O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação brasileiros para descobrir, investigar e desmascarar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas, eleições, saúde e mudanças climáticas que foram compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens.
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Eleições

Investigado por: 2022-10-06

G1 não publicou matéria na qual Lula afirma que “nem Deus tira essa eleição da gente”

  • Falso
Falso
São falsas as postagens no Twitter e Instagram que mostram capturas de tela de uma suposta notícia do portal G1, da Globo, sobre o ex-presidente e candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter declarado que "nem Deus tira essa eleição da gente". A frase atribuída ao presidenciável teria sido proferida durante um jantar com aliados, no qual religiosos teriam se sentido constrangidos com a afirmação, passando a cogitar não apoiá-lo. O portal de notícias informou, porém, que não publicou nenhum conteúdo com esse teor. Já a assessoria do PT afirmou que a frase não foi dita por Lula e que suposto o jantar não aconteceu. Além disso, nenhuma reportagem foi encontrada na internet com o título em questão.

Conteúdo investigado: Captura de tela com suposta notícia veiculada no portal de notícias G1, na qual título afirma que Lula disse em jantar com aliados que “nem Deus tira essa eleição dele”. Já o subtítulo da matéria diz que “religiosos presentes no local se sentiram constrangidos e cogitam não apoiá-lo após o deslize na fala do ex presidente”.

Onde foi publicado: Twitter e Instagram.

Conclusão do Comprova: É falso que o site G1 tenha publicado notícia afirmando que o ex-presidente Lula (PT) teria dito que “nem Deus tira essa eleição da gente” durante um jantar em que religiosos teriam se sentido constrangidos e cogitado não apoiá-lo no segundo turno das eleições. Ao procurar pelo título da suposta reportagem no site do portal G1, não foi possível encontrar o conteúdo supostamente noticiado.

Ao Comprova, a assessoria do veículo disse que a imagem é falsa e que o conteúdo “nunca foi publicado pelo G1”. Além disso, a postagem aqui checada mostra a assinatura de um suposto repórter chamado “José Mota”. O nome não consta na relação dos que fazem parte da equipe do G1.

Em 6 de outubro, o Instagram colocou a etiqueta “informação falsa” avisando o internauta que acessa o conteúdo.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: Até 5 de outubro, a postagem no Instagram que deu origem à verificação teve 1,7 mil curtidas. Já no Twitter, foram 173 compartilhamentos e 218 curtidas.

O que diz o autor da publicação: O perfil autor da publicação no Twitter não permite o envio de mensagem. Na foto de perfil da conta, a autora se identifica como “anti-Lula”. O Comprova enviou mensagem ao autor do post no Instagram, mas não obteve resposta até a publicação desta checagem .

Como verificamos: Primeiramente, pesquisamos no site do portal de notícias G1 pelo título da suposta matéria. Em seguida, foram utilizadas as ferramentas Wolframalpha, Bing images, Tineye, Verexif, Google Lens para verificar se a imagem ou a suposta matéria estava presente em algum outro portal ou rede social.

Por fim, a equipe do Comprova entrou em contato com a assessoria do G1 e do PT para saber sobre a veracidade do conteúdo.

Também contatou o autor do post, mas não houve resposta até o fim dessa verificação.

Portal informa que nunca publicou tal notícia

Procurada pelo Comprova, a assessoria do G1 afirmou que o conteúdo com título “Lula diz em jantar com aliados que nem Deus tira essa eleição dele” nunca foi publicado pelo portal. A assessoria do PT, por sua vez, disse que “não houve nem esse jantar, nem essa declaração”. O partido considerou o conteúdo como “fake news” produzida por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) para “tumultuar a eleição”. Por meio da busca pelo título da suposta reportagem no Google, usando o filtro da data da publicação (3 de outubro), não foi encontrado nenhum resultado. A procura pela frase que consta na legenda da foto do ex-presidente Lula – “Lula discursa no seu comitê de campanha em MG onde funcionava templo religioso de João de Deus” – também não encontra resultados correspondentes.

Outra forma de verificar a existência da publicação, inclusive para checar a repercussão da imagem, foi o uso do aplicativo Google Lens. Por meio dessa plataforma, é possível fazer a busca de fotos ou vídeos na internet. A procura pela suposta captura de tela por meio dessa ferramenta não indicou nenhuma publicação. O mesmo ocorreu ao utilizar o Bing Images.

A informação da legenda da suposta reportagem sobre o local do comitê de campanha também é falsa. Diz ser em Minas Gerais, “onde funcionava um templo religioso de João de Deus”. As atividades de João Teixeira de Faria, conhecido como “João de Deus” e condenado a mais de 40 anos de prisão por estupro e estupro de vulnerável, concentravam-se em Abadiânia (GO). A foto do ex-presidente Lula associada à publicação tem origem em um vídeo de transmissão de uma entrevista coletiva à imprensa em São Paulo (SP), publicado no perfil do PT no YouTube. Além disso, observa-se na imagem um indicativo de que o conteúdo não corresponde a uma reportagem jornalística: erros de ortografia no subtítulo. Em “religiosos presentes no local se sentiram constrangidos e cogitam não apoiá-lo após o deslize na fala do ex-presidente”, uma das palavras aparece sem acento agudo, erroneamente, e outra, sem hífen.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre a pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais. A poucas semanas do segundo turno das eleições de 2022, conteúdos falsos que envolvem candidatos à Presidência da República, como a postagem checada, podem influenciar a decisão do eleitor brasileiro, que deve se basear em informações verdadeiras e confiáveis para definir seu voto.

Outras checagens sobre o tema: Recentemente, o Comprova verificou outros conteúdos que simulavam páginas de veículos jornalísticos. Em setembro, o Comprova mostrou ser falsa uma montagem de suposta publicação do G1 na qual Lula teria dito, durante um ato de campanha em Santo André (SP), que a Venezuela “não precisa de críticas”, mas de “financiamento e empréstimos”. Já no início deste mês, o Comprova checou uma suposta postagem do portal GE (Globo Esporte), também vinculado a Globo. Afirmava que a marca Puma teria aumentado o patrocínio do jogador de futebol Neymar Jr. após ele postar vídeo apoiando a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). A postagem era falsa, e o GE negou ter publicado tal reportagem.

Eleições

Investigado por: 2022-10-05

É falso que boletim de urna encontrado em Curitiba não foi computado no resultado da eleição

  • Falso
Falso
Vídeo publicado no Kwai e republicado no Facebook mostra uma mulher com boletins de urna (BU) impressos que foram encontrados ao lado de um terminal de ônibus em Curitiba (PR). A autora do vídeo propaga a informação falsa de que o fato de ter encontrado os boletins na rua significa que os votos registrados nos BUs não foram contabilizados. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforça que os votos são contados eletronicamente a partir da leitura das mídias de resultado (uma espécie de pendrive inserido na urna) e não pelos boletins impressos, que podem ser utilizados para conferência e checagem dos resultados eletrônicos.

Conteúdo investigado: Em vídeo publicado no Kwai, uma mulher de Curitiba afirma ter encontrado boletins de urna jogados no chão, quando a contagem de votos no país ainda não havia sido finalizada, no domingo, 2 de outubro. Na publicação, a mulher questiona o sistema eleitoral e diz que vai encaminhar o conteúdo para a polícia, para a justiça eleitoral e para alguns candidatos.

Onde foi publicado: Kwai e Facebook.

Conclusão do Comprova: É falsa a informação de que boletins de urna encontrados na rua na capital do Paraná comprovam que a contagem de votos no primeiro turno das eleições de 2022 não foi feita de forma honesta. Diferentemente do que afirma uma mulher em vídeo publicado nas redes sociais, o boletim de urna não conta com impressão única e, além das cópias impressas, os resultados da votação também são disponibilizados de forma online para atestar a quantidade de votos registrados.

O Comprova classifica como falso todo conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova verifica conteúdos com grande alcance nas redes sociais. A publicação verificada tinha 4,4 mil visualizações, 167 curtidas, 79 comentários e 588 compartilhamentos no Kwai até o início da tarde desta quarta-feira (5). No Facebook, o conteúdo teve 559 visualizações, 10 curtidas e 28 comentários até a mesma data.

O que diz o autor da publicação: Procurada por e-mail, a autora do vídeo respondeu que, no domingo (2), ela e o marido encontraram dois Boletins de Urna no chão, os quais foram levados à Justiça Eleitoral no dia seguinte, às 14h.

Ela afirmou que tratavam-se da 6ª e 8ª vias de cada boletim e que, após conversar com o gabinete de um candidato (a autora não revelou o nome), foi informada que os dados da votação são transportados em uma espécie de pendrive até a justiça eleitoral, e não em boletins de urna. “Porém, trata-se de um documento eleitoral que jamais poderia ter sido abandonado ou jogado em via pública”, disse.

Segundo a autora, o vídeo original foi excluído da plataforma pela repercussão que tomou. “Perdi minha liberdade de ir e vir e de possuir contas em redes sociais”. Outro conteúdo foi publicado posteriormente, no dia 3 de outubro, em que a mulher diz que os boletins foram entregues ao órgão competente.

Como verificamos: Primeiramente, foi feita uma busca no Google pelos termos “Paraná”, “Boletins de Urna” e “eleição”. Como retorno, foram apresentadas checagens feitas pelo Estadão Verifica e pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) sobre o tema. O Comprova também entrou em contato por e-mail com o TRE daquele estado e com o TSE, bem como com a autora da publicação.

Votos dos boletins foram contabilizados

Conforme mostrou a checagem do Estadão Verifica, em determinado momento do vídeo, a autora mostra de perto um dos boletins de urna encontrados. No documento é possível ler: “Zona Eleitoral 0175”, “Seção Eleitoral 0164”, “Eleitores Aptos 0380”, “Comparecimento 307”, “Eleitores faltosos 0073”.

