Política

Investigado por: 28/11/2025

Escritório da mulher de Moraes foi contratado pelo Banco Master, mas não há indícios de envolvimento em fraude financeira

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Post viral também desinforma ao dizer que ministro teria tirado do ar publicações mencionando Viviane Barci de Moraes.

Não é verdade que Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, tenha envolvimento no escândalo do Banco Master, ou que o magistrado tenha mandado derrubar posts associando o nome da esposa ao da instituição financeira, como alega um perfil no Instagram.

O escritório de advocacia Barci de Moraes, onde atuam Viviane e dois filhos do casal, como publicou O Globo em abril deste ano, foi contratado pelo banco para representá-lo judicialmente. “De acordo com fontes ligadas ao banco, Viviane representa o Master em algumas poucas ações”, diz a reportagem.

O fato de ela ser advogada da instituição não significa que tenha envolvimento no escândalo envolvendo o Master, liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro, após a Polícia Federal deflagrar a Operação Compliance Zero, com o objetivo de “combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional”.

O dono e presidente do Master, Daniel Vorcaro, foi preso em 17 de novembro, e o caso deve ser a maior operação de resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com indenizações aos clientes do Master que chegam a R$ 41 bilhões.

Além de o post desinformar ao afirmar que Viviane teria relação com o escândalo, ele também mente ao dizer que Moraes mandou tirar do ar publicações mencionando sua mulher e o banco. Uma busca simples no Google, que pode ser feita por qualquer pessoa, pelo nome de Viviane e do Master, traz como resultado diversas publicações nas principais plataformas sociais e YouTube – muitas com a mesma desinformação do post verificado aqui, de que ela teria envolvimento na fraude.

O Comprova pesquisou no site do STF e encontrou 31 processos em que Viviane consta como uma das advogadas, mas em nenhum deles foi identificada uma ligação direta com o Master.

A reportagem consultou o STF, que afirmou “não ter informação, até o momento” sobre qualquer pedido de Moraes para tirar posts relacionados ao caso de circulação.

A Polícia Federal e o Banco Central também foram contatados, mas não responderam até a publicação deste texto.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

O post verificado aqui foi publicado por um perfil no Instagram com 263 mil seguidores, alinhado à direita. A página publica conteúdos contrários a figuras como Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, além de, como já afirmado acima, repreender Moraes.

Muitos posts são favoráveis a Bolsonaro e seus filhos e alguns trazem vídeos do guru do bolsonarismo Olavo de Carvalho, morto em 2022.

O Comprova tentou contato com o perfil, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

Por que as pessoas podem ter acreditado

A publicação verificada se aproveita do viés de confirmação, quando torna-se mais fácil a pessoa não duvidar de algo em que ela já acredita. Pessoas que são contra as medidas de Alexandre de Moraes têm mais facilidade para não questionar o conteúdo que o mostra supostamente adotando uma medida judicial em favor da sua família.

O viés de confirmação também é reforçado na legenda do post, em que o autor escreve “Entenda a razão pela qual prenderam Bolsonaro!”, sugerindo que a ação de Moraes seria para encobrir a suposta ligação de Viviane com o Master. É possível ver isso a partir de comentários falando em “cortina de fumaça” e “O povo já sabe da roubalheira da esposa dele, não adianta esconder“.

A afirmação de que Bolsonaro teria sido preso para desviar o foco do suposto envolvimento de Viviane no caso do Master viralizou em post do aliado do ex-presidente e pastor Silas Malafaia de 23 de novembro, antes da publicação verificada aqui.

Além disso, a postagem imita a identidade visual de um veículo de informações para conferir credibilidade ao boato, mas não cita a fonte ou a origem das informações.

Fontes que consultamos: Site do governo federal, do Banco Central e do STF, diferentes redes sociais como Instagram, Facebook e TikTok e reportagens sobre o tema.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais, e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Neste ano mesmo, o Comprova verificou outro post dizendo enganosamente que Moraes teria censurado posts nas redes sociais. O ministro é alvo frequente dos desinformadores, que já inventaram que ele teria sido condenado pela Justiça dos Estados Unidos e que ele teria ordenado a troca de urnas na cidade de São Paulo para favorecer candidato da esquerda.