O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a golpes e fraudes virtuais.
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Política

Investigado por: 26/11/2025

Ponte que liga Pará e Tocantins começou a ser construída no governo Bolsonaro

Política
Vídeo nas redes sociais desinforma ao afirmar que Bolsonaro “não conseguiu fazer nada” da construção.

Diferentemente do que alega uma postagem no TikTok, a Ponte de Xambioá, que liga as cidades de Xambioá, no Tocantins, e São Geraldo do Araguaia, no Pará, começou a ser construída em 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — ou seja, a obra não foi completamente realizada no governo Lula (PT). As obras foram concluídas em 2025, e a inauguração da ponte aconteceu em 18 de novembro.

A autorização para início das obras foi assinada ainda em setembro de 2017, no mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB). Com a ponte, a expectativa era de grande melhoria na logística da BR-153, principal rota para o escoamento da produção local, caracterizada principalmente pelas atividades da agropecuária, de mineração e serrarias, conforme comunicado do Governo na época.

No entanto, uma das empresas que disputava a licitação conseguiu uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) que embargou as obras, que só começaram três anos depois, após o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) obter decisão favorável para iniciar a construção.

Então, o governo federal anunciou, em abril de 2020, que assinou novamente a ordem de serviço para começar a construção. Meses depois, em agosto de 2020, o então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, publicou um vídeo no Facebook mostrando as primeiras estacas da ponte sobre o Rio Araguaia. Já em agosto de 2022, dois anos após o início das construções, como o Comprova publicou em verificação anterior, o DNIT informou que a obra estava 70% executada.

O Comprova também consultou registros do navegador Copernicus, plataforma da União Europeia que monitora o planeta por meio de imagens de satélite e sensores. Elas evidenciam que em setembro de 2019, não havia nenhuma estrutura no Rio Araguaia. Já em dezembro de 2022, último mês do governo de Bolsonaro, a ponte estava em estágio avançado de obras.

 

Além disso, a imagem abaixo da Ponte de Xambioá, registrada em julho de 2022 pelo Google Street View, também indica que a construção estava em andamento.

Outros comunicados do governo federal demonstram o progresso da obra durante o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em julho de 2023, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência publicou nota afirmando que as construções estavam 87% concluídas. Já em agosto de 2024, segundo o DNIT, a ponte estava 99% pronta. A inauguração aconteceu no último dia 18 de novembro.

O Comprova tentou contato com o governo federal buscando mais informações sobre a construção da ponte, mas não teve retorno.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

O perfil em que o conteúdo foi publicado tem 57 mil seguidores e costuma trazer posts favoráveis a Lula e contrários a Bolsonaro e outras figuras da direita brasileira. O autor diz ser nordestino e evangélico e, na descrição de sua página, ele escreve “Eu amo a política mais (sic) odeio a corrupção”.

Em um post com foto de Bolsonaro e os filhos Carlos, Eduardo, Flávio e Renan, ele diz que “eles não trabalham, eles não fazem nada”. Em outro, fala que “a oposição não trabalha” e fica apenas “criticando o governo federal”.

Sobre o post verificado aqui, ele tenta insuflar os seguidores contra Bolsonaro, dizendo que ele não fez nada em seu governo, e a favor de Lula. Na legenda, o autor escreveu “Esse cara é diferenciado, 2026 tmjs (sigla para estamos juntos)”, referindo-se ao presidente e falando em reelegê-lo nas eleições do ano que vem.

Até 25 de novembro, a publicação havia sido compartilhada mais de 22,5 mil vezes e recebido mais de 73,3 mil curtidas. O Comprova tentou entrar em contato com ele, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

Por que as pessoas podem ter acreditado

O post recorre ao viés de confirmação, quando torna-se mais fácil a pessoa não duvidar de algo em que ela já acredita. Pessoas que gostam de Lula e não gostam de Bolsonaro, ao se deparar com um conteúdo que chama o ex-presidente de “imbrochável” e “parasita” e o atual de “presidente de verdade”, têm mais facilidade de não questionar se há desinformação ali. Elas automaticamente aceitam o conteúdo como verdadeiro.

Fontes que consultamos: Comunicados do governo federal [1][2][3][4][5][6][7], publicação do Tarcísio de Freitas no Facebook, registros de satélite da plataforma Copernicus e o Google Maps.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais, e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Como informado acima, o Comprova já verificou outro conteúdo sobre a mesma ponte. Post que viralizou sem julho deste ano dizia o contrário do investigado agora: que Jair Bolsonaro teria construído quase que a ponte inteira e Lula não teria feito nada para finalizar a obra. Em 2023, outros conteúdos semelhantes foram checados e o Comprova concluiu ser falso tanto que a obra teria sido embargada pelo governo Lula quanto que estaria paralisada.

Política

Investigado por: 24/11/2025

Barqueata em Belém foi protesto pacífico por causas climáticas

Política
Manifestantes enviaram recados para Lula, mas, diferentemente do que diz post, ato não representou início de tensão para o presidente.

Diferentemente do que afirma post viral, a barqueata realizada nas águas da Baía do Guajará, em Belém, em 12 de novembro, transcorreu de forma pacífica. O evento, que contou com a participação de mais de 150 embarcações, era programado e marcou a abertura da Cúpula dos Povos, evento paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30).

O post usa um vídeo verdadeiro do evento, mas exagera ao anunciar uma “treta” envolvendo o presidente Lula (PT). Em um texto de apresentação da barqueata, a Cúpula dos Povos afirmou que seu objetivo era “denunciar falsas soluções climáticas e anunciar que a resposta para um mundo sustentável é o povo das águas, das florestas e das periferias que resiste com suas práticas coletivas, agroecológicas e ancestrais”.

Ao Comprova, a Cúpula dos Povos afirmou que o post é uma “fake news” e que a barqueata, “planejada há mais de um ano”, ocorreu “sem nenhuma intercorrência”. ”A manifestação sobre as águas dos rios amazônicos levou para o mundo mensagens por justiça climática”, disse a organização.

A assessoria da Aliança Chega de Soja, grupo com cerca de 40 organizações unidas contra a expansão da soja na Amazônia e a favor da agroecologia que participou da barqueata, confirmou por telefone não ter havido nenhum episódio de incitação à violência contra Lula ou ao governo federal. “O que existiu foi a manifestação popular chamando a atenção para as demandas dos povos, em um ato totalmente pacífico”, afirmou ao Comprova Daleth Oliveira, assessora da aliança. A embarcação em que ela estava era uma das maiores, com cerca de 500 pessoas a bordo.