Essas informações correspondem ao que está registrado no portal de resultados do TSE. Na Seção Eleitoral 0164, Jair Bolsonaro (PL) teve 152 votos enquanto Lula (PT) teve 115. São os mesmos dados ditos pelo casal no vídeo, o que prova que os votos nos boletins encontrados por eles foram contabilizados.

Boletins de Urna

Procurado pelo Comprova, o TRE-PR ressaltou que após o encerramento da votação, as urnas que foram distribuídas em seções por todo o país emitem cinco Boletins de Urna oficiais, sendo que dois são enviados à Justiça Eleitoral, um é afixado na sala da seção eleitoral onde ocorreu a votação e as outras cópias são entregues aos fiscais dos partidos, à imprensa e ao Ministério Público. Com o fim do primeiro turno das eleições deste ano, foram emitidos mais de 472 mil Boletins de Urna, que podem ser consultados por qualquer pessoa.

Nas eleições deste ano, a diferença é que os Boletins de Urna foram impressos em tempo real, na medida em que os dados chegavam para a totalização na Corte Eleitoral. O TSE sempre disponibilizou para a consulta pública os boletins de urna alguns dias após a votação.

Além das cinco versões mínimas emitidas, os fiscais, caso acreditem ser necessário, podem emitir outros cinco BUs para levar à conferência do TSE. Após isso, os boletins são descartados.

Consulta ao resultado

Todo boletim de urna conta com um QR code que possibilita que cada eleitor fiscalize o processo de apuração das urnas eletrônicas nas seções eleitorais e acompanhe a totalização feita pelo TSE. Para isso, basta baixar no celular o aplicativo Boletim na Mão, que está disponível nas lojas virtuais Google Play e App Store.

Pelo aplicativo, qualquer pessoa pode obter cópia de quantos boletins quiser, bastando que realize a captura do código impresso nos BUs das seções eleitorais. As informações podem ser comparadas com os dados disponibilizados na internet no mesmo dia da votação, por meio do aplicativo Resultados, também da Justiça Eleitoral, ou na página Resultados, do TSE.

Contagem de votos

A contagem dos votos não se dá a partir das vias impressas dos boletins de urna, mas sim a partir da leitura das mídias de resultado. A checagem dos votos constantes do boletim de urna e dos votos contabilizados pode ser feita a partir do QR code, o que garante a inviolabilidade do número total de votos, de acordo com o TSE.

A mídia de resultado é um pendrive que toda urna tem. A diferença é que os arquivos que a mídia traz possuem uma série de travas eletrônicas de segurança que fazem com que eles só “conversem” com os programas que foram desenvolvidos e lacrados exclusivamente para aquela eleição. Se alguém tentar colocar a mídia de resultado em um computador comum para acessar os dados, eles não poderão ser alterados.

Depois de imprimir os boletins de urna, o presidente da seção eleitoral rompe o lacre da urna eletrônica e retira a mídia de resultado, para enviá-la ao cartório eleitoral da localidade junto a uma via do boletim de urna impresso. A partir do cartório é que a totalização dos votos contabilizados é enviada para o TSE.

Caso não foi levado à Justiça Eleitoral

Em seu perfil na rede social Kwai, a autora afirma em sua descrição que: “a todos que estão aqui por causa do vídeo. cumpri meu DEVER como cidadã e entreguei à justiça eleitoral, que é o órgão competente para averiguar a questão”.

O vídeo original em que ela mostra os boletins de urna não está disponível no perfil. Há apenas outro conteúdo publicado no dia 3 de outubro em que ela afirma que encaminhou os BUs à Justiça Eleitoral. No vídeo, ela mostra que está na frente do Fórum Eleitoral de Curitiba e que entregou os boletins a um rapaz na recepção do local, às 14h.

Ao Comprova, o TRE-PR informou que o caso não foi denunciado ao tribunal e nem à Procuradoria Regional Eleitoral.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre a pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais que viralizam nas redes sociais. Conteúdos falsos, enganosos ou fora de contexto sobre as urnas eletrônicas e a contagem de votos podem criar suspeitas infundadas sobre o sistema eleitoral, prejudicando as eleições, as instituições e a democracia brasileira.

Outras checagens sobre o tema: O vídeo já foi desmentido por outras agências de checagem como Estadão Verifica, Aos Fatos e pelo site Boatos.org. O Gralha Confere, do TRE-PR, e o Fato ou Boato, da Justiça Eleitoral, também classificaram o conteúdo como falso.

Em verificações recentes envolvendo as eleições e as urnas eletrônicas, o Comprova mostrou que Moraes não disse que vai mandar prender eleitor que reclamar das urnas; que não há evidências de que urnas tenham chegado a Cordeiro (RJ) com votos já registrados; que Em Londres, mesária foi afastada após responder pergunta de eleitor sobre número de candidato; não houve confusão; e que queixas sobre urnas devem ser registradas com o presidente da mesa, não em aplicativo do TSE.

Eleições

Investigado por: 2022-10-05

Em Londres, mesária foi afastada após responder pergunta de eleitor sobre número de candidato; não houve confusão

  • Enganoso
Enganoso
É enganoso post segundo o qual houve quebra de urna após uma mesária que trabalhou na eleição brasileira em Londres, na Inglaterra, ter tentado “incitar fraude falando que as pessoas eram obrigadas a votar no Bolsonaro”. De acordo com o Itamaraty, a mesária foi desligada por ter respondido a um eleitor o número de urna de um dos candidatos – e não obrigado as pessoas a votar em Jair Bolsonaro (PL), como afirma a publicação. Além disso, ainda segundo o Itamaraty, a eleição ocorreu dentro de "absoluta normalidade". Uma delegada fiscal do PT também confirmou ao Comprova que não houve nenhum episódio de violência.

Conteúdo investigado: Tuíte diz que mesária bolsonarista tentou fraudar a eleição presidencial durante votação em Londres ao informar que os eleitores eram obrigados a votar no presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). A postagem também alega que uma urna foi quebrada durante a confusão.

Onde foi publicado: Twitter.

Conclusão do Comprova: É enganoso tuíte que afirma que mesária, “desesperada com alta adesão a Lula em Londres”, teria dito para eleitores que eles eram obrigados a votar em Jair Bolsonaro (PL) e que o tumulto teria resultado em uma urna quebrada.

Consultado pelo Comprova, o Itamaraty afirmou que “a mesária brasileira que trabalhava no West London College respondeu pergunta de eleitor sobre número de candidato, quando deveria tê-lo conduzido à lista afixada na entrada das seções” e, “como tal conduta pode ser interpretada por outros eleitores e fiscais como tentativa de induzir voto, ela foi desligada dos trabalhos”.

Segundo Elda Cardoso, que atuava como delegada fiscal do PT na zona eleitoral, a mesária teria respondido “22” a uma pergunta feita por um eleitor, referindo-se ao número do candidato Bolsonaro. Então, uma eleitora petista que estava na fila da seção naquele momento fez a denúncia aos fiscais.

Diferentemente do que afirma o tuíte, não houve quebra de urna. “De modo geral, a votação em Londres transcorreu bem, com absoluta normalidade, não tendo sido relatados grandes contratempos”, afirmou o Itamaraty.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: A informação foi postada às 11h01, horário de Brasília, de 2 de outubro, dia da eleição. Até 5 de outubro, a publicação obteve 53 mil curtidas, 326 comentários e 4,8 mil retuítes.

O que diz o autor da publicação: O tuíte foi postado por @ThiagoResiste, apoiador de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reportagem tentou contato com ele por mensagem direta no Instagram, mas não houve retorno até a publicação desta verificação.

Como verificamos: Para verificar se a declaração do autor da postagem era verdadeira, o Comprova entrou em contato com o Itamaraty, a delegada do Partido dos Trabalhadores nas eleições em Londres, Elda Cardoso, e a assessoria de imprensa do PT.

Também pesquisamos na imprensa profissional reportagens sobre a votação em Londres e verificamos no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dados sobre o eleitorado na cidade.

Votação em Londres

Os eleitores brasileiros que votam em Londres tiveram de comparecer ao West London College, edifício de uma faculdade britânica, para registrar o voto no primeiro turno da eleição deste ano. A votação ocorreu entre 8h e 17h, no horário local. Dados do TSE mostram que a cidade tem 34 mil eleitores brasileiros aptos a votar.

O tuíte enganoso aqui verificado relata uma grande confusão envolvendo uma mesária bolsonarista que estaria revoltada com a alta adesão de apoiadores de Lula na cidade e teria incitado fraude ao dizer a eleitores que eles eram obrigados a votar em Bolsonaro.

No entanto, em nota enviada ao Comprova, o Itamaraty disse que uma mesária respondeu a uma pergunta de eleitor sobre número de um candidato (o órgão não citou qual), quando deveria tê-lo conduzido à lista afixada na entrada das seções. Ainda segundo o Itamaraty, como a conduta pode ser interpretada por outros eleitores e fiscais como tentativa de induzir voto, ela foi desligada dos trabalhos.

O texto também informa que todos os agentes eleitorais convocados no exterior realizam treinamento on-line disponibilizado pela Justiça Eleitoral, conforme as funções designadas no dia do pleito. De acordo com a pasta, o Consulado-Geral em Londres realizou, no dia 27 de setembro, reunião de coordenação com a presença dos presidentes e mesários das 44 seções eleitorais na jurisdição daquele posto. “De modo geral, a votação em Londres transcorreu bem, com absoluta normalidade, não tendo sido relatados grandes contratempos”, informou.

Em entrevista ao Comprova, a delegada representante do PT na eleição em Londres, Elda Cardoso, informou que uma eleitora petista da seção ouviu a mesária dizendo o número 22 para o eleitor. Essa eleitora, que tinha o telefone de Elda, denunciou o caso para ela, que decidiu acompanhar o ocorrido. Elda explicou que o juiz eleitoral afastou a mesária dos trabalhos e que não houve quebra de urna ou violência.

