cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o petista foi hostilizado por manifestantes. A primeira parte do conteúdo é uma reportagem do SBT de 2018 e a segunda, um vídeo amador sem identificação. No post, não há qualquer menção à data em que ocorreu o protesto.

Onde foi publicado: TikTok

Conclusão do Comprova: É enganosa a publicação feita em junho de 2022 no TikTok e que mostra uma manifestação contra o ex-presidente Lula, em Bagé, no Rio Grande do Sul. Embora o protesto de fato tenha ocorrido, a situação ocorreu em 19 de março de 2018, à época em que o petista fazia uma caravana por diversas cidades brasileiras.

Ao não citar a data da manifestação, o post pode passar a falsa impressão de que a manifestação é recente. O que, inclusive, pode ser observado em comentários do tipo “‘Mais’ ora não era ele que estava na frente nas pesquisas?”, “Ué ‘num’ é o primeiro nas pesquisas’, “Ele não é o favorito?”, como mostram os prints abaixo:

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos de maior alcance nas redes sociais. Até o dia 9 de junho, a publicação teve mais de 4,3 mil curtidas, 695 comentários e foi compartilhada mais de 1,8 mil vezes.

O que diz o autor da publicação: O conteúdo foi compartilhado por um perfil no TikTok identificado como “eleiçõesdireita”, que acumula 12,9 mil seguidores. Durante a verificação, o vídeo foi apagado, assim como a conta do perfil na plataforma. Não foi possível entrar em contato com o autor.

Como verificamos: O Comprova iniciou a busca pelas palavras-chaves “Lula” e “protesto em Bagé” e localizou registros de diversos veículos jornalísticos publicados em março de 2018. Entre os registros, a matéria do GZH, da Veja e Poder 360.

Com as mesmas palavras-chaves, procuramos vídeos publicados no Youtube e no Facebook que fossem semelhantes à gravação amadora que surge na segunda metade da postagem. Usamos o Google Street View para tentar identificar similaridades entre os vídeos e os lugares em que ocorreram as manifestações.

Protesto contra Lula ocorreu em 2018

Em 2017, o ex-presidente iniciou uma jornada por diversos estados. Intitulado “Lula pelo Brasil”, o projeto tinha a intenção de mostrar a força e popularidade do petista em face das investigações da operação Lava Jato que avançavam sobre ele. As viagens começaram pelos estados do Nordeste, entre os meses de agosto e setembro daquele ano, região onde Lula sempre teve maior popularidade. Posteriormente, a caravana foi alcançando outras regiões do país.

O protesto contra o ex-presidente Lula na cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul, ocorreu em 19 de março de 2018, conforme noticiado por veículos de imprensa à época. O município foi escolhido, naquela ocasião, como ponto de partida da caravana nos estados da região Sul do país.

Lula estava acompanhado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), da presidente do partido, Gleisi Hoffmann e do ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, dentre outros políticos. Em Bagé, ele participou de uma atividade na Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

A chegada do ex-presidente à universidade ocorreu ainda no período da manhã e foi marcada por confusão entre apoiadores do petista e manifestantes contrários ao político. Lula havia deixado o aeroporto do município em um ônibus e já no trajeto até a Unipampa foram registrados bloqueios por parte de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Também nos arredores da universidade, grupos se dividiam entre apoiadores e ruralistas contrários à visita. Foi registrado um confronto no local e um dos manifestantes precisou ser algemado por policiais, como relatou a reportagem original do SBT. No local estavam cerca de 20 tratores com os motores ligados, além de cartazes com protestos a Lula e um ‘pixuleco’ – como ficaram conhecidos os bonecos infláveis usados em manifestações contrárias a Lula e ao PT. O objeto estava pendurado em uma cela que foi içada por um guindaste.

Já no trio elétrico parado na frente do campus, uma faixa estampava a seguinte frase: “Lula, Bagé está orgulhosa de te receber!”. O ex-presidente fez um breve discurso de cima do trio.

Vídeo amador

Postagens de 2018 no Facebook e no YouTube (post 1 e post 2) reproduzem o vídeo amador junto a outras gravações. Também há uma publicação do vídeo em um canal excluído no YouTube, mas a gravação foi salva pela ferramenta Way Back Machine. As publicações mencionam as manifestações contrárias a Lula em Bagé na legenda e nos comentários. Além disso, algumas delas foram postadas no mesmo dia dos protestos no município.