Segundo veículos de imprensa, houve protestos dirigidos a Lula, mas em forma de recados. A Folha de S.Paulo noticiou que participantes diziam “Lula, pare com essa insanidade de procurar petróleo na Amazônia” e “Demarcação já”. O UOL publicou que um manifestante afirmou em microfone “Lula, pare com essa insanidade de querer explorar petróleo”.

Em entrevista coletiva de imprensa realizada em um dos barcos que participaram do evento, o cacique Raoni Metuktire criticou obras de infraestrutura na Amazônia realizadas pela União e disse ter pedido a Lula que não aceitasse a exploração de petróleo na região. “Eu vou marcar um encontro com ele, e se precisar, vou puxar a orelha dele pra ele me ouvir”, disse a liderança indígena.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

O post foi publicado por um perfil com 35,3 mil seguidores que se apresenta como “patriota e cristã”. Na descrição do perfil há emojis das bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos e a autora diz bloquear pessoas de esquerda.

Dos dez posts mais recentes no X em 16 de novembro, um era favorável a Jair Bolsonaro (PL) e sete eram contrários a Lula e ao PT ou Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O conteúdo verificado aqui aproveita o momento da COP30 para espalhar que Lula enfrentaria problemas graves no evento, que centenas de barcos invadiriam Belém, o que, como afirmado acima, não é verdade. Ao fazer isso, o perfil tenta acirrar a divisão política, como mostram comentários como “Tem todo meu apoio, pra cima desse desgoverno” e “Isso, mostre ao mundo a verdade”.

O post foi visualizado mais de 232,2 mil vezes e recebeu 11 mil curtidas até a publicação deste texto. O Comprova tentou entrar em contato com a autora, mas não houve resposta.

Por que as pessoas podem ter acreditado

Muitos conteúdos de desinformação usam o apelo emocional para prender os internautas e fazer com que eles acreditem naquilo. Ao apelar para as emoções, o desinformador sabe que o público tem menos chance de refletir sobre o assunto ou mesmo de buscar fontes de informação.

Como afirmado acima, o post foi feito por um perfil de direita. Ao publicar um conteúdo contrário a Lula, principal figura da esquerda no Brasil, a autora usa a tática do viés de confirmação: é mais fácil acreditarmos em algo que confirme o que pensamos. Neste caso, quem já não gosta de Lula tem mais chance de achar que o post é verdadeiro.

Fontes que consultamos: Reportagens sobre a barqueata e contato com a Cúpula dos Povos e Aliança Chega de Soja.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais, e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: A Lupa verificou conteúdo semelhante, também classificando-o como desinformação. Recentemente o Comprova investigou outro post mencionando Lula e a COP30, um que mentia ao dizer que o brasileiro teria desmarcado compromisso no evento para impedir suposta delação de Nicolás Maduro.

Notas da comunidade: Não havia notas nas postagens no X até a publicação deste texto.

Política

Investigado por: 19/11/2025

Vídeo de estudante atacando Lula e Alexandre de Moraes usa imagens geradas por IA

Política
Distorções típicas do uso da tecnologia podem ser percebidas a olho nu.

Foi criado com inteligência artificial (IA) um vídeo de um estudante afirmando, em uma entrevista em frente a uma escola, que, para 2026, deseja as prisões do “Nove Dedos” e do “Xandão”, referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, respectivamente.

O vídeo apresenta sinais típicos de geração por IA. A imagem mostra diversas distorções, como pessoas ao fundo deslizando ao entrar na suposta escola e letras que se movem na fachada do colégio. Em certo momento, a mão do jovem entrevistado aparece no vídeo com seis dedos distorcidos.

Mesmo concluindo se tratar de um conteúdo criado por IA, o Comprova consultou o programador Pedro Burgos, que confirmou a adulteração. “Os personagens falam rápido para caber todo o roteiro, e o lábio está ligeiramente dessincronizado. O áudio tem uma assinatura sintética, de baixa qualidade, sem sons de fundo ou de vento”, disse.

Após a suposta entrevista, a imagem é cortada para uma apresentadora que aparenta surpresa e, em seguida, pede para cortar os comerciais.

O especialista ressalta que, quando o vídeo mostra a apresentadora, o texto da legenda aparece duplicado, o que reforça a tese de que se trata de um telejornal que não existe. O Comprova localizou um programa chamado “Repórter São Paulo”, da TV Brasil, mas o logotipo não é o mesmo que o do vídeo verificado.

A ferramenta de detecção de IA Hive constatou que a chance de o vídeo ser criado por IA era de 49%. Outras ferramentas, como o InVid, o SynthID e o Deepware, não detectaram o uso de IA.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

A postagem foi feita no X por um perfil com mais de 72 mil seguidores. Ele faz publicações críticas a Lula e outras figuras da esquerda. A publicação verificada atingiu mais de 8 mil curtidas e 2 mil compartilhamentos. O Comprova tentou contato com o autor da postagem, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Por que as pessoas podem ter acreditado

A publicação utiliza conteúdo criado por IA que se assemelha com uma entrevista verdadeira. Ela também imita fontes confiáveis, já que as manchetes na parte de baixo tentam simular um telejornal de verdade, o que aumenta a chance das pessoas acreditarem.

A fala do jovem, de ataques a Lula e Alexandre de Moraes, pode ter incentivado pessoas críticas ao governo a compartilharem a publicação, assim como a reação da apresentadora, que ao demonstrar surpresa com o ocorrido, pediu para chamar os comerciais, como se uma representante da imprensa não quisesse que uma fala crítica ao presidente e ao ministro do STF fosse ao ar.

Fontes que consultamos: O especialista Pedro Burgos

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais, e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já fez outras checagens de vídeos feitos com IA. Um deles afirmava falsamente que Ivete Sangalo teria elogiado Lula; outro, que Preta Gil teria escrito carta a Jair Bolsonaro (PL), o que não ocorreu; e também um que mostrava um artista fazendo uma escultura do ex-presidente, o que tampouco era verdadeiro.

Notas da comunidade: Uma nota da comunidade foi incluída na postagem do X, com o aviso: “O vídeo foi feito com IA. Isso pode ser percebido pelas distorções das pessoas ao fundo”. 

Política

Investigado por: 14/11/2025

Redução de pena proposta pela União no PL Antifacção já é prevista em lei, e penas devem aumentar

Política
Posts desinformam ao dizer que texto do Poder Executivo beneficiaria membros de organizações criminosas.

