O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a golpes e fraudes virtuais.Filtro:
Vídeo que mostra visita de Lula (PT) ao Vietnã foi espelhado para disseminar a teoria conspiratória de que ele teria sido substituído por um sósia. A imagem mostra a mão direita do presidente, com cinco dedos. É na mão esquerda que ele possui quatro dedos após ter perdido o dedo mínimo em um acidente de trabalho.
Conteúdo investigado: Vídeo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece apertando a mão de um outro homem em frente a um casarão amarelo com janelas verdes. A legenda afirma que o encontro teria acontecido no Japão. A gravação dá um zoom nas mãos de Lula e questiona se ele teria um sósia, pois o vídeo mostra cinco dedos em sua mão esquerda.
Onde foi publicado: TikTok.
Conclusão do Comprova: Vídeo que mostra visita do presidente ao continente asiático teve as imagens espelhadas para disseminar teoria conspiratória. Por meio de busca reversa no Google, descobrimos que a agenda de Lula aconteceu em Hanói, capital do Vietnã, em março deste ano. A gravação é um registro da cerimônia de boas-vindas ao chefe de Estado brasileiro, que ocorreu no dia 28, no Palácio Presidencial de Hanói. O vídeo foi publicado originalmente na página de Lula no Instagram. Ao comparar as gravações, é possível observar elementos que comprovam que as imagens foram invertidas.
No vídeo alvo da verificação, Lula aparece do lado direito enquanto à sua esquerda está Luong Cuong, presidente do Vietnã. Atrás do brasileiro, estão os oficiais vietnamitas enfileirados também à direita. Já na gravação original, as posições estão invertidas. Como em um espelho, a mão direita de Lula parece ser a esquerda, o que gera a confusão. É fato amplamente conhecido que o presidente perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho quando atuava como metalúrgico.
Essa não é a primeira vez que a teoria conspiratória de que Lula teria morrido e sido substituído por um sósia circula nas redes sociais. Em outras ocasiões, o Comprova já explicou que se trata apenas de uma história sem fundamento. Geralmente, são utilizadas ferramentas de manipulação de imagens para dar falsa credibilidade à conspiração, como distorção de voz ou inversão de vídeos.
No caso da visita ao Vietnã, outros registros oficiais do mesmo evento mostram a mão esquerda de Lula sem o dedo mínimo. Confira foto abaixo:
| Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Comprova entrou em contato com o autor da postagem no TikTok, mas não recebeu respostas até a publicação deste texto.
Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.
Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. No TikTok, até o dia 29 de abril, o vídeo havia acumulado mais de dois milhões de visualizações, mais de 20 mil compartilhamentos e 48,3 mil curtidas.
Fontes que consultamos: Busca reversa no Google para identificar onde e quando ocorreu o fato registrado no vídeo; consulta à agenda de Lula no site do governo federal; redes sociais do presidente brasileiro; além de matérias na imprensa profissional sobre a missão do chefe de Estado no Vietnã.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Golpes virtuais utilizam diversas táticas para chamar a atenção de suas vítimas, frequentemente explorando a urgência, fazendo ofertas tentadoras, propagando informações falsas ou se fazendo passar por entidades conhecidas. O Comprova vem analisando diferentes tipos de golpes digitais. Entenda como golpistas abordam suas vítimas pela internet ou pelo celular, conheça as táticas que utilizam para chamar a sua atenção e saiba como você pode se proteger dessas armadilhas.
Golpe do frete
Como os golpistas abordam as pessoas: Via redes sociais. Eles invadem contas no Instagram e, passando-se pelo dono do perfil, anunciam que estão doando móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, entre outros itens. Quando uma pessoa interessada entra em contato, os golpistas pedem o pagamento de uma taxa para o frete dos itens, mas a entrega nunca é realizada.
Que táticas eles usam para chamar a atenção: Ao invadir a conta de alguém e usá-la como plataforma para suas mensagens, os golpistas aproveitam da credibilidade ou confiabilidade que aquela pessoa possui com sua rede de contatos. Também são usadas fotos dos supostos itens para doação para atribuir veracidade ao ato. A qualidade dos produtos e o suposto fato de estarem sendo doados também funcionam para chamar a atenção de quem vê os stories com o conteúdo falso.
Qual é o objetivo do golpe: Utilizar a identidade de alguém para receber transferências bancárias ou Pix por fretes inexistentes.
Como se proteger: Para proteger uma conta de possíveis invasões, é importante configurar a autenticação de dois fatores do Instagram e nunca fornecer o código para terceiros. Para ativar esse método de proteção, é preciso acessar o menu de configurações e, na sequência, selecionar a opção “central de contas”. Nesta tela, o usuário deve seguir o caminho “senha e segurança” > “autenticação de dois fatores” e escolher a conta que deseja configurar. Dessa forma, será necessário fornecer um código de login toda vez que o usuário conectar a conta em um novo aparelho.
Além disso, é possível aumentar a segurança do seu perfil ao ativar o envio de solicitações de login. Quando um aparelho que não é o seu tentar se conectar à sua conta, uma notificação será enviada para o dispositivo já cadastrado. Essa configuração está disponível em “central de contas” > “senha e segurança” > “autenticação de dois fatores” > “métodos adicionais”.
Uma senha forte para o acesso ao Instagram também pode ajudar você a se proteger de invasões ao perfil. O ideal é que a senha possua pelo menos seis caracteres e combine números, letras maiúsculas e minúsculas, símbolos e espaços. É importante evitar informações óbvias, como o seu nome, data de nascimento, apelido, cidade onde mora ou número de telefone.