Reportagens da imprensa registrando os protestos em Bagé também possuem elementos presentes no vídeo amador. Na postagem verificada, após a passagem dos ônibus, é possível ver um prédio com a fachada branca. O mesmo edifício pode ser observado em registro feito pelo portal UOL, na reportagem do SBT (minuto 0:32) e em vídeo disponível no YouTube, que mostra o momento de outro lugar.


| Captura de vídeo amador

| Captura do vídeo do UOL

| Captura de vídeo do Youtube

Apesar da baixa qualidade das imagens, é possível ver que um dos manifestantes é imobilizado por um policial com o capacete branco, que está próximo a outros agentes com escudos e capacetes laranjas. A cena foi gravada pelo SBT de outro ângulo.


| Captura de vídeo amador

| Captura de reportagem do SBT

O vídeo no YouTube exibe as cenas do protesto próximo aos manifestantes favoráveis ao ex-presidente Lula. Também surge a caravana do político, formada por três ônibus da empresa Corumbau Brasil, que é mostrada na postagem verificada sob ataque. Além disso, no início da filmagem, o prédio da Unipampa em Bagé é mostrado.


| Imagem de vídeo no Youtube

Imagem da Unipampa em Bagé – Google Street View 2011

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos sobre pandemia, eleições e políticas públicas que atinjam grau de viralização nas redes sociais. O post aqui checado faz uma alegação enganosa por não citar a data em que ocorreu o protesto. Em meio à campanha à presidência da República e tendo Lula como um pré-candidato, o conteúdo pode acabar passando a falsa impressão de que o ato ocorreu neste ano. Conteúdos falsos ou enganosos que envolvem atores políticos trazem prejuízos ao processo democrático e atrapalham a decisão do eleitor, que deve ser tomada com base em informações verdadeiras.

Outras checagens sobre o tema: Recentemente, o Comprova mostrou que vídeos de manifestação contra Lula em Passo Fundo são de 2018; que post no Facebook engana ao divulgar atos pró-Bolsonaro de 2021 como se fossem atuais e que é falsa a publicação afirmando que revista Veja cortou mão de Lula em foto.

Eleições

Investigado por: 2022-06-13

Entrevista sobre voto foi feita por humorista, não pelo Datafolha

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso o post do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) com um vídeo que ironiza as pesquisas de intenção de voto. A gravação publicada por ele é trecho de uma pegadinha do humorista Mizael Silv, o que não foi identificado na postagem; o político a legendou apenas com "Olha o DataPovo indignado com o DataFolha kkkk". Embora no vídeo haja a legenda "Pesquisa pra faculdade", muitos seguidores acham que a gravação é uma denúncia sobre como o instituto de pesquisa do Grupo Folha atua em campo.

Conteúdo investigado: Trecho de pegadinha em que um entrevistador pergunta a um homem em quem ele vai votar. Ele responde “em Bolsonaro” e o humorista diz que o entrevistado “não tem cara de quem vota” naquele candidato e vai colocar como resposta o adversário, Lula.

Onde foi publicado: Facebook, Twitter e Instagram.

Conclusão do Comprova: É enganoso post com vídeo em que um homem pergunta a outro em quem ele vai votar. Ao ouvir a resposta “em Bolsonaro”, o entrevistador afirma: “Pronto, mas como o senhor tem cara de quem vota em Lula, eu vou botar o senhor como quem vota em Lula aqui”. A gravação é trecho de uma pegadinha, o que não foi informado na postagem do deputado federal Carlos Jordy. Ele apenas escreveu a legenda “Olha o DataPovo indignado com o Datafolha kkkk”. Na gravação há a legenda “Pesquisa pra faculdade”, mas diversos seguidores acreditaram se tratar de um pesquisador do Datafolha, instituto de pesquisa do Grupo Folha.

O vídeo completo, como é possível ver pela marca d’água do trecho usado pelo deputado, foi publicado no TikTok do humorista Mizael Silv com hastags indicando se tratar de “#humor #pegadinhas #comedia”. Inclusive, quatro pessoas são supostamente entrevistadas por ele na pegadinha. Dois homens afirmam que votarão em Bolsonaro (PL) e outros dois afirmam que votarão em Lula – o criador de conteúdo faz a mesma pegadinha com todos, dizendo aos que votarão em Lula que preencherá a pesquisa colocando o nome de Bolsonaro.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos de maior alcance nas redes sociais. O post verificado aqui teve 177 mil visualizações no Facebook.

O que diz o autor da publicação: Procurado, Jordy não respondeu ao contato da reportagem.