O Partido dos Trabalhadores afirmou que houve um incidente por volta das 8h da manhã nas eleições em Londres, em que a mesária teria orientado o voto ao candidato Bolsonaro. Entretanto, a situação foi resolvida e a mesária foi retirada antes das 9h, sem confusão. O partido informou que acompanhou a votação com 15 fiscais.

Reportagens publicadas pela Folha de S.Paulo e pela BBC Brasil relataram que os brasileiros que votam em Londres enfrentaram longas filas, mas não citam confusões. Na cidade, Lula recebeu 55,18% dos votos válidos. Bolsonaro teve 34,94%. No resultado geral, Lula teve 48,43% e Bolsonaro, 43,2%, o que levou os dois candidatos para o segundo turno.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre as eleições presidenciais, políticas públicas e a pandemia. O tuíte publicado pelo influenciador digital denunciava uma tentativa de fraude eleitoral, mas não apresentava testemunhas nem informações oficiais sobre o suposto fato ocorrido. Essa omissão trazia dúvidas sobre a veracidade e/ou acuracidade da denúncia, o que poderia causar suspeitas sobre o processo eleitoral em Londres e seu resultado.

Outras checagens sobre o tema: Dentro do tema eleição, o Projeto Comprova também já mostrou que Alexandre de Moraes não disse que vai mandar prender eleitor que reclamar das urnas e que uma montagem foi feita e publicada no Instagram para espalhar a mentira de que Ciro Gomes havia declarado apoio a Bolsonaro. Também publicamos texto explicativo sobre Padre Kelmon, candidato à Presidência da República pelo PTB.

Eleições

Investigado por: 2022-10-04

É falso que cidade de Barreiras, na Bahia, registrou número de votos em Lula superior à população do município

  • Falso
Falso
É falso que na cidade de Barreiras, na Bahia, o número de votos para Lula na eleição presidencial do último domingo, 2, tenha sido maior do que o total de habitantes do município. A informação falsa circula em um vídeo do Kwai. Segundo estimativas do IBGE, Barreiras tem 158.432 habitantes. No primeiro turno da eleição presidencial, Lula, o mais votado no município, recebeu 47.952 votos, de acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Conteúdo investigado: Vídeo no Kwai em que um homem afirma que em Barreiras, na Bahia, Lula teve 213 mil votos no primeiro turno, o que seria incompatível com a população da cidade, que tem 156.532 habitantes.

Onde foi publicado: Kwai e Instagram.

Conclusão do Comprova: Não é verdade que no município de Barreiras, no interior da Bahia, o número de votos recebidos por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição do último domingo, 2, tenha sido maior do que o número de habitantes do município, como afirma um vídeo publicado no Kwai. De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2021, Barreiras tem uma população de 158.432 habitantes, número ligeiramente superior ao que é mencionado no vídeo (156.532).

Segundo o TSE, Barreiras apresentava, em setembro de 2022, um total de 103.705 eleitores. No último domingo, Lula recebeu 47.952 votos no município, de acordo com dados oficiais do TSE. O número é menos de um quarto do total de votos de Lula que foi falsamente alegado no vídeo (213 mil).

Em relação ao total de votos válidos, a votação de Lula em Barreiras foi de 58,05%. O atual presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o segundo colocado no município, com 30.197 votos (36,56% dos votos válidos). Simone Tebet (MDB) recebeu 1.950 votos (2,36%) enquanto Ciro Gomes (PDT) recebeu 1.854 (2,24%). Outros 2.899 eleitores de Barreiras votaram branco ou nulo, enquanto o número de abstenções (ou seja, eleitores que não foram votar) foi de 18.593.

Falso, para o Comprova, é todo conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: Até o dia 4 de outubro, o conteúdo investigado tinha 76,8 mil visualizações, 4.706 curtidas, 768 comentários e 7.554 compartilhamentos.

O que diz o autor da publicação: O Comprova tentou contato com o autor da postagem pelo Kwai, mas o aplicativo não permite o envio de mensagens entre contas que não se seguem mutuamente. Um perfil no Instagram com a mesma foto do Kwai (e que também postou o vídeo) foi encontrado pela equipe. Enviamos mensagem direta para esse perfil do Instagram, mas não houve retorno até a publicação dessa checagem.

Como verificamos: Primeiro, o Comprova procurou informações do IBGE sobre o número de habitantes do município de Barreiras, na Bahia. A pesquisa foi feita por meio da busca “População cidade de Barreiras Bahia” no Google.

Em seguida, consultamos o site do TSE para verificar o número de eleitores da cidade e o mapa da apuração do Tribunal, que identifica os números de votação do último domingo, 2, em cada município brasileiro.

Por fim, o Comprova buscou nas redes sociais outros perfis da conta responsável pela publicação do vídeo no Kwai e enviou mensagem direta ao autor do vídeo pelo Instagram.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam na internet relacionados às eleições presidenciais de 2022, à pandemia e a políticas públicas do governo federal. Conteúdos falsos, enganosos ou fora de contexto relacionados à quantidade de votos de um determinado candidato em alguma cidade podem criar suspeitas infundadas sobre o sistema eleitoral, prejudicando as eleições, as instituições e a democracia brasileira.

Outras checagens sobre o tema: O Estadão Verifica, UOL Confere CNN Brasil e Fato ou Fake do G1 já fizeram checagens sobre o tema. No caso da publicação do Estadão Verifica, o boato analisado falava que o número de votos que Lula recebeu em Barreiras era maior do que o número de eleitores do município, e não do que o total de habitantes, como era o caso do vídeo aqui analisado pelo Comprova. No final de semana da eleição, o Comprova também fez outras verificações envolvendo o pleito, como o boato de que o TSE iria mandar prender quem reportasse alguma falha nas urnas eletrônicas ou a notícia falsa de que o presidenciável Ciro Gomes teria declarado apoio a Jair Bolsonaro. O Estadão Verifica também mostrou recentemente que são falsos os boatos afirmando que outras cidades da região Nordeste também teriam registrado número de votos em Lula superior ao número de habitantes dos municípios.

Eleições

Investigado por: 2022-10-04

Vini Jr não criticou Bolsonaro no Twitter; postagem é de outro usuário

  • Falso
Falso
É falso que o jogador de futebol Vinicius Junior, do Real Madrid (Espanha), tenha publicado em seu Twitter a mensagem ofensiva a Bolsonaro. A publicação alvo da checagem foi feita por outro usuário da rede social que também tem o selo de verificação na conta. Quando a publicação viralizou, o autor do tuíte usava a mesma foto de perfil e o mesmo nome utilizados pelo atleta brasileiro; posteriormente ele voltou a se identificar com foto e nome originais.

Conteúdo investigado: Uma publicação no Twitter de um perfil que possui selo de verificação e que supostamente seria do jogador de futebol Vinicius Junior diz que “bolsonaro é meu piru kkkkkk #bailei”. No momento da publicação, a conta autora do post estava com o mesmo nome e foto de perfil do atleta.

Onde foi publicado: Twitter.

Conclusão do Comprova: Não foi o perfil do jogador de futebol Vinicius Junior, do clube espanhol Real Madrid, que publicou no Twitter a frase “bolsonaro é meu piru kkkkkk #bailei”. A mensagem foi publicada pelo perfil @alamoju. O autor da postagem alterou a foto e o nome que aparecia na rede social para os mesmos de Vinicius Junior, causando confusão entre usuários da rede.

O Comprova procurou pelas palavras “bolsonaro”, “presidente” ou “eleição” na conta oficial de Vinicius Junior no Twitter, mas não encontrou nenhum resultado. O perfil que fez a publicação também tem o selo de verificado do Twitter e pertence, na verdade, ao atleta de jiu-jitsu Mateus Santana.

Após a viralização, Santana alterou o nome e a foto na publicação, voltando a colocar uma imagem sua e a alcunha de “padre meia noite”. Contudo, até o fechamento desta apuração, o perfil alterou o nome para “analista de análise”.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: A publicação alvo da checagem teve 5.802 retuítes, 2.064 tuítes com comentário, 50,3 mil curtidas e 624 comentários até o dia 4 de outubro de 2022.

O que diz o autor da publicação: O Comprova entrou em contato com o dono do perfil que fez a publicação por mensagem direta no Twitter e via e-mail, disponibilizado no perfil do autor, mas ele não respondeu até o fechamento deste texto.

Como verificamos: A publicação verificada tem um nome de usuário (o @ do Twitter) diferente do encontrado no perfil oficial de Vinicius Junior na mesma rede. Enquanto o jogador do Real Madrid tem o @vinijr como seu perfil, a conta que publicou o tuíte investigado tem o @alamoju. Com essas diferenças, o Comprova pesquisou pelos termos usados na postagem falsa no perfil oficial do jogador e não encontrou resultados.

Após a viralização do conteúdo, o@alamoju também alterou sua foto e o nome que aparece no perfil, que estavam idênticos aos usados pelo jogador brasileiro em sua conta na rede social. Até o dia 30 de setembro, o tuíte investigado seguia no ar, mas já sem a mesma imagem e nome do jogador de futebol.

Assim, foi possível identificar que o post viral era falso, feito por uma conta diferente da de Vinicius Junior. O perfil que postou a peça de desinformação também tem o selo de verificado do Twitter, pois pertence ao atleta de jiu-jitsu Mateus Santana. Como os dois são verificados, a publicação causou confusão entre usuários da plataforma, que chegaram a acreditar que o post tinha sido feito mesmo por Vinicius Junior.

Por fim, entramos em contato com o autor da publicação, o atleta Mateus Santana.

Postagem confundiu usuários do Twitter

Entre as respostas ao tuíte, vários usuários afirmaram ter “caído” na postagem, acreditando que se tratava mesmo de uma publicação do jogador Vinícius Junior e que o atleta havia criticado o presidente da República e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL).

