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Investigado por:2020-07-03

Texto que lista 17 conselhos para a pandemia mistura dados corretos e informações falsas sobre o vírus

  • Enganoso
Enganoso
Comprova investigou um por um os 17 conselhos listados em corrente que viralizou no WhatsApp e que usa como base artigo de um site português. Veja o que descobrimos
  • Conteúdo investigado: uma corrente que circula no Whatsapp e traz uma lista de “17 conselhos” sobre a covid-19.

É enganoso o texto “17 conselhos para lidar com a pandemia da covid-19”, que vem sendo compartilhado em correntes de WhatsApp e que foi publicado originalmente em uma página do portal português Impala.pt. O conteúdo, que mescla informações corretas com outras total ou parcialmente incorretas, é um compilado de outras publicações – muitas com trechos que também já tinham sido distorcidos – que já circularam na internet.

Em uma primeira versão, o site havia publicado que a autoria de 17 conselhos – e não 15 – seria de Robert Ray Redfield, virologista, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão do governo americano responsável por dar orientações à população sobre a pandemia de covid-19. O portal também associa o virologista à chefia da Clínica de Doenças Infecciosas da Universidade de Maryland, nos EUA – afirmação que não é verdadeira. Esse cargo pertence à Faheem Younus, que é professor da Universidade de Maryland e chefe do departamento de doenças infecciosas do centro médico Upper Chesapeake Health, associado à Universidade de Maryland.

Younus, em sua conta do Twitter, se dedica a esclarecer desinformações relacionadas à pandemia. E alguns dos conselhos presentes no texto, de fato, têm muita similaridade com o que ele já publicou – mas oito deles foram publicados no portal com erros de tradução, interpretação e com informações adicionais. Algum tempo depois, o portal Impala editou o texto publicado, modificando os conselhos de 17 para 15, alterando parte do conteúdo, retirando o nome de Robert Ray Redfield e deixando a autoria dos conselhos apenas como “Chefe da Clínica de Doenças Infecciosas da Universidade de Maryland, nos EUA”, sem mencionar Younus. O Comprova verificou, abaixo, os 17 conselhos, traduzidos para a língua portuguesa do Brasil, cuja fonte foi atribuída ao portal Impala.

Como verificamos?

Para entender se havia ocorrências desse conteúdo anteriores à publicação do portal Impala, o Comprova pesquisou nas redes sociais. Posts virais que replicaram o conteúdo com a configuração antiga, que mencionava Robert Ray Redfield, foram encontrados no Facebook. Também encontramos o perfil de um homem chamado Luís Martins, que aparece como membro da equipe na página do portal Impala no Facebook. Martins havia compartilhado o post dos conselhos em seu perfil com a configuração antiga – ou seja, com a foto de Redfield e o título “Covid-19: Os conselhos de um dos maiores especialistas do mundo”.

O Comprova também pesquisou em sites oficiais, contas verificadas no Twitter e perfis no Linkedin tanto quem é Robert Ray Redfield quanto quem seria o responsável pelo cargo da Universidade de Maryland mencionado no texto viral. E encontrou Faheem Younus, professor da universidade e chefe do departamento de doenças infecciosas do centro médico Upper Chesapeake Health, associado à Universidade de Maryland. A Universidade de Maryland foi contatada por e-mail e esclareceu que Younus não escreveu esse post viral. A assessoria da universidade também recomendou que a versão mais precisa de seus posicionamentos em relação a mitos sobre a covid-19 está em sua conta oficial do Twitter.

O Comprova, então, comparou os 17 conselhos com os posts do Twitter de Younus, esclarecendo eventuais desinformações. Por último, para avaliar a razoabilidade e a existência de evidências científicas nas afirmações do post viral, entrevistamos cinco especialistas no tema:

  • Bruno Ishigami, médico infectologista do Hospital Oswaldo Cruz, em Recife;
  • Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Emílio Ribas;
  • Leonardo Weissmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia;
  • Patrícia Canto, pneumologista da Fiocruz;
  • Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Para questionar o portal Impala sobre a procedência do conteúdo publicado, o Comprova tentou entrar em contato com a administração do site por e-mail e pelo Facebook, mas não obteve resposta até o fechamento desta verificação.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 3 de julho de 2020.