Não é verdade que o PL (projeto de lei) Antifacção elaborado pelo governo federal reduza as penas para membros de facções criminosas. Posts nas redes sociais, como X, Instagram e TikTok, desinformam ao afirmar que o texto reduziria a pena de 3 anos para 1 ano e 8 meses. As publicações viralizam no momento em que se discute o texto do relator, o deputado federal Guilherme Derrite (PP), que propôs penas maiores do que as sugeridas pelo Poder Executivo e chamou a redução de “contradição flagrante” e “contrassenso”.

O projeto, que visa combater as organizações e está em discussão na Câmara dos Deputados, cria o tipo penal da facção criminosa e, ao contrário do que afirmam as publicações, endurece as penas.

O texto altera a Lei de Organização Criminosa, aumentando as penas de 3 a 8 anos para 5 a 10 anos. Ainda há previsão de pena de 8 a 15 anos “se a atuação da organização criminosa qualificada, doravante denominada facção criminosa, visar ao controle de territórios ou de atividades econômicas, mediante o uso de violência, coação, ameaça ou outro meio intimidatório”.

Ao mencionar redução de pena, os posts se referem ao trecho do PL que prevê que penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços em casos de réu primário com bons antecedentes, “que não se dedique à liderança, à promoção ou ao financiamento da organização criminosa em quaisquer de suas modalidades”.

Os 3 anos citados nos posts correspondem à pena mínima atual, mas o que as publicações não contam é que, atualmente, também existe a possibilidade de redução de pena.

“Ainda não existe lei que tipifique penas para integrantes de facções criminosas, e atualmente são aplicadas as penas da Lei de Organização Criminosa, que prevê a redução de penas na hipótese de colaboração premiada”, disse ao Comprova a advogada criminalista Fernanda de Almeida Carneiro, do escritório Castelo Branco Advogados Associados.

O texto da lei mencionada por ela diz que o juiz poderá “reduzir em até dois terços a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal” de forma que traga resultados como identificação de criminosos.

Ou seja, com a legislação atual, uma pessoa condenada a 3 anos pode contar com a redução e ficar presa por apenas 1 ano, tempo menor do que o 1 ano e 8 meses mencionado nas publicações enganosas.

Se a pena mínima é de 3 anos, como é hoje, e for reduzida em:

  • 2/3: ela será de 1 ano

Se a pena mínima passar a ser de 5 anos, como prevê o governo, e for reduzida em:

  • 2/3: ela será de 1 ano e 8 meses
  • 1/6: ela será de 4 anos e 2 meses

Ou seja, a pena mínima proposta pelo governo ainda é maior do que a regra vigente. “É necessário enfatizar que o combate às facções não é brando na legislação atual e o projeto de lei torna ainda mais rigoroso esse combate com um foco não só no endurecimento das penas”, afirmou ao Comprova Rodrigo Costa, professor de Direito Penal do Departamento de Direito Público da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Segundo o especialista, a redução proposta no texto da PL 5582/2025 “pode ser vista como uma reprodução por analogia do dispositivo previsto no artigo 33 da Lei n.º 11.343/06 (conhecida como Lei de Drogas) que igualmente reduz a pena prevista para o tráfico de drogas de um sexto até dois terços se o agente for primário, de bons antecedentes, não se dedicar às atividades criminosas nem integrar organização criminosa”.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

Um dos perfis que publicou o post e teve alto engajamento foi o do vereador Gilson Machado Filho (PL), do Recife. Em sua página, que tem 41 mil seguidores, o post alcançou, desde 5 de novembro, 348,5 mil visualizações e 17 mil curtidas.

Desde outubro, o perfil tem publicado conteúdos críticos ao governo federal e favoráveis às forças de segurança, abordando temas ligados à segurança pública e à criminalidade.

Contatado pelo Comprova, o vereador afirmou apenas ter compartilhado o conteúdo. A publicação, segundo o vereador, ocorreu “de forma espontânea, a partir de sua circulação pública em redes sociais, com o intuito de suscitar reflexão sobre tema de interesse coletivo, sem qualquer pretensão de autoria ou produção própria”.

Por que as pessoas podem ter acreditado

A publicação analisada utiliza técnicas comuns entre os desinformadores, como o apelo emocional e a aparência de credibilidade, para convencer o público de que é verdadeira. Em primeiro lugar, o post apresenta o logotipo de um site que afirma ser um portal de notícias, o que faz parecer que o conteúdo é resultado de apuração.

No caso do post de Gilson Machado Filho, ele traz linguagem provocativa ao usar a legenda “Brasil, o país onde o poste mija no cachorro”, que cria uma sensação de indignação perante uma suposta injustiça. O uso de expressões coloquiais e de forte carga emocional tem o objetivo de ativar reações rápidas e intuitivas, em vez de promover uma leitura crítica do tema.

Além disso, a desinformação se apoia em um trecho verdadeiro do PL Antifacção sobre a redução de penas. É frequente que desinformadores tirem de contexto informações verdadeiras, o que aumenta a chance de as pessoas acreditarem no conteúdo.

Por último, o post usa uma foto de Lula durante o evento de assinatura do projeto de lei, sugerindo uma ligação entre o presidente e facções criminosas, tática também comum no universo da desinformação.

Fontes que consultamos: Projeto de lei do governo federal, site da Câmara dos Deputados, reportagens sobre o PL, advogada criminalista Fernanda de Almeida Carneiro e Rodrigo Costa, professor da UFF.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais, e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já verificou diversos conteúdos que ligam erroneamente Lula a grupos criminosos. Alguns exemplos: Sinal de ‘L’ feito por traficantes não é referência ao presidente e, sim, saudação de facção que atua no Rio, Sigla CPX em boné usado por Lula significa complexo e não tem relação com facção e TSE não admitiu ligação entre PT e PCC, diferentemente do que sugere vídeo.

Notas da comunidade: Não havia notas nas postagens no X até a publicação deste texto.

Política

Investigado por: 14/11/2025

Lula não desmarcou compromissos da COP30 para impedir suposta delação de Maduro

Política
Em cúpula da CELAC, presidente brasileiro ressaltou que “democracias não combatem o crime violando o direito internacional”, em meio à crise entre Venezuela e Estados Unidos.