Como verificamos: O primeiro passo foi ampliar a marca d’água que aparece no canto inferior direito do vídeo postado pelo deputado. Ali, é possível identificar que se trata de um vídeo publicado no perfil de @mizaelsillv no TikTok. Logo ao entrar neste perfil, verifica-se tratar de uma página de humor. A maioria dos vídeos é identificada com as hashtags #humor, #pegadinhas e #comedia.

O Comprova entrou em contato com Carlos Jordy via mensagem no Facebook, mas não obteve retorno. No Instagram, tentou falar com o humorista, para saber mais detalhes do vídeo, mas também não recebeu resposta.

O vídeo

A gravação completa tem 1 minuto e 25 segundos. Logo no início – o que não aparece no trecho postado pelo deputado, de 36 segundos –, o humorista diz ao primeiro homem entrevistado que está fazendo uma pesquisa para a faculdade. Ou seja, mesmo sendo uma pegadinha, não há nenhuma menção ao Datafolha ou outro instituto de pesquisa.

Após se apresentar, ele diz: “Essa pesquisa vai passar em rede nacional, aí, vim perguntar ao pessoal no centro, vai votar em quem? Lula ou Bolsonaro?”. O primeiro entrevistado que aparece responde que vai votar em Bolsonaro. Mizael, então, afirma: “Eu vou vou botar o senhor como se fosse votar em Lula porque o senhor não tem cara de quem vota em Bolsonaro, não”. Quando o segundo entrevistado aparece, o humorista diz: “Vou botar o senhor aqui como Bolsonaro; o senhor tem cara de quem vota em Bolsonaro.”

O terceiro entrevistado também declara seu voto para o pré-candidato petista. O quarto, que vai votar em Bolsonaro, é o que aparece no trecho do post do deputado federal.

Comentários

Entre os comentários dos seguidores de Carlos Jordy, muitos acreditam se tratar de uma pesquisa verídica. Um deles cita: “Não tem jeito, se Bolsonaro não for reeleito no primeiro turno, fraudaram as urnas”.

Em outra interação, a seguidora menciona: “Hoje o que mais me preocupa é que está claro que estão armando um golpe de fraude nas urnas! Não podemos aceitar isso!”.

Em nenhum momento o parlamentar faz menção de que o conteúdo do vídeo foi retirado de um perfil de humor. Até a tarde de sexta-feira (10), cerca de 1,5 mil comentários foram feitos neste post.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos sobre pandemia, eleições e políticas públicas que atinjam grau de viralização nas redes sociais. Com a proximidade do período eleitoral, cresce o número de conteúdos divulgados nas redes sociais tentando desacreditar as pesquisas de opinião. Informações desse tipo prejudicam a confiança das pessoas sobre os institutos de pesquisa e podem influenciar o voto de forma equivocada. A decisão do eleitor deve ser tomada com base em informações verdadeiras.

Outras checagens sobre o tema: Institutos de pesquisa são alvos frequentes de peças de desinformação. Nesta semana, o Comprova verificou ser falso áudio que atribuía a ex-diretor do Datafolha declarações sobre supostas fraudes em pesquisas eleitorais e manipulação de votos nas urnas eletrônicas. Também já checou vídeo que engana ao dizer que pesquisas foram forjadas na eleição de Bolsonaro em 2018 e site que omite que pesquisa com vantagem para Bolsonaro foi feita apenas em Santa Catarina.

Eleições

Investigado por: 2022-06-10

Post com vídeo antigo engana ao afirmar que Lula e Alckmin foram hostilizados em Porto Alegre

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso o vídeo postado nas redes sociais de um suposto episódio em que o ex-presidente e pré-candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhado de seu candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), teria sido hostilizado pela população durante visita ao Mercado Público de Porto Alegre (RS), no início do mês. Lula e Alckmin estiveram na cidade, mas não visitaram o espaço, cujas características arquitetônicas divergem da imagem investigada. O vídeo na realidade foi registrado em 2018, em Florianópolis. Os políticos não aparecem no vídeo, em que também é possível ver manifestações de apoio ao petista.

Conteúdo investigado: Vídeo mostra uma aglomeração de pessoas em suposto protesto contra a presença de Lula e Geraldo Alckmin no Mercado Público de Porto Alegre e, diante disso, questiona a credibilidade das pesquisas eleitorais, que apontam para a liderança do ex-presidente nas intenções de voto.

Onde foi publicado: TikTok e Twitter.

Conclusão do Comprova: É enganosa a postagem que viralizou no TikTok, feita no dia 6 de junho, que afirma que Lula e Alckmin foram hostilizados durante visita ao Mercado Público de Porto Alegre (RS). O post destaca a seguinte frase: “Cadê o líder nas pesquisas?”, como forma de desacreditar as pesquisas recentes de intenção de voto, que são favoráveis a Lula.