No caso das pessoas que vierem a se deparar com posts da falsa doação, é importante refletir e se fazer algumas perguntas antes de realizar o pagamento. Você conhece aquela pessoa? Ela está se mudando ou tem algum outro motivo para doar tantas coisas de qualidade? Mesmo que as respostas para ambas as perguntas sejam “sim”, fale com ela por outros canais, como telefone e WhatsApp, para checar se o anúncio é verdadeiro. Ao perceber que é falso, denuncie para o Instagram – basta clicar nos três pontinhos no canto superior direito dos Stories e clicar em “denúncias”.
A quem denunciar: Assim que souber que seu perfil foi invadido, é importante avisar amigos e familiares. E também avisá-los de que o anúncio de doação é falso. Em seguida, registrar um Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil com o máximo de informações. O titular da conta hackeada pode solicitar suporte do Instagram acessando https://www.instagram.com/hacked.
Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Depois que o Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou que pretende aumentar o número de beneficiários da tarifa social de energia elétrica, iniciativa que concede isenção ou descontos na conta de luz, dúvidas surgiram sobre quem irá pagar a conta dos R$ 4,45 bilhões que a medida custará. Abaixo, o Comprova explica a proposta do governo federal e suas implicações.
Conteúdo analisado: Vídeos publicados no TikTok afirmam que, após proposta do governo federal, cidadãos passarão a ser responsáveis por arcar com os custos da conta de luz de brasileiros beneficiados pela tarifa social de energia elétrica. Um dos narradores pergunta: “E aí, já tá preparado para pagar o talão de luz do teu vizinho?”. Outro vídeo sugere: “Já pensou abrir a geladeira sem medo, ligar o ar condicionado sem peso na consciência?”
Comprova Explica: O Ministério de Minas e Energia (MME) enviou à Casa Civil, no dia 16 de abril, a proposta de projeto de lei de reforma do setor elétrico. Ela ainda pode sofrer alterações antes de chegar ao Congresso Nacional. Atualmente, cerca de 60 milhões de brasileiros se enquadram no perfil que pode acessar a tarifa social, iniciativa que concede isenção ou descontos na conta de luz.
Caso o projeto do MME prospere, 16 milhões de pessoas terão a conta de luz zerada. O governo federal defende que a proposta é uma forma de promover “justiça tarifária”.
O projeto é isentar os seguintes usuários com consumo de até 80 quilowatts-hora (kWh) por mês:
Famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda mensal de até meio salário mínimo per capita;
Pessoas com deficiência ou idosos inscritos no Benefício de Prestação Continuada (BPC);
Famílias indígenas ou quilombolas do CadÚnico;
Famílias do CadÚnico atendidas em sistemas isolados por módulo de geração.
Se o consumo for superior a 80 kWh, o consumidor pagará apenas o que ultrapassar o limite estabelecido. Dessa forma, caso o consumo seja de, por exemplo, 100 kWh, o consumidor pagará apenas 20 kWh.
Além disso, a proposta também prevê um novo desconto para famílias com renda entre meio salário mínimo e um salário mínimo por pessoa e consumo de até 120 kWh por mês por meio da isenção do pagamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia uma série de políticas no setor de energia.
De acordo com o governo federal, o desconto pode beneficiar cerca de 55 milhões de pessoas. A previsão é de uma redução de cerca de 11,8% nas contas de luz dessas pessoas. A economista e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Carla Beni pontua que o intuito é que esse desconto contribua para a diminuição do roubo de energia, conhecido como “gato”. Atualmente, os consumidores já pagam pelos “gatos”. Em 2023, as tarifas foram até 13,4% maiores por conta disso.
Como funciona atualmente?
Pelas regras vigentes, a tarifa social funciona da seguinte maneira para famílias inscritas no Cadúnico:
Desconto de 65%: consumo de 0 a 30 kWh;
Desconto de 40%: consumo de 31 a 100 kWh;
Desconto de 10%: consumo de 101 a 220 kWh;
Desconto de 0%: consumo a partir de 221 kWh.
Famílias indígenas e quilombolas têm isenção de até 50 kWh.
Quem paga a conta?
Conforme noticiado por diversos veículos jornalísticos, a proposta deve custar R$ 4,45 bilhões aos demais consumidores. O impacto imediato na conta de luz é de 1,4%. Entretanto, o governo federal prevê uma compensação gradual com a limitação dos descontos às fontes de energia incentivada, a exemplo das energias eólica e solar.
A ideia é que com o vencimento dos contratos de aquisição de energia de fontes incentivadas, sejam retirados R$ 10 bilhões em subsídios da conta de luz a longo prazo. Porém, ainda não há informação de quando começaria ou se encerraria esse faseamento da compensação.
Nesse sentido, Carla destaca que os consumidores já arcam com os custos da tarifa social praticada atualmente. “Minha conta já tem um adicional para isso e a sua também”, ressalta a economista. A tarifa social da energia elétrica foi criada em 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso. A ideia é que, a partir de agora, esse custo seja dividido entre diversos tipos de consumidores, como os das residências, indústria e comércio.
De acordo com a proposta do governo federal, o conjunto de medidas foi desenhado para que o aumento dos recursos necessários para oferecer os benefícios sociais seja neutralizado em outras ações estruturais de “redução ou de redistribuição de encargos setoriais”. Um exemplo é a distribuição dos custos, ou seja, o rateio, da energia das usinas Angra 1 e 2 entre todos os consumidores. Atualmente, ele é pago somente pelo consumidor cativo, como é o caso das residências.
