O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 41 veículos de comunicação brasileiros para descobrir, investigar e desmascarar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas, eleições, saúde e mudanças climáticas que foram compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens.
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Eleições

Investigado por: 2022-10-11

É montagem post dizendo que Bolsonaro acabará com feriado de 12 de outubro

  • Falso
Falso
É falso que o presidente da República e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), tenha feito uma publicação no Facebook com a proposta de acabar com o feriado de 12 de outubro, em que é celebrado o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Nas redes do presidente, não há qualquer menção ao assunto.

Conteúdo investigado: Tuíte exibe captura de tela do que seria uma postagem feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no Facebook. Nela, o presidente diz reconhecer e respeitar a fé católica, mas pondera que o Brasil tem se tornado um país cada vez mais evangélico e cita um suposto clamor desses fiéis para retirar a alcunha de “Nossa Senhora Aparecida Rainha do Brasil”, passando a denominá-la “Santa Aparecida, Rainha dos Católicos”. A publicação assinala em vermelho um trecho em que Bolsonaro teria apontado a formação de um grupo de trabalho para elaboração de um projeto de lei acabando com o feriado de 12 de outubro, a partir de 2023.

Onde foi publicado: Twitter.

Conclusão do Comprova: É falso que Jair Bolsonaro tenha feito um post no Facebook dizendo que vai acabar com o feriado de 12 de outubro, em que é celebrado o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Não há qualquer publicação a respeito do assunto nas redes sociais oficiais de Bolsonaro, assim como não há indícios de que a postagem tenha sido feita em algum momento e apagada posteriormente. Também não há registros na imprensa de que o presidente, que afirma ser católico, tenha mencionado a possibilidade de vetar a celebração à Nossa Senhora Aparecida ou que ele tiraria o título de “padroeira do Brasil” da santa.

A última publicação no Facebook do presidente com menção à data ocorreu em 12 de outubro do ano passado, justamente para celebrar o dia.

No Twitter, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidente, classificou o conteúdo como desinformação.

Também não existe um projeto de lei relacionado à data cuja finalidade seja extinguir o feriado religioso. Nas buscas, foi constatado uma proposta arquivada em agosto de 2008, que tiraria de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil, entretanto, caso o Projeto de Lei 2623/07 fosse aprovado, o feriado seria mantido.

Falso, para o Comprova, é todo conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova investiga conteúdos com maior alcance nas redes sociais. Até o dia 11 de outubro, a publicação aqui analisada passava de 16,9 mil curtidas e já havia sido repostada mais de 4,2 mil vezes.

O que diz o autor da publicação: A conta responsável pela publicação no Twitter não permite envio de mensagem direta. O Comprova buscou perfil semelhante em outras redes e localizou uma conta no Instagram. Foi encaminhado questionamento por mensagem, mas não houve resposta até a publicação desta checagem.

Como verificamos: Iniciamos as buscas no Google com as palavras “Bolsonaro” e “feriado 12 de outubro”, que retornou a checagens já realizadas por Boatos.org e pelo portal UOL. Foi possível localizar, ainda, uma matéria do Estadão que trata de conteúdos de desinformação relacionados aos dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial.

A própria checagem do UOL Confere traz a informação de que, a partir de uma busca avançada na plataforma CrowdTangle, é possível verificar que as menções mais recentes a “Aparecida” no Twitter e no Facebook de Bolsonaro foram em outubro de 2021, quando ele celebrou o feriado.

O Comprova também fez buscas nas redes sociais de filhos do presidente e localizou um tuíte de Flávio Bolsonaro apontando que a postagem alvo desta checagem é falsa.

O Comprova também pesquisou por projetos de lei relacionados ao dia 12 de outubro e foi encontrado apenas um projeto, já arquivado, que tentava retirar de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil, tornando-a padroeira apenas dos católicos.

Também buscamos o autor da publicação, mas não houve retorno até a publicação desta checagem.

Bolsonaro não fez post propondo fim do feriado

Ao contrário do que aponta a publicação, não há nas redes sociais oficiais do presidente qualquer publicação sobre alterar a alcunha de Nossa Senhora Aparecida e acabar com o feriado dedicado à santa. No Twitter, a menção mais recente com a palavra “Aparecida” foi feita em outubro do ano passado, quando o presidente celebrou o feriado. Na ocasião, ele inclusive participou das festividades da padroeira do Brasil no Santuário de Aparecida, em São Paulo. Agora, em 2022, o presidente já confirmou nova visita ao Santuário. Bolsonaro deve participar de uma das sete missas previstas para a data.

Após o conteúdo viralizar nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro fez uma publicação no Twitter classificando como desinformação a ideia de que o pai iria acabar com o feriado religioso. “Bolsonaro nunca acabaria com um feriado religioso. Nós somos os verdadeiros cristãos”, declarou o filho do presidente.

Um projeto de lei com teor semelhante ao da postagem analisada chegou a ser proposto pelo então deputado federal Victório Galli, à época filiado ao PMDB, no ano de 2008. À época, o parlamentar tentava retirar de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil, tornando-a apenas “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Entretanto, mesmo com uma eventual aprovação da proposta, o feriado religioso seria mantido. O texto acabou arquivado pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto daquele ano.

O feriado foi instituído em 1980

Nossa Senhora Aparecida foi definida no catolicismo como padroeira do Brasil em 1930, pelo Papa Pio XI. Em 1953, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escolheu o dia 12 de outubro como data festiva.

A data passou a ser feriado nacional após visita do Papa João Paulo II ao Santuário de Aparecida, no interior de São Paulo, em 30 de junho de 1980.

À época, o Brasil vivia sob a ditadura militar. Coube ao então presidente, general João Batista Figueiredo, a sanção da lei que declarava a data como feriado nacional.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre a pandemia, políticas públicas do governo federal e as eleições presidenciais que viralizam nas redes sociais. Publicações falsas ou enganosas envolvendo candidatos à Presidência, como a peça aqui verificada, podem induzir a interpretações equivocadas da realidade e influenciar eleitores no momento da votação. Os cidadãos têm direito de basear suas escolhas em informações verdadeiras e confiáveis.

Outras checagens sobre o tema: A publicação alvo desta checagem também já foi apurada e classificada como falsa pelo Boatos.Org , pelo Correio Braziliense, Gazeta do Povo e UOL Confere. Em verificações anteriores que citam Jair Bolsonaro, o Comprova mostrou que posts enganam ao associar Bolsonaro e maçonaria ao satanismo; que é enganoso vídeo que mostra Bolsonaro oferecendo capim a eleitores de Lula e também mostrou que não há comprovação de que urna impediu voto em Bolsonaro no Pará.

Eleições

Investigado por: 2022-10-11

Edição de vídeo distorce declaração de Bolsonaro sobre ministério para Collor e confisco de aposentadoria

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso que, em entrevista ao podcast Pilhado, no domingo (9), o presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha afirmado que o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB) seria seu ministro, em um eventual segundo mandato, e que o governo iria “confiscar a aposentadoria dos aposentados”. Bolsonaro estava, na verdade, sendo sarcástico e listando acusações infundadas feitas contra ele. O presidente negou qualquer convite a Collor, e não foi encontrada nenhuma evidência concreta e pública que o desminta.

Conteúdo investigado: Tuíte que compartilha trecho de uma entrevista do presidente Jair Bolsonaro (PL), no qual ele diz que o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB) será ministro, em um eventual segundo mandato, e que o governo vai “confiscar a aposentadoria dos aposentados”. A postagem é complementada por um segundo tuíte, no qual o autor pede aos seus seguidores que “chequem antes de baixar e repassar”.

Onde foi publicado: Twitter.

Conclusão do Comprova: É enganoso que, em entrevista ao podcast Pilhado, no domingo (9), o presidente Jair Bolsonaro tenha afirmado que o ex-presidente Fernando Collor de Mello seria seu ministro, em um eventual segundo mandato, e que o governo iria “confiscar a aposentadoria dos aposentados”.

A peça de desinformação foi publicada no Twitter pelo deputado André Janones (Avante-MG), que integra a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele pegou um trecho descontextualizado de uma entrevista concedida por Bolsonaro ao podcast Pilhado e transmitida ao vivo no domingo (9).

Bolsonaro estava, na verdade, sendo sarcástico e listando acusações infundadas feitas contra ele, dentre as quais uma segundo a qual ele seria canibal. O presidente negou qualquer convite a Collor ao final da entrevista. O Comprova não encontrou nenhuma evidência concreta e pública que o desminta.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O tuíte original recebeu mais de 41,5 mil interações, entre retuítes, curtidas e tuítes com comentários até a tarde de segunda-feira (10), quando ele foi excluído pelo próprio Janones, após o Comprova tentar contactá-lo. O tuíte complementar, em que o autor insiste em não se responsabilizar pela precisão do conteúdo, recebeu apenas 11,9 mil interações no mesmo período.

O que diz o autor da publicação: O Comprova entrou em contato com o autor do tuíte verificado, o deputado André Janones, por meio de sua assessoria pelo Whatsapp, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Como verificamos: Ao pesquisar, no Twitter, pelas palavras-chave “Bolsonaro”, “Collor” e “ministro”, encontramos uma versão ampliada do vídeo compartilhado pelo tuíte verificado. Ela foi publicada pelo ex-secretário de Cultura e deputado eleito por São Paulo Mário Frias (PL). Também identificamos a versão completa do vídeo em questão no Youtube.

Ainda buscamos indícios do eventual convite que Bolsonaro teria feito a Collor ao pesquisar, no Google, pelas palavras-chave, “Bolsonaro”, “Collor” e “ministro”. Para refinar a pesquisa, procuramos apenas conteúdos que precedessem a entrevista, ou seja, publicados até 8 de outubro.

Também buscamos contato com o autor da publicação, o deputado André Janones, por meio de sua assessoria de imprensa pelo Whatsapp.

Trecho descontextualiza sarcasmo de Bolsonaro

A publicação de Janones, aqui verificada, distorceu um comentário sarcástico de Bolsonaro, no início da entrevista ao podcast Pilhado. Como mostra o contexto da fala, na versão original da entrevista, entre 3:26 e 4:15, o presidente estava, na verdade, listando acusações infundadas feitas contra ele.

“A esquerda faz muito bem esse trabalho. Agora estão falando duas coisas aí. Primeiro, que eu sou canibal. Pô, é f…, né? Aguentar um trem desse aí. E a outra é que o Collor vai ser ministro e nós vamos confiscar as aposentadorias dos aposentados. E jogam. É o tempo todo assim”, disse Bolsonaro.

Ao final da entrevista, um dos apresentadores, o influenciador Paulo Figueiredo, neto do último ditador do regime militar brasileiro, João Figueiredo, expôs o tuíte de Janones – o parlamentar publicou a peça de desinformação enquanto a entrevista ainda estava ocorrendo. Ao denunciar o deputado, Figueiredo pediu a Bolsonaro para desmentir a alegação.

“Não existe convite ao senhor Collor de Mello para ser ministro. Não existe convite, não existe. Iria convidá-lo para ser ministro, segundo o Janones, para confiscar o salário dos caras, para deixar os velhinhos sem aposentadoria, a senhorinha sem pensão. Que loucura é essa? Meu Deus do céu. Que loucura é essa?”, disse Bolsonaro.

Essa parte final da entrevista se passa entre 3:51:00 e 3:53:05 da versão original do vídeo, como publicada no canal do Pilhado no Youtube.

Ainda nesta segunda-feira (10), após o Comprova tentar contactá-lo via assessoria de imprensa, Janones deletou o tuíte verificado.

Não foi encontrada nenhuma evidência do suposto convite

Bolsonaro é aliado de Collor e a própria legenda do presidente, o PL, compôs a chapa do petebista ao governo de Alagoas, que acabou derrotada no primeiro turno, no dia 2 de outubro. Mesmo assim, Bolsonaro nunca deu nenhuma declaração, em registro público, afirmando que o convidou para compor seu governo em um eventual segundo mandato.

Plano de governo de Bolsonaro não prevê confisco

O plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral pela campanha de reeleição de Bolsonaro não lista nenhuma mudança ou reforma na estrutura da previdência brasileira. O documento apenas afirma que, em eventual segundo mandato, o governo Bolsonaro “continuará e fortalecerá o aprimoramento do sistema previdenciário, com o objetivo de garantir a sustentabilidade financeira e a justiça social”.

Janones associa Bolsonaro a Collor e o confisco desde, pelo menos, 7 de outubro

Esta não é a primeira vez que Janones associa o presidente a Collor e ao confisco de pensões. Apenas no perfil dele no Twitter, o deputado publicou, pelo menos, sete tuítes com a peça de desinformação. O conteúdo mais antigo encontrado data de sexta-feira (7). Por meio da ferramenta de registro de conteúdos na internet Wayback Machine, o Comprova arquivou os tuítes para preservar a evidência caso Janones os delete de sua conta.

Em um desses tuítes, publicado no sábado (8), Janones compartilhou o print de uma suposta matéria jornalística com o título “Bolsonaro confirma que ex-presidente Collor será seu ministro em caso de vitória”. Neste caso, Janones usa do mesmo estratagema de sua postagem que distorce a entrevista de Bolsonaro ao Pilhado. Ele afirma estar repassando conteúdo cuja veracidade não seria conhecida: “Alguém sabe se isso aqui é verdade?”.