Após o alerta de um usuário que comentou sobre a possibilidade de o Twitter retirar o selo de verificação da conta, Santana recolocou uma foto sua no perfil. “Amigo, cuidado que isso faz perder o verificado”, comentou um usuário da plataforma que também tem o selo de verificação em sua conta.

| Prints mostram a mesma publicação durante e depois da viralização.

| Alerta feito por outro perfil com selo de verificação sobre o risco de perda de conta devido à prática.

| Resposta publicada por outro perfil no Twitter.

Atleta de jiu-jitsu fez publicação

O perfil que postou a mensagem se passando por Vini Jr. é do atleta Mateus Santana. No Twitter, há um link para o seu perfil no Instagram. Nele, Santana identifica-se como atleta de jiu-jitsu e idealizador do projeto Bienal da Quebrada, “criado pelo @oalamoju com missão de dar protagonismo a outras narrativas e democratizar o acesso à leitura”, conforme a descrição do perfil.

Hashtag #Bailei é sobre combate ao racismo e ao preconceito

O jogador brasileiro Vinicius Junior, mais conhecido como Vini Jr., tem como uma de suas marcas comemorar seus gols dançando. Recentemente, um comentarista de um programa de esportes espanhol fez um comentário racista em relação ao atleta, dizendo que ele deveria parar de “fazer macaquices” nas comemorações. O ataque criminoso viralizou nas redes sociais e uma campanha de apoio ao atleta brasileiro se espalhou sob a hashtag #BailaViniJr.

No tweet aqui verificado, o autor do post acrescentou ao final do texto a #bailei — uma referência à campanha de apoio ao futebolista, mas usada fora do contexto da mobilização on-line.

O Comprova buscou por possíveis publicações na conta do jogador que poderiam citar apoio ou reprovação a Bolsonaro, mas nenhuma postagem com este cunho foi encontrada. Da mesma forma, não foram encontrados registros no Google em que o esportista tenha citado Bolsonaro.

Em junho deste ano, inclusive, a Lupa desmentiu um texto que circulou pelo WhatsApp em que Vini Jr. teria dedicado um de seus gols ao presidente da República durante uma entrevista ao jornal estadunidense The New York Times.

Twitter tem regras específicas para contas verificadas

De acordo com os Termos de Serviço do Twitter, a empresa pode remover o selo de verificação de qualquer conta, a qualquer momento e sem aviso prévio. Dentre as razões que podem ocasionar a retirada do selo, estão mudanças feitas pelo proprietário da conta, que incluem entre outras coisas: alteração do nome de usuário (@ identificador), inatividade ou conta com dados obrigatórios incompletos e alterações enganosas na conta.

A plataforma explica ainda que uma das violações de suas regras, que pode ocasionar a remoção do selo de verificado, é quando o usuário assume uma “falsa identidade ou engano intencional das pessoas no Twitter ao alterar seu nome de exibição, bio, imagem do banner e/ou imagem do perfil”. O Twitter se reserva o direito de avaliar as qualificações de qualquer conta verificada.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais. Conteúdos falsos que envolvem ou mencionam candidatos à Presidência, como a postagem checada neste caso, podem influenciar a decisão do eleitor brasileiro, que deve se basear em informações verdadeiras e confiáveis para definir o voto.

Outras checagens sobre o tema: Na reta final das eleições de 2022, conteúdos de desinformação envolvendo presidenciáveis têm se intensificado. O Comprova já mostrou que postagem mentiu ao atribuir ao ator Fabio Assunção declarações em defesa da reeleição de Jair Bolsonaro (PL), acompanhadas de críticas ao PT; que é enganoso o tuíte que indica o 17 como número de urna de Bolsonaro; e também explicou o que é deepfake, técnica de inteligência artificial que está sendo usada para produzir desinformação.

Eleições

Investigado por: 2022-10-02

Moraes não disse que vai mandar prender eleitor que reclamar das urnas

  • Enganoso
Enganoso
Não é verdade que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, disse que quem reclamar das urnas eletrônicas será preso no dia da votação. Moraes afirmou, na verdade, que aqueles que mentirem sobre os aparelhos serão responsabilizados por crime de falsidade. O TSE orienta os eleitores que encontrarem irregularidades nas urnas a comunicarem o problema ao presidente da seção eleitoral e o denunciarem às autoridades policiais no local.

Conteúdo investigado: Vídeo no Kwai replicado no Facebook mostra um homem que se declara apoiador do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) com fotos do presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ao fundo. O criador do conteúdo afirma que o ministro declarou que o eleitor que reclamar das urnas será preso. Segundo ele, o ministro teria dado aval para prender quem tumultuar as eleições, em flagrante delito, justificando a afirmativa de que não seria possível informar erros nas urnas eletrônicas.

Onde foi publicado: Kwai e Facebook.

Conclusão do Comprova: É enganoso que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, tenha dito que quem reclamar de possíveis irregularidades ao usar as urnas eletrônicas no primeiro turno das eleições, neste domingo (2), será preso em flagrante por tumultuar o processo eleitoral. A peça de desinformação aparece em um vídeo publicado na rede social Kwai e replicado depois no Facebook.

O autor do vídeo distorce a fala de Moraes em reunião no dia 26 de setembro com a Comissão e Observatório de Transparências do TSE. O presidente do tribunal disse, na verdade, que eleitores que mentirem sobre os aparelhos — dizendo, por exemplo, que digitaram o número de um candidato, mas não conseguiram votar nele — serão levados à delegacia para investigação. Caso a denúncia seja comprovadamente falsa, o eleitor deverá responder por crime de falsidade.

De acordo com o advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo, o crime de falsidade a que Moraes se refere, nesse caso, é o de falsidade ideológica, previsto no art. 299 do Código Penal. Se for comprovado que a pessoa mentiu sobre problemas nos aparelhos, ela pode responder a um processo posterior na Justiça.

Mas, diferentemente do que o autor do vídeo afirma, um simples questionamento sobre um problema na urna eletrônica não fará o eleitor ser preso, a menos que ele cause um tumulto e atrapalhe a votação para os outros eleitores. Nesse caso, é considerado crime eleitoral “promover desordem que prejudique os trabalhos eleitorais, bem como impedir ou embaraçar o exercício do voto”, e quem cometê-lo estará sujeito à prisão em flagrante. “A prisão depende de tumultuar o processo para os demais”, explica Alberto Rollo.

Eleitores que, de fato, encontrarem irregularidades no dia da votação poderão comunicar o problema ao presidente da seção eleitoral, que tomará medidas para resolvê-lo, segundo orientação do TSE. É possível também fazer uma denúncia, verbalmente ou por escrito, às autoridades policiais presentes no local, ao Ministério Público Eleitoral ou ao juiz da zona eleitoral local, de acordo com outra resolução do tribunal.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova verifica conteúdos com grande alcance nas redes sociais. A publicação verificada tinha 400,9 mil visualizações, 27,1 mil curtidas, 1,7 mil comentários e 13,9 mil compartilhamentos no Kwai até o início da tarde deste domingo (2). Já no Facebook, o conteúdo havia recebido 51 mil visualizações, 2,2 mil curtidas, 155 comentários e 2 mil compartilhamentos.

O que diz o autor da publicação: O Comprova entrou em contato com o autor do conteúdo pela rede social Kwai a fim de entender a fonte utilizada para dar a alegação falsa investigada. Em resposta, ele disse ter se baseado em uma notícia dada pelo jornal Alerta Brasil, da TV Record, sobre uma declaração feita pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Elton Leme.

De acordo com a reportagem, Leme gerou polêmica ao dizer que: “Se um eleitor tumultuar por alegar que digitou um número na urna, mas apareceu outro, a ordem é prender”. Embora a afirmação de Elton esteja de acordo com o que prevê o TSE caso a alegação seja falsa, a matéria não cita o nome de Alexandre de Moraes, presidente do TSE e ministro do STF.

No vídeo investigado, o autor diz que Moraes deixou bem claro que quem reclamasse das urnas eletrônicas seria preso. O Comprova pediu para o autor do vídeo enviar ou indicar o link de onde foi retirada a declaração do ministro, no entanto, ele não respondeu até o fechamento desta verificação.

Como verificamos: Para verificar se a declaração do autor do post verificado era verdadeira, o Comprova fez buscas no Google com as palavras-chave “Alexandre de Moraes”, “eleição” e “manda prender”. Os resultados da pesquisa mostraram uma notícia do portal Yahoo! sobre declaração dada pelo presidente do TSE.

Na mesma busca, o Comprova encontrou uma verificação da Agência Lupa sobre o mesmo boato, embora divulgado por outra pessoa. No texto, a Lupa citou uma resolução do TSE de 2021 que orienta os eleitores que encontrarem irregularidades nas urnas a denunciarem o problema a autoridades policiais, juízes ou ao Ministério Público Eleitoral.

O Comprova também consultou outras orientações disponíveis no site do TSE sobre falhas nas urnas. Parte delas já havia sido citada em uma verificação publicada na sexta-feira (30) sobre um vídeo da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) com informações falsas sobre o que fazer em caso de queixa sobre as urnas. O Comprova procurou ainda o TSE, que não se manifestou até a conclusão deste texto.

O que fazer se a urna apresentar problemas?

O eleitor que presenciar irregularidades ou que encontrar algum problema de defeito ou mau funcionamento da urna eletrônica deve se dirigir diretamente ao mesário que preside aquela seção. Em seguida, o juiz responsável pela seção eleitoral onde o problema foi relatado deve ser acionado imediatamente. A ocorrência deve ser registrada em ata com a descrição do problema apresentado e do encaminhamento dado local para tentar solucionar a questão.

procedimentos de contingência previstos em resoluções do TSE que devem ser adotados para que, mesmo havendo algum problema na urna, a votação possa continuar e os votos já feitos possam ser preservados.