Outras ações seriam “a redução dos encargos decorrentes do consumo de energia incentivada, a distribuição uniforme de encargos entre todos os os consumidores e a melhor definição da autoprodução de energia elétrica”.
Apesar de considerar necessário combater a pobreza energética no Brasil, Carla tece críticas à proposta e afirma faltar informações detalhadas sobre dois aspectos cruciais: o sistema de compensação e a abertura do mercado (leia mais abaixo). “É importante (promover justiça tarifária), mas a proposta precisa ser mais bem detalhada. Estamos falando de uma mudança no setor energético do país”, frisa a economista.
Outras medidas
A proposta de mexer na tarifa social de energia elétrica faz parte do projeto do governo federal para promover a reestruturação do setor elétrico. Também está inclusa no projeto a abertura do mercado de energia. Assim, os consumidores poderão escolher de qual empresa geradora querem comprar o serviço. O terceiro eixo da reforma quer promover o rateio de custos entre consumidores livres (têm liberdade de escolher o fornecedor de energia) e cativos (têm que comprar energia do fornecedor que detém a concessão do local onde está conectado). O MME criou uma cartilha para sanar dúvidas sobre o assunto.
O Comprova entrou em contato com os autores das publicações no TikTok que falam sobre a proposta de alterar a tarifa social da energia elétrica, mas não obteve resposta até o fechamento deste texto.
Fontes consultadas: Assessoria de imprensa e site do MME, sites de veículos jornalísticos e especialista da FGV.
Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está gerando muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Circulam posts sugerindo que o governo federal pretende acabar com o Bolsa Família. Eles são enganosos, uma vez que não há nenhum anúncio oficial nesse sentido. Uma das publicações tira de contexto declaração do presidente Lula sobre o Brasil não ficar “eternamente vivendo do Bolsa Família". Ele falava sobre a situação econômica dos brasileiros melhorar até não haver mais necessidade do benefício. Outro post cita “apuração da CNN", mas não há registro de que o veículo tenha publicado qualquer conteúdo dizendo que o governo vai acabar com o benefício.
Conteúdo investigado: Postagens sugerindo o fim do Bolsa Família. Uma delas traz a legenda: “Governo Lula avisa os pobres que a situação do Brasil está melhorando, por isso o programa social pode acabar”.
Onde foi publicado: TikTok.
Conclusão do Comprova: São enganosos posts insinuando que o governo federal teria anunciado o fim do Bolsa Família. Um dos conteúdos verificados distorceu uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para espalhar tal mentira.
Em um evento em 15 de abril, em Resende, no Rio de Janeiro, o presidente afirmou que o “país não pode ser eternamente pobre, eternamente vivendo de Bolsa Família”. Em seguida, ele disse que seu desejo é que as pessoas se formem e aprendam uma profissão para “viver bem”.
Como a Folha afirmou, a declaração se deu em meio a discussões no governo federal sobre a redução do prazo da regra de proteção do Bolsa Família, que faz com que pessoas continuem recebendo o benefício mesmo após um aumento da renda acima do estipulado pelo programa.
Atualmente, de acordo com as regras, se a renda familiar passar de R$ 218 por pessoa (limite para receber), mas continuar abaixo de meio salário mínimo (R$ 759), 50% do benefício é mantido por 24 meses. A regra de proteção foi estabelecida em junho de 2023 pelo artigo 6º da Lei 14.601.
Outros posts mencionam “apuração da CNN” para sugerir que o fim do programa estaria em discussão no governo. A partir de busca no Google, o Comprova encontrou trecho em que a jornalista Juliana Lopes, da CNN, comenta mudanças no programa.
Ela diz que, após fazer um pente-fino e distribuir o benefício a quem realmente tem direito, agora o governo está reavaliando o recebimento da bolsa por pessoas com carteira assinada. Diferentemente do que o post sugere, em nenhum momento ela fala do fim do programa. No site da CNN também não há nenhum conteúdo nesta linha.
O Comprova tentoucontatar os perfis que publicaram o conteúdo enganoso, mas não houve resposta até a publicação deste texto.
Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.
Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até 25 de abril, apenas dois posts com a desinformação somavam mais de 537,2 mil visualizações.
Fontes que consultamos: O MDS e reportagens sobre a declaração de Lula em Resende e sobre o Bolsa Família.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Pessoas que recebem assistência social na Dinamarca podem votar nas eleições sem qualquer tipo de impedimento, desde que sejam cidadãos maiores de 18 anos com residência permanente no país. Post viral que afirma o contrário se baseia em legislação antiga do país europeu, conhecida como “Ajuda aos Pobres”. O dispositivo foi anulado em 1961.
Conteúdo investigado: Post com a foto de uma mulher loira apontando para a seguinte frase: “É uma ideia que tem a maior lógica. Interessante. Na Dinamarca, toda pessoa que recebe algum tipo de ajuda social está inabilitada para votar. Desta forma evita-se que a cidadania se transforme em clientelismo político e que votem cativamente. Compartilhe isso se você quiser que seu país consiga o mesmo”.
Onde foi publicado: X.
Conclusão do Comprova: É enganoso o post que afirma que as pessoas que recebem algum tipo de assistência social na Dinamarca ficam impedidas de votar. A publicação que viralizou no X menciona legislação antiga para desinformar. O dispositivo conhecido como “Ajuda aos Pobres” foi anulado em 1961.