O print mostra uma página diagramada aos moldes do site de notícias G1, da Globo. A agência de checagem de fatos Lupa desmentiu que o G1 tivesse publicado tal matéria.

O Comprova também encontrou um vídeo publicado no canal oficial de Janones, ainda no sábado (8), com o título “URGENTE AO VIVO: AUXÍLIO BRASIL, APOSENTADORIAS E PENSÕES PODEM SER CONFISCADAS!! ENTENDA:”. Nele, o deputado afirma: “O ex-presidente Fernando Collor de Mello, o Collor, tá voltando, como ministro da Previdência, muito provavelmente. E os benefícios que o povo brasileiro conquistou com tanta luta, como o Auxílio Brasil e talvez até mesmo as aposentadorias, as pensões, começam a correr risco, já que o Collor tem essa longa história de confiscar o dinheiro do povo brasileiro.”

O Comprova arquivou, por meio do Wayback Machine, esse vídeo também.

Quem é André Janones

Janones, de 38 anos, é deputado federal por Minas Gerais desde 2019, após se eleger ao Congresso, pela primeira vez, no ano anterior. Ele foi o terceiro candidato mais votado no estado, obtendo 178.660, ou 1,77%, dos votos válidos. Janones é conhecido por sua influência nas redes sociais – ele tem 7,9 milhões no Facebook. Assim, em sua reeleição neste ano, conseguiu 238.967, ou 2,13% dos votos válidos, sendo o segundo candidato à Câmara mais votado em Minas Gerais. Ele obteve 30.000 votos a mais que o terceiro colocado e só ficou atrás de Nikolas Ferreira (PL), que teve a maior votação da história do estado.

Antes de concorrer à reeleição, porém, Janones foi o candidato do seu partido, o Avante, à Presidência da República. A própria legenda oficializou a candidatura em 23 de julho. Na pesquisa Datafolha do final daquele mês, Janones tinha 1% das intenções de voto. O deputado desistiu da candidatura menos de duas semanas depois, em troca de apoiar Lula (PT) e integrar a campanha do ex-presidente nas redes sociais. Como descreveu a revista piauí, “ele atua com autonomia, mas também executa demandas da campanha petista”.

Sua atuação nas redes pela eleição de Lula já foi descrita por veículos de imprensa como “serviço sujo” (O Estado de S. Paulo) e “agressiva e ‘zoeira’” (G1). Ele também é comparado ao vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho 02 de Jair Bolsonaro e infame por disseminar desinformação e atacar rivais nas redes sociais. Nos bastidores do debate presidencial de 28 de agosto, nos estúdios da Band, em São Paulo, Janones provocou aliados de Bolsonaro e protagonizou uma briga com o ex-ministro bolsonarista e agora deputado eleito por São Paulo Ricardo Salles (PL).

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam na internet relacionados às eleições presidenciais de 2022, à pandemia e a políticas públicas do governo federal. O conteúdo aqui investigado atribui enganosamente o confisco de aposentadorias em caso da reeleição de Jair Bolsonaro. A desinformação é uma prática nociva à democracia, porque a população tem direito de fazer suas escolhas baseadas em conteúdos confiáveis.

Outras checagens sobre o tema: O site de notícias O Antagonista também desmentiu a publicação de Janones aqui verificada, enquanto que a agência de checagem de fatos Lupa denunciou outra peça de desinformação, citada aqui e compartilhada pelo deputado, que atribui ao G1 uma matéria associando Bolsonaro a Collor e ao confisco de pensões.

O Comprova já verificou conteúdos de desinformação que imputaram ao PT e ao candidato derrotado Ciro Gomes (PDT) o confisco de bens. Um vídeo falso afirmava que o confisco estaria previsto “no estatuto do PT”. Outra verificação apurou que são falsas as mensagens que circulam no WhatsApp dizendo que o PT tem um projeto de confisco da poupança e que ele será automaticamente aprovado caso o candidato do partido, Fernando Haddad (PT), ou mesmo Ciro, vencesse a eleição.

Eleições

Investigado por: 2022-10-11

É falso que totalização de votos a cada 12% indique fraude no 1º turno das eleições

  • Falso
Falso
São falsos os conteúdos que circulam na internet com afirmações de que um algoritmo teria fraudado as urnas em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na totalização dos votos do primeiro turno das eleições. Um tuíte afirma que a cada 12% das urnas eletrônicas totalizadas, Lula subiu 1% e o presidente Jair Bolsonaro (PL) desceu 0,5%, enquanto um conteúdo em vídeo faz a mesma demonstração falsa a partir de um gráfico produzido no Excel. Porém, os números usados nos conteúdos não correspondem aos da apuração dos votos em tempo real do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Especialistas ouvidos pelo Comprova, além de reportagens já publicadas sobre o tema, demonstram que a contagem de votos independe de regras de estatística e está condicionada à ordem de chegada dos votos e divulgação de cada seção eleitoral apurada.

Conteúdo investigado: Vídeo que circula nas mídias sociais diz que um gráfico elaborado no Excel prova a existência de um algoritmo que fraudou as urnas, favorecendo Lula em detrimento de Bolsonaro no 1º turno das eleições.

Onde foi publicado: O conteúdo circulou no Whatsapp e informações extraídas dele foram compartilhadas por usuários do Twitter, Instagram e TikTok.

Conclusão do Comprova: É falso que os percentuais de votos dos candidatos Jair Messias Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) variaram de forma programada à medida em que os resultados das urnas foram sendo totalizados no primeiro turno.

Em nota enviada para a equipe do Comprova, a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pelo sistema de totalização, explicou que todos os Boletins de Urna (BUs) – documento que traz o resultado impresso da votação de cada seção eleitoral – foram processados à medida em que os dados chegaram à sede do tribunal, em Brasília. Os BUs foram colocados em fila e sua computação ocorreu conforme a ordem de chegada.

“Não há, portanto, nenhum algoritmo programado para ditar a percentagem atingida por cada candidatura ao longo do processo de soma dos votos”, destaca a nota. Especialistas ouvidos pelo Comprova também refutaram a possibilidade de fraude.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: Uma das plataformas em que o vídeo circulou foi o Whatsapp, que não permite dimensionar o alcance do conteúdo. Já um dos tuítes que compartilhou informações falsas contidas no vídeo checado foi publicado no dia 3 de outubro e, até o dia 11, obteve 1.137 curtidas, 27 comentários e 378 retuítes. De acordo com o portal UOL, um post publicado no perfil da ex-secretária de Cultura Regina Duarte com os mesmo argumentos do vídeo checado teve 923 mil visualizações em menos de 24 horas.

O que diz o autor da publicação: A pessoa que apresenta o vídeo se autodenomina Flávio Peres. Ela não foi encontrada pela equipe do Comprova para prestar informações sobre o conteúdo.

Como verificamos: Uma busca na internet pelo termo “Flavio Peres” retornou o perfil do vice-prefeito do município de Garça (SP), que ainda não respondeu o contato do Comprova, e de um coach, que alegou não ser o autor do vídeo: “Não tenho nada a ver com esse vídeo. Por infeliz coincidência essa pessoa tem o mesmo nome que eu”.

Uma usuária do Twitter, que compartilhou o vídeo, escreveu que Flávio Peres seria um major, membro da área técnica do setor de inteligência do Exército. A equipe do Comprova tentou falar com ela, mas o perfil não permite o envio de mensagens privadas. Mandamos e-mail para o Exército para checar se o autor do vídeo faz parte do quadro da instituição, mas, até o momento, não tivemos resposta.

Outro perfil do Twitter que compartilhou a publicação disse não ter o contato de Flávio Peres e explicou que recebeu o vídeo por um grupo do Whatsapp.

Cabe destacar que o conteúdo do vídeo circulou em outros formatos. Capturas de tela de uma conversa em um aplicativo de mensagens, sobre a suposta fraude na apuração das eleições, apresentam os mesmo argumentos do autor do vídeo, mas a análise dos dados é atribuída a uma outra pessoa chamada Hebérbio.

A equipe do Comprova procurou matérias jornalísticas de cobertura das eleições e vídeos que transmitiram o resultado do pleito em tempo real para comparar com os números apresentados no vídeo alvo da checagem.

Nessa busca, usamos como fonte uma matéria publicada no G1, no dia 2 de outubro de 2022, às 20h49, e uma transmissão ao vivo do resultado das eleições feita pelo canal do Youtube Prof Silvester Geografia. Ambos utilizaram dados disponibilizados, em tempo real, pelo TSE no dia da eleição.

Entramos em contato com o TSE, órgão responsável pelas eleições no país, para solicitar dados e questionar sobre a suposta existência de um algoritmo que teria programado a totalização dos votos.

O Comprova ainda conversou com o professor do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Marcos Prates, com o estatístico da escola ASN Rocks Carlos Miranda e com o professor doutor no Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) Bruno de Carvalho Albertini.

Falta de rigor no tratamento dos números

A partir de conversas com especialistas e consulta à bibliografia sobre visualização de dados, o Comprova constatou que alguns requisitos de rigor e de método científico necessários para o trabalho com dados numéricos não tiveram a devida atenção do autor da publicação. Ausência da fonte de dados, arredondamentos de valores decimais para inteiros e recorte da série temporal são aspectos que colocam em xeque o teor do vídeo.

De acordo com o autor da publicação alvo dessa checagem, “o período de apuração sofreu alteração a cada 12% de votos apurados”. Vale destacar aqui que ele confunde os conceitos de apuração e totalização. Lucas Lago, pesquisador no CEST-USP, explicou a diferença em checagem sobre o mesmo conteúdo feita pela AFP. Apuração é a etapa que ocorre dentro das urnas no encerramento da votação da seção eleitoral e gera como resultado o Boletim de Urna. Totalização é a soma dos Boletins de Urna divulgada pelo TSE.

Para provar seu ponto de vista, o autor cria uma tabela que mostra a evolução percentual dos candidatos Bolsonaro e Lula quando 12%, 24%, 36%, 48%, 60%, 72%, 84% e 96% das urnas haviam sido totalizadas.

Ao comparar a performance dos presidenciáveis em cada um desses momentos, o autor alega ter notado um movimento “programado” para cada candidato. Bolsonaro diminui linearmente 0,5% a cada período, enquanto Lula cresceu 1%. Para o autor do vídeo, essa seria a prova de que haveria um algoritmo que beneficiou Lula.

No entanto, o autor não aponta as fontes dos dados utilizados na análise e eles não condizem com informações de fontes oficiais. Apesar de o TSE ainda não ter disponibilizado a planilha da totalização minuto a minuto do 1º turno, foi possível contestar os dados do vídeo com o da apuração feita pelo G1 e por transmissão ao vivo do YouTube. Ambos utilizaram dados disponibilizados, em tempo real, pelo TSE no dia da eleição.

 

O que chama a atenção ao comparar a primeira tabela com a segunda e com a terceira é o fato da primeira apresentar dados arredondados. “Mudar números que variam na escala de decimais para inteiros gera uma distorção enorme”, explica o professor do Departamento de Estatística da UFMG Marcos Prates.

Em momento algum, Lula obteve 49% dos votos, como sugere o vídeo desinformativo. O percentual máximo atingido pelo candidato petista foi 48,43%. “Eu imagino que no meio do caminho ele [autor do vídeo] fez isso [arredondou os valores] várias vezes de acordo com a conveniência”, avalia Prates.

Mesmo que os números do vídeo alvo da checagem estivessem corretos, o professor não vê indício de fraude em uma oscilação linear. “O fato de observar um crescimento linear ou um decaimento linear num sistema de apuração, a meu ver, não determina que existe um algoritmo por trás”.

No livro How Charts Lie (Como gráficos mentem, em tradução livre), o jornalista e professor da Universidade de Miami (EUA) Alberto Cairo descreve diferentes maneiras de enganar, propositalmente ou não, com números. Uma delas é mostrar apenas uma parte do todo e assumir a parte como a realidade dos fatos.

O autor do vídeo checado faz um recorte dos dados. Ele toma como ponto de partida para sua análise o momento em que 12% das urnas haviam sido apuradas e não o início da apuração em si. Isso faz com que não se percebam nuances no comportamento dos números.

Ao olhar para a apuração dos votos a partir de uma perspectiva mais ampla, tendo como ponto de partida 0,09% das urnas apuradas, percebe-se que os dados oscilaram de diferentes maneiras e não só de forma linear como o autor do vídeo argumenta.

O portal G1 fez um gráfico, com dados do TSE, que permite visualizar a oscilação dos candidatos Bolsonaro e Lula ao longo do tempo.

| Fonte: Captura de tela de matéria publicada pelo G1

Logo no início, quando apenas 0,09% do total de urnas tinham sido apuradas, Lula estava à frente na disputa presidencial. O petista tinha 51,18% e Bolsonaro 36.73%. Imediatamente, antes mesmo de se atingir o percentual de 1% da apuração, Lula foi ultrapassado por Bolsonaro, que se manteve na primeira posição até o percentual de 70% da totalização.

Estatística

De acordo com o estatístico Carlos Miranda, que atua em empresa privada de tecnologia, o vídeo ou teoria não produzem embasamento estatístico algum.

Ele diz que o fato de o TSE realizar a apuração de forma não sequencial em relação às urnas acaba levando a esse tipo de pensamento para determinados grupos do Brasil.

Muitas vezes a contagem das urnas já começa em 3%, 5%. Depois, a apuração aparece em 12% ou 14%. Tudo isso é bem comum, segundo Miranda.