Vídeo semelhante foi encontrado em publicação de 2018 nas redes sociais, como mostrou a Agência Lupa. As correspondências de personagens confirmam que trata-se do mesmo evento.

O Comprova localizou o mesmo vídeo postado no TikTok em tuítes publicados entres os dias 4 e 8 de junho e que trazem a mesma informação. Neles, com imagens em melhor resolução, foi possível perceber que há manifestações também de apoio a Lula. Assim, não se pode afirmar que os gritos de protesto são uma amostra da reprovação da população ao ex-presidente.

As características do espaço também mostram que o vídeo foi gravado no Mercado Público de Florianópolis (SC), e não no de Porto Alegre, cidade em que Lula e Alckmin estiveram, no dia 1º de junho, para evento na casa de shows Pepsi on Stage.

A assessoria de imprensa do PT negou que Lula e Alckmin tenham estado no Mercado Público de Porto Alegre ou em Santa Catarina. Não foram encontradas reportagens em veículos de imprensa ou postagens em redes sociais que atestem a presença dos políticos no local ou na cidade.

O Comprova classifica como enganoso todo conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos de maior alcance nas redes sociais. Até o dia 10 de junho, o vídeo teve mais de 22,6 mil interações, entre comentários, compartilhamentos, visualizações e curtidas.

O que diz o autor da publicação: Luiz Augusto Barbosa dos Santos, de 45 anos, foi candidato a vereador de Campos Novos (SC) pelo Democratas em 2020, mas não se elegeu. Ele foi procurado via e-mail e mensagem no Facebook, mas não retornou.

Como verificamos: Pesquisas com os termos “Lula”, “mercado público” e “Porto Alegre” no campo de busca do Twitter levaram à localização do mesmo vídeo publicado em diferentes contas. Como as imagens estavam em melhor resolução e sem inscrições na tela, foi possível analisá-las mais detalhadamente.

Um dos vídeos foi baixado com utilização do site Save from Net e verificado, frame a frame, no programa Adobe Premiere Pro. A análise das imagens permitiu verificar com mais clareza manifestações também de apoio a Lula.

As características arquitetônicas do espaço mostraram que o vídeo foi gravado no Mercado Público de Florianópolis, cujas imagens foram consultadas no site da prefeitura local.

O Comprova buscou a assessoria de imprensa do PT, o autor da postagem que viralizou no TikTok, e consultou reportagens em veículos de imprensa sobre a presença de Lula e Alckmin em Porto Alegre, no início do mês, para ato político numa casa de shows.

 

Lula e Alckmin não estiveram no Mercado Público de Porto Alegre

Embora a postagem afirme que Lula e Alckmin foram ao Mercado Público de Porto Alegre, as imagens não mostram, em nenhum momento, a presença dos políticos. Também não foram encontradas reportagens em veículos de imprensa ou quaisquer publicações em redes sociais que pudessem comprovar a visita deles ao espaço.

Lula chegou a Porto Alegre no dia 1º de junho, para participar, ao lado de Geraldo Alckmin, de um evento na casa de shows Pepsi on Stage. Esta foi a primeira viagem com os dois juntos na pré-campanha eleitoral.

Questionada pelo Comprova, a assessoria de imprensa do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul afirmou: “Lula e Alckmin não tiveram nenhuma agenda no mercado público de Porto Alegre. Além disso, não foram hostilizados em nenhum momento das suas agendas, hostilizados em deslocamento, hotel ou coisa do tipo. Trata-se de informação mentirosa”.

Segundo a assessoria, Lula e Alckmin chegaram a Porto Alegre na manhã de 1º de junho e deixaram a cidade na tarde do dia seguinte. Sobre a agenda dos dois no município, a assessoria afirmou que, “para além do ato no Pepsi, tiveram reuniões e encontros com setores da educação, cooperativismo e cultura em local fechado. E uma reunião com as representações estaduais dos partidos que apoiam o movimento ‘Vamos Juntos pelo Brasil’”.

Vídeo foi gravado no Mercado Público de Florianópolis em 2018

Ao contrário do que alegam as peças de desinformação, o vídeo que circula nas redes sociais foi gravado no Mercado Público de Florianópolis e não em Porto Alegre.