Ao contrário do que afirma um vídeo do YouTube, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não cancelou compromissos na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, para impedir uma suposta delação do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O homem que fez a publicação mistura uma entrevista do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, com comentários da jornalista Daniela Lima e opiniões pessoais para fazer alegações sem provas.

Além disso, diferentemente do que o vídeo verificado afirma, Lula não cancelou compromissos na COP30 para ir à 4ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e da União Europeia, em Santa Marta, na Colômbia, informação também destacada no comunicado da Secom. De acordo com matéria da Band, a agenda do presidente não previa presença na cúpula, mas ela foi alterada uma semana antes do encontro, conforme noticiado pela CBN e pela Folha de Pernambuco. Ele participaria, na programação original, de um evento ambiental em Fernando de Noronha, nos dias 8 e 9 de novembro. No mesmo dia da CELAC, Lula retornou a Belém, conforme a agenda presidencial.

O vídeo menciona a viagem de Lula em 9 de novembro, durante a COP30, para participar da CELAC. A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) afirmou, em nota, que a presença do presidente no evento teve como objetivo “reafirmar a prioridade da integração regional na política externa brasileira” e “fortalecer o diálogo na busca por soluções conjuntas globais”.

A pasta também repudiou a “divulgação de boatos falsos, com objetivos políticos, que visam única e exclusivamente desinformar a população, enfraquecer instituições e manipular a opinião pública”.

Dias antes do evento, Mauro Vieira afirmou, em coletiva de imprensa, que Lula iria destacar “apoio” e “solidariedade regional” à Venezuela em seu discurso na CELAC, em meio à presença militar dos Estados Unidos nos mares do Caribe nos últimos meses. “O presidente repetidamente já disse, e é a posição da nossa política externa, que a América Latina e, sobretudo, a América do Sul, onde nós estamos, é uma região de paz e cooperação”, afirmou o ministro.

No discurso, Lula não mencionou diretamente o conflito entre a Venezuela e os Estados Unidos, mas disse que “democracias não combatem o crime violando o direito internacional”. “A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais”, ressaltou.

Já Maduro não participou da cúpula, mas mandou uma carta aos presidentes da região, pedindo que os países instalem mecanismos de defesa coletiva do Caribe, conforme publicou a CNN. Não há evidências de que ele tenha feito uma delação.

Vídeo de jornalista não comprova delação

O vídeo também exibe um comentário da jornalista Daniela Lima, no programa “UOL News”, transmitido no YouTube em 5 de novembro. Ela contestou a decisão de Lula de prestar solidariedade à Venezuela, após o discurso do governo de “manter uma distância regulamentar” da crise entre Maduro e Trump, e afirmou que o posicionamento causou desconforto entre integrantes da comitiva à COP30. No entanto, Daniela não menciona nenhuma delação de Maduro contra Lula.

Entenda o que é a CELAC

A CELAC é um grupo de diálogo composto por 33 países da América Latina e do Caribe. Ele foi criado em 2011 e tem como objetivo promover a cooperação para o desenvolvimento. A organização promove reuniões ministeriais sobre temas de interesse dos países da região, como educação, cultura, transportes, infraestrutura, energia, segurança alimentar e nutricional, agricultura familiar, ciência, tecnologia, entre outros.

Cronologia do conflito entre Estados Unidos e Venezuela

A escalada da tensão entre Estados Unidos e Venezuela se iniciou em 2 de setembro, quando as forças militares norte-americanas atiraram contra uma embarcação venezuelana no Caribe que, segundo Donald Trump, transportava drogas e era comandada pela gangue Tren de Aragua. Desde então, foram registrados pelo menos 18 ataques a barcos na região, que provocaram a morte de 75 pessoas.

Em 11 de novembro, o maior navio de guerra do mundo, o USS Gerald Ford, dos Estados Unidos, chegou às águas da América Latina. Ele se juntou a outros navios de guerra, a um submarino nuclear e a caças F-35 que estão operando na região nas últimas semanas.

Além dos ataques, em 16 de outubro, Trump autorizou operações da Central Intelligence Agency (CIA), a agência de inteligência norte-americana, na Venezuela, segundo a Reuters. Em agosto, o governo dos Estados Unidos ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro por tráfico de drogas.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

O vídeo verificado, que acumula cerca de 534 mil visualizações até a publicação deste texto, foi criado por um youtuber cujo canal tem mais de 1,3 milhão de inscritos, além de quase 230 mil seguidores no Instagram. Ele faz publicações em seu canal sobre acontecimentos políticos, com viés de direita e abordagem crítica a figuras como Lula e Alexandre de Moraes.

O Comprova tentou contato com ele, mas não recebeu retorno.

Por que as pessoas podem ter acreditado

O título do vídeo verificado é enganoso e induz o espectador a acreditar que Lula saiu da COP30 para impedir uma delação de Maduro, uma insinuação sem evidências. Ele também utiliza a palavra “Urgente”, criando uma sensação de alarmismo, e, em suas falas, mistura opiniões e informações falsas com vídeos de entrevistas e comentários de jornalistas, o que pode conferir credibilidade ao conteúdo.

A recompensa oferecida pelo governo dos Estados Unidos por informações que levem à prisão de Maduro levou desinformadores a criarem teorias da conspiração associando-o a Lula e indicando que o petista teria relação com possíveis crimes cometidos pelo presidente venezuelano, já que ambos se identificam com a esquerda.

O boato de que a Venezuela financia partidos de esquerda de forma ilegal na América do Sul e na Europa foi impulsionado pela delação do ex-general de inteligência venezuelano Hugo Carvajal, feita na Espanha em 2021. As acusações, no entanto, nunca foram comprovadas e o processo acabou arquivado, conforme demonstrado pelo Estadão Verifica.

Fontes que consultamos: Secretaria de Comunicação da Presidência, Governo Federal [1][2], Departamento de Estado dos Estados Unidos, G1, Band, CNN Brasil e Reuters.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já realizou outras checagens sobre a Venezuela, desmentindo um vídeo criado por inteligência artificial em que o assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim, abraça Maduro e explicando um exercício militar de soldados venezuelanos na fronteira com o Brasil.

Eleições

Investigado por: 07/11/2025

Urnas eletrônicas brasileiras não foram fraudadas em evento em Las Vegas

Eleições
Na ocasião, hackers testaram máquinas antigas usadas nos EUA, sem qualquer ligação com o sistema eleitoral do Brasil.