Para ele, trata-se apenas de uma contagem simples de votos em urnas de diferentes localidades e que ditam o ritmo de contagem de votação recebida por cada candidato. Sendo que, no final, a apuração é concluída com o número de votos determinado pelos eleitores para cada candidato.

“Devemos sempre atentar sobre qual urna está sendo contada primeiro. No final, não importa quem estava na frente ou atrás. O resultado acontece a partir do total de votos já registrados antes pelo eleitor. Não há movimento de votos a partir de regras estatísticas”.

Outro exemplo citado por ele é no caso de a totalização envolver, hipoteticamente, apenas duas cidades: “Se a contagem inicia com os votos da primeira cidade e nela todos os eleitores votam em apenas um candidato, só aí já vai estar 100 a 0”, exemplifica.

Tecnologia e apuração

Para o professor Bruno de Carvalho Albertini, da EPUSP, o vídeo em questão é falacioso.

Ele chama atenção para a ordem de totalização do Registro Digital do Voto (RDV), que pode contar com celeridade ou não de envio, bem como congestionamento das redes que o TSE usa.

“Assim que o RDV chega no servidor é processado e mostrado na totalização. Sendo assim, não faz sentido alegar fraude baseando-se na ordem ou evolução da totalização. De fato, qualquer pessoa pode fotografar os Boletins de Urnas físicos impressos pela urna e totalizar por meios próprios, ou pegar os BUs online do TSE e fazer o mesmo”, explica Albertini.

Apuração e geografia

Uma apuração do Comprova em julho cita uma reportagem do TSE em que o tribunal também aborda o andamento da totalização dos votos de acordo com a posição geográfica das cidades. Em 2021, o órgão desmentiu o boato de que as urnas eletrônicas teriam sido fraudadas nas eleições de 2014. A situação daquela época pode servir de exemplo no cenário atual, uma vez que, na apuração de votos do 1º turno deste ano, o candidato Bolsonaro ficou à frente de Lula até 70% do total de urnas apuradas. Há oito anos, Dilma ultrapassou Aécio quando a totalização chegou a 88,9%.

Conforme divulgou o TSE na reportagem, naquele ano, técnicos do PSDB e do tribunal analisaram a curva de desempenho dos candidatos Aécio e Dilma ao longo da apuração e constataram que ela demonstrava a concorrência acirrada na eleição de 2014, em que durante muito tempo os votos eram disputados um a um.

Enquanto os votos apurados vinham predominantemente dos estados das regiões Sul e Sudeste, onde Aécio Neves venceu, a apuração indicava a vitória parcial do candidato tucano. Mas, à medida em que começaram a ser computados os votos dos estados do Norte e do Nordeste, onde Dilma Rousseff obteve ampla vitória, esse placar foi mudando até que se consolidou numa vitória apertada da petista, com uma diferença de apenas 3,28 pontos percentuais.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre a pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais. Conteúdos falsos ou enganosos que também envolvem o sistema de votação e de totalização podem influenciar na compreensão da realidade e segurança do sistema.

O Comprova busca colaborar para que o eleitor tenha acesso a conceitos fiéis à verdade e que contribuem para um correto entendimento a respeito do processo de escolha de candidatos e a apuração de votos.

Outras checagens sobre o tema: A AFP, o UOL e o site boatos.org verificaram que é falso o conteúdo atribuindo favorecimento a Lula na totalização dos votos nas eleições do 1º turno no Brasil. A Justiça Eleitoral também desmentiu o boato.

Em verificações anteriores que citam o candidato Lula, o Comprova mostrou ser falso conteúdo que afirmava que eleitores de Lula teriam dia diferente para votação; que não há registro de Lula ter dito que ‘enfermeiros só servem para servir sopa’. Também apurou e concluiu como enganoso vídeo dizendo que Lula pode perder candidatura por conta da Lava Jato.

Eleições

Investigado por: 2022-10-10

Vídeo que insinua fraude em votação em Maceió reproduz infográfico com erro

  • Enganoso
Enganoso
É enganosa a insinuação de fraude envolvendo a contagem de votos na capital de Alagoas, Maceió, apontada em vídeo postado no Twitter. A suposta artimanha "denunciada" pelo autor do conteúdo buscaria prejudicar o presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL). Para expor dados da eleição naquela capital, o vídeo mostra informações publicadas pelo sistema do jornal O Globo, que apresentou erros - o que já foi identificado pelo veículo. A totalização de votos é feita oficialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo sistema manteve a integridade durante todo o processo eleitoral realizado no dia 2 de outubro.

Conteúdo investigado: Vídeo que circula no Twitter mostra divergência dos percentuais de voto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro nas zonas eleitorais de Maceió em relação ao resultado geral da eleição no município. Bolsonaro fica à frente em cada uma das cinco zonas, mas aparece em 2º lugar quando o autor seleciona a opção “todas as zonas eleitorais”. O responsável sugere que essa diferença representa indício de fraude na eleição. A gravação tem como plano de fundo uma camisa da Seleção Brasileira de futebol.

Onde foi publicado: Twitter.

Conclusão do Comprova: Um erro no infográfico desenvolvido pelo jornal O Globo para divulgação dos resultados do primeiro turno da eleição presidencial provocou confusão na interpretação dos dados e foi usado como base de vídeo enganoso que insinua fraude no pleito em Maceió. No entanto, o problema no sistema do jornal não tem ligação com a totalização dos votos, de responsabilidade do TSE, ou seja, não há indício de fraude.

No vídeo aqui verificado, o autor consulta o resultado da votação por zona eleitoral de Maceió no Mapa da Votação e constata que Bolsonaro teve percentuais maiores do que Lula nas cinco regiões. Contudo, quando seleciona a opção “todas as zonas eleitorais”, que deveria mostrar o resultado geral no município, o sistema do jornal exibe o petista à frente, com 56,5% dos votos. Em seguida, está Bolsonaro, com 36,05%. Diante disso, o autor sugere que houve fraude a favor de Lula.

Por um erro no sistema, a opção “todas as zonas eleitorais” puxou os dados do resultado da votação em todo o estado de Alagoas, onde, de fato, Lula ficou à frente, com o percentual de 56,5%. Em nota, O Globo explicou o problema e informou que o erro ocorreu no sistema do próprio veículo, na distribuição de votos totais nas 63 cidades em que era possível consultar a votação por zona eleitoral. O site do TSE apresenta os dados corretos.

Enganoso, para o Comprova, é todo conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: Até o dia 10 de outubro, o tuíte obteve 13,9 mil visualizações, 342 curtidas e 216 compartilhamentos.

O que diz o autor da publicação: A conta responsável pela publicação no Twitter não permite envio de mensagem direta. O Comprova buscou perfil semelhante em outras redes, mas não obteve sucesso. No início do vídeo, o autor se identifica com um nome, mas não identificamos seu perfil nas redes sociais.

Como verificamos: Após ter acesso ao conteúdo investigado, a equipe fez buscas no Google, tendo como retorno uma publicação de O Globo, na qual o jornal reconhece a falha em seu mapa de apuração.

A busca também encontrou uma publicação da Justiça Eleitoral, que classificou a insinuação de fraude como “boato” e apontou a ocorrência de equívoco na divulgação feita pelo jornal.

Por fim, a equipe acessou os dados oficiais do TSE relativos ao resultado das eleições no estado de Alagoas e comparou com os números do conteúdo verificado.

Portal do TSE tem dados corretos sobre votação em Maceió

No vídeo aqui verificado, o autor filma a tela de um celular com dados da votação para presidente em Maceió, capital de Alagoas. O vídeo mostra a página do Mapa de Votação do jornal O Globo, informação confirmada pela identidade visual e pelo endereço “infograficos.oglobo.globo.com” na tela do aparelho. Além disso, O Globo publicou nota informando que seu sistema de divulgação de dados da votação do primeiro turno apresentou erro que corresponde ao conteúdo apresentado no vídeo.

Os dados do TSE mostram que, em Alagoas, Lula recebeu 974.156 votos, o que representa 56,5%. Já Bolsonaro teve 621.515 votos, 36,05%. Em Maceió, Bolsonaro recebeu o maior percentual de votos, 49,59%, ante 40,43% do petista.

No vídeo, o autor pesquisa no site de O Globo os percentuais de votos dos candidatos à Presidência em cada uma das zonas eleitorais de Maceió. O Comprova confrontou as informações mostradas na publicação com os dados divulgados pelo TSE e constatou que os percentuais das zonas estão corretos, com Bolsonaro à frente de Lula em todos os casos (apesar disso, o nome de Lula aparece primeiro no sistema do tribunal porque ele ficou à frente no resultado geral, considerando todo o estado de Alagoas):

Zona 0001:

Lula: 39,13% (34.346 votos)

Bolsonaro: 50,45% (44.285 votos)

Zona 0002:

Lula: 39,92% (51.420 votos)

Bolsonaro: 49,74% (64.064 votos)

Zona 003:

Lula: 41,57% (38.308 votos)

Bolsonaro: 48,95% (45.114 votos)

Zona 033:

Lula: 41,01% (30.249 votos)

Bolsonaro: 49,11% (36.226 votos)

Zona 054:

Lula: 40,75% (41.391 votos)

Bolsonaro: 49,58% (50.364 votos)

No entanto, por causa do erro no sistema de O Globo, quando o autor do vídeo pesquisa no site do jornal pelo resultado geral da votação em Maceió (na opção “todas as zonas eleitorais”), o portal apresenta Lula à frente. Isso ocorre, segundo O Globo, porque o sistema puxa o resultado do estado de Alagoas (Lula com 56,5% e Bolsonaro com 36,05%). De fato, os percentuais apresentados de forma errada no sistema, como se fossem de Maceió, correspondem ao resultado que os presidenciáveis tiveram no estado.

A inconsistência no sistema de O Globo não tem relação com a apuração e divulgação oficial dos dados, feitas pelo TSE, ou seja, o problema não é indício de fraude, como sugere o autor do vídeo. O tribunal divulgou corretamente o resultado da eleição em Maceió, conforme mostra a captura de tela abaixo:

| Portal do TSE mostra informações corretas sobre a votação para presidente em Maceió (AL)

Site do jornal O Globo também apresentou erro em outros estados

Apesar de o vídeo viral ter como foco o problema nos dados em Alagoas, o jornal informou que captou em seu mapa erro na agregação automática dos resultados feita por seu sistema nas 63 cidades para as quais estava disponível a opção de visualizar os dados por zonas eleitorais.

O jornal destacou que o percentual de votos de cada candidato em cada zona eleitoral está correto na apresentação numérica de dados e no mapa de cor. Entretanto, quando o usuário selecionava a opção “todas as zonas eleitorais”, que deveria levar para o resultado geral no município, o sistema apresentava os percentuais do Estado em questão.

Na nota publicada, o Globo ressaltou que não há erro em dados captados da base de informações do TSE e que o problema em seu sistema não tem relação com a totalização de votos feita pelo tribunal. A consulta por zona eleitoral foi desativada pelo site até que o erro seja corrigido. O jornal não informou por quanto tempo o problema persistiu.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam na internet relacionados às eleições presidenciais de 2022, à pandemia e a políticas públicas do governo federal. O conteúdo aqui investigado sugere falsamente a existência de fraude eleitoral, reforçando a ideia de insegurança nas urnas eletrônicas e no sistema eleitoral brasileiro. A totalização de votos no Brasil é feita exclusivamente pelo TSE.

Outras checagens sobre o tema: Sobre insinuações de fraude eleitoral, recentemente, o Comprova também investigou que post inventou dados para insinuar fraude eleitoral a favor de Lula, que o Exército não interferiu na apuração de votos e que não há comprovação de que urna tenha impedido voto em Bolsonaro no Pará.

Comprova Explica

Investigado por: 2022-10-07

Lula não tem relação com luciferianismo nem com satanismo; entenda o contexto das postagens sobre o tema

  • Comprova Explica
Comprova Explica
Influenciador digital que se autodenomina “mestre e líder da igreja de Lúcifer do Novo Aeon” Vicky Vanilla diz em vídeo que “está decretada” a vitória do ex-presidente e atual candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, realizado no dia 02 de outubro – o que não ocorreu. Nas imagens, é possível vê-lo em frente a uma bandeira do petista, falando sobre a união de diferentes religiões e entidades ligadas ao satanismo e ao ocultismo para garantir a vitória do ex-presidente. O vídeo viralizou e foi usado para associar Lula ao satanismo. Vanilla, no entanto, diz que o petista não faz parte da sua igreja e também que não é bolsonarista.

Comprova Explica: Autointitulado líder da Igreja de Lúcifer do Novo Aeon, o influenciador Vicky Vanilla fez uma live na semana passada no TikTok usando uma camiseta vermelha e exibindo uma toalha com o rosto do ex-presidente e candidato Lula (PT) ao fundo. Em um trecho da live, que viralizou em outras redes, Vanilla afirma que diferentes religiões e entidades ligadas ao satanismo e ao luciferianismo tinham se unido para garantir a vitória do petista já no primeiro turno.

O vídeo foi disseminado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que usaram o material para associar o petista ao satanismo. A campanha de Lula negou qualquer ligação com as doutrinas ou com a entidade liderada por Vicky Vanilla. Enquanto isso, apoiadores de Lula passaram a espalhar um vídeo com um trecho de uma entrevista do líder luciferiano em que ele criticava Lula. A intenção dessas postagens era desvincular Vanilla da imagem do ex-presidente e dizer que, na verdade, ele seria um bolsonarista disposto a prejudicar a imagem do petista.