A partir da comparação de imagens do Mercado de Florianópolis e capturas de tela do vídeo verificado, foi possível observar elementos em comum, como as portas verdes dos estabelecimentos, os arcos que ficam na parte superior das entradas e a cobertura do espaço.

| A primeira foto mostra o espaço do Mercado Público de Florianópolis e está disponível no Portal Municipal de Turismo da cidade: https://turismo.pmf.sc.gov.br/o-que-fazer/item/mercado-publico. A segunda foto é uma captura de tela do vídeo verificado pelo Comprova.

Além disso, na gravação aparece uma porta ligeiramente mais larga que as outras, que pode ser vista também em outras fotos do Mercado Público de Florianópolis.

| Foto do Mercado Público de Florianópolis, em Santa Catarina. Disponível em: https://guia.melhoresdestinos.com.br/mercado-publico-de-florianopolis-65-440-l.html 

Questionada novamente sobre eventual presença de Lula e Alckmin no Mercado de Público de Florianópolis, a assessoria do PT no Rio Grande do Sul negou que eles tenham ido à cidade: “Eles sequer foram a SC (Santa Catarina)”.

Apesar da estrutura do Mercado Público de Porto Alegre também ser amarela, as portas não são verdes como as que aparecem no vídeo:

| Foto da entrada do Mercado Público de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, feita por Giulian Serafim, da Secretaria Municipal de Planejamento e Assuntos Estratégicos da Prefeitura de Porto Alegre. Disponível em: https://prefeitura.poa.br/smpae/noticias/pintura-externa-do-mercado-publico-iniciara-nesta-terca-feira.

A cobertura do espaço também é diferente da que aparece no local do vídeo. A comparação pode ser feita com postagem na conta no Instagram do mercado de Porto Alegre: 

Além disso, o vídeo foi filmado em 2018, conforme mostram diversas outras gravações do mesmo momento feitas em ângulos diferentes e postadas em redes sociais (aqui, aqui e aqui). Nestes registros, mostrados em checagem da Agência Lupa, é possível identificar elementos comuns ao vídeo verificado pelo Comprova, como um homem usando uma blusa amarrada nos ombros.

| Captura de tela do vídeo publicado no TikTok e verificado pelo Comprova

| Captura de tela do vídeo encontrado no Twitter, com qualidade de imagem superior à postagem do TikTok

| Captura de tela do vídeo encontrado no YouTube pela Agência Lupa

Vídeo também mostra manifestações de apoio a Lula

O mesmo vídeo postado no TikTok, aqui verificado, foi publicado por diversos outros usuários do Twitter. As postagens localizadas vão do dia 4 ao dia 8 de junho. Nelas, a qualidade da imagem é superior à postagem do TikTok, o que permite a identificação mais precisa das manifestações também de apoio a Lula. Assim, não se pode valer do vídeo como uma amostra de reprovação da população ao ex-presidente, o que afirma a postagem no TikTok com o objetivo de desacreditar as pesquisas eleitorais que apontam Lula em primeiro lugar nas intenções de voto.

No tuíte do dia 4 de junho, por exemplo, é mais clara a imagem do momento em que uma pessoa se vira para os manifestantes que gritam “ladrão” com um cartaz em que se lê “Lula Livre!”:

O mesmo momento do vídeo no TikTok que, além da qualidade ruim da imagem, ainda traz inscrições que prejudicam a visualização:

Além da placa “Lula livre!”, o vídeo analisado nas postagens no Twitter também permite perceber com mais clareza o sinal de “L” que um homem faz com a mão – símbolo de apoio a Lula. Vê-se ainda pessoas com bandeiras e roupas vermelhas, a cor do PT, partido do ex-presidente. Imagem do vídeo postado no tuíte do dia 8 de junho:

A imagem do momento na postagem do TikTok:

A presença também de manifestantes pró-Lula pode ainda ser constatada pelo áudio do vídeo, marcado como original pelo TikTok, em que é possível ouvir gritos de apoio ao ex-presidente: “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. No entanto, os gritos de “ladrão” são mais evidentes devido à proximidade da pessoa que grava o vídeo do grupo que protesta contra Lula.

Por que investigamos: O Comprova investiga postagens que viralizam na internet com conteúdo envolvendo as eleições presidenciais deste ano, a realização de obras públicas e a pandemia da covid-19. Conteúdos como este aqui verificado podem atrapalhar a lisura do processo eleitoral por desacreditar as pesquisas de intenção de voto registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Outras checagens sobre o tema: A Agência Lupa investigou um vídeo semelhante ao verificado pelo Comprova e chegou à mesma conclusão de que o conteúdo é antigo e não foi gravado em Porto Alegre.