Diferentemente do que sugere um vídeo que circula pelas redes sociais, não há comprovação de que urnas eletrônicas brasileiras tenham sido invadidas ou comprometidas durante a convenção Defcon, em Las Vegas, nos Estados Unidos, em 2017. No evento em questão, os procedimentos foram realizados em um ambiente experimental de testes, voltado à demonstração de vulnerabilidades em máquinas usadas nos Estados Unidos, sem qualquer vínculo com o sistema eleitoral brasileiro.

O post verificado traz trechos de um vídeo com declarações do engenheiro Amílcar Brunazo Filho, que afirma que “todas as urnas eletrônicas testadas foram hackeadas em menos de duas horas”. Ele defende que apenas o voto impresso permitiria uma auditoria independente. O vídeo circula em redes sociais como o X e o trecho foi extraído do documentário The Fake Judge (2025), produzido pelo Canal Sérgio Tavares, no YouTube.

Sérgio Tavares é um influenciador português que faz comentários sobre a política brasileira. Em abril de 2024, o Comprova mostrou que eram enganosos os seus comentários sobre este mesmo evento realizado em Las Vegas. Na ocasião, Tavares afirmou que a TV Globo divulgou que as urnas eletrônicas brasileiras são “hackeáveis”, após terem o sistema invadido em uma convenção de hackers nos Estados Unidos. Ocorre que os equipamentos hackeados não eram os usados no Brasil.

Em contato com o Comprova, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enviou esclarecimento sobre o mesmo tema publicado em 2021, além de checagens do Comprova e do UOL Confere. O evento realizado em Las Vegas envolveu equipamentos antigos, alguns com conexão à internet, ao contrário do que ocorre com os do Brasil, e nenhum deles correspondia às urnas eletrônicas brasileiras, que são sistemas fechados, criptografados e auditáveis.

Segundo o jurista Vinícius Rodrigues Alves, mestre em Segurança Pública pela Universidade de Salamanca (USAL) e especialista pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, “a Defcon foi um ambiente de experimentação pública, sem protocolos eleitorais e sem qualquer participação institucional do Brasil”. Ele ressalta que “os relatos popularizados em redes sociais confundem demonstrações experimentais de vulnerabilidade com ataques reais a urnas certificadas”, e que “do ponto de vista técnico e jurídico, não há registro de violação do sistema eleitoral brasileiro em qualquer eleição oficial”.

A peça audiovisual foi compartilhada por perfis voltados a pautas políticas e críticas ao sistema eletrônico de votação, ampliando sua difusão entre grupos de apoio ao voto impresso. Para Alves, esse tipo de conteúdo “mistura fatos técnicos com interpretações ideológicas, o que enfraquece o debate público e confunde o cidadão sobre o funcionamento real das urnas”.

Ainda conforme o especialista, “o sistema brasileiro é auditável, supervisionado por entidades independentes e passa por inspeção de código-fonte e Testes Públicos de Segurança (TPS), em que qualquer tentativa de invasão é documentada e analisada de forma transparente”. Ele conclui que “a narrativa de que o Brasil utiliza uma ‘caixa-preta eleitoral’ não se sustenta diante dos mecanismos legais e técnicos de fiscalização previstos pela Constituição e regulamentados pelo TSE”.

A autora do post foi procurada pelo Comprova, mas por uma questão de configuração do perfil, não é possível mandar mensagem.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

O vídeo foi compartilhado por um perfil que se descreve como “brasileira de coração, viajante por paixão. Casada, mãe, avó. Escritora, palpiteira de política, geopolítica e humor. Meu livro expõe os bastidores”. A conta costuma publicar comentários políticos e conteúdos de tom opinativo. Foi a partir de uma postagem desse perfil que o vídeo começou a circular, levando à verificação do material.

O conteúdo investigado consiste em um vídeo que afirma que, em 2017, em Las Vegas, todas as urnas eletrônicas teriam sido hackeadas em menos de duas horas, e que apenas o voto impresso permitiria “somar do lado de fora” sem depender do software da máquina. O vídeo também alega que apenas Brasil, Butão e Bangladesh utilizam urnas eletrônicas sem impressão de comprovante, insinuando que isso representaria uma vulnerabilidade grave. O Projeto Comprova já verificou publicações semelhantes que circularam em redes sociais.

Por que as pessoas podem ter acreditado

O post e o vídeo compartilhado utilizam uma combinação de táticas de desinformação, com o objetivo de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro ao associá-lo, de forma enganosa, a falhas genéricas em modelos de urnas eletrônicas testadas em eventos não oficiais.

A principal tática identificada é a descontextualização. O vídeo menciona testes realizados na Defcon, na qual modelos variados de urnas eletrônicas não usados no Brasil foram expostos a testes em ambiente controlado, com acesso físico e pleno às máquinas, uma situação radicalmente diferente da realidade das eleições oficiais, que seguem protocolos rigorosos de segurança física, lógica e auditoria. O conteúdo ainda sugere, sem provas, que o “mesmo produtor das urnas brasileiras” foi responsável por modelos hackeados, uma conexão enganosa que explora a similaridade técnica para transferir vulnerabilidades hipotéticas de sistemas distintos.

Além disso, há apelo à emoção e ao alarmismo ao afirmar que “todas as urnas foram hackeadas em menos de duas horas”, o que não constitui uma análise técnica séria nem considera os diferentes graus de dificuldade e as limitações dos experimentos. A menção ao documentário com forte carga acusatória, sem comprovação, reforça a narrativa de vulnerabilidade absoluta, configurando também viés de seleção, ao ignorar as defesas, auditorias e histórico do uso seguro das urnas brasileiras. Essas distorções comprometem o debate público e fomentam a desconfiança infundada no processo democrático.

Fontes que consultamos: Comprova, Tribunal Superior Eleitoral, Vinicius Rodrigues Alves (especialista em Direito Eleitoral).

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais, e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Em março, o Comprova mostrou que voltou a circular a mentira segundo a qual as urnas foram fraudadas por Moraes em 2022.

Notas da comunidade: Não havia notas nas postagens no X até o fechamento desta matéria.

Política

Investigado por: 07/11/2025

G1 não publicou matéria afirmando que o governo indenizará famílias de vítimas da megaoperação no Rio

Política
O texto falso tem erros de gramática e imita design do portal de notícias para enganar os leitores.

Diferentemente do que alega uma imagem que circula nas redes sociais, o portal g1 não publicou uma reportagem dizendo que o governo Lula (PT) garantiu indenização às famílias dos mortos na megaoperação da capital fluminense para “compensar o dano causado pela polícia”.