A repercussão fez com que Vicky Vanilla publicasse outros dois vídeos – um desmentindo a ligação de Lula com a igreja dele, com o luciferianismo e com o satanismo, e outro em que negava ser bolsonarista ou cabo eleitoral de Bolsonaro. Os vídeos foram retirados do ar por uma ordem judicial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os luciferianistas não são contrários ao cristianismo, nem deixam de acreditar em Deus – para eles, contudo, Lúcifer não é um anjo caído, e sim um portador de luz”. Especialistas apontam que nem mesmo entre os cultos a Lúcifer e Satã há unidade e que não há sequer relações estruturais entre os cultos citados por Vicky Vanilla no vídeo da live.

Com a viralização de conteúdos sobre o caso, o Comprova resolveu explicar qual o contexto das postagens, quem é Vicky Vanilla e o que são religiões luciferianas e satanistas, uma vez que o conteúdo envolve um candidato à Presidência de um país cuja maioria da população se identifica como cristã.

Como verificamos: O Comprova assistiu ao vídeo verificado aqui e as demais gravações relacionadas ao conteúdo. Também foi visto o vídeo da entrevista de Vanilla ao podcast Supersônico Cast em que ele critica Lula e Bolsonaro.

Foram entrevistados dois pesquisadores sobre o tema do luciferianismo e suas relações com o cristianismo: o historiador Elias Pereira, que é pós-graduado em História das Religiões, e o professor Johnni Langer, PhD em História e professor do curso de Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

O Comprova também acessou o posicionamento oficial da campanha do candidato Lula sobre o assunto e a decisão do TSE sobre uma representação feita pelos advogados do petista a respeito dos vídeos. O Comprova procurou, por fim, o ator do vídeo que viralizou, Vicky Vanilla.

O contexto das publicações

Na segunda-feira após o primeiro turno das eleições (3 de outubro), perfis de apoiadores de Bolsonaro começaram a compartilhar trechos de um vídeo em que um homem vestido de camiseta vermelha e com uma bandeira de Lula ao fundo afirma, entre outras coisas, que diversas seitas e religiões de matriz africana, ocultistas, de doutrina luciferiana e/ou satanista haviam se unido para garantir a vitória do petista contra o atual presidente.

O vídeo era o trecho de uma live no TikTok publicada por um perfil chamado Vicky Vanilla, que se identifica como “mestre e líder da igreja de Lúcifer do Novo Aeon”. De acordo com reportagem do jornal O Globo, a live foi feita em 30 de setembro. O material não está mais disponível nas redes sociais e não foi possível assistir ao conteúdo na íntegra. No trecho que foi compartilhado por apoiadores do atual presidente, Vanilla diz que os bolsonaristas iriam “comer o pão que o diabo amassou” e que “amanhã não tem para ninguém, já está decretado”.

“Nós nos unimos, esse tempo todo que eu tive que disfarçar, ficar quieto, disfarçar, falar de outras coisas nas redes sociais. Nós nos unimos esse tempo todo: os terreiros de Quimbanda, os terreiros de Axé, as irmandades luciferianas do país, os segmentos satanistas, os satanistas ateístas, os satanistas gnósticos, os luciferianos ateístas, luciferianos gnósticos, nós nos unimos esse tempo todo”. Em seguida, ele profere ofensas aos apoiadores de Bolsonaro e diz que “eles não vão conseguir vencer o poder e o tamanho de uma egrégora que é a nossa. Amanhã já está decretado, vocês estão arruinados (…). Porque vocês nesses últimos quatro anos apoiaram um ditador, um facínora, um vagabundo safado”.

A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) foi uma das apoiadoras do presidente que compartilhou o vídeo, com a legenda “A guerra é espiritual”. Já um perfil no Twitter que apoia Bolsonaro escreveu: “Satanistas declaram apoio a Lula. Pronunciamento de um adepto do satanismo e bruxaria sobre as eleições. É esse candidato que você quer para o Brasil?”.

Após a repercussão do material, Vanilla publicou um vídeo em suas redes sociais em, 4 de outubro, dizendo que as publicações dos apoiadores do presidente eram “fake news” e que suas falas durante a live haviam sido retiradas de contexto. “Esse corte faz parte de todo um pronunciamento que eu fiz na última live e está sendo colocado totalmente fora de contexto por pessoas que querem que você não saiba a verdade. O vídeo está sendo espalhado como uma fake news, tanto a meu respeito, quanto a respeito do candidato Lula, que não tem qualquer ligação com a nossa casa espiritual. Ele está sendo divulgado como uma artimanha dos pseudocristãos, dos fariseus instalados na política que não querem que você se aproxime da verdade de Cristo”, afirmou.

Como o vídeo da live não está mais disponível, o Comprova procurou Vicky Vanilla para explicar qual era o intuito e o contexto das falas em que ele se refere à “união” entre as seitas citadas no trecho do vídeo e a eleição de Lula, mas não houve resposta até o fechamento deste Comprova Explica.

Enquanto trechos do vídeo seguiam viralizando nas redes sociais, alguns apoiadores do ex-presidente Lula começaram a publicar que Vanilla, na verdade, era apoiador do presidente Bolsonaro e havia feito a live para prejudicar a imagem do PT. Essas postagens compartilhavam um trecho em vídeo da participação de Vanilla no podcast Supersônico Cast, que foi publicado em 14 de maio de 2022.

No trecho compartilhado, Vanilla fazia críticas ao PT e a Lula. A fala em tom crítico aconteceu momentos após os convidados do podcast conversarem sobre assuntos como criminalidade e pena de morte. Vanilla afirma: “Agora, o Lula também me soltar que o cara roubou, um ‘é só um celularzinho para ir tomar uma cervejinha’. Você viu isso aí? É, é uma política de bosta, o cara vem falar ‘é só um celularzinho, companheiros, só pra tomar uma cervejinha’. Ah, vem roubar o meu, pra ver o berro na sua cara”.

Em seguida, os outros participantes do podcast mencionam uma suposta proposta do ex-presidente Lula que buscaria “regular a mídia”, o que, na interpretação de um dos convidados, significaria “regular a internet,” e que a medida poderia “acabar com isso aqui [o podcast]”. Vanilla então, comenta: “Nazismo, o nazismo começou assim também”.

O trecho compartilhado, contudo, não mostrava a fala completa de Vicky Vanilla quando criticou Lula. Antes, ele havia criticado Jair Bolsonaro e dito que detestava o atual presidente (a partir de 1:46:03): “Todo mundo sabe que eu não tenho nenhum tipo de apreço pelo Bolsonaro, cara, eu detesto, mas o Lula me soltar… eu detesto Bolsonaro, para mim é escrotidão pura, até um vira-lata amarelo, se você votar no vira-lata caramelo vai ser melhor para você, vai fazer melhor para o país”, disse. Em seguida, ele fala sobre o petista: “Agora, o Lula também me soltar que o cara roubou, um ‘é só um celularzinho para ir tomar uma cervejinha’. Você viu isso aí?. É, é uma política de bosta, o cara vem falar ‘é só um celularzinho, companheiros, só pra tomar uma cervejinha’. Ah, vem roubar o meu, pra ver o berro na sua cara”.

Apesar de a fala de Vicky Vanilla ter sido descontextualizada, ele também engana ao citar a suposta declaração de Lula sobre “roubar celular para comprar uma cervejinha”. Não há qualquer registro que comprove que o ex-presidente tenha dito isso, conforme demonstraram Reuters, AFP Checamos, e Migalhas.

Após a repercussão dessas novas postagens, Vanilla novamente usou suas redes para declarar que sua entrevista ao podcast havia sido distorcida e que ele não possui nenhum alinhamento com Bolsonaro. Em um vídeo publicado em seu perfil no TikTok, ele disse: “Mais uma vez a minha fala e o meu posicionamento estão sendo colocados de uma forma totalmente desviada das minhas intenções originais (…). Falar que eu sou eleitor, cabo eleitoral do Bolsonaro, isso foi demais. Em todas as minhas lives e meus posicionamentos públicos eu jamais manifestei qualquer tipo de apoio à ideologia fascista do Bolsonaro, que não reflete em absoluto qualquer um dos ideais luciferianos de evolução, fraternidade e consciência política. Isso é um nítido caso de intolerância religiosa, a mesma intolerância religiosa que a esquerda diz combater assiduamente e que no momento está fazendo o contrário me colocando como cabo eleitoral do Bolsonaro, por causa de algumas entrevistas que eu dei no passado”.

Quem é Vicky Vanilla

Ele se apresenta no TikTok como “sacerdote, mago e palestrante”. Em seu site, diz ser “mestre e líder da Igreja de Lúcifer do Novo Aeon”. Ele afirma que foi iniciado e desenvolveu sua mediunidade em religiões de matrizes africanas (umbanda e quimbanda), praticou o xamanismo ancestral brasileiro, estudou psicanálise e simbologia e já “lecionou as artes oraculares em famosas escolas esotéricas de São Paulo”.

Ainda segundo o site, a “síntese de tudo que Vanilla já aprendeu” é o luciferianismo gnóstico e a Alta Magia da Mão Esquerda. Além do perfil do TikTok com mais de 1 milhão de seguidores, Vanilla mantém uma conta ativa no Instagram e um canal no YouTube. Nas redes sociais ele publica conteúdos sobre seu cotidiano, explica conceitos do satanismo e do luciferianismo e também grava vídeos opinativos ou interagindo com seguidores.

O que é o luciferianismo e o que é satanismo?

Luciferianismo e satanismo são correntes diferentes. O primeiro é uma corrente filosófica, muito inspirada no Iluminismo, que enxerga Lúcifer não como um anjo caído, mas como um “portador de luz”. Ao contrário do que pensa o senso comum, os seguidores do luciferianismo não se opõem ao cristianismo, não pregam contra a Bíblia e nem deixam de acreditar em Deus.

“O luciferianismo tem um pensamento filosófico de Lúcifer pelo sentido da palavra, mesmo, o portador de luz. A ideia do luciferianismo é o culto ao próprio ser humano, aquela ideia de que você é a própria divindade. Ele é muito baseado na questão cristã europeia, de que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Logo, o ser humano também é divino”, explica o historiador Elias Pereira, que é pós-graduado em História das Religiões.

Pereira aponta que os luciferianistas não seguem a Bíblia, mas não pregam contra ela. “Eles não são nem um pouco contra Deus. Acreditam em Deus, só que, para eles, Deus está dentro do ser humano”, diz.

Na entrevista ao podcast Supersônico Cast, o próprio Vanilla afirmou que “tudo é Deus” e que “Deus é o aqui e o agora”. “Se Ele [Deus] é o todo, eu não sou parte dele, porque parte significaria fragmento, fragmento indicaria separação. Então, eu sou Deus, vestindo uma experiência humana e temporária para que possa viver os seus sonhos. A vida é um sonho de Deus”, afirmou.

Há duas correntes principais do luciferismo: o clássico e o neoluciferianismo, muito mais presente hoje na sociedade. A principal diferença entre eles é que, no luciferianismo clássico, os seguidores enxergam Lúcifer como um ser físico, mas ainda assim como um mestre, e não como um demônio. Já o neoluciferianismo é uma corrente mais filosófica que acredita que, através de alguns ritos como meditações e orações, é possível despertar o divino dentro das pessoas.

Enquanto isso, o satanismo é diferente das duas correntes do luciferianismo. “O satanismo crê, por exemplo, que o diabo também está dentro do ser humano e isso é visto nas atitudes negativas, como os impulsos mais animalescos, a questão do instinto de sobrevivência, e isso faz com que o diabo dentro de cada um desperte”, aponta o especialista.

Professor do curso de Ciências das Religiões da UFPB, Johnni Langer, que é doutor em História e coordenador do NEVE (Nucleus of Vikings and Scandinavian Studies), comenta que os satanistas são mais filiados a correntes norte-americanas, enquanto os luciferianos seguem uma linha mais europeia. Ele destaca que não há unidade nesses grupos e há, inclusive, muitas mesclas e influências.

“Nem mesmo cultos em torno do diabo possuem qualquer tipo de união, congregação ou filiação de interesses, seja na esfera puramente religiosa ou política, em nosso país”, diz. Ele aponta, ainda, que os diversos cultos citados no primeiro vídeo de Vicky Vanilla não têm relações estruturais entre si.

“Historicamente e socialmente, são grupos que não possuem relação estrutural entre si, como as religiões afro-brasileiras, a Wicca e as vertentes do satanismo/luciferianismo. O que elas todas têm em comum é que, do ponto de vista imaginário, representam o mal absoluto para os grupos evangélicos, que formam uma das bases eleitorais do Bolsonaro”, explica Johnni Langer.

É verdade que algumas correntes do luciferianismo sofreram influência de outros grupos religiosos e filosóficos, mas isso não significa que atuem juntas. “Os luciferianistas acreditam em várias concepções que mesclam elementos do cristianismo com ocultismo”, diz Langer. Elias Pereira aponta que entre as referências está a quimbanda, de matriz africana, mas que está muito mais ligada à corrente clássica do que ao neoluciferianismo.