O Comprova mostrou recentemente que áudio sobre fraudes em pesquisas é de comediante, não de ex-diretor do Datafolha, que post no Facebook engana ao divulgar atos pró-Bolsonaro de 2021 como se fossem atuais e que vídeos antigos foram usados para enganar sobre adesão a atos pró-Bolsonaro em 1 de maio. No Comprova Explica, foi mostrado que pesquisas eleitorais seguem métodos científicos, ao contrário de enquetes.

Eleições

Investigado por: 2022-06-09

Não é de Aldo Rebelo áudio que culpa Lula por alta de combustíveis

  • Falso
Falso
É falso o áudio que atribui ao ex-ministro Aldo Rebelo críticas ao PT em relação à corrupção na Petrobras e sugestão para que a estatal seja dividida "para acabar com o monopólio". Não há nenhum registro de que o político tenha gravado tais afirmações, e ele próprio nega ser o autor.

Conteúdo investigado: Áudio com imagem estática do ex-deputado federal e ex-ministro Aldo Rebelo (PDT) com a legenda “Urgente – Vaza áudio de Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma”. Na gravação, a voz diz que “nenhum presidente tem a possibilidade de controlar os preços da Petrobras” porque “os governos do PT roubaram” a estatal e, com isso, o também ex-presidente Michel Temer (MDB) teria sido obrigado a fazer acordos que incluíam manter a política de preços. Por fim, o criador do áudio sugere fatiar a Petrobras para “acabar com o monopólio”.

Onde foi publicado: Facebook e YouTube. Na primeira rede, o conteúdo foi classificado como falso.

Conclusão do Comprova: É falso um áudio que circula nas redes sociais atribuindo críticas ao PT em relação à Petrobras ao ex-deputado federal e ex-ministro Aldo Rebelo. A postagem usa uma imagem estática do ex-ministro com a legenda “Urgente – Vaza áudio de Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma”. O próprio Rebelo negou a autoria do áudio. Em resposta ao Comprova, afirmou que o material utiliza expressões que ele não usa e um conteúdo que não defende.

Entre outras coisas, no áudio, que não teve a origem identificada, a pessoa que se passa pelo ex-ministro diz que “ninguém tem a possibilidade de controlar os preços da Petrobras, por um simples motivo: acordos zilionários foram feitos por Michel Temer na Justiça americana”. Afirma ainda que a estatal teria sido “vendida por Lula” e “pelo PT”, o que não é verdade. Como mostra o site da Petrobras, o governo brasileiro é o acionista majoritário.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos de maior alcance nas redes sociais. O post verificado aqui teve ao menos 9,6 mil visualizações e 6,6 mil compartilhamentos no Facebook.

O que diz o autor da publicação: Dois perfis que postaram o conteúdo falso no Facebook foram procurados pela reportagem, mas não responderam. Em suas páginas, ambos defendem pautas bolsonaristas – um deles afirma ser a favor de intervenção militar.

Como verificamos: O primeiro passo foi fazer uma busca no Google por termos como “Aldo Rebelo” e “Petrobras”, o que resultou em um tuíte do político negando a autoria do áudio e em verificações de agências como Aos Fatos e Boatos.org. Paralelamente, o Comprova também entrou em contato com o ex-ministro por meio de mensagem pelo WhatsApp para que ele comentasse a gravação.

A equipe pesquisou ainda informações sobre a alta do preço dos combustíveis em reportagens e no site da Petrobras.

 

Aldo Rebelo nega ser autor do áudio

Procurado pelo Comprova, Aldo Rebelo enviou um vídeo e negou ser o autor do áudio. “É uma imitação grosseira da minha voz, do meu sotaque, como quem ouviu pode perceber”, disse ele. Aldo Rebelo atribuiu a falsificação “ao temor dos autores do impacto que o preço dos combustíveis está tendo sobre o preço dos alimentos e das passagens”, que “ajudam a jogar uma inflação elevada nas costas, principalmente, dos trabalhadores, dos desempregados e da classe média”.

“O desespero levou à produção desse áudio, em linguagem que não costumo utilizar”, afirmou Aldo Rebelo ao Comprova. Ele disse ainda que está procurando identificar “os autores e os difusores para o devido processo legal”.

O ex-ministro também se pronunciou no Twitter. Na rede social, publicou: “Há um áudio apócrifo circulando e a mim atribuído sobre a Petrobras, com expressões que não uso e conteúdo que não defendo. A minha conclusão é que os autores do áudio fake estão muito preocupados com o impacto dos preços dos combustíveis no preço dos alimentos e nas eleições”.