“O primeiro procedimento de contingência a ser adotado, caso a urna eletrônica apresente problemas, é o clássico desligar e ligar, tão utilizado em outros aparelhos eletrônicos”, afirma o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RJ, Michel Kovacs. Ele explica que esse procedimento não elimina os votos já computados, nem as informações dos eleitores que já votaram, uma vez que esses dados são armazenados em um cartão de memória.

Caso o problema persista, os mesários devem acionar os técnicos de urna. Os procedimentos a seguir são: reposicionamento do cartão de memória; substituição do cartão de memória externo; e substituição da urna com falha. Se ainda assim os procedimentos de contingência não forem suficientes, só então a votação deverá prosseguir com o uso de cédulas de papel até o encerramento. Para isso e a fim de permitir eventual auditoria pós-eleições, várias providências devem ser adotadas, como as lacrações tanto da urna defeituosa quanto da urna de contingência e os respectivos envios para a junta eleitoral e equipe designada pelo juiz eleitoral.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam na internet relacionados às eleições presidenciais de 2022, à pandemia e a políticas públicas do governo federal. Conteúdos falsos, enganosos ou fora de contexto sobre o TSE as urnas eletrônicas podem criar suspeitas infundadas sobre o sistema eleitoral, prejudicando as eleições, as instituições e a democracia brasileira.

Outras checagens sobre o tema: A Agência Lupa também checou o boato verificado aqui. No Comprova, outras apurações desmentem boatos que viralizaram no dia do primeiro turno: é falso, por exemplo, que o candidato Ciro Gomes declarou apoio a Bolsonaro, que Neymar ganhou mais patrocínio depois de declarar voto no atual presidente. Checagens sobre votação também foram realizadas nas últimas semanas, como a que demonstra não haver evidências de que urnas tenham chegado a Cordeiro (RJ) com votos já registrados e informando que vídeo faz apologia ao crime ao incentivar os eleitores a escreverem o próprio voto no caderno de assinaturas da seção eleitoral.

 

Neste fim de semana, a equipe do Comprova se uniu a outras 6 iniciativas de checagem de fatos no Brasil para verificar conjuntamente desinformação sobre as eleições. A parceria reúne AFP, Aos Fatos, Boatos.org, Comprova, E-Farsas, Fato ou Fake e Lupa.

Eleições

Investigado por: 2022-10-02

Ciro Gomes não declarou apoio a Bolsonaro; foto usada no Instagram é montagem

  • Falso
Falso
É falsa a imagem que mostra o candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) fazendo o número 22 com as duas mãos - número que representa o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) na urna eletrônica. A foto original publicada nas redes sociais do pedetista mostra Ciro fazendo 1 em sua mão esquerda e 2 na mão direita, que representa o 12, seu número na urna.

Conteúdo investigado: Postagem no Instagram exibe foto do candidato à presidência Ciro Gomes fazendo número 22 com as mãos, ao lado do presidente Jair Bolsonaro. A publicação sugere que Ciro apoia a reeleição de Bolsonaro e traz a legenda “Até o Ciro é 22, e você aí com essa história de voto útil”.

Onde foi publicado: Instagram.

Conclusão do Comprova: É falso que o candidato à presidência Ciro Gomes tenha tirado uma foto fazendo o número 22 com as duas mãos, sentado ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL). A imagem, que circula nas redes sociais, foi manipulada para parecer que o pedetista apoia a reeleição de Bolsonaro.

A foto original foi publicada por Ciro no sábado (1º de outubro), em seu perfil no Twitter. Na publicação, ele aparece fazendo o número 1 com a mão esquerda e 2 com a direita, em referência ao seu número de identificação na urna.

O registro foi feito no debate presidencial da TV Globo, exibido ao vivo no dia 29 de setembro. Na ocasião, Ciro Gomes estava sentado ao lado de Jair Bolsonaro, como mostram imagens do estúdio da TV Globo publicadas pelo portal G1. Às vésperas das eleições, o candidato do PDT utilizou a foto para convocar o eleitor a “apertar o 12 e se livrar dessa polarização cheia de ódio, incompetência e ladroeira que está afundando o país”, como diz a publicação.

No Instagram, a montagem foi publicada por dois perfis em conjunto, que foram contatados pelo Comprova. No entanto, os usuários não responderam até a publicação desta checagem.

Para o Comprova, falso é qualquer conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: Até o dia 2 de outubro, a imagem no Instagram tinha 64.068 curtidas e 1.898 comentários.

O que diz o autor da publicação: O Comprova entrou em contato com as duas contas que publicaram a imagem em conjunto no Instagram. No entanto, não houve respostas até o fechamento desta verificação.

Como verificamos: Inicialmente, buscamos nas redes sociais oficiais do candidato Ciro Gomes para tentar identificar a imagem original. A foto verdadeira foi encontrada no Twitter e no Instagram do pedetista. Além disso, a publicação foi repercutida em veículos de imprensa, como O Globo e Yahoo Notícias no sábado, 1 de outubro.

Foto original

A foto em que Ciro aparece fazendo o número 22 com as duas mãos, o que seria uma referência ao candidato Bolsonaro, é uma montagem. A imagem original foi publicada no Twitter do candidato pedetista no dia 1 de outubro às 9h. Na postagem, ele aparece ao lado de Jair Bolsonaro fazendo o número “12” com os dedos, número de identificação do seu partido, PDT. Na montagem, foi acrescentado um dedo a mais para forjar que Ciro Gomes teria feito o sinal em referência ao partido de seu concorrente na disputa presidencial.

O registro publicado por Ciro Gomes é do debate presidencial da TV Globo, que foi exibido em transmissão ao vivo no dia 29 de setembro. Na ocasião, Ciro Gomes ficou sentado ao lado de Jair Bolsonaro, como mostram imagens do estúdio da TV Globo publicadas pelo portal de notícias G1. A disposição dos candidatos no estúdio foi definida por ordem alfabética do primeiro nome. Da esquerda para a direita estavam Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PL), Padre Kelmon (PTB), Felipe D’Ávila (Novo), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil).

A imagem original foi reproduzida por portais de notícias como O Globo e Yahoo Notícias neste sábado, 1 de outubro.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre as eleições presidenciais, políticas públicas e a pandemia. Durante o período que antecede as eleições no Brasil, muitos conteúdos estão sendo divulgados com o objetivo de tumultuar o processo eleitoral e a escolha do eleitor. O vídeo aqui verificado apresenta uma informação falsa envolvendo o presidenciável Ciro Gomes. A população deve escolher seus candidatos com base em informações verdadeiras e confiáveis.

Outras checagens sobre o tema: Recentemente, o Comprova mostrou que o WhatsApp não está bloqueado e vídeo sobre decisão pedindo suspensão do aplicativo é de 2015; que apoiador que tirou foto com Bolsonaro em Garanhuns não é tio de Lula e que vídeo foi manipulado para mostrar Bolsonaro à frente em pesquisa do Ipec.

Neste fim de semana, a equipe do Comprova se uniu a outras 6 iniciativas de checagem de fatos no Brasil para verificar conjuntamente desinformação sobre as eleições. A parceria reúne AFP, Aos Fatos, Boatos.org, Comprova, E-Farsas, Fato ou Fake e Lupa.

Comprova Explica

Investigado por: 2022-10-02

Saiba quem é Padre Kelmon, candidato à Presidência da República pelo PTB

  • Comprova Explica
Comprova Explica
Diante das dúvidas levantadas no último debate político entre candidatos à Presidência da República sobre o vínculo religioso de Padre Kelmon (PTB), o Comprova apurou o histórico eclesiástico e político do candidato e confirmou sua ligação com a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru, que tem representações em diferentes países, inclusive no Brasil. Segundo Padre Miguel-Phellype Martins, Vigário Episcopal da instituição no Brasil, Kelmon foi ordenado padre em 2015, mas em outra congregação, a Igreja Apostólica Ortodoxa da América.

Conteúdo analisado: Padre Kelmon, candidato à Presidência da República pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), é, de fato, padre?

Comprova Explica: Candidato à Presidência da República pelo PTB, Padre Kelmon se denomina como um representante religioso da igreja ortodoxa e do conservadorismo cristão. Desde o lançamento de sua candidatura, diversas instituições religiosas vêm se manifestando sobre o suposto vínculo que possuem com Kelmon.

A assessoria de imprensa de Padre Kelmon enviou nota ao Comprova em que também confirma o vínculo religioso do candidato com a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru, que segue, sem afiliação oficial, os ritos de uma vertente do cristianismo da Índia (ortodoxa siro-malankara). Procurada pela reportagem, Ángel Ernesto Morán Vidal, Arcebispo Primaz e autoridade máxima da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru, confirmou que o candidato faz parte da igreja.

Anteriormente, instituições negaram qualquer vínculo com o padre. Entidade máxima da denominação ortodoxa predominante no Brasil, a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil emitiu um comunicado dizendo que padre Kelmon não é e nunca foi membro dessa igreja. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), instituição que congrega os bispos da igreja católica no país, também emitiu um comunicado no dia 30 de setembro afirmando que o candidato que se apresenta como “padre Kelmon” não é sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana, principal denominação católica, em número de fiéis, no Brasil e no mundo, com sede no Vaticano.

Padre Kelmon nunca exerceu cargo eletivo e, antes deste ano, não havia se candidatado a nenhuma eleição, segundo dados do portal de divulgação de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral, que vão até 2004. O candidato, que já foi filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi uma das figuras centrais de um esquema para propagar desinformação contra Dilma Rousseff em 2010.

Kelmon é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) desde 2018, segundo reportagem d’O Globo. Inicialmente, Padre Kelmon seria candidato a vice-presidente da República na chapa com Roberto Jefferson, que teve sua candidatura negada pelo TSE.