Atualmente, não é possível dizer, numericamente, quantos adeptos do luciferianismo existem no Brasil – essa doutrina não é citada nominalmente no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para Johnni Langer, a maioria das vertentes do luciferianismo não sobreviveu ao século XX, enquanto muitas outras surgiram no mesmo período. “Existem igrejas luciferianas no Brasil, mas são difíceis de serem contadas e quase sempre têm um caráter marginal e semi-secreto”, aponta.

Lula não é luciferianista, nem satanista, e sim católico

Além de Vanilla ter dito mais de uma vez que Lula não tem qualquer ligação com o grupo espiritual que ele lidera, a igreja de Lúcifer do Novo Aeon, o petista também desmentiu qualquer relação com luciferianismo ou satanismo. “A verdade, como já repetimos antes, é que Lula é cristão, católico, crismado, casado e frequentador da Igreja Católica. Não existe relação entre Lula e o satanismo”, diz nota divulgada pelo PT.

Lula se casou pela terceira vez no dia 18 de maio deste ano com a socióloga Rosângela Silva, a Janja. O casamento foi celebrado por um sacerdote católico, o bispo emérito de Blumenau (SC), dom Angélico Sândalo Bernardino.

Vanilla já apoiou Lula, mas avalia se manter neutro no 2º turno

Havia pelo menos dois vídeos no perfil de Vicky Vanilla no TikTok de apoio ao ex-presidente Lula, mas eles foram apagados. Em um vídeo gravado em 6 de outubro, Vanilla disse que o material foi retirado do ar por ordem do TSE. Ele criticou a decisão, apontou que foi vítima de intolerância religiosa e que está avaliando se manterá o apoio a Lula no segundo turno ou se ficará neutro. De qualquer forma, antes da derrubada do material, Vanilla tinha afirmado que o apoio dele a Lula não era institucional nem religioso, e sim pessoal, como cidadão.

“Eu me posicionei democraticamente a favor do Lula, não religiosamente. O Lula não tem qualquer vínculo com o luciferianismo ou com o satanismo. Eu, na minha qualidade de cidadão, é que manifestei a minha intenção política”, disse, em um vídeo postado na rede no dia 5 de outubro de 2022. No mesmo vídeo, o influenciador negou que seja eleitor de Bolsonaro. Há, no perfil de Vanilla, mais de um vídeo com críticas a Bolsonaro pelo menos desde maio deste ano.

A suspensão do conteúdo de apoio a Lula foi, realmente, determinada pelo TSE. A Coligação Brasil da Esperança, do petista, entrou com uma representação no dia 4 de outubro de 2022 contra o responsável pelo perfil de Vicky Vanilla no TikTok e contra bolsonaristas que espalharam o vídeo que viralizou nas redes.

No pedido, a coligação, os advogados disseram que “o que se observa é um indivíduo, que conta com quase um milhão de seguidores apenas na mencionada rede social, afirmando ser seguidor do satanás, entidade bíblica que sabidamente representa o mal na Terra, fazendo vídeos de apoio à candidatura de Lula. Com isso, tal tema se difunde nas redes sociais e aplicativos de mensagens eletrônicas de tal sorte que, em pouco tempo, emite-se a nociva mensagem que os adoradores do demônio apoiam Lula”. A defesa do candidato petista disse ainda que “os apoiadores do candidato Jair Bolsonaro não perderam a oportunidade de propagar, com base nas publicações do usuário @vicky_vanilla_official, a mentirosa associação do candidato Lula a Lúcifer, espalhando desinformação na Internet“.

Na decisão, tomada em 5 de outubro, o ministro do TSE Paulo de Tarso Vieira Sanseverino mandou que TikTok, Twitter, YouTube, Instagram, Facebook e Gettr removessem as publicações no prazo de 24 horas, sob pena de incidência da multa diária no valor de R$ 50 mil, em caso de descumprimento. Ao acatar o pedido da defesa de Lula, o ministro destacou que a livre manifestação do pensamento do eleitor na internet só é passível de limitação quando ofende a imagem de candidatos, partidos, federações ou coligações, ou quando são divulgados fatos sabidamente inverídicos.

“Contata-se que o perfil @vicky_vanilla_official contém aproximadamente um milhão de seguidores, na rede social TikTok, e o seu responsável e administrador se apresenta como sacerdote, mago e palestrante. O referido perfil divulga conteúdos relacionados a ideologias ou crenças relacionadas ao satanismo, de modo a promover admiração a personagens religiosos como Satanás e outras figuras similares como Belzebu e Lúcifer. Ocorre que o responsável pelo perfil – sob o argumento do exercício legítimo do direito à liberdade de opinião ou expressão – divulga conteúdos manifestando suposto apoio político a Luiz Inácio Lula da Silva, o que acaba por associar indevidamente a imagem do candidato a ideologias e crenças satânicas. O resultado é que as publicações produzidas e divulgadas pelo perfil @vicky_vanilla_official estão sendo disseminadas nas redes sociais por diversos outros usuários, gerando desinformação com o nome e a imagem do candidato da coligação representante. É forçoso reconhecer que a propagação desses conteúdos, sem nenhum consentimento do candidato ofendido, tem o potencial de interferir negativamente na vontade do eleitor”, diz o texto da decisão, que tem caráter liminar.

Por que explicamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre a pandemia, eleições presidenciais e políticas públicas do governo federal que circulam nas redes sociais. A seção Comprova Explica é utilizada para a divulgação de informações a partir de conteúdos que viralizam e estão causando confusão, como o vídeo postado pelo mestre e líder da igreja de Lúcifer do Novo Aeon, Vicky Vanilla, em favor da vitória do candidato à presidência Lula da Silva no 1º turno, que acabou não se concretizando.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já fez diversas checagens envolvendo falsas associações entre o candidato à presidência Lula e a religião, como a de um vídeo que foi editado para sugerir falsamente que o petista defende o fechamento de igrejas. Antes do primeiro turno das eleições, a seção Comprova Explica também demonstrou quem era o Padre Kelmon, candidato à presidência pelo PTB que ganhou destaque, principalmente, a partir de sua participação em debates na televisão e seus ataques ao ex-presidente Lula e ao PT.

Eleições

Investigado por: 2022-10-07

Posts enganam ao associar Bolsonaro e a Maçonaria ao satanismo

  • Enganoso
Enganoso
Postagens no Twitter enganam ao associar o presidente e candidato à Presidência da República Jair Messias Bolsonaro (PL) ao satanismo. Uma foto de Bolsonaro em um evento da Maçonaria foi editada para inserir três quadros com símbolos supostamente demoníacos. Outras postagens utilizam vídeo do presidente discursando em loja maçônica para sugerir que ele teria prometido "entregar o Brasil a satanás", mas o candidato não faz tais afirmações em nenhum momento da gravação.

Conteúdo investigado: Publicações com imagens e vídeos do presidente Jair Bolsonaro (PL) em loja maçônica e legendas associando-o, assim como a maçonaria, ao satanismo.

Onde foi publicado: Twitter.

Conclusão do Comprova: São enganosas as postagens no Twitter que relacionam Bolsonaro ao satanismo e à maçonaria, e alegam que o presidente teria prometido “entregar o Brasil a satanás” caso seja reeleito.

Uma das imagens que está circulando no Twitter mostra Jair Bolsonaro em frente a três quadros com símbolos supostamente demoníacos. Na verdade, o conteúdo foi manipulado e as imagens inseridas digitalmente. A foto original foi feita em 31 de março de 2014, quando o presidente esteve em uma loja maçônica em Brasília. No site do empreendimento há outros registros do evento que mostram Bolsonaro usando as mesmas roupas da imagem verificada.

Outros tuítes, que alegam que o presidente teria prometido “entregar o Brasil a satanás”, tiveram origem em um vídeo de Bolsonaro discursando em um local com símbolos maçons. O conteúdo circula pelo menos desde 2017, um ano antes de Bolsonaro ser eleito presidente. Em outra versão de sete minutos do vídeo, ele menciona ter 63 anos, o que indica que a filmagem foi feita após o dia 21 de março de 2017, quando o político completou a idade declarada. Em nenhum momento, Bolsonaro promete entregar o Brasil a “satanás” ou a qualquer entidade associada ao satanismo.

No dia 5 de outubro, em uma transmissão ao vivo, Bolsonaro confirmou que esteve na loja maçônica.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova investiga conteúdos com maior alcance nas redes sociais. Até o dia 7 de outubro, as duas publicações no Twitter relacionando Bolsonaro com a maçonaria e o satanismo tiveram 23,4 mil curtidas e 4 mil compartilhamentos. O vídeo do presidente no templo alcançou 12,4 milhões de visualizações, 19,8 mil curtidas e quase 5 mil compartilhamentos.

O que diz o autor da publicação: Nenhum dos perfis que compartilharam as publicações no Twitter permite o envio de mensagens. Por isso, o Comprova buscou pelo nome dos usuários em outras redes sociais, mas não encontrou correspondência.

Como verificamos: Utilizamos mecanismo de busca reversa por imagens do Google, Google Lens, e a ferramenta RevEye Reverse Image Search para rastrear as versões originais da foto e do vídeo verificados, que retratam, respectivamente, Jair Bolsonaro e Augusto Heleno, que atualmente é ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, em uma loja maçônica e Bolsonaro discursando em evento maçônico.

Encontramos a publicação original da foto, datada de 31 de março de 2014, em site associado à loja maçônica em Brasília, de onde a imagem foi removida. Quanto ao vídeo, que mostra um outro episódio, descobrimos postagens datadas de, pelo menos, agosto de 2017 com uma versão de sete minutos do conteúdo investigado.

Também conversamos com o professor do curso de Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e PhD em História, Johnni Langer, para entender as origens e os símbolos da maçonaria.

Por fim, entramos em contato com as assessorias do governo federal e do Grande Oriente do Brasil (GOB), uma das principais representantes da maçonaria no país, assim como com os autores das publicações, mas não houve retorno de nenhuma parte.

Enquanto avançávamos na apuração, na quarta-feira (5), o próprio presidente Jair Bolsonaro comentou o episódio do discurso em evento maçônico, captado no vídeo investigado, e confirmou a veracidade, em transmissão ao vivo em suas redes sociais.

Foto de Bolsonaro na maçonaria foi manipulada para inserção de símbolos

Jair Bolsonaro (PL) não posou em frente a um quadro representando um demônio e outros símbolos supostamente satânicos quando esteve em uma loja maçônica acompanhado de Augusto Heleno e do hoje senador Izalci Lucas (PSDB-DF). A foto original foi cortada e teve a qualidade diminuída, possivelmente para dificultar o rastreamento de sua origem. Além disso, três símbolos, dentre eles a imagem de um bode, figura associada ao satanismo, foram inseridos digitalmente na parede ao fundo:

| Foto original

| Montagem que circula nas redes sociais

 

A foto original foi registrada quando Bolsonaro esteve na Loja Brasília N. 1882, em 31 de março de 2014, à época deputado federal pelo Rio de Janeiro. Ele estava em seu sexto mandato na Câmara e integrava o PP. Na ocasião, o então-general Augusto Heleno proferiu uma palestra sobre o golpe civil-militar de 1964, que instituiu uma ditadura de 21 anos no país. Na página da loja na internet, há outras fotos do evento nas quais Bolsonaro e o então-deputado Izalci Lucas aparecem, portando as mesmas roupas da imagem no conteúdo verificado:

 

| Fotos disponíveis neste link

No site da loja maçônica, não consta o arquivo original da foto viralizada, mas essa aparece em diversas postagens de sites e blogs desde 2016, a maioria relacionada às teorias da conspiração sobre a nova ordem mundial.

A palestra chegou a ser divulgada pelo jornal O Globo, na época, mas sem citar Bolsonaro nem Izalci.

Vídeo é verdadeiro, mas Bolsonaro não prometeu entregar o Brasil a satanás

Um dos conteúdos que circulam nas redes sociais afirma que Bolsonaro prometeu, em uma loja maçônica, “entregar o Brasil a satanás caso seja eleito”. A imagem traz, ainda, prints ou trechos de um vídeo do presidente discursando em uma loja maçônica, que tem circulado desde o início da semana.

A versão que viralizou nesta semana, aqui investigada, dura apenas cerca de um a dois minutos. Ela mostra Bolsonaro criticando a “questão ideológica”, possivelmente referindo-se à esquerda, afirmando tratar-se de um risco “tão ou mais grave que a corrupção”.

Ele ainda declara que “não [está] como candidato a nada”, mas que, dois anos e meio antes, decidiu andar pelo país para descobrir “como resolver [os problemas da nação] sem dinheiro”. Por fim, diz ter ouvido de pessoas do campo e empresários ser necessário “um presidente que não os atrapalhe”.

A gravação não é recente e circula em redes sociais pelo menos desde agosto de 2017 – antes das eleições que o levaram à Presidência da República. Encontramos uma versão de sete minutos do vídeo, que compreende até o final do discurso de Bolsonaro.

Durante o vídeo, Bolsonaro menciona que tem 63 anos. Portanto, isso indica que a filmagem foi feita após o dia 21 de março de 2017, quando o político completou a idade declarada. Cabe destacar que ele encerra a sua apresentação recitando o lema de sua campanha presidencial de 2018: “Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos”.

Em nenhum momento, ele promete entregar o Brasil ao “satanás” ou a qualquer entidade associada ao satanismo. Pelo contrário, em menos de 30 segundos de vídeo, ele faz referência ao Deus cristão.