Alta dos combustíveis

“Bolsonaro nem ninguém, nenhum presidente da República, seja de esquerda ou de direita, pode ser de qualquer coisa, tem a possibilidade de controlar os preços da Petrobras.” Assim começa a peça de desinformação que circula nas redes, que procura tirar qualquer responsabilidade do chefe do Executivo sobre a alta do preço dos combustíveis, que, desde o ano passado, é “a principal preocupação do governo e tornou-se também a da campanha de reeleição do presidente”, como informa a Folha.

Embora a gravação diga não ser possível controlar os preços da estatal, durante o governo Dilma Rousseff (PT), de 2011 a 2016, a Petrobras conteve o aumento de preços para segurar a inflação, o que a endividou ainda mais.

O áudio falso segue comentários feitos por Bolsonaro, que já afirmou ter vontade de privatizar a Petrobras. “Aumentou a gasolina? Culpa do Bolsonaro! Eu já tenho vontade de privatizar a Petrobras, tenho vontade. Vou ver com a equipe econômica o que a gente pode fazer”, disse ele, em outubro de 2021.

A alta é reflexo de aumentos promovidos pela Petrobras em suas refinarias – só a gasolina, em 2021, sofreu reajustes de mais de 70% e, em 2022, 24,5% –, motivada, entre outros pontos, pela alta do preço internacional do barril de petróleo e do dólar. Em seu site, a estatal afirma que “o preço é definido pelos movimentos de oferta e demanda no mercado global” e que o valor “da gasolina segue referências do mercado” e é impactado, principalmente, pelo preço do petróleo.

A política atual de preços, chamada Preço de Paridade Internacional (PPI), que segue a cotação mundial do barril em dólar, foi implementada em 2016, durante o governo Temer, como informa o Estado de Minas.

Ainda em sua página, a Petrobras explica a formação do preço do litro da gasolina dando o exemplo do preço médio no país. Em 9 de junho, era de R$ 7,22, composto da seguinte maneira:

  • R$ 0,99 (13,7%): distribuição e revenda
  • R$ 0,98 (13,6%): custo etanol anidro
  • R$ 1,75 (24,2): imposto estadual
  • R$ 0,69 (9,6%): impostos federais
  • R$ 2,81 (38,9%): parcela Petrobras

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizaram nas redes sociais sobre a pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais. Conteúdos falsos que envolvem atores políticos, como o verificado aqui, trazem prejuízos ao processo democrático e atrapalham a decisão do eleitor, que deve ser tomada com base em informações verdadeiras.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova verificou recentemente outros conteúdos falsos envolvendo o nome de Lula, como o que afirmava que a revista Veja cortou a mão do ex-presidente em foto, o de post que usa áudio com imitação do petista para confundir sobre acusações de corrupção e o que desinforma ao dizer que Lula roubou 350 mil toneladas de ouro de Serra Pelada e deu dinheiro para Venezuela.

Eleições

Investigado por: 2022-06-09

É falso que Lula tenha sido apontado como bilionário pela revista Forbes

  • Falso
Falso
É falsa uma imagem que aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) integra o ranking de bilionários da revista Forbes. O conteúdo em questão, é, na verdade, uma montagem publicada pelo site A Trombeta News. Lula nunca fez parte desta lista; a declaração de bens mais recente do petista mostra um patrimônio total de R$ 7,98 milhões.

Conteúdo investigado: Imagem em que o ex-presidente Lula aparece na capa da revista norte-americana Forbes, cuja manchete, traduzida do inglês, traz a seguinte frase : “Os bilionários do mundo: os nomes, os números e as histórias por trás das 1,246 pessoas que controlam o mundo”.

Onde foi publicado: Facebook e Twitter.

Conclusão do Comprova: É falsa uma imagem publicada pelo site A Trombeta News em que o ex-presidente Lula aparece na capa da revista Forbes como um dos bilionários do mundo. A imagem é, na verdade, uma montagem, e nunca foi publicada pela revista norte-americana.

A montagem em questão mistura elementos de diferentes capas reais da revista e uma fotografia antiga do petista, publicada em 2014, pela Agência Brasil, feita pelo fotógrafo José Cruz. Na ocasião, Lula participou da solenidade comemorativa dos 10 anos da reforma do Judiciário, em Brasília. O evento não tinha nenhuma relação com a Forbes.