Após a repercussão da imagem, o g1 publicou uma checagem destacando que “jamais publicou uma reportagem com esse título e conteúdo”. “Comuns em mensagens falsas, erros de padrão denunciam que se trata de uma fraude”, destacou no texto.

O texto falso tem erros de gramática, mas usa design e letras semelhantes aos do veículo, induzindo leitores a acreditarem que se trata de uma reportagem.

É provável que essa peça de desinformação tenha sido inspirada por uma nota publicada em uma coluna do portal Metrópoles., Em 4 de novembro, o portal publicou texto sob o título “Governo Lula discute assistência a familiares de mortos no RJ”. O texto, assinado pelo colunista Paulo Cappelli, afirmava, com base em fontes que preferiram não se identificar do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), que o governo analisava se prestará auxílio às famílias dos 117 suspeitos mortos na megaoperação policial realizada pela administração de Cláudio Castro (PL) no Rio de Janeiro.

O conteúdo também mencionava que a ministra Macaé Evaristo defendia prestar apoio formal da União às famílias, mas que o Palácio do Planalto via a medida “com cautela”, por temer associação com o tráfico e o crime organizado. Logo em seguida, o texto registra uma resposta da própria pasta, negando ter cogitado prestar qualquer tipo de assistência financeira.

“O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania esclarece que não procede a informação. A visita da ministra Macaé Evaristo ao estado teve como principal objetivo a articulação para retomada imediata dos serviços públicos de educação, saúde e assistência social nas áreas impactadas. Informamos ainda que o MDHC abriu um canal específico no Disque 100 para receber relatos das comunidades impactadas pelas operações”, disse a pasta na nota, reproduzida pelo próprio Metrópoles.

Após a repercussão da notícia, internautas e parlamentares de direita atacaram o governo por causa da informação apurada pela coluna do Capelli. O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) e o deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil-SP) publicaram vídeos em suas redes sociais criticando a suposta medida, negada pelo MDHC.

Por que as pessoas podem ter acreditado

O fato de a captura de tela emular as fontes e o design do portal g1 pode ter sido um fator para o conteúdo circular.

Além disso, muitos leitores não estão familiarizados com certas dinâmicas envolvendo o jornalismo e a política. Nas redações jornalísticas, “off” é o termo usado para designar informações fornecidas por fontes que pedem para não ser identificadas. Esse tipo de dado pode ser útil para revelar bastidores e geralmente é confirmado com outras fontes. Deve, além disso, ser apresentado com transparência ao leitor. Não é incomum que, nesses casos, autoridades desistam de determinadas ideias ou políticas públicas após a repercussão.

No caso do texto do Metrópoles, a matéria baseava-se em relatos de servidores ligados ao Ministério dos Direitos Humanos, sem identificação nominal. O posterior desmentido da pasta mostra como esse tipo de informação pode ser interpretado de maneira incorreta quando retirada do contexto original.

No comunicado em que negou a suposta assistência financeira, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania também detalhou os motivos para ter enviado uma equipe aos complexos do Alemão e Penha dias após a megaoperação.

Segundo o MDHC, a visita ao local da ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, teve como principal objetivo o acolhimento às comunidades afetadas e a discussão sobre a retomada imediata dos serviços públicos de educação, saúde e assistência social nas áreas impactadas.

De acordo com a nota, as principais ações realizadas pela MDHC foram a articulação com órgãos públicos para garantia do funcionamento de escolas, hospitais e equipamentos essenciais, e o mapeamento das necessidades locais e coordenação de apoio técnico e institucional, com base em protocolos humanitários internacionais.

Fontes consultadas: g1, Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Metrópoles

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está gerando muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já desmentiu montagens que simulavam o site do g1, sobre desarmamento e as eleições de 2022. Além disso, também foram feitas verificações sobre a megaoperação, concluindo que o pedido de apoio feito pelo governo do Rio foi anterior à ação e se dirigiu à Defesa, não à Justiça, e que a polícia apreendeu fuzis de diversos países nos complexos da Penha e Alemão, mas nenhum de Cuba.

Notas da comunidade: Uma resposta do Grok, serviço de inteligência artificial do X, a um usuário que perguntou sobre a veracidade da imagem afirmou que a captura de tela é verdadeira. No entanto, o Grok aparentemente se referia a uma declaração de Lula citada em um post anterior. Em sua fala, Lula classificou a megaoperação como “desastrosa” e chamou a ação de “matança”. O Grok não respondeu diretamente à questão do usuário sobre uma suposta indenização do governo.

Política

Investigado por: 07/11/2025

Vídeo com foto de Lula em pacote de droga é antigo e segue tática comum do tráfico

Política
Filmagem circula desde 2023, mas voltou à tona após megaoperação policial no RJ; imagens de famosos em embalagens de entorpecentes são tática antiga do tráfico e já envolveram nomes como Jair Bolsonaro e Neymar, sem que houvesse comprovação de vínculo.

Circula nas redes sociais um vídeo no qual um homem segura um pequeno pacote de plástico com material análogo a droga embalado com a foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o escrito “Cpx Catarina Novo”.

Na gravação, o homem afirma que está em São Gonçalo (RJ), próximo ao bairro Jardim Catarina, onde há atuação do tráfico de drogas, e sugere que, pelo fato de a foto do presidente aparecer no pacote, haveria ligação do mandatário com traficantes da região.

A publicação verificada pelo Comprova foi compartilhada em 2 de novembro de 2025, mas já circula pelas redes sociais desde 2023. Isso porque sobre a imagem há um código da plataforma Helo ID, um app da ByteDance, empresa dona do TikTok, que foi descontinuado no fim de junho de 2023. Ou seja, o vídeo foi publicado na plataforma há mais de 2 anos e voltou a ser compartilhado agora, no contexto da megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro.

Como o Comprova já mostrou em outras verificações, o uso da foto de personalidades conhecidas em embalagens de drogas não é recente. Jogadores de futebol, como Neymar e Ronaldinho Gaúcho, já foram alvos de criminosos, assim como artistas como Amy Winehouse (1983 – 2011) e Xuxa. Na política, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve a imagem estampada em porções de maconha em Mogi Mirim (SP) e Anápolis (GO), assim como a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro. Em todos esses casos, não houve comprovação de vínculo de quem aparecia na embalagem com o tráfico de entorpecentes.