Em uma transmissão ao vivo na noite de quarta-feira (5), Bolsonaro confirmou o episódio. “Está aí na mídia agora. Pessoal me criticando, porque fui em loja maçom em 2017. Fui sim, fui em loja maçom”, disse. “Eu era candidato a presidente, pouca gente sabia, e um colega falou: ‘Vamos lá’. E eu fui. Acho que foi aqui em Brasília. Fui muito bem recebido. Me trataram bem”, acrescentou. Não conseguimos confirmar, até a publicação desta checagem, se a loja maçônica no vídeo realmente fica em Brasília.

Uma das três principais entidades representantes da maçonaria no Brasil, como noticiou a Folha de S. Paulo, a Confederação Maçônica do Brasil (Comab) repudiou as publicações associando Bolsonaro e o movimento ao satanismo. Em nota datada de quarta-feira (5), a Comab descreveu a peça de desinformação como “produção covarde, imbecil e oportunista de informações falsas, inverídicas e revestidas de maldades para enganar nosso querido povo brasileiro”.

Maçonaria

Conforme o Grande Oriente do Brasil (GOB), outra das três mais influentes instituições maçônicas no país, a maçonaria é uma instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista. Apesar de não ser uma religião, a maçonaria “reconhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual se dá o nome de Grande Arquiteto do Universo”.

Ao Comprova, o professor do curso de Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Johnni Langer explicou que a maçonaria foi originada no final da Idade Média a partir de grupos de mestres pedreiros (“mason”, em inglês, significa pedreiro) que utilizavam símbolos em suas construções e eram influenciados pelo esoterismo (conjunto de tradições e interpretações ligado à filosofia e às religiões que busca o conhecimento do sobrenatural) e pela tradição judaica.

Segundo Langer, o bafomé (ou baphomet), figura semelhante a um bode, que aparece na imagem manipulada de Bolsonaro, é um símbolo demoníaco relacionado de forma pejorativa aos templários e aos maçons. “Ele é, na verdade, um símbolo criado durante o século XIX como uma forma de sintetizar conhecimentos secretos na forma de Lúcifer, o portador da luz. Entre os esoteristas da época, [o bafomé] não tem relação direta com o satã cristão, apesar de sua semelhança. Mas é comum as pessoas interpretarem o baphomet como sendo satã.”

De acordo com reportagem da Folha, entre maçons ilustres estão presidentes americanos (ao menos 15 deles, como George Washington), pensadores (Voltaire), músicos (Beethoven), imperadores (dom Pedro 1º) e militares (Duque de Caxias). O ex-presidente Michel Temer, o ex-governador paulista Márcio França e o ex-prefeito de São Paulo Bruno Covas, morto em 2021, também são. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, é maçom há mais de duas décadas.

Além deles, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta também faria parte da maçonaria, segundo o UOL. Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) apontado por Bolsonaro em 2020, declarou ser mestre da maçonaria em 2010, um grau considerado elevado na organização.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre a pandemia, políticas públicas do governo federal e as eleições presidenciais que viralizam nas redes sociais. Publicações falsas ou enganosas envolvendo candidatos à Presidência, como a peça aqui verificada, podem induzir a interpretações equivocadas da realidade e influenciar eleitores no momento da votação. Os cidadãos têm direito de basear suas escolhas em informações verdadeiras e confiáveis.

Outras checagens sobre o tema: Recentemente, as agências AFP, Aos Fatos e Reuters, e o site Boatos.org, mostraram que o quadro de Baphomet em foto do presidente é montagem. A Lupa também desmentiu suposto tuíte em que Bolsonaro teria dito que a maçonaria é “maior que cristianismo”.

Em verificações anteriores envolvendo candidatos à presidência e assuntos religiosos, o Comprova mostrou duas vezes, em setembro e outubro deste ano, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não disse que vai fechar igrejas caso seja eleito. 

Em outro conteúdo, foi esclarecido quem é Padre Kelmon, candidato à presidência pelo PTB que ganhou destaque, principalmente, a partir de sua participação em debates na televisão.

Eleições

Investigado por: 2022-10-07

Post inventa dados sobre cidades para insinuar fraude eleitoral a favor de Lula

  • Falso
Falso
Mensagem que circula no WhatsApp e no Twitter inventa dados sobre habitantes e votos registrados em cidades brasileiras para o ex-presidente e candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao apresentar quantidade de votos no petista superior ao número de habitantes de municípios, as postagens insinuam que houve fraude no primeiro turno da eleição de 2022. No entanto, os dados reais destas cidades apontam que a quantidade de votos registrados está dentro do número geral de eleitores aptos em cada localidade. Há também casos de nomes de cidades que não existem e de municípios localizados em estados diferentes dos apontados nas publicações.

Conteúdo investigado: Uma corrente no Whatsapp e um post no Twitter listam cidades do Nordeste afirmando que até pessoas mortas votaram em Lula. A publicação na rede social aponta que o número de votos para o presidenciável supera o número de habitantes de cidades de Sergipe, Pernambuco e Bahia.

Onde foi publicado: Whatsapp e Twitter.

Conclusão do Comprova: É falso conteúdo publicado no Twitter e no Whatsapp que traz uma lista de cidades localizadas supostamente nos estados de Pernambuco, Sergipe e Bahia, com o argumento de que a quantidade de votos em Lula nestes municípios é superior ao número de habitantes, situação que apontaria fraude eleitoral.

São apresentados dados falsos acerca da população e quantidade de votos registrados para Lula no primeiro turno da eleição, no dia 2 de outubro de 2022. Não houve mais votos registrados para o petista do que o número de eleitores nas cidades. Além disso, há casos de cidades com o nome escrito de forma errada, municípios que não existem e outros que existem, mas estão localizados em outras regiões do Brasil.

Para o Comprova, é falso todo conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: Pelo fato do tuíte ter sido considerado enganoso pela própria plataforma, o post não pode mais ser respondido, comentado nem compartilhado pelos usuários e também não é possível ver o engajamento e as métricas. Contudo, ao clicar em ver tuítes com comentário, é possível verificar que quatro pessoas retuitaram o post no dia de sua publicação, em 4 de outubro. Não é possível mensurar o alcance das mensagens enviadas pelo WhatsApp.

O que diz o autor da publicação: O autor da publicação no Twitter não permite envio de mensagem direta pela plataforma. A reportagem não encontrou usuários em outras redes sociais com as mesmas características. O responsável pela postagem no WhatsApp não foi identificado.

Como verificamos:

Primeiramente, pesquisamos a população estimada de cada município no site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e, ao fazer as pesquisas, foi constatado que algumas cidades indicadas no tuíte e na corrente do Whatsapp não existiam ou pertenciam a outros estados do Brasil.

Em seguida, apuramos o eleitorado dos municípios bem como o resultado das eleições nos portais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Na sequência, tentamos contato com o autor da postagem. Também foram realizadas buscas, sem sucesso, para tentar encontrar o dono do perfil em outras redes sociais.

Mensagem no WhatsApp usa dados errados sobre cidades

O Comprova listou todos os nomes de cidades citadas na publicação que circula no WhatsApp com as respectivas informações verdadeiras sobre quantidade de habitantes, eleitores aptos e votos em Lula.

Nossa Senhora da Glória (SE)

Conforme informações do IBGE, o município possui 37.715 habitantes, sendo 28.114 eleitores, de acordo com dados do TSE. A cidade teve 17.024 votos para Lula, o que representa 75,07% de todos os votos válidos. Os números reais são diferentes dos apresentados na publicação aqui verificada, que aponta a cidade com 3.053 habitantes e 4.615 votos em Lula.

Porto da Pedra (PE)

Não existe uma cidade chamada Porto da Pedra, mas sim uma escola de samba brasileira do município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Nas buscas feitas pelo Comprova, verificamos que existe a cidade de Pedra em Pernambuco e a de Porto de Pedras, em Alagoas. Entretanto, os dados trazidos no tweet, que indicam 6.122 habitantes e 8.090 votos em Lula, não são verdadeiros, já que não se confirmam em nenhuma das duas cidades.

Segundo o IBGE, Porto de Pedras (AL), possui 7.618 habitantes e 7.062 eleitores, os quais 2.832 votaram no ex-presidente Lula.

Em Pedra (PE), cujo município tem 22.716 habitantes, 19.556 são eleitores de acordo com o TSE e 11.230 votaram no candidato petista.

Poço das Antas (PE)

A cidade está localizada, na verdade, no Rio Grande do Sul e lá a vitória foi de Jair Bolsonaro (PL). Ao contrário do que o post indica, não existe um município de mesmo nome em nenhum estado do Nordeste.

A afirmação de que a população na cidade é de 4.342 habitantes e de que 5.873 eleitores teriam votado em Lula é falsa. Poço das Antas (RS) tem 2.105 habitantes e o eleitorado é composto por 2.001 pessoas. No município gaúcho, Bolsonaro recebeu 989 votos (60,38%) e Lula, 445 (27,17%).

Xique Xique (BA)

O município possui população estimada de 46.562 habitantes. A postagem apresenta o número incorreto de 43.548 pessoas. No primeiro turno, 19.828 eleitores votaram em Lula. O conteúdo aqui verificado mente ao dizer que 64.805 pessoas teriam votado no petista. O município tem 36.866 eleitores aptos.

Novaçores (BA)

A publicação apresenta uma cidade baiana chamada Novaçores, com supostos 9.622 habitantes e 12.351 votos em Lula. Não existe nenhuma cidade exatamente com este nome no Brasil. Na Bahia, existe o município de Nova Soure, que possui uma população estimada de 27.047 habitantes, 21.686 eleitores aptos e 12.760 votos em Lula no primeiro turno.

Guanambim (BA)

O nome correto da cidade localizada no estado da Bahia é Guanambi e tem 85.353 habitantes, de acordo com o IBGE, e não 19.674 como apontado na corrente divulgada no WhatsApp. No pleito do último domingo (2), Lula, teve 33.200 votos (o equivalente a 64,43% dos votos para a Presidência), número maior que o mencionado na mesma corrente, que dizia ser 22.538, enquanto Jair Bolsonaro foi a escolha de 15.837 eleitores, o que corresponde a 30,73%. O município tem 64.990 eleitores aptos.

Joaçaba (BA)

Na verdade, Joaçaba fica em Santa Catarina e não na Bahia. No município catarinense, que tem uma população estimada de 30.684 pessoas e 22.613 eleitores, Bolsonaro teve 11.593 votos (64,99%) e Lula obteve 4.691 (26,30%). O texto alega que a cidade possui 6.142 habitantes e 6.984 pessoas votaram em Lula.

Antas (BA)

De fato, Antas fica na Bahia, entretanto possui 19.659 habitantes e não 11.434 conforme mencionado na corrente do WhatsApp. Lula teve 70,14% dos votos (alcançando total de 5.699 votos e não 18.001) e Jair Bolsonaro pontuou 1.960 votos, representando a escolha de 24,12% dos eleitores. A cidade tem 11.018 eleitores.

A lista de cidades ainda contém os nomes Barragem e Nova Liberdade, que supostamente estariam localizadas na Bahia. No entanto, o Brasil não tem nenhum município com esses nomes, conforme mostra lista do IBGE.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre as eleições presidenciais, políticas públicas e a pandemia. Durante o período eleitoral, muitos conteúdos estão sendo divulgados com o objetivo de tumultuar o processo das eleições e influenciar a escolha do eleitor. O conteúdo aqui verificado apresenta uma falsa alegação envolvendo o presidenciável Lula. A população deve escolher seus candidatos com base em informações verídicas e confiáveis.

Outras checagens sobre o tema: O conteúdo aqui verificado foi analisado pelo UOL Confere, Estadão Verifica e Fato ou Fake, checagens que também mostraram que os dados foram inventados.

O Comprova mostrou nesta semana que o exército não interferiu na apuração dos votos para presidente no dia da eleição, ao contrário do que diz vídeo, que vídeo em que Bolsonaro oferece capim a eleitores de Lula é de 2018 e não há menção a nordestinos e que não há comprovação de que urna impediu voto em Bolsonaro no Pará.

 

Eleições

Investigado por: 2022-10-07

Lula não disse que vai fechar igrejas caso seja eleito, como sugere mensagem

  • Falso
Falso
É falsa a imagem que circula no WhatsApp sugerindo que o ex-presidente e candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez postagens no Twitter afirmando que vai fechar igrejas que não realizarem casamentos homoafetivos. Além de os tuítes não existirem, não há registros de Lula declarando que vai fechar igrejas, boato já desmentido anteriormente pelo Comprova.

Conteúdo investigado: Imagem com o seguinte texto em destaque: “Atenção! Lula acaba de declarar que irá fechar igrejas em 2023, isso é muito sério igreja.” O alerta é acompanhado de dois supostos tuítes do presidenciável sobre o tema. Em um deles, Lula estaria afirmando que “padres e pastores que se recusarem a casar casais LGBTs serão presos e terão suas igrejas fechadas por crime de homofobia”.

Onde foi publicado: WhatsApp

Conclusão do Comprova: É falso o conteúdo que circula pelo WhatsApp alegando que Lula vai prender padres e pastores e fechar igrejas. A imagem contém dois supostos “prints” de declarações sobre o tema que teriam sido feitas pelo candidato no Twitter no último dia 4 de outubro, o que não procede. Na verdade, trata-se de uma imagem falsa tentando reproduzir a conta oficial de Lula na rede social. O ex-presidente jamais afirmou isso em suas redes sociais ou em qualquer declaração pública.