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Vírus C19?

A versão dos conselhos verificada pelo Comprova errava ao utilizar a expressão “o vírus de C19” diversas vezes. “C19 é uma sigla que tem sido usada por algumas pessoas para designar a doença covid-19. Mas o vírus é o Sars-Cov2, o novo coronavírus”, afirma Leonardo Weissmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia. Na versão atualizada, disponível no portal Impala.pt, não há nenhuma citação à nomenclatura.

O que dizem os conselhos e os especialistas?

O Comprova conversou com especialistas da área de infectologia e pneumologia. Segue, abaixo, o que eles dizem sobre cada um dos 17 tópicos publicados no texto do site Impala.pt.

1. Talvez tenhamos que morar com o C19 por meses ou anos. Não vamos negar ou entrar em pânico. Não vamos tornar nossas vidas inúteis. Vamos aprender a conviver com esse fato.

O doutor Younus não escreveu sobre isso no Twitter. Para o infectologista Bruno Ishigami, médico do Hospital Oswaldo Cruz, em Recife, a convivência do vírus por um longo período é o cenário “mais provável”. “Assim como aconteceu com o H1N1, zika, dengue, chikungunya. Essas doenças passam a fazer parte da nossa rotina. Comparando com o H1N1, que também é um vírus respiratório, deve acontecer um processo semelhante. O desenvolvimento da vacina e a incorporação da vacina contra a covid-19 no calendário vacinal para as pessoas consideradas do grupo de risco”, afirma.

Segundo ele, enquanto não tivermos uma vacina, as únicas medidas comprovadamente eficazes para combater a doença são o distanciamento social, o uso de máscara, evitar aglomerações e lavar as mãos.

2. Você não pode destruir os vírus C19 que penetraram nas paredes das células, bebendo galões de água quente – você só vai ao banheiro com mais frequência.

No Twitter, o doutor Younus escreveu que é falso que a ingestão de água quente possa eliminar o novo coronavírus. Segundo Ishigami, é possível que o novo coronavírus seja inativado pela água quente, por meio da destruição da partícula viral. No entanto, a temperatura necessária para que isso acontecesse é alta e causaria queimaduras. “Água e sabão e álcool a 70% também são capazes de inativar o vírus, mas nem por isso se recomenda que faça ingestão dessas substâncias pela toxicidade delas ao nosso organismo. Não existe nenhuma forma comprovadamente eficaz de eliminar o vírus dentro do nosso organismo, a ciência e os pesquisadores ainda estão tentando descobrir algum medicamento que seja capaz de fazer isso”, lembra o médico brasileiro.

3. Lavar as mãos e manter um distância física de dois metros é o melhor método para sua proteção.

O doutor Younus escreveu no Twitter que usar máscaras, evitar aglomerações, manter distância e lavar as mãos pode salvar vidas. Para o infectologista Bruno Ishigami, a afirmação do texto está parcialmente correta. “Eu adicionaria (…) evitar locais fechados com pouca circulação de ar, evitar locais com cantoria ou com muitas conversas como igrejas, praças de alimentação de shoppings, shows”, explica.

4. Se você não tem um paciente C19 em casa, não há necessidade de desinfetar as superfícies da sua casa.

O doutor Younus não escreveu sobre o cuidado com parentes no Twitter. De acordo com Ishigami, você pode manter a rotina de higiene da casa, sem a necessidade de cuidados extras, se não tiver um morador com covid-19. O médico lembra, porém, que algumas recomendações podem ser importantes para pessoas que têm saído de casa, principalmente àqueles que usam o transporte público. “Tentar dar uma maior atenção aos ambientes de entrada pela possibilidade, ainda que pequena de trazer o coronavírus da rua. Se possível, retirar tapetes, fazer higienização da entrada da casa com solução com água sanitária (uma parte de água sanitária para três partes de água), deixar calçados fora de casa, fazer higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel, tomar banho ao chegar de casa e deixar os pertences (bolsas, sacolas) em alguma área específica”, diz o brasileiro.