Dessa forma, no dia 3 de setembro, menos de um mês da data da eleição, Kelmon foi registrado pelo PTB como candidato à Presidência da República, tendo como vice, o pastor Luiz Cláudio Gamonal (PTB).

Como verificamos: O Comprova contactou a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru e as assessorias de imprensa do PTB e do PT. Também foram consultadas reportagens jornalísticas, redes sociais do próprio Padre Kelmon e das igrejas relacionadas a ele, assim como o portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para divulgação das candidaturas nas eleições deste ano.

Quem é Padre Kelmon?

Filho de Risoldete e José Gomes, Kelmon Luis da Silva Souza nasceu em 21 de outubro de 1976, em Salvador, na Bahia. Ele cresceu em uma família católica e, na adolescência, liderou grupos de jovens como a Legião de Maria.

De acordo com reportagem do SBT News, aos 20 anos Kelmon ingressou no seminário Mater Ecclesiae, dos Legionários de Cristo, em São Paulo, seguindo sua formação nos seminários Santana e Santa Catarina de Alexandria, o primeiro romano e o segundo ortodoxo.

Em 2003, decidiu seguir como ortodoxo e seis anos depois, tornou-se missionário no serviço aos pobres, presidiários, e à juventude universitária.

Em outubro de 2021, fundou o Movimento Cristão Conservador Latino-Americano (MECCLA), assumindo-o como seu primeiro presidente.

Padre Kelmon também é presidente de uma empresa chamada Associação Theotokos (CNPJ: 25310794000110), que declara à Receita prestar atividades de organizações religiosas ou filosóficas e atividades de associações de defesa de direitos sociais.

Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia e CNBB negam vínculo de Padre Kelmon

Entidade máxima da denominação ortodoxa predominante no país, a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil emitiu um comunicado dizendo que padre Kelmon não é e nunca foi membro dessa igreja. “Não possuímos qualquer relação ou comprometimento com o mesmo ou com qualquer um de seus feitos, passados ou presentes”, diz o documento assinado pelo Arcebispo Dom Tito Paulo George Hanna.

Segundo a CNN, em outra manifestação, a Igreja Sirian Ortodoxa disse que nenhum dos “‘bispos’ ou representantes legais hierárquicos” da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru “jamais foram ordenados, sagrados ou tiveram suas ‘sagrações episcopais’ confirmadas por nenhum bispo ou Patriarca de nossa Igreja”.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também emitiu um comunicado no dia 30 de setembro afirmando que o candidato que se apresenta como “padre Kelmon” não é sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana. A CNBB, que reúne bispos católicos mas não é representante oficial do Vaticano, disse ainda que de acordo com a Lei Canônica em vigor, os padres da Igreja Católica que estiverem “em pleno exercício do ministério sacerdotal não disputam cargos políticos, nem se vinculam a partidos”.

Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru confirma relação de Kelmon com a instituição

O Comprova ligou para o telefone que aparece na ficha da igreja no Google. A pessoa que atendeu se identificou como Ángel Ernesto Morán Vidal, Arcebispo Primaz e autoridade máxima da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru. Ele confirmou que Padre Kelmon faz parte da igreja e disse que a instituição está presente em mais de 16 países, na Europa, África e América Latina, incluindo o Brasil, Venezuela, Equador, Itália e Alemanha.

Para mais informações, ele encaminhou o contato do representante da igreja no Brasil, que se identificou como Padre Miguel-Phellype Martins, Vigário Episcopal da Igreja Ortodoxa do Peru no Brasil. Padre Miguel forneceu informações sobre o histórico de filiação de Kelmon à igreja, que se deu por intermédio dele.

Segundo padre Miguel, antes de ingressar na Igreja Ortodoxa do Peru, Kelmon passou pelas igrejas Greco Melquita e Apostólica Ortodoxa da América, onde foi ordenado padre em 2015. Miguel também afirmou que Kelmon passou pela igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia no Brasil, apesar dessa negar qualquer relação.

O ingresso do presidenciável na Igreja Ortodoxa do Peru, em 6 de agosto de 2021, se deu por intermédio de padre Miguel.

Assessoria de Padre Kelmon também confirma vínculo com a igreja

A assessoria de imprensa de Padre Kelmon enviou nota ao Comprova em que também confirma o vínculo religioso do candidato com a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru. De acordo com o posicionamento, “Padre Kelmon é reconhecido pela Igreja Ortodoxa como Pároco Interino sediado no Vicariato Episcopal do Brasil, com Código de Filiação N° BR0002PB, e é responsável pela Igreja Ortodoxa de São Lázaro, na Ilha de Maré, no Estado da Bahia”.

Em novembro, prossegue a nota, Padre Kelmon será sagrado Bispo pela Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru, com a missão de iniciar no Brasil a Igreja de Tradição Canônica Siro Ortodoxa Malankar. Ele terá, como bispo, “poderes eclesiásticos para conduzir a Igreja no Brasil”, diz o texto, informando que, para concorrer à disputa eleitoral, pelo PTB, Padre Kelmon obteve licença eclesiástica da Igreja no dia 2 de agosto de 2022.

Auxílio emergencial

Segundo a assessoria de imprensa do PTB, padres da Igreja Apostólica Ortodoxa do Peru “não recebem salário e vivem de doações”. Nessas circunstâncias, Kelmon recebeu 15 parcelas do auxílio emergencial, do governo federal, em meio à pandemia, entre 2020 e 2022. Ao todo, ele recebeu R$ 5.100.

O padre declarou ao TSE, em seu registro de candidatura, R$ 8.548,13 em bens. Todo esse montante refere-se a caderneta de poupança, com exceção de um real, descrito como quotas e quinhões de capital.

Atualmente, em seu perfil no Instagram, Kelmon pede doações para sua igreja por PIX. As contas bancárias pertencem a ele, como confirmou a Folha de S. Paulo.

Organização religiosa e filosófica fundada pelo presidenciável, a Associação Theotokos deve R$ 1.200 em impostos. A informação é do Estado de S. Paulo, publicada no sábado (1).

| Postagem do Padre Kelmon pedindo por doações por PIX. Fonte: Instagram do Padre Kelmon

Trajetória política

De ex-filiado do PT a pivô de esquema de fake news contra Dilma

Padre Kelmon nunca exerceu cargo eletivo e, antes deste ano, não havia se candidatado a nenhuma eleição, segundo dados do portal de divulgação de candidaturas do TSE, que vão até 2004. Isso não significa que a jornada política dele começou com o tumulto causado no debate presidencial na Globo.

Apesar de demonizar a esquerda, generalizando-a a partir de ditaduras latino-americanas, Kelmon já foi filiado ao PT. Como mostra o seu histórico de filiação partidária no TSE, ele foi integrante do PT, na Bahia, entre 2 de junho de 2002 e 21 de novembro de 2009. O padre, hoje, se arrepende da filiação, como reportou a Folha de S. Paulo.

Nas eleições de 2010, já fora do PT, ele foi um das figuras centrais de um esquema para propagar desinformação contra a então candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff. O caso envolveu a encomenda de, pelo menos, um milhão de panfletos insinuando que Dilma apoiava a descriminalização do aborto. Na verdade, a petista disse “não ver sentido” em ampliar a legislação vigente à época sobre o tema.

O pedido dos panfletos estava em nome do bispo Dom Luiz Gonzaga, da Diocese de Guarulhos, em São Paulo, mas Kelmon foi o intermediário responsável pela encomenda. O material foi apreendido pela PF, a pedido do PT, porque os panfletos não continham o CNPJ ou CPF do responsável pela encomenda.

Invasão de quilombo em ilha na Bahia

Em dezembro de 2018, Kelmon pegou um barco a motor, cruzou a baía de Todos os Santos, em Salvador, e chegou à Ilha de Maré. A região, que abriga 4.200 pessoas, faz parte da capital baiana, mas não tem ligação terrestre com o continente.

O padre, então, se mudou para Bananeiras, comunidade quilombola na ilha. Kelmon causa conflito com os habitantes locais desde então, porque ele tenta, até o momento sem sucesso, erguer um templo em parte da região que é área de proteção ambiental.

Foi nesse contexto que ele recebeu, na ilha, a visita do presidente do PTB, Roberto Jefferson, em 2020. Jefferson o convenceu a ingressar no partido, o que aconteceu em 17 de dezembro daquele ano, e a liderar um segmento da legenda chamado Movimento Cristão Conservador (MCC-PTB). Esse grupo, segundo o site do PTB, “visa resgatar e defender os valores Judaico-Cristãos em nossa sociedade”.

Cabo eleitoral que defende golpe e faz poesia

Kelmon é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) desde 2018, segundo reportagem de O Globo. Em março de 2022, ele publicou, em seu perfil no Instagram, um poema em homenagem a Bolsonaro. “Queremos é continuar. O Brasil vai crescer ! Os teus passos vou firmar… É Brasil acima de tudo. E Deus acima de todos”, diz um dos trechos, em referência ao slogan da campanha bolsonarista de 2018.

​​O padre postou foto em manifestações de 1º de maio erguendo cartazes contra a autonomia do Supremo Tribunal Federal (STF). A Lei de Segurança Nacional proíbe, entre outras coisas, a tentativa de subverter, ameaçar ou mudar o regime vigente ou o estado de direito, a tentativa de impedir o livre exercício de um dos Poderes e a propaganda de processos violentos para alteração da ordem política e social. Dentre as mensagens promovidas por ele naquela ocasião, estavam: “Bolsonaro, exerça seu poder constitucional” e “Liberdade no Brasil não se ganha, se toma”.

| Padre Kelmon ergue cartaz com mensagem criminosa durante manifestação bolsonaristas de 1º de maio de 2022 em São Paulo. Fonte: Instagram do Padre Kelmon

Vice de Roberto Jefferson

Em 4 de agosto de 2022, o PTB anunciou que Padre Kelmon seria candidato a vice-presidente da República, a pedido do ex-deputado federal Roberto Jefferson, que concorreria ao Palácio do Planalto. Na época, Jefferson estava em prisão domiciliar, acusado de participar de uma milícia digital que realizou ataques a instituições democráticas e ao STF.