Para o Comprova, falso é um conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos de maior alcance nas redes sociais. Até a manhã do dia 9 de junho, o texto publicado no site A Trombeta News gerou mais de 2,3 mil interações no Facebook. Desse número, 305 tratavam-se de reações e 248 de comentários. No Twitter, o link do conteúdo foi compartilhado 41 vezes, gerando 129 interações.

O que diz o autor da publicação: Em sua conta no Twitter, A Trombeta News se descreve como “um meio de comunicação de direita”. O Comprova entrou em contato com os responsáveis do site via mensagem privada do Twitter. Apesar de não ter respondido todas as questões enviadas pela reportagem, o perfil argumentou que a “notícia está vinculada em vários sites”, e que é possível encontrar a fonte do texto na própria publicação. No entanto, o endereço do site O Detetive, citado como fonte no pé do texto, não funciona.

Como verificamos: O primeiro momento da verificação envolveu a leitura dos elementos textuais da capa da revista, bem como do texto que acompanha a publicação do site “A Trombeta News”. Nessa etapa, foi possível notar um erro na grafia do nome do ex-presidente: “Luis” Inácio Lula da Silva, em vez de “Luiz”.

Para aprofundar a análise da veracidade da capa, o Comprova fez a busca reversa da imagem a partir das ferramentas Google Imagens e Google Lens. Com isso, não foi encontrado nenhum resultado que relacionasse a imagem com o site da revista Forbes.

Utilizando as palavras-chave “Lula” e “billionaire” no Google, o primeiro resultado da busca foi o artigo “Is Lula, Brazil’s Former President, A Billionaire?”, publicado em 2013, na Forbes. O material, que explica a metodologia da lista de bilionários elaborada anualmente pela revista desde 1987, também esclarece que, até aquele momento, Lula nunca tinha participado do ranqueamento, por não ser bilionário. Com a repercussão desse artigo na imprensa brasileira, foi possível notar que os rumores da suposta fortuna de Lula e a capa manipulada circulavam, pelo menos, desde 2012 na internet. Esclarecimentos sobre a situação foram publicados em veículos como O Estado de S. Paulo e Infomoney.

Por fim, entrou em contato com o site “A Trombeta News” para descobrir a fonte e a intenção da publicação.

A veracidade da capa

O conteúdo analisado nunca foi publicado pela Forbes. Na verdade, a imagem é uma montagem veiculada no site A Trombeta News e mistura elementos de diferentes capas verdadeiras da Forbes com uma fotografia antiga de Lula, feita em 2014 pelo fotógrafo José Cruz, da Agência Brasil.

A montagem ainda traz um selo do 25º aniversário da revista Forbes, celebrado em 2012, que apareceu em algumas edições da revista naquele ano. Ainda assim, o selo usado na imagem falsa possui elementos diferentes do original.

O conteúdo falso apresenta uma frase destacando os 1.426 bilionários que controlariam o mundo. Mas esse número de bilionários só foi registrado em 2013. Em 2012, ano do selo comemorativo, eram 1.226 bilionários, segundo a Forbes.

Lula nunca figurou entre os bilionários do ranking da revista . Essa informação falsa circula nas redes sociais desde 2012. No ano seguinte, em 2013, a própria revista publicou um artigo para desmentir essa afirmação. “Embora existam alguns bilionários que são políticos, Lula não é um deles”, declarou a Forbes.

O patrimônio de Lula

De acordo com a declaração de bens mais recente do ex-presidente Lula para a Justiça Eleitoral, feita em agosto de 2018, o petista tinha R$ 7,98 milhões em carros, imóveis e ativos financeiros. Na época, a maior parte do valor declarado por Lula era referente a um plano de previdência privada, identificado pela sigla VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

De acordo com o Estadão, também em 2018, o petista declarou possuir três terrenos, três apartamentos, dois automóveis e uma série de ativos financeiros, como depósitos, aplicação em poupança, créditos decorrentes de empréstimo, alienação e cotas de sua empresa de palestras e eventos.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais. O conteúdo verificado transmite informações falsas a respeito de Lula, que é pré-candidato à presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores. Conteúdos falsos ou enganosos sobre atores políticos fragilizam o processo democrático e a decisão dos eleitores, que deve ser baseada em informações verdadeiras.

Outras checagens sobre o tema: Além do Comprova, as agências de checagem Lupa e Aos Fatos já verificaram a capa falsa da Forbes que coloca Lula como bilionário. Anteriormente, o Projeto Comprova mostrou que um post usa áudio com imitação de Lula para confundir sobre acusações de corrupção e que uma enquete popular não oficializava Jair Bolsonaro como Personalidade do Ano na revista Time.