5. Cargas embaladas, bombas de gás, carrinhos de compras e caixas eletrônicos não causam infecção. Lave as mãos, viva sua vida como sempre.

Esse texto é similar à recomendação do doutor Younus no Twitter. Segundo o médico Bruno Ishigami, a taxa de contaminação por superfícies como cargas embaladas e bombas de gasolina realmente é pequena. Mesmo assim, ele considera prudente fazer uma higienização com solução de água sanitária, como descrito na resposta anterior.

“Em relação a carrinhos de compras e caixas eletrônicos pela elevada circulação de pessoas que têm acesso a esse tipo de superfície, é recomendado higiene das superfícies pela instituição onde estão os carrinhos e o caixa. Além disso, é importante que ao ter contato com essas superfícies seja realizado higiene adequada das mãos com álcool gel ou água e sabão. Lembrem-se de usar máscara e evitar levar as mãos ao rosto, principalmente, quando estiverem em áreas com grande circulação de pessoas”, lembra ainda o infectologista.

6. C19 não é uma infecção alimentar. Está associado a gotas de infecção como a gripe. Não há risco demonstrado de que o C19 seja transmitido solicitando alimentos.

O médico Faheem Younus não publicou nada a respeito disso, mas, em conversa com o Comprova, Leonardo Weissmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, confirma a afirmação. “Até o momento, nós não temos nenhuma comprovação de que o vírus seja transmitido por alimentos”, diz ele. Uma recomendação que ele destaca é higienizar os alimentos frescos. “Você sempre tem que lavar, independentemente de covid-19.”

7. Você pode perder o sentido do olfato com muitas alergias e infecções virais. Este é apenas um sintoma inespecífico de C19.

Faheem Younus escreveu sobre isso. O infectologista Weissmann confirma que a perda de olfato, e de paladar, pode acontecer “com o novo coronavírus e com outras infecções”.

8. Uma vez em casa, você não precisa trocar de roupa com urgência e tomar banho! Pureza é uma virtude, paranóia não é!

Em uma lista do que não fazer na pandemia, Younus publicou que é um mito que você precisa sempre trocar de roupa e tomar banho ao chegar. E acrescentou que as melhores medidas são lavar as mãos, distanciamento e evitar aglomerações. Entretanto, de acordo com Weissmann, o ideal é, sim, tomar banho ao chegar da rua. Patricia Canto, pneumologista da Fiocruz, reforça: “Em relação às roupas, a gente ainda sabe muito pouco sobre a propagação da covid-19. Temos algumas ideias, mas mais incertezas do que certezas. Então, precisamos ter excesso de cautela”, afirma ela. “Isso não deve ser encarado como paranóia, mas, sim, como medida de precaução.”

9. O vírus C19 não está no ar. Esta é uma infecção respiratória por gotículas que requer contato próximo.

Na mesma lista em seu Twitter, Younus escreveu apenas “mantenha uma distância segura”. Segundo Weissmann e Canto, a afirmação do post está incorreta, pois ignora o fato de que a transmissão do vírus é possível por superfícies, sem que a pessoa tenha contato com ninguém. “Há um consenso cada vez maior de que as fontes de infecção mais importantes sejam pelas vias aéreas, mais do que a questão de superfícies, mas a gente ainda tem que esperar novas avaliações para ver”, declara a pneumologista.

10. O ar está limpo, você pode caminhar pelos jardins (apenas mantendo sua distância de proteção física), pelos parques.

No dia 29 de março, Younus publicou em sua conta do Twitter uma afirmação similar a essa. Disse que é um mito que a transmissão do novo coronavírus se dá pelo ar. Na verdade, segundo o professor, trata-se de uma infecção por gotículas, o que requer contato próximo. “Nosso ar está LIMPO! Caminhe em um parque!”, tuitou o professor. Ele também acrescenta um print de um tuíte da Organização Mundial da Saúde, que diz que a covid-19 não é transmitida pelo ar.

Em entrevista ao Comprova, Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Emílio Ribas, alertou que, mesmo com a abertura dos parques, “é importante manter o distanciamento social de pelo menos dois a cinco metros das pessoas, principalmente as que estão caminhando”. No caso das pessoas que estão correndo, segundo Gorinchteyn, o distanciamento mantido deve ser de nove metros – e sempre com máscara. “Lembrando que a duração das máscaras é de duas horas. Não mais do que isso”, disse o infectologista.