Em 2022, Lula e o PT foram alvo de uma peça de desinformação semelhante. Na época, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), órgão de segurança do Mato Grosso do Sul, explicou ao Comprova que as inscrições eram aleatórias e serviam somente como código de identificação do proprietário da droga caso ela chegue ao seu destino.

No ano seguinte, a Advocacia Geral da União (AGU) chegou a notificar o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, que compartilhou em suas redes sociais fotos de tijolos de maconha adesivados com imagens em que Lula aparece “fazendo o L”.

Após a notificação, o secretário apagou a publicação e afirmou que em nenhum momento objetivou associar a imagem do presidente ao tráfico de drogas, mas enaltecer o bom trabalho dos agentes públicos no impedimento de que entorpecentes cheguem ao Estado de São Paulo.

O Comprova procurou a Prefeitura de São Gonçalo, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro, a Polícia Militar e a Polícia Civil, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

A autora da publicação afirma que é advogada e se apresenta em seu perfil como americana e judia, além de “empreendedora patriota a favor da paz”. Em sua conta no X e no Instagram, além de seu canal no YouTube, compartilha vídeos em apoio a Israel e com críticas a Lula e à esquerda.

Até 6 de novembro, o post somava mais de 217 mil visualizações, 10 mil curtidas, 4 mil compartilhamentos e 674 comentários.

A autora do post foi procurada pelo Comprova, mas não retornou à mensagem enviada até a publicação deste texto.

Por que as pessoas podem ter acreditado

O conteúdo busca gerar desinformação por meio de um conteúdo político e emocional ao associar a imagem de Lula ao tráfico da região, em um momento onde há grande repercussão social devido à megaoperação no Rio de Janeiro.

A principal estratégia utilizada é o apelo à emoção, especialmente por meio de linguagem ofensiva e agressiva, voltada a despertar indignação e repulsa, ao sugerir que o presidente estaria ligado com o tráfico de drogas.

A narração do vídeo e a legenda do post tentam estabelecer uma conexão causal entre o presidente e o tráfico, com base somente na presença de sua imagem em uma suposta embalagem de droga, uma forma clássica de conteúdo enganoso, que manipula a interpretação de um elemento isolado e fora de contexto.

O objetivo é instrumentalizar a imagem do presidente para reforçar a narrativa política de que ele apoiaria traficantes. A peça de desinformação ainda estimula a viralização com um pedido para as pessoas fazerem circular ao máximo o vídeo, buscando alavancar a disseminação sem que haja tempo para verificação ou reflexão crítica.

Fontes que consultamos: Verificações e reportagens sobre o assunto e as ferramentas de busca reversa de imagens Google Lens, TinEye, Yandex.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais, e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Lula e o PT são frequentemente alvos de peças de desinformação que os associam ao tráfico de drogas. O Comprova já mostrou que outra foto de maconha embalada com imagem do petista era verdadeira, mas não tinha ligação com a campanha do PT e que a sigla CPX em boné usado por ele significa complexo e não tem relação com facção.

Notas da comunidade: Não foi inserida nenhuma nota feita pela comunidade no X.

Política

Investigado por: 06/11/2025

Polícia apreendeu fuzis de diversos países em megaoperação no Rio, mas nenhum de Cuba

Contextualizando
Especialistas detalham modelos de armas confiscadas na ação e explicam rotas de origem dos armamentos.

Conteúdo analisado: Posts nas redes sociais usam o vídeo de um delegado da Polícia Civil do Rio, no qual ele detalha os armamentos apreendidos na operação realizada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão. Sobre o vídeo, há um texto segundo o qual fuzis de Cuba e da Venezuela teriam sido encontrados entre as apreensões.

Onde foi publicado: X e Instagram.

Contextualizando: Perfis nas redes sociais repercutiram um vídeo do site Pleno News, que afirma, incorretamente, que fuzis de Cuba foram encontrados na megaoperação de 28 de outubro que deixou 121 mortos na capital fluminense. A gravação original é do delegado Vinícius Domingos, coordenador da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos do Rio (Cfae). Ele detalha os armamentos confiscados na ação e destaca os seus países de origem, mencionando o próprio Brasil, Peru, Argentina e Venezuela, sem qualquer citação a Cuba.

Após a repercussão, o site fez uma correção e alterou a legenda do vídeo no Instagram, inserindo uma errata: “Não foi encontrado fuzil de Cuba”. Apesar de ter acrescentado a errata no texto, o vídeo continua publicado, com a informação inverídica de que as autoridades do Rio de Janeiro encontraram armas de Cuba nos complexos do Alemão e da Penha. Até a publicação deste texto, o post com a informação errada não tinha sido retirado do ar.

Procurado, o Pleno News reforçou que, além da errata, a página também destacou, na postagem, o comentário do delegado, que reforçou as origens dos armamentos mostrados no vídeo.

De acordo com um comunicado da Polícia Civil, foram confiscadas 120 armas na operação, sendo 93 fuzis. O arsenal tem origem de países diferentes – entre eles Venezuela, Argentina, Peru, Bélgica, Rússia, Alemanha e Brasil – e inclui modelos usados em zonas de conflito, como AK-47, AR-10, G3, FAL e AR-15.

As postagens identificadas pelo Comprova destacam apreensões de fuzis vindos da Venezuela e, falsamente, de Cuba. Nas publicações, internautas tentam estabelecer uma conexão entre os governos desses países — ambos de esquerda — e uma suposta atuação no abastecimento do crime organizado brasileiro.

Características dos fuzis venezuelanos apreendidos

Apesar de o fuzil venezuelano ter sido destacado na postagem analisada, não existe diferença dele para os que vieram de outros países, de acordo com o analista do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Roberto Uchôa.

“Do ponto de vista técnico ou operacional para o criminoso, um FAL venezuelano, argentino ou brasileiro (desviado) são funcionalmente idênticos. Todos são fuzis potentes, robustos e confiáveis, projetados para uso militar”, explicou ao Comprova.

Uchôa também afirma que o diferencial das armas apreendidas é a rota de origem delas. “Fuzis FAL, sejam da Venezuela, Argentina ou Peru, não são armas compradas no mercado civil, como um AR-15 pode ser nos EUA. A sua presença nas mãos de criminosos aponta quase invariavelmente para o desvio das Forças Armadas ou policiais desses países”, disse.

Segundo ele, a menção a armas venezuelanas sugere uma rota de tráfico consolidada pelo Norte do Brasil, enquanto armas argentinas entram pela região Sul/Sudoeste. Ele opina que não é possível afirmar que todos eles são da mesma origem.