Ao Comprova, a Embaixada da Dinamarca no Brasil informou que “qualquer cidadão maior de 18 anos com residência permanente tem o direito de votar nas eleições gerais” e destacou que “é falsa a informação de que as pessoas que recebem benefícios sociais no país não têm o direito ao voto”. O direito é garantido pelo artigo 29 da Constituição da Dinamarca. A informação pode ser confirmada, em inglês, no site do Parlamento dinamarquês.
Ainda de acordo com a embaixada, desde 2019 circulam nas redes sociais, principalmente em países latino-americanos, informações falsas sobre quem pode votar na Dinamarca. Além do Brasil, o Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca observou postagens sobre o tema na Argentina, no Paraguai, no Chile e no México.
Um trecho da Constituição do país aponta que quem recebe assistência governamental pode perder direito ao voto apenas por lei. Entretanto, não existe legislação vigente sobre o assunto. Até 1933, aqueles que recebiam assistência do governo dinamarquês, chamada de “Ajuda aos Pobres”, não podiam votar. Após uma reforma social, as pessoas que recebiam benefícios do governo passaram a poder votar. Em 1961, a “Ajuda aos Pobres” foi oficialmente retirada da legislação.
O sistema de segurança social da Dinamarca é famoso em todo o mundo. Além do acesso à educação e saúde, os cidadãos dinamarqueses têm outros benefícios. Desempregados recebem subsídios, há licença parental paga, jovens de 18 a 24 anos têm direito à assistência psicológica, entre outros – tudo financiado por impostos. Ademais, pessoas que residem legalmente na Dinamarca e não têm meios de subsistência ou não conseguem prover o próprio sustento também podem receber assistência governamental.
O Comprova entrou em contato com o perfil que fez a publicação no X, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até 23 de abril, a publicação havia sido visualizada 236,8 mil vezes.
Fontes que consultamos: Embaixada da Dinamarca no Brasil, sites do governo e do parlamento dinamarquês, portal da The Nordic Co-operation, Constituição da Dinamarca e redes sociais das embaixadas da Dinamarca no México e na Argentina.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Outras checagens sobre o tema: O UOL Confere, a AFP Checamos, o Estadão Verifica e a Agência Lupa também já mostraram que as pessoas que recebem assistência social na Dinamarca não ficam impedidas de votar nas eleições do país.
Notas da comunidade: A postagem no X exibe uma nota da comunidade com a seguinte frase: “Restrição do voto, de fato, existiu a cidadãos que recebiam a ‘ajuda para os pobres’, mas a legislação foi extinta em 1961”.
A vacina contra a covid-19 se tornou obrigatória para crianças a partir dos 6 meses em janeiro de 2024. Alguns pais e mães, porém, se recusam a imunizar seus filhos, alegando não confiarem na segurança e eficácia do produto. Nessas situações, a Unidade Básica de Saúde (UBS) pode, após explicar a importância da vacinação, encaminhar a questão ao Conselho Tutelar e, se a recusa continuar, o caso pode seguir ao Ministério Público. Por fim, os responsáveis podem ser multados, segundo decisão proferida em março pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Conteúdo analisado: Post com vídeo em que uma mulher afirma ter sido encaminhada ao Conselho Tutelar em Santa Catarina após se recusar a vacinar seu bebê contra a covid-19.
Onde foi publicado: X.
Contextualizando Uma postagem na qual uma mulher diz ter sido denunciada para o Conselho Tutelar de sua cidade após a recusa de vacinar seu bebê de um ano contra a covid-19 viralizou nas redes sociais, gerando dúvidas. O Comprova não conseguiu encontrar a autora da publicação, mas traz aqui informações sobre o que ocorre em casos semelhantes.
Em março deste ano, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que pais e mães que se recusam a imunizar seus filhos contra a covid-19 estão sujeitos à multa, que pode variar entre três e 20 salários mínimos. O órgão considerou que a vacinação foi recomendada em todo o país a partir de 2022, e que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou constitucional a obrigatoriedade da imunização, “desde que a vacina tenha sido incluída no Programa Nacional de Imunizações, ou que sua aplicação seja imposta por lei ou, ainda, determinada pelo poder público com base em consenso científico”.
A decisão segue também o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que, em seu artigo 14, diz que “é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”.
Ainda em 2020, o STF concluiu que “o Estado pode impor aos cidadãos que recusem a vacinação as medidas restritivas previstas em lei (multa, impedimento de frequentar determinados lugares, fazer matrícula em escola), mas não pode fazer a imunização à força”. Na época, o ministro Kassio Nunes Marques disse que a liberdade de crença dos pais não pode ser imposta aos filhos quando se trata de protegê-los.
A história do post que deu origem a esta apuração teria ocorrido em Santa Catarina. Ao pesquisar no Google, o Comprova encontrou como resultado um caso anterior, semelhante, ocorrido em Brusque, no oeste do estado catarinense.
O Comprova contatou o Conselho Tutelar da cidade. O órgão afirmou que cerca de 70 famílias assinaram, após orientações e tentativa de conscientização, o Termo de Recusa Vacinal nas Unidades Básicas de Saúde da cidade desde janeiro de 2024 (quando a vacina se tornou obrigatória para crianças a partir de 6 meses).
O termo é enviado ao Conselho Tutelar, que pede que os responsáveis compareçam ao órgão, onde lhes são dadas mais informações e, “caso necessário, é aplicada uma advertência”. É dado um prazo para que eles vacinem o filho e, se continuarem se recusando, o caso é enviado ao Ministério Público.
