Eleições

Investigado por: 03/10/2026

Vídeo de policiais com denúncia infundada sobre urnas eletrônicas é de 2018

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Conteúdo sobre suposta fraude no Distrito Federal circula em períodos eleitorais desde 2018, como já verificado pelo Comprova.

Não é verdade que as urnas do Distrito Federal já tenham votos computados antes do pleito nem que seus lacres eletrônicos tenham sido violados. O vídeo com a suposta denúncia de fraude eleitoral, que já foi verificado pelo Comprova e declarado infundado pela Polícia Federal (PF), foi gravado e veiculado durante as eleições de 2018. 

| Legenda: Análise de frame do vídeo no Google Lens |

 

O conteúdo desinformativo voltou a viralizar em outras eleições, como mostrou o Estadão Verifica em 2020. O vídeo mostra dois policiais militares em frente ao prédio da Polícia Federal do Distrito Federal denunciando uma suposta fraude eleitoral depois de terem sido acionados por um representante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “A urna que deveria estar zerada já veio com a suspeita de ter votos impressos nela”, diz um dos indivíduos no vídeo. Outra alegação feita pelo segundo agente é de que o lacre eletrônico da urna havia sido violado. 

Em 2018, a denúncia foi investigada pela PF e pelo Ministério Público Federal e, após colhidos os depoimentos, não foi comprovada. O caso ocorreu na região do Guará, que faz parte da 9ª Zona Eleitoral. Diante da situação, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) apurou que houve, na verdade, um desconhecimento técnico do colaborador contratado pelo tribunal. 

TRE-DF e TSE descartaram irregularidade após apuração

De acordo com o TRE-DF, o boletim de urna e a zerésima foram emitidos sem alterações. O primeiro documento mostra, ao final do pleito, todas as informações sobre os votos dados a cada candidato, partido político, votos brancos, votos nulos, número da seção, identificação da urna e a quantidade de eleitores que votaram naquele aparelho. Já o segundo documento é assinado no início da votação pelo presidente da seção, pelos mesários e pelos fiscais dos partidos ou coligações, e mostra a identificação da máquina e a comprovação de que nela estão registrados todos os candidatos e de que não há nenhum voto computado.

Em maio de 2019, os dois policiais do vídeo, que cometeram crime de perturbação dos trabalhos no primeiro turno das eleições de 2018, aceitaram o acordo judicial proposto pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O acordo estabeleceu o pagamento de um salário mínimo, no valor de R$ 998 (valor da época), por cada agente à Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias. 

Quem criou a postagem e qual é o seu interesse na disseminação do conteúdo?

Um dos vídeos, publicados por um perfil no X que posta conteúdos favoráveis à ideologia da direita, teve ao menos 11 mil visualizações até ser retirado do ar neste sábado (3).

Outro post verificado pelo Comprova foi publicado por um perfil iniciado em abril deste ano e que conta com mais de 10 mil seguidores.

Quais as principais táticas de persuasão na publicação?

O Comprova constatou táticas de persuasão comuns entre quem distribui conteúdos de desinformação com o intuito de descredibilizar o processo eleitoral, principalmente a transparência das urnas eletrônicas. O conteúdo verificado recorre ao apelo às autoridades – os policiais – e à distorção de fatos, explorando a falta de conhecimento técnico de dois policiais para gerar desconfiança. 

Publicada na véspera do primeiro turno, a publicação também explora  o viés de confirmação e o sentimento de pânico.

Fontes que consultamos: O Comprova realizou uma busca reversa no Google Lens e usou o SynthID para analisar a foto de um dos perfis. Também consultou publicações em sites de notícias e nas páginas do TRE-DF, do TSE, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.  

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Como afirmado acima, o Comprova já havia verificado o conteúdo nas eleições de 2018 e, o Estadão, na de 2020. Entre outros veículos que já haviam verificado o mesmo vídeo, estão UOL e AFP. 

Notas da comunidade: Não há notas da comunidade, mas, em um dos posts no X verificado pelo Comprova, um usuário pergunta ao Grok, inteligência artificial da plataforma, se o vídeo é verdadeiro. O Grok responde: “O vídeo é de outubro de 2018, no 1º turno das eleições daquele ano. Mostra os sargentos Ivomar Vieira Padre e Hércules Alves Viana (PMDF) relatando suposta irregularidade em urna na frente da PF em Brasília. A denúncia foi apurada pelo TRE-DF, TSE e pelo MP e considerada infundada. Eles fizeram acordo judicial em 2019”.