Rotas ilegais das armas

No vídeo analisado, o delegado Vinicius Domingos afirma que as armas têm origem na fronteira com a Amazônia, principalmente as que são de outras Forças Armadas e também entram no Brasil por rota terrestre, a maioria delas vindas do Paraguai.

Em outra postagem, do início de outubro, o delegado detalha as origens de armas apreendidas por policiais no Brasil. Segundo ele, apenas 5% dos armamentos confiscados têm fabricação nacional.

“Isso deixa claro que mais de 95% das armas que hoje estão nas mãos dos criminosos que assolam a sociedade carioca foram de fabricação estrangeira e entraram em nosso país por meio das conhecidas rotas que entram não só armas, drogas e materiais contrabandeados”, detalha.

Na opinião do presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, José Ricardo Bandeira, a grande parte dos fuzis apreendidos terem origem estrangeira indica que o crime organizado no Rio de Janeiro possui uma estrutura logística robusta de tráfico internacional de armas, capaz de contornar as barreiras nacionais de fiscalização.

“A preferência por fuzis de uso militar e estrangeiros, muitas vezes com o número de série raspado ou falsificado, indica o altíssimo poder de investimento das facções”, explicou, ao Comprova. “ Isso demonstra que o Comando Vermelho e outras facções mantêm conexões diretas ou indiretas com redes de contrabando que se estendem pela América do Sul e até pela Europa, provando o caráter transnacional do crime.”

Perfil da apreensão

Ainda conforme José Ricardo, a apreensão de fuzis estrangeiros de alto calibre, como AK-47 e FAL/G3, confirma o perfil de armamento pesado utilizado pelas grandes facções criminosas do Rio de Janeiro ao longo dos anos.

“A novidade, muitas vezes, não está no tipo de arma em si, mas na escala da apreensão em um único dia e nas evidências de ramificações em outros estados, como as inscrições do “CV AM” – Comando Vermelho do Amazonas –, em algumas armas. O que se tem visto é uma modernização e um aumento de poder de fogo que acompanha a expansão das facções, mas os modelos básicos de fuzis táticos continuam a ser o padrão do arsenal do crime”, explicou.

Fontes consultadas: Postagens da Polícia Civil do Rio, do delegado Vinicius Domingos e os especialistas José Ricardo Bandeira e Roberto Uchôa.

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta, no monitoramento, um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova fez uma verificação sobre a megaoperação, concluindo que o pedido de apoio feito pelo governo do Rio foi anterior à megaoperação e se dirigiu à Defesa, não à Justiça.

Contextualizando

Investigado por: 05/11/2025

Pedido de apoio feito pelo governo do Rio foi anterior à megaoperação e se dirigiu à Defesa, não à Justiça

Contextualizando
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, não mentiu ao afirmar que não recebeu pedido de ajuda do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), no caso da megaoperação de 28 de outubro. Como o Comprova contextualiza, houve um pedido de Cláudio Castro, feito no início do ano, ao Ministério da Defesa, sem relação direta com a ação recente.

Conteúdo investigado: Posts dizendo que o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, teria mentido ao dizer que não negou pedido de apoio do governo do Rio de Janeiro em relação à megaoperação que deixou 121 mortos na capital fluminense.

Onde foi publicado: X.

Contextualizando: Um post viral combina a fala do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, com a imagem de uma carta enviada pelo governador Cláudio Castro ao ministro da Defesa, José Múcio, em 28 de janeiro de 2025, e conclui incorretamente que Lewandowski teria “mentido” ao negar ter recebido solicitação do governo fluminense.

Na gravação, Lewandowski declara: “Não recebi nenhum pedido do governador do Rio de Janeiro enquanto ministro da Justiça e Segurança Pública para esta operação. Nem ontem, nem hoje. Absolutamente nada.” A declaração é de 28 de outubro, dia da operação que deixou 121 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha.

O documento exibido na postagem é, de fato, uma carta que Cláudio Castro enviou a Múcio em 28 de janeiro de 2025. Nela, o governador solicita “a valiosa cooperação e apoio logístico da Marinha do Brasil, por meio do fornecimento de veículos blindados, com os respectivos operadores e mecânicos”. A carta, porém, se refere à presença de blindados na região de um hospital carioca onde uma médica militar havia morrido após ser atingida por uma bala perdida em dezembro de 2024.

Em nota da Defesa sobre o assunto, enviada ao Comprova, o órgão confirmou ter recebido o documento e informou que foi submetido à análise da Advocacia-Geral da União (AGU). Afirmou que “a Marinha posicionou veículos blindados no perímetro do hospital, respeitando o limite legal de 1.400 metros em torno de instalações militares, medida voltada à segurança da área e dos militares” na época da morte da capitã. E que a “AGU emitiu parecer técnico indicando que a solicitação do governo do Rio de Janeiro somente poderia ser atendida no contexto de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que demandaria decreto presidencial.”

Ou seja, diferentemente do que afirma o post investigado, Lewandowski não mentiu, pois o Ministério da Justiça não recebeu nenhum pedido e, além disso, a carta de Castro não tinha relação com a recente operação.

Contatado pela reportagem, o Ministério da Justiça afirmou que mantém “cooperação contínua” com o governo do Rio de Janeiro desde 2023, por meio da Força Nacional de Segurança Pública, e que todos os pedidos feitos pelo Estado para emprego da Força Nacional foram atendidos.

Quem criou o conteúdo

O perfil reúne cerca de 317 mil seguidores no X. Em sua biografia, o usuário se apresenta como uma “conta de paródias” e afirma publicar uma “sinopse diária dos assuntos políticos, econômicos, sociais e ocorrências mundanas”.

Apesar de se autodefinir como um perfil humorístico ou de sátira, não fica clara a intenção do autor, e muitas pessoas acreditam que os posts contêm verdades. Com frequência, a página publica conteúdos de cunho político e opinativo, com ênfase em temas de segurança pública, economia e gestão federal. As postagens mais recentes mantêm um tom crítico em relação ao governo Lula e aos ministros.

O Comprova tentou contato com o perfil por meio do e-mail informado na biografia, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

Por que o Comprova contextualizou este assunto? O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta, no monitoramento, um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Lula autorizou a GLO a atuar em áreas nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro em 2023, com validade até maio de 2024. Você pode ler mais sobre o assunto na verificação feita pelo Comprova sobre mudanças na Anatel.