”É importante salientar que a maioria dos genitores compreendem as orientações e vacinam seus filhos antes da comunicação ao MP”, afirmou o conselho de Brusque. Esse processo é feito em casos envolvendo qualquer uma das vacinas obrigatórias, não apenas a da covid-19.
O imunizante contra o novo coronavírus para crianças de seis meses a menores de 5 anos entrou no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1º de janeiro de 2024 – desde então, é obrigatório. Segundo o Ministério da Saúde, o bebê pode tomar o produto da Moderna, em duas doses, ou da Pfizer, em três. Como doenças evitadas com a vacina, o ministério inclui em seu site “as formas graves e complicações pela covid-19″.
Sobre os efeitos colaterais, o Ministério da Saúde diz que eles “têm sido, em sua maioria, de leves a moderados e não duram mais do que alguns dias”. Segundo o órgão, entre os efeitos mais comuns estão dor no local da injeção, febre, fadiga, dor de cabeça, dor muscular, calafrios e diarreia.
A vacina contra a covid-19 tem sua segurança e eficácia reconhecidas por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Organização Mundial da Saúde (OMS) e Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos. Por lá, a vacinação não é obrigatória, mas o FDA recomenda que crianças a partir dos 6 meses a recebam.
Fontes consultadas: Ministério da Saúde, Anvisa, Conselho Tutelar de Brusque, OMS e reportagens sobre vacinas contra a covid.
Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
É enganoso o vídeo que mostra o presidente Lula (PT) posando para fotos em frente a uma “casa de mentira” e afirma que se trata de gravação com simulação de entrega de casa do programa Minha Casa Minha Vida. As imagens foram feitas durante visita do presidente a uma feira de construção civil, onde ele posou para fotos em um estande com um modelo de imóvel feito de cerâmica.
Conteúdo investigado: Publicações que utilizam vídeo que mostra o presidente Lula posando para fotos e afirmam que se trata de uma armação feita pelo governo federal para simular uma entrega do programa Minha Casa Minha Vida. “Fizeram uma casa de mentira para dizer que estão entregando casas”, afirma um homem em uma das gravações.
Onde foi publicado: X e Twitter.
Conclusão do Comprova: São enganosos os conteúdos que utilizam um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para afirmar que ele participou de uma simulação de entrega de imóvel envolvendo o programa Minha Casa Minha Vida.
As imagens mostradas nas publicações foram gravadas durante a participação de Lula na Feira Internacional da Construção Civil, a Feicon, no dia 8 de abril de 2025, durante o 100º Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), em São Paulo. O presidente esteve presente ao lado de ministros e a visita foi registrada pela assessoria de imprensa do Planalto.
O que as publicações dizem ser uma casa é, na verdade, um modelo de imóvel feito de cerâmica. O projeto Casa Cerâmica, responsável pelo estande, fez uma publicação no dia da visita de Lula com fotos do momento. “Construímos uma casa modelo da @pacaembuconstrutora dentro do pavilhão do SP Expo, na maior feira da construção civil da América Latina”, informou a postagem.
A Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer), que representa o empresariado do setor junto às instituições públicas e privadas, também registrou a visita do presidente à Feicon. “Na manhã desta terça-feira, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou a @ceramicacasa, na Feicon. A casa modelo foi construída em 5 dias e pode ser replicada em qualquer lugar do Brasil”, informou na publicação.
O perfil oficial do presidente Lula no Instagram publicou várias fotos do evento, entre elas algumas em frente ao imóvel modelo.
| Frame do vídeo viralizado
| Post no Instagram da Anicer
A mais recente entrega de unidades habitacionais pelo programa Minha Casa Minha Vida, registrada pelo governo federal, foi em 13 de fevereiro, em Belém (PA). Com relação a campanha de divulgação do programa, o conteúdo mais recente, localizado pela reportagem, foi de 2 de janeiro de 2025, gravado em Fortaleza (CE) e Recife (PE), com imagens reais de conjuntos. Entretanto, os vídeos não têm a participação do presidente.
O Comprova tentou contato com os autores das postagens, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.
Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até 17 de abril, o post no X teve 813,5 mil visualizações. No Tiktok, o vídeo alcançou 500 mil.
Fontes que consultamos: Busca reversa no Google com frame do vídeo viralizado levou ao site da Revista Anicer. Publicação no portal mostra a construção da casa modelo na Feicon. Depois, foram consultadas as redes sociais da Anicer e do projeto Casa Cerâmica. A presença de Lula no evento foi confirmada por meio de publicação feita pelo Planalto no site do governo federal. Para verificar informações sobre o programa Minha Casa Minha Vida, foi acessado o site da Agência Brasil e o canal no Youtube do Ministério das Cidades.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
É enganoso post que usa estudo feito nos Estados Unidos para afirmar que a vacina contra a gripe é ineficaz e que vacinados têm 27% mais chance de pegar a doença. O estudo foi feito em um centro médico, incluiu apenas profissionais de saúde, em sua maioria adultos jovens e saudáveis, e mediu somente a incidência de gripe entre vacinados e não vacinados. O estudo fala que a eficácia no grupo estudado foi de -26,9%, mas, segundo autores, e diferentemente do que o post afirma, os resultados não concluem que a vacina aumenta o risco de gripe. Além disso, o material não foi revisado por pares e tem limitações, ainda de acordo com os próprios estudiosos.