No entanto, no mês seguinte, o TSE negou o registro de Jefferson ao cargo de presidente e constatou que ele está inelegível para disputar qualquer eleição até 2023, devido aos efeitos secundários da condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em 2013, no caso do mensalão.

Assim, em 5 de setembro, a Executiva Nacional do PTB anunciou que Padre Kelmon iria substituir Jefferson, tendo como vice o pastor Luiz Cláudio Gamonal.

Campanha à presidência

No dia 3 de setembro, menos de um mês da data da eleição, Padre Kelmon foi registrado pelo PTB como candidato à Presidência da República, tendo como vice, o pastor Luiz Cláudio Gamonal (PTB). Na reta final da campanha, Kelmon passou a ser alvo de buscas constantes no google, sobretudo, por conta de posturas adotadas nos debates presidenciais e que sugerem uma possível “dobradinha” com o presidente Bolsonaro.

No confronto de ideias mais recente, realizado pela TV Globo, o padre ficou sentado ao lado de Bolsonaro, com quem chegou a trocar papéis. Além disso, sua atuação foi interpretada como uma espécie de “linha auxiliar” do presidente tendo em vista que, em vários momentos, fez elogios à atual gestão, ressaltou programas criados pelo governo, como o auxílio emergencial e fez críticas à esquerda.

Ele chegou a ser classificado como “padre de festa junina” pela candidata Soraya Thronicke (União Brasil), além de ouvir do ex-presidente Lula que estaria “fantasiado” de religioso. Kelmon também foi repreendido em diversos momentos pelo mediador William Bonner por não respeitar as regras do debate e interromper a fala de seus oponentes.

A performance do padre refletiu nas últimas pesquisas eleitorais do Ipec e do Datafolha antes do primeiro turno, no domingo (2). Esses foram os primeiros estudos conduzidos pelos dois institutos após o debate. No Ipec, 13% do eleitorado afirmou que jamais votaria em Kelmon; até então, ele não figurava nesse recorte. Já, no Datafolha, a rejeição dele foi de 19% para 26%, e assim ultrapassou Ciro Gomes (PDT) como o terceiro presidenciável mais rejeitado.

Gastos de campanha

Os gastos de campanha declarados à Justiça Eleitoral pelo candidato também chamam a atenção. Até este sábado (1º de outubro), o padre disse ter recebido doações que somam pouco mais de R$ 1,5 milhão, sendo 99% do montante da direção nacional do PTB.

Disse também ter contratado despesas que somam R$ 1 milhão e 230 mil. Reportagem de O Globo nesta semana mostrou que o maior volume dos gastos foi com a empresa B2C Marketing (R$ 1 milhão e 200 mil). A publicação destacou que a firma não funciona no endereço que declara à Receita Federal, também não tem um site e, até agora, só prestou serviço para mais dois candidatos do próprio partido.

A reportagem revelou, ainda, que a empresa pertence a Ezequiel Bruno Cortez Gonzaga, conhecido como Bruno Cortez, que tem um longo histórico de negócios com o PTB. Ele mora em Brasília e já ocupou um cargo de confiança na Câmara da cota do partido, em 2005, quando Roberto Jefferson ainda era deputado federal.

Por que explicamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre a pandemia, eleições presidenciais e políticas públicas do governo federal que circulam nas redes sociais. A seção Comprova Explica é utilizada para a divulgação de informações a partir de conteúdos que viralizam e estão causando confusão, como é o caso da participação do candidato Padre Kelmon no debate entre presidenciáveis realizado pela TV Globo.

Durante o programa, a ligação de Padre Kelmon com a igreja foi questionada por dois oponentes, o que levantou suspeitas no eleitorado. Diante da repercussão, o Comprova decidiu verificar as ligações religiosas do candidato para esclarecer a população e contribuir para que os eleitores tomem a decisão do voto com base em informações fidedignas.

Outras checagens sobre o tema: O mesmo objetivo fez o Comprova explicar, na reta final das eleições, o que é permitido ou não na hora de votar, o que é e como funciona o orçamento secreto e o que é comprovado ou falso sobre a facada em Bolsonaro em 2018.

Eleições

Investigado por: 2022-10-02

É falso que site noticiou aumento de patrocínio a Neymar após vídeo do jogador apoiando Bolsonaro

  • Falso
Falso
É falso post que usa captura de tela de uma suposta notícia do portal GE (Globo Esporte), da Globo, afirmando que a Puma aumentou o patrocínio do jogador Neymar Jr. após ele postar vídeo em apoio a Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição. O GE negou ter publicado tal reportagem e, em contato com o Comprova, a assessoria do futebolista disse "não ter nada a declarar sobre um absurdo desses". Além disso, não há publicações em qualquer outro site de notícias repercutindo o suposto aumento dado pela Puma ao contrato com Neymar.

Conteúdo investigado: Posts no Twitter e Facebook reproduzem imagem do que seria uma notícia do portal GE, da Globo, afirmando que a marca de artigos esportivos Puma aumentou o patrocínio do jogador de futebol Neymar Jr. após ele ter publicado um post que virou “hit”. Uma das publicações usa imagem do tuíte em que o jogador anuncia apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.

Onde foi publicado: Twitter e Facebook.

Conclusão do Comprova: É falso post com imagem que seria a captura de tela de uma notícia do portal GE, da Globo, com o título “Puma aumenta patrocínio de Neymar após hit no TikTok”. Em uma das publicações há uma legenda em que o autor afirma: “A mídia podre está tentando cancelar o Neymar e prejudicar o contrato com a Puma. Só que a Puma adorou a visibilidade. Golaço! #VaiSerNoPrumeiroTurno” (sic) referindo-se ao vídeo publicado pelo jogador no TikTok em 29 de setembro, no qual ele declara apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.

Um outro post viral não usa a imagem com a falsa notícia do GE, mas afirma que “Neymar assinou o contrato de patrocínio individual mais caro do esporte (U$ 30 milhões/ano). Puma aumentou o patrocínio do brasileiro após hit no Tiktok”.

A imagem da “notícia” aqui analisada apresenta um layout semelhante ao utilizado pelas publicações do portal GE. Contudo, ao pesquisar pelo título da suposta notícia no Google não há retorno para nenhum conteúdo publicado em qualquer site com esse teor.

Procurada pelo Comprova, a equipe de comunicação do site de notícias esportivas afirmou que “essa matéria não existe no GE”. A assessoria de imprensa de Neymar não quis comentar, disse apenas “não ter nada a declarar sobre um absurdo desses”.

Falso, para o Comprova, é todo conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: Até o dia 2 de outubro, a postagem no Twitter somou 6.538 compartilhamentos e mais de 38,9 mil curtidas. Outro tuíte, que reproduziu o conteúdo da suposta notícia, somou 442 compartilhamentos e 8.089 curtidas. No Facebook, a publicação tinha mil curtidas, 243 compartilhamentos e 103 comentários.

O que diz o autor da publicação: O Comprova enviou mensagem privada para um dos perfis do Facebook que compartilhou o print com a manchete falsa, mas não houve retorno até a publicação da verificação. Já o perfil do Twitter “@genioneymarjr1”, que em sua postagem não usou o print da notícia falsa, disse que usou como fonte para a publicação uma outra postagem do Twitter, feita em inglês. Esse post, no entanto, não menciona qualquer aumento concedido pela Puma a Neymar. Em tradução livre, o tweet, feito pelo usuário “@slashviolence”, diz apenas: “Estou curioso se a @PUMA, que assinou com @neymarjr o contrato de patrocínio individual mais caro do esporte’ (U$ 30 milhões/ano), se sente confortável em ter sua marca sendo exibida enquanto ele declara apoio a uma campanha racista, homofóbica de um candidato presidencial de extrema direita no Brasil.” O perfil do Twitter que respondeu o Comprova também citou como fonte para a publicação o print da suposta matéria do GE sobre o tema, e disse que o site teria apagado o conteúdo após publicá-lo.

Como verificamos: O primeiro passo foi fazer uma busca no site do GE com o título que aparece nos posts falsos. A pesquisa não trouxe nenhum resultado e, então, a reportagem falou com a área de comunicação do veículo via mensagem de WhatsApp.

Também pelo aplicativo, contatou a assessoria de imprensa do jogador. Por e-mail, tentou falar com a Puma, mas recebeu uma resposta automática dizendo que a equipe só retorna ao trabalho em 3 de outubro.

Site GE não publicou o conteúdo e repórter não existe

O layout da manchete com a notícia aqui analisada é semelhante ao das publicações do G1 e do GE. Ao fazer buscas de conteúdo no GE a partir das palavras-chave “Neymar” ou “Puma”, no entanto, não há qualquer notícia com teor semelhante à afirmação feita na postagem.

Em contato com o Comprova, a assessoria de comunicação do GE afirmou que o conteúdo é falso e que “a matéria não existe no site”. Além disso, a assessoria também disse que não há nenhum repórter com o nome de Fernando Mendes na equipe da editoria de esportes, como aparece na imagem. Ao fazer buscas pelo nome do repórter (“Fernando Mendes”) no Google, também não há retorno para nenhum conteúdo publicado no GE com essa assinatura.

Além disso, existem outros elementos que indicam que a imagem não foi feita a partir de uma notícia publicada no site. Nas publicações do GE, logo após a assinatura do nome do repórter há a indicação da cidade e/ou país de onde o conteúdo foi escrito, o que não acontece no print da notícia aqui verificada.

| Capturas de telas de notícias publicadas no sábado, 1º de outubro, no portal.