O falso post busca criar uma relação entre os casamentos homoafetivos e o fechamento de igrejas, afirmando que as instituições religiosas que não aceitarem promover a união de pessoas do mesmo sexo estariam condenadas ao fechamento por crime de homofobia, o que também é mentira.

Os dispositivos legais que caracterizam o crime de discriminação de pessoas da comunidade LGBTQIA+ não estabelecem obrigatoriedade de casamento nas igrejas. A união civil homoafetiva também não trata de celebrações em ambientes religiosos.

Desde o início da campanha presidencial, vários conteúdos de desinformação foram criados para associar falsamente Lula ao fechamento de igrejas, como um vídeo editado mostrado em verificação do Comprova. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já determinou também que bolsonaristas apaguem posts sobre o tema.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: Mensagem marcada como “encaminhada com frequência” no WhatsApp, o que indica viralização.

O que diz o autor da publicação: O autor da publicação não foi identificado.

Como verificamos: Fizemos uma busca avançada no perfil oficial de Lula no Twitter pelas palavras-chave “evangélicas”, “igrejas” e “homofobia”. Usamos cada um dos termos associado ao @lulaoficial e, na consulta, foi possível localizar todas as postagens do ex-presidente em que essas palavras aparecem.

Depois, observamos todas as publicações feitas na página do ex-presidente no dia 4 de outubro – data na qual o presidenciável teria feito os supostos posts, conforme consta no conteúdo verificado. Também comparamos os supostos prints do Twitter do ex-presidente com tuítes da página oficial.

Na sequência, entramos em contato com a assessoria de imprensa do petista e consultamos o programa de governo do candidato, disponível no site do TSE.

Fizemos ainda buscas no Google pelos termos “Lula” + “fechar igrejas” e “Lula” + “prender padres e pastores”, que retornaram conteúdos de checagem (UOL Confere e Boatos.org) e do próprio partido, desmentindo a alegação. A pesquisa também nos levou a matérias jornalísticas sobre o tema.

Busca avançada no Twitter mostrou outras declarações

Usando o recurso de busca avançada no Twitter para localizar as postagens na página oficial de Lula, com termos como “evangélicas”, “evangélicos” e “igreja”, as declarações do ex-presidente são diferentes do que o conteúdo aqui investigado tenta insinuar.

Em janeiro de 2020, Lula falava sobre respeito e não fazer distinção de nenhuma crença. Mais recentemente, em agosto deste ano, o petista sinalizou que o presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputa a reeleição e cujo grupo faz ilações sobre a religiosidade do adversário, age para manipular a fé das pessoas.

A postagem mais recente de Lula com o termo “evangélicos” é do dia 9 de setembro, quando ele fala de um encontro com um grupo religioso em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Em 4 de outubro, data em que supostamente o presidenciável teria escrito o conteúdo falsamente atribuído a ele, o petista fez menção à palavra “igreja” num post sobre Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo que morreu neste ano, e em outro que reforçava seu interesse pelo segundo turno, comparando-o com a escolha de padrinhos na igreja católica.

Lula tuitou sobre temas diversos

No dia 4 de outubro, data em que supostamente Lula teria publicado as mensagens sobre prisão de padres e pastores e fechamento de igrejas, o presidenciável tuitou 20 vezes. Nenhuma das publicações menciona o conteúdo inventado. Os posts de Lula na data em questão referem-se ao Dia de São Francisco, a um encontro do petista com Frei Davi e frades franciscanos, ao combate à fome e ao endividamento, à importância do acesso à educação, a apoios conquistados para o segundo turno e a viagens do candidato pelo país.

Lula não disse que vai fechar igrejas

Esta não é a primeira publicação que alega que Lula pretende fechar igrejas, caso seja eleito. Antes do primeiro turno, conteúdos com esse enfoque já circulavam, como demonstrou o Comprova nesta verificação. Nesta semana, o TSE determinou que grupos bolsonaristas apaguem posts falsos alegando que o presidenciável persegue igrejas.

Procurada, a assessoria de imprensa de Lula informou que os tuítes não são reais e que o petista “nunca disse ou postou isso”. Acrescentou que a imagem se trata de “uma campanha baixa bolsonarista para enganar a população com fake news, como fizeram durante a pandemia”.

Em 18 de agosto, o site do presidenciável publicou um texto, no qual esclarece que Lula nunca fechou, nem pretende fechar igrejas. Na época, outras peças de desinformação envolvendo a mesma mentira já se espalhavam pelas redes sociais. “Lula é cristão, já foi presidente, não fechou e não vai fechar igrejas. Em 8 anos de governo ele não promoveu nenhuma ação que se aproximasse de tal absurdo”, diz a nota. A manifestação afirma ainda que Lula governou para todos e, inclusive, assinou a lei da Liberdade Religiosa.

Programa de governo se compromete com o combate à intolerância religiosa

Disponível no site de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE, o documento intitulado “Diretrizes para o Programa de Reconstrução e Transformação do Brasil” apresentado pelo candidato Lula e pelo candidato a vice na chapa, Geraldo Alckmin (PSB), sequer menciona o termo “igrejas”.

Sobre o tema religião, o plano afirma defender “os direitos civis, garantias e liberdades individuais, entre os quais o respeito à liberdade religiosa e de culto” e se compromete com o combate à intolerância religiosa.

Em relação à comunidade LGBTQIA+, o documento, atribuído à Coligação Brasil da Esperança, da qual fazem parte o PT e outros oito partidos, condena agressões morais e físicas a essa população e propõe “políticas que garantam os direitos, o combate à discriminação e o respeito à cidadania LGBTQIA+ em suas diferentes formas de manifestação e expressão”. O programa não trata especificamente sobre casamentos homoafetivos.

A comunidade LGBTQIA+ também é citada no trecho em que o documento trata de segurança pública: “As políticas de segurança pública contemplarão ações de atenção às vítimas e priorizarão a prevenção, a investigação e o processamento de crimes e violências contra mulheres, juventude negra e população LGBTQIA+. É fundamental uma política coordenada e integrada nacionalmente para a redução de homicídios envolvendo investimento, tecnologia, enfrentamento do crime organizado e das milícias, além de políticas públicas específicas para as populações vulnerabilizadas pela criminalidade.”

Igrejas x homofobia

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, em junho de 2019, a criminalização da homofobia e da transfobia, agressões que, a partir de então, foram tipificadas da mesma forma que o racismo — ou seja, um crime hediondo, inafiançável e com pena de dois a cinco anos de prisão para o agressor. O tema já estava há 18 anos no Congresso Nacional e os ministros tomaram a decisão por entenderem que os parlamentares estavam sendo omissos nesta pauta.

Tema sensível nas comunidades religiosas, a relação homoafetiva foi abordada também na decisão dos ministros do STF, que afirmaram que não seria criminalizado dizer em templos ser contra as relações homossexuais, mas, sim, seria criminalizado incitar ou induzir nesses espaços a discriminação ou o preconceito. Mas não se trata de obrigatoriedade do casamento homoafetivo dentro da igreja, nem que a sua restrição seria crime.

A união civil homoafetiva, isto é, nos cartórios, é outro direito do público LGBTQIA+, embora ainda não seja lei. Em 2011, o STF reconheceu por unanimidade a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Assim, foi dada a essa parcela da população os mesmos direitos previstos na Lei de União Estável, que julga como entidade familiar “a convivência duradoura, pública e contínua”.

Em 2013, uma resolução publicada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) garantiu o casamento homoafetivo no país, determinando que tabeliães e juízes são proibidos de se recusar a registrar o casamento civil e a conversão de união estável em civil entre homossexuais.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre as eleições presidenciais, políticas públicas e a pandemia. Durante o período eleitoral, muitos conteúdos estão sendo divulgados com o objetivo de tumultuar o processo e influenciar a escolha do eleitor. O conteúdo verificado desta vez apresenta uma alegação falsa envolvendo o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva. A população deve escolher seus candidatos com base em informações verdadeiras e confiáveis.

Outras checagens sobre o tema: A mesma imagem foi checada pelo UOL Confere e pelo Boatos.org, que também concluíram que o conteúdo é falso. Outra peça de desinformação que buscava espalhar a mesma mentira já foi alvo de verificação do Comprova.

Nesta semana, o Comprova também demonstrou que Exército não interferiu na apuração dos votos para presidente, que vídeo em que Bolsonaro oferece capim para eleitores de Lula é de 2018 e não se refere a nordestinos e que não há comprovação que urna impediu votos a Bolsonaro no Pará.

Eleições

Investigado por: 2022-10-07

É falso o áudio atribuído a Ciro Gomes sobre tomada de poder pelas Forças Armadas caso Lula seja eleito

  • Falso
Falso
É falso o áudio atribuído a Ciro Gomes (PDT) sobre um esquema armado para eleger Luiz Inácio Lula da Silva (PT) presidente da República e uma consequente tomada de poder pelas Forças Armadas caso isso aconteça. Peritos consultados pelo Comprova e a assessoria de imprensa do político negaram a veracidade do material. Segundo os técnicos, a gravação fraudulenta foi gerada a partir de técnicas de deepfake.

Conteúdo investigado: Suposto áudio com voz atribuída a Ciro Gomes afirma que existe um conluio para eleger Lula presidente da República, e que as Forças Armadas estão cientes e prontas para tomar o poder após a vitória do ex-presidente. Responsável pela postagem da gravação no Facebook diz na publicação: “Então é só esperar que está chegando a hora. Presidente Bolsonaro tá com a caneta na mão pra decretar a intervenção militar no Brasil”.

Onde foi publicado: WhatsApp e Facebook.

Conclusão do Comprova: É falso que seja Ciro Gomes falando em um áudio atribuído a ele com mensagem sobre a tomada de poder pelas Forças Armadas caso Lula seja eleito presidente da República. O áudio faz parte de um vídeo postado no Facebook, no último dia 3, que atingiu, até o dia 6, mais de um milhão de visualizações. Na gravação, é dito que as Forças Armadas estão cientes que existe um esquema armado para eleger Lula, e que, por isso, estão preparadas para tomar o poder caso o candidato do PT seja eleito.

Ao Comprova, os peritos Mario Gazziro, da Universidade Federal do ABC (UFABC), Paulo Matias, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Kalinka Castelo Branco, da Universidade de São Paulo (USP), analisaram o material e concluíram que o áudio é falso. Como base de comparação, os pesquisadores utilizaram áudio do discurso de Ciro Gomes na convenção nacional do PDT, que ocorreu no dia 20 de julho deste ano. A similaridade encontrada nos áudios foi de 47% – o que indica que é falso. Gravações do mesmo autor devem apresentar similaridade acima de 80%, de acordo com Gazziro.

Procurada pelo Comprova, a assessoria de imprensa de Ciro Gomes respondeu que os áudios não são do ex-governador do Ceará. “Infelizmente as eleições de 2022 foram e estão sendo violentadas com diversas mentiras distribuídas por gabinetes de ódio montados pelas principais candidaturas”, afirmou.

Outra evidência de manipulação, é o fato de o áudio não guardar relação com o posicionamento de Ciro Gomes, que divulgou, nesta terça-feira (4), vídeo em que afirma seguir a decisão do seu partido, o PDT, em apoio à candidatura de Lula no segundo turno.

“Frente às circunstâncias, é a última saída”, declara Ciro Gomes, que ainda afirma, no vídeo, não acreditar que a democracia esteja em risco nesta disputa eleitoral.

Falso, para o Comprova, é todo o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova verifica conteúdos com grande alcance nas redes sociais. Até o dia 7 de outubro, a publicação no Facebook que deu origem à verificação tinha 1,3 milhão de visualizações, 64 mil curtidas, 66 mil compartilhamentos e 14 mil comentários. A postagem foi sinalizada como falsa no Facebook. Em relação à circulação no WhatsApp, não é possível dimensionar o alcance de conteúdos que viralizam no aplicativo de mensagem.

O que diz o autor da publicação: A equipe do Comprova entrou em contato com o responsável pela postagem no Facebook. Questionado sobre como obteve o áudio e por qual motivo decidiu compartilhá-lo sem confirmação de veracidade, ele respondeu que a voz é idêntica a de Ciro Gomes. E questionou: “Aonde está a declaração do partido dizendo que o áudio não é do Ciro?”.

Como verificamos: Para descobrir a veracidade do áudio, o Comprova entrou em contato com profissionais de perícia para uma análise da gravação e buscou um posicionamento da assessoria de imprensa de Ciro Gomes. A equipe também pesquisou declarações recentes de Ciro sobre o atual cenário político nacional e sobre a legislação brasileira.

Laudo elaborado por peritos conclui que áudio é falso e configura deepfake

De acordo com o perito Mario Gazziro, quando a semelhança dos áudios é abaixo de 10%, é possível identificar que não se trata de um conteúdo verídico apenas pelo ouvido. Em casos de produção pela técnica deepfake, é necessário realizar uma análise cepstral – criada inicialmente para identificar problemas no aparelho do trato vocal humano.

O resultado da análise realizada pelos peritos apontou que a similaridade do áudio verificado é de 47%. Quando abaixo de 10%, é provável que a fraude tenha sido realizada por um imitador. Já entre 10% e 80%, o conteúdo é gerado por meio de deepfake – quando uma base grande de dados da voz é copiada e utilizada para gerar o text-to-speech (texto lido por uma voz aprendida artificialmente sintetizada via computador).