Conteúdo investigado: Publicação alegando que estudo feito nos Estados Unidos mostra que a vacina da gripe é ineficaz na prevenção da doença.
Onde foi publicado: Site e X.
Conclusão do Comprova: É enganoso o conteúdo de um post do site Médicos pela Vida, segundo o qual um estudo científico aponta que a vacina contra a gripe é ineficaz na prevenção da doença e aumenta em 27% o risco de adoecer. A pesquisa foi feita em um centro médico, incluiu apenas profissionais de saúde que trabalham no local, em sua maioria adultos jovens e saudáveis, e mediu somente a incidência de gripe entre vacinados e não vacinados.
Segundo os autores, o estudo tem limitações e os resultados não concluem que a vacina aumenta o risco de gripe, mas sim que, no grupo restrito analisado, a eficácia do imunizante foi de -26,9%, com uma margem de erro entre -55,0% e -6,6%. O imunizante trivalente inativado, usado pelas pessoas citadas na pesquisa, é o mesmo administrado na população brasileira.
O artigo avaliou a incidência de gripe, e não a gravidade ou nível de hospitalização pela doença, o que historicamente a vacina costuma reduzir. O artigo foi publicado em fevereiro deste ano e atualizado em abril, mas ainda está em fase de preprint, ou seja, não foi avaliado por pares. Segundo o próprio site em que ele foi publicado, estudos como este relatam “novas pesquisas médicas que ainda não foram avaliadas e, portanto, não devem ser usadas para orientar a prática clínica”.
Além disso, os próprios autores do estudo disseram ao Comprova que “os resultados não sugerem que a vacinação aumenta o risco de gripe” e sim que “a eficácia da vacina desta temporada [2024-2025] na prevenção da gripe pode ter sido limitada em profissionais de saúde relativamente saudáveis”. A vacina contra a gripe é uma estratégia eficaz de combate à doença e usada de forma ampla no mundo desde a década de 40.
O Comprova entrou em contato com o site que fez a publicação, mas não obteve resposta até o fechamento deste texto.
Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.
Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até 16 de abril, a publicação tinha 42,2 mil visualizações no X.
Fontes que consultamos: O estudo publicado no MedRxiv, o site da Cleveland Clinic, os autores da publicação, especialista membro da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e o site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).
O que diz o estudo e onde ele foi publicado?
O estudo que deu origem ao texto checado foi feito com cerca de 50 mil trabalhadores do Cleveland Clinic, um centro médico de pesquisa estadunidense, entre outubro de 2024 e janeiro de 2025. O intuito dos pesquisadores foi verificar a incidência cumulativa da influenza entre esses trabalhadores – em sua maioria, adultos saudáveis – vacinados e não vacinados contra a doença.
Os resultados apontaram uma incidência semelhante de gripe entre os dois grupos no início, mas ela teria aumentado mais rapidamente entre os vacinados ao longo do estudo. A grande maioria dos profissionais que fizeram parte da pesquisa estavam vacinados contra a Influenza e receberam a vacina inativada trivalente.
Segundo dados publicados na versão do texto atualizada em 4 de abril, dos 43,8 mil profissionais vacinados, 1.079 foram infectados (2,02%). O texto apontou que “a vacinação contra influenza foi associada a um maior risco de influenza durante a temporada viral respiratória de 2024-2025, sugerindo que a vacina não foi eficaz na prevenção da doença”.
Apesar disso, os pesquisadores disseram ao Comprova que a conclusão não sugere que a vacinação aumenta o risco de gripe, nem os resultados se aplicam a toda a população – eles se limitam a profissionais de saúde saudáveis. Além disso, há limitações especificadas no próprio texto do artigo, como o fato de ele não ter medido a eficácia da vacina para reduzir a gravidade da doença e as hospitalizações.
Quem são os responsáveis pelo estudo? Ele foi revisado?
O artigo é assinado por quatro pesquisadores: Nabin K. Shrestha, médico do departamento de doenças infecciosas da Cleveland Clinic; Amy S. Nowacki, médica do departamento de ciências quantitativas da saúde da Cleveland Clinic; Steven M. Gordon, médico do departamento de doenças infecciosas da Cleveland Clinic; e Patrick C. Burke. O quarteto já assinou uma série de artigos juntos.
A publicação disponível online, por enquanto, não foi revisada por pares. O artigo foi publicado no repositório online MedRxiv, projeto colaborativo do laboratório Cold Spring Harbor (CSHL), Universidade de Yale e British Medical Journal (BMJ). A plataforma é destinada à publicação de preprints acadêmicos. O Frequently Asked Questions (FAQ) do site aponta que as publicações feitas ali não são revisadas por pares, nem sofrem edições antes de serem publicadas, podendo conter erros.
O site do repositório ainda deixa claro que preprints não devem ser considerados como orientação para a prática clínica ou comportamentos relacionados à saúde e não devem ser divulgados na mídia como informação consolidada.
O próprio estudo, no subtítulo da discussão, aponta que existem limitações importantes no preprint. Uma delas é o fato de que a vacina inativada trivalente contra a Influenza foi usada em 99% da coorte de estudo, e que não se pode descartar a possibilidade de que outras vacinas tenham sido mais eficazes na temporada de 2024-2025. O estudo também não comparou hospitalizações e mortalidades, nem incluiu crianças e idosos.