Ao lado da assinatura das matérias publicadas no GE, também estão os ícones das redes sociais Facebook, Twitter e WhatsApp para compartilhamento do material. No print da notícia falsa de aumento do patrocínio dado a Neymar estão o logo de mais duas redes sociais: LinkedIn e Pinterest, outro indício de que o conteúdo aqui verificado não é verdadeiro.

O patrocínio

O acordo entre Neymar e Puma foi anunciado pelo jogador em 12 de setembro de 2020. Em um vídeo de um minuto no Twitter, Neymar, já no time francês Paris Saint-Germain, dizia querer que “a [chuteira] King reine em campo novamente e inspire gerações”. Até 2 de outubro, o post tinha 152,2 mil curtidas e mais de 18,1 mil compartilhamentos.

Na época, a revista Veja informou que “a remuneração do craque chegaria a 25 milhões de euros anuais”, valor superior aos recebidos por Cristiano Ronaldo com a Nike e Lionel Messi com a Adidas. Segundo a revista, o patrocínio da Puma a Neymar seria o maior acordo individual de patrocínio esportivo da história do futebol. A informação também foi repercutida pelo site do canal ESPN.

O contrato se iniciou logo após a Nike romper com Neymar, em agosto daquele ano, encerrando uma parceria que começara antes mesmo de ele se tornar jogador profissional do Santos. De acordo com o UOL, o motivo foi a falta de um acordo sobre valores de uma renovação.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais sobre eleições, políticas públicas e a pandemia. O conteúdo suspeito verificado diz respeito a uma suposta consequência após a divulgação de apoio político de uma figura pública, no caso o jogador de futebol Neymar Jr, ao candidato presidenciável, Jair Bolsonaro. O conteúdo falso envolve ainda uma das maiores marcas de artigos esportivos do mundo.

Outras checagens sobre o tema: Outras postagens falsas ou enganosas envolvendo notícias de personalidades que apoiam Jair Bolsonaro já foram feitas pelo Comprova. Recentemente o projeto demonstrou que uma fala em apoio ao presidente foi feita por um jornalista argentino, e não por um embaixador, e que um vídeo mostrava um pastor em um encontro com Bolsonaro, e não o presidente da Coreia do Sul.

Neste fim de semana, a equipe do Comprova se uniu a outras 6 iniciativas de checagem de fatos no Brasil para verificar conjuntamente desinformação sobre as eleições. A parceria reúne AFP, Aos Fatos, Boatos.org, Comprova, E-Farsas, Fato ou Fake e Lupa.

Eleições

Investigado por: 2022-10-01

WhatsApp não está bloqueado; vídeo sobre decisão pedindo suspensão do aplicativo é de 2015

  • Enganoso
Enganoso
É enganosa a notícia que circula por meio de vídeo, segundo a qual o aplicativo de troca de mensagens WhatsApp seria bloqueado por dois dias por determinação judicial. Trata-se de uma notícia de dezembro de 2015. O vídeo, portanto, engana ao compartilhar o conteúdo como sendo atual. À época, o bloqueio foi ordenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) no âmbito de uma ação criminal em São Bernardo do Campo (SP).

Conteúdo investigado: Vídeo de 2 minutos e 26 segundos reproduz uma reportagem veiculada no canal de notícias GloboNews. A matéria fala sobre decisão judicial no estado de São Paulo que determinou o bloqueio do aplicativo de mensagens WhatsApp por dois dias.

Onde foi publicado: YouTube, Kwai e WhatsApp.

Conclusão do Comprova: É enganoso um vídeo que circula pelas redes sociais afirmando que uma decisão judicial mandou bloquear o WhatsApp por dois dias a partir da meia-noite, sem especificar a data para a suspensão. O vídeo é de uma matéria da GloboNews exibida em 16 de dezembro de 2015. O Comprova recebeu, pelo site do projeto, uma sugestão de leitores para a verificação do conteúdo, que circula pelo WhatsApp e pode enganar ao dar a entender que a decisão é atual e estará em vigor durante o 1º turno das eleições de 2022, o que não é verdade.

Na época em que a reportagem foi exibida, o bloqueio tinha sido ordenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) no âmbito de uma ação criminal em São Bernardo do Campo (SP). O motivo do bloqueio não chegou a ser divulgado imediatamente porque, de acordo com o tribunal, a ação corria em segredo de justiça. O pedido de bloqueio tinha sido feito pelo Ministério Público depois de o WhatsApp ter desrespeitado uma decisão judicial de 23 de julho de 2015. No dia seguinte, o telejornal da rede Globo SPTV noticiou que o bloqueio foi determinado porque o aplicativo não liberou o acesso a conversas para a investigação de uma facção que atuava no roubo a bancos e caixas eletrônicos e também no tráfico de drogas.

A decisão da época determinou que o aplicativo ficaria sem funcionar nos dias 17 e 18 de dezembro de 2015, mas uma liminar do TJ-SP autorizou que as operadoras de telefonia deixassem a plataforma no ar. O bloqueio acabou durando cerca de 14 horas.

Ao Comprova, o WhatsApp informou que não há qualquer bloqueio do aplicativo no fim de semana da eleição deste ano.

Enganoso, para o Comprova, é todo conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: Como o conteúdo circula no WhastApp, não é possível definir a quantidade exata de repasses. É identificado, no entanto, com a etiqueta “compartilhado frequentemente” no próprio aplicativo.

O que diz o autor da publicação: Não é possível identificar a origem do compartilhamento, pois o conteúdo circula no WhatsApp.

Como verificamos: Primeiro, buscamos os termos “globonews + j10 + justiça ordena bloqueio do whatsapp” no Google. Os resultados levaram a uma verificação publicada pelo Fato ou Fake, do G1, e a duas notícias do mesmo portal sobre decisões judiciais que ordenavam o bloqueio do WhatsApp no Brasil em 2015 e 2016, além de uma verificação feita em 2018 desmentindo um bloqueio de 48 horas, com base no mesmo conteúdo aqui investigado.

Só a decisão de dezembro de 2015, no entanto, havia sido noticiada pelo portal com vídeo do Jornal das Dez, cuja logomarca – J10 – aparece nas imagens verificadas. O vídeo disponibilizado no portal G1 é o mesmo que está viralizando no WhatsApp e mostra uma notícia de 16 de dezembro de 2015.

Em seguida, foi feito contato com o WhatsApp para verificar se havia novas movimentações sobre aquela decisão, e com o Tribunal de Justiça de São Paulo. O TJ-SP respondeu que não era possível verificar o andamento da ação sem um número de processo.

Bloqueio do WhatsApp em 2015

A decisão da juíza Sandra Marques, da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo, em dezembro de 2015, segundo matéria do portal G1, deu-se após autorização judicial para a interceptação das conversas pelo WhatsApp para investigar uma facção criminosa que também tem envolvimento com o tráfico de drogas. Apesar da autorização do grampo oficial, o WhatsApp não liberou o acesso às conversas, sendo multado em R$ 100 mil ao dia por descumprimento, além da determinação do bloqueio.

Mesmo com a determinação do bloqueio durante dois dias, o WhatsApp, na ocasião, só ficou fora do ar por algumas horas. No mesmo dia da decisão, o desembargador Xavier de Souza, da 11ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, determinou o restabelecimento do aplicativo WhatsApp em todo o país.

Outros bloqueios

Além da determinação de dezembro de 2015, outras decisões judiciais ordenaram o bloqueio do WhatsApp no Brasil. Em fevereiro de 2015, a Justiça do Piauí determinou a suspensão do aplicativo em todo o país depois de o WhatsApp se negar a fornecer informações para uma investigação policial. No mesmo dia, uma liminar suspendeu a decisão anterior e o aplicativo não chegou a ficar fora do ar.

Em maio de 2016 foi a vez da Justiça de Sergipe determinar o bloqueio por 72 horas em todo o país, alegando que o Facebook (Meta), dono do WhatsApp, tinha descumprido uma decisão anterior de compartilhar informações para uma investigação policial. Desta vez, o aplicativo chegou a ficar fora do ar por 24 horas, até que outra decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe restabeleceu o serviço.

Novamente em 2016, agora em julho, a Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio do aplicativo, também porque o Facebook se recusava a cumprir uma decisão de fornecer informações para uma investigação policial. O serviço ficou fora do ar por uma tarde.

Sem determinações de bloqueios nas eleições

De acordo com a assessoria de comunicação do WhatsApp, a informação de um novo bloqueio no fim de semana eleitoral (1º e 2 de outubro de 2022) não passa de um boato. Procurada, a empresa confirmou que a peça em questão trata-se de um vídeo antigo que está sendo usado fora do contexto.

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam na internet e estão relacionados às eleições de 2022, à pandemia da covid-19 ou às políticas públicas do governo federal. O vídeo aqui verificado é antigo e voltou a circular dias antes da eleição. Sem contexto, o conteúdo pode levar o usuário a acreditar que a proibição do WhatsApp – aplicativo de mensagens amplamente usado no Brasil – é atual e tem relação com pleito de 2022.

Outras checagens sobre o tema: O mesmo conteúdo foi investigado pelo ‘Fato ou Fake’ do G1, que concluiu tratar-se de uma desinformação. O Comprova também investigou que boato de 2018 foi resgatado para afirmar que a Polícia Federal encontrou urnas eletrônicas não zeradas.

Também foram objetos de investigação do Comprova que queixas sobre urnas devem ser registradas com o presidente da mesa, e não em aplicativo do TSE; que vídeo foi editado para parecer que Lula defende o fechamento de igrejas e que não houve redução de seções eleitorais em 2022 em função das mortes por covid-19.

Neste fim de semana, a equipe do Comprova se uniu a outras 6 iniciativas de checagem de fatos no Brasil para verificar conjuntamente desinformação sobre as eleições. A parceria reúne AFP, Aos Fatos, Boatos.org, Comprova, E-Farsas, Fato ou Fake e Lupa.