11. É suficiente usar sabão normal contra C19, não sabão antibacteriano. Este é um vírus, não uma bactéria.

Essa afirmação de fato consta no Twitter de Younus. Também em 29 de março, ele postou que é um mito que usar sabão antibacteriano – mais caro – é melhor na prevenção da covid-19 do que sabão regular. “CoronaVÍRUS não é uma bactéria, lembra?”, tuitou o professor.

Jean Gorinchteyn corroborou a eficácia de lavar as mãos apenas com água e sabão. E reforçou: “Mas nem sempre a gente tem a presença de uma torneira e um sabonete. Portanto, o álcool em gel faz essa parte.”

12. Você não precisa se preocupar com seus pedidos de comida. Mas você pode aquecer tudo no microondas, se desejar.

Younus, de fato, escreveu isso. Segundo ele, você pode pedir comida e, se mesmo assim continuar preocupado, pode aquecê-la por dois minutos no microondas. Para Gorinchteyn, você pode pedir comida também, mas precisa ter cuidado com o que é trazido por entregadores. “Vá de máscara, mantenha distanciamento e, quando pegar a sacolinha, fique muito atento para não colocar a mão na boca, no nariz e nos olhos”, diz ele. É importante também, antes da higienização com álcool em gel, jogar fora a sacola e lavar a mão com água e sabão.”

13. As chances de levar o C19 para casa com os sapatos são como ser atingido por um raio duas vezes por dia. Trabalho contra vírus há 20 anos — as infecções por gota não se espalham assim!

Essa dica foi realmente tirada da lista de Younus. Mas, de acordo com Gorinchteyn, “por uma medida higiênica”, o ideal é deixar os sapatos para fora ou higienizá-los. Ele ressalta que a medida passa a ter mais eficácia caso “você tenha crianças em casa e, principalmente aquelas que rastejam”.

14. Você não pode ser protegido contra o vírus tomando vinagre, suco de cana e gengibre! Estes são para imunidade, não para cura.

Em entrevista ao Comprova, Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirmou que “até o momento, não existe nenhum alimento a que a gente possa atribuir algum papel na cura ou na prevenção da infecção pelo coronavírus”. Ou seja, não há evidências científicas de que vinagre, suco de cana ou gengibre tenham algum papel na prevenção ou no tratamento da covid-19.

Faheem Younus não publicou nada parecido com essa afirmação em sua conta no Twitter. Há alguns tuítes, porém, dizendo que não há evidências científicas de que diversos alimentos atuem no aumento da imunidade. Em 2 de junho, por exemplo, o professor afirmou que é um mito que “vitaminas C e D, zinco, canela, alho, açafrão, ervas, chás” aumentam a imunidade. “A maioria das pessoas saudáveis têm FORTE imunidade. Boas noites de sono, exercícios físicos e dietas balanceadas fortalecem ainda mais.”

15. Usar uma máscara por longos períodos interfere nos níveis de respiração e oxigênio. Use-o apenas na multidão.

A afirmação é falsa e não está na versão atualizada do texto publicado no portal Impala, que faz 15 em vez de 17 conselhos. No dia 25 de junho, Younus falou sobre o assunto no Twitter. Afirmou que é um mito que o uso de máscaras reduz o fluxo de oxigênio, aumenta níveis de dióxido de carbono, causa dores de cabeça e ativa o vírus. “Não faz sentido”, ele tuitou. “Máscaras não causam hipóxia ou retenção de CO2. Médicos/cirurgiões as utilizam há anos”.

Segundo Stucchi, “o uso correto de máscaras, feitas com tecido correto, que impeçam a passagem do vírus, mas que permitam a respiração, não leva a nenhum problema na respiração em si.” A infectologista, assim como outros especialistas entrevistados pelo Comprova em outras verificações, recomenda o uso de máscaras. “Nós devemos sempre usar as máscaras quando estivermos fora de casa e estivermos em locais que tenham possibilidade de aglomeração de pessoas – farmácias, supermercados, transporte público. Nos locais onde já flexibilizaram [o isolamento social], nos centros comerciais de rua ou de shoppings, sempre devemos usar as máscaras.”