Publicação não concluiu que vacina da gripe é ineficaz, dizem autores
Em nota enviada ao Comprova, os autores do estudo explicaram que “os resultados não sugerem que a vacinação aumenta o risco de gripe”. Isso vai de encontro à publicação que viralizou no Brasil. “Em vez disso, o estudo sugere que a eficácia da vacina desta temporada na prevenção da gripe pode ter sido limitada em profissionais de saúde relativamente saudáveis”, completa a nota.
Os estudiosos acrescentaram que a vacina contra a gripe pode ser altamente eficaz na redução da gravidade da doença, na prevenção a hospitalizações e na minimização da disseminação do vírus. No entanto, a eficácia pode variar a depender da cepa predominante em cada temporada, além de fatores individuais, como idade e condições de saúde.
“A análise dos dados mostrou que a incidência de influenza foi maior entre os indivíduos vacinados do que entre os não vacinados. No entanto, os dados vieram de uma população relativamente saudável de cerca de 50 mil profissionais de saúde e não representavam a população em geral”, frisa a nota. Os pesquisadores destacaram ainda que o número de pessoas infectadas foi pequeno diante de um universo de mais de 43 mil vacinados.
Leia abaixo a nota completa do Cleveland Clinic:
O estudo tem fragilidades?
O estudo se trata de um preprint, ou seja, ainda não passou pela revisão de pares. Nesse sentido, a vice-presidente da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Melissa Palmieri, aponta que a pesquisa possui fragilidades relacionadas ao tipo do estudo e à população que foi analisada.
A pesquisa foi feita com uma população relativamente jovem, com idade média de 42 anos, sendo 75% do sexo feminino. Cerca de 20% exerciam atividade profissional em enfermagem clínica. “Isso limita a generalização dos resultados para outras faixas etárias, gênero e população fora do ambiente de saúde”, explica Melissa.
A especialista esclarece que a natureza ocupacional das pessoas que participaram da pesquisa (todas atuam na Cleveland Clinic) pode interferir em pontos como o grau de exposição ao vírus e o nível de cuidado com a própria saúde, o que pode enviesar o estudo.
Na análise de Melissa, o tipo do estudo (estudo de coorte prospectivo) também deixa perguntas sem respostas. “Quem se testava mais? Eram imunossuprimidos? Tinham filhos pequenos em creches (crianças têm mais chances de se infectar)? Trabalhavam na assistência direta aos pacientes? Em detrimento de quem não se vacinou, mas também não se testou ou até fez o autoteste, mas não reportou?”, pondera.
Ela ainda critica o fato do estudo não ter acompanhado o estado de saúde das pessoas que adoeceram. “A grande riqueza da vacina é prevenir casos graves e mortes. O ideal é que se olhasse os desfechos graves”, frisa Melissa, que classifica a postagem em questão como um caso de cherry picking. “Pegam um estudo, dentre milhares que mostram a segurança e eficácia (da vacina), e fazem uma descontextualização da importância da vacinação contra a gripe”, diz Melissa.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Post engana ao dizer que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi condenado por uma corte nos Estados Unidos. A publicação tira de contexto a fala da deputada republicana Maria Elvira Salazar, durante a realização de uma comissão para discutir ações de Moraes contra plataformas virtuais. A audiência não teve caráter condenatório, ao contrário do que afirma o post.
Conteúdo investigado: Vídeo em inglês mostra uma deputada americana fazendo críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Um texto sobreposto ao conteúdo afirma que Moraes foi “condenado por corte dos Estados Unidos” por “violar direitos humanos na corte internacional”.
Onde foi publicado: TikTok.
Conclusão do Comprova: É enganoso o conteúdo publicado no TikTok que afirma que o ministro do STF Alexandre de Moraes foi “condenado por corte dos Estados Unidos” por “violar direitos humanos”. No trecho checado, Maria Elvira Salazar, uma deputada republicana da Flórida, chega a dizer que Moraes estaria restringindo a liberdade de expressão dos brasileiros.
Maria Elvira criticou Moraes, alegando que o ministro estaria cerceando a liberdade de expressão dos brasileiros. “Não sabemos se o Sr. Moraes é um socialista (…) mas sabemos que ele está cerceando um dos direitos fundamentais de uma democracia que é a liberdade de expressão”, disse a deputada republicana.
Na ocasião, foram ouvidas figuras como Michael Shellenberger e Paulo Figueiredo. Os parlamentares Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também estavam presentes.
A deputada Maria Elvira Salazar faz perguntas a Michael Shellenberger sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes. A audiência está disponível na íntegra no YouTube, e a fala de Salazar pode ser vista a partir do minuto 1:26:00. Esse é o momento em que sua fala foi tirada de contexto e republicada em peças como a checada. No entanto, a fala não tem relação com nenhuma condenação de Moraes no país nem houve desdobramentos condenatórios.
Como também mostrou o Estadãoem fevereiro deste ano, o ministro Alexandre de Moraes é alvo de uma ação na Justiça dos Estados Unidos com a alegação de violação à soberania americana. O processo é movido pela Trump Media, do presidente dos EUA Donald Trump, e pela plataforma de vídeos Rumble. As empresas tentaram acusar o ministro de censura, e a Justiça dos Estados Unidos negou o pedido da companhia.
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que vai atuar na ação movida pelas empresas e que a defesa será realizada em parceria com um escritório internacional com competência para atuar na justiça norte-americana. “Como previsto na legislação brasileira que disciplina a representação judicial no exterior. A pedido do STF, a AGU já iniciou as tratativas para atuação jurídica no caso”, informou a AGU em texto publicado no site oficial.