Ainda que a análise cepstral tenha sido criada para fins médicos, a combinação com técnicas modernas possibilita levantar a identidade vocal de um indivíduo analisado, conforme explicação do pesquisador da UFABC. “Do ponto de vista matemático, trata-se de uma análise em frequência que ‘desembaralha’ o espectro vocal e o atribui a uma escala de cores logarítmica, adequada à sensibilidade do ouvido humano para as frequências audíveis”.

No laudo elaborado, a análise cepstral foi realizada a partir do áudio do discurso de Ciro Gomes na convenção nacional do PDT, quando o partido confirmou sua candidatura no dia 20 de julho de 2022. Segundo Gazziro, é importante que, na análise cepstral, as vozes comparadas sejam da mesma época em que a amostra foi supostamente gerada. “Uma vez que a análise cepstral identifica componentes do trato vocal, isso pode sofrer mudanças com o avanço da idade”, explica.

Por fim, a análise gera um mapa relativo ao trato vocal. Gazziro explica que os mapas gerados se assemelham a impressões digitais dos dedos. Quando a gravação é feita pelo mesmo autor, a variação é baixa entre diferentes tipos de fala. Como exemplo, ele diz que se uma mesma pessoa cantar rápido em inglês e narrar calmamente em português em áudios diferentes, a similaridade ainda será acima de 80%, já que são gravações de mesma autoria.

| Mapa relativo ao trato vocal do áudio analisado

| Mapa relativo ao trato vocal da voz original de Ciro Gomes

Também procurado pelo Comprova, o perito forense computacional João Benedito dos Santos Junior, membro da Associação Nacional dos Peritos em Computação Forense (Apecof), fez uma análise preliminar, com base no critério de audibilidade, em que se utiliza apenas o ouvido treinado do perito como instrumento para a comparação de locutores. Ao analisar o áudio questionado em confronto com trechos de 10 áudios comprovadamente de Ciro Gomes, o perito concluiu que “há forte possibilidade de rejeitar a hipótese de que a voz (presente no áudio verificado) seja do senhor Ciro Gomes”.

Assessoria de Ciro Gomes nega veracidade do áudio

Ao Comprova, a assessoria de imprensa de Ciro Gomes negou que o áudio seja verdadeiro. E encaminhou nota à equipe, com o seguinte teor:

“Infelizmente as eleições de 2022 foram e estão sendo violentadas com diversas mentiras distribuídas por gabinetes de ódio montados pelas principais candidaturas. São estruturas especializadas em criar fakenews e espalhar pelas redes, chegando, inclusive, a encontrar eco em alguns setores da mídia. Estes áudios claramente não são de Ciro Gomes”, diz a nota, que também foi publicada nas checagens da Agência Lupa e do site Aos Fatos.

Artigo 142 não prevê intervenção militar no Poder Executivo federal

No áudio atribuído falsamente a Ciro, é dito que as Forças Armadas irão colocar em prática o Artigo 142 da Constituição Federal para restabelecer a ordem. No entanto, não há no artigo, nem no conjunto de normas da legislação brasileira, nenhum dispositivo legal que autorize a intervenção das Forças Armadas no governo.

Em 22 de abril de 2020, durante reunião ministerial cujo registro teve divulgação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro citou o Artigo 142 como um dispositivo a ser empregado em um contexto de intervenção militar no país. Desde então, apoiadores passaram a repetir o discurso.

Em junho daquele ano, ainda durante a repercussão do conteúdo da reunião, a Câmara dos Deputados emitiu um parecer esclarecendo que o Artigo 142 não autoriza a intervenção militar a pretexto de “restaurar a ordem”, como havia sugerido Bolsonaro.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam na internet relacionados às eleições presidenciais de 2022, à pandemia e a políticas públicas do governo federal. Áudios manipulados de uma personalidade política conhecida, como é o caso de Ciro Gomes, com falsa acusação de haver um esquema armado para eleger Lula, são prejudiciais às eleições, às instituições e ao Estado Democrático de Direito. E podem contribuir para contestações infundadas ao resultado das eleições presidenciais.

Outras checagens sobre o tema: O áudio atribuído a Ciro Gomes e verificado nesta checagem também foi apontado como falso pela Agência Lupa, Aos Fatos e Boatos.org. Também envolvendo as eleições presidenciais, o Comprova mostrou, recentemente, que Ciro Gomes não declarou apoio a Bolsonaro, ao contrário do que afirmava post; que não há comprovação de que urna tenha impedido voto em Bolsonaro no Pará; e que vídeo engana ao dizer que Lula pode ter candidatura anulada por conta da Lava Jato.

Eleições

Investigado por: 2022-10-06

Exército não interferiu na apuração dos votos para presidente no dia da eleição, ao contrário do que diz vídeo

  • Falso
Falso
É falso que integrantes do Exército, alertados por hackers russos, teriam entrado na sala de totalização dos votos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a apuração do resultado do primeiro turno das eleições, no domingo (2), e impedido uma suposta fraude para eleger o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O conteúdo foi fabricado sem nenhuma evidência comprovada e já desmentido pelo tribunal, pelo Ministério da Defesa e pela Embaixada da Rússia no Brasil.

Conteúdo investigado: Vídeo de três minutos alegando que integrantes do Exército brasileiro, alertados por hackers russos, teriam entrado na sala de totalização dos votos no TSE, durante a apuração do primeiro turno das eleições, no domingo (2), e impedido uma suposta fraude. O esquema envolveria descontar gradativamente um ponto percentual dos votos conferidos ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e acrescentar meio ponto para o ex-presidente Lula (PT), a partir do momento em que 12% das urnas já tivessem sido apuradas.

Onde foi publicado: TikTok e Instagram.

Conclusão do Comprova: É falso que integrantes do Exército, alertados por hackers russos, teriam entrado na sala de totalização dos votos no TSE, durante a apuração do primeiro turno das eleições e impedido uma suposta fraude. O conteúdo foi fabricado, ou seja, não se baseia em nenhuma evidência.

A assessoria de imprensa do tribunal desmentiu a peça de desinformação ao garantir que o Exército não esteve na sede do tribunal no dia do primeiro turno. O Ministério da Defesa, órgão ao qual estão vinculadas as Forças Armadas, e a Embaixada da Rússia no Brasil também negaram a história aqui verificada. A plataforma TikTok retirou o vídeo do ar por conter “desinformação danosa”.

A chamada “sala secreta”, onde ocorre a totalização dos votos, na verdade, não é a mesma onde servidores do TSE monitoram a contagem, tendo, inclusive, a participação de entidades fiscalizadoras. O processo de totalização ocorre automaticamente, sem interferência de nenhum dos presentes, por um supercomputador.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: Até o final desta terça-feira (4), a publicação no TikTok contava com 227,1 mil curtidas, 10,3 mil comentários e 144 mil compartilhamentos. O vídeo passou a ficar indisponível entre a noite de terça e o início da tarde desta quarta-feira (5).

O que diz o autor da publicação: Conseguimos contactar o autor da publicação, Sérgio Tavares, pelo Whatsapp. Ele confirmou a autoria da publicação e disse que sua fonte é “fidedigna”, e nos informou que lhe pediria permissão para revelá-la; depois, optou por “não prestar mais detalhes”.

Como verificamos: Buscamos no Google por artigos que contivessem, ao mesmo tempo, as expressões-chave “fraude”, “primeiro turno”, “hackers russos” e “forças armadas”, ou “exército” ou “militares”. Também fizemos uma pesquisa à parte por “sala secreta” e “TSE” para apurar especificamente sobre o local onde os votos são totalizados, na sede do tribunal. Obtivemos, como resposta, um artigo da agência de checagem de fatos Boatos.org desmentindo a peça de desinformação, assim como matérias de veículos de imprensa, como CNN Brasil e UOL, usados nesta verificação.

Ainda consultamos, na internet, sobre a apuração realizada no dia da eleição para averiguar a dinâmica da contagem de votos. A pesquisa retornou reportagens do G1 e do Valor que, entre outras informações, indicavam o motivo para a mudança de posição dos candidatos durante a apuração, conforme o avanço da contagem em diferentes regiões do país.

Entramos em contato com o TSE, o Ministério da Defesa, o Exército e a Embaixada da Rússia no Brasil, as partes citadas pelo conteúdo, e com o TikTok, rede social onde o conteúdo verificado foi publicado.

TSE, Ministério da Defesa e Embaixada da Rússia no Brasil desmentem história

Os órgãos citados no vídeo negam a história alegada. Em nota enviada ao Comprova, a assessoria de imprensa do TSE desmentiu a peça de desinformação e assegurou que o Exército não esteve na sede do tribunal em 2 de outubro, dia do primeiro turno.

O Exército informou que o pedido deveria ser direcionado ao Ministério da Defesa. Em contato com o Comprova, por telefone, a assessoria do Ministério da Defesa afirmou que o conteúdo é falso. A Embaixada da Rússia no Brasil disse, apenas, que “não comenta informações fictícias e falsificações (fakes)”.

Apuração dos votos

A apuração dos votos no domingo, 2 de outubro, foi transmitida em tempo real por diversos veículos, na televisão e internet, e os primeiros dados divulgados apontavam para uma vantagem de Lula, logo superada por Bolsonaro. O presidente ficou à frente da apuração por mais de duas horas, enquanto a contagem dos votos avançava nas regiões Sul e Centro-Oeste, onde Bolsonaro tem a preferência do eleitorado.

À medida que a contagem avançava em outros pontos do país, a diferença de Lula para Bolsonaro foi diminuindo até que, por volta de 20 horas, com 70% das urnas apuradas, o ex-presidente virou e não deixou mais a liderança até a conclusão da apuração. O mapa de votação demonstra, portanto, que as variações nos índices dos candidatos têm relação com as regiões em que se concentraram a apuração dos votos, e não com a suposta fraude falsamente alegada no vídeo aqui investigado.

Sala secreta é conhecida e não é o mesmo local onde fica a equipe de totalização

O conteúdo também alega que existe uma “sala secreta”, onde ocorreria a totalização dos votos, dentro da sede do TSE, em Brasília. A expressão, que sugere falta de transparência no processo eleitoral, é comumente usada entre aqueles que atacam a credibilidade da Justiça Eleitoral, dentre eles o próprio presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). Entretanto, é incorreto afirmar que a existência ou a localidade dessa sala não seja oficialmente revelada.

O que existe são duas “salas-cofres” no TSE. Em uma, há um supercomputador que totaliza os votos das eleições automaticamente – ou seja, sem interferência de nenhuma pessoa presente – e a partir dos dados coletados nas próprias urnas eletrônicas e impressos nos boletins de urna. Na outra, fica o código-fonte das urnas, que é a linguagem de programação do software delas, após ser lacrado.

Ambas as salas têm acesso restrito, sendo monitoradas 24 horas e protegidas por cinco portas codificadas, como reportou a CNN Brasil. A existência e a localidade delas são de conhecimento público: elas ficam nas dependências da Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE, na sede do tribunal, em Brasília.

A equipe de servidores do TSE que acompanha a totalização dos votos, composta por técnicos da própria Justiça Eleitoral, não fica em nenhuma dessas salas. Eles trabalham em um espaço que é aberto, até mesmo no dia da eleição, a agentes fiscalizadores, como o Ministério Público e representantes dos partidos políticos.

Em visita no dia 28 de setembro guiada pelo presidente do tribunal, ministro Alexandre de Moraes, e acompanhada pela imprensa, o próprio Valdemar Costa Neto, que preside o PL, sigla de Bolsonaro, disse que a sala “é aberta”.

Vídeo ficou indisponível no TikTok

O TikTok tornou o vídeo indisponível entre terça e quarta-feira (5). O Comprova não conseguiu determinar o momento exato da suspensão. Procurada, a assessoria de imprensa do TikTok no Brasil informou que a plataforma de vídeos “trabalha com uma combinação de tecnologia e de pessoas para identificar e remover conteúdos que violam nossas Diretrizes da Comunidade”. Sobre o conteúdo verificado, o TikTok disse que o vídeo “foi removido por desinformação danosa”.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizaram nas redes sociais sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais. O vídeo aqui investigado cita os dois presidenciáveis que estão na disputa do segundo turno, tentando induzir as pessoas a acreditar em uma suposta fraude para favorecer um candidato em detrimento de outro. A desinformação, como a deste vídeo, tenta tirar a credibilidade do processo eleitoral, o que é uma afronta à democracia porque retira o direito das pessoas de fazerem as suas escolhas baseadas em conteúdos verdadeiros.

Outras checagens sobre o tema: O Fato ou Fake, do G1, e a agência de checagem Boatos.org também desmentiram o conteúdo aqui verificado. O período de campanha para o segundo turno das eleições já começou com desinformação. O Comprova mostrou, por exemplo, que é mentira que Barreiras, na Bahia, registrou número de votos em Lula superior à população da cidade e que é falso que boletim de urna encontrado em Curitiba não tenha sido computado no resultado da eleição.

No fim de semana da votação, também circularam muitas peças de desinformação. O Comprova revelou ser falso que Ciro Gomes declarou apoio a Bolsonaro, que site noticiou aumento do patrocínio de Neymar após o jogador manifestar apoio ao presidente e, ainda, que eleitores de Lula teriam dia diferente para votação.