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ligada ao Ministério da Saúde, em documento publicado em 3 de abril, reforça que as máscaras “não fornecem total proteção contra infecções, mas reduzem sua incidência”. O órgão recomenda o uso do equipamento em locais públicos.

16. Usar luvas também é uma má idéia; o vírus pode se acumular na luva e ser facilmente transmitido se você tocar em seu rosto. Melhor apenas lavar as mãos regularmente.

A afirmação é verdadeira. Em sua conta do Twitter, no dia 22 de maio, Younus diz que usar luvas em locais públicos para prevenir a covid-19 é um mito. Segundo ele, na verdade, o vírus entra no organismo por meio da mucosa nasal, da garganta e dos olhos – e não pela pele. O professor acrescenta que as mãos com luvas “podem acumular mais germes, que podem acabar sendo transportados para o rosto”. Ele lembra da importância de lavar as mãos e recomenda que as pessoas dispensem as luvas, a não ser que estejam cuidando de um paciente com covid-19.

Stucchi corrobora com essa informação: “Usar luvas, realmente, não tem nenhum sentido”. A recomendação, segundo ela, é sempre higienizar as mãos. “O que frequentemente acontece é que a pessoa com luva acha que a luva é autolimpante – então ela coloca a mão com a luva em todos os locais, coça olho, sem higienizar.” Stucchi acrescentou que a indicação do uso de luvas existe apenas para profissionais da saúde, em determinados momentos da atenção ao paciente.

17. A imunidade é muito enfraquecida ao permanecer sempre em um ambiente estéril. Mesmo se você comer alimentos que aumentam a imunidade, saia regularmente de sua casa para qualquer parque / praia. A imunidade é aumentada pela exposição a patógenos, não por ficar em casa e consumir alimentos fritos / condimentados / açucarados e bebidas gaseificadas.

Tanto a relação com o professor Faheem Younus quanto a afirmação em si são falsas. Faheem Younus não publicou nada parecido com isso em sua conta no Twitter. Vale destacar que esse tópico não consta na versão atualizada do texto publicado no portal Impala, que recomenda 15 em vez de 17 conselhos.

“Nós sabemos que a nossa imunidade, mesmo o nosso desenvolvimento de bebê até a idade adulta, vai sendo adquirida conforme a gente vai se expondo aos antígenos, aos germes e aos microorganismos. Isso realmente é verdade”, afirmou Stucchi. “Agora, não é porque nós estamos em casa neste momento que nós teremos a nossa imunidade enfraquecida. Nós devemos ficar em casa porque nós não queremos que haja um grande número de pessoas contaminadas ao mesmo tempo pelo coronavírus.” Enquanto não há uma vacina contra a covid-19, segundo a infectologista, a única maneira de impedir o alto número de casos simultâneos é ficando em casa “na maior parte do tempo e sempre que possível.”

Por que investigamos?

O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizam nas redes sociais. Quando o material aborda assuntos relacionados à covid-19, a verificação se torna ainda mais importante, pois coloca a saúde das pessoas em risco. O post compartilhado por uma usuária em 21 de junho e checado pelo Comprova recebeu 34,9 mil compartilhamentos no Facebook e até a publicação desta investigação foi visto mais de 1,4 milhão de vezes.

Seu conteúdo é perigoso porque distorce algumas recomendações de autoridades sanitárias, desinformando os leitores. O Comprova já publicou verificações de boatos que desestimulam o uso de máscara, afirmam que a covid-19 é uma trombose causada por bactéria e que a hidroxicloroquina pode descartar a necessidade de UTI.

Enganoso para o Comprova é quando um conteúdo é retirado de seu contexto original e utilizado de forma a modificar seu significado, induzindo a uma interpretação equivocada.

Outros veículos, como G1, Estadão e Boatos.org já haviam verificado o conteúdo de uma lista semelhante – que, como a primeira versão do texto do Impala.pt, creditava os “conselhos” a Robert Ray Redfield –, classificando-o como falso ou enganoso.