Por meio de nota, a AGU informou que não houve, até o momento, notificação para que o ministro Moraes apresentasse defesa. “A pedido do STF, a AGU seguirá monitorando o andamento do processo”, informou ao Comprova. A reportagem também não encontrou processos ou ações contra o ministro em outros países.
O Comprova entrou em contato com a página responsável pela publicação do vídeo, mas não obteve resposta.
Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.
Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até 14 de abril, o vídeo no TikTok tinha 77 mil curtidas e 17 mil compartilhamentos. O conteúdo obteve 983 mil visualizações.
Fontes que consultamos: O Comprova procurou por notícias de que Alexandre de Moraes teria sido condenado nos Estados Unidos e por audiências citando o ministro nos EUA. A busca resultou nesta checagem do Estadão Verifica, de agosto de 2024: “Vídeo de congressista dos EUA com críticas a Alexandre de Moraes não é recente”. O Comprova também procurou no YouTube pela transmissão do debate e pelo discurso completo da deputada americana (aqui e aqui).
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Em meio à mobilização pela anistia dos condenados pelo 8 de janeiro de 2023, circulam posts dizendo que o Supremo Tribunal Federal (STF) erra ao condenar um pipoqueiro e um vendedor de sorvete, citados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em discurso recente. Um dos posts fala que “dois trabalhadores com seus equipamentos de venda são considerados golpistas” e que o caso é um “manicômio judicial”. Os homens disseram ter chegado a um acampamento em frente ao Quartel-General do Exército de Brasília em 8 de janeiro, mas negaram ter participado dos ataques à Praça dos Três Poderes. Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), ao estarem no acampamento, eles aderiram ao grupo que queria o golpe.
Conteúdo analisado: Post sobre condenação de pipoqueiro e vendedor de sorvete que participaram do ato golpista de 8 de janeiro. Na legenda, o autor escreve: “Pipoca e sorvete são armas de golpe? Para o STF, dois trabalhadores com seus equipamentos de venda são considerados golpistas. Além deles, outras três pessoas foram condenadas nesta sexta-feira. Esse manicômio judicial precisa acabar. Alexandre de Moraes e seus capangas precisam pagar pela crueldade contra o povo”.
Onde foi publicado: X e Instagram.
Contextualizando: Estão circulando nas redes sociais posts questionando se “pipoca e sorvete são armas de golpe”. Essas publicações se referem a dois homens que foram condenados por atos golpistas e citados por Jair Bolsonaro, no domingo (6), em São Paulo, em ato pró-anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.
“Olhe só o que está acontecendo no Supremo no dia de hoje. Eles já têm maioria para condenar um pipoqueiro e um sorveteiro por golpe de Estado. É inacreditável o que acontece”, afirmou Bolsonaro, que, em seguida, falou sobre o caso em inglês.
O sorveteiro e o pipoqueiro são, respectivamente, Otoniel Francisco da Cruz, de 45 anos, e Carlos Antônio Eifler, de 55. Eles foram condenados pelo STF, em 4 de abril, a um ano de reclusão por associação criminosa. A pena privativa de liberdade foi substituída pela restrição de direitos, e eles terão que prestar 225 horas de serviços à comunidade ou a entidades públicas e participar presencialmente do curso Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado, com 12 horas de duração, além do pagamento de multa. Eles não podem sair da comarca em que vivem nem usar redes sociais até o cumprimento total da pena.
A maioria dos ministros do STF seguiram o voto do relator, Alexandre de Moraes. Apenas Kassio Nunes Marques e André Mendonça pediram a absolvição.
Os dois condenados negam ter participado dos ataques na Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Cruz, que mora em Porto Seguro, na Bahia, disse ter chegado a Brasília na noite de 8 de janeiro, quando os ataques na Praça dos Três Poderes já teriam ocorrido, e que ficou em um acampamento em frente ao quartel do Exército. Contou não ter pago o deslocamento nem a comida e a bebida que recebeu no acampamento. E que não sabia quem havia pago pela viagem.
Eifler vive em Lajeado, no Rio Grande do Sul. À Justiça, contou ter ido à capital federal ao ser convidado para participar de um “abraço simbólico” na Esplanada dos Ministérios. Disse ainda que houve problemas no trajeto, fazendo com que ele só chegasse ao destino à tarde e se dirigisse diretamente ao acampamento em frente ao QG do Exército.
O “sorveteiro” e o “pipoqueiro” foram presos em 9 de janeiro, no acampamento. Diferentemente do que afirma um dos posts virais, eles não estavam trabalhando – nem vendendo sorvete nem pipoca. Segundo a Procuradoria-Geral da República, que denunciou os dois, mesmo que eles possam não ter participado dos atos de vandalismo, “o acampamento passou a se constituir como ponto de encontro para uma associação estável e permanente, que ali se estabeleceu e permaneceu inclusive durante a prática dos atos de vandalismo e protestos antidemocráticos consumados no dia 8 de janeiro de 2023, com a invasão das sedes dos Três Poderes”.
Posts afirmando que eles teriam sido condenados porque estariam apenas trabalhando são mais um dos conteúdos que circulam causando desinformação sobre as penas. Recentemente, o Comprova mostrou que a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos não foi condenada “só” por ter escrito “perdeu mané” em uma escultura na Praça dos Três Poderes, como tem sido espalhado em publicações nas redes sociais. Ela foi condenada por cinco crimes (abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada).
Fontes consultadas: Sites do STF e do JusBrasil e reportagens sobre o caso.
Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.